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"Caso arquivado" é um termo
que eu não gosto muito...
Porque ele dá a impressão
de que ninguém está dando atenção a ele,
o que não é verdade.
É um caso não solucionado.
Eu me lembro de pegar a fita VHS entre as provas.
O que se destacou pra mim no caso Krashoc...
foi assistir àquilo na TV.
Dá pra ver as montanhas cobertas de neve ao fundo...
Tem neve no estacionamento...
Tem uma lixeira próxima ao prédio...
E bem ao lado da lixeira...
estava o corpo.
Eu me lembro do cabelo da Darlene
se mexendo com o vento,
e seu corpo nu deitado no estacionamento cheio de neve.
Foi assim que me dei conta da brutalidade.
Pela forma como ela foi tratada e morta,
sabíamos que estávamos lidando com um monstro.
Eu fui Investigador de homicídios da polícia
de Colorado Springs por nove anos,
e nos últimos três anos
me dediquei apenas a casos arquivados.
Eu me lembro de receber o caso Krashoc em setembro de 2016.
Nós sabíamos que era diferente
de qualquer outro caso que já vimos antes.
O arquivo do caso Darlene Krashoc
tinha um tamanho significativo.
Tinha, facilmente, milhares de páginas.
Uma quantidade imensa de trabalho
foi dedicada àquele caso,
com quantidades fenomenais de provas materiais.
E isso não parou por 32 anos.
Nos casos em que o Tenente Kenda trabalhou
como supervisor ou como Investigador,
30 anos depois, olhando os arquivos dos casos,
James Isham e eu sabíamos
que tudo possível tinha sido feito.
Esse homem é uma fera, sabe?
Eu fui trabalhar no negócio do meu pai
quando saí da faculdade
e acabei odiando
"Eu quero ser policial".
Então eu me candidatei em vários departamentos
e Colorado Springs foi o primeiro
a me oferecer um trabalho.
A minha esposa Kathy e eu
seguimos o que ela achou melhor.
Fomos rumo ao oeste, e foi maravilhoso.
Eu fiquei muito ocupado enquanto policial.
Eu não gostava, eu amava.
Eu faria tudo de graça.
A minha maior preocupação
no que diz respeito à minha carreira
é não ter solucionado 8% dos meus casos,
dos meus 387 casos.
Vítimas que nunca conseguiram justiça no tribunal.
Mas o único caso que não prescreve é o de homicídio.
A parte mais importante da investigação de homicídios
é nunca, nunca desistir.
"Caçando Assassinos: Justiça Feita".
Naquela manhã cedo, eram cerca de 5h20.
Faltava provavelmente quase uma hora
pro nosso plantão acabar.
O dia estava muito, muito frio.
Atenção, veículos. Reportar...
Eu tomei a decisão
de irmos rondar alguns dos bares locais
pra verificar que não tinha
ninguém desmaiado dentro dos carros
naquele frio intenso.
Nós viramos para os fundos de um estabelecimento,
e nós dois vimos algo deitado próximo à lixeira
atrás de um desses bares.
Seria um manequim?
E conforme nos aproximamos,
nós vimos que era uma mulher.
Era uma pessoa de verdade,
e quando você vê isso,
você fica chocado por um momento.
Obviamente você vê fotos de pessoas
que levaram tiros e coisas assim na Academia de Polícia,
mas é diferente quando você encontra
algo assim pessoalmente.
Eu acho que ninguém nunca está pronto pra isso.
E naquele momento,
o rádio provavelmente acordou a todos
"Nós encontramos um corpo".
Eram cerca de 5h25 da manhã,
e o telefone tocou.
Era do Centro de Comunicação da Polícia.
Ela disse que agentes de patrulha em serviço
encontraram um corpo atrás do Korean Club.
Em 1987, eu estava na polícia havia 14 anos.
Eu era sargento da divisão de homicídios.
É algo completamente imprevisível.
Não existe rotina.
Cada caso é totalmente sem igual.
A Unidade de Homicídios da Polícia de Colorado Springs
era a unidade de homicídios modelo,
na minha opinião.
O sargento no local calhou de ser Joe Kenda,
e eu admiro a dedicação dele.
Ele realmente queria prestar um bom serviço às vítimas.
Esse foi um dos crimes mais violentos que eu já vi.
Eu vi muitas coisas, poucas tão extremas.
O que sempre me marca nos casos
é a cena do crime em si, a aparência da vítima.
Essas imagens nunca cessam, nunca vão embora.
Nós usamos palavras tipo "foi horrível",
ou "foi assustador",
mas não dá pra entender realmente o significado disso
até você se ver no meio da perversão
que é o estupro e o assassinato.
O corpo estava nu,
a não ser pelos jeans em volta de um dos tornozelos.
Tinha um sapato jogado ao lado.
Ela tinha um anel de diamante
no dedo anelar da mão esquerda.
Só uma pedra, pequena, mas tem valor.
Ele não foi retirado.
Esse não foi um roubo que deu errado,
então isso elimina uma motivação
quase que imediatamente.
Observando seu rosto,
ela tinha três cabides
transformados em um freio que se usaria em um cavalo.
Meu Deus!
Atrás da cabeça, os arames estavam retorcidos
para formar uma alça
por onde alguém poderia controlar a cabeça dela.
Os arames cortaram as juntas da bochecha
e a carne do rosto dela.
Muito perturbador.
Muito perturbador.
Ela tinha marcas de mordida pelo corpo...
Um dos mamilos tinha sido arrancado a mordidas.
Eu fiquei impressionado pela selvageria
cometida por alguém
que só podia ser comparado a uma hiena.
Feridas causadas
pelos seus dentes incisivos em um corpo.
A remoção de um mamilo a mordidas...
Um crime selvagem.
Não foi uma ação arbitrária, rápida, impulsiva.
Alguém que tinha um monstro dentro de si
passou um tempo considerável torturando a vítima.
2
O corpo parecia muito frio
e muito sozinho.
Primeiro, é preciso descobrir quem é essa vítima.
Nesse caso em específico, curiosamente...
a carteira de motorista dela estava no chão
ao lado do corpo.
Descobrimos que ela era uma soldado na ativa.
Ela pertencia a uma unidade em Fort Carson.
Colorado Springs em 1987 era uma cidade militar.
Então descobrimos que ela era Darlene Krashocsd
e que tinha 20 anos.
Ela estava ativa no Exército.
Ela era jovem, tinha toda a vida pela frente
e alguém tirou isso dela da pior forma possível.
Mas o que me intrigou
por que ele deixou a carteira de motorista à mostra.
É como se ele estivesse zombando de nós.
"Essa é ela,
mas vocês não sabem quem eu sou, sabem?"
Charles Green
era o nosso técnico de cenas de crime.
O técnico Green era um cara muito competente.
O Charley era um coletor de provas
e fotógrafo muito meticuloso.
Ele era muito cuidadoso
e muito atencioso a cada detalhezinho.
Havia três cigarros
no asfalto próximos ao corpo.
Isso me fez me perguntar
por que estavam tão próximos ao corpo.
Seriam de um funcionário que saiu para fumar,
ou seria o autor do crime admirando o seu trabalho?
Portanto, quando coletamos essas evidências,
fizemos usando os melhores protocolos,
com luvas de borracha, máscaras e tudo o mais,
para preservá-las para uma identificação posterior.
Nós vimos marcas de pneu bem próximas ao corpo,
o que indica que o corpo foi transportado até aquele local.
Eu não tenho a menor dúvida
de que o crime ocorreu em outro lugar.
Onde ele ocorreu?
Não sabemos.
Quem é o responsável por essa morte?
Onde ele está agora?
Ele é um fantasma, uma nuvem de fumaça,
é uma sombra na noite.
Como eu vou solucionar isso?
"Após a chegada do sargento Kenda,
foi feita uma análise mais detalhada do corpo.
O corpo é de uma mulher branca,
deitada parcialmente de costas.
Havia três pontas de cigarro localizadas no chão,
as quais foram coletadas,
assim como uma amostra do solo sob o corpo".
As provas que foram coletadas
foram embaladas e categorizadas
da mesma forma que faríamos hoje.
Isso leva à preservação dessas provas.
Se não tivéssemos as provas coletadas por eles em 1987,
o caso não iria a lugar algum.
Então eu saí da área da cena do crime
e queria ir falar com as pessoas no Korean Club.
Será que o crime ocorreu dentro do bar
e a vítima foi despejada do lado de fora?
Essa é uma das primeiras coisas que precisamos investigar,
por causa da localização do corpo.
Então mostramos a foto da identidade
a todos os funcionários...
Ninguém tinha visto ela antes.
Mas o barman nos deu uma informação muito útil
em relação à linha do tempo da cena do crime.
Ele pôde dizer que foi a última pessoa a sair.
Eram cerca de duas horas da manhã.
Ele não notou nada.
Às 5h20 da manhã, a vítima foi encontrada.
Isso afunila nossa linha do tempo
para um período de três horas.
Isso é importante.
Darlene, onde você esteve durante essas três horas,
e com quem?
Quando chegamos ao necrotério e o corpo descongelou,
a violência se mostrou ainda pior.
A autópsia feita na Darlene nos disse muita coisa.
Ela não só foi espancada,
mas foi violentada sexualmente,
foi sodomizada.
Ela foi estrangulada pelos fios ao redor do pescoço.
Lutando para respirar
e não conseguindo.
Foi isso que a matou.
Você vê algo assim e se pergunta:
"Meu Deus, quem poderia ter feito isso?"
As temperaturas baixas retêm o líquido
que vem do autor do crime,
como fluido seminal e coisas do tipo.
É possível recuperar isso ao derreter
e escorrer para a mesa.
Então tudo isso pode ser útil.
A maioria dos homicídios nos Estados Unidos
ocorrem entre pessoas que se conhecem.
Por isso primeiro é preciso descobrir
quem é Darlene Krashoc
para poder talvez descobrir quem desejaria sua morte.
Eu atendi a porta, era um sargento do Exército.
E ele disse:
"Sua filha Darlene foi morta".
"Morta?",
"O que aconteceu?",
"Foi um homicídio".
"Homicídio?
Alguém matou ela?"
Naquele momento, nós não acreditamos.
Eles deviam ter errado.
Não havia nenhum conflito,
então ela não devia estar morta,
ela não podia estar morta.
Sinceramente...
Eu fiquei louca.
Ninguém quer ver um filho partir.
"Por quê? O que aconteceu?"
Obviamente ninguém tinha respostas.
Quando você se dá conta da realidade...
O seu mundo desmorona. O meu mundo desmoronou.
Isso deixa um buraco, um vazio em você.
[Kenda O Sr. e a Sra. Krashoc chegam
para lidar com a perda da filha.
A Darlene nasceu em Baltimore, Maryland.
Ela era uma boa garota.
Era bem extrovertida,
era muito carinhosa.
A gente era mais que mãe e filha, sabe?
Nós éramos melhores amigas.
Ela era bem moleca.
Queria trabalhar com caminhões.
A Darlene queria entrar pro Exército.
Ela na cabeça o sonho de dirigir caminhões de carga.
Então ela entrou no Exército para aprender.
Ela servir me deixou orgulhoso, é claro.
Nós perguntamos a eles sobre algo
que notamos na cena do crime:
a Darlene estava usando o que nos parecia ser
um anel de noivado.
Eles sabiam alguma coisa sobre isso?
Sim, sabiam.
Ela tinha sido casada com um jovem rapaz
que estava no Exército.
Um tal Glenn Garringer.
Um, dois, três, quatro!
Eu não sabia nada a respeito dele.
Ela e o Glenn se envolveram e decidiram se casar.
Eles iam morar fora da base, e eu não concordava com isso,
mas ela ia fazer o que quisesse, de qualquer forma.
Aos 19, 20 anos, quero dizer,
você não sabe o que está fazendo.
Quero dizer, qual é! Você acha que sabe, mas não sabe.
Eles não eram compatíveis um com o outro.
Eles entraram com o pedido de divórcio
que seria finalizado uns dias depois da morte dela.
Ex-maridos sempre me intrigam.
Nós já sabemos
que quem cometeu esse crime odeia mulheres.
Alguns divorciados odeiam as ex-mulheres.
Odeiam mesmo.
Então surgiu o nome desse rapaz.
Ele era nosso principal suspeito.
Garringer também era soldado em Fort Carson.
A vantagem de trabalhar com Fort Carson
era o acesso imediato aos soldados.
Se nós precisássemos falar com alguém,
o Departamento de Investigação
ou a Polícia Militar buscava essas pessoas
e as trazia imediatamente para nós.
Bem, Glenn, quem é você?
Como se sente a respeito do divórcio?
Ficou com raiva suficiente pra matá-la por isso?
Sempre dá pra saber se alguém está mentindo
e tentando parecer emocionado,
tentando fingir que está chorando.
Mas o Garringer não foi assim, ele foi verdadeiro.
Ele estava muito abalado
com a perda de Darlene Krashoc.
Ele chegou a explicar
que apesar de serem divorciados, eles eram amigos.
Perguntaram onde ele estava na noite anterior.
Ele tinha uma nova namorada.
Ele estava com ela a noite inteira.
Eles não se viam havia meses.
Ele foi uma testemunha totalmente cooperativa,
tinha um álibi.
Pegamos amostras de cabelo, amostras de sangue
e examinamos seus dentes.
Eles não combinavam em nada
com a marca de mordida encontrada na vítima.
Seguimos em frente.
Então, quem é o sr. X?
Ainda não sabemos.
De todo mundo que interrogamos,
colhemos amostras de sangue e as conservamos,
para criar uma base de dados de amostras biológicas.
O processo para fazer isso era complicado
e também caro.
"Vamos fazer isso.
Pode ser que nunca resulte em nada,
mas pode resultar em tudo".
Então fizemos.
Assim, eu coletei o sangue de todo mundo
que interrogamos nesse caso.
O armazenamento dessas provas, com o tempo,
para que o DNA não se deteriore
e ainda possa ser usado para comparações 30 anos depois,
foi fenomenal.
Em 1987, DNA nem era parte das investigações.
O primeiro caso com DNA foi na Inglaterra, em 1986.
Era algo que a gente falava:
"Nossa, isso parece bem legal,
será que um dia vamos poder usar isso?"
Mas corta pra 30 anos depois...
Nós sabíamos que a Darlene era uma soldado na ativa
alocada aqui em Fort Carson.
Por isso, entrei em contato com uma agente do Departamento
de Investigação do Exército, a agente Jessica Veltri.
Como agente especial
do Departamento de Investigação do Exército,
eu investigo crimes onde há um interesse do Exército.
E, como parte dessa função,
eu pedi alguns casos arquivados
para dar uma olhada.
Eu então fui apresentada ao Investigador Isham
e ao Investigador Somoskysd
que também estavam na equipe de casos arquivados
da polícia de Colorado Springs.
Havia muitas provas, desde as roupas da vítima...
até pontas de cigarro encontradas próximas ao corpo.
As marcas de mordida...
O cabide, a amarra.
Então eles examinaram o DNA e subiram para o sistema.
Inicialmente, a primeira amostra de DNA
que tinha o melhor perfil
era de uma ponta de cigarro.
Será que essa ponta de cigarro estava ligada à cena do crime
ou seria só lixo no estacionamento?
O técnico de laboratório pôde confirmar
que o perfil de DNA da ponta de cigarro
correspondia ao perfil de DNA
que estava por toda a roupa da vítima.
A frase "Indivíduo Desconhecido n° 1"
veio do relatório do laboratório de DNA
onde identificaram o perfil
e ele não correspondia a nenhuma outra amostra
que havia sido enviada para o laboratório.
Então a gente sabia com certeza:
"Certo, esse é o culpado, mas quem é ele?
Onde ele está?"
Recebi uma ligação do Departamento de Investigação,
surgiu uma nova informação.
Havia uma soldado chamada Carolyn Smith.
Ela estava na ativa no Exército
e estava em uma sala de interrogatório
esperando pela minha chegada.
Eu cheguei e comecei a conversar com a Carolyn Smith.
Ela era a melhor amiga da Darlene.
Nós sabemos bem que garotas de 20 anos
costumam contar tudo às melhores amigas.
O que a Carolyn poderia nos contar
sobre a Darlene e seu círculo social?
Ela tinha falado com a Darlene por volta das 14h00.
Antes dela desaparecer.
A Darlene teria informado então
que Darlene iria ao Shuffles Nightclub
com alguns rapazes da unidade dela em Fort Carson.
O Shuffles Bar tinha uma pista de dança,
música e um público jovem.
Darlene disse:
"O Sargento Lord vai me levar".
Ele era o sargento responsável pelo pelotão dela.
Ela também disse que outro rapaz,
Tim Robertson, ia com eles.
Então Lord e Robinson
provavelmente foram os últimos a vê-la com vida.
Eu sempre falo sobre o Departamento de Investigação:
"Benditos sejam".
Eles não brincam em serviço.
As autoridades civis dizem
que você pode estar envolvido em um assassinato,
eles enterram o seu nariz no chão,
te algemam e te arrastam de onde você estiver
até uma sala de interrogatório.
E o Departamento de Investigação, como de costume,
aparece com eles em 30 minutos.
Lord e seu amigo, Robinson,
obviamente sabem que a Darlene Krashoc está morta.
Todo mundo em Fort Carson sabe.
Por que eles não ofereceram
a informação de que estiveram com ela na noite anterior?
Então quando entrei para falar com o Erik Lord,
eu tirei as algemas dele.
"Não vamos precisar disso, vamos?"
"Não, senhor.
"Certo, vamos tirar isso".
Ele olha pra você e você sabe que é ele quem manda.
O Joe Kenda nos fez perguntas bem pontuais, bem específicas,
tentando descobrir nossa localização,
com quem estávamos,
basicamente qualquer detalhe que se pudesse
imaginar sobre aquele dia.
Eu estava fumando feito uma chaminé,
eu estava nervoso.
Nós saímos do trabalho
e a Darlene disse que queria sair pra se divertir,
"Tá, claro", sabe?
"Eu te levo à B Street".
O Robinson estava dançando com a Darlene.
A gente estava se divertindo.
A Darlene dançou com alguns outros caras no bar,
"Certo, tá na hora de irmos".
"Não, eu não vou embora".
"Vai, sim, porque você veio no meu carro,
sou responsável por você".
E a gente discutiu um pouco,
tinha um cara no bar com quem ela estava bebendo.
Darlene não o apresenta ao rapaz,
então ele não sabe o nome.
Mas Lord o descreve como jovem, do Exército.
Ele não o conhece, nunca viu antes.
Geralmente dá pra saber quem é soldado,
só pela forma como eles andam, pela postura deles.
Ele se lembra de olhar pra esse cara
e pensar que ele era diferente.
Tá, o que isso quer dizer?
A pessoa que eu vi tinha um olhar hostil, sabe?
É muito difícil de traduzir
a impressão que alguém tem de uma característica física
quando você não sabe do que ele está falando.
O que são olhos hostis
para ele pode ser outra coisa pra você.
"Ele vai me dar uma carona".
"Nós temos que nos apresentar,
não tem outra opção", sabe?
E estava ficando tarde.
"Não se preocupe.
Eu vou estar lá".
Foi a última vez que eu a vi.
Nós consideramos, é claro, desde o começo,
que o assassino nesse caso provavelmente era militar.
Essa é a hipótese mais provável.
E pensar que, já naquela época,
eles sabiam que provavelmente era um soldado.
Ou seja, alguém em quem você supostamente poderia confiar
e com quem poderia trabalhar.
Como agente especial
do departamento de investigação do Exército,
eu não queria desistir disso.
Em 2017, havia uma tecnologia chamada fenotipagem,
que era a tecnologia de DNA mais avançada
que podíamos usar naquela época.
No início de 2017,
eu descobri uma empresa chamada Parabon
e vi que eles tinham a capacidade de pegar o DNA
e identificar com certa probabilidade
qual a cor dos olhos da pessoa,
qual o provável tom de pele da pessoa.
Nós descobrimos, ao fazer a fenotipagem,
que o indivíduo a quem o DNA pertencia
era um homem branco
de ascendência do norte e oeste da Europa,
cabelo castanho, olhos castanhos.
A evolução que eu esperava com tanto entusiasmos
realmente aconteceu.
O fantasma estava vivo.
Nós temos o Sargento Lord,
a última pessoa a ver a Darlene Krashoc viva.
Naquele momento, o Erik estava tentando ao máximo
convencer a garota a sair daquele bar.
Não foi o suficiente.
Ele se cansou e foi embora.
E no dia seguinte ela não apareceu.
E... sabe, eu disse:
"Tudo bem, talvez... talvez ela tenha bebido".
"Vamos dar um tempo a ela".
E aí nós soubemos que uma garota foi encontrada,
que o corpo de uma garota foi encontrado.
"Ai, meu Deus, foi isso. É ela".
E literalmente o mundo inteiro desmoronou.
O Erik sente um pouco da culpa do sobrevivente.
É comum.
As pessoas se culpam por algo que elas não fizeram
que leva a alguma coisa terrível
a acontecer com alguém.
O fato da Darlene estar de carona comigo naquela noite
e eu ter deixado ela pra trás...
Eu...
Eu devia ter empurrado ela pro carro.
Mas não fiz isso.
Sabe, é... difícil lidar com isso.
Com um movimento, eu poderia ter mudado...
Eu não estaria aqui agora conversando com você.
Eu conheci muita gente que não queria conhecer.
E, nesse caso, com tanta violência,
não é incomum que o suspeito
também apresente marcas ou ferimentos.
Portanto, quando interrogamos as pessoas,
nós perguntamos
e procuramos ver se eles têm algum tipo de marca.
"Tire a camisa".
Ele estava perfeitamente intacto,
não tinha nenhuma marca.
Ainda coletamos sangue e cabelo dele,
com sua permissão.
Eles olharam os meus dentes.
Na verdade, tiraram moldes da mordida.
Foi bem complexo.
A história que o Erik Lord conta
é perfeitamente plausível.
A melhor pessoa para confirmar essa história
é o Tim Robinson...
porque ele também estava lá.
Então eu fui à sala ao lado,
onde o Sr. Robinson estava sendo interrogado
por outra pessoa.
Tim e Erik ofereceram informações bem consistentes
sobre o envolvimento deles com a Darlene naquela noite.
Tudo está correndo perfeitamente
no interrogatório.
Aí nós pedimos que ele tirasse a camisa...
E ele estava coberto de arranhões.
Eles estavam nas costas, no peito e no braço.
"Sr. Robinson,
o senhor certamente tem muito a explicar."
Ele tinha arranhões por todo o corpo.
"Bem, Timmy, como isso aconteceu?"
Ele foi um dos últimos a vê-la,
estava com arranhões.
Isso começa a parecer promissor.
O Robinson ficar muito incomodado.
Ele sabe que o Exército tem o costume de pegar pesado
quando se é acusado de um crime.
Eu olhei para ele e perguntei:
"Você pode explicar
os arranhões e as marcas pelo seu corpo?"
E Robinson disse:
"Eu conheço uma garota que eu fui ver naquela noite,
e foi ela quem fez essas marcas".
Bem, é algo que não se ouve todo dia,
mas tem quem faça esse tipo de coisa.
Ele estava em um relacionamento com uma garotas
que fica meio violenta.
A história dele se sustentou.
Ainda assim coleto amostras de cabelo e sangue dele,
e peço pra olhar seus dentes.
Quando eu olho para os dentes,
eles não correspondem em nada
às marcas de mordidas que temos.
Assim, o Sr. Robinson tem um álibi.
A essa altura da investigação,
quando suas pistas estão acabando e você não tem nada,
você começa a procurar.
Nesse caso em particular,
a vítima está em uma casa noturna
que envolve talvez até umas 100 pessoas.
É algo muito difícil de analisar
depois do ocorrido.
Imagine se um barman se lembraria de um indivíduo
que só chegou, pegou uma bebida, saiu e foi dançar.
Tentar identificar um indivíduo em um bar
é uma tarefa muito desanimadora.
Como investigador de homicídios,
você usa um processo de eliminação.
Era 1987, não havia celulares, câmeras de segurança.
Era o clássico trabalho de investigador,
que dependida das memórias das pessoas.
Pessoas que beberam por umas seis ou sete horas.
Isso torna tudo muito difícil.
O arquivo do caso são todos os documentos
com qualquer associação com o ocorrido em questão.
Todos os relatórios policiais, o relatório da necropsia,
os resultados dos exames laboratoriais,
e assim por diante.
Qualquer pessoa pode ler
e tomar conhecimento de tudo o que é preciso saber
sobre a investigação.
Esse é o arquivo do caso.
O 30° aniversário da morte da Darlene
foi em 17 de março de 2017.
Com o retrato elaborado pelo DNA,
nós conseguimos aprovação de uma recompensa de US$ 10 mil
por qualquer informação que levasse à identidade,
prisão e condenação da pessoa responsável
pela morte da Darlene.
O retrato da Parabon
pode nos dar previsões.
Etnia, raça, cor dos olhos e dos cabelos.
A primeira foto é aos 22 anos de idade,
e aí você pode fazer uma projeção
da mesma pessoa aos 50 anos.
Foi aí que a porta se abriu.
É 26 de março de 1987.
Nove dias se passaram.
Depois de toda essa frustração,
todo esse esforço, não chegamos a lugar algum.
De repente, do nada, cai uma bomba.
O Departamento de Investigação do Exército
"Temos um indivíduo em detenção,
o nome dele é Brian Jackson.
Ele foi acusado de crimes de violência sexual...
E ele diz que é responsável pela morte da nossa vítima".
Bem, aleluia! Deus existe.
"Estamos a caminho".
Quando o departamento começa a investigar um pouco,
descobrimos que, sim, ele tem uma caminhonete.
Então acreditamos que ela foi transportada na caminhonete.
O Exército tem a capacidade de revistar veículos
sem o consentimento dos donos.
Nós, não, mas eles têm.
Eles revistaram a caminhonete.
Adivinha? Tem um cabide na caminhonete.
Nós temos provas materiais
que poderiam bater com o que foi usado no crime.
Nós temos o depoimento dele, ele era ativo no Exército,
ele foi acusado de violência sexual.
Tudo diz que as peças estão se encaixando,
que esse, muito provavelmente, é o culpado.
Eu vou até lá...
e Deus e todo mundo começam a aparecer.
O juiz advogado geral de Fort Carson estava lá,
o comandante-geral
da Quarta Divisão de Infantaria estava lá,
o chefe de justiça do tribunal estava lá.
E, é claro, todos ficaram me encarando.
Quando eu encontro o Brian Jackson,
ele sabe muito bem o quanto está encrencado.
Ele está muito nervoso.
Vamos ver aonde isso vai dar.
O Brian Jackson diz que é responsável
pela morte da Darlene Krashoc.
Ele tem características interessantes.
Ele foi preso por violência sexual.
Esse é um caso de violência sexual, é compatível.
Ele fez declarações veladas
sobre como ele provavelmente é responsável
pela morte de Darlene Krashoc.
Isso resulta em provas acima de qualquer dúvida?
Não.
Passamos ao nível de investigação adicional.
Então, Jackson estava no Exército havia 12 anos.
Era da infantaria.
Estava casado.
No momento, ele era acusado
de dois crimes de violência sexual
contra soldados mulheres da sua unidade.
Ele está muito encrencado.
Isso pode levar pessoas a dizerem coisas
que não são verdadeiras,
buscando uma vantagem, buscando uma saída,
buscando alguma coisa.
Por fim, esse era exatamente o caso do Sr. Jackson.
Ele tem muitas coisas a explicar, com certeza.
Vamos conversar.
"Você conhece Darlene Krashoc?"
"Bem, não conheço".
"Mas você disse que é responsável pela morte dela.
Por que diria isso?"
"Bem, eu acho que se eu estivesse lá..."
E ele segue divagando, falando coisas estranhas.
E você começa a perceber que esse cara está tentando usar
o assassinato da Darlene Krashoc
para buscar clemência pela situação dele.
Se ele estivesse no bar,
ele teria evitado que Darlene Krashoc fosse assassinada,
e como ela foi assassinada,
ele se sente responsável por isso.
Me poupe!
Qual é o álibi dele?
Onde ele estava na noite em que isso ocorreu?
Bem, o álibi provavelmente eliminou ele totalmente.
Ele não podia ter matado Darlene.
Ele não estava nem perto do Shuffles naquela noite.
O Sr. Jackson não é lá um cara muito esperto,
e ele tá jogando o barro na parede para ver se cola,
para conseguir clemência do sistema.
Nós coletamos sangue, coletamos cabelo.
Nós também examinamos seus dentes.
Os dentes dele não correspondem em nada
às marcas de mordida.
Não é ele quem procuramos pela morte da Darlene Krashoc.
É um cara qualquer.
Assim, essa sensação de euforia
se transforma em mais uma decepção.
Por isso investigações de homicídio
podem te enlouquecer.
Vai tudo tão bem, e de repente vai muito mal.
Você volta à estaca zero,
e a essa altura não temos outra direção a seguir.
Você acrescenta partes ao arquivo do caso
todos os dias.
Ele começa com a página um
e, quando você se dá conta, está abrindo a página 401.
Apesar dos nossos esforços, apesar de tudo o que fizemos,
não conseguimos identificar nenhum outro suspeito.
Nós estamos em um beco sem saída.
Em algum momento, você precisa dizer:
"Por enquanto,
essa investigação não tem como avançar,
porque não tem para onde ir.
No momento, é uma investigação inativa
de um homicídio".
Ninguém quer desistir.
Nós queremos as respostas.
Eu senti que tinha feito tudo ao meu alcance
para descobrir quem a matou.
E eu não consegui.
Eu não descobri.
Você paga um preço por isso.
Pesadelos,
muita coisa interessante.
Mas a realidade toma conta.
Há outras mães que perderam entes queridos
e precisam da nossa atenção.
Krashoc era uma soldado em atividade,
alocada em Fort Carson.
Nenhum suspeito foi identificado.
Você precisa contar isso aos pais.
Não é nada bonito.
Foi difícil para a Betty.
Ela entrou em uma depressão profunda,
precisou de tratamento médico.
Como qualquer outra mãe, ela só...
Chorava.
Chorava muito.
Eu precisava saber, eu queria saber.
"Achem ele. Seria tão difícil assim?", sabe?
Essa foi minha reação e é a de qualquer mãe.
É preciso entender o lado deles.
Eles estão vivendo um pesadelo de que não podem acordar,
de que alguém assim está à solta por aí
e não sabemos quem ele é.
Nós não fazemos ideia de quem seja.
Mas as pessoas que cometem crimes
esquecem de uma coisa que é extremamente importante:
a polícia não perdoa e também não esquece,
e um dia você vai se ver de joelhos.
E nesse dia
vai haver um policial sobre você
pra te algemar e te lembrar do seu passado.
Esse é um dia que eu sempre fico ansioso pra ver.
Nós vamos identificar o fantasma.
No caso da Darlene Krashoc,
não sobrou ninguém a ser investigado.
Eu chegava cedo no trabalho todas as manhãs,
fazia um café,
entrava na sala de casos arquivados
e olhava cada volume.
E aí eu me torturava por ser o
que não sabia quem matou aquelas pessoas.
Depois eu ia me sentar
e começava a ler os relatórios dos casos de homicídio atuais.
Eu segui em frente
depois de classificarmos o caso Krashoc como arquivado...
Até 1° de setembro de 1996.
Então eu voltei.
A vida segue em frente, pessoas se aposentam,
as coisas no país mudam,
novos presidentes são eleitos.
Mas você nunca esquece, eu nunca esqueci.
Eu sempre tive esperança
de que algum dia alguma coisa viria à tona no caso Krashoc
de uma forma ou de outra,
e acharíamos, finalmente, uma solução.
O quanto você ficou frustrada
por parecer não haver avanços nesse caso?
Eu sentia que ninguém estava fazendo nada
e eu sentia que todo mundo tinha se esquecido dela,
mas eu tenho caixas de e-mails.
Eu mandava e-mails para todos os investigadores.
Eu escrevia cartas, eu até mandei cartas
ao presidente dos Estados Unidos.
Você nunca esquece e isso nunca vai embora.
Será que ele fez a mesma coisa de novo?
Será que ele fez mal à filha de outra pessoa?
Será que ele destruiu a família de outra pessoa?
A Betty, coitada, fez de tudo pela Darlene
e para garantir que tomassem providências.
Nós decidimos voltar ao Colorado.
Nós fizemos panfletos,
fizemos camisetas com a foto dela, bonés.
Eu até escrevi um poema:
"A visão do homem pode ser enganada,
pois há um demônio em suas ruas.
Talvez você conheça o seu rosto,
eu o conheço bem.
Ele deixou algumas pistas para trás.
Só estou esperando o relógio bater,
pois logo ele vai pagar por seu crime hediondo.
Eu conheço o segredo, eu sei a verdade".
O mais importante
que você pode obter de uma cena de crime
são as provas físicas.
Os investigadores forenses, mesmo naquela época,
tinham treinamento especializado
em coletar essas provas.
Hoje nós temos a vantagem dos vídeos, da tecnologia,
e podemos investigar as redes sociais
e contas telefônicas das pessoas,
e isso ajuda a solucionar casos.
Mas o Joe Kenda,
vem de uma época onde era preciso achar provas.
Esses homens eram simplesmente heróis.
Bem no início da investigação,
eles coletaram todas as provas.
Talvez naquela época para fazer a tipagem sanguínea
e para ver o que o futuro poderia trazer.
É fascinante, porque eles não sabiam
para que eles estavam conservando aquilo.
Isso só mostra que eles tinham visão
e dedicação aos avanços que estavam por vir.
E sabendo que nós ainda tínhamos aquelas provas,
eu me senti muito confiante
de que havia uma chance de solucionar esse caso.
O DNA do suspeito foi cadastrado no CODIS,
o sistema nacional,
e, até 2018 não houve correspondências.
O que me indicava que se desde 1987,
o DNA de ninguém bateu com o do sistema,
era muito improvável e ficava cada vez menos provável
que isso fosse acontecer.
Eu fiquei espantada
que apesar de termos um perfil de DNA bastante sólido
na base de dados nacional,
nós ainda não tínhamos um suspeito.
Depois de feita a fenotipagem,
nós tínhamos uma representação visual
de como poderia ser o rosto dele.
As redes sociais pegaram fogo.
Nós recebemos ligações de outros países,
depois de verem postagens no Facebook,
"Talvez eu conheça essa pessoa".
As redes sociais nos trouxeram muitas pistas.
Infelizmente, não muitas delas levaram a lugar algum, sabe?
É decepcionante.
Aquele retrato da projeção ficava na minha mesa,
eu olhava pra ele todos os dias, pensando:
"Quem é esse cara? Onde ele está agora?
Será que ele está vivo?"
Eu me lembro de um artigo no "The New York Times"
sobre um caso arquivado que foi solucionado
usando a genealogia genética.
Então eu comecei a observar
como isso estava sendo usado pelas autoridades.
Com a popularização dos testes de DNA
para as pessoas conhecerem sua ascendência,
cada vez mais pessoas estão incluindo seu DNA
nessas bases de dados.
O que os genealogistas forenses podem fazer
é começar a estudar as árvores genealógicas
e ver quais ancestrais eles têm em comum.
E autoridades podem trabalhar com os genealogistas.
Eles descobrem a intersecção do DNA
entre esse membro da família que compartilha o dele
e o indivíduo que você está tentando identificar.
Eu entrei em contato com a Parabon,
que havia feito a fenotipagem.
A genealogia era algo novo para eles.
Eles disseram:
"vamos comparar com a base de dados uma vez por semana,
e se acharmos alguma coisa que pareça utilizável,
nós entraremos em contato".
Levou provavelmente um ano.
"Eu sei que eles vão achar".
Era 2019 quando eu recebi a ligação.
"Nós temos uma possível combinação,
uma combinação familiar com o suspeito.
Equivale a um primo de terceiro grau.
Então é algo que podemos usar, é útil".
A Agente Veltri me ligou e disse:
"Temos uma identificação correspondente
ao Indivíduo Desconhecido n° 1 no caso Darlene Krashoc".
Eu lembro que olhei para o Investigador Somosky
e contei a ele.
"Acho que pegamos o culpado".
"Tem certeza?"
"Eu não tenho certeza, mas a ciência tem".
No próximo contato, disseram:
"Oi, nós queremos te passar os resultados".
Eu me lembro de estar no escritório.
O Jim estava na linha,
eu coloquei um aviso de "Não perturbe" na minha porta,
e só ficamos ali, sentados.
Durante 32 anos na polícia de Colorado Springs,
eu tentei identificar um fantasma.
E finalmente,
após os avanços da ciência e força de vontade,
esse fantasma que estava correndo à solta por aí
tinha um nome.
Era isso que nós queríamos.
Não perturbe.
Qual era o nome naquele relatório?
Michael Whyte.
Michael Whyte.
Michael Whyte foi preliminarmente identificado
através da genealogia genética.
O nome dele é Michael David Whyte.
O nome dele já havia aparecido nessa investigação antes?
Nós nunca tínhamos visto o nome Michael Whyte
nos relatórios desse caso.
Eu nunca tinha visto esse nome antes.
De todas as pessoas que interrogamos,
o nome do suspeito nunca surgiu.
Duas mil páginas...
e Michael David Whyte nunca apareceu.
Nem nós nunca ouvimos falar dele, nem ninguém.
Quem é esse cara?
Ao pesquisar um pouco,
confirmamos que ele era um soldado.
Ele estava alocado em Fort Carson
naquela época...
E documentos públicos confirmaram
que ele morava não muito longe
de onde o corpo de Darlene foi encontrado.
Ele não tinha uma ficha criminal.
Ele recebeu apenas uma multa de trânsito.
Para todos os efeitos, ele era o Sr. Certinho.
Nós precisávamos ter certeza.
Nós precisávamos vigiar esse cara.
A gente sabia que ele tinha estabilidade, casado,
tinha uma casa na área nobre de Denver.
Tinha um bom emprego
na indústria de telecomunicações.
A gente precisava conseguir o DNA dele
para confirmar que ele era a pessoa
correspondente ao DNA do "Indivíduo Desconhecido n° 1".
A equipe de vigilância ficou na cola de Michael Whyte.
Essas pessoas fazem isso profissionalmente,
então você nunca sabe que está sendo seguido,
porque eles sempre desviam, disfarçam.
Eles são bons nisso.
Então eles começam a vigiá-lo,
e nesse dia em particular, ele está cuidando de afazeres.
Mas ele para em uma hamburgueria...
Para almoçar.
Ele senta ali, desfruta do almoço...
e ele tem um copo vermelho.
Ele bebe desse copo.
O foco agora é o copo.
A saliva dele vai estar ali.
O que ele vai fazer com isso?
Ele se levanta e vai embora.
Então não precisamos de um mandado.
Ele tecnicamente não tinha direito à privacidade
por aquele lixo que ele tinha acabado de descartar.
Alguns agentes vieram de Fort Carson
depois da Agente Veltri ligar para eles.
Jim e eu passamos a prova para eles.
Os cientistas que trabalhavam no caso
se comunicaram com a gente.
"Nós vamos trabalhar 24 horas por dia nisso
até ser solucionado".
Houve momentos de tensão, de dúvida, digamos assim.
Por um lado, sabe, testemunhas mentem.
Eu já vi até vítimas mentirem.
Mas o que eu descobri, em 32 anos trabalhando na polícia,
é que as provas não mentem.
Os resultados do DNA saíram,
eu diria que entre duas semanas e meia a três semanas,
o que é muito raro em casos de DNA.
E quais foram os resultados?
Que o DNA dele correspondia
ao do "Indivíduo Desconhecido n° 1".
Ora, ora, ora!
Era ele, sem dúvidas.
Ele foi a única pessoa a deixar seu DNA
sobre e dentro da vítima desse caso.
Agora temos a oportunidade, depois de apenas 32 anos,
de prender Michael David Whyte
pelo assassinato e estupro de Darlene Krashoc.
Está na hora de ir pra cadeia, Michael.
Eu me lembro, era 13 de junho de 2019.
Um daqueles dias difíceis de esquecer
como agente da polícia.
Eu executei muitas prisões na minha carreira,
mas essa se destaca.
Eu liguei para a Agente Veltri e disse:
"Foi expedido o mandado de prisão para Michael Whyte".
Nós queríamos dar a ela a oportunidade de estar lá,
porque sem ela esse resultado não seria possível.
Foi uma loucura.
A gente não tinha comido, a gente não tinha dormido,
e de repente a gente estava no carro indo para Denver.
[Nós nos] encontramos em um parque em Thornton, Colorado,
e um plano foi elaborado.
As unidades de força-tarefa e eu
iríamos contatar o Sr. Whyte em sua residência.
Sabíamos que havia mais um adulto morando na casa,
identificada como sua esposa,
e não queríamos colocar ninguém em risco.
Esse cara é um soldado treinado.
Sabe, a pessoa pode não ser uma ameaça
até ser confrontado
com um crime que cometeu 30 anos antes.
Foi uma questão de bater à porta,
perguntar pelo Sr. Whyte.
Depois dele se identificar,
nossa força-tarefa comunicou a ele
que tínhamos um mandado de prisão
da polícia de Colorado Springs.
Foi uma prisão bem padrão.
Não houve luta, não houve gritos.
"Está bem" enquanto era conduzido.
Depois da prisão,
eu entrei com o Investigador Jim Isham
para falar com a esposa do Michael Whyte.
A esposa dele foi tomada de surpresa.
Ela disse que o Sr. Whyte nunca havia tocado nela,
que não era violento.
Ela ficou realmente chocada.
Ela descreveu Michael Whyte como seu herói,
ela disse que tinha câncer de esôfago
em estágio avançado
e que ele era a salvação dela, ele era tudo pra ela,
então foi triste, foi bem triste ouvir isso.
E também muito confuso,
porque ele também era a mesma pessoa
que assassinou brutalmente a Darlene Krashoc há 32 anos.
Um assassino se parece com qualquer outra pessoa.
Com quem ele se parece?
Com o cara atrás de você no supermercado.
Não tem perfil, não tem aparência.
Não tem nada disso.
Nós fomos até a delegacia
e nos prepararmos para o interrogatório.
Eu sou o Investigador Isham. Me chamam de Jim.
Eu trabalho na polícia de Colorado Springs.
Eu roubei um banco
quando estive lá no ano passado,
ou alguma coisa que eu não sei?
A gente pode falar sobre isso.
Eu assisti à entrevista de outra sala,
e foi a primeira vez que eu realmente vi ele.
Em primeiro lugar,
você tem o direito de permanecer calado.
A gente sabia que esse era alguém
que podia querer contar seu lado da história,
podia tentar dar uma explicação.
A pessoa que cometeu esse crime
não passou a vida simplesmente aceitando qualquer situação.
Senhor, o senhor pode começar a falar com a gente agora?
Posso.
Ele abriu mão do direito ao silêncio,
então nós iniciamos o interrogatório.
Do que isso se trata?
Se trata de um caso arquivado de 1987
que estamos investigando.
Eu e o Investigador Somosky
trabalhamos para a polícia de Colorado Springs
na Unidade de Casos Arquivados.
Caso arquivado...
Eu me lembro dele fazendo um comentário:
"Então são casos antigos que não foram solucionados?"
Vamos falar da sua vida social naquela época.
Você frequentava casas noturnas?
Sim, eu ia a boates.
Eu bebia muito naquela época.
Eu... farreava muito.
É um homicídio.
Você está dizendo que... eu matei alguém?
O seu nome apareceu na investigação
do assassinato de uma perita da época.
O nome dela era Darlene Krashoc.
Esse era um homem educado,
de classe média alta,
que sabe exatamente o que fez e o que não fez.
E você não acaba
sentado na frente de dois investigadores
sem saber exatamente por que está ali.
Você teve algum problema
com alguém com quem saiu do bar que não foi muito bem?
- Sabe... - Não, não, eu...
Não.
Talvez você reconheça uma pessoa
se te mostrarmos a foto dela da época?
Se for de alguém que eu conhecia, sim.
Talvez alguém de uma unidade próxima
ou algo assim?
Se era alguém que eu via sempre, ou algo assim.
Eu me lembro de colocar a foto da Darlene na mesa,
e depois de um grande gole da garrafa de água...
Não.
Ele olhou para ela...
Com uma expressão de dor, antes de dizer que...
Ela parece com a minha esposa.
Ela parecia com a ex-mulher dele.
Daquela época.
"Mas eu sei que não é ela".
Quando eu mostrei a foto,
parecia que ele queria se distanciar da mesa, da foto.
Talvez ela queira processar...
Desculpe. Me processar, ou algo assim.
Eu não faço ideia. -Está bem.
Assim que eu coloquei a foto da Darlene na mesa,
o comportamento dele meio que mudou.
Nós estamos aqui por causa do DNA.
Foi o DNA que nos levou até você.
Com certeza foi uma sensação sinistra
assistir ao interrogatório,
e eu me lembro especificamente dele dizer...
Está dizendo que eu transei com essa garota?
Porque pode ter acontecido.
"Eu transei com muitas mulheres,
mas eu nunca matei nenhuma delas".
Qualquer pessoa com quem transei,
a não ser a minha esposa, eu teria encontrado no bar.
Ele negou já tê-la visto...
Eu nunca transei com alguém e depois matei!
Ou mesmo saber a respeito do assassinato,
o que pra mim é inacreditável.
Temos provas materiais.
E, para ser sincero, são muitas.
É por isso que estamos aqui.
Isso tá errado. Tem alguma coisa errada aqui.
E naquele momento ele optou
por utilizar o direito de ficar calado.
E eu me lembro de me levantar
pra sair da sala de interrogatório
e ele olhou pra mim e disse:
"Como eu me defendo contra isso?"
Eu pensei comigo:
"Se alguém me acusasse de um crime tão hediondo
e eu fosse totalmente inocente,
a minha atitude não seria beber uma água
e perguntar como eu me defenderia".
Antes de sair da sala,
os policiais pegaram impressões
dos dentes de Whyte.
Porém, mais de 30 anos se passaram
desde esse assassinato.
Marcas de dente não têm muita relevância
depois de tanto tempo.
Ele tinha uma expressão de dor no rosto.
Dava pra ver que ele estava tentando não chorar,
era quase uma combinação de aflição extrema e incredulidade.
Para mim, era a cara de alguém que se esforçou muito
pra que esse dia não chegasse, e ali estava ele.
Tenho muito orgulho dos investigadores
da Unidade de Casos Arquivados, Isham e Somosky.
Eles se empenharam.
Eles fizeram o que disseram que fariam.
Só depois de tentarmos interrogá-lo
foi que ligamos para a família.
Você primeiro prende o acusado,
depois conta à família.
Somosky teve o privilégio de fazer isso.
Não é algo que se faz sempre.
Eu atendi o telefone.
- "Paul?" - "Sim".
"Joe Somosky".
"Olá, investigador. Como vai?"
"Eu estou muitíssimo bem".
Então eu pedi que ele fosse até onde a esposa dele estava.
"Pode trazer ela pra perto de você?
Tem uma coisa que quero contar a vocês,
e quero que vocês dois ouçam ao mesmo tempo".
"Venha, você precisa ouvir isso".
"Eu esperei 32 anos para contar isso a vocês".
Eu disse a eles:
"O Departamento de Investigação da Polícia de Colorado Springs
prendeu um suspeito
pelo homicídio da sua filha, Darlene Krashoc".
E foi aí que nós ouvimos que eles tinham prendido alguém.
Eles pegaram ele.
E eu sei que só dava pra me ouvir gritando.
Foi o melhor dia da minha vida.
Pegaram o desgraçado.
Eu soube.
Eu estava dormindo no chão.
A minha esposa veio me acordar.
"O que foi?
Por que tá me acordando?"
"Acharam ele, acharam ele".
"Quem? Acharam quem?"
E ela me mostrou o telefone.
E aí os meus olhos focaram nele. "Ai, meu Deus, é ele!"
Os olhos hostis, sabe?
Aqueles olhos ficaram gravados na minha mente por 32 anos.
E eu pensei:
"Seu filho da você esteve por aí esse tempo todo,
e aí está você".
O sr. Whyte parece ser inteligente,
calmo, até mesmo arrogante.
Entende sobre DNA,
insiste que pegamos o cara errado,
que cometemos um erro terrível.
Ele quer ir a julgamento.
Então vamos. Vamos a julgamento.
Conversando com o advogado de defesa,
ele me disse:
"Michael Whyte não vai considerar qualquer oferta.
Ele não quer um acordo".
Eu perguntei a ele por quê,
e ele disse:
"Sinceramente, suas provas não serão aceitas".
O nosso maior desafio no julgamento, sem dúvida,
foi garantir que as provas seriam aceitas.
Charley Green, que era o técnico de provas da época,
não estava mais vivo.
O próprio médico legista não estava mais vivo.
Nós havíamos perdidos vários outros investigadores.
Nós temos que achar uma forma diferente
para que as provas sejam aceitas no julgamento.
Então chamamos os investigadores responsáveis
que estavam presentes na cena do crime.
Quando eu recebi a ligação da promotoria,
eu estava gravando episódios
de "American Detective" na época,
- e eu contei à minha produtora. - "Que interessante...
Estamos falando do caso de outra pessoa,
e o meu acabou de se desdobrar.
Vou voltar ao tribunal".
E quando eu testemunhei no julgamento
do Michael David Whyte
em junho de 2021,
eu olhei para ele ao passar pela mesa do réu e pensei:
"Eu estava te procurando há muito tempo...
e aí está você".
Quando eu entrei naquela sala de audiências,
por causa da minha notoriedade atual,
o silêncio foi absoluto.
Todos os olhares na seção do júri
estavam voltados para mim.
Todos os olhares da sala estavam voltados para mim.
A única pessoa que não olhava pra mim era o Michael Whyte.
Ele ficou olhando pra frente.
Eu estava nervoso pela família da vítima.
O Paul e a Betty estavam sofrendo
com perguntas sem respostas
por mais de 30 anos.
Acho que havia uma preocupação sobre o que aconteceria
quando eu visse ele pela primeira vez.
E nossos olhares se cruzaram,
e ele sabia exatamente quem nós éramos.
Como foi ver o Michael Whyte?
De verdade?
Nada, eu não sinto nada por ele.
Não sinto.
Chegou a fazer contato visual com ele?
Sim. Com certeza.
Fiz, sim.
O que você estava pensando?
Eu não quero dizer.
Eu então fui ao banco das testemunhas
e expliquei que na época em que o crime ocorreu
eu era sargento e supervisor de homicídios.
O papel principal do Joe em tudo isso
foi ajudar a fazer o júri entender
como era o trabalho dos investigadores naquela época.
O Joe testemunhou que o DNA ainda estava engatinhando
e que eles não sabiam exatamente o que era,
eles só sabiam que havia a possibilidade
dessa tecnologia futurística existir um dia
e eles queriam ser cuidadosos
caso eles pudessem usar aquela informação.
Nós então passamos a falar
sobre a identificação e a marcação das provas.
Como e onde elas foram coletadas, e por quem.
E com qual método foram identificadas
e finalmente armazenadas.
Ele conseguiu ilustrar para o júri
o nível de cuidado pelo qual Charley Green era conhecido.
O Charley Green não era conhecido por cometer erros
ou tomar atalhos.
Não foi difícil testemunhar sobre isso,
porque eu estava confiante de que fizemos o certo,
porque sempre fizemos o certo.
E depois daquele testemunho, eu fui liberado.
E o juiz demorou um pouco.
Eu acho que o Ben e eu
perdemos alguns anos das nossas vidas
nos perguntando qual seria a decisão.
Foi muito estressante aguardar a decisão do juiz.
Enquanto ele ponderava, o silêncio era sepulcral.
Se o juiz decidisse
que aquelas provas seriam excluídas do julgamento,
teria sido o fim.
E quando ele aceitou o primeiro item,
eu respirei aliviado pela primeira vez.
Acho que a gente tinha bastante certeza
de que o Michael Whyte prestaria depoimento,
porque ele tinha um ar de arrogância.
E quando ele falou,
insistiu que não se lembrava da Darlene Krashoc.
Eu achei isso difícil de acreditar,
porque esse caso foi muito noticiado em 1987.
Ele testemunhou no tribunal:
"Eu não matei Darlene Krashoc".
Disse que não sabia de nada, e eu pensei: "Sério?
Estava em Fort Carson e não sabia?" Não.
O depoimento de Michael Whyte para seu advogado basicamente
foi que era possível que ele tivesse entrado em contato com ela
e que ele pudesse ter tido relações sexuais eventuais
no banheiro do bar, às vezes no carro.
A teoria deles era de que o DNA teria chegado
à Darlene por transferência.
Mas essa prova foi adquirida através do cabide
que estava amarrado em volta da boca e do pescoço dela,
como um freio de cavalo, e das pontas de cigarro,
é claro, que foram encontradas na cena do crime.
Certamente não existe uma boa resposta do Michael Whyte
sobre as pontas de cigarro.
A defesa tentou argumentar que o DNA foi transferido.
Essa teoria cai por terra
ao se adicionar as três pontas de cigarro
encontradas próximas ao corpo dela.
Porque a pessoa que aleatoriamente
decidiu estuprá-la e matá-la
sem deixar vestígios do próprio DNA
não teria três pontas de cigarro
que o Michael Whyte fumou naquela noite.
Em 1987, ninguém sabia o que era DNA,
então não havia como argumentarem
que alguém estava tentando incriminá-lo
colocando as pontas de cigarro na cena do crime,
porque essa pessoa não teria como saber
que o DNA era uma tecnologia
que a polícia poderia investigar naquela época.
Em um caso assim, obviamente,
um dos nossos maiores obstáculos
é que não sabemos exatamente como tudo isso aconteceu.
Como essa investigação foi concluída,
agora nós podemos dizer...
Em 17 de março de 1987,
Dia de São Patrício,
Darlene decidiu:
"Vou sair hoje à noite pra Shuffles com dois amigos"...
Nós podemos dizer com alguma certeza.
E então, quando o Sr. Whyte a vê, ele dança com ela.
Lord é alguém com boa memória,
e quando ele vê a foto de Michael Whyte,
"É o cara com o olhar hostil".
Instantaneamente.
"Eu tenho 100% de certeza: é ele".
Mais tarde,
ela não está mais com os dois homens, está sozinha.
Ele a convenceu de que lhe daria uma carona,
ou pediu que ela bebesse mais um drinque, quem sabe?
Nós não sabemos.
Mas ela provavelmente foi com ele voluntariamente,
e em algum momento depois disso algo deu muito errado.
O Michael Whyte disse durante o interrogatório:
"Ela se parece muito com a minha ex-mulher".
Foi isso que o atraiu nela?
Foi isso que o levou a ser violento com ela?
Pode-se dizer isso. Não se pode provar,
mas é de se pensar.
Nós não sabemos qual foi o local do crime,
mas o Sr. Whyte perdeu o controle.
Fez coisas horríveis com o corpo dela.
O freio ao redor de sua boca feito com cabides retorcidos
exerce pressão o suficiente para matá-la asfixiada.
Ele então desova seu corpo próximo a uma lixeira.
Uma das coisas surpreendentes a respeito dessa cena do crime
são três cigarros fumados até os filtros.
Todos os três contêm seu DNA.
São necessários alguns minutos para se fumar um cigarro,
e ele fumou três.
O que ele estava fazendo?
Admirando seu trabalho?
Se acalmando?
Tentando aplacar seu pânico?
No mesmo momento em que ele pensava nessas coisas,
que ninguém nunca vai saber,
havia um pesquisador britânico
trabalhando em uma ferramenta de análise de DNA
que permitiria que as pessoas identificassem
Michael David Whyte
mais de 30 anos depois.
Ninguém esperava um veredito rápido.
Nesse caso, eles deliberaram por umas três horas.
E a juíza trouxe o júri de volta.
"Chegaram a um veredito?"
"Quanto à acusação
de homicídio qualificado premeditado..."
"Nós, o júri, consideramos o réu culpado".
Culpado!
E foi só o que precisamos ouvir.
Culpado.
Foi como se o peso do mundo saísse das nossas costas,
uma enxurrada de emoções.
Culpado, culpado, culpado.
Michael Whyte foi condenado à prisão perpétua
com possibilidade de condicional.
Mas, considerando sua idade,
eu não acho que ele vai conseguir
chegar à condicional.
Três décadas depois, foi executada uma prisão,
o júri condenou Michael Whyte por homicídio qualificado.
Os pais dela dizem que "A justiça foi feita".
O crime que ele cometeu foi de uma violência enorme,
de comportamento selvagem,
o pior que já vi em um crime sexual.
E agora o Sr. Whyte vai pagar por isso
e vai morrer em uma sala de concreto de 2 x 3 m,
que é o lugar dele.
O que fez você aceitar dar essa entrevista?
Um compromisso com a Darlene.
Não tenho como desfazer isso,
mas tenho que fazer o que posso.
Se você pudesse falar com ela agora,
o que você diria?
Eu te amo, menininha.
Sempre chamei ela de "minha menininha"...
E ela sabe.
O Sr. Whyte não percebeu algo muito importante...
Ele acreditava que aquele momento da vida dele
tinha passado...
e ele tinha sobrevivido.
Tinha saído impune.
Mas sempre havia passos atrás dele...
Sempre.
Drei Marc.
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