All language subtitles for King.Of.Zanzibar.S01E02

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Original subtitles

Em Pili Pili, o dinheiro voava.

O Wojtek era a cara no Facebook.

Ele era popular e as pessoas adoravam-no.

Com uma batelada de dinheiro sabe-se l� donde.

Come�ou por ser um hotel pequeno com seis quartos.

Como era? Estiveram c� dois ou tr�s anos.

De zero quartos a centenas de quartos.

Toda a costa sudeste de Zanzibar estava repleta de hot�is Pili Pili.

O Wojtek era o rei de Zanzibar.

Toda a gente conhecia o Pili Pili.

Os habitantes vinham dizer que rezam por Pili Pili nas mesquitas,

rezam pelo Wojtek.

Na ideia de muitos, o Wojtek era um deus.

Foi retratado enquanto empres�rio excecional.

O fogo come�ou da�.

Wojtek de Zanzibar. Cara desconhecida. Hoteleiro condenado.

Ele vendia o que ainda n�o existia.

Os investidores viram uma cova no ch�o.

O dinheiro desapareceu misteriosamente.

Para esta ilha, foi um esc�ndalo enorme.

Ele � muito esperto, muito esperto. Eles sabem jogar.

V�rias senten�as, mas o Wojtek passeia descal�o na areia.

Mesmo agora, a contar isto, sinto arrepios.

N�o podia triunfar.

E n�o triunfou.

JAMBIANI 10 DE JULHO DE 2021

Gerir um neg�cio em Zanzibar � especial, penso eu.

� preciso ser flex�vel.

Aprendi com a vida. Tudo � poss�vel.

Dentro de duas horas, chega o voo.

Os h�spedes est�o a chegar e o hotel n�o est� pronto.

�amos abrir novos hot�is,

nomeadamente Camp, Sunset, Holiday, e Natural Park.

Ali�s, n�o estavam prontos, nem nada estava.

A situa��o do Natural Park foi uma confus�o total

porque os h�spedes e os investidores chegaram.

Esses investidores tamb�m vieram de gra�a para ver o investimento.

O investimento n�o estava pronto.

Fui com o Jerry e o Ola receber os h�spedes ao aeroporto.

Gui�vamos muito depressa. Nunca tinha guiado t�o r�pido.

N�o fazia ideia dos atalhos para o aeroporto.

Estava noutro hotel e o meu supervisor direto ligou-me,

a dizer que o Wojtek aceitara

que os h�spedes ficassem noutro hotel.

Ele disse-me,

"Apanha um t�xi e vai para o aeroporto. Tens de lhes dizer".

Pensei muito no caminho como come�ar.

O que havia de lhes dizer?

Iam apanhar um choque, e sabia que n�o seria nada f�cil.

Eu e o Jad cheg�mos ao aeroporto, e as pessoas j� tinham a bagagem.

O PJ mandou os que ficariam no Sunset juntarem-se de um lado,

e eles perguntaram, "Porque nos juntam assim?"

Respondi que, infelizmente, n�o ficariam no Sunset,

mas que os hospedar�amos num hotel pr�ximo de n�vel semelhante.

Claro que n�o ficaram nada entusiasmados.

Ora, as pessoas estavam t�o cansadas que entraram no autocarro

e foram para o hotel.

No entanto, foi um grande erro porque o PJ disse

que iam para outro hotel, mas ningu�m se apercebeu

que o Holiday ainda n�o abrira.

Nisto, todo o trabalho no Sunset

passou para o Holiday enquanto est�vamos no aeroporto.

Disseram-nos que t�nhamos de empatar cerca de tr�s horas

at� encontrarem solu��o.

Entr�mos nos autocarros.

Fizemos-lhes uma visita guiada de Stonetown at� ao norte.

E depois disso, fomos para a costa leste,

rumo a Paje, � velocidade de 60 km/h.

Os autocarros deram duas voltas � ilha.

O regresso do aeroporto demorou tr�s horas e meia,

enquanto a viagem mais r�pida rondava os 42 minutos.

Os h�spedes repararam que passavam pelo mesmo s�tio

e come�aram a ficar chateados.

Ap�s 13 horas de viagem com crian�as,

n�o tinham �gua, estava calor.

S� queriam ir dormir.

O hotel que o Wojtek arrendara para evitar um fracasso com o Sunset

era quase do outro lado da rua.

Toda a gente estava no hotel �s 22 horas.

Cheg�mos com os h�spedes por volta da 1:00 da manh�.

O gerente do hotel esperava os h�spedes,

que chegam ao fim de tr�s horas �s voltas pela terra, com fome.

Ele pusera as chaves dos quartos numa mesa,

e os h�spedes entraram cheios de raiva,

ralharam com ele e pegaram nas chaves.

E...

N�o foi tudo, porque...

Nisto, vimos um cami�o enorme carregado de colch�es.

Havia 100, 200 colch�es.

O Jerek disse: "V�o para o Holiday."

E os h�spedes j� estavam no Holiday.

As cabanas superiores tinham colch�es mais largos,

e as de baixo, mais estreitos.

A equipa do cami�o enganou-se.

Os colch�es maiores para as cabanas superiores

foram levados para as de baixo,

e os mais pequenos seguiram para cima.

Enquanto os colch�es mais pequenos cabiam nas camas,

os maiores j� n�o.

Foi o p�nico.

Parecia uma cena de um filme.

Os h�spedes a correr com malas

ou a trancarem-se nos quartos, confusos.

Imagine abrir a porta do quarto e ver um ilh�u

a cortar um colch�o � catanada para o encaixar na cama.

Lembro-me de uma fam�lia que veio para se casar em Zanzibar.

O evento mais belo da vida. Vieram com a fam�lia.

Tinham pagado um chal� com piscina.

E acabaram por ficar num hotel cinco pisos abaixo.

O Holiday estava velho e despreparado,

n�o se parecia nada com o que tinham pagado.

Faltava-lhe a vista, a piscina, os chal�s.

Vi um grupo de cozinheiros polacos

a sair do hotel,

e eles disseram-nos: "N�o entrem a�.

Se eles virem um polaco - os h�spedes - eles comem-no vivo."

Cheguei ao Holiday e passei l� tr�s horas,

a falar com os h�spedes,

a tentar convenc�-los a passar a noite,

que tentar�amos encontrar solu��o de manh�.

Quando viram que tinha pouco a oferecer, pois n�o tinha meios,

um dos homens, bastante grande, digamos,

chegou-se a mim e disse, "Ouve, espertalh�o,

fica c�, n�s ficamos em tua casa esta noite."

Tentei contactar o Wojtek.

Disse que estava mau, que nunca estivera t�o mau,

o ambiente, desastroso, os h�spedes - profundamente insatisfeitos,

e exigiram falar com ele ali mesmo.

Ele disse que viria de manh�.

No dia seguinte choveu, o que piorou ainda mais o ambiente.

Eu tinha medo de ir para o hotel, medo do mau g�nio dos h�spedes.

Lembro-me de ir l� de manh�.

O ambiente era sombrio.

Totalmente.

T�o sombrio que n�o sabias se rir ou chorar.

Um grupo de pessoas daquelas que preferimos evitar

quando as v�s � dist�ncia.

A conversa foi muito emotiva.

Exigiram transfer�ncia imediata para um hotel de cinco estrelas.

A situa��o provocou muitas emo��es,

que eu compreendia perfeitamente.

No entanto, eu n�o tinha autoriza��o

da dire��o ou do Wojtek para oferecer tal indemniza��o.

Sentou-se � mesa com a cabe�a baixa, apenas a ouvir,

enquanto as pessoas gritavam em catadupa.

N�o havia margem de manobra. S� me restava tentar acalm�-los.

Claro que foi um stresse enorme para todos os h�spedes,

sobretudo aqueles que tinham crian�as pequenas.

Os jovens foram para a piscina, tomaram uma bebida,

e pensaram: "At� podemos dormir aqui na espregui�adeira".

Mas aqueles que vieram com crian�as

estavam preocupados com a semana seguinte em Zanzibar.

Preocupam-se com a seguran�a dos filhos e se haver� comida,

s�tio para dormir, e como tudo vai acabar.

O Wojtek chegou tarde.

Em momento algum admitiu que havia algo de mal.

"Se te apanharem em flagrante, nega a p�s juntos."

Com a sua aud�cia inata,

simplesmente entrou e disse que compreendia tudo,

mas n�o abordou os argumentos dos h�spedes.

Olhou para o hotel de pantanas e disse que estava tudo fant�stico.

Ele era sempre confiante.

Sempre, estava tudo �timo.

Podia haver algo de mal, mas a culpa n�o era dele.

N�o sei como � que fazia.

Ele tinha o dom de conquistar as pessoas.

Entrou logo em for�a.

Os h�spedes receberam muitos brindes.

Muitos passeios e visitas guiadas, gratuitos.

Foram transferidos para um hotel melhor,

totalmente operacional com quartos espetaculares.

Tamb�m lhes disseram que a estadia era gr�tis

e que podiam voltar a Zanzibar com o mesmo grupo, sem custos.

Foi tal regalia que as pessoas acabaram por esquecer

que o hotel inicial ficava aqu�m.

Pois.

O Wojtek consegue sempre fazer isso. Tudo se suaviza,

e fica tudo bem.

Em termos de imagem, era crucial que a imagem fosse maravilhosa.

Sem queixas, sem coment�rios negativos,

vou dar-lhes tanto que ficar�o satisfeitos.

Mais parecia um cavaleiro cintilante, e resolvia problemas,

normalmente que ele pr�prio causara.

Ao pequeno-almo�o, os h�spedes j� estavam satisfeitos e relaxados.

Os conflitos causados pelos problemas no hotel acabaram em bem.

Esqueceram-se que n�o tinham onde dormir num hotel inacabado,

e diziam, "O Wojtek � uma simpatia.

Mesmo que n�o tenha conseguido o que pretendia,

continuou a dar-nos estes brindes."

Aquelas pessoas ficaram cativadas e viam nele um �cone.

Est�s em Zanzibar. O que vais fazer? Tribunal?

Queres voltar depois de tirar duas semanas de f�rias,

trabalhar para isso e fazer a viagem?

Nem pensar!

Havia desporto na praia, e muito �lcool.

Ao fim de tr�s dias, o grupo esqueceu o mau in�cio.

Compreendo-os perfeitamente.

O Wojtek dizia sempre, "n�o olhem para tr�s, sigam em frente."

Ele tamb�m vivia assim.

Por fim, o hotel foi conclu�do ao n�vel pretendido.

T�pico do Wojtek. Faz tudo parecer bem, mesmo n�o estando.

Junto com o grupo que veio para o Sunset, chegaram tamb�m investidores.

Enquanto os turistas que queriam passar f�rias de sonho em Zanzibar

se podiam aliciar com neg�cios e promessas,

os investidores, infelizmente, revelaram-se mais dif�ceis.

Lembro-me de duas investidoras

que voaram para Zanzibar

com grandes expetativas de conseguir

as suas casas de sonho em breve.

Viram fotografias,

ouviram os relatos do Wojtek, estavam ansiosas.

Uma delas conseguiu a sua casa,

mas estava em condi��es absolutamente inaceit�veis.

A casa ainda n�o estava pronta para ser ocupada.

Outro investidor, que comprou casa

um pouco mais longe do mar,

s� via bet�o e mais nada.

Os investidores que vieram ver as suas casas

viram uma cova no ch�o.

S� havia isso nesse investimento t�o badalado.

E esta �, claramente, a cova

que foi cavada

e disseram a toda a gente, "A vossa casa j� c� est�."

"Voc�s est�o na Pol�nia, mas a casa est� a fazer-se."

Um investidor que tinha pagado em tr�s parcelas:

primeiro, 16 mil d�lares,

depois, cerca de 58 mil d�lares,

a seguir, 25 mil, total: 100 mil.

Vale a pena dizer que, depois de investir,

recebeu um retorno de 10% durante v�rios meses.

O dinheiro n�o parava e ele investia mais e mais.

Nisto, os pagamentos pararam.

SEM NOVAS TRANSA��ES

Seria lavagem de dinheiro? Ningu�m sabe.

Era um mist�rio como o dinheiro chegava a Pili Pili.

Cem moradias. Construiu 20 moradias.

O resto do dinheiro... Onde?

Infelizmente, ele n�o est� a atender.

Vamos continuar a tentar.

Viver em Zanzibar � muito dif�cil.

Quem n�o trabalha

n�o pode viver aqui porque Zanzibar � muito caro.

O pre�o das coisas � inflacionado.

E a habita��o tamb�m � cara.

Por todo o Zanzibar h� pessoas carenciadas.

Zanzibar continua a ter desemprego,

por isso, todos os empregos s�o valiosos.

N�o se pode criar uma empresa

sem estar ligado �s pessoas da aldeia.

A comunidade local ficou contente com Pili Pili,

pois havia trabalho. Quanto mais hot�is, mais empregos.

Quer�amos retribuir as boas vindas aqui,

e tivemos a ideia de criar uma funda��o.

JAMBIANI JANEIRO DE 2021

Para Wojtek, gerir uma funda��o ou financiar v�rias a��es de caridade

servia apenas para compor a sua imagem.

Um meio de ganhar a adora��o dos h�spedes.

Ele era uma marca, mas a funda��o era gerida pela Julianna.

Ela � o extremo oposto do Wojtek.

� uma mulher cujo objetivo na vida � ajudar os outros.

Quem possuir muitos hot�is em Zanzibar

deve contribuir para a comunidade local. Ali�s, deve ajudar.

Uma crian�a pode n�o ir � escola

por n�o ter cinco d�lares por m�s para propinas.

Sentimo-nos movidos a fazer algo, ajudar de algum modo,

n�o se trata s� de viver para n�s pr�prios.

Porque h� sempre algu�m que precisa mais do que n�s.

O Centro foi concebido para as crian�as

terem aulas de Ingl�s e Inform�tica depois da escola,

para haver seguran�a e aprender coisas novas.

Venho apresentar a nossa embaixadora que est� aqui connosco.

- Aqui vou eu. - Apresento Natalia Kukulska.

Tive ocasi�o de ver este s�tio desenvolver-se desde o in�cio,

quando era apenas um estaleiro.

� como a cantiga sobre a terra nua que veio a ser S�o Francisco.

Estou muito feliz por ver progressos maravilhosos.

Durante anos, apoiei v�rias funda��es,

colaborei com elas,

Tive ocasi�o de ajudar crian�as em �frica

na campanha de constru��o de escolas da UNICEF.

Ali�s, tem havido muitas campanhas dessas na minha vida.

Quando estive em Zanzibar, conheci a Julianna,

a qual geria diretamente a funda��o,

e se dedicou de alma e cora��o.

Ela convenceu-me de que havia maior necessidade

de uma iniciativa deste g�nero.

Estamos a fazer parques infantis para as crian�as,

que assim podem brincar com as crian�as hospedadas.

Vamos abrir um cibercaf�, para dar forma��o em inform�tica

para ajudar ao desenvolvimento.

Propuseram-me que gravasse uma can��o

para promover e apoiar as atividades da Funda��o Pili Pili.

Foi uma aventura intrigante para mim porque tive a sorte de conhecer

uma grande estrela tanzaniana chamada Maua Sama.

Foi giro porque, quando dissemos ao taxista na volta,

que t�nhamos conhecido Maua Sama,

ele quase nos queria tocar, espantado de a conhecermos mesmo,

e foi incrivelmente empolgante para ele.

Cri�mos uma esp�cie de hino Pili Pili.

O Wojtek queria organizar eventos especiais

de angaria��o de fundos para a ilha e sua comunidade.

Quase todos os meses, havia uma a��o de caridade.

Quer�amos ser din�micos, mostrar que faz�amos acontecer.

Come�aram a vir celebridades.

Eram convidadas pelas Rela��es P�blicas para virem a Zanzibar.

Nessas duas semanas, organiz�mos sempre uma a��o de caridade

com a estrela que estava de visita na altura.

A oferta para a colabora��o com Pili Pili

veio de uma pessoa com quem trabalhei muitos anos no mercado polaco,

especialista de Rela��es P�blicas.

Tivemos muitas experi�ncias juntos no mercado local,

por isso n�o senti necessidade especial de verificar este s�tio.

N�o fomos contratados para promover o Pili Pili.

Est�vamos simplesmente a fazer o nosso trabalho

em troca de umas f�rias.

Os atores falaram sobre os seus filmes,

fizeram uma forma��o, havia mestres de cerim�nias,

ou, no caso dos m�sicos, deram concertos,

que tinham o benef�cio adicional

de as receitas reverterem a favor de uma causa nobre.

Estas trocas diretas, onde os artistas s�o compensados

n�o com dinheiro mas com algo em troca,

s�o praticadas h� anos.

Foi muito bom,

pois t�nhamos superestrelas da Pol�nia.

Pessoas famosas, m�sicos, estrelas de cinema.

O que me fez sentir t�o bem. Sentia-me, "Sim! Sim, Pili Pili."

Posso dizer nomes, n�o posso?

Pectus, Feel,

Dereszowska, Steczkowska, Kukulska,

Linda,

Widawska.

Quem mais estava l�? Kombii,

Sztaba, outra Steczkowska - a Magda.

Joseph Seeletso tamb�m, � chef.

Kasprzyk, Wolszczak, muitos deles.

Conheci Urszula Dudziak, Conheci Krystyna Czubowna.

Havia a banda De Mono. Tamb�m tive oportunidade de os conhecer.

Eram muitos.

O m�ximo que angari�mos

foi numa a��o de caridade em novembro de 2021.

Recolhemos 15 mil d�lares. Esses eventos foram m�gicos.

Elas cont�m de facto muita magia.

Foi uma das noites mais belas,

a melhor de todas as que tivemos.

Estou t�o emocionada que at� me custa falar.

Trazer celebridades: genial.

N�o sei como foi visto na Pol�nia,

mas eu tinha plena consci�ncia

de que era uma estrat�gia de marketing empresarial.

Um alvo.

Uma pessoa lesada abordou-me,

fora defraudada

em cerca de um milh�o de d�lares americanos.

Essa pessoa, que vive em Kielce,

queria investir.

E era o seu dinheiro ganho com muito esfor�o.

O meu cliente viu um an�ncio muito atrativo no Facebook.

Imobili�rio, �timo!

Ele ficou cativado pela beleza de Zanzibar.

A �nica prova da integridade do famoso Wojtek de Zanzibar

eram fotos e entrevistas em revistas de luxo.

O Wojtek era retratado

enquanto empres�rio soberbo e excecional

que estava a construir e a criar,

e as pessoas prosperavam gra�as a ele.

Um modelo de empreendedorismo,

neg�cios e integridade.

O meu cliente disse-me,

"Ouve, Krzysztof, se eu o vir

com algumas personalidades da TV,

caras das primeiras p�ginas dos jornais,

confio nele porque essas pessoas n�o visitariam um burl�o.

Eu acredito nele".

O Wojtek teve mais do que cinco minutos de estrelato.

Foi a estrela aqui, pelo menos na costa sudeste,

durante meses e meses, porque ele fez tanta coisa fant�stica.

No in�cio, pensei: "Espertalh�o."

"Parece ser bom homem de neg�cios. Parece saber o que faz."

Mas isso mudou relativamente r�pido

quando vi como gastava o dinheiro aqui.

Era dinheiro para todo o lado.

Estive muito tempo em hotelaria,

e vi o volume de expatriados que ele contratava

para todas as fun��es, de arquiteto a jardineiro,

chefe de cozinha, gerente, etc.

Contratou um treinador de futebol

para a equipa de futebol local.

Por isso, gastou muito dinheiro.

Por isso, pensei que isto n�o podia resultar.

Havia tamb�m muitos outros projetos, como Pili Pili Radio e Pili Pili TV.

Chamo-me Zelislaw Zyzynski, sou jornalista h� quase 25 anos.

Em Zanzibar, trabalhei na cria��o da Pili Pili TV, um canal no YouTube.

A Pili Pili TV pretendia ser um canal promocional e social,

permitindo a antigos visitantes uma liga��o perene a Zanzibar,

e dar aos potenciais visitantes um vislumbre de como � Zanzibar.

Outra fun��o minha era gravar um programa semanal para a Pili Pili Radio,

uma esta��o acess�vel via telem�vel.

Escrevi para a revista mensal Pili Pili Travel Buddy

e colaborei com a comunidade.

Fomentei desportos de praia trissemanais.

Toda a gente joga futebol.

� tardinha, jogam v�rias gera��es nas praias.

Dulla Boys � uma equipa de rapazes,

com 15 e 16 anos,

criada por Abdullah Mwinyi Juma.

Queria patroc�nio e pediu ao Wojtek.

O Wojtek atribuiu or�amento � equipa

e disse que gostaria que a equipa jogasse bem,

que se chamasse Pili Pili Dulla Boys,

e que ganhasse fama em toda a ilha.

O Wojtek era �timo a armar-se em filantropo rico

que ajuda a comunidade a desenvolver-se,

que se dedica a �frica e � adorado pelos habitantes.

No entanto, a realidade n�o era assim cor-de-rosa.

Quanto � gest�o,

o Wojtek n�o tinha por objetivo gerir bem.

Concentrava-se em manter as apar�ncias.

Por isso, houve sempre problemas com a gest�o das finan�as.

O Wojtek criou moeda pr�pria, chamada Pili Coins,

a qual circulava nos seus hot�is.

Pili Coins �

um sistema genial para gerir todos os pagamentos.

Antes da sua viagem a Zanzibar,

os h�spedes compravam certa quantidade de moedas,

igual ao valor do d�lar, que era a moeda de transa��o.

Davam-lhes pulseiras com que fazer pagamentos.

Com esta moeda, pode comprar uma excurs�o, pagar os voos.

Um centro de mergulho ou de kite-surf.

As atividades podem pagar-se em Pili Coins.

O Wojtek anunciou que uma moeda Pili equivalia a um d�lar,

mas o valor da moeda desceu.

Se o d�lar estivesse avaliado em 4,99 contra o zloty polaco,

o Wojtek vendia as moedas por 3,99,

por vezes at� por 2,99, num neg�cio.

Se olharmos para o pre�o, seria, grosso modo,

cerca de 15-16 mil zlotys.

Se pegarmos neste pre�o,

vemos que � cerca de dez mil zlotys.

A diferen�a, seja qual for a contagem, � de quase cinco mil.

O conceito da Pili Coin tamb�m permitiu,

�queles que n�o podiam gastar muito de uma s� vez,

acumular gradualmente Pili Coins durante os saldos.

Que neg�cio, que pechincha...

comprar algo que vale cerca de 4 zlotys por apenas 2 zlotys.

� dado! V�, pe�a empr�stimos e desate a comprar.

Alguns tiveram descontos de metade do pre�o.

Quem n�o quer um desconto de 50 por cento para f�rias de sonho?

Ningu�m.

A viagem completa custa cerca de mil d�lares por pessoa.

Com Pili Coins, era ainda menos.

As pessoas compraram essas Pili Coins � desgarrada.

No in�cio, ningu�m percebeu

o ardil especial�ssimo com as moedas Pili Pili.

Eu ainda hoje n�o compreendo.

Ningu�m sabia que pre�os ele cobrava pelos quartos.

Era tudo um pouco turvo.

Alguns compraram Pili Coins com 30 por cento de desconto,

outros, 50 por cento.

E havia concursos onde se ganhava essas moedas,

ou seja, recebendo-as de gra�a.

Quando chegou � contagem final, ningu�m sabia o que era.

O Wojtek era quem controlava,

e o valor real nas contas,

provavelmente, s� ele sabia.

Nisto, Pili Pili falia.

No in�cio, at� custava a crer.

Os hot�is estavam esgotados, mas era evidente

que o imp�rio de Wojtek tinha problemas financeiros.

Penso que a queda do Pili Pili

come�ou com o primeiro voo charter e "tudo inclu�do" para todos.

No in�cio, toda a gente queria f�rias e promo��es.

Arranc�mos, foi �timo.

Muito dinheiro, nenhuma escassez, novos investimentos.

Tudo aconteceu rapidamente.

Pessoal contratado rapidamente, mais hot�is arrendados rapidamente.

As expetativas do Wojtek aumentaram, mas o dinheiro faltava

porque o Wojtek estava sempre a fazer promo��es.

Uma vez, a pessoa respons�vel pelo voo disse que o avi�o estava cheio,

mas s� cerca de 20 passageiros tinham pagado viagem.

Cada nova promo��o vinha colmatar o fosso or�amental da �ltima.

Sempre que aparecia uma promo��o na p�gina de f�s do Wojtek,

Pili Coins, estadias, etc., indicava que o Wojtek angariava fundos.

Ele vendia, digamos, 200 viagens por semana,

e pagavam-lhe essas 200 viagens, logo, o Wojtek tinha dinheiro.

Mas gastava-o de imediato.

Quando chegavam, seis meses depois, eram apenas custos.

O Wojtek j� n�o tinha dinheiro. Os fundos escasseavam.

Os problemas de liquidez come�aram em abril de 2021.

Foi a primeira vez sem receber sal�rio completo.

Em outubro, os atrasos eram enormes, iam at� novembro.

Em novembro, o Wojtek lan�ou o "Quick 500:"

enviou 500 d�lares a cada empregado e prometia o resto depois.

Mas nunca pagou.

Foi nesse momento que percebemos, algo estava mal.

JAMBIANI OUTUBRO DE 2021

Os clientes sentiam que algo estava mal,

pois muitas vezes faltavam necessidades b�sicas para as f�rias.

Os fornecedores n�o entregavam mercadoria,

porque t�nhamos d�vidas pendentes.

Chamo-me Nurdi Mikidadi Khamis.

Tenho um neg�cio, um supermercado.

O trabalho com a Pili Pili triplicou-me o volume de neg�cios.

Tudo correu bem nos primeiros tr�s meses.

No quarto e quinto m�s, n�o me pagaram regularmente.

Disseram que o dinheiro n�o chegara � sua conta em Zanzibar.

Mas as compras e as entregas continuaram, sempre a prometerem que o dinheiro viria.

Tivemos de os convencer a entregar algo

e aceitar pagamentos parciais.

As discuss�es foram dif�ceis, n�o vou mentir.

Mau grado as muitas promessas do Wojtek, o problema n�o teve fim.

�s vezes, para uma entrega no valor de dez milh�es,

eu recebia dois milh�es, se prometesse

continuar as entregas.

A comida come�ou a escassear.

Os fornecedores disseram, "sem pagamentos,

interrompemos as entregas."

Por fim, quando os fornecedores se recusaram, viu-se

que nem havia dinheiro para dois quilos de batatas.

Com 16 hot�is, precis�mos de meia tonelada de batatas.

Na fase final desta crise, faltava tudo na nossa cozinha.

Carne, peixe...

Viv�amos junto ao oceano, mas Pili Pili n�o tinha peixe fresco

porque os fornecedores n�o pagos se recusavam a entregar.

Os empregados estavam cientes destes problemas crescentes,

mas os h�spedes, e quem tencionava visitar Zanzibar,

s� viam imagens bonitas e pitorescas no Facebook do Wojtek,

pratos deliciosos e promessas tentadoras de grandes atra��es.

Essas pessoas n�o faziam ideia que algo estava mal,

e os empregados estavam numa situa��o muito dif�cil.

A ger�ncia continuava a dizer o mesmo.

Os hot�is estavam cheios,

mas nunca havia dinheiro para faturas.

Acho imposs�vel que tenha havido falta de dinheiro

e creio que muita gente pensava o mesmo.

Essa � a pergunta que as pessoas aqui em Zanzibar continuam a fazer:

o Wojtek sabia que ia fracassar,

que era uma vigarice destinada a desmoronar-se,

e mentiu intencionalmente �s pessoas?

Ou tinha simplesmente uma vis�o

que fracassou devido a escolhas erradas,

o que tamb�m faz dele uma v�tima?

Em maio de 2021, o Wojtek convocou uma grande reuni�o

a anunciar mudan�as estruturais e um conselho de administra��o.

O Wojtek deixava de se meter em quest�es operacionais.

Ele j� n�o ia lidar com isto

e os administradores aplicariam novas regras

para sistematizar tudo.

Tudo seria como deve ser numa empresa bem gerida.

Eles eram a nata nas suas profiss�es.

Ele disse que a empresa crescera tanto que ele n�o conseguia gerir tudo,

da� a estrutura empresarial

e a delega��o da gest�o ao conselho.

Em rigor, o Przemek e o Pawel tratavam disto e daquilo,

mas o Wojtek queria controlar tudo.

PEDIMOS ENTREVISTA AOS MEMBROS DO CONSELHO DA PILI PILI.

RECUSARAM-SE A SER FILMADOS.

O que antes era um neg�cio familiar simp�tico com um ambiente acolhedor

mudou para um quadro t�pico de empresa.

Os fundos foram divididos entre os departamentos,

e s� recebi verba para despesas administrativas.

Cada departamento recebeu verba em separado.

O objetivo era dar mais poder aos gerentes dos hot�is

mas, em todos os organigramas, ele estava sempre no topo.

Todas as linhas conduziam a ele.

As nossas ideias e pedidos de or�amento tinham de ser aprovados pelo Wojtek.

Ele tinha poder de veto e podia ditar como fazer as coisas.

Interferia na fun��o do conselho,

o que se via logo quando, � revelia das decis�es do conselho,

o Wojtek enviava logo um SMS ou uma mensagem de grupo no Facebook,

e o que mandava sobrepunha-se ao conselho.

O ego ganhara propor��es

que uma s� pessoa nem deveria ser capaz de conter.

Estava convicto da sua infalibilidade

e do seu poderio vision�rio no neg�cio.

No Holiday, eu estava a criar um clube infantil

e disse ao Wojtek que tinha de fazer altera��es e remodela��es.

Deu-me r�dea solta e perguntou, "De quanto precisas?"

Somei tudo, mostrei-lhe a verba necess�ria,

e ele disse: "Vem comigo ao carro."

Tirou esse dinheiro diretamente da mochila.

Ele resolvia tudo com dinheiro e conversa fiada.

Sa�a do seu Land Rover branco, tirava dinheiro da mochila,

e dava-o para fazer coisas.

Foram cerca de tr�s mil d�lares,

e nessa altura, todos diziam,

"O Wojtek est� falido, e n�s em sarilhos."

Quando recebi o dinheiro na hora, lembro-me de pensar,

"Isto � treta!

S� tens de o abordar,

pedir, e o dinheiro aparece.

Talvez nenhum de voc�s v� diretamente � fonte".

Como isso foi enganador.

Penso que com gestos t�o pequenos para pessoas insignificantes,

visto que n�o contribu� muito para Pili Pili,

ele visava escamotear a verdade para eu a transmitir, e outros tamb�m,

de que ele era fi�vel e tinha dinheiro.

Era assim: Algu�m pedia-me dinheiro,

eu dizia que n�o tinha, iam ao Wojtek nas minhas costas,

e recebiam o dinheiro logo. Acabei por fazer figura de parvo.

Ele armava-se em...

salvador, digamos, insinuando,

"Se esses maus gestores te recusarem, eu ajudo".

Por�m, quando ped�amos a mesma verba, n�o receb�amos.

Acho que ele queria convencer toda a gente

de que era o �nico capaz de gerir.

Que ele era o �nico que os podia ajudar,

e que eles deviam ficar do seu lado.

Para tudo funcionar, toda a gente tinha de se centrar nele

porque mais ningu�m podia fazer.

Foi convocada uma reuni�o, na qual estive presente,

o presidente, o vice-presidente, e uma pessoa dos RH.

Fic�mos a saber que t�nhamos

de despedir metade do pessoal nos nossos departamentos.

Com efeito imediato.

A dada altura, e de repente, o Wojtek disse,

"Temos de contratar, preciso de mais pessoal".

Come�aram a chegar pessoas, incluindo da Pol�nia.

Um m�s depois, veio a ordem para despedir essa gente toda.

O presidente tentou explicar ao Wojtek a necessidade de manter o pessoal

devido �s novas instala��es que iam abrir.

Mas o Wojtek s� disse, "Vou escrever quem tens de despedir."

Cada m�s, desped�amos cerca de 100 pessoas.

Trabalhei no Pili Pili dois meses.

Numa reuni�o, disseram-me que, de forma amig�vel,

me queriam dar mais tempo para mim.

Perguntei: "O que � que se passa?"

"Infelizmente, temos de reduzir

e o escrit�rio tem pessoal a mais."

Atalhei: "Pode dizer-se que sou s� eu no escrit�rio".

� uma situa��o psicologicamente dif�cil

quando se promete algo a algu�m, se traz a pessoa,

e, pouco tempo depois, se diz, "Desculpa, mas � o que �."

Foi cair na realidade com amargura

sobre a gest�o que o Wojtek faz do neg�cio.

Foi nesse momento,

ap�s tantos anos de trabalho, comecei a duvidar

se a minha presen�a na empresa importava.

JAMBIANI DEZEMBRO 2021

Na v�spera de Natal, arrega��mos as mangas e trabalh�mos arduamente.

Era Natal, t�nhamos uma ementa especial.

Toda a gente sabia o que fazer, mas n�o t�nhamos com que cozinhar.

As mercadorias para a v�spera de Natal chegaram �s 15 horas.

Foi o golpe final e derradeiro.

Sofri um grande esgotamento nervoso

e deixei de trabalhar l� a partir de dezembro.

Do meu ponto de vista, foi muito dif�cil.

Tive ocasi�o de conhecer melhor o Wojtek em duas reuni�es.

Num jantar com outros artistas

onde fal�mos sobre a funda��o.

At� sugeri espontaneamente que dev�amos fazer algo maior

porque, at� ent�o, os pequenos concertos

tinham sido improvisados, ami�de sem qualidade de som adequada.

Convenci o Wojtek a organizar um grande concerto profissional.

Que seja na v�spera de Ano Novo.

V�spera de Ano Novo de 2021. Uma v�spera de Ano Novo de sonho.

Devia ser a maior festa na hist�ria de Pili Pili.

Durante muito tempo duvidei do evento

porque n�o havia dinheiro.

Era s� tapar buracos. Todos mobilizados.

Reuniram-se recursos de v�rios hot�is.

�lcool, bebidas, e, realmente, n�o havia mais nada nos hot�is

para o evento.

Senti que se disponibilizaram verbas substanciais

para mostrar a grandeza de Pili Pili.

Decidiu-se, ainda,

que a v�spera de Ano Novo teria lugar na praia do hotel Sultan.

Algu�m ironizou que se montaria um palco de milhares

e que a verba para o palco tamb�m existia.

Montou-se o palco.

Descia-se a escada num declive.

� dif�cil imaginar algo mais bonito.

Todos os hot�is juntos.

Um DJ, bandas locais, estrelas polacas.

Levei todo o equipamento, o drone,

fui para a praia, fiquei na escada,

olhei � volta e maravilhei-me.

Tinha estado l� com o Zelek uns dias antes,

a filmar um teaser de convite � festa de Ano Novo.

Junto com os atores que estavam l�, na altura,

dev�amos filmar um convite para o evento de Ano Novo.

Muito bem, vamos l�. Tr�s, quatro.

Neste belo cen�rio natural, dou-lhes as boas-vindas

� festa da v�spera, sob as estrelas, com estrelas.

Devia ser o in�cio de uma recupera��o,

uma celebra��o sob as estrelas,

um maravilhoso recome�o.

Sou o piv� deste concerto especial.

31 de dezembro, 21h00. Junte-se a n�s!

J� estamos a treinar a abertura do champanhe.

Naquela altura, senti...

... que tudo ia correr bem.

Volt�mos para os quartos no hotel,

e ent�o veio a revela��o.

Nessa altura, o artigo foi publicado,

e fic�mos todos paralisados.

Wojtek de Zanzibar, cara desconhecida. Hoteleiro condenado.

O conhecido hoteleiro de Zanzibar, Wojciech Zabinski,

foi condenado na Pol�nia a dois anos e dois meses de pris�o.

Por fraude, entre outras acusa��es,

diz-nos a Gazeta.pl.

Wojtek de Zanzibar, cara desconhecida. Hoteleiro condenado.

O ch�o debaixo de mim abriu-se.

N�o sabia o que fazer.

Em 28 de dezembro, os m�dia come�aram a noticiar...

... que toda a opera��o envolvia muitas empresas,

e a fam�lia dele tamb�m.

O Wojtek foi condenado.

O tribunal acusou-o oficialmente de fraude.

Em 2019, o Tribunal Distrital de Gdansk

condenou-o a dois anos e dois meses de pris�o

por crimes econ�micos.

A execu��o da pena foi adiada a pedido do condenado.

O tribunal considerou que o condenado, hoteleiro em Zanzibar,

deve saldar as d�vidas com as v�timas.

Parece que ele n�o quer falar.

Este caso teve lugar dez anos antes, em 2009.

Ele assinou contrato para comprar um apartamento,

pelo qual n�o pagou

mas que j� tinha vendido ao comprador seguinte.

O Tribunal de Recurso considerou este ato fraudulento.

O Wojtek foi ent�o condenado em 2019

a dois anos e dois meses de pris�o incondicional.

O padr�o do seus atos �,

ser� o termo errado mas, de certo modo, fascinante,

visto que, depois, o reproduziu em Pili Pili.

Comprar um im�vel, n�o pagando por ele, criando vis�es,

e vendendo-o antes de pagar.

Foi exatamente o que pudemos todos ver, depois,

no caso de Pili Pili.

A nossa sede ficava em Gdansk.

Trabalh�mos l�, uma equipa relativamente pequena.

A 28 de dezembro, foi publicado um artigo

que esclarecia o passado do Wojtek

e quem ele realmente era.

N�o est�vamos preparados para isso.

�ramos simplesmente um departamento de reservas,

que se ocupava principalmente das reservas de estadias.

De repente, tivemos de explicar

as acusa��es criminais contra o chefe,

que se tinha tornado figura p�blica.

Pelo que sei,

quando o Wojtek veio para Zanzibar,

tinha problemas na Pol�nia.

Uma das primeiras decis�es do Wojtek ap�s a publica��o do artigo

foi criar um grupo s� de empregados polacos.

Nesse grupo,

ele explicou-nos caoticamente

que as alega��es do artigo eram falsas.

Ele garantiu-nos no grupo que pagara todas as d�vidas,

que estivera na Pol�nia, as faltas eram dos outros, n�o dele,

que pagara na mesma e que a senten�a seria anulada pelo Supremo Tribunal.

No entanto, o artigo indicava

que isso estava longe de ser verdade

e que o Wojtek era culpado.

O Wojtek n�o estava c�, por isso a �nica pessoa que tinha contacto com ele

era a Joasia, que tratava das rela��es p�blicas.

A primeira coisa que fiz foi ligar-lhe a perguntar se era verdade.

Estava sempre a receber respostas

que era falso,

que o Wojtek faria declara��es em breve, e que tudo se resolveria.

Tamb�m eu acreditava que era s� difama��o

por parte de pessoas invejosas da sua carreira e do seu sucesso.

O Wojtek era t�o acess�vel,

mostrava-se um homem humilde de mochila �s costas,

convivia com todos,

perguntava como se sentiam, se estava tudo bem.

At� pensei que era bom

o facto de ele n�o ser apenas algu�m atr�s de um guich�

mas estar de facto perto das pessoas.

Durante anos, circularam rumores

que todos os empreendimentos do Wojtek na Pol�nia

terminavam em disputas legais.

Constou-me que o Wojtek era dos mais jovens gerentes banc�rios

na zona de Tri-City.

Sabia que tinha tido v�rios empregos e neg�cios na vida.

Geriu lojas, tinha uma empresa de desenvolvimento,

e uma ag�ncia de cobran�a de d�vidas.

Quando nos apresent�mos,

apercebi-me que realmente reconhecia a cara dele

do bar onde eu trabalhara anteriormente, numa discoteca gay.

Era um cliente distinto que pedia u�sque com sumo de toranja,

e a cara dele ficou-me na mem�ria.

Estudou gest�o hoteleira, tanto quanto me lembro do que me disse,

mas nunca trabalhou nesse ramo.

Comecei na banca e em contabilidade.

Depois, subi rapidamente na carreira e tive outras fases.

Chegou uma altura em que mudei o foco profissional.

Comecei a envolver-me noutras coisas na Pol�nia.

Recentemente, tive uma reuni�o com um antigo funcion�rio

do Gabinete Central de Investiga��o em Gdansk,

que investigara o Wojtek de Zanzibar.

Para ele, Zanzibar tornara-se

na chamada fuga � responsabilidade penal.

A abordagem e o modelo de neg�cio do Wojtek

incomodavam outros hoteleiros.

Custava-lhes entender...

a enormidade do seu poder de marketing, pois eles n�o o tinham.

Ele explicou toda a situa��o, o artigo,

enquanto tentativa de a concorr�ncia o desacreditar.

Ele afirmou que era mentira, ele estava inocente,

e que o iria provar.

Disse que estava atualmente na Pol�nia,

a trabalhar com advogados para resolver esta situa��o,

para nos ajudar.

O Wojtek apareceu na Pol�nia para lutar pela justi�a, como ele dizia.

De facto, o tribunal

adiou a pena de pris�o por seis meses,

levado pelos argumentos de que o Wojtek tinha de voltar a Zanzibar

para formar substitutos na gest�o de Pili Pili na sua aus�ncia.

Por isso, o tribunal acreditou nele e libertou o Wojtek.

Todos sabemos o que aconteceu a seguir.

O artigo no Wyborcza foi um grande choque para n�s,

mas t�nhamos um concerto de Ano Novo para dar.

Eu sabia que as pessoas que vinham a Zanzibar

pensavam que o concerto tamb�m fazia parte do pacote.

Senti que devia fazer o meu trabalho de forma justa at� ao fim.

Al�m disso, sempre tive...

... a esperan�a de que uma pr�xima declara��o esclarecesse tudo.

Sabes, � como no Titanic,

o navio afunda-se, mas os m�sicos tocam at� ao fim.

Era v�spera de Ano Novo, o que � que eu podia dizer?

"O Wojtek � criminoso, ent�o n�o vou � festa?"

Ora! Est�vamos aqui h� um ano, devia haver 600 pessoas.

Para assimilar isto, recordemos uma coisa importante:

os h�spedes do nosso hotel foram l� para relaxar, passar f�rias.

Cada empregado tinha um imperativo interno,

o impulso de proporcionar essa experi�ncia,

de abrir os c�us para eles, por assim dizer.

Ainda ningu�m tinha determinado nada com certeza.

Tudo estava envolto numa estranha ambiguidade,

mas sent�amos que a situa��o nos envenenava.

N�o pens�vamos,

"As coisas est�o m�s, vou desistir e retirar-me".

Fomos obrigados pelas circunst�ncias a manter uma fachada.

Eu fui o piv� dessa v�spera de Ano Novo ao lado da Iwona Pavlovic.

Vi 500 pessoas felizes, pessoas a dan�ar na praia,

fazendo votos de Feliz Ano Novo.

Tudo est� a ruir. O Pili Pili est� a ruir.

O Wojtek est� em apuros, ausente.

Ningu�m tinha dinheiro, mas conseguimos faz�-lo.

Todos ainda t�nhamos vontade de fazer essa festa acontecer.

Depressa, subam ao palco!

� meia-noite, todas as celebridades convidadas deviam subir ao palco.

Fez-se uma contagem decrescente com o Zelek.

A Rozdzka n�o apareceu em palco.

A Natalia atuou,

mas o resto das estrelas apareceu apenas cinco segundos.

Trocaram votos, agradeceram a todos, despediram-se e foram-se embora.

Sinceramente, logo ali, senti mesmo pena deles.

S�o pessoas que vivem da imagem p�blica

e que tinham vindo a uma est�ncia gerida por um "vision�rio"

s� para descobrirem que era um burl�o j� condenado.

Eles tiveram um grande problema com tudo isto.

Foi uma injusti�a ver as nossas caras,

especialmente a minha,

aparecer em v�rias cachas de jornais sobre o Wojtek,

o seu passado,

e atividades criminosas.

De repente, l� estava eu,

uma pessoa que tinha estado envolvida na funda��o.

Senti-me enganada.

Senti que tamb�m eu era v�tima de injusti�a.

Essas acusa��es doeram ainda mais

quando as pessoas diziam que eu promovia um criminoso.

As figuras do espet�culo polacas,

que tinham servido de pano de fundo,

aperceberam-se que tinham sido c�mplices involunt�rios

do famigerado Wojtek de Zanzibar.

Legendas: Helena Margarida Cotovio plint.com

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