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Original subtitles

Em Pili Pili, o dinheiro voava.

O Wojtek era a cara no Facebook.

Ele era popular, e as pessoas adoravam-no.

Com uma batelada de dinheiro sabe-se l� donde.

Come�ou por ser um hotel pequeno com seis quartos.

Como era? Estiveram c� dois ou tr�s anos.

De zero quartos a centenas de quartos.

Toda a costa sudeste de Zanzibar estava repleta de hot�is Pili Pili.

O Wojtek era o rei de Zanzibar.

Toda a gente conhecia o Pili Pili.

Os habitantes vinham dizer que rezam por Pili Pili nas mesquitas,

rezam pelo Wojtek.

Na ideia de muitos, o Wojtek era um deus.

Foi retratado enquanto empres�rio excecional.

O fogo come�ou da�.

Wojtek de Zanzibar. Cara desconhecida. Hoteleiro condenado.

Ele vendia o que ainda n�o existia.

Os investidores viram uma cova no ch�o.

O dinheiro desapareceu misteriosamente.

Para esta ilha, foi um esc�ndalo enorme.

Ele � muito esperto, muito esperto. Eles sabem jogar.

V�rias senten�as, mas o Wojtek passeia descal�o na areia.

Mesmo agora, a contar isto, sinto arrepios.

N�o podia triunfar.

E n�o triunfou.

Wojtek de Zanzibar. Cara desconhecida. Hoteleiro condenado.

... condenado na Pol�nia a dois anos e dois meses de pris�o.

Ol�, Senhora Procuradora, Sou Agnieszka Szwajgier da R�dio 357.

Vou ser breve, pois sei que j� explicou

a posi��o da procuradoria no caso Wojtek de Zanzibar.

Encontrei-a em v�rios s�tios Web, mas n�o encontrei informa��o

sobre extradi��o pedida pela procuradoria.

Os m�todos e a base jur�dica deste mandado de captura

n�o s�o divulgados publicamente.

Parece que h� falta de vontade pol�tica.

Algu�m teria de ir l� e negociar.

Porque � que n�o acontece? Ningu�m sabe.

Batemos a todas as portas poss�veis.

Ao Minist�rio dos Estrangeiros, "Solicitamos..."

A resposta deles:

"Quanto ao assunto, devem contactar o Minist�rio da Justi�a."

Contact�mos o Minist�rio da Justi�a,

e recebemos a resposta:

"Devem contactar a Procuradoria Distrital em Gdansk

e o Minist�rio P�blico Nacional."

Contact�mos esse Minist�rio P�blico,

continu�mos �s voltas.

Ningu�m quer assumir responsabilidades.

GDANSK JANEIRO DE 2022

A 6 de janeiro,

fomos proibidos de realizar atividades tur�sticas.

Foi uma notifica��o oficial.

Pili Pili n�o pode fazer turismo.

Havia duas empresas a operar lado a lado.

Uma vendia bilhetes de avi�o, a outra, estadias.

Isto permitiu ao Wojtek vender

essencialmente pacotes, mas sem os designar assim.

Durante muito tempo, teve a certeza de poder operar desta forma.

Para vender esses pacotes,

precisa das licen�as devidas,

garantias banc�rias e seguros.

O Wojtek disse que estava tudo bem

pois essas alega��es n�o se aplicavam a n�s.

Foram ignoradas.

Continu�mos a vender tudo e a proibi��o n�o mudou nada.

Aqui est� um gr�fico encantador que mostra a multiplica��o,

como por magia, das empresas do Wojtek,

nas quais ele estava envolvido.

Pili Pili Club, Pili Pili Hotels e Fly.

Outra empresa, a Zabwas Real Estate,

ocupava-se da gest�o de propriedades.

Outra foi a Next Investing, e tamb�m Pili Pili Media,

Pili Pili Cafe, Pili Pili Fly.

Qual � o objetivo?

Cria oportunidades de contabilidade criativa,

circulando faturas fict�cias.

A empresa pode "vender" direitos de marca registada,

o que significa n�o vender nada.

Paga-se impostos sobre essas faturas, mas � ilegal.

Al�m disso, se houver 20 ou 30 dessas empresas,

tamb�m � mais f�cil distribuir responsabilidades.

Qual � a entidade respons�vel, em �ltima inst�ncia?

Em 2009, segundo o Minist�rio P�blico,

ele tamb�m multiplicou empresas. Estava a cri�-las

e a transferir bens

s� para impedir os credores de reaver dinheiro.

E o tribunal declarou, "N�o poderia servir outro fim

sen�o impedir os credores de satisfazer queixas."

Nem todos queriam transferir dinheiro. Havia muitos

que andavam com o dinheiro em sacos de pl�stico.

Estavam ansiosos por entregar esse dinheiro.

Ele nem tinha de pedir.

"N�o posso aceitar agora. N�o h� transfer�ncias banc�rias.

O meu irm�o est� em Gdansk, deixa esse o milh�o com ele".

E o tipo sa�a de Kielce, conduzia a noite inteira,

levava um milh�o num saco de pl�stico

para ele aceitar graciosamente.

Eles tamb�m criaram

uma esp�cie de f�rmula:

"N�o ligamos. Vamos fazer doutro modo, talvez.

Vamos reunir para a pr�xima porque, agora, estou ocupado."

"N�o, eu j� c� estou.

Vamos, estou a caminho. Estou mesmo � beira de Lodz."

"Mas, sabes que mais?

N�o sei se vale a pena, porque temos outros clientes."

"Est� bem, mas eu quero apanhar isto."

Est� a ver?

Tratava-se de preparar o terreno.

Ele era bom nisso.

JAMBIANI JANEIRO DE 2022

Levantei-me de manh�, prepar�mos os mi�dos,

levei-os � escola.

Depois sentei-me, relaxado no chal�,

a olhar para a piscina, as palmeiras... Que bela vida.

Mas o artigo na Gazeta Wyborcza dizia

que o Wojtek foi condenado na Pol�nia

por m� conduta financeira.

O Zelek veio ter comigo de manh� cedo e disse,

"Jerry, venho dizer que deixei de colaborar com o Wojtek."

Esta situa��o

foi, provavelmente, uma das mais importantes para mim.

Tive de decidir

que, com um homem condenado,

j� condenado, e n�o apenas acusado de fraude,

eu n�o podia cooperar.

O in�cio de 2022 foi um colapso.

Um desastre total. N�o h� dinheiro para nada.

Houve um atraso nos sal�rios.

N�o recebi sal�rio durante tr�s meses.

Tr�s meses sem sal�rio.

Havia pessoas que vieram trabalhar e pagaram a viagem, como n�s,

e n�o receberam um c�ntimo por tr�s meses de trabalho.

J� n�o havia dinheiro a circular.

Acabei de construir, tamb�m preciso de verba para o neg�cio.

H� um custo envolvido para gerir tudo isto.

Tomei a decis�o de desligar a eletricidade de todas as casas.

Depois, o dinheiro come�ou a fluir de novo,

muito rapidamente.

Durante os tr�s meses seguintes, outra carestia.

N�o nos pagavam.

mas o Wojtek disse que havia comida.

Era o Armaged�o.

Havia tanta coisa a correr mal, tanta coisa a descambar,

que eu s� reagia, s� apagava os fogos mais urgentes.

Sab�amos que havia h�spedes nos hot�is.

Muitos de n�s, mesmo n�o recebendo sal�rio,

us�vamos dinheiro nosso para manter as coisas.

Houve queixas na Internet, sobre a falta de Coca-Cola nos bares,

mas ningu�m vai a Zanzibar pela Coca-Cola, certo?

Depois da nossa primeira viagem, n�o lig�mos, era espetacular.

Pens�mos que as pessoas deixam coment�rios de �dio

e escrevem disparates, e que era o caso, aqui.

Segui esta p�gina, Pili Pili em Zanzibar, acho eu,

porque ele mudava sempre os nomes.

Fiz capturas de ecr� dos coment�rios.

Quando voltei a ver, tinham sumido.

Ele apagava logo os coment�rios negativos.

Era f�cil n�o os ver.

Um grupo para informa��es, mensagens apagadas noutros.

Em fevereiro de 2022, viemos a Zanzibar pela segunda vez.

Fomos recebidos no aeroporto, e os t�xis levaram-nos ao hotel.

N�o houve jantar com o Wojtek, dessa vez.

Ele j� tinha deixado Zanzibar.

Provavelmente, eu n�o via o Wojtek h� dois ou tr�s meses.

Estaria na �frica do Sul, a montar novos hot�is.

"Ser� por isso que falta a verba."

Estaria em Stonetown, mas n�o sab�amos do paradeiro.

O Wojtek circulava por v�rios pa�ses.

Algu�m escreveu que viu o Wojtek na Turquia,

outro afirmou que o viu nas montanhas.

Nunca saberemos a verdade, apenas que ele regressou.

JAMBIANI 17 DE FEVEREIRO DE 2022

Bom dia, meus queridos, bom dia.

J� passou muito, muito tempo desde que entrei num v�deo.

Est� na altura de, finalmente, filmar alguma coisa.

Porqu� agora? Bem, vi um coment�rio a perguntar,

"Quando � que voltas aos v�deos?"

Estava na altura de voltar aos v�deos

porque, �s vezes, na correria da vida, esquecemo-nos do mais importante,

o que gostamos de fazer, o que gostamos de partilhar,

e como tudo isso parece na vida.

Decidiu publicar nova oferta com novos pacotes de f�rias e estadias,

com descontos nunca vistos.

Em fevereiro de 2022, um amigo meu comprou Pili Coins

e reservou uma estadia para junho de 2022.

Havia prazos de hora a hora:

quanto tempo t�nhamos para pagar e quanto tempo durava o desconto.

Em retrospetiva, vejo que foi bastante manipulador da parte do Wojtek.

A oferta de fevereiro de 2022 foi lan�ada poucos dias antes de tudo ruir.

E o meu amigo perdeu oito mil d�lares.

No grupo do Facebook, perguntaram, "Wojtek, em concreto,

quando vamos receber os sal�rios em atraso?"

A resposta dele...

"Em concreto, os m�dicos deram-me 18 dias de vida.

Talvez 26, se tiver muita sorte."

Foi desarmante. Era para rir ou chorar? Era a reinar?

Li a mensagem que ele iria morrer no dia tal e tal

e que ele sempre sonhara com essa morte:

um ngalawa a arder, um bonito barco t�pico,

levando o seu corpo para o mar, e ele, simplesmente, desapareceria.

E eu disse: "Claro, e nunca achariam o corpo."

Um belo final para toda esta hist�ria.

Deixou toda a gente perplexa. O que � que se passava?

Foi totalmente surreal.

N�s j� sab�amos que o navio estava a arder e a afundar-se.

Olhei para ele e pensei,

"Meu Deus, e agora?"

Um dos gerentes disse, "Basta!"

"Vamos conversar como adultos."

Est�vamos sentados a debater

quando come�am a tocar os telem�veis de todos.

No grupo, apareceu uma mensagem.

Troc�mos olhares,

estranhando que estiv�ssemos mesmo a ler aquilo.

O Wojtek tinha juntado o Damian ao grupo,

o seu namorado.

O Damian escreveu que os hot�is ficariam temporariamente fechados,

para reabrir com o dobro da energia no dia 4 de junho.

Suspendeu as opera��es na esta��o das chuvas

devido ao baixo interesse.

Explicou que todos fazem isso.

Algu�m perguntou, "Espera, estamos todos despedidos?"

"Sim, temporariamente."

Despedidos temporariamente? O que significa?

N�o podia crer no que estava a ler. Encerrar, mesmo temporariamente,

tal n�mero de hot�is, requer grandes preparativos.

N�o � algo que se fa�a num dia por decis�o instant�nea.

Trabalhavam centenas de pessoas,

totalmente despreparadas para ficarem sem emprego v�rios meses.

Foi uma bomba lan�ada do nada.

Bum!

Houve uma avalanche de mensagens,

em catadupa.

Acabou, n�o h� mais nada.

Sem sal�rio, dinheiro, nem podemos ir para casa.

Ele est�-se nas tintas para n�s, ele perdeu o ju�zo.

Algo se partiu dentro de mim.

E disse, "N�o aguento mais. Estou farto.

� de mais".

Encontr�mo-nos todos em Pilanow, onde viv�amos.

Foi a maior festa na piscina com toda a equipa.

Uns carpiam sal�rios devidos e d�vidas suas,

outros divertiam-se,

um torceu um p�, outro foi hospitalizado, outro nadou.

Lembro-me de estar sentado no meu terra�o sem saber o que fazer.

N�o tinha vontade de rir, por isso n�o participei.

Nem eu, nem ningu�m presente em Pilanow,

e estavam l� todos nessa noite, esperava o que sobreviveria de manh�.

Mesmo agora, a contar isto, sinto arrepios.

Janelas partidas, espelhos removidos.

Quem foi? Ningu�m sabe.

No dia seguinte, �s 7 da manh�, todos receberam um SMS.

O Range Rover do Wojtek tinha sido vandalizado, apedrejado.

"Algumas pessoas."

E, como j� disse, os zanzibaritas n�o s�o violentos.

Eu diria que veio do lado polaco.

N�o tenho nada contra a Pol�nia.

Mas eu sei que veio do lado polaco.

Peguei na minha c�mara e dirigi-me

para o Family Hotel, no centro de "Manhattan".

Mostrei a um dos empregados

o SMS do Wojtek a anunciar o fim do Pili Pili.

Ele perguntou: "E os nossos sal�rios?"

Eu disse-lhe, "Amigo, n�o vai haver sal�rios."

Pili Pili e Wojtek est�o acabados.

Pili Pili acabou.

E, em 30 segundos, todo o Pili Pili sabia.

Chega uma mensagem.

Todo o pessoal da Pol�nia, expatriados, todos eles, bum! Despedidos.

Todos voc�s n�o trabalham para a Pili Pili.

E pensei: "O que est� a acontecer?"

Eles fecharam as cozinhas, fecharam os bares.

O fogo come�ou da�.

Levant�mo-nos de manh�,

fomos tomar o pequeno-almo�o, mas n�o havia nada.

Tudo foi isolado com fita adesiva. N�o sab�amos o que tinha acontecido.

Cheguei ao escrit�rio e, para grande surpresa minha,

vi um tumulto, um caos.

Todo o servi�o de quartos, a cozinha, empregados de mesa,

empregados de bar, no Lodge, o hotel mais pequeno da Pili Pili.

Estavam � espera que algu�m respons�vel viesse

explicar o que se estava a passar.

Queriam saber o que acontecera, quando receberiam sal�rios,

at� quando teriam emprego.

Queriam falar com algu�m.

"Queremos o PJ," pois conheciam-me.

O instinto ditou-me falar com eles.

Lembro-me de ter perguntado, a um dos colegas da terra,

que vivia em Pilanow, e ele s� disse,

"N�o v�s l�, mano.

N�o fa�as isso.

Espera um pouco. A coisa pode ficar feia."

E, depois desse SMS, devo admitir,

at� se me gelou o sangue.

Viemos c� para umas f�rias relaxantes e divertidas.

Em vez disso, vivemos com medo, � assustador.

Ver uma mole de trabalhadores em greve a manifestar-se

no hotel onde se est� hospedado deve ser aterrador.

Estou aqui com quatro adultos, duas crian�as de nove anos

e um beb� de 11 meses.

H� muitas crian�as aqui, e elas est�o assustadas.

Algumas pessoas s� repetiam, "Isto � �frica,"

com medo que os habitantes

viessem de repente e, n�o sei, as magoassem.

Alguns fizeram as malas, marcaram voos para a Pol�nia e foram.

N�o sei se � o propriet�rio ou n�o

mas, nos seus grupos do Facebook,

est� sempre a dizer que vai correr bem,

que correu mal mas que tem investidor. Assim esperamos.

As pessoas investiram muito dinheiro aqui, compraram as moedas --- dele,

investiram nas casas que ele estava a construir,

e suspeitamos que tudo se vai desmoronar.

Ele foi-se embora. Desapareceu.

Os h�spedes fecharam-se nos quartos.

N�o havia ningu�m para tratar do assunto. O Wojtek n�o estava l�.

O encerramento do Pili Pili foi importante

porque era um dos maiores,

se n�o o maior, empregador da ilha.

T�nhamos v�rias centenas de empregados da terra

e toda esta quest�o tornou-se pol�tica,

at� apareceram as autoridades e o ex�rcito.

Tentei sacar da c�mara, mas a tropa disse: "N�o pode filmar."

Tipos armados assim impunham respeito.

Pessoas com armas por todo o lado,

de cara tapada,

com metralhadoras, e come�aram a expulsar as pessoas.

As pessoas est�o zangadas. Muito, muito zangadas.

Estou a gravar e a perguntar,

"Wojtek, e agora? O que se passa aqui?"

Nisto, naquele momento, o conselho emitiu uma declara��o,

a partir desse dia, deixavam de cooperar com Wojtek e Pili Pili.

Assim, todos lavaram as m�os do assunto.

A Pili Pili desaparecia.

N�o se sabia quem era respons�vel nem a quem contactar.

Ningu�m sabe onde estava o Wojtek nessa altura.

Tenho de dizer que defendi o Wojtek.

At� ao fim, eu era da "Equipa Wojtek,"

apesar de, e deixem-me sublinhar, n�o gostar da pessoa.

Mas acreditava no conceito, na empresa e em Pili Pili.

Enviei muitas mensagens diretas ao Wojtek, "O que se passa?"

"N�o, Dana, vais abrir a �poca connosco em junho.

Fica connosco, fica comigo."

Uma pergunta do Wojtek: "E as viagens?"

Resposta minha, "N�o vai haver viagens at� ao fim disto."

"� imposs�vel, � imposs�vel!

Fala com os guias, encontra algu�m novo.

Tem de haver viagens. Os h�spedes merecem boa estadia".

Foi como uma lavagem ao c�rebro.

Tinha total confian�a na empresa.

Perguntei-lhe, "Wojtek, e se eu pagar?"

"Quanto � que � preciso?"

Eu disse: "Para as viagens de amanh�, quatro mil d�lares."

"Tens essa quantia?" "Sim."

"Paga," respondeu.

Ent�o l� fui eu,

como se me fossem erigir um monumento,

a Santa Danuta de Zanzibar, eternamente leal.

Dei dinheiro para uma viagem e l� foram.

Dinheiro que poupei, com o meu marido, para a nossa casa.

A casa continua inacabada at� hoje.

O Wojtek anunciou no Facebook porque, de que outro modo,

que os problemas eram tempor�rios, que queria modernizar Pili Pili,

que seria ainda melhor,

que chegara o momento da mudan�a e que reabriria em junho.

Estas duas �ltimas semanas, tenho de admitir,

ele mostrou mesmo a hospitalidade africana.

N�o h� comida, n�o h� cozinheiro.

N�o h� cozinheiro porque ele pirou-se.

S� temos batatas fritas para o almo�o, que temos de ser n�s a preparar.

D� vontade de chorar.

Fecharam a nossa cozinha.

Resolvemos isso com o propriet�rio do hotel ao lado.

Ele sabia da situa��o de Pili Pili.

Deixava os mi�dos daqui irem �s piscinas, por exemplo,

se lhe compr�ssemos refei��es.

Seria pior para algu�m que pensasse

poder comprar tudo com Pili Coins

sem ter dinheiro.

Ficariam em apuros porque n�o teriam comida.

No dia em que descobrimos

que andavam a tirar os geradores dos hot�is,

nem sab�amos o que fazer.

Os habitantes queriam tirar-lhes os geradores.

Sem gerador, n�o h� eletricidade.

Lut�mos pelo gerador com um amigo para ter energia.

Mas amanh� j� se foi, se calhar.

Acho que amanh� vamos ficar sem nada.

Salt�mos para cima do gerador.

Fomos os her�is das f�rias por termos defendido o gerador.

O dono mostrou-nos quanto � que o Wojtek lhe devia.

A conversa terminou com a aceita��o dele

de deixar tudo connosco e s� levar quando part�ssemos passados 10 dias.

GDANSK MAR�O DE 2022

UMA SEMANA AP�S A PILI PILI FECHAR OPERA��ES

O escrit�rio, como � �bvio, foi encerrado e fomos mandados para casa.

Foi limpo de todos os documentos

pelo Dominik, irm�o do Wojtek.

O Dominik era o dono das empresas polacas Pili Pili.

O mais rapidamente poss�vel,

o Dominik decidiu levar todo o dinheiro que l� estava.

Eles entraram � noite,

e levaram todas as pastas, todos os documentos.

N�o sobrou absolutamente nada.

Eles meteram o �ltimo dinheiro num saco,

e sabemos que esteve em Zanzibar pouco depois.

Se ele tivesse ficado em Gdansk, teria sido o principal alvo

de investidores e v�timas,

que lhe bateriam � porta e perguntariam onde estava o dinheiro.

Quando a Pili Pili foi � fal�ncia, recebemos SMS de toda a ilha.

"N�o trabalhavas l�?"

Vinham perguntar-nos, doutros hot�is, "O que aconteceu l�?"

Para esta ilha, foi um esc�ndalo enorme.

O fundador da empresa Pili Pili

possui 17 hot�is em Zanzibar.

Saiu na imprensa e TV. Todos os habitantes falavam disso.

Pela primeira vez,

senti-me no meio dum vulc�o em erup��o.

Uma onda de esgoto derramou-se sobre os gerentes.

Gente que nem estava l� publicou sobre o que aconteceu l�.

Foi tudo muito traum�tico.

O Wojtek escreveu, numa mensagem ao marido duma estrela polaca,

"Foram os gerentes polacos de m---

que lixaram a Pili Pili".

Naquele momento, viu-se bem que ele era mestre na manipula��o.

Armava-se em v�tima,

aquele que foi lixado

pelas pessoas que trabalhavam com ele.

Culpava toda a gente. N�o assumiu responsabilidade alguma.

Eu n�o fiz absolutamente nada de mal,

e acredito que nenhum dos empregados

deva sentir-se envergonhado ou embara�ado

por ter participado na burla do ano.

N�o nos dev�amos sentir assim.

N�o vamos assumir responsabilidades pelas decis�es do Wojtek.

O pre�o era atrativo.

Todos compraram viagem e estadia a bom pre�o.

Havia muitas promo��es e as pessoas compravam muito.

Mesmo h� uma ou duas semanas, ainda havia uma promo��o,

quando o pr�prio dono j� sabia que tinha problemas.

Porque � que ele lan�ou a promo��o? Para qu�?

Provavelmente, para sacar o dinheiro,

para obter o m�ximo poss�vel.

E, naquele momento tr�gico,

quando as pessoas n�o sabiam o que fazer a seguir,

como voltar para a Pol�nia,

uma companhia charter polaca decidiu enviar tr�s avi�es,

em parte como golpe publicit�rio

mas, provavelmente, tamb�m para ajudar,

para os trazer de volta a casa.

JAMBIANI 26 DE FEVEREIRO DE 2022

No dia em que os �ltimos turistas deixaram Pili Pili antes do fecho final,

vi o equipamento ser embalado, o �ltimo t�xi a partir com os h�spedes.

Portas a serem trancadas.

Foi mais triste do que o meu �ltimo dia de trabalho.

Nunca me esquecerei do grande autocarro.

Algu�m tratara que eles embarcassem no �ltimo charter polaco

que levava os �ltimos turistas,

para p�r os empregados da Pili Pili nele,

e esse autocarro levou toda a gente ao aeroporto e partiram.

Foi um volta da vergonha que vivemos no aeroporto.

S� tivemos de passar por um grupo de turistas,

frustrados, chateados, zangados, furiosos. N�o sab�amos

se estavam mais irados com ele ou connosco, por fugirmos.

Fiquei em estado de choque.

Nem agora sei descrever claramente como me senti.

O meu mundo ru�ra.

Primeiro, mudei a minha vida para vir para �frica,

e agora �frica mudou a minha vida. A seguir?

Foi uma experi�ncia incrivelmente desagrad�vel voar com essas pessoas

e ouvi-las dizer

coisas de n�s, como nos t�nhamos portado.

As pessoas discutiam a situa��o,

contavam hist�rias de v�rios hot�is.

O Wojtek n�o gostaria de ouvir o que diziam dele.

Teria sido desagrad�vel se estivesse naquele avi�o.

Podia ter acabado

mal para ele.

Foi o fim da Pili Pili

tal como a conhec�amos.

Eu presidia � funda��o na Tanz�nia,

devia ter fugido quando a Pili Pili faliu? N�o.

Tamb�m tinha forte sentido de miss�o, de manter a funda��o a funcionar.

Embora admita que me perdi no processo.

Al�m disso, recebi muito �dio.

Zanzibar estava sempre a aparecer.

"Sente-se bem, a promover um criminoso?"

� dif�cil contrapor tais argumentos sem emo��es.

Senti-me a �ltima pessoa que poderia apoiar um criminoso.

E isso fez-me sentir ainda mais uma v�tima.

Trabalhei toda a vida para ganhar reputa��o.

Comecei a escrever para o jornal "Tempo" de Crac�via aos 17 anos.

Ap�s 15 anos, mudei para o Canal+.

Estive nos Jogos Ol�mpicos, em grandes eventos.

No Canal+, j� l� v�o quase 15 anos com uma pausa para Zanzibar.

E, como estava em Pili Pili, h� gente nas redes sociais a pensar

que podem manchar o meu nome

acusando-me de cumplicidade num esquema em pir�mide.

Senti grande pesar,

puseram-nos todos no mesmo saco.

Recebemos muitos coment�rios negativos

sugerindo que sab�amos tudo do assunto, que n�o cont�mos a ningu�m

mas, mesmo assim, convid�mos pessoas a virem

e ca�rem nesta armadilha.

At� quando ponho uma tolice sobre futebol no Twitter,

recebo respostas a dizer, por exemplo,

"N�o � grande golo, mas tu marcaste bem

a sacar dinheiro a investidores e pessoas."

Recebi coment�rios a chamar-me vigarista,

lacaio do Wojtek, que andava a dormir com ele.

Muitas mensagens a dizer que tirei dinheiro da funda��o,

que sou uma ladra, o que se segue com a funda��o,

que estava decerto envolvida nisto. Muita coisa assim.

Senti-me muito mal.

Cortar.

Depois de regressar � Pol�nia, escrevi v�rios emails ao Wojtek,

ele respondeu, apresent�mos queixa.

Disse que, primeiro, tinha de se recompor,

e depois pensar�amos nessas coisas.

Afirmou que n�o tinha enganado ningu�m.

Porque essas pessoas poderiam continuar a ir.

Podem vender Pili Coins em qualquer altura.

Iriam valorizar porque as coisas iriam melhorar.

Escrevi umas palavras de verdade sobre o que aconteceu,

e fui bloqueado em todo o lado.

Todas as mensagens que vieram do Wojtek

mas, na verdade, eram do Dominik, davam a entender,

"Lamentamos muito que tenha acontecido."

Recebemos todos um documento

dos nossos RH, a dizer

quanto � que a empresa do Wojtek nos devia, com assinatura e carimbo.

No entanto, esse documento ficou por a�.

Que eu saiba, ningu�m recuperou esse dinheiro.

Talvez seja tolice, mas eu esperava, dalgum modo,

que ele nos pagasse, ao menos, uma pequena parte.

Escrevi ao Wojtek, perguntando dos sal�rios e tudo o mais.

Infelizmente, o Wojtek bloqueou-me e deixou de ser meu amigo.

Havia uma fila de pessoas que tentavam reaver dinheiro.

De empregados a pequenos fornecedores.

Eu sabia que nunca veria o dinheiro. Nem sequer tentei, para ser franco.

O porta-voz do Minist�rio P�blico de Gdansk

enumerou as acusa��es.

Aludem � participa��o num bando de crime organizado,

aliciamento fraudulento de v�rias pessoas

a condi��es patrimoniais desvantajosas.

O que lemos aqui, formulado em linguagem jur�dica,

significa simplesmente enganar

e vender casas que nunca foram constru�das.

Ou vender excurs�es que n�o se realizaram.

S�o as principais acusa��es contra o Wojtek.

Eu n�o apresentei nenhum caso na procuradoria,

pois n�o acreditava vir a reaver dinheiro.

Quanto � perda que sofri,

� significativa.

N�o s� comprei outra viagem,

tamb�m comprei voos adicionais sem fazer reserva.

Mais Pili Coins para pagar esses voos.

Depois de regressar, quando j� tinha visto do que se tratava,

cedi e comprei a��es da Casa.

A Casa foi o seu primeiro hotel.

Dividiu-o em a��es e vendeu-as,

havia acionistas.

A minha perda ronda os 12 500 d�lares.

Os nossos amigos compraram 2 casas. S� uma est� de p�.

� um desastre.

Al�m disso, h� dois propriet�rios por cada cova no ch�o.

O custo m�dio duma propriedade foi 250 mil d�lares.

Era mais ou menos esse o pre�o.

O dinheiro desapareceu no ar.

Houve 240 queixas no Minist�rio P�blico de pessoas afetadas pelas excurs�es.

O montante total � de 675 mil d�lares.

Catorze investidores prejudicados no �mbito dos contratos

relativos � constru��o de im�veis pela Pili Pili.

Im�veis nunca constru�dos. O valor total dos preju�zos decorrentes

� superior a 1 milh�o de d�lares.

� certo que alguns n�o se queixam por v�rias raz�es.

Envergonham-se de serem enganados.

N�o podem provar a origem do seu dinheiro.

H� ainda um grupo que n�o fez queixa ao Minist�rio P�blico

porque ainda tem esperan�a de chegar a acordo com o Wojtek.

Refiro-me �s casas por construir no empreendimento Natural Park

no valor de quatro milh�es de d�lares.

N�o se constru�ram e lembrem-se que o Wojtek vendeu

cerca de 100 casas nesse empreendimento.

Onde est� o dinheiro?

Al�m disso, o Wojtek vendia viagens com um ano de anteced�ncia, no m�nimo,

por isso as pessoas t�m o dinheiro paralisado em Pili Coins,

e investiram dinheiro noutras propriedades da Pili Pili.

O Wojtek tamb�m n�o pagou aos empregados polacos

nem a fornecedores locais,

nem pagou o arrendamento de propriedades locais aos propriet�rios.

Podemos dizer que a fraude do Wojtek ascende

a cerca de 25 milh�es,

o que est� documentado.

Acredito que pode haver mais dinheiro de que ningu�m fala,

pois � prov�vel ter havido quem tentou

fazer sair dinheiro da Pol�nia,

e esse dinheiro n�o foi taxado.

N�s, os polacos que l� trabalh�vamos,

todos conseguimos, quase todos ter emprego.

Quem quis ficar em Zanzibar, ficou.

Quem quis ir-se embora, foi.

Todos resolvemos a nossa vida

e trabalhamos em s�tios e condi��es normais.

Por�m, o trabalhador local que n�o recebeu sal�rio

durante tr�s meses, por exemplo,

que sustenta a fam�lia, irm�os, pais,

� quem mais sofreu.

Aqui temos pimenta.

De facto, a pimenta � uma trepadeira.

Esta � uma ac�cia, a pimenta precisa sempre de apoio.

Como pode ver aqui.

Chama-se pili pili manga em sua�li,

e isto tamb�m � pili pili.

Vimos o Pili Pili, ali, e aqui temos pili pili manga.

Posso dizer que o Wojtek apimentou o nosso neg�cio.

Era matatizo.

Ou posso dizer majanga.

Tamb�m usamos a palavra majanga, desastre ou cat�strofe.

Quando o Wojtek arruinou a Pili Pili, causou-nos problemas.

Muitas pessoas n�o tinham emprego

e n�o tinham dinheiro para comer ou viver. Foi muito dif�cil.

Foi uma altura dif�cil para mim,

n�o havia emprego, eu n�o tinha sal�rio.

E algu�m estava chateado comigo porque pedi dinheiro emprestado.

Como reaver o dinheiro?

Para um comerciante

perder um milh�o de xelins, que s�o 400-450 d�lares,

� muito dinheiro.

O sal�rio m�nimo � de 160 d�lares atualmente, penso eu.

Podem imaginar quanto dinheiro representa.

A minha d�vida � de 25 milh�es de xelins tanzanianos.

S�o cerca de dez mil d�lares.

O dinheiro n�o � todo meu.

Porque h� dez condutores que me devem.

A partir de hoje, a Pili Pili deve-me 40 milh�es de xelins.

� muito dinheiro para mim.

Eu tinha planos completamente diferentes.

Eu queria investi-lo.

Como podemos sobreviver sem isto e como arranjar comida?

Se fores � loja,

ningu�m te vai dar, ou emprestar, sequer arroz,

porque j� pediste algo emprestado antes e n�o pagaste,

como te v�o emprestar outra vez?

Nem sequer quero ver o Wojtek.

Ele desiludiu-me e destruiu os meus planos e sonhos.

As pessoas adoravam a Pili Pili e depois come�aram a odiar a Pili Pili

por causa do que eles fizeram.

Muita gente, depois de trabalhar com a Pili Pili,

com o Wojtek,

teve um esgotamento mental grave.

Durante seis meses,

estive basicamente fora da vida.

� uma hist�ria triste, porque eu estava numa ilha paradis�aca

e mal sa� do meu quarto.

Tinha ansiedade e depress�o profunda.

Ainda estou a recuperar.

Fa�o psicoterapia porque nem sabia lidar comigo mesmo.

Estava p�ssimo.

Estou a recuperar dum esgotamento e uma depress�o.

Depois do que aconteceu, depois de me perder por esta empresa,

mudei-me para o mato. Vivi l� durante uns meses.

Quase n�o sa� de casa cerca de dois meses.

N�o queria ver ningu�m.

Estava t�o cansada das pessoas e de interagir com elas.

Demor�mos muito tempo

para recuperar mentalmente.

Este assunto, para n�s,

para mim e para os meus colegas,

� muito dif�cil.

Sinto-me simplesmente envergonhado por ter feito parte

duma organiza��o que �...

... ainda � gerida pelo Wojtek.

N�o quero dar a cara,

n�o quero que o Wojtek

saiba quem sou.

Simplesmente, ainda temos medo.

At� estou preocupado com a minha seguran�a.

O Wojtek devia ter-se apresentado na pris�o

em maio, na Pol�nia, para cumprir pena.

Em vez disso, pediu a cassa��o.

Aguard�mos a decis�o do tribunal.

Lembro-me de um, dois, tr�s meses sem nenhuma decis�o.

E, finalmente, nas f�rias de ver�o,

provavelmente em julho ou agosto, o tribunal rejeitou a mo��o.

Significava que o Wojtek ia decididamente para a pris�o.

Mas, como todos sabemos, o Wojtek nunca acabou na pris�o.

O absurdo de Pili Pili?

Penso que n�o � o facto de a empresa ter ido � fal�ncia,

que o hotel n�o se tenha constru�do, o que aconteceu,

mas sim que o Wojtek esteja aqui em Zanzibar

e continue a gerir mais hot�is.

Ol�, queridos! Foi aqui que a hist�ria da Pili Pili come�ou.

Creio que os f�s mais devotos da Pili Pili

sabem do que estou a falar.

O Wojtek n�o morreu. Ele ainda est� bem.

Continua a ser um pouco ca�tico,

mas acho que tudo estar� terminado muito em breve.

A piscina foi pintada, e hoje estamos a ench�-la de �gua.

O Wojtek sente-se intoc�vel,

sente-se completamente livre

no continente africano,

e faz o que lhe apetece.

O facto de as autoridades tanzanianas lhe terem tirado o passaporte

foi quase uma b�n��o para ele, porque diz,

"Lamento imenso, gostaria muito de ir � Pol�nia cumprir a minha pena de pris�o".

Mas, coitado, n�o pode porque tem de resolver as coisas l�.

O homem e alguns associados s�o procurados pelas autoridades,

mas parece que ainda se encontram em Zanzibar, a vender f�rias.

Cessaram opera��es no ano passado,

mas os hot�is em Zanzibar voltaram ao ativo

com a mesma marca antes gerida por Wojciech Zabinski.

Zabinski n�o se apresentou na pris�o em agosto passado

e emitiram finalmente mandado de captura.

O procurador emitiu a decis�o

de apresentar queixa contra Wojciech Zabinski,

Dominik --- e Katarzyna ---.

S�o acusados de cumplicidade num bando de crime organizado,

aliciamento de v�rias pessoas a condi��es patrimoniais desvantajosas

inerentes � venda de viagens a Zanzibar,

e realiza��o de atividades tur�sticas em viola��o da lei de eventos tur�sticos.

Dado que os suspeitos n�o est�o no pa�s e s�o foragidos da justi�a,

o procurador pediu pris�o preventiva.

Depois de obter esta decis�o, o procurador

decidiu procurar os suspeitos com mandado.

A principal raz�o que me levou a decidir

participar nesta entrevista � o facto de a Pili Pili ainda operar.

Ele est� a gerir tr�s hot�is, acho eu,

com mais tr�s quase a abrir.

� o Wojtek t�pico.

V�rias senten�as, mas o Wojtek passeia descal�o na areia.

Como � que estes hot�is operam, sequer?

Como � que ele obteve licen�as?

Devo escolher as palavras.

Que acordo tem com o governo deles, dado ter um mandado na Pol�nia?

Um relat�rio contra o famoso Wojtek de Zanzibar

foi apresentado por mim no ver�o de 2022

em Gdansk.

Indiquei exatamente o seu paradeiro.

Cheguei mesmo a declarar � pol�cia que, se quisessem mesmo

deter o Wojtek de Zanzibar,

eu indicaria o paradeiro no momento da deten��o.

Foi enviado um pedido de extradi��o do Wojtek ao Governo de Zanzibar?

J� fiz esta pergunta v�rias vezes, sem ter resposta.

O investidor escreve: "A Procuradoria n�o o pode trazer para a Pol�nia,

porque n�o temos acordo de extradi��o com a Tanz�nia".

H� uma conclus�o que me vem � cabe�a.

Foi provavelmente apresentado ao governo de Zanzibar.

No entanto, a Procuradoria deparou com um muro, uma falta de rea��o.

Desde que ele esteja l� e pague alguma coisa,

as autoridades locais permitem-lhe tudo e a empresa prospera.

Entrei em contacto com uma institui��o

chamada ZAECA,

o equivalente tanzaniano do Gabinete Central Anticorrup��o da Pol�nia.

Enviei-lhes um email a perguntar se era verdade

que tinham chegado a acordo com o Wojtek sobre o montante devido,

e se era verdade n�o o queriam entregar

� pol�cia polaca e, se sim, porqu�?

Recebi recentemente um email encantador em resposta.

"Muito obrigado por nos ter contactado. Recebemos a sua mensagem.

Transmitimo-la ao servi�o competente.

Eles responder�o se considerarem apropriado".

E havia uma nota final comovente:

"Por favor, tenham paci�ncia".

Tenho de ensaiar a paci�ncia.

H� quem diga que ele tem um protetor poderoso.

E aqui temos o Wojtek, a viver completamente livre

em Zanzibar.

Um microfone direcional est� a captar o som na perfei��o.

Tens lume?

Anda, vamos beber uma cerveja.

Com certeza.

Ele � muito esperto, este tipo.

Muito esperto. Eles sabem como jogar.

H� tamb�m especula��es de que talvez

o governo polaco tenha um acordo com aquele de Zanzibar.

Zanzibar disse: "Deixem-no ficar aqui,

deixem-no pagar �s pessoas a quem deve,

e n�s mandamo-lo de volta daqui a um ano ou dois.

Quando tiver resolvido tudo c�, fiquem com ele".

Talvez o governo polaco n�o tivesse alternativa sen�o aguardar.

Ser� verdade? N�o sei, mas � uma das teorias.

Na Tanz�nia, o dinheiro compra muito, at� segundo passaporte.

No lugar das autoridades polacas,

e dos tribunais polacos, eu n�o confiaria num vigarista.

Ele n�o pensar como render-se �s autoridades polacas,

mas sim como esconder-se das autoridades polacas.

Vi-o tr�s vezes em Stonetown.

Fugiu qual ratazana, evitou contacto visual.

Vi-o v�rias vezes. Passei por ele na cidade,

mas nunca fal�mos.

Querem ouvir essa hist�ria?

Conheci o Wojtek a 18 de novembro.

Era o anivers�rio da minha mulher,

e para celebrar, fomos � cidade

e fic�mos no hotel Hyatt, um dos melhores da cidade.

Est�vamos sentados na esplanada,

e o Wojtek entrou com o namorado.

Foi mais forte do que eu, n�o consegui controlar.

S� bradei, "Ent�o, velhaco!" bem alto.

Fez-se sil�ncio na esplanada.

Aconteceu.

E foi-se embora.

O que mais posso dizer?

Pergunto-me...

Pergunto-me quando veremos o fim desta hist�ria.

Ou continuar� a fugir-nos, esse fim?

N�o sei o que pensar do Wojtek.

O investidor disse, "Ca� logo na l�bia dele".

Perguntei-lhe: "Era um esquema em pir�mide ou apenas m� gest�o,

vendendo de mais e depressa de mais?"

Ele respondeu, "Creio que foi gest�o muito h�bil,

cuidadosamente executada para angariar grande quantia,

usando capacidades de manipula��o e lacunas legais.

Ali�s, o Wojtek ainda me impressiona,

pois conseguiu ganhar milh�es com tal rapidez.

O tipo tinha um plano".

Perdeu cem mil d�lares e ainda diz que admira o Wojtek.

N�o defendo o Wojtek burl�o,

mas defendo o Wojtek que tinha uma vis�o

e que queria criar um lugar bonito na Terra

para os turistas polacos.

Porque, se deixar de crer nisso, todos os meus esfor�os foram em v�o.

E fiz um �timo trabalho.

Alimentei milhares.

Pergunto-me se a justi�a alguma vez o apanhar�,

porque estou presa a esta disson�ncia.

Estou em conflito porque continuo a ver essa pessoa arrebatada.

Era assim que eu o via no in�cio, um vision�rio.

Era isso que ele me parecia, um humilde vision�rio.

Mas as coisas vieram a ser diferentes.

Para mim, a sua motiva��o

n�o � enganar pessoas, n�o � ganhar dinheiro,

� ser uma estrela, ser o n�mero um.

Falei com investidores

e disse-lhes que, mesmo que tragam o Wojtek para a Pol�nia,

e ele v� para a pris�o, n�o significa que v�o receber de volta.

Mas o que eles querem � justi�a b�sica.

De facto, o hashtag que p�em nas publica��es

inerentes � procuradoria e ao que se passa,

� #Wojtek_to_slammer.

N�o suporto a ideia desta pessoa

se pavonear descaradamente aqui ou seja onde for.

Porque, para mim, o lugar dele � s� um.

Com grades na janela e um p�tio para sair.

Se falarmos de sentido de justi�a,

n�o o vejo a enfrentar a justi�a, de todo.

Muitos me dizem, "Vais ver, o carma vai apanh�-lo."

Mas, se calhar, n�o vai.

Se calhar, o Wojtek vai viver feliz para sempre em Zanzibar

e nenhum inspetor lhe vai bater � porta.

Decerto o Wojtek queria voltar a ser estrela,

seja na Venezuela, Bol�via, ou onde quer que seja,

ele consegue. Creio que o faria novamente.

At� o travarem, as pessoas continuam a cair.

Se n�o conseguir na Pol�nia, ser� noutro lugar.

Seria de esperar que n�o se repetisse

e que mais ningu�m fosse enganado.

Mas, com o historial da Pili Pili, certamente que sim.

Por isso, cuidado!

JAMBIANI 3 DE JUNHO DE 2022

Queridos, desejo-lhes tudo de bom.

Estamos a voltar ao trabalho e vemo-nos em breve! Adeus.

CONTACT�MOS O WOJTEK V�RIAS VEZES CONVIDANDO-O A ESTE FILME

MAS RECUSOU-SE A COMENTAR

DOMINIK Z. E KATARZYNA Z. RECUSARAM-SE A COMENTAR

AP�S 4 DE JUNHO DE 2022, WOJTEK RETOMOU A ATIVIDADE HOTELEIRA

PILI PILI TEM SETE PROPRIEDADES

JUMA MAULID FOI PAGA EM PARTE POR WOJTEK AP�S A ENTREVISTA, EM JULHO DE 2022

A ZAECA (AUTORIDADE ANTICORRUP��O E CRIMES ECON�MICOS)

PAGOU OS SAL�RIOS DOS TRABALHADORES

OS FORNECEDORES LOCAIS E A EQUIPA POLACA A QUEM CONTACT�MOS

AINDA N�O RECEBERAM DINHEIRO OS DONOS DE CASAS CHEGARAM A ACORDO

CRIARAM A EMPRESA PARA SEGUIR

SOFREM COM A BUROCRACIA E COM QUEST�ES DE PROPRIEDADE

OS PRODUTORES GOSTARIAM DE AGRADECER A TODOS

QUE ACEITARAM FALAR E CONTRIBUIR PARA ESTE PROJETO

Legendas: Helena Margarida Cotovio plint.com

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