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CENTRO DE HAVANA 1994 PER�ODO ESPECIAL
Legenda: .:MGross:.
Rey! Nelson! Des�am e peguem um pouco de �gua!
Continuem! Continuem com essa putaria, caralho!
- Cala a boca! - Sai daqui!
O que voc� quer?
V�o pegar �gua!
Se mexam!
Ei, deixa eles em paz.
Pare de provocar eles!
Se eles continuarem com isso todo dia sem comer, voc� vai matar eles!
Eu fa�o o que eu quiser na minha casa!
Voc� � uma puta!
Sou, mas � meu corpo.
E vivo vinte vezes melhor que voc� sua porca! Cretina!
Fredesbinda, vai se foder, sua puta!
- Vai pra casa. - Me solta!
Vai, leva teu filho pra casa e d� a mamadeira dele.
Vem aqui...
M�e, vai pra casa.
Eu vou bater em voc�!
- N�o me xingue de novo, sua puta! - Me solta!
Anda, vamos.
Magdalena, n�s n�o vimos nada.
Eu n�o quero problemas, ent�o n�o me fale nada, n�o me fale nada.
V�...
V�!
O que aconteceu aqui?
Nada.
Voc� viu alguma coisa?
N�o, n�o vi nada.
Levanta.
Leva esse a�, porra.
Leva ele.
� evidente que o garoto empurrou a senhora,
ela caiu nos fio e se queimou.
E o outro, ele empurrou daqui e ele caiu na rua.
E essa velha?
Ela morreu de infarte, n�o teve viol�ncia.
Ele est� se fazendo de bobo pra n�o ter que confessar.
Alguma testemunha?
N�o, nesse bairro ningu�m v� nada.
Anda, vai tomar banho.
Olha esse mulatinho!
Ei?
Gostaria desse animal no teu rabo?
Por que t� me olhando com essa cara macaco, hein?
O que foi?
Cinco no negro!
Vai mulato! Vai!
Permiss�o pra sentar.
Isso fica pra outro dia.
Vamos l�, o que foi que aconteceu?
Um negro queria comer meu rabo.
Fale direito. N�o tem negros, nem brancos, nem mulatos aqui.
Aqui todos s�o internos.
Tudo bem, ent�o. Troque negro por interno.
Voc� acha que � engra�ado?
Eu fiz uma pergunta. Me responda.
N�o, eu n�o sou engra�ado.
Deixa eu te falar uma coisa.
Sou eu quem decide quanto tempo voc� vai ficar aqui.
Se continuar brigando e se comportando assim
voc� vai ficar aqui at� fazer 18,
e quando fizer voc� vai direto pra cadeia.
Isso est� claro? A� os crocodilos podem te comer.
Fora.
Voc� tem que ser duro aqui a� eles n�o comem teu rabo.
Mas sem esse cara descobrir.
Ok, a partir de agora n�o solto nem um peido.
O REI DE HAVANA
...ou acendendo esse ou o outro.
Olhem, esse � o tipo de circuito que usamos nas escadas.
Voc�s acendem em cima
e quando est�o no terceiro andar, como voc�s apagam?
Temos outro interruptor aqui e voc� desliga l� de cima.
E viceversa, claro.
Em vez disso, este circuito que est� aqui
� o que chamamos de "circuito paralelo".
Por que � "paralelo"?
Porque voc� pode desligar um e os outros permanecer�o acesos.
Porra negro, como corre!
Aquele ladr�o me roubou!
Ele est� fugindo!
Pega ele sen�o ele foge!
N�o chora.
Homens n�o choram, n�o choram.
Fredesbinda, voc� se lembra de mim?
N�o, n�o lembro.
Sou eu, o Reynaldinho, que vivia aqui do lado!
Nossa crian�a, pelo amor de Deus!
Voc� t� um lixo.
Pior do que quando vivia aqui. T� fazendo o que com essa pedra?
Tirando a merda que me jogaram em cima.
Os homens t�m que ser fortes, meu filho,
ou morrem.
Na pr�xima vou ser mais forte e me mato.
N�o diga isso.
N�o se machuque que isso � muito ruim.
Vamos, vou esquentar alguma coisa pra voc� comer.
O que aconteceu com a minha fam�lia?
N�o sei, levaram eles pro necrot�rio.
E voc�, aonde esteve esse tempo todo?
Embarquei num barco, como os marinheiros.
Claro.
E como era esse barco?
Igual a todos, com uma velinha assim.
A vida te maltratou um pouquinho, n�o �?
Ou voc� maltratou a vida?
Vou colocar �gua quente pra voc� tomar banho.
Se alimente menino, por que voc� est� muito fraco e abandonado.
O que s�o essas bugingangas?
N�o s�o bugingangas, querido.
S�o mem�rias do falecido.
Esse sim era homem de verdade.
Me engravidou quatro vezes.
Me fodia, ai...
Vestido com o uniforme
e com a arma no cinto.
Ele botava o pinto e os ovos pra fora pela barriguilha!
Voc� � da Havana Velha?
N�o, sou do Centro. Por que?
� porque est� com os balc�es ca�dos.
Se voc� soubesse o que esses balc�es fizeram pela Revolu��o!
Hist�ria!
- Quer um trago de rum? - Quero.
E tua filha?
Melhor n�o falar disso.
Por que?
Ela foi embora com um preto bem preto e muito ruim.
Mora a� pelo bairro mas nunca mais veio me ver.
Foram todos embora e me deixaram sozinha.
Tira essas roupas fedorentas e tome um banho.
Olha isso, t� um trapo.
Eu tenho umas roupas limpas que voc� pode usar.
- O que fizeram com o quartinho? - Que quartinho?
Aonde n�s mor�vamos.
Uma fam�lia do leste da ilha se mudou pra l�.
N�o sei como cabem todos l�.
Se voc� quiser, passamos por l�,
pra voc� ver a casa.
Eu acho que voc� tem direito. Eu acho.
N�o, n�o t� interessado nisso.
Ai papai!
Que pau mais lindo!
Minha nossa.
Senta.
Quando foi a �ltima vez que voc� tomou um banho?
Olha como est� sujo.
Mas seu doido, voc� tem uma p�rola!
Duas.
Eu ouvi falar, mas nunca tinha visto uma.
Colocaram na China.
Com isso a� as garotas ficam em cima de mim feito moscas.
Voc� � maluco, rapazinho!
Voc� tem um pau de ouro.
Eu preciso pegar a arma pra voc�.
Uma arma? Pra que?
A� voc� pode colocar na cintura.
E me comer.
Voc� t� maluca? Eu n�o quero arma nem nada disso.
- Por que? - Porque n�o quero.
- Por que n�o? - N�o quero.
Ah, menino!
Isso, me mama!
Nossa, a p�rola est� tremendo.
P�rolas! S�o duas!
Sim, duas, meu bem. Porra.
Olha s� voc�, Fredesbinda,
de joelhos e chupando pau!
- Vem aqui, coroa. - Sim, meu bem.
Vai, mete! Mete!
Assim d�i.
Rabo maneiro.
Vai, me d� o leite!
Ai falecido, me perdoa!
Mas aqui sim, aqui tem pau!
Vai! Goza!
Menino, voc� � o Rei de Havana!
- Eu sou s� o Reynaldo. - N�o, querido, n�o.
Voc� � o Rei,
o Rei de Havana.
Senhor, aonde se conseguem esses bonecos?
Que bonecos, menino?
Esses a�.
Esse � S�o L�zaro!
S�o L�zaro � uma rua.
V� embora. N�o pode ver que estou cumprindo uma promessa?
Calma, n�o vou te fazer nada.
N�o banca o engra�adinho, vai embora!
Me empresta o boneco?
Voc� n�o empresta um santo! Vai embora!
Pegue aqui teu amendoim!
Acabaram de sair! Quentinhos!
Podem chegar!
Pegue aqui teu amendoim!
Acabaram de sair!
Pegue aqui teu amendoim!
Acabaram de sair!
Aqui.
N�o tenho dinheiro.
Me paga quando puder. Pra outros n�o, pra voc�, sim.
E por que s� pra mim?
Eu quero dar pra voc�.
S�o lindas, n�o �?
O que?
As pipas.
Ah, sim.
�s vezes t�m 10 ou 12 ao mesmo tempo.
Que idade voc� tem, nen�m?
Vinte.
Deixa de ser mentiroso. Voc� � um menino.
Sim, um menino mas com um baita pauz�o.
N�o te dei confian�a pra falar assim. Deixa de mentira.
N�o � mentira. � a verdade.
Beba.
Que tro�o ruim!
Voc� se chamava Reynaldo, n�o era?
Rey, mas agora sou o Rei de Havana.
Isso voc� vai ter que provar.
N�o tenho que provar nada. Me chamaram disso.
Eu vou pra casa.
Vem ou fica?
Vai, pega teu santo.
- E voc�? - Eu o que?
Qual a tua idade?
Sou muito velha pra voc�.
- Deve ter uns 30 e pouco... - 28.
- 28? - �, 28.
Vai garoto, entra.
O que o teu marido vai dizer?
Que marido, garoto? Eu sou livre, independente e soberana.
Com esse corpo e esse sorriso... Voc� t� sozinha mesmo?
Ei!
Mesmo que n�o acredite.
H� quanto tempo est� sozinha? Uma semana?
E isso � da tua conta?
Tua m�e me disse que voc� tava metida com um negro bem negro.
- Voc� tava tomando conta de mim? - Eu? De voc�?
N�o seria a primeira vez,
ou voc� acha que n�o me lembro de voc� tocando punheta no galinheiro?
�.
Voc� adorava me fazer gozar.
Voc� e a Havana inteira.
Por isso que tua m�e est� t�o feliz?
Ela t� gaga, inventa coisas.
Ela t� irritada porque ningu�m come ela.
O tempo passa, e o cu das mulheres � como um rel�gio.
- Sim, mas o da tua m�e ainda marca as horas. - Vai ofender a tua m�e, ouviu?
Minha m�e est� morta.
Desculpa...
�, ela morreu rindo, mandando a tua ir se foder.
Tranque a porta.
Estamos ilegais aqui.
Isso aqui pode desabar a qualquer momento.
N�o tem luz, n�o tem �gua, n�o tem g�s.
Eu vou te limpar
porque voc� t� muito carregado de coisas ruins.
Para, para. Eu n�o acredito em nada disso.
Eu n�o acredito nem em mim.
Voc� t� maluca?
Voc� t� louca!
Estou, mas da cintura pra baixo.
Doida pra meter os paus pretos em mim.
Grandes, gordos, pretos.
Como o teu, nen�m.
Eu n�o sou preto, n�o se engane.
Mas � um mulato maravilhoso. E eu gosto muito.
T� me deixando duro.
Ah, isso � �timo, nen�m.
Teus p�s fedem a rato morto.
E aqui fede a peste.
N�o faz a fina, que tua buceta fede.
Ai, que gostoso!
Vai com calma, nen�m. Goza primeiro.
Assim.
Ai, Rey.
Meu Rey.
Meu Rei Rey.
Melhor que tocar punheta no galinheiro, n�o �?
Cala a boca! Voc� t� me deixando doido!
O que voc� acha, hein?
O que voc� acha? Me diz?
Vai, sua puta!
Grita!
Se voc� � o Rei de Havana, eu sou a Rainha.
O Reino de Havana!
Voc� parece um macaco cagando.
Minha bunda e minha buceta t�o pegando fogo.
Voc� acabou comigo.
� porque voc� � velha. Eu t� inteiro.
Uma carta pra voc� sabe quem.
Como eu gostei, nen�m.
Se me comer assim de novo... Eu me apaixono por voc� pra sempre.
Ah, n�o banque a melosa.
Eu gostaria de ser tua puta e te dar dinheiro.
Se eu pudesse ia pra rua ganhar D�lares.
Voc� ia viver como um rei de verdade!
Ia te comprar at� uma daquelas cadeironas de ouro.
Pare de sonhar, Magda.
Por que?
Por que n�o. Voc� t� muito suja pra trabalhar.
Ai, Rey,
n�o sei por que, mas vou te ajudar.
Pega.
Essas voc� vende por 7 Pesos cada um.
Em D�lar s�o mais caras
e voc� n�o tem que me dar nada.
V� ver o coveiro no Cotorro, diz que eu te mandei.
� um velho que se chama Celso.
Ele vai te dar trabalho.
E n�o se perca, nen�m.
Voc� � capaz disso e de muito mais.
Eu sou filha de Oxum
e comigo voc� vai ter muito mais.
Toma.
Come alguma coisa do que voc� ganhou.
E a�, sou ou n�o sou o Rei de Havana?
Nos vemos de noite.
Espera aqui um minuto.
A cada dia menos pessoas v�o aos enterros.
J� t� tudo bem ferrado pra se derramar ainda mais l�grimas.
Deviam queim�-los? No total, quantos mortos?
E n�s ficamos sem trabalho? Que bom, n�?
Isso � verdade.
Ou�a. 29 anos aqui todos os dias,
de segunda a domingo.
- Nem um dia de folga. - Porra! Nem um?
Nenhum.
Bem, voc� vai gostar dos mortos. Se sentir� bem aqui.
Eu s� fui feliz no dia em que me casei e � isso.
Eu nunca tive outro dia feliz na minha vida.
Esta � da reserva especial da minha adega particular.
Tua o que?
Garoto, voc� � ignorante, um inculto. Contigo n�o se pode conversar.
Vai.
Amanh� aqui �s 8:00.
Mas falta selar a... com cimento.
Eu fa�o isso.
Vai l�.
A conta.
Obrigado.
Te convido prum trago.
N�o, isso n�o � comprado.
Garoto, nunca diga isso de novo.
Nunca.
Um homem de verdade nunca diz isso.
Ai, assim � muito bom!
Ah caramba, voc� sabe fazer!
Magdalena!
Abre!
Puta que pariu, seu viado!
O que �?
O que � isso?
Voc� � uma puta!
Fica a�, Robertico.
N�o tenha medo. Ele n�o consegue nem mijar no penico.
Quem voc� pensa que �? Meu marido o que?
Sou teu marido! Voc� tem que me respeitar.
N�o, voc� � um morto de fome que n�o tem onde cair morto.
- E voc�? � milion�ria ou o que? - Escuta.
Voc� n�o sabe que esse velho me paga 20 ou 30 pesos pra me meter um palito
que nem sobe direito?
Ah n�o? E voc� gemendo que nem uma louca?
Teatro, filhinho, teatro.
Tem que fazer muito teatro com esses velhos.
Al�m disso, eu n�o ligo se fica duro, se metem ou deixam de fora.
J� me meteram 500 paus desde que eu tenho 8 anos
e vou meter mais 500 antes de morrer!
Ent�o n�o banque o mach�o comigo porque n�o sou tua m�e!
- Voc� � uma tremenda duma puta... - Escuta,
cai na real.
Cada vez que posso ganhar dinheiro com um velho, eu ganho.
Eu abro as pernas e eles metem a l�ngua se tiverem vontade.
Ent�o me espera a� fora ou desaparece.
Ai meu amor, desculpa. Voc� se assustou?
Que porra � essa? Me apalpando, seu viado?
Foi s� um carinho.
Carinho o caralho!
N�o me bate. Para!
Porra, voc� me machucou.
Quem mandou pegar no meu pau?
N�o precisava disso.
N�o pude resistir a tenta��o.
Eu sou homem. N�o fode!
Aqui somos todos homens, infelizmente.
Infelizmente o cacete! Eu gosto de ser homem!
Me d� aqui.
Aqui quem n�o est� fora do arm�rio, t� com a porta aberta.
O que voc� t� fazendo aqui abandonado?
Esperando a Magda.
Essa puta te deixou na merda, �?
Vem, entra.
Pra que?
Voc� me pegou de jeito.
Fecha a porta!
Porra!
De onde saiu a luz e tudo isso?
Voc� acabou de me conhecer e j� est� me investigando.
Como marido voc� deve ser terr�vel.
Ei, ei, o que est� te incomodando?
"Ei, ei", n�o.
N�o gosto de vulgaridade, e nem de que me tratem mal.
Eu sou assim, uma princesa,
como a Lady Di.
Por isso todos os meu amigos me chamam de Yunisleidi.
Quer comer alguma coisa?
Sim.
Por que n�o toma um banho?
Tomar banho?
Garoto, sim, voc� pode ser pobre mas n�o indigente.
N�o pode andar pela vida com essa sujeira. Seja uma pessoa.
Eu n�o sei nadar ou dan�ar, n�o gosto de m�sica ou de �gua.
Vai pro inferno.
Nem pense em sentar a�.
Voc� deve estar cheio de piolhos e chatos
como essa negra da� do lado e o velho nojento.
Que porra de piolho?
J� te disse que n�o gosto de vulgaridades, garoto.
D� pra parar com essa viadagem?
Voc� � um grosso.
Aposto que � daqueles que enfia o pau direto.
N�s machos somos assim. N�o falamos essas merdas que nem voc�s.
Bom, se quer ficar calado, tudo bem,
mas vai dormir no ch�o.
Viu, n�o me falta nada.
Pra mim sobra.
S�o pequenos, mas originais. Nada de silicone.
Consegui eles com Medrone.
P�luas anticoncepcionais e reguladores de menstrua��o.
A base de horm�nios femininos.
Do que voc� t� falando? Que isso?
Nada, nada.
Qual o teu nome, menino?
Rey!
Rey!
Est� fascinado, n�o �, meu Rey?
Se voc� est� fascinado por mim?
Fascinado?
Olhe nos meus olhos
E sentir�s
O amor que nasce em mim
Toca minhas m�os
Sinta minha luz
E voc� vai descobrir
Meu amor
Meu princ�pe, diz que gosta dos meus olhos.
N�o s�o bonitos?
Vai, deixa de ser pegajoso.
Pegajosa.
Pegajosa.
N�o devia ter feito isso.
Fazer o que?
Dormir no ch�o.
Eu t� acostumado.
Toma um caf�.
Eu limpo.
Isso � perfeito.
Ter um homem em casa.
Vem, vem pra luz.
- Pra que? - Pra catar piolho.
- J� te disse que n�o tenho. - Isso vamos ver agora.
Senta a�.
Tem um galo aqui, algu�m te acertou em cheio.
Vamos correr o risco?
O que voc� faz, Reynaldinho?
Nada.
A Magda te sustenta?
N�o. Eu tenho um emprego no cemit�rio.
Mas ela te d� dinheiro, se n�o voc� morria de fome.
Ah sim, claro.
Bem, ningu�m me d� nada. Eu dou muito duro.
E quando tenho um homem eu trato ele feito um pr�ncipe.
N�o sou como tua negra nojenta.
Ei, sai fora!
Para de falar da Magda, deixa ela em paz.
Voc� ainda defende ela? Ela te sacaneou.
Que estranho, voc� n�o tem piolhos. Vamos procurar chatos.
- Me deixa. - N�o, n�o vou.
Voc� n�o v� que sou muito limpa? Que me cuido?
Por favor, vai.
Fica a�, aonde tem mais luz.
Esse short t� um lixo. Vou lavar depois.
Vamos...
Garoto, o que est� acontecendo?
Que medo!
- Desculpa, n�o posso continuar. - Vai em frente.
N�o bota a m�o na minha bunda que eu sou homem!
T� bem, t� bem.
Voc� gosta?
T� quase l�.
Vai, me d�, me d�.
Isso!
Goza! Goza!
Vai, goza bem aqui.
Vai.
Me d� tudo isso.
Que gostoso!
Magda!
Magda, vai pegar o teu!
O que foi? Ei!
Vem aqui.
� garoto, voc� solta o leite e vai?
Deixa a�, n�o se limpe.
Voc� tem a marca do Rei de Havana.
J� vai esquentando os motores.
Ai, os homens! Os homens parecem animais.
Por isso gosto tanto deles.
Me deixa sair, anda.
De dia sou toda tua.
Mas s� de dia.
De noite sou uma mariposa, uma mensageira do amor.
Abre o cadeado.
Larga ela. Ela n�o te ama.
N�o penso em trocar a Magda por uma "princesa" com duas bolas.
E quem te disse que eu quero um marido?
Teus olhos.
N�o se perca, bob�o.
Garoto, vem aqui!
At� que enfim apareceu.
Tava por a�.
T� com fome.
Esquece a fome, que n�o tem o que comer.
Nem, comida, nem caf�, nem cigarro. S� rum.
Voc� � um desastre.
Voc� � um desastre maior, Rey.
Se n�o corro atr�s disso, n�s morremos de fome.
De onde vem isso? Dos velhos?
Que seja, nen�m.
N�o come�a com essa merda.
Vai procurar o que comer.
Vai voc�. E n�o demore.
Mas voc� � um babaca!
Rei de Havana, n�o. O Babac�o de Havana!
Ei!
O que?
Voc� me ama, querida?
Sim, querido.
Eu ca� sozinho na teia tecida entre Magda e Yunisleidi.
Magda desaparecia.
Eu desaparecia.
N�o t�nhamos dinheiro, e portanto n�o t�nhamos nem sapatos.
ou um r�dio, ou uma navalha pra fazer a barba, ou qualquer coisa.
�ramos pobres em um pa�s pobre.
S� pod�amos transar. E comer de vez em quando.
O pobre em um pa�s pobre
s� pode esperar o tempo passar
e sua hora chegar.
E entre o nascer e o morrer,
o melhor � n�o se meter em problemas.
Mas �s vezes eles caem do c�u.
De gra�a.
� assim, rapaz.
Eu vendi tudo, pouco a pouco, para o rum e os cigarros.
At� minha casa eu perdi.
E terminei aqui com os mortos.
Todo mundo me deixou.
Minhas filhas.
Meus netos. Minha mulher.
Todos se foram.
- Pra onde? - Pra fora, filho.
Pra fora. Pra onde todo mundo vai.
E por que voc� n�o foi?
Porque eu nasci em Cuba e este negro vai morrer em Cuba.
Voc� tem que esquecer teus problemas.
Sim, mas n�o posso esquecer deles.
Nunca me mandaram uma carta.
Nem um telefonema.
Nada. O que eu fiz de errado?
Bebe rum?
Eu gosto de rum.
O que posso fazer?
Enfim...
Do p� viemos e ao p� voltaremos.
N�o.
Da merda viemos e na merda continuaremos.
Escuta, voc� � uma boa pessoa.
� meu amigo.
Qual � desse abra�o?
Por que est� me abra�ando?
Continue trabalhando duro
e vou pagar mais pra voc� e pra esse in�til desgra�ado.
Anda, vai
Vamos.
Esse velho me d� arrepios.
- Ele � um pobre coitado. - Um pobre coitado?
Vamos pular a cerca e procurar ele.
Para que? Aquele velho amargurado j� deve estar dormindo.
Vamos e voc� vai ver.
- Eu... Acredito... Acredito... - No que voc� acredita?
Que ele tem alguma coisa e n�o est� compartilhando.
Ele tem algum esqueminha rolando.
Que esqueminha ele vai ter num cemit�rio? Vender corpos?
Eu sei o que estou falando. Toda tarde � a mesma coisa.
Ele n�o quer que ajudemos a selar as sepulturas.
Viu?
Ei, seu velho safado!
Voc� t� me tirando dos neg�cios?
Cai fora, ou vou bater em voc�.
Ou me inclui no teu negocinho ou vou chamar a pol�cia.
Tudo bem.
Tudo bem.
Pega a metade do que tem nesse saco e � isso.
Rey, est�o vendendo galinhas na feira!
O que foi?
N�o, n�o. Se mexe! Vai! Vamos!
...e pam! Deu uma pazada na cabe�a dele e ele ficou l�, morto.
Aquele velho � um cara dur�o mesmo.
Eu n�o t� afim de continuar trabalhando no cemit�rio.
Por que? Era t�o ruim?
- Aquele filho da puta n�o divide nada. - Verdade.
Sem falar que estou cansado de ver mortos.
Eu te disse, voc� carrega muita coisa ruim...
Bate na madeira! N�o me faz lembrar dessas coisas.
Bom, e voc� vai viver de que? De ar?
Voc�.
Vamos encontrar um emprego. Eu vou cuidar de voc�.
Voc� sempre diz isso e n�o cuida porra nenhuma.
Voc� t� sempre sumida.
Voc� n�o cuida de mim. E tamb�m desaparece.
Olha garoto,
Quando puder nos vemos e gozamos, mas de boa
- sem briga nem nada. - N�o.
Eu quero que voc� seja minha mulher. E te botar com barriga.
Para com essa besteirada.
Eu que n�o dou a luz um morto de fome por nada no mundo.
Se sem querer ofender, t�m milh�es como voc�. Milh�es.
Voc� n�o t� com essa bola toda.
Vai, compra cerveja.
Eu vou na das galinhas.
Me d� a boneca! Me d� a boneca!
Olha isso.
Me d� a boneca, seu filho da puta desgra�ado!
- Nessa idade. - S�o malucos.
Me d� a boneca!
Me d� a boneca!
Este mundo est� perdido, cavalheiro. Perdido, perdido.
Esse cara t� maluco!
Loucos somos n�s que n�o temos for�a nem pra pegar um �nibus.
E comendo merda aqui ao inv�s disso ir pro inferno.
Cala a boca, moleque.
- Mo�a, quanto custam as asinhas? - 10 Pesos.
Merda, eles ficam milion�rios e o governo n�o faz nada.
Tudo isso n�o serve pra nada, minha filha, n�o sabe disso?
� que � tudo contra o povo, tudo est� contra o povo.
Mo�a, aonde voc� vai?
Senhora, eu estava aqui, s� sa� um pouco.
- N�o, voc� n�o estava a�. - Sim, eu estava.
Eu estou muito pra brigar. T� na mesma fila de vacas que voc�.
Olha, eu n�o vim pra brigar e vaca � voc�!
Ei, voc� que � a vaca! Sai da�, porra!
Peguem ela!
Voc� � doida.
Me d� isso.
Pro santo.
Voc� me ama?
N�o consegue ver isso?
N�o.
Magda?
Voc� apareceu.
Pensei que tinha mordido a ma�� da bruxa da Branca de Neve.
Quem � Branca de Neve? Eu nunca te entendo.
Porque voc� � um grosso.
O que voc� tem?
- Perdi o emprego no cemit�rio. - Melhor.
Um dia ou outro ia acontecer.
Voc� � de Havana?
Sou.
Mas... de Havana? De Havana mesmo?
Leg�timo.
E voc� tem uma identidade com endere�o em Havana?
Cara, voc� � da pol�cia ou o que?
Meu bem,
se voc� for palestino n�o posso te ajudar. Tem ou n�o?
N�o aqui.
Nem aqui nem em lugar nenhum.
Lava a cara, anda.
Jos� Linares Correa. 19 anos.
nascido em Sibaric� e domiciliado em Havana.
E domiciliado em Havana. Obrigado.
Pronto, fofo. Vamos.
Esse � o Raulito, � um magnata. Tem uma porrada de gente trabalhando
pra ele nesse neg�cios de bicit�xi,
al�m dos apartamentos que ele aluga,
mas tudo dischavado, por debaixo dos panos.
Olha s�.
Raulito!
Esse � o garoto.
Prazer em te conhecer.
Ele pode come�ar hoje, n�o pode?
N�o, espera.
Vem c�, vem c�.
Quem � esse cara, porra?
Meu marido. Eu respondo por ele.
Voc� quer um adiantamento?
Claro que quero um adiantamento
Voc� vai me dar 1.000 Pesos agora,
e depois vai me dar 100 todo dia.
Se voc� gostar, tudo bem, se n�o, tamb�m.
N�o.
Primeiro te adianto 500 e depois 80 todo dia.
N�o tente me sacanear.
Voc� sabe que n�o � assim.
Sim, � sim, Raulito.
Voc� n�o vai me enrolar
porque j� falei com todos os bicitaxicistas
que trabalham contigo e tamb�m com os do Raulito da Mari. Com todos.
E s�o 500 e 80.
T� bem, bicha.
Tudo bem.
Fechado.
Bem, voc� j� sabe: voc� trabalha do teu jeito
e paga a ele 80 Pesos todo dia.
E os 500 do adiantamento voc� me paga aos pouquinhos.
Oi fofa!
Para ali.
E voc� n�o fica olhando pra bunda da minha amiga.
Escuta s�, n�o combinamos que �s 8 voc� estava pronta, sua puta?
Yamil�, para de frescura.
Olha, te apresento o Rey, meu marido.
Essa coisinha a�?
Deixa ele e senta, vai.
Querida, voc� t� andando pra tr�s, feito os caranguejos.
Meu Deus!
� garoto, se apressa, ou as putas v�o deixar a gente de fora.
Sim, por que tem que estar por cima da carne seca.
Por cima da carne seca por cima da carne seca
Por cima da carne seca por cima da carne seca
E agora eu sou o Rey, se gosta tudo bem, se n�o, tamb�m.
Yuni, qual � a treta desse garoto contigo?
Qual o lance entre voc� e esse morto de fome?
Ah, me deixa, eu sou assim.
E o italiano? Voc� n�o ia pra Europa?
Mona, Rey � pra marido,
o italiano pra tirar os D�lares.
Ai, coitada de voc�.
Te vejo gr�vida e trancada em casa limpando merda.
E esse gorila por cima te esmagando.
Que lindo!
Eu de dona de casa com algu�m pra cuidar de mim.
Ai irm�, se Deus fosse bom comigo e me deixasse parir...
Deus d� rapadura a quem n�o tem dentes.
Olha, eu tenho um patu� amarrado aqui embaixo desde os 13 anos
e me engravidaram 3 vezes.
E acredite, o aborto � pior que dar a luz.
Isso t� forte. Voc� n�o perde tempo.
N�o, esse � pra usar de dia.
O que usamos de noite � mais forte.
Senhoras e Senhores,
diretamente do Caribe pra voc�s...
As Garotas Apimentadas!
Pimenta pura e mo�da!
Pimenta quente!
As Garotas Apimentadas!
Ai Yuni, olha o que esse selvagem t� fazendo!
Voc� nunca fez a tr�s, n�o?
Deixa de putaria com o meu marido, que isso � pra relaxar.
Deixa eu te ver toda.
N�o! Acabou, voc� � um porco.
Mas com tremendo pauz�o.
Ah, mas voc� sabe que n�o gosto assim.
Me d� inflam��o p�lvica.
Me d� tua bunda que j� t� pronto.
Se voc� tomar banho, te dou meu rabo.
Se n�o, nem chega perto.
Voc� pode n�o acreditar, querida,
mas esse pau � meu!
Gaurde isso, t� bem?
Vai. Desce e me espera no bicit�xi
porque voc� vai ficar doente.
A tua preta!
Cad� ele?
Volta pro quarto antes que eu te quebre a cara,
seu filho da puta! Eu t� cheia disso!
Voc� quase me quebrou o nariz!
E voc�, seu viado,
n�o olha pro meu marido de novo que sen�o eu te mato!
Que porra voc� cozinhou pra ele?
Ei, essa comida tem macumba, e vai te foder todo!
Deixa de besteira, velha, que ningu�m te quer.
Se manda pro quarto, Magda, que eu daqui a pouco eu vou.
Daqui a pouco n�o, agora mesmo!
Se pelo menos fizesse programa e ganhasse uns D�lares,
mas n�o, um viado barato como essa vagabunda!
Voc� est� com inveja querida, porque eu sou uma vedete.
Inveja de voc�, seu viado?
Vai lavar tuas patas, anda, e sai da minha casa!
- Seu viado! - N�o, minha peruca n�o!
Porra, a peruca!
Porra, sua...
Yuni, bate nela!
� isso a�.
N�o se mete com meu marido ou eu vou te matar!
Me solta!
J� chega!
Sua escrota, eu te mato!
Yamile, me ajuda!
Piranha!
Eu vou te matar!
- Filha da puta! - Eu vou te matar!
- Viado! - Anda
Me solta!
Volte aqui, sua puta de merda, que eu vou te matar!
Vou arrancar tua cara e teu rabo se chegar perto do meu marido de novo!
Voc� pode apostar!
N�o se meta mais com aquele viado,
porque vou rasgar a cara dos dois, mesmo que eu morra!
Eu fa�o o que me der na telha. Voc� n�o � minha dona
e n�o vai rasgar a cara de ningu�m!
Respeita! Porra, eu sou tua mulher!
Voc� n�o vai me chifrar no quarto do lado!
N�o vai fazer porque n�o vai!
Voc� passa os dias na putaria,
n�o me venha com essa trag�dia de numerozinho de dona de casa!
Rey, estou te implorando, n�o termine comigo
porque sou uma grossa mas eu te amo de verdade!
Voc� n�o vai me comover com l�grimas de crocodilo.
Vou sair, tenho que trabalhar.
Tomasa veio ajudar...
Tomasa veio te falar.
Voc� nasceu com uma grande corrente pesada,
que veio do passado.
N�o � coisa boa.
� uma corrente pesada para toda a vida
e te prendeu.
Aquela tua negra n�o te ama.
Voc� sim,
mas ela n�o.
Desde que nasceu, ela arrasta sangue e morte
e vai te arrastar!
E essa putinha a� do lado que se cuide!
V�o fazer uma maldade com ela!
E tem justi�a e bares
e pris�o no meio tamb�m!
E pra essa andorinha cega,
vai chegar a escurid�o.
Yemanj� e Oxum
lavam suas m�os!
Magda.
Magda?
- Rey, o que me aconteceu? - N�o sei.
Quando voc� me ver assim, � a velha Tomasa.
Mas n�o posso receber a morta quando ela quer porque acaba comigo.
Essa velha s� vem pra foder e trazer m�s not�cias.
Nunca resolve nada,
nunca me d� o n�mero da loteria.
S� vem foder e mais nada.
Est� me ouvindo, Tomasa?
Hein? Acha que pode beber �s minhas custas?
Sabe o que voc� fumou? Um Lancero Especial.
Isso � de marca. Custa dinheiro, filhinha!
Pegue teu rumo, Tomasa.
Voc� est� brincando com Magda, a cubana, e isso � brincar com fogo.
Olha o que aquela bruxa me fez.
Me deixou quebrada.
At� meus ov�rios doem.
Ah, fofa, no meio do maridinho novo, a peruca que estragou,
a maquiagem e a vizinha piranha, voc� t� meio tr�gica ultimamente.
Pelo menos n�o me quebrou nenhum dente.
N�o sei como voc� aguenta aquilo.
Aquilo n�o � uma mulher, � um boxeador.
Voc�s queriam que eu trouxesse voc�s, n�o �? Pois bem.
N�o quero mais problemas com a Magda.
- Te espero l� dentro, Yuni. - T�. Sonda o territ�rio.
Me espera aqui, Rey.
Espera a�.
Quem � esse?
Meu princ�pe italiano. Ele � louco por mim.
Ele disse que vai me levar pro castelo dele na Europa.
Sei...
Est� com ci�mes, meu maridinho?
Ah, sai dessa.
Oh, garoto, cada dia eu gosto mais de voc�.
- Vou te propor um neg�cio. - N�o, n�o quero mais neg�cios.
Voc� tem que lutar pela grana.
N�o pode viver as custas das mulheres.
Ei, n�o. Eu n�o sou nenhum aproveitador.
Claro que n�o.
Espera aqui.
Se eu n�o voltar em meia hora, vai embora.
Tem trabalho pra mim aqui?
Pra voc�?
Duvido. Aqui precisa de muitos requisitos.
- Aqui � �rea do D�lar. - O que � isso?
- Voc� n�o � desse pa�s? - Acho que sim.
Ah, voc� acha? Por que voc� acha?
O que s�o esses requisitos?
Olha, aqui voc� tem que ter um diploma universit�rio, militante,
menos de 30 e falar outra l�ngua.
Porra! E voc� tem tudo isso?
Claro. Sou engenheiro civil
com 7 anos de experi�ncia. E falo ingl�s e franc�s.
Tudo isso pra cuidar de uma porta? Isso eu posso fazer.
Voc� n�o tem chance aqui.
N�o tem deixam colocar nem um p�. Vai.
- Boa noite. - Boa noite.
Vamos entrar, por favor.
- Aonde voc� tava, garoto? - Por a�.
Olha, preciso que voc� v� ao Veinte Planta do Parque Tr�o,
ao "Ca��n Musical". Pergunte pela Daysi.
O que te derem, voc� traz r�pido. 10 s�o teus.
Porra, 10?
Voc� vai me causar problemas com isso?
N�o, garoto.
Bonit�o.
Voc� � a Daysi?
Quem quer saber?
Yunisleidi me mandou.
Ei, Elenita.
Qui�?
Leva ele at� tua m�e.
M�e, Yunis t� te procurando.
- Essas galinhas s�o tuas? - Sim.
Vamos.
- O que voc� vai fazer com essa galinha? - Ela me deu.
N�o viu que ela � abobada?
Me d� isso.
- O que � isso? - Bicarbonato.
Vai garoto, para de agir feito bobo e se manda.
Espera a� velha, n�o me empurra.
Se v� pela tua cara que voc� vive �s custas de mulheres
mas daqui voc� n�o leva uma galinha!
- Posso te ajudar? - N�o, obrigado.
Eu tenho um carrinho l� fora. � mais barato.
Os meninos tamb�m podem ir.
Eu vou pra Cuba com Amistad.
� pertinho. S�o s� 5 Pesos, mais nada.
5 Pesos? Est� bem, est� bem.
N�o precisa se cansar.
Espere com os meninos, eu levo as caixas de duas em duas.
Meu amigo t� l� fora cuidando do carrinho.
Obrigada! N�o sei o que ia fazer com esses meninos.
Voc�s podem ir no carrinho tamb�m, e passear por Havana.
- Mam�e! - Minhas caixas!
Minhas caixas! Minhas caixas! Minhas caixas!
Ladr�o! Essas caixas s�o minhas!
Depressa, Dona Felicia!
Sempre nesse passo de tartaruga!
Merda, Rey, eu tava dormindo.
Pra que eu quero essa besteira?
Voc� j� reparou em mim?
Traz isso, garoto.
Aonde voc� arrumou isso?
Pra que quer saber.
Porra!
Isso aqui d� pra dois meses.
Se voc� cozinhar. Por que se for esperar por mim..
Ei, mulher...
- O que voc� tem? - Me deixa dormir, porra.
Voc� t� sempre com esse pau duro e eu morta de cansa�o.
- �, de trepar com aqueles velhor porcos. - Sai pra l�.
N�o, n�o. Olha como eu t� excitado.
O que voc� quer? Que eu toque uma punheta?
Toca uma uma, enfia o dedo no rabo, faz o que te der na telha.
Pra mim voc� t� em alguma parada estranha e n�o quer que eu saiba.
- Em que parada estaria? - Sei l�.
Mas voc� sempre desaparece.
E n�o � s� por causa dos velhos.
Magda, eu te amo. Quero cuidar de voc�.
Sabe qual o problema?
Acho que voc� me engravidou.
Eu?
Sim, voc�.
O �nico marido que tenho � voc�
E tuas leitadas me chegam na garganta, ent�o n�o invente.
E aqueles velhos?
N�o. Aqueles n�o engravidam ningu�m, nem tem leite. � teu.
Ent�o n�o d� pra tr�s.
E me ajude, que essa barriga eu n�o penso em carregar.
Por que n�o?
Ter nen�m aqui?
Pra morrer de fome e n�o ter trabalho pros dois?
N�o, n�o, n�o. Pra mim eu tenho.
Magda, estou cansado de trope�ar.
Queria ter uma fam�lia contigo.
Se tivesse dinheiro e uma casa me casava de papel passado.
Mas que tipo de fam�lia n�s ter�amos?
A nossa, mulher. A nossa.
FELIZ 1997
Que lindo.
Viu?
Entre pelo canto. Eu limpei o ch�o com querosene.
Consegui um pouco de arroz e feij�o.
N�o tenho um castelo italiano mas n�o sou um aproveitador.
Isso voc� d� pra tua bruxa. Voc� n�o tem que trazer nada pra c�.
O que � isso?
Pra mim?
Que lindo! Coloca.
Vai me matar.
Agora vou fazer um cozido delicioso s� pra mim e pra voc�.
Voc� que vive bem, Yuni. Voc� que sabe como viver.
- O que voc� tem? - Eu? Nada.
Nada?
Quando voc� vai com a farinha, eu j� venho com p�o.
Pra mim voc� � um livro aberto
e aquela negra n�o te faz feliz.
- Eu, por outro lado... - N�o fale mais dela!
Por que voc� a odeia tanto?
Por isso. Se pudesse, eu cortava.
O que eu mais quero nessa vida � ter um marido e parir um monte de crian�as.
E aquela piranha, que pode, desperdi�a isso e te desperdi�a.
Uma mulher � uma mulher, seja como for.
Eu posso trepar com a Magda 24 horas por dia.
Olha, garoto,
eu posso ser a bicha que voc� quiser,
mas em mim voc� pode confiar 20 vezes mais que naquela puta.
Essa, por 20 Pesos, toca uma no policial de esquina
ou te dedura e te despeja.
Pega isso.
Essa noite me leve 5 doses ao cabar�.
Quer alguma coisa?
Diga pra Yunisleidi que o Reynaldo est� aqui fora.
Beleza, mas espera a�.
- Aqui, pega de volta. - Por que?
O italiano queria que eu jogasse fora.
Vai garoto, anda logo que estou me mijando.
Pol�cia! Parados a�!
Boa noite.
Corre, Rey, corre!
- Eu me rendo, eu me rendo. - Mas que merda!
O que aconteceu?
E essa merda?
Quem � ele?
Cheo, meu irm�o. N�o se lembra dele?
E voc�, Cheo? N�o se lembra dele?
Esse � o Reynaldinho, aquele do acidente no terra�o.
A pol�cia levou ele? Se lembra dele?
Sim, claro.
Me d� uma cerveja.
- Vamos andando, que a festa acabou. - Ei, qual � da pressa?
Me roubaram a bicicleta.
Porra, teu neg�cio acabou bem r�pido.
Do que voc� t� rindo, mulher? Parece que gostou.
- N�o, mas tenho um neg�cio melhor. - N�o, n�o.
Cada dia � pior que o anterior e estou cansado de dar voltas.
Isso � muito dinheiro...
Olha, � pra entrangeiros.
Dois velhos e duas velhas que querem ver um show.
Eles pagam bem.
Quanto?
50 d�lares pra cada.
Me espera aqui.
Qual o problema desse cara?
- Se ele n�o � bom, descarta. - N�o, ele � perfeito pra isso.
Ele tem um pau enorme com duas p�rolas na ponta.
Ok. N�o se fala mais nisso.
Ei, me passa a sacola.
Coloca isso. Vou arrumar alguma coisa pra ele.
E limpa ele, t�.
Ei!
E n�o me enrola, que tu � um tremendo trambiqueiro.
N�o, "fair play" o tempo todo.
Vamos, Cheo!
N�o tem nenhuma velha aqui. Isso � um ninho de viados.
E da�?
J� falei com eles.
Nada de me tocar nos mexicanos.
Eles t�m medo de doen�as.
O branco � estrangeiro. � tudo o que sei. Vamos l�.
Magda, voc� provoca o Rey.
Rey, voc� solta esse animal que tem a�
e voc�s dois se excitam.
A� eu boto o meu pra fora tamb�m e o resto voc�s j� sabem?
"J� sabem" o que? Eu n�o vou transar com voc�.
Ent�o eu meto na Magda.
Mas ela � tua irm�!
Esquece isso.
Vou entrar, abaixar a luz,
boto um foguinho, meia luz,
boto um pouquinho de m�sica,
e voc�s dois se comem.
Se comem vivos!
Me d� essa sacola.
Est� tudo bem?
Curtam. Aproveitem.
Fica mais perto.
Ri.
- O que eu fa�o? - Late!
Bravo! Bravo!
Excelente! Bravo!
Muito bom.
Eu pago. N�o tem problema.
Magda? T� feito.
O magrelo nos d� mais 50 D�lares, se voc� for pro quarto com ele.
Beleza.
Eu vou embora.
Tem muita intriga aqui. N�o gosto disso.
N�o vai dar pra tr�s agora, s�o mais 50 D�lares.
Manda ver.
Enquanto isso, vou fazer a bicha l� de baixo.
- Aquele? - Sim.
N�o sei como voc� consegue. Tremendo est�mago...
Fica na tua, que voc� trepa com qualquer um.
Cama. A�... Voc�s dois.
Magda. Deixa ele doido. Eu cuido do outro.
N�o se preocupa que isso eu devoro em 15 minutos.
- Me chama pra pegar a grana, t�? - T�, Cheo. T�.
- Voc� n�o gosta disso, n�? - N�o.
Minha irm� sempre foi mais quente que um ferro.
N�o se preocupa.
Ei, o que aconteceu?
Eu j� vou contigo.
Ei, espera um minuto.
N�o, vem aqui, meu amor.
Olha, vamos conversar. N�s estamos aqui pra trabalhar.
Estamos na luta, atr�s de dinheiro, e temos que ser capazes de fazer tudo.
N�o fique com raiva,
voc� e eu vamos fazer as coisas direito. Espera a gente aqui.
Vai, cara.
Pra que voc� quer isso?
Esse quadrinho pode valer um monte de D�lares.
Vou repass�-lo pra um estrangeiro.
E quanto vai te dar?
Ele me disse que 200. Mas vou ver se ele solta 300.
Por esse quadrinho mixuruca?
N�o �? Tenho cabe�a pra neg�cios.
Pra mim n�o seria ruim.
S�rio, voc� saiu porque quis. Sai com as estrangeiras,
elas s�o doidas pelos mulatos que o que voc� tem entre as pernas
� ouro.
- Voc� � viado? O que voc� tem? - Eu t� tentando te ajudar.
Assim de gra�a? Quem t� tentando enganar?
Escuta, eu vou te explicar.
Eu t� arrumado com uma da Noruega.
Em fevereiro ela vem casar comigo, e depois vou pro pa�s dela.
E aonde � isso?
Na casa do caralho. Um baita frio, outra l�ngua,
mas pra c� n�o volto nem pra pegar impulso.
Boa sorte.
Escuta, t� tentando ajudar.
Ela vem com as amigas. Eu te apresento,
dividimos o esquema dos d�lares,
voc� se arruma com uma e pode ir tamb�m.
Como vou fazer isso? Nunca sa� de Havana!
E estou acostumado a lutar.
Eu vivo aqui.
Aqui voc� vai ser sempre um Z� Ningu�m.
Magda t� demorando demais. Era s� uma rapidinha.
Vamos.
O que foi?
Nada. � que ele n�o consegue.
Ah, n�o consegue? Vou deixar ele s�brio.
Ei, voc� me deve 50 D�lares. Me paga e se veste.
D�lares. 50. Isso aqui n�o � a Cruz Vermelha.
N�o. Sem sexo.
Caralho. N�o me fa�a ser est�pido.
Nada sexo, n�o dinheiro.
Me d� os 50 agora ou te arrebento a cabe�a.
Ele me enganou.
O que voc� fez?
Voc� matou ele!
Voc� acha?
Como assim, se acho? Voc� matou ele!
Nenhum idiota tira sarro de mim.
Ai! O que aconteceu?
Ai, caralho! Corre daqui!
Corre, Rey!
Corre, que a pol�cia vai vir!
Vai, vai.
Eu esqueci o quadro.
Nem pense em voltar nessa casa, hein?
Vai pro campo colher caf� at� que a coisa esfrie.
E voc�?
N�o, Reynaldo e eu ficamos.
Se cuida, menina.
Voc� tamb�m.
E n�o fa�a mais besteiras.
E se livra desse morto de fome.
Quem nasce pra centavo, nunca chega a milh�o.
N�o podemos voltar para casa.
Se nos pegarem vamos direto pra cadeia.
Vamos pro porto. Eu conhe�o um lugar.
N�o, vamos pra Varadero ganhar o p�o com os turistas.
- Motorista, quanto pra Varadero? - Varadero?
N�o, pra praia eu n�o vou. Pra l� s� v�o os motoristas estatais.
Sim, mas esses cobram muito caro.
Um assalto, sim.
Mas tamb�m n�o acho que voc�s dois v�o passar.
- Por que? - Porque s�o cubanos, garoto.
Al�m disso, eu tenho que deix�-los na praia.
Na praia, voc�s t�m que passar e eles n�o deixar�o entrar.
N�o que pare�am malandros, nem nada, mas sabe como s�o as coisas...
Porra de pa�s!
Voc� nunca me escuta.
Fiquei vivendo um tempo nos conteineires do porto e � tranquilo.
Ali ningu�m nos ver�. Al�m disso, � s� por um tempinho. Nada mais.
- E de que vamos viver? - Disso.
Aonde voc� arrumou isso?
Roubei do teu irm�o. Iam dar 300 pratas pra ele por isso.
- Por essa merda? - �!
Vamos ver. Aqui diz...
Picass... N�o.
O que diz aqui?
Eu n�o sei ler.
Ai, Rey. Todo mundo sabe ler.
Os meus professores n�o me ensinaram.
Porque voc� � muito burro. Grosso at� dizer chega.
Ai, porra!
Vai. Anda, anda. N�o olhe pro lado.
Cidad�os, parem, por favor.
Boa tarde.
Suas identidades.
Alguma coisa errada?
- Permita que olhemos sua bolsa. - A bolsa? Por que?
Me deixe ver o que tem na bolsa.
O que � isso?
Isso? Um enfeitezinho pra casa.
- Mas t�o feio? - Ai, policial, eu n�o acho feio.
Sua identidade, jovem.
Anda, vamos.
Quase me cago e me mijo com aqueles policiais.
Voc� sem identidade e eu com isso.
N�o sei pra que o Cheo roubou essa merda.
- Mulher, isso � dinheiro! - Esse tro�o?
Por isso, a �nica coisa que v�o nos dar s�o uns chutes no rabo.
� aqui que vamos viver?
Como ratos escondidos numa toca?
O que voc� prefere? Ir pra cadeia?
Pra mim tanto faz. Dentro ou fora n�o tem o que fazer.
Espera. Aqui n�s podemos fazer uma casinha de madeira.
Pra os tr�s.
Que tr�s?
Voc�, eu e o nen�m.
Olha, voc� � doido.
N�o v� que aqui vamos morrer de fome?
Vamos vender veneno pras baratas.
Meu Deus!
Aonde voc� vai arrumar veneno?
Olha, essa �gua parece veneno.
Enchemos as garrafas e pronto.
Rey, ningu�m compra rem�dio pra baratas.
Quem liga pras baratas?
Ent�o vamos arrumar um santo e pedir esmola.
Isso, isso! Dois santos.
Um pra mim e outro pra voc�.
N�o seja idiota, Rey.
- Aonde voc� vai? - A luta.
E n�o me siga que n�o quero espet�culo.
Ei! N�o banca o valent�o comigo
que te meto cinco bofetadas nessa cara de pandeiro
e te entrego pra pol�cia por causa do estrangeiro!
Eu n�o tive nada a ver com aquilo.
Muito menos eu!
Vamos conversar, Magda.
N�o, n�o vamos conversar nem fodendo!
Acabou, Rey.
Voc� � um barco.
Um barco afundando.
E eu preciso de um homem!
Um homem que me ajude e fa�a algo por mim!
- Eu posso, Magda. - Voc� n�o pode, porra!
Voc� � um garoto, morto de fome e viado!
Magda, me escuta.
Eu posso construir uma casa pra n�s.
Vamos ter uma vida linda.
Eu vou cuidar de voc� para que nosso nen�m seja lindo.
Eu vou ser um bom pai, um bom marido.
Por favor, fique essa noite.
Goroto, eu n�o sou feita de pedra!
Magda!
Eu fiz a casa,
mas Magda continuava sem aparecer.
E jamais decidi procurar por ela.
Minha �nica companhia era a fome.
Durante esses meses eu vivi como �gua parada em uma po�a.
Trabalhando no meio de uma podrid�o nojenta.
E desaparecendo.
E a� estava morto.
Como agora que sigo morto.
Por que viver?
Pra que ter todo esse trabalho?
Pros outros te foderem?
No fim � tudo a mesma merda.
Mas eu tomei uma decis�o.
Aten��o a toda a popula��o.
Protejam portas e janelas.
Estoquem provis�es.
O El Ni�o chegar� em poucas horas.
O efeito pode ser devastador.
V�o para o CDR de seu quarteir�o
para saber aonde est�o os abrigos.
De que "ni�o" est�o falando?
Ei garoto!
Voc� caiu da lua?
El Ni�o � um ciclone.
Qual a data hoje, vov�?
12:30.
N�o, data.
� uma fila pra pegar a sopa de entulho.
Ah, t�.
� sim.
Oh, meu bem.
Ha-ha-ha, o que?
Por que t� perguntando sobre a data?
Por nada.
Por nada e pergunta?
Ei, e essa pressa?
� 21.
Que m�s?
Mar�o.
Obrigado!
Helenita, aonde voc� vai?
Pegar f�sforos.
Se lembra de mim?
- Sim! - Hoje � meu anivers�rio.
Parab�ns pra voc�...
Me d� uma galinha.
N�o.
Sim! Sim! Sim!
Helenita, o que voc� est� fazendo?
Nada.
Entra.
Est� passando um programa bom na televis�o.
- O que �? - O notici�rio.
Isso � chato.
Helenita n�o quer entrar e nem traz os f�sforos.
N�o discute. Deixa ela.
Helenita, quer que eu v� a�?
N�o, n�o.
Ent�o se cala.
Vai pegar a galinha.
Que galinha?
Voc� se faz de boba quando te interessa.
Vai pegar a galinha!
- Aonde voc� vai com essa galinha? - Elenita!
Voc�s me cansam...
Por que voc� deu uma galinha pra ele?
Desgra�ado! Filho da puta! Ladr�o!
Peguem ele! Ele me roubou uma galinha!
Ladr�o!
Aten��o, aten��o!
O fornecimento de energia ser� cortado em breve.
O ciclone est� chegando.
Dirijam-se para suas casas.
Esta � uma ordem da defesa civil.
Aten��o, aten��o, toda a popula��o.
E essa galinha?
Hoje � meu anivers�rio.
Vim comemorar contigo.
Voc� foi embora sem se despedir.
Tem um monte de meses que voc� tamb�m n�o vem.
� teu, n�o �?
�.
Saiu preto como um carv�o,
igual ao pai.
Voc� mentiu pra mim?
Sim, filho, sim.
Aonde voc� estava?
No campo com uma das minhas tias.
Diziam que eu estava louca,
que o menino ia morrer de fome e coisas assim.
Vieram e levaram ele.
E o pai?
Na cadeia.
O que voc� vai fazer com o nen�m?
Devolver. Fazia mais de um ano que eu n�o via.
Eu constru� a casa.
Se voc� quiser, o nen�m tamb�m pode vir morar com a gente.
Voc� � maluco?
Agora mesmo vou levar ele pra minha m�e.
E o nosso filho?
Voc� tirou?
Ele ainda est� aqui dentro.
Voc� vem comigo?
Me acompanha, vamos ver.
O que aconteceu no quarto da Yunisleidi?
Vieram revistar. Dizem que levaram a bichona presa.
Tomara que ele pegue 20 anos.
Por que voc� tem essas ideias?
Morto o cachorro, acabou a raiva.
E as coisas dela?
A geladeira, a televis�o... Ela tinha um monte de coisas l�.
Rey, n�o sei e nem quero saber.
- Que cheiro estranho? - �.
Parece fruta podre.
E essa fuma�a, o que �?
O que aconteceu?
Amiga, o que aconteceu?
Um raio rompem os cabos da central de energia.
Tem um vazamento de am�nia.
Ei, tem um monte de gente com asfixia aqui.
Se t�o levando pra emerg�ncia, � porque � fatal.
Meu Deus.
Rey, vamos.
N�o fiquem aqui, v�o pra l�!
Pra baixo!
Rey, vamos!
Garoto, volta!
Aqui n�o se pode respirar.
Carrega ele.
Eu? N�o, ele n�o � meu.
E n�o quero que tua m�e me veja.
Deixa ele na porta e pronto.
Nem pense em fazer dinheiro com o garoto.
Segura a galinha.
Eu? N�o.
Chorou?
- Tua m�e? - N�o.
- O nen�m. - N�o, ele ficou calminho.
Bem, vamos.
Vamos!
- Bendita seja, Santa Barbara! - O que foi?
Eu tenho medo dos raios.
N�o seja boba, minha vida.
Aqui vamos ficar bem.
Rey...
Porque te agrado tanto?
Porque tem os peitos e a bunda mais duros.
A cara linda.
O cabelo de arame...
E principalmente, os beijos.
Ai, Xang�, vem ver isso.
Vamos para casa que aqui vamos nos afogar.
T� bem, vamos.
Vai, garoto, fecha a varanda!
Chove mais aqui dentro que l� fora.
Nem vale a pena matar.
N�o mexe as asas.
Coitadinho!
Que o frango viva!
N�o se preocupa, meu bem.
N�o temos uma pi�ata, mas vamos comemorar.
Vamos, senta aqui.
Olha:
Felicidade meu Rei, no teu dia!
N�o tem pi�ata, nem rum, nem comida!
Parab�ns, parab�ns.
Porra! Minha perna!
Rey, r�pido, corre!
Olha, tem dois vivos ali!
- Ali? - Por ali, olha!
- Ei, na fila! - Me solta!
Porra! Perdi uma caixa de amendoins e 50 Pesos.
Sorte que estamos vivos.
- Est� doendo? - T�.
Aposto que tem um osso quebrado.
Olha, ali tem que ter um m�dico.
N�o. Nem m�dico, nem dentista, nada.
Garoto, n�o seja idiota. Vamos!
Minha filha, por favor.
Senhora, agora n�o posso.
Atenda meu marido.
Agora n�o posso fazer isso.
Olha, ele t� todo arrebentado!
Est� bem, vamos ver isso.
Tem uma fratura,
mas n�o est� inflamado.
- D�i? - Sim.
N�o sei o que dizer.
Voc� tem que ver um ortopedista.
Pois ent�o vamos ver.
Meu amor, aqui e s� a emerg�ncia.
Mas isso � uma emerg�ncia!
Meu marido quebrou a perna com uma pedra!
- Nossa casa desabou em cima... - Senhora!
Controle-se e fale corretamente!
Seu marido nem est� sangrando, nem est� morrendo.
Isso n�o � t�o urgente.
N�o � que eu n�o queira te atender.
� que n�o tem ortopedista! Coloque isso na cabe�a!
Me espera aqui.
Yunis?
Rey?
N�o, n�o, meu bem.
N�o quero que voc� veja meus olhos.
Te fizeram isso na pris�o, n�o �?
N�o, n�o.
Meu princ�pe italiano me tirou da pris�o.
E o que aconteceu?
Ele me levou pra It�lia mas logo me expulsou.
Fiquei na rua um tempo...
mas l� a prostitui��o � mais estranha
e um dia acordei no parque.
Sentia o sol na cara
mas n�o podia ver nada.
Bateram em voc�?
Me drogaram e me tiraram os olhos.
- E pra que isso? - Pra vender a retina.
O que � isso?
Voc� continua o ignorante de sempre.
A retina � onde est�o as meninas dos olhos.
Eles a vendem muito caro pra quem pode pagar.
E voc� n�o foi procurar o italiano?
Aquele desgra�ado n�o queria mais nada comigo.
Se eu pudesse pegar aquele filho da puta arrancava os olhos dele com uma faca.
L� fora as pessoas s�o mais filhas da puta do que n�s.
O que aconteceu com o viado?
Ela ficou cega.
Ele procurou isso.
Eu sempre carrego isso.
Ai, meu Rey!
N�o vai.
Vem.
Rey... Rey...
Viu?
At� luz n�s temos.
Essa � a tua casinha fant�stica?
Mulher, o vento destruiu.
Me solta!
- Magda, eu n�o aguento mais isso. - Porque voc� � um babaca!
Voc� tem que me respeitar!
Voc�? Por que?
Porque sou teu marido, porra!
Voc�? Voc� � um morto de fome,
um in�til e um porco!
Me esperando aqui, na tua casinha de viado!
Olha pra onde voc� me trouxe.
Eu preciso de um homem! Um homem!
Filho da puta!
Viu, sua puta?
Eu sou homem ou n�o sou?
Fala, sua puta.
Puta, sim,
mas com um homem que eu gosto!
Sabe onde eu estava quando sumia?
Com o pai do meu filho,
que esse sim me atende, me d� comida, roupas, dinheiro!
Aquele neg�o sim, � um homem!
E vou mandar ele atr�s de voc� pra te matar!
E s� pra que voc� saiba,
sim, eu estou gr�vida, e dele!
� pra ele que vou parir mais um filho.
Vai esculachar outro, Magdalena.
Ningu�m me esculacha, muito menos uma prostituta de rua como voc�.
Morto de fome? Olha o que te aconteceu.
Eu sou o Rei de Havana
e eu tenho que me respeitar!
� assim que voc� tem que estar,
quieta.
Sem se mexer.
Em sil�ncio.
Respeitando teu marido.
Eu te amava.
E queria s� pra mim.
O foda � que eu nunca sabia com quem voc� estava,
nem o que fazia,
nem onde se metia.
Me diz alguma coisa, porra.
Vai, fala alguma coisa.
Covarde.
Tira o meu leite!
Morde, porra, morde!
Tuas amiguinhas chegaram , Magdalena.
Aonde eu te meto?
Os abutres n�o podem te pegar.
O cad�ver da defunta tem que ser respeitado.
E do Rei de Havana, nunca mais se ouviu nada.
Legenda: .:MGross:.
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