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UMA SÉRIE DOCUMENTAL ORIGINAL NETFLIX

A Terra ao Anoitecer leva-nos à volta do mundo

para mostrar histórias incríveis da vida selvagem

que acontecem à noite.

Das florestas tropicais

à selva urbana.

Do gelo ártico

às planícies africanas.

As equipas trabalharam de noite...

... e filmaram com uma série de tecnologias inovadoras.

E fez-se luz.

Olha.

Algumas usaram câmaras ultrassensíveis

que filmam a cores

com a pouca luz do luar.

Outras filmaram animais com imagens térmicas

concebidas para o campo de batalha.

A tecnologia inovadora

foi acompanhada de ciência inovadora.

Usamos a tecnologia de drones para contar ninhos de flamingos.

Os biólogos forneceram o seu conhecimento

acerca de novas descobertas no comportamento animal.

Ali, as crias estão a chamar.

Mas até eles ficaram espantados com o que as nossas câmaras revelaram.

Incrível.

Aquilo é o que eu penso?

Filmaram no ar...

... no solo...

... e debaixo de água.

Suportaram o frio gélido...

... e o calor tropical.

Tudo o que foi preciso para captar a Terra ao anoitecer.

As câmaras sensíveis à luz da Lua foram testadas pela primeira vez

na costa caribenha do México.

A missão da equipa:

registar o comportamento noturno dos flamingos...

... numa lagoa remota na península do Iucatão.

Os flamingos nidificam numa reserva protegida...

... só acessível com a ajuda

do biólogo Alexander Dzib.

Deverá ser uma noite linda. Há algumas nuvens, mas...

... não onde a Lua aparecerá.

A perícia dele será essencial para aproximar a nossa equipa.

Mesmo assim, não é fácil chegar ao local.

A colónia de flamingos está numa pequena ilha...

OPERADOR DE CÂMARA

... que fornece alguma proteção contra predadores.

Temos de atravessar a lagoa para lá chegar. Não é muito funda, mas...

... temos de passar pelos crocodilos.

Aqui há crocodilos-americanos e crocodilos-de-morelet.

Comem crias de flamingo que se afastam da colónia.

Colocámos o equipamento num barco.

É pesado, teremos de andar ao lado do barco.

Se algo acontecer, saltamos para o barco.

Temos de caminhar até esta torre.

A partir de lá, vou para o abrigo...

... avançando lentamente.

Vou aproximar-me o mais possível sem os espantar dos ninhos.

Agora, Ralph só tem de esperar que anoiteça

para pôr à prova a câmara de luminosidade reduzida.

A tecnologia especializada também tem um papel na investigação de Alexander.

Atualmente, usamos drones

para contar ninhos de flamingos.

Contamos um a um.

Imaginem contar 20 mil aves.

Demora, pelo menos, cerca de uma semana a terminar essa tarefa.

Em tempos caçadas por pessoas,

o número de aves aqui estava em declínio.

Mas com a proteção, a colónia está a crescer outra vez.

Este ano, temos 21 900 ninhos.

Significa cerca de 44 mil flamingos.

Por isso, houve um aumento de 7000 flamingos nos últimos anos.

Ao longo de quase duas décadas a estudar flamingos,

uma coisa que Alexander não conseguiu fazer

foi registar o que acontece quando cai a noite.

Mas Ralph vai mudar isso.

Não consigo ver nada a olho nu.

Tenho de olhar pela câmara.

Custa a acreditar que a luz da Lua baste para captar semelhante cor

e pormenor.

A câmara está a fazer um trabalho fantástico.

Tenho uma bela linha cor-de-rosa de flamingos de pé.

Estão fantásticos nesta luz.

Vejo estrelas no céu.

Estou impressionado com as imagens.

A câmara supersensível provou o que vale.

Mostrou-nos um animal familiar numa luz completamente nova.

O passo seguinte...

... foi usá-la, bem como outras câmaras inovadoras,

para revelar comportamentos nunca antes vistos.

Uma equipa seguiu a pista

até uma das reservas mais famosas de África:

Masai Mara, no Quénia.

Para filmar a vida selvagem à noite,

montam a câmara da luz da Lua num veículo de tração às quatro rodas.

Para o sistema de câmaras funcionar no exterior,

é preciso muito equipamento cá dentro.

Parece que há fios por todo o lado, mas está tudo no lugar.

Sai pela janela para o sistema giroscópico,

vem à frente para o operador de câmara, o som, o GPS...

Tudo tem uma função, mas é bastante caótico.

Com a instalação pronta, o operador de câmara Jamie McPherson

senta-se à frente com o visor e comandos.

É uma viagem curta até aos portões da reserva...

... onde recolhem a Dra. Femke Broekhuis,

diretora do Mara Cheetah Project.

Estuda chitas há mais de uma década.

É a primeira vez que ando num veículo com uma equipa de filmagem.

Esperamos captar as chitas

e ver o que fazem à noite.

CONDUTOR E GUIA

Recebemos informação

de que avistaram chitas, vamos tentar encontrá-las.

Os dados das coleiras de localização por GPS mostraram a Femke

que, ao contrário das expectativas,

estes felinos são muito ativos à noite.

Agora, verá com os seus próprios olhos.

Os faróis perturbariam os animais,

por isso Baz usa óculos de visão noturna.

Conduzir à noite é muito difícil

porque não se vê ao longe.

Às vezes, temos de adivinhar o caminho.

Não sabemos se há uma vala ou um buraco.

É muito perigoso.

É preciso muito cuidado.

Com Baz ao volante,

a equipa mal consegue acompanhar as chitas.

A câmara sensível à luz da Lua mostra o que vale.

Incrível.

A sério, é como se fosse dia.

As imagens são tão claras.

Nunca pensei ver qualquer chita,

sobretudo estas chitas, assim à noite.

Acho isto incrível.

Tal como os dados de Femke indicavam, estas chitas estão em movimento.

A equipa vai manter-se por perto com a câmara apontada,

na esperança de captar mais atividade ao luar.

Do outro lado do mundo...

... sem a luz da lua cheia...

... outra equipa usou uma câmara de visão noturna diferente.

No deserto costeiro no sul do Peru...

... procuram algo sinistro.

O biólogo Marco Cardeña

lidera a longa caminhada até às grutas marinhas

onde os seus alvos se encontram.

Por segurança, descem a falésia de dia...

... por caminhos cobertos de milhões de penas de aves marinhas.

Parece que houve uma enorme luta de almofadas, mas cheira mesmo mal.

Está cheio de pó, não é dos melhores sítios.

O pó entra em todo o lado...

... e a sua origem torna-se aparente.

Quatrocentos mil corvos-marinhos a nidificar.

É preciso cuidado para não os espantar do ninho.

Se o fizermos, virão predadores como gaivotas

apanhar as crias ou ovos.

Tentamos baixar-nos para não quebrar a linha do horizonte.

Se o fizermos, ficamos bem visíveis.

Esperamos uns minutos.

Os residentes têm prioridade.

Estamos à espera de uns pinguins. Nada de invulgar...

Mas não foi pelas aves que Marco os trouxe até aqui.

Estas cavernas abrigam uma colónia de morcegos.

Para ver o interior escuro,

Luke usa uma câmara termográfica...

... que deteta calor em vez de ver luz.

Olho para cima e só vejo negro, mas na câmara...

Pois, lá estão eles.

- Espantoso. - Sim.

Estes morcegos são vampiros.

Marco, tenho uma pergunta.

Quando saírem, tentarão morder-me?

Não sei se no pescoço.

Costuma ser nas mãos.

- Tenta cobrir.... - Certo.

Passando algumas noites na gruta dos vampiros,

Luke obtém imagens excelentes.

Com as artérias intactas, a próxima missão

é filmar os morcegos onde se alimentam,

uma colónia de lobos-marinhos ali perto.

Luke vai usar esta grua para obter travellings pela praia.

A colónia inteira de lobos-marinhos saiu da água para descansar.

Estão a relaxar à noite.

As mães amamentam as crias.

Os vampiros devem estar a surgir da escuridão.

A chegada deles deixa Luke nervoso.

É um sítio assustador à noite porque...

... só vejo este ecrã.

À minha volta, só há escuridão.

Os sons ecoam na falésia atrás de mim.

Uma ratazana subiu por mim acima à noite, pensei que era um vampiro.

Só espero que os morcegos não gostem do meu sabor.

Luke ainda está de sobreaviso quando, de repente...

... a praia torna-se caótica.

Um enorme leão-marinho macho veio pela praia fora.

Está cheio de testosterona e raiva

e só quer agarrar as crias e matá-las.

Espero que fujam.

Não esperávamos isto quando chegámos.

Viemos ver vampiros, mas vejo este animal aterrorizar a praia à noite.

As crias fogem pela encosta acima.

Lá em cima,

os vampiros vêm alimentar-se delas.

Acham que foram para lá para ficar em segurança,

mas as pobres estão a ser atacadas por vampiros.

Tenho muita pena das crias.

Espero que voltem para as mães.

A câmara termográfica

mostrou mais do que esta equipa esperava.

A equipa no Quénia segue o grupo de chitas há horas.

Só algumas noites à volta da lua cheia terão luz suficiente para filmar.

Precisam de ação.

Femke vê um movimento.

Há algum...

É um leão, uma hiena ou assim?

Sim, algo vem aí.

Leões?

Ela vai atacar a chita.

A força e excelente visão noturna do leão

significam que encontros como este podem ser fatais para as chitas.

Pobres chitas.

Os deslocamentos à noite são arriscados

porque a probabilidade de encontrar

outros predadores, como hienas e leões, é muito maior.

É quando os leões e hienas estão mais ativos.

Desta vez, a chita escapa,

mas confirma-se a hierarquia noturna.

Logo após a meia-noite,

a Lua atinge o ponto mais alto.

É quando brilha mais...

... iluminando melhor as chitas e a câmara de Jamie.

É a altura mais propícia para uma caçada.

A coordenação é fundamental.

Basta virar o carro ou a câmara para o lado errado

e perdem o momento fulcral.

Vai, Baz, um pouco mais depressa.

As cinco chitas separaram-se.

Uma afastou-se do grupo.

- As outras correm? - Não, estão quietas.

- Fica com esta. - Só vemos uma agora.

Devagar.

Estamos muito perto.

Está bom. Mantém essa velocidade.

Está a perseguir o gnu.

Em frente.

Em frente.

Esquerda.

Esquerda.

Sim, lá vai ele.

Direita. Vai em frente.

Direita. Vai atrás daquela zebra.

- Desistiu. - É muito otimista.

Está sozinho e vai atrás de uma zebra adulta.

Embora a caçada não tenha tido êxito, Femke está entusiasmada.

Para mim, como investigadora, é muito empolgante,

porque uma das coisas que descobri

foi que as chitas são muito ativas à noite,

mas tudo se baseava nos dados das coleiras.

Muitos investigadores questionaram isso,

porque ia contra tudo

o que se dizia até agora.

Portanto, a possibilidade de ver como são ativas com estas câmaras

confirma a minha investigação.

É um exclusivo mundial de A Terra ao Anoitecer.

Veio mudar o que os cientistas sabiam sobre estes felinos icónicos.

Mas nem esta câmara conseguiu penetrar

alguns dos sítios mais escuros da Terra.

Filmar a vida noturna nas copas das árvores

exigiu soluções mais engenhosas.

Nas florestas de Chaco, no norte da Argentina...

... a equipa enfrenta uma praga de mosquitos...

... cheias de verão...

... e um minúsculo objeto de estudo num labirinto de folhas e ramos.

Felizmente, tem ajuda especializada.

Há mais de 20 anos que os cientistas do Owl Monkey Project

estudam estes pequenos primatas...

... e colocaram localizadores de rádio nalguns deles.

Mas, apesar de duas décadas de dados,

os investigadores nunca tinham captado

as vidas noturnas dos seus objetos de estudo em vídeo.

Por isso, querem colocar a nossa equipa

no melhor local para os filmar.

Uma família de macacos-da-noite a dormir.

A esta hora, está calor.

Estão mais de 40 graus Celsius.

A humidade está entre 95 e 100 %.

Estão a fazer o que qualquer primata inteligente

faria nestas condições, ao contrário de nós.

Estão entorpecidos, pendurados num ramo.

Parecem pufes com caudas.

É muito fixe.

Para enfrentar os macacos cara a cara...

... James terá de subir de nível.

A nossa arma secreta

é um andaime que poderei usar para me elevar um pouco e chegar...

... ao nível dos macacos para os filmar no seu habitat natural,

em vez de tentar obter um ângulo a partir do solo.

Após o guiarem para um local privilegiado

no território dos macacos-da-noite,

os cientistas ajudam James a montar o andaime.

Nas próximas semanas, James passará todas as noites aqui.

Não vejo nada à minha volta.

Felizmente, esta câmara deteta a luz de infravermelhos,

que o olho humano não vê.

Temos luzes de infravermelhos montadas

no centro do território.

Emilio, podes ligar as luzes de infravermelhos, por favor?

Entendido, James.

Vamos lá.

Pronto, James.

Estão ligadas.

E fez-se luz.

Olhem. Incrível.

Como a luz de infravermelhos também é invisível para os macacos,

quando chegarem a estas árvores, comportar-se-ão normalmente.

Estaremos aqui em cima por seis ou sete horas.

Portanto...

... faço figas.

Enquanto há vida, há esperança.

Do outro lado do mundo, o desafio é outro...

... nas florestas de Bornéu.

Aqui, as árvores maiores

podem ser cinco vezes mais altas do que as que James encontrou na Argentina.

A operadora de câmara Justine Evans terá de subir à copa das árvores

para ver o que se passa por lá à noite.

Algo que foi pouco investigado.

Os naturalistas Denny Aloysius e Cede Prudente

encontram-lhe uma árvore adequada.

- Tem muitas epífitas lá em cima. - Sim.

Acho que o tronco principal...

- Podemos escalá-las? - Sim.

Qual é a vista lá de cima?

Aquele vale.

Do seu tronco robusto e direito,

ela poderá ver, mesmo à sua frente, uma enorme figueira com frutos.

Em seguida, os peritos de escalada Tim Fogg e Gibby Madran

montarão uma plataforma de filmagem a uma altura superior a dez andares.

Já decidimos onde queremos a plataforma.

Agora temos de mandar uma linha para cima da árvore

e o Gibby está a fazer uma grande catapulta.

Isto é um grande chumbo

que vai voar para a árvore.

É preciso um braço forte...

... boa pontaria...

Não chegou lá.

... e persistência.

- Consegui! - Não.

Bateu no ramo, em baixo.

Na mosca!

Vai!

Sim!

Sim.

Colocadas as cordas, içam a plataforma.

Quando Tim fica descansado que está segura...

... é a vez da Justine.

Estou a começar a primeira escalada...

... a uma grande dipterocarpácea

que sobressai da floresta.

Devo estar a 30 m da plataforma.

A vista aqui de cima é espantosa.

Embora custe subir pelas cordas,

é um alívio quando se sobe, com a vista, a brisa

e a expetativa de coisas boas que vão acontecer.

É muito alto.

Creio que vou ficar sempre presa às cordas.

Não quero adormecer e cair da plataforma a meio da noite.

As luzes de infravermelhos não chegam

para iluminar árvores tão grandes.

Por isso, Justine usa a câmara termográfica.

Verei tudo o que tiver sangue quente.

Devem ouvi-la a funcionar. Não é uma câmara silenciosa.

Com a floresta às escuras,

não tarda a aparecer algo.

Parece uma civeta.

Sim.

A primeira visita à figueira.

Está a devorar os frutos

e tem a árvore toda só para ela.

Mas quando a civeta se vai embora,

a noite continua sem qualquer outra atividade.

São quase duas da manhã...

... e está tudo muito parado.

O mais difícil do trabalho noturno

é quando se faz tarde...

... e o corpo quer dormir.

É preciso manter o estímulo...

... o que significa que vou fazer outra chávena de chá.

Na Argentina...

... os pufes peludos têm estado a fazer pouco de James.

É um autêntico desafio.

Não é nada fácil.

Estes macacos passam a maior parte do dia quietos e a dormir,

mas, à noite, tornam-se em trepadores maníacos

e disparam pelas árvores a uma velocidade que eu nunca vi, à noite.

É como tentar seguir um velocista olímpico

num percurso de escalada tridimensional.

São muito difíceis de filmar.

Não são só os macacos-da-noite que lhe causam problemas.

Há mais mosquitos aqui do que já vi em qualquer outro sítio.

Por isso, cada filmagem...

Acho que perdemos um dedal de sangue

e meio litro de suor.

Mas tudo vale a pena

quando conseguimos finalmente algumas imagens destes bichinhos.

Sem esta câmara especial

que vê mais do que o olho humano,

não teríamos hipótese.

Os cientistas de cá estudam estes macacos há mais de 20 anos

e nem eles tiveram oportunidade

de observar a vida noturna destes macacos desta forma.

É um privilégio.

Voltando a Bornéu,

Justine também está com problemas de controlo de pragas.

Sim, há imensas.

Há imensas.

Tentei impedir as formigas de andar por cima de tudo.

Das minhas malas, de mim,

da plataforma, da câmara.

É uma guerra de atrito, mas acho que elas estão a ganhar.

Estou... a passar-me um pouco com isto.

Apesar das distrações

e após muitas noites longas,

Justine começa a ver mais vida nas árvores.

Civetas a marcar o território.

Esquilos-voadores.

E então...

O que é aquilo?

... a câmara mostra-lhe algo verdadeiramente assombroso.

Não acredito.

Na manhã seguinte, sem dizer nada,

ela mostra as imagens a Denny e Cede.

O que é aquilo?

O que é aquilo? É...

Aquilo é o que eu penso?

- É um orangotango. - É um orangotango.

A que horas filmaste isto?

Por volta da meia-noite.

Espantoso.

Há 30 anos que fotografo animais selvagens.

Ninguém me disse, que eu soubesse, nem li em qualquer relatório,

que os orangotangos comem à noite.

- Não. - Foi a primeira vez que vi,

nestas imagens.

Estou chocado.

É uma espantosa...

- Descoberta. - ... descoberta.

Da escuridão absoluta da selva...

... até à cidade, onde as luzes brilham a toda a hora.

Para os animais que vivem entre nós,

esta luz artificial tem um enorme impacto.

Para descobrir como a poluição da luz urbana afeta os animais,

a nossa equipa viajou para a Tailândia,

para a cidade de Lopburi...

... onde os macacos-caranguejeiros vivem no centro da cidade.

É o nosso primeiro dia na Tailândia

e procuramos os melhores locais para filmar macacos,

mas não teremos problemas, pois estão em todo o lado.

O operador de câmara Ian Llewellyn não tarda a arranjar sarilhos.

Vai agarrar os meus óculos ou chapéu.

Até é agradável, mas daqui a pouco apanha-me o chapéu.

Ele está a morder? Parece que está a mordiscar.

Foi interessante.

Sentei-me por um segundo e saltou-me um para as costas.

Vai ser interessante filmar nas ruas.

Acho que me vão tramar.

Na floresta, os macacos iriam para a cama.

Mas a cidade não dorme.

A equipa veio por esta razão,

mas filmar é tão complicado como Ian suspeitava.

Os grandes planos são bons,

mas assim tão grandes, não.

Adoram pular na cabeça,

o que dificulta uma filmagem estável.

De repente, a situação agrava-se.

As filmagens acabaram por esta noite.

Não é causa de preocupação,

mas fui mordido por um dos macacos menores ao filmarmos.

São ossos do ofício.

Não é uma mordida grave, mas chegou à corrente sanguínea,

por isso, por via das dúvidas, levei um reforço de soro antirrábico.

- Pronto. Já está. - Fixe. Obrigado.

Os macacos vivem de ofertas diárias de comida.

Os budistas acreditam que tratar bem os animais assegura bom carma...

... e que os macacos estão ligados a divindades.

Mas, embora todos os respeitem...

... nem todos gostam deles.

Assusto os macacos com isto...

... senão danificam os carros.

Costumamos fingir assustá-los e eles desaparecem.

Acho que alguns são muito irritantes.

Assustam-me um pouco.

Não tenho medo deles.

Só roubam coisas às pessoas que têm medo deles.

Tenho medo.

As pessoas de fora, como eu, têm medo de ser mordidas.

Não costumam morder...

... mas saltam-nos em cima.

Apesar de alguns receios ocasionais,

os humanos e os macacos aprenderam a conviver.

Lutar com os macacos?

Não, somos amigos.

Com o tempo, Ian e Jo

também fazem tréguas com os seus protagonistas...

... o que lhes permite captar os altos...

... e baixos do seu estilo de vida urbano.

Por todo o mundo, à medida que as selvas urbanas crescem...

... os humanos terão de se habituar...

... a conviver com a vida selvagem.

Longe do conforto das cidades...

... algumas equipas foram levadas a extremos...

... enfrentado climas agrestes e temperaturas negativas.

Mas a resistência e determinação...

... tiveram resultados fantásticos.

No coração do Círculo Ártico

encontram-se as ilhas remotas de Svalbard.

Aqui, a missão da equipa é filmar ursos-polares

durante a longa e cruel noite do Norte.

O guia da expedição Tom Foreman

e o realizador e operador de câmara Mateo Willis

ajustam a câmara de baixa luminosidade.

A preparação é essencial.

No gelo, no escuro,

a ajuda fica muito longe.

A experiência de Tom é vital.

Ele conhece a zona e sabe como sobreviver às condições brutais.

Estão prontos para a longa viagem.

Falta apenas uma hora

e têm um golpe de azar.

Isto avariou.

É a nossa moto de neve principal

e deixou de funcionar.

É difícil imaginar condições piores

para fazer uma reparação mecânica.

Não quer trabalhar.

Infelizmente, acho que temos de a deixar aqui.

Vamos ligar por telefone satélite ao apoio em Longyearbyen.

Esperemos que a reparem.

Onze horas depois de partir,

chegam, exaustos, ao acampamento base.

Pyramiden, uma antiga colónia mineira soviética,

é hoje uma cidade fantasma gelada

com um único edifício habitável.

Este lugar sinistro aproxima-os o mais possível

do gelo marinho onde os ursos-polares caçam.

Mas as noites e os dias vão passando

e os ursos não aparecem.

Já são difíceis de ver com condições ideais.

Na escuridão da noite, é quase inimaginável.

Tento ser otimista com estas coisas,

mas um urso-polar branco numa paisagem branca...

Olhem para isto.

Encontrar predadores camuflados

é um tema comum.

No Parque Nacional de Torres del Paine, no sul do Chile...

... as montanhas agrestes são um refúgio para os pumas.

Não é fácil fazer uma busca nesta paisagem vasta.

Felizmente, a nossa equipa pode confiar na perícia de rastreamento de Nico Lagos,

uma sumidade dos pumas.

Não demora muito até o Nico obter um resultado.

Para, James.

Está ali um puma.

Deitado na erva.

- Consegues ver? - Não.

É de loucos, não o vejo.

Só se veem as orelhas e a cabeça.

- Já vi. - Ali, na erva.

- Não acredito. - Ela sabe que estamos aqui,

mas está muito calma.

O Nico, sem mais nem menos, encontrou um puma.

Parecia uma pedra. Não faço ideia de como ele o viu.

É o resultado de sete anos de rastreamento.

Pela aparência,

Nico está convencido de que ela está a amamentar crias

e deve ter um covil por perto.

Mas no lusco-fusco, perdem-na de vista.

Regressam de madrugada com a câmara pronta...

... e preparam-se para esperar.

Se tivermos muita sorte,

talvez encontremos o covil com as crias.

Nunca me aconteceu.

Seria a minha primeira vez.

Seria espantoso.

Pete. Está ali mesmo.

Ali, as crias estão a chamar.

É a fêmea.

Meu Deus.

Finalmente, temos a fêmea.

Ouviste?

As crias estão a chamar.

E a mãe responde.

Fantástico.

É mesmo incrível.

Consigo ver nos arbustos.

as crias minúsculas.

Parece que ainda têm pintas,

por isso devem ser muito jovens.

Filmar crias de puma tão jovens

é extremamente raro.

Mas eles não vieram filmar felinos durante o dia.

Têm de os seguir quando anoitecer.

Em Svalbard, a equipa fez pouco progresso.

É uma busca sem tréguas

de um lado para o outro no gelo marinho.

Algumas noites são desperdiçadas.

Finalmente, têm um golpe de sorte.

Lá estão a mãe e as duas crias

à procura de tocas de foca

nas fendas de gelo por aqui.

Nem imaginam como deve ser difícil

uma ursa-polar criar dois filhotes num ambiente destes.

Tenho todo o respeito por ela.

Aos meus olhos, procuro por aqui e não vejo nada.

É um deserto gelado.

Mas, para um urso-polar, é a época da fartura.

É agora que encontram focas.

Precisam deste gelo marinho

como nós precisamos de supermercados.

Agora que encontraram os ursos,

começa o trabalho árduo.

A uma distância respeitosa,

têm de acompanhar a família dia e noite.

A equipa no Chile usa a mesma tática com os pumas...

... seguindo-os de dia...

... e de noite.

Apaga a luz, Pete.

Filmar num veículo mantém o operador de câmara Luke Barnett móvel...

Baixa a mão esquerda.

... e oculto.

A puma vai voltar. Vai voltar.

Pronto, vou cobrir-me.

Não quero que a puma me veja a olhar para ela,

por isso tapei a cara.

Mas quando perdem de vista os pumas,

têm uma nova tecnologia para testar.

Deve ser a primeira vez que esta câmara termográfica é colocada num drone.

A câmara foi concebida para ser usada em laboratório.

Pete teve de criar uma armação especial para a prender ao drone.

Vamos pôr isto no ar.

E é temperamental.

Às vezes, basta um fio solto para ele voar às cegas.

Mas quando funciona,

revela uma nova faceta das montanhas à noite.

Há uma manada de guanacos à minha frente.

Quem diria?

Só se consegue ver através da câmara.

E a imagem térmica permite-lhes localizar o puma

não obstante a camuflagem.

Com câmaras no ar e no solo,

a equipa familiariza-se com a mãe e as crias...

... e capta as dificuldades...

... e a ternura deles no escuro.

Espantoso! Ela precisava mesmo de se alimentar.

As crias crescerão depressa.

O dia está, finalmente, a romper

depois da longa noite ártica...

... e a persistência da equipa de Svalbard também compensou.

Sabem que mais?

Ainda tenho o coração a bater muito.

Senti o meu corpo a vibrar assim com o suspense.

O mais incrível

foi que, a certa altura, as crias estavam à frente.

Ela viu a foca que queria atacar...

... e deve ter-lhes dado alguma ordem, porque se sentaram.

Foi ela que entrou em modo de caça.

Disse: "Miúdos, eu trato disto.

Vou buscar o almoço."

Ficamos sempre num dilema quando vemos uma cena daquelas.

Por um lado, temos muita pena

do animal que foi apanhado e caçado.

Por outro lado, sabemos que,

para a família de ursos-polares sobreviver,

era uma necessidade absoluta.

Exaustos e com frio, mas eufóricos, os membros da equipa aproveitam

o que resta da luz do dia para voltar à civilização.

As noites no gelo...

... pertencem aos ursos.

As nossas equipas também enfrentaram o desafio de filmar à noite...

... debaixo de água...

... para revelar histórias incríveis

escondidas na escuridão do fundo do mar.

Ao largo das ilhas de Palau, no Pacífico...

... a desova do peixe-papagaio-gigante

só acontece durante a lua nova,

quando as noites são mais escuras.

Quando a equipa entrou na água...

... o brilho das lanternas subaquáticas era a única fonte de luz.

Pouco antes do amanhecer,

centenas de peixes reúnem-se.

Foi muito bonito.

Estão à nossa volta, é lindo.

Filmaram o ritual de acasalamento como nunca tinha sido visto.

Quase não sabemos para onde olhar.

OPERADOR DE CÂMARA

Como fogo de artifício por todo o lado.

Em Mossel Bay, na África do Sul,

é proibido fazer mergulho convencional.

Há uma boa razão.

Vivem lá caçadores temíveis.

É um trabalho complicado, sobretudo no escuro. É um pesadelo,

porque só vemos o tubarão no último minuto.

O operador de câmara entrou na água numa jaula à prova de tubarões.

Com tão pouca luz lá em baixo...

... apenas as câmaras especializadas penetraram a penumbra...

... para ver os tubarões-brancos no seu habitat natural.

Mas talvez o maior desafio de todos...

... tenha sido enfrentar as águas geladas dos fiordes árticos da Noruega.

O operador de câmara Mark Sharman prepara-se para dar de caras

com um dos maiores predadores do planeta.

Com mais do dobro do tamanho de um tubarão-branco,

as orcas são inteligentes, poderosas e mortais.

A busca começa.

Primeiro, precisam de um barco de pesca a içar as redes.

Agora.

Aguardamos que os barcos de pesca

icem as redes e recolham o lanço.

Quando fazem isso, atrai as baleias.

Nessa altura, entramos na água.

Mas até lá, vamos pôr o drone no ar e captar umas imagens brutais.

Há algo grande na água.

Podemos vê-las a chegar, as ondas aqui.

Está tão calmo que as vemos a chegar ao longo de muitos quilómetros.

Tenho a certeza de que são orcas.

Bem, pessoal, vêm aí as orcas.

É um excelente exemplo do que viemos filmar.

- As redes estão a ser içadas... - Vejam só.

As redes estão a ser içadas.

É o sino do jantar para estes animais.

O pesqueiro zarpa a todo o vapor com o porão cheio...

... mas chegam outros para o substituir.

É uma zona de pesca abundante.

Estamos a avançar pela escuridão.

Todos os barcos de pesca que vemos têm as luzes apagadas.

Porque são barcos de pesca.

Não querem assustar o peixe.

Estamos à espera que um deles acenda as luzes.

Significa que vai içar as redes.

Este barco de pesca tem as luzes acesas

e vamos procurar orcas aqui.

Cá estão. Vejo uma.

A seguir, há que pedir licença ao capitão.

Precisamos de autorização para entrar.

As condições pareciam perfeitas.

Mas a notícia de uma tempestade iminente obriga a uma mudança de plano.

O tempo mudou radicalmente e a tempestade dirige-se para nós,

por isso, vamos voltar o mais depressa possível

para tentar chegar a águas seguras antes que aquilo nos atinja,

porque não tem bom aspeto.

Quando chegam ao porto, já é uma tempestade.

De manhã, a tempestade continua.

Como podem ver, as condições não melhoraram.

Aliás, só pioraram.

A velocidade do vento e o tamanho das ondas duplicaram.

Por enquanto, ficamos por aqui.

Infelizmente, a tempestade continua.

Leva uma semana a amainar.

Ao cair da noite, a bonança parece manter-se.

A tempestade pode ter passado...

... mas não está bom tempo.

Estão cerca de dois graus negativos lá fora.

Está a nevar muito...

... e a água está gelada.

Nem apetece estar fora de casa,

quanto mais mergulhar naquele negrume carregado

e estar na água com predadores gigantes.

Mas, às vezes, temos de arregaçar as mangas

e deitar mãos à obra.

Então, acendem-se as luzes...

... as redes começam a apertar

e na hora certa...

... aparecem as orcas.

Chegou finalmente a hora.

Estou mais preocupado com a pescaria industrial,

para ser sincero. Estão aqui a trabalhar.

Há maquinaria pesada

e não me vão prestar atenção.

São animais imprevisíveis e vou ser cauteloso,

mas vamos tentar.

Está frio...

... escuro...

... e é perigoso.

Mas os resultados...

... são espetaculares.

Meu Deus.

Foi inacreditável.

Foi das coisas mais emocionantes que já fiz.

Logo no início, houve uma altura

em que algumas olharam para mim e pensaram: "Mas que raio é aquilo?"

Felizmente, não são tubarões

e não mordem as coisas para saber o que são,

por isso não me morderam para descobrir o que eu era.

Continuaram a comportar-se naturalmente.

É a melhor situação.

Mas é tão estranho,

os arenques a morrer à nossa volta.

Levamos pancadas dos peixes que se debatem à superfície.

É uma cena muito sinistra.

Eu só via escamas.

A água cintilava.

Parecia uma bola de espelhos numa discoteca dos anos 70.

Está tudo a brilhar, a refulgir

e estão uns mamíferos enormes a nadar e comer peixe.

Nunca vi nada assim.

Que experiência.

Tenho a cara dormente, mal consigo falar.

Não sinto nada.

Mas não me importo, nunca estive tão feliz.

Foi inacreditável.

Mais um êxito contra todas as probabilidades

e mais imagens reveladoras

para iluminar a Terra ao anoitecer.

Legendas: Rodrigo Vaz

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