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UMA SÉRIE NETFLIX
Já está?
Penso que sim.
- Até agora, vivia na Rua Jaśminowa? - Sim.
Precisa de algo de lá?
Não, obrigada. Vendi o apartamento. Tenho todos os meus pertences comigo.
Belo anel.
Obrigada.
Pagamento. Cartão, dinheiro, pensão, subsídio de invalidez?
Sim.
- Pensão? - Sim.
Contacto em caso de morte?
Perdão?
Família imediata.
Não tenho ninguém.
Ninguém mesmo?
Quer dizer…
Acho que só resta o Jacuś.
Ele é meu primo.
Aliás, meu sobrinho-neto. É filho da minha irmã, mas…
… acho que ele morreu…
Já não o vejo há imenso tempo.
Não sei.
Não faz mal.
Só mais uma coisinha.
Dê-me licença.
Estou? Está tudo bem.
Já está em nossa posse. Chegará em breve.
Entendo. Sim, às 16h, como combinado.
Claro.
Bem-vinda à Segunda Casa.
Não percebo.
Porque me deixaram encontrar-me com aquele idiota?
Não podiam ter-me poupado à humilhação?
Aprendeste uma lição.
Prefiro dar um passeio.
Já vais poder dar um passeio. Tudo tem o seu tempo.
Tempo?
Quando é que é tempo de conhecer alguém que não é um idiota?
Não confias em mim?
- Nunca me deste ouvidos e isso… - Pronto.
Sabes que ela tem sempre razão.
Tinhas medo de água, lembras-te?
Disseste que nunca entrarias numa piscina.
Finalmente!
Quero lá saber que o alarme disparou!
Incomodo-te com os meus problemas?
Venham enquanto tomam o pequeno-almoço.
O francês chega às 16h.
Temos uma nova residente.
Jacuś.
Quando chegam?
Estás a perguntar-me?
Daqui a seis minutos.
Sete.
A minha mãe teve uma pastelaria, após a guerra.
Um café. Não, acho que era uma pastelaria.
Basieńka.
Os coscorões eram divinos!
Lembro-me dos coscorões.
Mas não da minha mãe.
Gostava tanto de ver a cara dela!
Não sei quem é.
É melhor não atender números desconhecidos.
Deve ser alguma oferta ou outro disparate.
Devem querer vender-te panelas.
Estou?
Jacuś?
Não tenho netos.
Tenho?
Finalmente!
TRANSPORTE
Uma entrega para o Sr. Henryk Tarkowski.
O que é isto? É para mim?
O que raio é isto?
Um piano de cauda.
Se o ouvido não me falha.
Entrem. Deve haver algum engano. Ainda se constipam!
Senhores, o que se passa aqui? Preciso desta estrada desimpedida!
Vamos.
- Saiam daqui! Estou a falar convosco! - Solta-o!
- Saiam daqui! - A correia.
Tragam o meteorito, levem o meteorito.
Tragam o meteorito, levem o meteorito
O que é isto? Mexam-se!
Não te desleixes. Costas direitas.
Voltem para a funerária.
Com licença, senhores.
- Sra. Marzena? - Sim.
Ainda não tivemos oportunidade de conversar.
- Tem um minuto para mim? - Agora, não.
Não vai demorar.
Queria perguntar-lhe… sobre o café.
Que café?
Pensando bem no assunto, deixa um sabor estranho.
Queixe-se à auxiliar.
Posso tirar uma nova foto?
Dizem que fiquem esquisita na minha, que estou de lado.
O que quer de mim?
E a piscina?
Não tem água!
Se disser que o técnico da manutenção da piscina vem agora…
… já não será um problema. - Se é tudo, tenha um bom dia.
Os teus dois idiotas a buzinar ainda vão estragar o negócio.
Como explico o carro funerário?
Sei que são família.
Mas tenho os meus problemas aqui.
A demente, a cega e a coxa estão a tramar alguma. Sinto-o.
Sou demasiado velha para saltos mortais.
Um meteorito de 400 mil euros desapareceu do museu geológico, ontem à noite.
Como habitual, os criminosos deixaram no local
a sua característica luva verde.
Por favor, essa luva verde serviria a um ogre ou algo assim.
Que manápulas enormes!
Meninas, tratam do neto?
Sim.
- Meu Deus! - Bom dia.
- Tomek? - Sim. Olá, tia.
Olá!
- Olá, tia. - Olá.
Porquê esse "olá" tão frio?
O que fazes aqui?
É uma longa história.
Não sei como te cumprimentar depois de tanto tempo.
Acho que "olá" serve.
Olá, mãe.
Trouxe-te uma coisa.
É do nosso lugar preferido junto à piscina. Lembras-te?
Costumávamos lá ir depois do meu treino.
Porque escolheste o teu pai?
Achas que queria ir para a Austrália?
Ele é meu pai…
- Era. - Lamento.
Tive saudades tuas.
E eu tuas.
Ficas cá muito tempo?
Para sempre.
Queria que fosse surpresa.
Mas boa, espero eu.
Têm 15 minutos. O francês está a chegar.
Terei de o devolver.
Mas a quem?
- Toca alguma coisa. - Sim.
Vá.
PASTELARIA BASIEŃKA
Vieram dois netos.
Um deles levamos à Alicja.
Ela trata dele.
Nós temos de tratar do segundo.
O Marian liga à polícia.
A Krystyna e a Maria tratam do equipamento.
- Entendido? - Sim.
- Sim. - Entendido.
- Querem beber alguma coisa? - Não, obrigada.
- Avó! - Jacuś!
Não te via há tanto tempo.
Cresceste.
E o teu cabelo ficou encaracolado.
Tive saudades tuas, avó.
Senta-te, filho.
Vieste de longe?
Não, nada longe.
Vamos beber um chá.
- Liga a chaleira. Está ali. - Claro.
Como é a vida aqui, avó?
- Nada má. - Cuidam bem de ti?
Sim, muito bem.
A comida é boa?
- Muito boa. - Açúcar?
Não, não quero açúcar.
Preto? Verde?
Tanto faz.
Sei que vendeste o apartamento.
- Sim. - Posso depositar o dinheiro no banco.
Hoje em dia, nunca se sabe.
Sabes sobre inflação? Deflação?
Não, não sei.
Deixa-me ajudar-te.
- A sério? - Claro, avó.
Está bem, então.
Escondi-o na lareira.
Tens de o tirar de lá.
Não te mexas, malandro!
Está muito abafado aqui! Vou abrir a janela.
Mostra-me.
Não é preciso agradecer.
Não demoro, avó.
Demoras, sim.
O quê?
Ouves as sirenes?
A polícia já está lá em baixo.
A não ser que…
Avó!
Sou eu, o Jacek.
Jacuś?
Senta-te.
Vá. Conta-me.
O que te traz aqui?
Tive saudades tuas.
Fico muito feliz!
Sabes, é o meu primeiro dia aqui e sentia-me triste, e…
… agora, que alegria!
Já uma visita! Já me sinto muito melhor.
- Eu… - Estou sempre a esquecer-me das coisas.
Quer dizer, tudo o que importa e…
… talvez…
… talvez te lembres.
Incomoda-me não me lembrar da cara da minha mãe.
E tu? Lembras-te dela?
Sabes, a Basieńka?
Sim, lembro-me dela um pouco. Uma morena com uma trança comprida.
Mãe!
Mãezinha!
O que está a fazer?
O que se passa aqui?
Quem chamou a polícia sem a minha autorização?
Este homem e o outro tentaram roubar a Barbara.
- Foi isso mesmo que aconteceu. - Fizemos uma detenção civil.
O próprio Marian pôs a fita adesiva.
- Os seus residentes são muito corajosos. - Que orgulho!
Fala e arrependes-te.
As pessoas não têm vergonha!
Tínhamos um acordo.
É mesmo… louco.
A cega mentiu-me.
Merda!
Estou inocente!
Gujska.
O que é isto?
Foda-se!
Finalmente. Obrigada.
Encontrámos o tatuador.
O que se passa lá fora?
Ele teve o que merecia.
Não tens saudades de voar?
Conta-me novidades tuas.
Está tudo ótimo.
Fantástico.
Vou abrir um restaurante.
És chef?
Achas?
Eu, um chef?
Teria de servir ovos mexidos.
Não, vou contratar pessoas.
Fusão.
Conheces?
É uma mistura de diferentes cozinhas. Deliciosa.
Um dia, convido-te. Jantamos juntos.
Aguardo o empréstimo bancário. Já assinei a papelada.
De quanto precisas?
Não foi por isso que te contei.
- Quanto? - Para.
Mãe!
Trinta mil.
Dou-te o resto para a semana.
Eu pago-te.
Ninguém sabe como realmente és
Nem tu próprio sabes
Os espelhos cinzentos dos meus dias
Refletem o teu riso de ouro
Um gesto de amor rasgado ao meio
Ainda passa na minha memória
Um solitário com um baralho de copas
Ninguém sabe como realmente sou
É a verdade que não preciso
Quando os nossos caminhos se separarem
Captarei o cheiro do teu sonho
O contorno dos teus lábios
A cor das tuas palavras
Um inacabado
E claro retrato de ti
Vou levá-lo comigo para sempre
Contigo ao meu lado, sempre ou nunca
O meu amuleto da sorte
Feito dos teus reflexos repentinos
E pestanas
Ofereço-to a ti, meu amor
Se alguma vez me pedires para te perdoar
Viverei a vida toda a olhar para trás
Há quanto tempo sabes?
A intensidade dos milagres era muito alta, mesmo para este lar.
Gostava de retribuir o favor.
Que tal às 21h?
Por favor, não desista agora!
Isto é só uma perturbação temporária.
A situação está sob controlo.
Para onde estão a olhar, idiotas?
Ele é que está a olhar!
Mas, primeiro, uma oração.
Onde está ela?
Amor…
Como está o Tomek?
Vai abrir um restaurante. Pediu dinheiro.
Um restaurante?
É melhor procurares na tua alma
quem nos quer incriminar pelo roubo do maldito meteorito.
E como pode a Marzena comprar um vinho de 10 mil euros?
Porque precisa de uma arma?
O que transportam para cá e para lá? O Rawski está envolvido?
- O que sabe a polícia? - Demasiadas perguntas!
Algures ali.
Aquela cabra!
Legendas: Susana Bénard
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