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Original subtitles

[música de suspense]

[abrir de portas]

[correias]

[abrir de portas]

[música de suspense]

[passos]

[música de suspense]

[Jeanne] "Caso arquivado" é um termo

[música de suspense]

que eu não gosto muito...

[música de suspense]

Porque ele dá a impressão

de que ninguém está dando atenção a ele,

[música de suspense]

o que não é verdade.

[música de suspense]

É um caso não solucionado.

[música de suspense]

[James] Eu me lembro de pegar a fita VHS entre as provas.

[música de suspense]

O que se destacou pra mim no caso Krashoc...

[música de suspense]

[vento]

foi assistir àquilo na TV.

[vento]

Dá pra ver as montanhas cobertas de neve ao fundo...

[vento]

Tem neve no estacionamento...

Tem uma lixeira próxima ao prédio...

[vento]

E bem ao lado da lixeira...

[vento]

estava o corpo.

[música de suspense]

Eu me lembro do cabelo da Darlene

se mexendo com o vento,

[vento]

e seu corpo nu deitado no estacionamento cheio de neve.

[vento]

Foi assim que me dei conta da brutalidade.

[música de suspense]

Pela forma como ela foi tratada e morta,

sabíamos que estávamos lidando com um monstro.

[música de suspense]

[desligar de televisão]

[música tensa]

Eu fui Investigador de homicídios da polícia

de Colorado Springs por nove anos,

e nos últimos três anos

me dediquei apenas a casos arquivados.

[música de suspense]

Eu me lembro de receber o caso Krashoc em setembro de 2016.

[música de suspense]

Nós sabíamos que era diferente

de qualquer outro caso que já vimos antes.

O arquivo do caso Darlene Krashoc

tinha um tamanho significativo.

[música de suspense]

Tinha, facilmente, milhares de páginas.

[James] Uma quantidade imensa de trabalho

foi dedicada àquele caso,

com quantidades fenomenais de provas materiais.

[disparos de fotografia]

E isso não parou por 32 anos.

[Joseph] Nos casos em que o Tenente Kenda trabalhou

como supervisor ou como Investigador,

[música de suspense]

30 anos depois, olhando os arquivos dos casos,

James Isham e eu sabíamos

que tudo possível tinha sido feito.

Esse homem é uma fera, sabe?

[música de suspense]

[Kenda] Eu fui trabalhar no negócio do meu pai

quando saí da faculdade

e acabei odiando

e falei: "Eu quero ser policial".

[música de suspense]

Então eu me candidatei em vários departamentos

e Colorado Springs foi o primeiro

a me oferecer um trabalho.

A minha esposa Kathy e eu

seguimos o que ela achou melhor.

Fomos rumo ao oeste, e foi maravilhoso.

[música de suspense]

Eu fiquei muito ocupado enquanto policial.

Eu não gostava, eu amava.

Eu faria tudo de graça.

[música de suspense]

A minha maior preocupação

no que diz respeito à minha carreira

é não ter solucionado 8% dos meus casos,

[música de suspense]

dos meus 387 casos.

[música de suspense]

Vítimas que nunca conseguiram justiça no tribunal.

[música de suspense]

Mas o único caso que não prescreve é o de homicídio.

A parte mais importante da investigação de homicídios

é nunca, nunca desistir.

[música tensa]

[narrador] "Caçando Assassinos: Justiça Feita".

[música de suspense]

[John] Naquela manhã cedo, eram cerca de 5h20.

Faltava provavelmente quase uma hora

pro nosso plantão acabar.

O dia estava muito, muito frio.

[mulher] Atenção, veículos. Reportar...

[John] Eu tomei a decisão

de irmos rondar alguns dos bares locais

pra verificar que não tinha

ninguém desmaiado dentro dos carros

naquele frio intenso.

[música tensa]

Nós viramos para os fundos de um estabelecimento,

e nós dois vimos algo deitado próximo à lixeira

atrás de um desses bares.

[sirene policial]

[viatura aproximando]

Seria um manequim?

[vento]

[abrir de porta]

[fechar de porta]

[música de suspense]

E conforme nos aproximamos,

[passos]

[música de suspense]

nós vimos que era uma mulher.

Era uma pessoa de verdade,

e quando você vê isso,

você fica chocado por um momento.

[música de suspense]

Obviamente você vê fotos de pessoas

que levaram tiros e coisas assim na Academia de Polícia,

mas é diferente quando você encontra

algo assim pessoalmente.

[música de suspense]

Eu acho que ninguém nunca está pronto pra isso.

E naquele momento,

o rádio provavelmente acordou a todos

quando eu chamei e disse: "Nós encontramos um corpo".

[toque do telefone]

[toque do telefone]

[toque do telefone]

[toque do telefone]

[toque do telefone]

[toque do telefone próximo]

[música tensa]

Eram cerca de 5h25 da manhã,

[música tensa]

e o telefone tocou.

Era do Centro de Comunicação da Polícia.

Ela disse que agentes de patrulha em serviço

encontraram um corpo atrás do Korean Club.

Em 1987, eu estava na polícia havia 14 anos.

Eu era sargento da divisão de homicídios.

[música de suspense]

É algo completamente imprevisível.

Não existe rotina.

Cada caso é totalmente sem igual.

[música tensa]

[brasa queimando]

[música tensa]

[vento]

[atrito do pneu]

[música tensa]

[pisar do sapato]

[passos distanciando]

[música tensa]

[vento]

[música tensa]

[Jeanne] A Unidade de Homicídios da Polícia de Colorado Springs

era a unidade de homicídios modelo,

na minha opinião.

O sargento no local calhou de ser Joe Kenda,

e eu admiro a dedicação dele.

Ele realmente queria prestar um bom serviço às vítimas.

[música tensa]

[vento]

[música tensa]

[Kenda] Esse foi um dos crimes mais violentos que eu já vi.

[música tensa]

Eu vi muitas coisas, poucas tão extremas.

[música tensa]

O que sempre me marca nos casos

é a cena do crime em si, a aparência da vítima.

Essas imagens nunca cessam, nunca vão embora.

Nós usamos palavras tipo "foi horrível",

ou "foi assustador",

mas não dá pra entender realmente o significado disso

até você se ver no meio da perversão

que é o estupro e o assassinato.

[música de suspense]

[vento]

[James] O corpo estava nu,

a não ser pelos jeans em volta de um dos tornozelos.

Tinha um sapato jogado ao lado.

[Kenda] Ela tinha um anel de diamante

no dedo anelar da mão esquerda.

Só uma pedra, pequena, mas tem valor.

[música tensa]

Ele não foi retirado.

[música tensa]

Esse não foi um roubo que deu errado,

então isso elimina uma motivação

quase que imediatamente.

[música de suspense]

[vento]

Observando seu rosto,

[música de suspense]

ela tinha três cabides

transformados em um freio que se usaria em um cavalo.

Meu Deus!

[música de suspense]

Atrás da cabeça, os arames estavam retorcidos

para formar uma alça

por onde alguém poderia controlar a cabeça dela.

[projetor]

[música de suspense]

Os arames cortaram as juntas da bochecha

e a carne do rosto dela.

Muito perturbador.

Muito perturbador.

[vento]

Ela tinha marcas de mordida pelo corpo...

[música tensa]

Um dos mamilos tinha sido arrancado a mordidas.

[música tensa]

Eu fiquei impressionado pela selvageria

cometida por alguém

que só podia ser comparado a uma hiena.

Feridas causadas

pelos seus dentes incisivos em um corpo.

A remoção de um mamilo a mordidas...

Um crime selvagem.

[Jeanne] Não foi uma ação arbitrária, rápida, impulsiva.

Alguém que tinha um monstro dentro de si

passou um tempo considerável torturando a vítima.

2

[vento]

[Jeanne] O corpo parecia muito frio

e muito sozinho.

Primeiro, é preciso descobrir quem é essa vítima.

Nesse caso em específico, curiosamente...

[vento]

a carteira de motorista dela estava no chão

ao lado do corpo.

Descobrimos que ela era uma soldado na ativa.

Ela pertencia a uma unidade em Fort Carson.

Colorado Springs em 1987 era uma cidade militar.

[música tensa]

Então descobrimos que ela era Darlene Krashocsd

e que tinha 20 anos.

[música de suspense]

Ela estava ativa no Exército.

Ela era jovem, tinha toda a vida pela frente

e alguém tirou isso dela da pior forma possível.

[música de suspense]

Mas o que me intrigou

por que ele deixou a carteira de motorista à mostra.

É como se ele estivesse zombando de nós.

"Essa é ela,

mas vocês não sabem quem eu sou, sabem?"

[música de suspense]

[lente da câmera]

Charles Green

era o nosso técnico de cenas de crime.

O técnico Green era um cara muito competente.

O Charley era um coletor de provas

e fotógrafo muito meticuloso.

Ele era muito cuidadoso

e muito atencioso a cada detalhezinho.

[música tensa]

[vento]

[disparo de fotografia]

[música tensa]

[Mike] Havia três cigarros

no asfalto próximos ao corpo.

[música tensa]

Isso me fez me perguntar

por que estavam tão próximos ao corpo.

Seriam de um funcionário que saiu para fumar,

ou seria o autor do crime admirando o seu trabalho?

[música tensa]

Portanto, quando coletamos essas evidências,

[música tensa]

fizemos usando os melhores protocolos,

com luvas de borracha, máscaras e tudo o mais,

para preservá-las para uma identificação posterior.

[música de suspense]

Nós vimos marcas de pneu bem próximas ao corpo,

[música de suspense]

o que indica que o corpo foi transportado até aquele local.

Eu não tenho a menor dúvida

de que o crime ocorreu em outro lugar.

[vento]

[música de suspense]

Onde ele ocorreu?

Não sabemos.

[música de suspense]

A questão é: quem é o responsável por essa morte?

[música de suspense]

Onde ele está agora?

Ele é um fantasma, uma nuvem de fumaça,

é uma sombra na noite.

[música de suspense]

Como eu vou solucionar isso?

[música de suspense]

[James] "Após a chegada do sargento Kenda,

foi feita uma análise mais detalhada do corpo.

O corpo é de uma mulher branca,

deitada parcialmente de costas.

[música de suspense]

Havia três pontas de cigarro localizadas no chão,

as quais foram coletadas,

assim como uma amostra do solo sob o corpo".

[música de suspense]

As provas que foram coletadas

foram embaladas e categorizadas

da mesma forma que faríamos hoje.

Isso leva à preservação dessas provas.

Se não tivéssemos as provas coletadas por eles em 1987,

o caso não iria a lugar algum.

[música tensa]

[vento]

[lente câmera]

[música de ação]

[Kenda] Então eu saí da área da cena do crime

e queria ir falar com as pessoas no Korean Club.

[disparo de fotografia]

[música sinistra]

[Ritz] Será que o crime ocorreu dentro do bar

e a vítima foi despejada do lado de fora?

Essa é uma das primeiras coisas que precisamos investigar,

por causa da localização do corpo.

[Kenda] Então mostramos a foto da identidade

[música de suspense]

a todos os funcionários...

[música de suspense]

Ninguém tinha visto ela antes.

[música de suspense]

Mas o barman nos deu uma informação muito útil

em relação à linha do tempo da cena do crime.

[música de suspense]

[Ritz] Ele pôde dizer que foi a última pessoa a sair.

Eram cerca de duas horas da manhã.

Ele não notou nada.

Às 5h20 da manhã, a vítima foi encontrada.

Isso afunila nossa linha do tempo

para um período de três horas.

Isso é importante.

Darlene, onde você esteve durante essas três horas,

e com quem?

[música de suspense]

Quando chegamos ao necrotério e o corpo descongelou,

a violência se mostrou ainda pior.

[música tensa]

A autópsia feita na Darlene nos disse muita coisa.

Ela não só foi espancada,

mas foi violentada sexualmente,

foi sodomizada.

Ela foi estrangulada pelos fios ao redor do pescoço.

[música tensa]

Lutando para respirar

e não conseguindo.

Foi isso que a matou.

[música tensa]

Você vê algo assim e se pergunta:

"Meu Deus, quem poderia ter feito isso?"

[música tensa]

As temperaturas baixas retêm o líquido

que vem do autor do crime,

como fluido seminal e coisas do tipo.

[música sinistra]

É possível recuperar isso ao derreter

e escorrer para a mesa.

Então tudo isso pode ser útil.

[música sinistra]

[música tensa]

[trem]

[música de suspense]

[Kenda] A maioria dos homicídios nos Estados Unidos

ocorrem entre pessoas que se conhecem.

Por isso primeiro é preciso descobrir

quem é Darlene Krashoc

para poder talvez descobrir quem desejaria sua morte.

[música de suspense]

[Betty] Eu atendi a porta, era um sargento do Exército.

E ele disse:

[respirar profundo]

[suspiro]

[música tensa]

"Sua filha Darlene foi morta".

[música tensa]

E eu disse: "Morta?",

eu disse: "O que aconteceu?",

e ele disse: "Foi um homicídio".

E eu disse: "Homicídio?

[respirar profundo]

Alguém matou ela?"

Naquele momento, nós não acreditamos.

Eles deviam ter errado.

[música tensa]

Não havia nenhum conflito,

então ela não devia estar morta,

ela não podia estar morta.

Sinceramente...

[música tensa]

Eu fiquei louca.

[música tensa]

[suspirar profundo]

Ninguém quer ver um filho partir.

[música tensa]

[Paul] E depois perguntamos: "Por quê? O que aconteceu?"

Obviamente ninguém tinha respostas.

Quando você se dá conta da realidade...

[música tensa]

O seu mundo desmorona. O meu mundo desmoronou.

Isso deixa um buraco, um vazio em você.

[música tensa]

[Kenda O Sr. e a Sra. Krashoc chegam

para lidar com a perda da filha.

A Darlene nasceu em Baltimore, Maryland.

[música de suspense]

Ela era uma boa garota.

[música de suspense]

Era bem extrovertida,

era muito carinhosa.

[música de suspense]

A gente era mais que mãe e filha, sabe?

[música de suspense]

Nós éramos melhores amigas.

[música triste]

Ela era bem moleca.

[música triste]

Queria trabalhar com caminhões.

[música triste]

[Paul] A Darlene queria entrar pro Exército.

Ela na cabeça o sonho de dirigir caminhões de carga.

[música triste]

Então ela entrou no Exército para aprender.

Ela servir me deixou orgulhoso, é claro.

[música triste]

[música de suspense]

[Kenda] Nós perguntamos a eles sobre algo

que notamos na cena do crime:

a Darlene estava usando o que nos parecia ser

um anel de noivado.

Eles sabiam alguma coisa sobre isso?

[música de suspense]

Ah, sim, sabiam.

Ela tinha sido casada com um jovem rapaz

que estava no Exército.

[música de suspense]

Um tal Glenn Garringer.

[música de suspense]

[soldados marcham] Um, dois, três, quatro!

[Betty] Eu não sabia nada a respeito dele.

Ela e o Glenn se envolveram e decidiram se casar.

Eles iam morar fora da base, e eu não concordava com isso,

mas ela ia fazer o que quisesse, de qualquer forma.

[Paul] Aos 19, 20 anos, quero dizer,

você não sabe o que está fazendo.

Quero dizer, qual é! Você acha que sabe, mas não sabe.

[vozes dos soldados]

[Betty] Eles não eram compatíveis um com o outro.

Eles entraram com o pedido de divórcio

que seria finalizado uns dias depois da morte dela.

[música de suspense]

Ex-maridos sempre me intrigam.

Nós já sabemos

que quem cometeu esse crime odeia mulheres.

Alguns divorciados odeiam as ex-mulheres.

Odeiam mesmo.

Então surgiu o nome desse rapaz.

Ele era nosso principal suspeito.

[música de suspense]

[Larry] Garringer também era soldado em Fort Carson.

[música tensa]

[Ritz] A vantagem de trabalhar com Fort Carson

era o acesso imediato aos soldados.

Se nós precisássemos falar com alguém,

o Departamento de Investigação

ou a Polícia Militar buscava essas pessoas

e as trazia imediatamente para nós.

[música tensa]

Bem, Glenn, quem é você?

[música tensa]

Como se sente a respeito do divórcio?

Ficou com raiva suficiente pra matá-la por isso?

[música tensa]

[Kenda] Sempre dá pra saber se alguém está mentindo

e tentando parecer emocionado,

tentando fingir que está chorando.

[música tensa]

Mas o Garringer não foi assim, ele foi verdadeiro.

[música tensa]

Ele estava muito abalado

com a perda de Darlene Krashoc.

Ele chegou a explicar

que apesar de serem divorciados, eles eram amigos.

Perguntaram onde ele estava na noite anterior.

Ele tinha uma nova namorada.

Ele estava com ela a noite inteira.

[Kenda] Eles não se viam havia meses.

Ele foi uma testemunha totalmente cooperativa,

tinha um álibi.

[música tensa]

Pegamos amostras de cabelo, amostras de sangue

e examinamos seus dentes.

Eles não combinavam em nada

com a marca de mordida encontrada na vítima.

Seguimos em frente.

Então, quem é o sr. X?

Ainda não sabemos.

[música tensa]

De todo mundo que interrogamos,

colhemos amostras de sangue e as conservamos,

para criar uma base de dados de amostras biológicas.

[música tensa]

O processo para fazer isso era complicado

e também caro.

[música tensa]

Mas eu argumentei: "Vamos fazer isso.

Pode ser que nunca resulte em nada,

mas pode resultar em tudo".

Então fizemos.

[música tensa]

Assim, eu coletei o sangue de todo mundo

que interrogamos nesse caso.

[música tensa]

[Jeanne] O armazenamento dessas provas, com o tempo,

para que o DNA não se deteriore

e ainda possa ser usado para comparações 30 anos depois,

foi fenomenal.

Em 1987, DNA nem era parte das investigações.

O primeiro caso com DNA foi na Inglaterra, em 1986.

Era algo que a gente falava:

"Nossa, isso parece bem legal,

será que um dia vamos poder usar isso?"

[música tensa]

Mas corta pra 30 anos depois...

[música tensa]

[James] Nós sabíamos que a Darlene era uma soldado na ativa

alocada aqui em Fort Carson.

Por isso, entrei em contato com uma agente do Departamento

de Investigação do Exército, a agente Jessica Veltri.

[música tensa]

[Jessica] Como agente especial

do Departamento de Investigação do Exército,

eu investigo crimes onde há um interesse do Exército.

E, como parte dessa função,

[música tensa]

eu pedi alguns casos arquivados

para dar uma olhada.

Eu então fui apresentada ao Investigador Isham

e ao Investigador Somoskysd

que também estavam na equipe de casos arquivados

da polícia de Colorado Springs.

Havia muitas provas, desde as roupas da vítima...

[música tensa]

até pontas de cigarro encontradas próximas ao corpo.

[música tensa]

As marcas de mordida...

O cabide, a amarra.

[música sinistra]

Então eles examinaram o DNA e subiram para o sistema.

Inicialmente, a primeira amostra de DNA

que tinha o melhor perfil

era de uma ponta de cigarro.

Será que essa ponta de cigarro estava ligada à cena do crime

ou seria só lixo no estacionamento?

O técnico de laboratório pôde confirmar

que o perfil de DNA da ponta de cigarro

correspondia ao perfil de DNA

que estava por toda a roupa da vítima.

[música tensa]

A frase "Indivíduo Desconhecido n° 1"

veio do relatório do laboratório de DNA

onde identificaram o perfil

e ele não correspondia a nenhuma outra amostra

que havia sido enviada para o laboratório.

Então a gente sabia com certeza:

"Certo, esse é o culpado, mas quem é ele?

Onde ele está?"

[música tensa]

[toque de telefone]

[Kenda] Recebi uma ligação do Departamento de Investigação,

surgiu uma nova informação.

Havia uma soldado chamada Carolyn Smith.

Ela estava na ativa no Exército

e estava em uma sala de interrogatório

esperando pela minha chegada.

[música tensa]

[dando partida]

[música tensa]

Eu cheguei e comecei a conversar com a Carolyn Smith.

Ela era a melhor amiga da Darlene.

[música tensa]

Nós sabemos bem que garotas de 20 anos

costumam contar tudo às melhores amigas.

[música tensa]

O que a Carolyn poderia nos contar

sobre a Darlene e seu círculo social?

[música tensa]

Ela tinha falado com a Darlene por volta das 14h00.

Antes dela desaparecer.

A Darlene teria informado então

que Darlene iria ao Shuffles Nightclub

com alguns rapazes da unidade dela em Fort Carson.

[música tensa]

[Kenda] O Shuffles Bar tinha uma pista de dança,

música e um público jovem.

Darlene disse:

"O Sargento Lord vai me levar".

Ele era o sargento responsável pelo pelotão dela.

Ela também disse que outro rapaz,

Tim Robertson, ia com eles.

[música de suspense]

[Larry] Então Lord e Robinson

provavelmente foram os últimos a vê-la com vida.

[música de suspense]

Eu sempre falo sobre o Departamento de Investigação:

"Benditos sejam".

Eles não brincam em serviço.

As autoridades civis dizem

que você pode estar envolvido em um assassinato,

eles enterram o seu nariz no chão,

te algemam e te arrastam de onde você estiver

até uma sala de interrogatório.

E o Departamento de Investigação, como de costume,

aparece com eles em 30 minutos.

Lord e seu amigo, Robinson,

obviamente sabem que a Darlene Krashoc está morta.

Todo mundo em Fort Carson sabe.

Por que eles não ofereceram

a informação de que estiveram com ela na noite anterior?

Então quando entrei para falar com o Erik Lord,

eu tirei as algemas dele.

Eu disse: "Não vamos precisar disso, vamos?"

"Não, senhor.

"Eu disse: "Certo, vamos tirar isso".

[música tensa]

[Lord] Ele olha pra você e você sabe que é ele quem manda.

O Joe Kenda nos fez perguntas bem pontuais, bem específicas,

tentando descobrir nossa localização,

com quem estávamos,

basicamente qualquer detalhe que se pudesse

imaginar sobre aquele dia.

[riscar de isqueiro]

[brasa queimando]

Eu estava fumando feito uma chaminé,

eu estava nervoso.

[música tensa]

Nós saímos do trabalho

e a Darlene disse que queria sair pra se divertir,

então eu disse: "Tá, claro", sabe?

[gagueja]

"Eu te levo à B Street".

[música no bar]

O Robinson estava dançando com a Darlene.

A gente estava se divertindo.

[música no bar]

A Darlene dançou com alguns outros caras no bar,

e eu disse: "Certo, tá na hora de irmos".

E ela disse: "Não, eu não vou embora".

E eu disse: "Vai, sim, porque você veio no meu carro,

sou responsável por você".

E a gente discutiu um pouco,

tinha um cara no bar com quem ela estava bebendo.

[música no bar]

[Kenda] Darlene não o apresenta ao rapaz,

então ele não sabe o nome.

[música no bar]

Mas Lord o descreve como jovem, do Exército.

Ele não o conhece, nunca viu antes.

Geralmente dá pra saber quem é soldado,

só pela forma como eles andam, pela postura deles.

[música no bar]

[Kenda] Ele se lembra de olhar pra esse cara

e pensar que ele era diferente.

Tá, o que isso quer dizer?

[Lord] A pessoa que eu vi tinha um olhar hostil, sabe?

É muito difícil de traduzir

a impressão que alguém tem de uma característica física

quando você não sabe do que ele está falando.

O que são olhos hostis

para ele pode ser outra coisa pra você.

[música tensa]

[Lord] Ela disse: "Ele vai me dar uma carona".

Mas eu disse: "Nós temos que nos apresentar,

não tem outra opção", sabe?

E estava ficando tarde.

E ela disse: "Não se preocupe.

Eu vou estar lá".

Foi a última vez que eu a vi.

[música triste]

[Kenda] Nós consideramos, é claro, desde o começo,

que o assassino nesse caso provavelmente era militar.

Essa é a hipótese mais provável.

[música tensa]

[Jessica] E pensar que, já naquela época,

eles sabiam que provavelmente era um soldado.

Ou seja, alguém em quem você supostamente poderia confiar

e com quem poderia trabalhar.

Como agente especial

do departamento de investigação do Exército,

eu não queria desistir disso.

[música tensa]

Em 2017, havia uma tecnologia chamada fenotipagem,

que era a tecnologia de DNA mais avançada

que podíamos usar naquela época.

No início de 2017,

eu descobri uma empresa chamada Parabon

e vi que eles tinham a capacidade de pegar o DNA

e identificar com certa probabilidade

qual a cor dos olhos da pessoa,

qual o provável tom de pele da pessoa.

[ligando]

Nós descobrimos, ao fazer a fenotipagem,

que o indivíduo a quem o DNA pertencia

era um homem branco

de ascendência do norte e oeste da Europa,

cabelo castanho, olhos castanhos.

[música tensa]

[Kenda] A evolução que eu esperava com tanto entusiasmos

realmente aconteceu.

O fantasma estava vivo.

[música tensa]

Nós temos o Sargento Lord,

a última pessoa a ver a Darlene Krashoc viva.

Naquele momento, o Erik estava tentando ao máximo

convencer a garota a sair daquele bar.

Não foi o suficiente.

Ele se cansou e foi embora.

[música tensa]

E no dia seguinte ela não apareceu.

[música tensa]

E... sabe, eu disse:

"Tudo bem, talvez... talvez ela tenha bebido".

Eu disse: "Vamos dar um tempo a ela".

E aí nós soubemos que uma garota foi encontrada,

que o corpo de uma garota foi encontrado.

[música tensa]

Eu disse: "Ai, meu Deus, foi isso. É ela".

E literalmente o mundo inteiro desmoronou.

[música tensa]

[Kenda] O Erik sente um pouco da culpa do sobrevivente.

É comum.

As pessoas se culpam por algo que elas não fizeram

que leva a alguma coisa terrível

a acontecer com alguém.

[suspiro]

O fato da Darlene estar de carona comigo naquela noite

e eu ter deixado ela pra trás...

Eu...

[balbucia]

Eu devia ter empurrado ela pro carro.

[música tensa]

Mas não fiz isso.

[música tensa]

Sabe, é... difícil lidar com isso.

[música tensa]

Com um movimento, eu poderia ter mudado...

Eu não estaria aqui agora conversando com você.

Eu conheci muita gente que não queria conhecer.

[música tensa]

[Kenda] E, nesse caso, com tanta violência,

não é incomum que o suspeito

também apresente marcas ou ferimentos.

Portanto, quando interrogamos as pessoas,

nós perguntamos

e procuramos ver se eles têm algum tipo de marca.

Eles disseram: "Tire a camisa".

[música tensa]

Ele estava perfeitamente intacto,

não tinha nenhuma marca.

[música tensa]

Ainda coletamos sangue e cabelo dele,

com sua permissão.

Eles olharam os meus dentes.

Na verdade, tiraram moldes da mordida.

Foi bem complexo.

[disparo de fotografia]

[Kenda] A história que o Erik Lord conta

é perfeitamente plausível.

A melhor pessoa para confirmar essa história

é o Tim Robinson...

[música tensa]

porque ele também estava lá.

[arrastar de cadeira]

Então eu fui à sala ao lado,

onde o Sr. Robinson estava sendo interrogado

por outra pessoa.

[música tensa]

[Ritz] Tim e Erik ofereceram informações bem consistentes

sobre o envolvimento deles com a Darlene naquela noite.

[disparo de fotografia]

[música tensa]

[Kenda] Tudo está correndo perfeitamente

no interrogatório.

Aí nós pedimos que ele tirasse a camisa...

[música tensa]

E ele estava coberto de arranhões.

[música tensa]

Eles estavam nas costas, no peito e no braço.

[música tensa]

"Sr. Robinson,

o senhor certamente tem muito a explicar."

[música tensa]

[passos de marcha]

[voz do Sargento]

[disparo de fotografia]

Ele tinha arranhões por todo o corpo.

[música tensa]

"Bem, Timmy, como isso aconteceu?"

[música tensa]

Ele foi um dos últimos a vê-la,

estava com arranhões.

Isso começa a parecer promissor.

O Robinson ficar muito incomodado.

Ele sabe que o Exército tem o costume de pegar pesado

quando se é acusado de um crime.

Eu olhei para ele e perguntei:

"Você pode explicar

os arranhões e as marcas pelo seu corpo?"

[música tensa]

E Robinson disse:

"Eu conheço uma garota que eu fui ver naquela noite,

e foi ela quem fez essas marcas".

Bem, é algo que não se ouve todo dia,

mas tem quem faça esse tipo de coisa.

[música tensa]

[Ritz] Ele estava em um relacionamento com uma garotas

que fica meio violenta.

[música de suspense]

A história dele se sustentou.

[música de suspense]

[Kenda] Ainda assim coleto amostras de cabelo e sangue dele,

e peço pra olhar seus dentes.

[disparo de fotografia]

Quando eu olho para os dentes,

eles não correspondem em nada

às marcas de mordidas que temos.

[disparos de fotografia]

Assim, o Sr. Robinson tem um álibi.

[música tensa]

[Ritz] A essa altura da investigação,

quando suas pistas estão acabando e você não tem nada,

você começa a procurar.

[Ten. Kenda] Nesse caso em particular,

a vítima está em uma casa noturna

que envolve talvez até umas 100 pessoas.

É algo muito difícil de analisar

depois do ocorrido.

[tacada de sinuca]

[música tensa]

[Ritz] Imagine se um barman se lembraria de um indivíduo

que só chegou, pegou uma bebida, saiu e foi dançar.

[música tensa]

Tentar identificar um indivíduo em um bar

é uma tarefa muito desanimadora.

[música tensa]

[digitação]

[Kenda] Como investigador de homicídios,

você usa um processo de eliminação.

[música tensa]

Era 1987, não havia celulares, câmeras de segurança.

Era o clássico trabalho de investigador,

que dependida das memórias das pessoas.

Pessoas que beberam por umas seis ou sete horas.

Isso torna tudo muito difícil.

[música tensa]

O arquivo do caso são todos os documentos

com qualquer associação com o ocorrido em questão.

Todos os relatórios policiais, o relatório da necropsia,

os resultados dos exames laboratoriais,

e assim por diante.

[ampulheta]

Qualquer pessoa pode ler

e tomar conhecimento de tudo o que é preciso saber

sobre a investigação.

[disparos de fotografias]

[música tensa]

[digitação]

Esse é o arquivo do caso.

[digitação]

[música tensa]

[Jessica] O 30° aniversário da morte da Darlene

foi em 17 de março de 2017.

[música tensa]

Com o retrato elaborado pelo DNA,

nós conseguimos aprovação de uma recompensa de US$ 10 mil

por qualquer informação que levasse à identidade,

prisão e condenação da pessoa responsável

pela morte da Darlene.

[música tensa]

O retrato da Parabon

[música tensa]

pode nos dar previsões.

Etnia, raça, cor dos olhos e dos cabelos.

A primeira foto é aos 22 anos de idade,

e aí você pode fazer uma projeção

da mesma pessoa aos 50 anos.

[música tensa]

Foi aí que a porta se abriu.

[música tensa]

[Kenda] É 26 de março de 1987.

Nove dias se passaram.

Depois de toda essa frustração,

todo esse esforço, não chegamos a lugar algum.

De repente, do nada, cai uma bomba.

[telefone toca]

O Departamento de Investigação do Exército

me liga e diz: "Temos um indivíduo em detenção,

o nome dele é Brian Jackson.

Ele foi acusado de crimes de violência sexual...

[música tensa]

E ele diz que é responsável pela morte da nossa vítima".

[música tensa]

Bem, aleluia! Deus existe.

"Estamos a caminho".

[música tensa]

Quando o departamento começa a investigar um pouco,

descobrimos que, sim, ele tem uma caminhonete.

[música tensa]

Então acreditamos que ela foi transportada na caminhonete.

[Kenda] O Exército tem a capacidade de revistar veículos

sem o consentimento dos donos.

Nós, não, mas eles têm.

Eles revistaram a caminhonete.

[música de suspense]

Adivinha? Tem um cabide na caminhonete.

[música de suspense]

[Kenda] Nós temos provas materiais

que poderiam bater com o que foi usado no crime.

Nós temos o depoimento dele, ele era ativo no Exército,

ele foi acusado de violência sexual.

Tudo diz que as peças estão se encaixando,

que esse, muito provavelmente, é o culpado.

[música tensa]

Eu vou até lá...

[campainha]

[música de suspense]

e Deus e todo mundo começam a aparecer.

[música de suspense]

O juiz advogado geral de Fort Carson estava lá,

o comandante-geral

da Quarta Divisão de Infantaria estava lá,

o chefe de justiça do tribunal estava lá.

[música de suspense]

E, é claro, todos ficaram me encarando.

[música de suspense]

Quando eu encontro o Brian Jackson,

ele sabe muito bem o quanto está encrencado.

Ele está muito nervoso.

[música tensa]

Vamos ver aonde isso vai dar.

[música tensa]

[marcha militar]

[música tensa]

[Kenda] O Brian Jackson diz que é responsável

pela morte da Darlene Krashoc.

[música tensa]

Ele tem características interessantes.

[música tensa]

Ele foi preso por violência sexual.

[disparos de fotografia]

Esse é um caso de violência sexual, é compatível.

[música tensa]

Ele fez declarações veladas

sobre como ele provavelmente é responsável

pela morte de Darlene Krashoc.

[disparo de fotografia]

Isso resulta em provas acima de qualquer dúvida?

[música tensa]

Não.

Passamos ao nível de investigação adicional.

[música tensa]

Então, Jackson estava no Exército havia 12 anos.

Era da infantaria.

Estava casado.

No momento, ele era acusado

de dois crimes de violência sexual

contra soldados mulheres da sua unidade.

Ele está muito encrencado.

Isso pode levar pessoas a dizerem coisas

que não são verdadeiras,

buscando uma vantagem, buscando uma saída,

buscando alguma coisa.

Por fim, esse era exatamente o caso do Sr. Jackson.

[música tensa]

Ele tem muitas coisas a explicar, com certeza.

Vamos conversar.

"Você conhece Darlene Krashoc?"

[música tensa]

"Bem, não conheço".

"Mas você disse que é responsável pela morte dela.

Por que diria isso?"

[música tensa]

"Bem, eu acho que se eu estivesse lá..."

E ele segue divagando, falando coisas estranhas.

E você começa a perceber que esse cara está tentando usar

o assassinato da Darlene Krashoc

para buscar clemência pela situação dele.

Se ele estivesse no bar,

ele teria evitado que Darlene Krashoc fosse assassinada,

e como ela foi assassinada,

ele se sente responsável por isso.

Me poupe!

Qual é o álibi dele?

Onde ele estava na noite em que isso ocorreu?

Bem, o álibi provavelmente eliminou ele totalmente.

Ele não podia ter matado Darlene.

Ele não estava nem perto do Shuffles naquela noite.

[música tensa]

[Kenda] O Sr. Jackson não é lá um cara muito esperto,

e ele tá jogando o barro na parede para ver se cola,

para conseguir clemência do sistema.

Nós coletamos sangue, coletamos cabelo.

Nós também examinamos seus dentes.

[disparo de fotografia]

Os dentes dele não correspondem em nada

às marcas de mordida.

Não é ele quem procuramos pela morte da Darlene Krashoc.

É um cara qualquer.

[música tensa]

Assim, essa sensação de euforia

se transforma em mais uma decepção.

Por isso investigações de homicídio

podem te enlouquecer.

Vai tudo tão bem, e de repente vai muito mal.

[música tensa]

[Ritz] Você volta à estaca zero,

e a essa altura não temos outra direção a seguir.

[música tensa]

[Kenda] Você acrescenta partes ao arquivo do caso

todos os dias.

Ele começa com a página um

e, quando você se dá conta, está abrindo a página 401.

[páginas passando]

Apesar dos nossos esforços, apesar de tudo o que fizemos,

não conseguimos identificar nenhum outro suspeito.

[música tensa]

Nós estamos em um beco sem saída.

[música tensa]

Em algum momento, você precisa dizer:

"Por enquanto,

essa investigação não tem como avançar,

porque não tem para onde ir.

No momento, é uma investigação inativa

de um homicídio".

[música tensa]

[Ritz] Ninguém quer desistir.

Nós queremos as respostas.

[música tensa]

[vento]

[Kenda] Eu senti que tinha feito tudo ao meu alcance

[vento]

para descobrir quem a matou.

[música tensa]

E eu não consegui.

[música tensa]

Eu não descobri.

Você paga um preço por isso.

[música tensa]

Pesadelos,

muita coisa interessante.

Mas a realidade toma conta.

[aspiração]

Há outras mães que perderam entes queridos

e precisam da nossa atenção.

[repórter mulher] Krashoc era uma soldado em atividade,

alocada em Fort Carson.

Nenhum suspeito foi identificado.

[música tensa]

Você precisa contar isso aos pais.

[música tensa]

Não é nada bonito.

[música tensa]

[Paul] Foi difícil para a Betty.

Ela entrou em uma depressão profunda,

precisou de tratamento médico.

Como qualquer outra mãe, ela só...

[música tensa]

Chorava.

Chorava muito.

[música tensa]

[Betty] Eu precisava saber, eu queria saber.

"Achem ele. Seria tão difícil assim?", sabe?

Essa foi minha reação e é a de qualquer mãe.

[música tensa]

[Kenda] É preciso entender o lado deles.

Eles estão vivendo um pesadelo de que não podem acordar,

de que alguém assim está à solta por aí

e não sabemos quem ele é.

[música tensa]

Nós não fazemos ideia de quem seja.

[buzina de trem passando]

Mas as pessoas que cometem crimes

esquecem de uma coisa que é extremamente importante:

a polícia não perdoa e também não esquece,

e um dia você vai se ver de joelhos.

[música tensa]

E nesse dia

vai haver um policial sobre você

pra te algemar e te lembrar do seu passado.

Esse é um dia que eu sempre fico ansioso pra ver.

[fechar de algemas]

Nós vamos identificar o fantasma.

[música de suspense]

[Kenda] No caso da Darlene Krashoc,

não sobrou ninguém a ser investigado.

[música de suspense]

Eu chegava cedo no trabalho todas as manhãs,

fazia um café,

[música tensa]

entrava na sala de casos arquivados

[música tensa]

e olhava cada volume.

[música tensa]

E aí eu me torturava por ser o [bipe]

que não sabia quem matou aquelas pessoas.

Depois eu ia me sentar

e começava a ler os relatórios dos casos de homicídio atuais.

[música tensa]

Eu segui em frente

depois de classificarmos o caso Krashoc como arquivado...

[música tensa]

Até 1° de setembro de 1996.

[música tensa]

Então eu voltei.

[música tensa]

A vida segue em frente, pessoas se aposentam,

as coisas no país mudam,

novos presidentes são eleitos.

Mas você nunca esquece, eu nunca esqueci.

Eu sempre tive esperança

de que algum dia alguma coisa viria à tona no caso Krashoc

de uma forma ou de outra,

[música tensa]

e acharíamos, finalmente, uma solução.

[produtora] O quanto você ficou frustrada

por parecer não haver avanços nesse caso?

Eu sentia que ninguém estava fazendo nada

e eu sentia que todo mundo tinha se esquecido dela,

mas eu tenho caixas de e-mails.

Eu mandava e-mails para todos os investigadores.

Eu escrevia cartas, eu até mandei cartas

ao presidente dos Estados Unidos.

Você nunca esquece e isso nunca vai embora.

Será que ele fez a mesma coisa de novo?

Será que ele fez mal à filha de outra pessoa?

Será que ele destruiu a família de outra pessoa?

[música tensa]

A Betty, coitada, fez de tudo pela Darlene

e para garantir que tomassem providências.

[música tensa]

[Betty] Nós decidimos voltar ao Colorado.

Nós fizemos panfletos,

fizemos camisetas com a foto dela, bonés.

[música tensa]

Eu até escrevi um poema:

[música tensa]

"A visão do homem pode ser enganada,

pois há um demônio em suas ruas.

[música tensa]

Talvez você conheça o seu rosto,

eu o conheço bem.

[brasa queimando]

[música de suspense]

Ele deixou algumas pistas para trás.

[brasa]

[música de suspense]

Só estou esperando o relógio bater,

pois logo ele vai pagar por seu crime hediondo.

[música de suspense]

Eu conheço o segredo, eu sei a verdade".

[suspiro emotivo]

[música tensa]

O mais importante

que você pode obter de uma cena de crime

são as provas físicas.

[música tensa]

Os investigadores forenses, mesmo naquela época,

tinham treinamento especializado

em coletar essas provas.

Hoje nós temos a vantagem dos vídeos, da tecnologia,

e podemos investigar as redes sociais

e contas telefônicas das pessoas,

e isso ajuda a solucionar casos.

Mas o Joe Kenda,

vem de uma época onde era preciso achar provas.

[música tensa]

Esses homens eram simplesmente heróis.

[música tensa]

Bem no início da investigação,

eles coletaram todas as provas.

Talvez naquela época para fazer a tipagem sanguínea

[música de suspense]

e para ver o que o futuro poderia trazer.

[disparo de fotografia]

[música tensa]

É fascinante, porque eles não sabiam

para que eles estavam conservando aquilo.

Isso só mostra que eles tinham visão

e dedicação aos avanços que estavam por vir.

E sabendo que nós ainda tínhamos aquelas provas,

eu me senti muito confiante

de que havia uma chance de solucionar esse caso.

[música tensa]

[Joseph] O DNA do suspeito foi cadastrado no CODIS,

o sistema nacional,

e, até 2018 não houve correspondências.

O que me indicava que se desde 1987,

o DNA de ninguém bateu com o do sistema,

era muito improvável e ficava cada vez menos provável

que isso fosse acontecer.

[música tensa]

[Jessica] Eu fiquei espantada

que apesar de termos um perfil de DNA bastante sólido

na base de dados nacional,

nós ainda não tínhamos um suspeito.

[música tensa]

Depois de feita a fenotipagem,

nós tínhamos uma representação visual

de como poderia ser o rosto dele.

[música tensa]

[James] As redes sociais pegaram fogo.

Nós recebemos ligações de outros países,

depois de verem postagens no Facebook,

dizendo: "Talvez eu conheça essa pessoa".

As redes sociais nos trouxeram muitas pistas.

Infelizmente, não muitas delas levaram a lugar algum, sabe?

É decepcionante.

Aquele retrato da projeção ficava na minha mesa,

eu olhava pra ele todos os dias, pensando:

"Quem é esse cara? Onde ele está agora?

Será que ele está vivo?"

[Joseph] Eu me lembro de um artigo no "The New York Times"

sobre um caso arquivado que foi solucionado

usando a genealogia genética.

Então eu comecei a observar

como isso estava sendo usado pelas autoridades.

[música de ação]

[Jessica] Com a popularização dos testes de DNA

para as pessoas conhecerem sua ascendência,

[música de ação]

cada vez mais pessoas estão incluindo seu DNA

nessas bases de dados.

O que os genealogistas forenses podem fazer

é começar a estudar as árvores genealógicas

e ver quais ancestrais eles têm em comum.

E autoridades podem trabalhar com os genealogistas.

Eles descobrem a intersecção do DNA

entre esse membro da família que compartilha o dele

e o indivíduo que você está tentando identificar.

[ligando]

[chamada telefônica]

Eu entrei em contato com a Parabon,

que havia feito a fenotipagem.

[música de ação]

A genealogia era algo novo para eles.

Eles disseram:

"vamos comparar com a base de dados uma vez por semana,

e se acharmos alguma coisa que pareça utilizável,

nós entraremos em contato".

[música de suspense]

Levou provavelmente um ano.

E o tempo todo eu pensava: "Eu sei que eles vão achar".

[tráfego urbano]

[trem passando]

[música tensa]

Era 2019 quando eu recebi a ligação.

"Nós temos uma possível combinação,

uma combinação familiar com o suspeito.

Equivale a um primo de terceiro grau.

Então é algo que podemos usar, é útil".

[chamada telefônica]

[James] A Agente Veltri me ligou e disse:

"Temos uma identificação correspondente

ao Indivíduo Desconhecido n° 1 no caso Darlene Krashoc".

[música tensa]

Eu lembro que olhei para o Investigador Somosky

[música tensa]

e contei a ele.

Eu disse: "Acho que pegamos o culpado".

E ele disse: "Tem certeza?"

Eu disse: "Eu não tenho certeza, mas a ciência tem".

[música tensa]

[Jessica] No próximo contato, disseram:

"Oi, nós queremos te passar os resultados".

Eu me lembro de estar no escritório.

O Jim estava na linha,

eu coloquei um aviso de "Não perturbe" na minha porta,

e só ficamos ali, sentados.

[música tensa]

[Kenda] Durante 32 anos na polícia de Colorado Springs,

eu tentei identificar um fantasma.

E finalmente,

após os avanços da ciência e força de vontade,

esse fantasma que estava correndo à solta por aí

[música tensa]

tinha um nome.

Era isso que nós queríamos.

[música tensa]

[trovoada]

[música de suspense]

[narrador] Não perturbe.

[produtora] Qual era o nome naquele relatório?

Michael Whyte.

Michael Whyte.

[música tensa]

Michael Whyte foi preliminarmente identificado

através da genealogia genética.

[música tensa]

O nome dele é Michael David Whyte.

[música tensa]

[produtora] O nome dele já havia aparecido nessa investigação antes?

Nós nunca tínhamos visto o nome Michael Whyte

nos relatórios desse caso.

[música tensa]

Eu nunca tinha visto esse nome antes.

[música tensa]

De todas as pessoas que interrogamos,

o nome do suspeito nunca surgiu.

[música tensa]

[Kenda] Duas mil páginas...

[música tensa]

e Michael David Whyte nunca apareceu.

Nem nós nunca ouvimos falar dele, nem ninguém.

[música tensa]

Quem é esse cara?

[Jessica] Ao pesquisar um pouco,

confirmamos que ele era um soldado.

[música tensa]

Ele estava alocado em Fort Carson

naquela época...

[música tensa]

E documentos públicos confirmaram

que ele morava não muito longe

de onde o corpo de Darlene foi encontrado.

[música tensa]

[Kenda] Ele não tinha uma ficha criminal.

Ele recebeu apenas uma multa de trânsito.

[música tensa]

Para todos os efeitos, ele era o Sr. Certinho.

Nós precisávamos ter certeza.

[música tensa]

Nós precisávamos vigiar esse cara.

A gente sabia que ele tinha estabilidade, casado,

tinha uma casa na área nobre de Denver.

[música de suspense]

Tinha um bom emprego

na indústria de telecomunicações.

[música de suspense]

A gente precisava conseguir o DNA dele

para confirmar que ele era a pessoa

correspondente ao DNA do "Indivíduo Desconhecido n° 1".

[música de suspense]

[James] A equipe de vigilância ficou na cola de Michael Whyte.

[Kenda] Essas pessoas fazem isso profissionalmente,

então você nunca sabe que está sendo seguido,

porque eles sempre desviam, disfarçam.

[música de suspense]

Eles são bons nisso.

[música de suspense]

Então eles começam a vigiá-lo,

e nesse dia em particular, ele está cuidando de afazeres.

[música de suspense]

Mas ele para em uma hamburgueria...

[música de suspense]

Para almoçar.

Ele senta ali, desfruta do almoço...

[música de suspense]

e ele tem um copo vermelho.

Ele bebe desse copo.

O foco agora é o copo.

[música de suspense]

A saliva dele vai estar ali.

O que ele vai fazer com isso?

[música de suspense]

Ele se levanta e vai embora.

[música de suspense]

Então não precisamos de um mandado.

[música de suspense]

Ele tecnicamente não tinha direito à privacidade

por aquele lixo que ele tinha acabado de descartar.

[música de suspense]

[Joseph] Alguns agentes vieram de Fort Carson

depois da Agente Veltri ligar para eles.

Jim e eu passamos a prova para eles.

Os cientistas que trabalhavam no caso

se comunicaram com a gente.

"Nós vamos trabalhar 24 horas por dia nisso

até ser solucionado".

[música de suspense]

[James] Houve momentos de tensão, de dúvida, digamos assim.

Por um lado, sabe, testemunhas mentem.

Eu já vi até vítimas mentirem.

Mas o que eu descobri, em 32 anos trabalhando na polícia,

é que as provas não mentem.

[música de suspense]

Os resultados do DNA saíram,

eu diria que entre duas semanas e meia a três semanas,

o que é muito raro em casos de DNA.

[música de suspense]

[produtor] E quais foram os resultados?

Que o DNA dele correspondia

ao do "Indivíduo Desconhecido n° 1".

[música de suspense]

Ora, ora, ora!

[música tensa]

Era ele, sem dúvidas.

Ele foi a única pessoa a deixar seu DNA

sobre e dentro da vítima desse caso.

[música tensa]

[vento]

[música de suspense]

Agora temos a oportunidade, depois de apenas 32 anos,

[música tensa]

de prender Michael David Whyte

pelo assassinato e estupro de Darlene Krashoc.

[música tensa]

Está na hora de ir pra cadeia, Michael.

[música tensa]

[James] Eu me lembro, era 13 de junho de 2019.

[música tensa]

Um daqueles dias difíceis de esquecer

como agente da polícia.

Eu executei muitas prisões na minha carreira,

mas essa se destaca.

[vozes de fundo]

[Joseph] Eu liguei para a Agente Veltri e disse:

"Foi expedido o mandado de prisão para Michael Whyte".

[ligando]

Nós queríamos dar a ela a oportunidade de estar lá,

porque sem ela esse resultado não seria possível.

[Jessica] Foi uma loucura.

A gente não tinha comido, a gente não tinha dormido,

e de repente a gente estava no carro indo para Denver.

[música tensa]

[James] Nós nos] encontramos em um parque em Thornton, Colorado,

e um plano foi elaborado.

As unidades de força-tarefa e eu

iríamos contatar o Sr. Whyte em sua residência.

[voz de policial ao fundo]

Sabíamos que havia mais um adulto morando na casa,

identificada como sua esposa,

e não queríamos colocar ninguém em risco.

[música tensa]

Esse cara é um soldado treinado.

Sabe, a pessoa pode não ser uma ameaça

até ser confrontado

com um crime que cometeu 30 anos antes.

[latidos]

[música tensa]

[batidas na porta]

[música tensa]

[abrir da porta]

[música tensa]

[James] Foi uma questão de bater à porta,

perguntar pelo Sr. Whyte.

Depois dele se identificar,

nossa força-tarefa comunicou a ele

que tínhamos um mandado de prisão

da polícia de Colorado Springs.

[música tensa]

Foi uma prisão bem padrão.

[música tensa]

[fechar de algemas]

[música tensa]

Não houve luta, não houve gritos.

[música tensa]

Ele disse: "Está bem" enquanto era conduzido.

[música tensa]

[Jessica] Depois da prisão,

eu entrei com o Investigador Jim Isham

para falar com a esposa do Michael Whyte.

[música tensa]

[James] A esposa dele foi tomada de surpresa.

Ela disse que o Sr. Whyte nunca havia tocado nela,

que não era violento.

[Jessica] Ela ficou realmente chocada.

Ela descreveu Michael Whyte como seu herói,

ela disse que tinha câncer de esôfago

em estágio avançado

[música tensa]

e que ele era a salvação dela, ele era tudo pra ela,

então foi triste, foi bem triste ouvir isso.

[música tensa]

E também muito confuso,

porque ele também era a mesma pessoa

que assassinou brutalmente a Darlene Krashoc há 32 anos.

[música tensa]

[Kenda] Um assassino se parece com qualquer outra pessoa.

Com quem ele se parece?

Com o cara atrás de você no supermercado.

Não tem perfil, não tem aparência.

Não tem nada disso.

[trovoada]

[buzinadas]

[trovoadas]

[abrir de porta]

[James] Nós fomos até a delegacia

e nos prepararmos para o interrogatório.

[música tensa]

Eu sou o Investigador Isham. Me chamam de Jim.

Eu trabalho na polícia de Colorado Springs.

[Michael] Eu roubei um banco

quando estive lá no ano passado,

ou alguma coisa que eu não sei?

[James] A gente pode falar sobre isso.

[Jessica] Eu assisti à entrevista de outra sala,

e foi a primeira vez que eu realmente vi ele.

[James] Em primeiro lugar,

você tem o direito de permanecer calado.

A gente sabia que esse era alguém

que podia querer contar seu lado da história,

podia tentar dar uma explicação.

A pessoa que cometeu esse crime

não passou a vida simplesmente aceitando qualquer situação.

[Joseph] Senhor, o senhor pode começar a falar com a gente agora?

[Michael] Posso.

[James] Ele abriu mão do direito ao silêncio,

[música tensa]

então nós iniciamos o interrogatório.

[Michael] Do que isso se trata?

[James] Se trata de um caso arquivado de 1987

que estamos investigando.

Eu e o Investigador Somosky

trabalhamos para a polícia de Colorado Springs

na Unidade de Casos Arquivados.

[Michael] Caso arquivado...

[James] Eu me lembro dele fazendo um comentário:

"Então são casos antigos que não foram solucionados?"

Vamos falar da sua vida social naquela época.

Você frequentava casas noturnas?

Sim, eu ia a boates.

Eu bebia muito naquela época.

[música de suspense]

Eu... farreava muito.

[música de suspense]

É um homicídio.

Você está dizendo que... eu matei alguém?

[música de suspense]

[Joseph] O seu nome apareceu na investigação

do assassinato de uma perita da época.

O nome dela era Darlene Krashoc.

[música de suspense]

[Joseph] Esse era um homem educado,

de classe média alta,

que sabe exatamente o que fez e o que não fez.

E você não acaba

sentado na frente de dois investigadores

sem saber exatamente por que está ali.

[James] Você teve algum problema

com alguém com quem saiu do bar que não foi muito bem?

[James]-Sabe... [Michael]-Não, não, eu...

[música tensa]

Não.

[Joseph] Talvez você reconheça uma pessoa

se te mostrarmos a foto dela da época?

[Michael] Se for de alguém que eu conhecia, sim.

[Joseph] Talvez alguém de uma unidade próxima

ou algo assim?

[Michael] Se era alguém que eu via sempre, ou algo assim.

[música de suspense]

[James] Eu me lembro de colocar a foto da Darlene na mesa,

e depois de um grande gole da garrafa de água...

[Michael] Não.

[James] Ele olhou para ela...

Com uma expressão de dor, antes de dizer que...

[Michael] Ela parece com a minha esposa.

[James] Ela parecia com a ex-mulher dele.

[Michael] Daquela época.

[James] E ele disse: "Mas eu sei que não é ela".

Quando eu mostrei a foto,

parecia que ele queria se distanciar da mesa, da foto.

[Michael] Talvez ela queira processar...

Desculpe. Me processar, ou algo assim.

[Michael]-Eu não faço ideia. [James]-Está bem.

Assim que eu coloquei a foto da Darlene na mesa,

o comportamento dele meio que mudou.

[Michael suspira]

[Joseph] Nós estamos aqui por causa do DNA.

Foi o DNA que nos levou até você.

[música tensa]

[Jessica] Com certeza foi uma sensação sinistra

assistir ao interrogatório,

e eu me lembro especificamente dele dizer...

[Michael] Está dizendo que eu transei com essa garota?

Porque pode ter acontecido.

"Eu transei com muitas mulheres,

mas eu nunca matei nenhuma delas".

[Michael] Qualquer pessoa com quem transei,

a não ser a minha esposa, eu teria encontrado no bar.

Ele negou já tê-la visto...

[Michael] Eu nunca transei com alguém e depois matei!

[música tensa]

Ou mesmo saber a respeito do assassinato,

o que pra mim é inacreditável.

[James] Temos provas materiais.

E, para ser sincero, são muitas.

É por isso que estamos aqui.

[Michael] Isso tá errado. Tem alguma coisa errada aqui.

[música tensa]

E naquele momento ele optou

por utilizar o direito de ficar calado.

[música tensa]

E eu me lembro de me levantar

pra sair da sala de interrogatório

e ele olhou pra mim e disse:

"Como eu me defendo contra isso?"

[fechar de algemas]

[música tensa]

Eu pensei comigo:

"Se alguém me acusasse de um crime tão hediondo

e eu fosse totalmente inocente,

a minha atitude não seria beber uma água

e perguntar como eu me defenderia".

[disparo de fotografia]

[Kenda] Antes de sair da sala,

os policiais pegaram impressões

dos dentes de Whyte.

[disparo de fotografia]

Porém, mais de 30 anos se passaram

desde esse assassinato.

Marcas de dente não têm muita relevância

depois de tanto tempo.

[disparo de fotografia]

[Joseph] Ele tinha uma expressão de dor no rosto.

Dava pra ver que ele estava tentando não chorar,

era quase uma combinação de aflição extrema e incredulidade.

Para mim, era a cara de alguém que se esforçou muito

pra que esse dia não chegasse, e ali estava ele.

[música tensa]

[Kenda] Tenho muito orgulho dos investigadores

da Unidade de Casos Arquivados, Isham e Somosky.

Eles se empenharam.

Eles fizeram o que disseram que fariam.

[música tensa]

[piano emotivo]

[Joseph] Só depois de tentarmos interrogá-lo

foi que ligamos para a família.

[piano emotivo]

Você primeiro prende o acusado,

depois conta à família.

[chamada telefônica]

[música triste]

Somosky teve o privilégio de fazer isso.

[chamada telefônica]

Não é algo que se faz sempre.

[telefone toca]

[piano emotivo]

[telefone toca]

[piano emotivo]

[Paul] Eu atendi o telefone.

Ele disse: "Paul?" e eu disse: "Sim".

E ele disse: "Joe Somosky".

E eu disse: "Oh, olá, investigador. Como vai?"

Ele disse: "Eu estou muitíssimo bem".

Então eu pedi que ele fosse até onde a esposa dele estava.

Ele disse: "Pode trazer ela pra perto de você?

Tem uma coisa que quero contar a vocês,

e quero que vocês dois ouçam ao mesmo tempo".

[música emotiva]

O Paul disse: "Venha, você precisa ouvir isso".

Ele disse: "Eu esperei 32 anos para contar isso a vocês".

[música emotiva]

Eu disse a eles:

"O Departamento de Investigação da Polícia de Colorado Springs

prendeu um suspeito

pelo homicídio da sua filha, Darlene Krashoc".

[música emotiva]

E foi aí que nós ouvimos que eles tinham prendido alguém.

Eles pegaram ele.

E eu sei que só dava pra me ouvir gritando.

[música emotiva]

Foi o melhor dia da minha vida.

[música emotiva]

Pegaram o desgraçado.

[música emotiva]

[música tensa]

[toque de chamada]

[toque de chamada]

[música tensa]

Eu soube.

Eu estava dormindo no chão.

A minha esposa veio me acordar.

E eu: "O que foi?

Por que tá me acordando?"

E ela disse: "Acharam ele, acharam ele".

E eu disse: "Quem? Acharam quem?"

E ela me mostrou o telefone.

E aí os meus olhos focaram nele. "Ai, meu Deus, é ele!"

Os olhos hostis, sabe?

Aqueles olhos ficaram gravados na minha mente por 32 anos.

E eu pensei:

"Seu filho da [bipe] você esteve por aí esse tempo todo,

e aí está você".

[música tensa]

[Kenda] O sr. Whyte parece ser inteligente,

calmo, até mesmo arrogante.

Entende sobre DNA,

insiste que pegamos o cara errado,

que cometemos um erro terrível.

Ele quer ir a julgamento.

[música tensa]

Então vamos. Vamos a julgamento.

[música tensa]

[Ben] Conversando com o advogado de defesa,

ele me disse:

"Michael Whyte não vai considerar qualquer oferta.

Ele não quer um acordo".

Eu perguntei a ele por quê,

e ele disse:

"Sinceramente, suas provas não serão aceitas".

[Joe] O nosso maior desafio no julgamento, sem dúvida,

foi garantir que as provas seriam aceitas.

[Ben] Charley Green, que era o técnico de provas da época,

não estava mais vivo.

O próprio médico legista não estava mais vivo.

Nós havíamos perdidos vários outros investigadores.

Nós temos que achar uma forma diferente

para que as provas sejam aceitas no julgamento.

Então chamamos os investigadores responsáveis

que estavam presentes na cena do crime.

[música tensa]

[Kenda] Quando eu recebi a ligação da promotoria,

eu estava gravando episódios

de "American Detective" na época,

e eu contei à minha produtora. Eu disse: "Que interessante...

Estamos falando do caso de outra pessoa,

e o meu acabou de se desdobrar.

Vou voltar ao tribunal".

[música tensa]

E quando eu testemunhei no julgamento

do Michael David Whyte

em junho de 2021,

[música tensa]

eu olhei para ele ao passar pela mesa do réu e pensei:

"Eu estava te procurando há muito tempo...

[música tensa]

e aí está você".

[música de suspense]

[Juiz bate martelo]

[música de suspense]

[Kenda] Quando eu entrei naquela sala de audiências,

por causa da minha notoriedade atual,

o silêncio foi absoluto.

[música de suspense]

Todos os olhares na seção do júri

estavam voltados para mim.

Todos os olhares da sala estavam voltados para mim.

[música tensa]

A única pessoa que não olhava pra mim era o Michael Whyte.

Ele ficou olhando pra frente.

[Ben] Eu estava nervoso pela família da vítima.

O Paul e a Betty estavam sofrendo

com perguntas sem respostas

por mais de 30 anos.

Acho que havia uma preocupação sobre o que aconteceria

quando eu visse ele pela primeira vez.

E nossos olhares se cruzaram,

e ele sabia exatamente quem nós éramos.

[produtora] Como foi ver o Michael Whyte?

[Betty balbucia]

[suspiro]

De verdade?

Nada, eu não sinto nada por ele.

Não sinto.

[produtora] Chegou a fazer contato visual com ele?

Ah, sim. Ah, com certeza.

Fiz, sim.

[produtora] O que você estava pensando?

Eu não quero dizer.

[música tensa]

[Kenda] Eu então fui ao banco das testemunhas

e expliquei que na época em que o crime ocorreu

eu era sargento e supervisor de homicídios.

[Joe] O papel principal do Joe em tudo isso

foi ajudar a fazer o júri entender

como era o trabalho dos investigadores naquela época.

O Joe testemunhou que o DNA ainda estava engatinhando

e que eles não sabiam exatamente o que era,

eles só sabiam que havia a possibilidade

dessa tecnologia futurística existir um dia

e eles queriam ser cuidadosos

caso eles pudessem usar aquela informação.

[Kenda] Nós então passamos a falar

sobre a identificação e a marcação das provas.

[música tensa]

Como e onde elas foram coletadas, e por quem.

E com qual método foram identificadas

e finalmente armazenadas.

Ele conseguiu ilustrar para o júri

o nível de cuidado pelo qual Charley Green era conhecido.

[música tensa]

O Charley Green não era conhecido por cometer erros

ou tomar atalhos.

Não foi difícil testemunhar sobre isso,

porque eu estava confiante de que fizemos o certo,

porque sempre fizemos o certo.

[música de suspense]

E depois daquele testemunho, eu fui liberado.

[música de suspense]

[Joe] E o juiz demorou um pouco.

[música de suspense]

Eu acho que o Ben e eu

perdemos alguns anos das nossas vidas

nos perguntando qual seria a decisão.

Foi muito estressante aguardar a decisão do juiz.

[música de suspense]

Enquanto ele ponderava, o silêncio era sepulcral.

[música de suspense]

[Joe] Se o juiz decidisse

que aquelas provas seriam excluídas do julgamento,

teria sido o fim.

[música de suspense]

[Ben] E quando ele aceitou o primeiro item,

eu respirei aliviado pela primeira vez.

[música de suspense]

Acho que a gente tinha bastante certeza

de que o Michael Whyte prestaria depoimento,

porque ele tinha um ar de arrogância.

E quando ele falou,

insistiu que não se lembrava da Darlene Krashoc.

Eu achei isso difícil de acreditar,

porque esse caso foi muito noticiado em 1987.

Ele testemunhou no tribunal:

"Eu não matei Darlene Krashoc".

Disse que não sabia de nada, e eu pensei: "Sério?

[música de suspense]

Estava em Fort Carson e não sabia?" Não.

O depoimento de Michael Whyte para seu advogado basicamente

foi que era possível que ele tivesse entrado em contato com ela

e que ele pudesse ter tido relações sexuais eventuais

no banheiro do bar, às vezes no carro.

A teoria deles era de que o DNA teria chegado

à Darlene por transferência.

[música de suspense]

[Joe] Mas essa prova foi adquirida através do cabide

que estava amarrado em volta da boca e do pescoço dela,

como um freio de cavalo, e das pontas de cigarro,

é claro, que foram encontradas na cena do crime.

Certamente não existe uma boa resposta do Michael Whyte

sobre as pontas de cigarro.

A defesa tentou argumentar que o DNA foi transferido.

Essa teoria cai por terra

ao se adicionar as três pontas de cigarro

encontradas próximas ao corpo dela.

[disparo de fotografia]

Porque a pessoa que aleatoriamente

decidiu estuprá-la e matá-la

sem deixar vestígios do próprio DNA

não teria três pontas de cigarro

que o Michael Whyte fumou naquela noite.

Em 1987, ninguém sabia o que era DNA,

então não havia como argumentarem

que alguém estava tentando incriminá-lo

colocando as pontas de cigarro na cena do crime,

porque essa pessoa não teria como saber

que o DNA era uma tecnologia

que a polícia poderia investigar naquela época.

[música de suspense]

Em um caso assim, obviamente,

um dos nossos maiores obstáculos

é que não sabemos exatamente como tudo isso aconteceu.

Como essa investigação foi concluída,

agora nós podemos dizer...

[música tensa]

Em 17 de março de 1987,

Dia de São Patrício,

Darlene decidiu:

"Vou sair hoje à noite pra Shuffles com dois amigos"...

[música tensa]

Nós podemos dizer com alguma certeza.

[música no bar]

[música tensa]

E então, quando o Sr. Whyte a vê, ele dança com ela.

[música no bar]

Lord é alguém com boa memória,

[música tensa]

e quando ele vê a foto de Michael Whyte,

ele o reconhece: "É o cara com o olhar hostil".

Instantaneamente.

"Eu tenho 100% de certeza: é ele".

[música tensa]

Mais tarde,

ela não está mais com os dois homens, está sozinha.

Ele a convenceu de que lhe daria uma carona,

ou pediu que ela bebesse mais um drinque, quem sabe?

Nós não sabemos.

[música tensa]

Mas ela provavelmente foi com ele voluntariamente,

e em algum momento depois disso algo deu muito errado.

[música tensa]

O Michael Whyte disse durante o interrogatório:

"Ela se parece muito com a minha ex-mulher".

[música tensa]

Foi isso que o atraiu nela?

Foi isso que o levou a ser violento com ela?

[música tensa]

Pode-se dizer isso. Não se pode provar,

mas é de se pensar.

[música tensa]

Nós não sabemos qual foi o local do crime,

mas o Sr. Whyte perdeu o controle.

[gritos]

[música tensa]

Fez coisas horríveis com o corpo dela.

[gritos]

O freio ao redor de sua boca feito com cabides retorcidos

exerce pressão o suficiente para matá-la asfixiada.

[música tensa]

Ele então desova seu corpo próximo a uma lixeira.

[música tensa]

Uma das coisas surpreendentes a respeito dessa cena do crime

são três cigarros fumados até os filtros.

[brasa queimando]

Todos os três contêm seu DNA.

[música tensa]

São necessários alguns minutos para se fumar um cigarro,

e ele fumou três.

[música tensa]

O que ele estava fazendo?

Admirando seu trabalho?

[música tensa]

Se acalmando?

Tentando aplacar seu pânico?

[música tensa]

No mesmo momento em que ele pensava nessas coisas,

que ninguém nunca vai saber,

[música tensa]

havia um pesquisador britânico

trabalhando em uma ferramenta de análise de DNA

que permitiria que as pessoas identificassem

Michael David Whyte

[música tensa]

mais de 30 anos depois.

[música sinistra]

[Paul] Ninguém esperava um veredito rápido.

[música tensa]

[Joe] Nesse caso, eles deliberaram por umas três horas.

[Paul] E a juíza trouxe o júri de volta.

"Chegaram a um veredito?"

Ela disse:

"Quanto à acusação

de homicídio qualificado premeditado..."

[suspira]

[música emotiva]

"Nós, o júri, consideramos o réu culpado".

[música emotiva]

Culpado!

E foi só o que precisamos ouvir.

Culpado.

[música emotiva]

Foi como se o peso do mundo saísse das nossas costas,

uma enxurrada de emoções.

[música emotiva]

Culpado, culpado, culpado.

[música emotiva]

Michael Whyte foi condenado à prisão perpétua

com possibilidade de condicional.

Mas, considerando sua idade,

eu não acho que ele vai conseguir

chegar à condicional.

[música emotiva]

[repórter mulher 2] Três décadas depois, foi executada uma prisão,

o júri condenou Michael Whyte por homicídio qualificado.

Os pais dela dizem que "A justiça foi feita".

[Kenda] O crime que ele cometeu foi de uma violência enorme,

de comportamento selvagem,

o pior que já vi em um crime sexual.

E agora o Sr. Whyte vai pagar por isso

e vai morrer em uma sala de concreto de 2 x 3 m,

que é o lugar dele.

[música tensa]

[produtora] O que fez você aceitar dar essa entrevista?

Um compromisso com a Darlene.

[música emotiva]

Não tenho como desfazer isso,

mas tenho que fazer o que posso.

[música emotiva]

[produtora] Se você pudesse falar com ela agora,

o que você diria?

Eu te amo, menininha.

[música emotiva]

Sempre chamei ela de "minha menininha"...

[música emotiva]

E ela sabe.

[música emotiva]

O Sr. Whyte não percebeu algo muito importante...

[música emotiva]

Ele acreditava que aquele momento da vida dele

tinha passado...

[música emotiva]

e ele tinha sobrevivido.

Tinha saído impune.

[música emotiva]

Mas sempre havia passos atrás dele...

[música emotiva]

Sempre.

[narrador] Versão Brasileira: Drei Marc.

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