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Boa noite, senhor.
MUSEU DO HORROR
- Chega de desculpas. - Não há nenhuma pista, comissário.
Eu sei, mas já são três garotas desaparecidas!
Não encontramos sequer uma testemunha!
Chega de desculpas! Quero ação!
Meus superiores estão furiosos. E dêem uma olhada nisso.
"MAIS UMA GAROTA DESAPARECIDA DIANTE DA IMPOTÊNCIA DA POLÍCIA"
Temos que pôr um fim nesses sumiços, seja como for.
Que horror! Outra garota desaparecida!
Está difícil viver nesta cidade!
Garotas sempre somem.
Aos 20 anos, é muito fácil ceder à tentação ou em uma aventura.
Eu tenho uma teoria.
As três garotas sumiram ao mesmo tempo.
E as três eram muito jovens e muito bonitas.
Portanto, só deve haver apenas um culpado.
Ou três namorados diferentes, não?
Vocês, atores, são todos uns cínicos.
Eu fui um ator.
Hoje só gerencio um grande teatro e nada mais.
Eu insisto que deve haver só um culpado!
Quer parar de fofoca e servir minha sopa?
Sr. Abramón, seus modos deixam muito a desejar.
Mas pago minhas contas!
E odeio essa mania de fofocar das mulheres!
- Boa tarde. - Por que chegaram tão tarde?
Tivemos uma emergência.
E deve ter falecido, visto que caiu em suas mãos.
- Não, por sorte ele viverá. - Dificilmente.
Todo o hospital está abalado com a notícia.
Uma outra garota desapareceu.
Estou indo. Deus cometeu um erro ao dar uma língua às mulheres!
Também estou indo. Quero abrir o museu cedo.
Virá uma excursão da capital para admirar minha coleção de heroínas.
Há alguma figura nova?
Não, só as mesmas.
Qualquer dia desses eu faço uma visita.
Quando quiser. Com sua licença.
É triste que um grande ator tão famoso tenha terminado assim.
Um acidente pôs fim à sua carreira.
Eu tentei apresentá-lo ao Dr. Barrios.
Aposto que se ele o operasse, teria se recuperado.
E o que ele disse?
Que não espera nada da vida.
Que pena. É tão encantador.
Este é um dos primeiros grandes teatros construídos na América.
Aqui já desfilaram as mais famosas companhias européias.
E as glórias dos artistas nacionais.
É considerado uma verdadeira jóia nacional.
Sigam-me, por favor.
Agora veremos a famosa coleção.
As grandes heroínas da arte de todos os tempos...
caracterizadas com as mesmas roupas dos papéis que as levaram à glória.
Por aqui, por favor.
Esta é Hedda Gabler, grande personagem de Ibsen.
Mulher torutada e estranha.
Tinha que matar ou morrer.
Margarita. Por ela, o Dr. Fausto vendeu sua alma ao Diabo.
Aí está George Sand.
Musa de Chopin e mulher de sua vida.
- Há somente personagens femininos? - Sim, senhora.
Eu criei este museu...
e com minhas próprias mãos, modelei todos os personagens.
E sobretudo, admiro as mulheres.
- É muito cortês. - E muito sincero.
E por que estes lugares estão vazios?
Estão à espera de personagens famosos.
Elektra ficará aqui.
Seu amor culpado causou uma grande tragédia.
Ali, a triste e torturada "Dama das Camélias."
E aqui...
Aqui, a doce Julieta.
A amada imortal.
- Assim a coleção estará completa. - Oh, que emocionante!
É muito gentil. Sigam-me, por favor.
Ele veio daqui.
As mulheres desapareceram entre esta casa e a esquina.
Alguma ideia, comissário?
Sim, perguntaremos em todas as casas.
Alguém deve ter visto ou ouvido alguma coisa. Vamos.
Lembra de quando nos conhecemos?
Como posso esquecer? Me puxou pelas tranças e chorei.
E quando sentou, amassou meu chapéu novo.
Nosso primeiro encontro não foi nada romântico.
Aos sete anos, era a menina mais linda que eu já tinha visto.
- Você também não estava tão mal. - Ao menos não te fiz chorar.
Chorei quando foi estudar na capital.
Me sentia só e não tinha com quem discutir.
Viu? Estamos unidos por muitas lembranças.
E porque nós nos gostamos.
- Nada mais? - É pouco para você?
É que eu espero mais. Muito mais de você.
Não gosto der fazer planos, nunca se cumprem.
Tenho fé.
Nada. Vamos embora.
É inútil! Parece que só moram cegos e surdos nesta vizinhança!
Ninguém viu ou ouviu nada!
Se tivesse tantos anos de polícia como eu...
saberia que nossa profissão é composta de um pouco de sorte...
- e muita paciência. - Paciência?
Vamos.
Se precisar de mim, estarei no laboratório.
Sim, doutor.
- E espero que precise de mim. - Vou pensar a respeito.
Quer saber de uma coisa? Hoje é minha noite de folga.
- Que bom para você. - Poderíamos sair juntos.
Tive uma noite mal dormida.
Se quiser, posso acabar com seu sono.
Que perigo!
Na Pomba, acho que há uma nova cantora.
Dizem que é muito boa.
- E bonita? - Não sei.
Por que não descobrimos juntos?
Boa noite, doutorzinho.
Lecho, que está fazendo aqui?
Trabalho como vigia e no que aparece.
- Que bom. - Eu o vi entrar...
e queria pedir um favorzinho.
- Claro, diga. - Poderia me dar um trocadinho?
Tome. E lembre-se que o vinho não é um bom remédio.
Para mim, funciona. Obrigado.
Boa noite, senhoras.
Vamos dançar?
Com sua licença, senhora.
Até mais, paizinho.
Não está esquecendo de nada?
Certinho, paizinho.
- Olá, Lencho. - Como vai?
Não posso me queixar.
Marta.
Quando abrir meu consultório, precisarei de duas coisas.
Uma bela enfermeira e uma boa esposa.
É o que todos os médicos importantes precisam.
Que bom.
Para economizar, pensei que ambas poderiam ser a mesma pessoa.
É economia demais.
É a indicada.
O que me diz?
Vamos ou pensarão que somos parte do show.
Marta!
Esse povo dorme cedo.
- E você? - Eu?
Creio que farei o mesmo. Aqui não há mais nada de bom.
E eu?
Coloque na minha conta.
Sinto muito, mas não poderei acompanhá-las até em casa.
- Tenho uma emergência. - Não se preocupe, Raúl. Pode ir.
Com licença.
- Vou dormir. - Quer companhia?
Creio que não. Ganha muito pouco.
Bela mercadoria?
Desta vez, são mais 200 pesos.
Mais 200? Sabem que não posso pagar essa quantia.
Há policiais por toda parte!
Nos arriscamos muito para conseguir estes cadáveres!
Meu trabalho é muito importante. O que faço com estes cadáveres...
poderá significar que amanhã muitas pessoas...
vivam mais e não sofram tanto.
Muito romântico, doutor. Mas nós queremos viver agora.
E para isso, precisamos de dinheiro.
Aí está.
- Quando voltamos? - Mandarei avisar.
- Agora dêem o fora daqui. - É um prazer servi-lo.
Com licença.
Tem fogo, bonitão?
- Boa noite, Sr. Abramov. - Boa noite.
Não encontrei minha capa e peguei a do doutor.
Com licença.
Graças a Deus que chegou, doutor!
O que houve, Lencho?
Fui buscá-lo no hospital, mas disseram que não estava.
Sim, precisei visitar um paciente.
- Qual o seu problema? - Sonia!
- Quem é ela? - Minha melhor amiga.
- Ela está doente? - Um homem a assaltou!
Pode explicar isso?
Ela estava indo para casa. Eu estava de longe vigiando-a...
quando apareceu um homem e a roubou!
Eu tentei segui-lo, mas ele sumiu no ar!
- Você o viu? - Sim!
Não comentou nada com ninguém, não é?
Fez bem, Lencho. Me espere aqui.
Ele foi envenenado.
Tenho certeza que na ponta deste dardo contém "curare".
- Curare? - Sim.
É um veveno altamente ativo, extraído da raíz de Maracure.
Eu sei. Uma planta bastante comum na América do Sul.
Creio que sua especialidade seja embalsamar cadáveres...
e para isso são usados vários venenos.
Se está insinuando se conheço curare? Sim, conheço.
E digo mais: tenho um frasco dele em meu quarto.
Levem o corpo.
Sim, senhora. Eu canto no clube.
E soube que sua casa é melhor e mais barata que o hotel.
Este é o meu quarto mais alegre.
O hotel é muito triste.
Venha comigo. Vou lhe apresentar aos outros hóspedes.
Tenho o prazer de lhes apresentar a senhorita...
- Norma Lamar. - É um prazer.
Sente-se, senhorita.
Não falaremos de valores até que experimente minha comida.
- Obrigada, senhora. - Por que Luis não vem?
Disse que tinha uma emergência.
Com licença.
Te assustei?
Sim.
Este lugar tem algo de imponente e estranho.
Sim, o mistério do teatro.
Um pouco de sua magia e todas as memórias.
Vim falar com você.
Estou preocupada desde o que aconteceu com Lencho.
Não se preocupe. A polícia está cuidando disso.
- Por que não foi jantar? - Por causa do meu trabalho.
Estou preparando as três figuras que faltam.
Elektra, Margarita e Julieta.
- Posso ficar com você? - Simn, claro. Venha.
- Este é o meu mundo. - É um trabalho lindo.
Como teve a ideia de trabalhar com isso?
- Eu era ator. - Sei disso, o mais famoso de todos.
Sempre me apaixonava pelas heroínas das obras que interpretava.
E quando não podia mais trabalhar...
senti necessidade de me ver rodeado das figuras que amei.
Mesmo que lhes faltassem alma.
- Assim nasceu o meu museu. - É sensacional.
Sim, é minha válvula de escape.
A melancólica válvula de escape de um aleijado.
- Não! Você é um homem tão... - Não diga isso, por favor!
É muito bondosa mas é muito nova.
Talvez não perceba, mas já sou uma mulher.
Sim, você é. E o dia que se apaixonar...
se tornará a perfeita Julieta.
- A amada ideal. - Estou apaixonada.
Fico feliz. Por Raúl. É um bom rapaz.
Não estou apaixonada por ele!
Não? Posso saber quem é o sortudo?
Preciso mesmo dizer?
- Que absurdo! - É verdade!
Por que não reconhece a situação? Sou um aleijado, um fracassado!
A imagem oposta do homem brilhante que você merece!
"Uma verdadeira psicose coletiva tomou conta de nossa cidade.
"Os sumiços continuam e a polícia admite sua impotência.
"Recomenda-se que nenhuma mulher jovem saia desacompanhada à noite.
Chegamos a este ponto devido à ineficácia da nossa polícia."
Não se assuste, senhorita. Sou o comissário.
Boa noite, senhor.
Permita que um dos meus homens acompanhe-a até em casa.
Tem acontecido coisas estranhas...
Eu sei. Agradeço sua preocupação.
À sua disposição, senhorita.
- Boa noite, comissário. - Boa noite.
Sinto muito, Raúl. Não é justo esconder de você.
Eu agradeço.
- Mas acho que está enganada. - Não.
Você está cega de amor. E agirá de forma sentimental.
- Não fale assim. - Sei que em breve voltará para mim.
Saberei esperar o tempo que for necessário.
Não torne isso mais difícil, Raúl. Por favor.
Marta, não entende que nos conhecemos desde pequenos?
E, desde então, brincamos de ser noivos.
E esta brincadeira tornou-se meu destino e minha esperança.
Me tornei médico por você! Você me incentivou!
Agora dou duro para ser alguém na vida.
Alguém que mais tarde possa se orgulhar!
E quer que o meu sonho vá pelo ares?
Sinto muito. Estou confusa. Mas não posso enganá-lo.
Você é minha, Marta! Sempre foi!
E não permitirei que me tirem minha única razão de viver!
Me perdoe.
Não tenho o quê perdoar.
Sei que logo voltará ao normal.
Uma realidade que só eu existo.
Lembre-se disso: Lutarei por você até o fim!
Boa noite, doutorzinho.
Se sente mal?
- Depressa! - Estou indo!
Parados!
Quem são vocês e o que fazem aqui?
Somos homens honrados, Sr. oficial!
Isso saberemos na delegacia!
- Vamos dar o fora daqui! - Espere!
Temos que nos certificar que ele está morto!
Ele viu nossos rostos!
- Não poderá mais nos denunciar. - Vamos embora!
Temos que fazer tudo certo. Me ajude aqui!
Jamais encontrarão o cadáver!
- Ele se mexeu! - Não seja covarde! Enterre-o!
Marta! O que houve, filha? Por que gritou?
Um pesadelo horrível!
Se acalme, querida! Já passou, já passou!
Este foi o local do primeiro sequestro.
Marcaremos todos.
É evidente que o sequestrador atue somente nesta região.
Deve conhecer a área muito bem.
É impossível que um homem ande carregando um corpo sem ser visto!
A menos que possa sumir rapidamente.
E ele poderia viver em qualquer uma destas casas.
Acho que não.
Todas as casas desta região já foram inspecionadas.
E moram somente famílias honradas.
E qual é a sua rota de fuga?
É o único caminho possível.
- O cemitério. - Sim.
Se reduzirmos a vigilância nas ruas...
e reforçarmos o cemitério, conseguiremos pegá-lo.
Parece uma boa ideia.
Se me permite, gostaria de assumir a vigilância desta área.
- Certo. E cuide-se. - Claro, comissário.
Tenho 4 filhos.
Isso prova que o cemitério é a chave.
Insisto no meu plano, comissário!
Não. Não posso perder mais homens.
Tomarei cuidado, eu prometo.
Está bem. De uma alguma forma, esses assassinos pagarão.
- Olá. - Olá.
Sabia que viria.
Sim, vim para convencê-la que nosso amor é impossível.
Nada é impossível quando se deseja de verdade.
Um homem deve ter algo a oferecer à uma mulher.
Não tenho nada.
Não pensou que uma mulher queira somente estar sempre...
junto ao homem que ela escolheu?
Sempre?
Na vida real, a palavra "sempre" não tem sentido algum.
Não sei, Luis.
Sou uma garota simples e não entendo nada de filosofia.
Mas sei o que quero.
Eu quero você.
Pode me levar em casa?
Se o sequestrador decidir agir de dia...
não quero que ele me veja só.
Curare mais uma vez.
O mesmo procedimento. O mesmo assassino.
Depois da autópsia, conseguiremos determinar a hora da morte.
Obrigado, doutor.
- Era um bom homem. - Sim, o melhor.
- Quem contará à esposa? - Eu conto.
E direi algo mais:
Caçarei esta fera assassina que mata brutalmente...
mesmo que custe a minha vida.
Não sei do que está rindo!
Desculpe, mãe. É engraçado o jeito como ainda me trata.
E acha que já é uma mulher?
Sou e por isso tenho meus segredos.
Segredos? Não devem haver segredos entre mãe e filha!
- Sei que está apaixonada. - Sabe mesmo?
Acha que não percebo o jeito como olha para Raúl?
E como ele a come com os olhos? Acha que sou boba?
Não é nenhuma boba. É a mãe mais linda do mundo.
- Boa noite. - Boa noite.
- Boa noite, professor. - Boa noite.
Parece cansado.
Estou aperfeiçoando uma nova técnica de embalsamamento.
- Não poderia falar de outra coisa? - Pois então não pergunte.
Diga à Raúl que o jantar está pronto.
Um momento.
Lamento não poder deixá-la ficar.
Como vão suas experiências?
Progredindo.
Em breve poderei mostrar-lhe os resultados.
Adorarei saber. Confio no seu talento.
Marta!
Por favor.
Senhor Abramov!
- Ligação para o senhor. - Obrigado.
O que está escondendo ali?
Não respeita a privacidade alheia?
- Só estava curiosa. - Curiosos sempre terminam mal.
Mantenha distância do que não lhe diz respeito.
Quanta falta de paciência!
Olá!
Pensei que estivesse no hospital.
Larguei mais cedo e decidi vir até aqui.
- Quem é? - Elektra.
Uma das grandes personagens da tragédia grega.
Não é tão importante sem cabeça.
Ainda estou modelando-a. É bastante difícil.
Deve ter grandeza, formosura e violência ao mesmo tempo.
Posso dar uma olhada nas esculturas?
- Te interessa? - Tudo vindo de você me interessa.
Meu plano é ficar com você pelo resto da minha vida.
É o meu também. Juntos. Sempre.
A feição ainda está indefinida.
Logo ela será concluída. E será a própria Elektra.
Claro, ainda falta muito esforço, inspiração...
Mas sei o que quero.
É muito talentoso.
Não.
Veja o que eu sou.
E onde estou.
Está onde eu quero. Ao meu lado.
Aqui não há mesmo outra saída?
Não, comissário. Trabalho aqui há 50 anos...
e nunca soube de outra saída.
Marta!
Sinto muito. Não quis assustá-la.
Estava esperando por mim?
Não exatamente. É que eu a vi e imaginei que fôsse para casa.
- Se importa que eu a acompanhe? - Claro que não. Não somos inimigos.
Claro que não.
Tem certeza do que está fazendo?
Não quero falar sobre isso.
Acredite ou não, a idéia de magoá-lo me machuca.
Está bem.
Prometo que não falarei mais sobre isso.
Só quero que saiba uma coisa.
Não admito perdê-la.
Eu te amo e farei o que for preciso.
O que é isso? Ai, meu Deus!
- Graças a Deus que chegou! - O que houve, mãe?
- Acho que Lencho foi assassinado! - Como assim?
- Acho que sei quem é o assassino! - Acalme seus nervos, mãe!
Eu sei, minha filha! Eu sei!
- Avisou a polícia? - Estava esperando você chegar!
Acalme-se e me conte tudo.
Me senti mal, fui ao quarto de Raúl e então o vi...
Mamãe!
Alô? Alô?
- Sangue! - Está ferido!
- É este o telefone? - Tentei usá-lo mas não consegui.
Não, senhorita. Foi cortado.
- Está se sentindo bem? - Foi só um susto.
O pior de toda minha vida. Estou preocupada é com ela.
Ela só desmaiou. Logo estará bem.
- Teremos que levá-la ao hospital. - Posso ir com ela?
Pode, claro.
Um momento, senhorita.
Conseguiu ver o rosto do homem que a atacou?
- Não era um homem. - Perdão, não consigo entender.
Sei que parece estranho, mas...
sob o chapéu havia um rosto mumificado.
Não estou louca! É verdade, eu juro!
Venha, senhorita.
Não há nada nesta casa, comissário.
Fique aqui. Quando os outros chegarem, mande-os à delegacia.
Sim, senhor.
Gostaria de poder acreditar em tudo que disse...
mas na vida real as múmias não roubam e nem matam mulheres.
Já disse tudo que sei.
Não notou que podia se tratar de um disfarce?
Era um rosto horrível e os dentes brilhavam no escuro.
- O pior já passou. - Posso falar com ela? É importante.
Eu lhe dei um sedativo. Não falará com ninguém até amanhã.
Tomara que não seja tarde demais e o assassino consiga escapar.
Mandarei-a para casa com um de meus homens.
- Obrigada. - Vá com ela.
Doutor, acredita que uma múmia possa sequestrar mulheres?
Não tenho tempo para brincadeiras!
- Para sua casa, senhorita? - Não. Para o teatro, por favor.
Para o teatro.
Luis!
Luis!
Luis!
Luis!
Luis! Luis!
O que houve?
Precisava de você perto de mim.
Estava trabalhando e perdi a noção do tempo.
- Terminou sua Elektra? - Sim.
Diga-me, qual o problema? Por que está tremendo?
Mamãe descobriu quem é o assassino dos dardos.
Ela avisou à polícia?
Ela não conseguiu. Alguém tentou matá-la e desmaiou.
Então eu saí às ruas para buscar ajuda...
Acalme-se, está comigo e nada vai lhe acontecer.
Um café vai lhe fazer bem. Venha.
Quero que me explique o que fez com esse esqueleto.
Não tem direito algum de me interrogar.
Discutiremos isso depois.
Este caso tem muitos suspeitos e quero a verdade. Fale!
Entre, doutor.
- Boa noite. - Boa...
Algum problema com seu braço?
Sim, inspetor. Uma luxação.
Machuquei carregando algo pesado. Mas não é nada grave.
É mesmo uma luxação?
Sim.
Não será uma ferida de bala?
Acabei de explicar que é uma luxação.
Machuquei carregando algo pesado.
Talvez. Sabia que meus homens acertaram o assassino quando fugia?
- Está insinuando que... - Minha função não é insinuar.
Ou se prova ou se cala.
Posso saber porque fui chamado aqui?
Para falar. Está fazendo algumas experiências, não é?
Dedico todo meu tempo livre à isso.
As autoridades deram-lhe um pequeno laboratório para trabalhar.
Exato.
E não permite que ninguém entre lá.
Não. São trabalhos importantes e o segredo é necessário.
Está usando cadáveres?
Entre!
Conhece estes homens?
Não.
E vocês, conhecem estes senhores?
Não. Eu nunca os vi.
Leve-os.
Doutor, é melhor que diga a verdade.
Comissário, é melhor que tenha provas.
Não precisa do bastão!
Lamento que tenha descoberto.
Eu tinha outros planos.
Eu sou mais inteligente que todos os outros!
Ninguém poderá me deter! Ninguém!
Não pode ser você! Por que faria isso?
Venha!
Olhe para elas! Olhe para elas!
Eu criei todas!
Parecem bonecas de madeiras, não é mesmo? Mas não são!
Dentro de cada um destes personagens, há um ser humano!
Uma mulher linda que viveu de verdade!
- Não, cale-se! - Venha!
- Não quero te escutar! - Olhe para elas! São minhas!
Todas são minhas!
Quando estou sozinho converso com elas.
E represento as cenas mais imortais.
E elas me admiram.
Porque sou o maior artista de todo o mundo!
Você está louco. Louco!
Não diga isso, Julieta.
Minha amada Julieta, não fale assim.
Eu te amo e não permitirei que a morte destrua sua beleza.
Será eterna e ocupará o seu lugar gloriosamente!
Está doente, Luis. Eu cuidarei de você.
Aí mesmo... sobre este pedestal.
Será a Julieta mais maravilhosa de todos os tempos.
E eu vou te amar.
Vou te amar com doçura.
Com ternura.
Selvagemente!
Precisa me ouvir, Luis.
Sou Marta, a mulher que escolheu.
Venha comigo, eu vou ajudá-lo.
Não! Ninguém quer me ajudar!
Todos zombam de mim!
Acham que sou um ator acabado!
Está ferido!
Sim, quiseram me deter com balas.
Mas não farão nada contra mim.
Vamos, Luis, iremos à polícia.
Não, já chega! Já chega!
Estou dizendo a vedade, comissário.
Eu vendo esqueletos a estudantes e médicos.
É uma forma de ganhar a vida, como qualquer outra.
Muito bem, professor. Pode ir agora.
Mas conversaremos amanhã novamente. Mandarei-o para casa numa patrulha.
Obrigado. Muito obrigado.
Pode ir também, doutor. Mas não saia da cidade.
Não se preocupe.
Tudo será suave, como um sonho sem fim.
Pensei que me amava, Luis. Por que quer me matar?
É a vida que lhe ofereço.
A vida eterna.
Isto vai fazê-la dormir.
Pouco a pouco, seu corpo mortal será convertido em mármore.
Não! Pelo amor de Deus! Não faça isso!
Te amo, Julieta.
Marta!
Marta!
Marta!
FIM
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