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Original subtitles

Com licen�a, senhora. Pode me dizer onde...

PROFISS�O: REP�RTER

Fala ingl�s?

Para onde?

Esquerda. Esquerda.

Pare. Pare.

O qu�?

Aonde voc� vai?

Quanto tempo leva para chegar a esse lugar?

Doze horas, mais ou menos.

- O que tem l�? Um acampamento? - Um tipo de acampamento militar.

E...

- Quantas pessoas? - Eles lhe dir�o quando chegarmos.

Eles t�m armas?

Eles lhe dir�o isso tamb�m quando chegarmos. Tudo.

N�o. N�o.

Droga.

Porcaria.

Certo!

N�o estou nem a�!

�gua.

Sim, senhor.

Entre.

Monsieur, sua �gua.

- Obrigado. Pode p�r na mesa. - Sim, senhor.

- N�o tem sab�o. - N�o, senhor.

"N�o, senhor."

Robertson?

Robertson?

MUNIQUE ARM�RIO 58

- Al�. - Queria informa��es sobre voos.

S� h� dois por semana. O pr�ximo sai em tr�s dias.

Est� bem.

Entre.

Desculpe ir entrando assim.

Vi a luz acesa e pensei em oferecer uma bebida.

Ah, sim. Entre.

Eu o vi no avi�o.

Vou pegar os copos.

Meu nome � Robertson. David Robertson.

� minha primeira vez nesta regi�o da �frica.

Voc� a conhece bem?

N�o, nunca tinha vindo aqui.

Sou rep�rter.

Meu nome � Locke.

- David Locke? - Sim.

Li muitas das suas mat�rias. Prazer em conhec�-lo.

Est� aqui para uma reportagem?

Estou preparando um material.

Trechos de filme para um document�rio sobre a �frica.

J� acabei, gra�as a Deus. Ou quase.

Do que mais precisa?

Queria fazer contato com as guerrilhas.

Todo mundo sabe que est�o lutando aqui.

Prenderam alguns fazendeiros. Deve ter ouvido falar.

Ouvi.

De qualquer forma, devo ter seguido a pista errada.

N�o h� muitas aqui.

Voc� n�o � jornalista tamb�m, �?

N�o. Estou aqui a neg�cios.

Neg�cios?

Neste fim de mundo?

Estive em tantos lugares nos �ltimos anos

que n�o faz mais diferen�a.

� bonito, n�o acha?

Bonito? N�o sei.

Muito parado.

Como se estivesse

esperando.

Voc� � po�tico demais para um homem de neg�cios.

Voc� acha?

O deserto n�o tem o mesmo efeito sobre voc�?

N�o. Prefiro gente a paisagens.

H� homens que vivem no deserto.

Tem fam�lia?

N�o tenho fam�lia ou amigos.

S� algumas obriga��es e um cora��o ruim.

Eu n�o deveria beber.

Que tal mais um drinque?

Por que n�o?

E agora?

Vou continuar minha volta ao mundo.

Sou um globetrotter.

Vivo um dia de cada vez.

Deve ser diferente para voc�, n�o?

� diferente.

Mas deve ter estado em muitos lugares.

� verdade.

E Umbugbene?

Aposto que nunca esteve l�.

N�o.

Um lugar horr�vel.

Aeroportos, t�xis, hot�is. S�o todos iguais no fim das contas.

N�o concordo. Somos n�s que nunca mudamos.

Traduzimos situa��es e experi�ncias da mesma maneira.

N�s nos condicionamos.

Somos escravos da rotina. � isso?

Algo do g�nero.

Por mais que voc� tente,

� muito dif�cil deixar os h�bitos de lado.

At� a maneira como falamos com eles

ou os tratamos, � errada.

Como ganhar a confian�a deles? Voc� sabe?

� assim, Sr. Locke,

voc� lida com palavras, imagens, coisas fr�geis.

Eu chego com mercadorias, coisas palp�veis.

Eles me entendem imediatamente.

�. Talvez.

Para onde vai depois?

Londres, acho. E talvez Munique.

Por nenhum motivo especial. S� quero rever alguns lugares.

N�o vou a Londres h� tr�s anos.

Sim?

H� um cavalheiro no quarto 11.

Ele est� morto.

- Sr. Locke? - Robertson.

Ah, claro. O h�spede do quarto 11.

Acredito ser o Sr

Locke. David Locke.

Isso mesmo.

Era um jornalista, acho.

Que desastre.

N�o h� m�dicos ou voos pelos pr�ximos tr�s dias.

O que fazemos com ele, Sr. Robertson?

Estarei l� fora.

Sr. Robertson.

- Sr. Robertson. - Sim.

Ele est� morto, Sr. Robertson.

O que v�o fazer?

Mandaremos o corpo para a cidade. Por causa do calor.

Temos que ser r�pidos aqui.

- H� regulamentos. � muito triste. - �.

Sabe se o Sr. Locke era religioso?

Temos uma miss�o cat�lica. O que acha?

Tenho certeza de que � boa ideia.

Sim.

Biblioteca. David Locke? Sim, est� bem.

Martin, talvez conhecesse David melhor do que qualquer um aqui.

Ele n�o estava na �frica fazendo um filme para voc�?

� verdade.

Devo come�ar dizendo o quanto

fiquei abalado com a not�cia da morte dele.

Foi t�o de repente. Ele era muito jovem.

Se pedissem para resumir

o que fazia de David um bom jornalista,

o que voc� diria?

Primeiro, as suas origens.

Ser brit�nico e educado na Am�rica lhe conferia

uma perspectiva diferente, um certo distanciamento.

E ele tinha um grande talento para a observa��o.

David Locke, jornalista e escritor, morre na �frica, aos 37 anos.

Onde voc� estava hoje?

Amanh� � tarde, na Rua Ossington?

Amo voc� Stephen

- Viagem de f�rias? - Mais ou menos.

- Onde quer deixar o carro? - N�o sei.

- Para onde vai? - Ainda n�o me decidi.

Aqui est� uma lista de nossas lojas. D� uma olhada.

Iugosl�via. Vou para a lugosl�via.

- Dubrovnik? - Sim. Dubrovnik. � bonita.

- Por quanto tempo? - Pelo resto da vida.

Por que n�o compra um carro novo?

Obrigada.

Aqui est�.

- Obrigado. - Obrigada.

Sr. Locke.

David.

David.

O que acha que est� fazendo?

- � maluco? - Sou.

Rachel, aonde voc� vai?

Sr. Robertson?

Sr. Robertson?

Teve problemas no aeroporto?

Est�vamos esperando um contato seu.

Sim.

Temo que tenha havido uma pequena confus�o.

Podemos conversar agora?

Conversar?

Acho que sim. Podemos.

Este � o Sr. Achebe.

Somos muito gratos pela ajuda, Sr. Robertson.

Correu grandes riscos por n�s.

Conseguiu tudo o que quer�amos?

Pegou os documentos?

Documentos? Ah, sim.

D� uma olhada e me diga o que acha.

Sim.

Excelente. Excelente.

Conseguiu os rifles FN tamb�m. Excelente.

Pena n�o ter conseguido as armas antia�reas.

�.

Muito bom.

Que bom que est� tudo a�.

Lamento pelas armas antia�reas. Espero que n�o sejam

um problema.

N�o. Os avi�es deles n�o s�o muito eficazes.

Escapamos com facilidade.

Nosso maior problema � a ajuda militar

que o governo est� recebendo da Europa.

N�o � nenhuma surpresa.

Aqui est� a primeira parcela, Sr. Robertson.

N�o quer conferir?

N�o. Tenho certeza de que est� tudo aqui.

A segunda ser� paga em Genebra, como combinado.

Sabe o n�mero.

E o nosso pr�ximo encontro ser�

em Barcelona.

Exatamente como combinamos.

Ouvi falar muito sobre voc�, Sr. Robertson.

Percebo que n�o � como os outros

e que acredita na nossa luta.

Isso ser� de grande ajuda para o nosso povo.

N�o preciso dizer que o governo atual tem agentes

que talvez tentem interferir.

Se acontecer, espero que nos contate.

Faremos todo o poss�vel para ajudar.

Obrigado.

Lembran�as � Daisy.

- A Quem? - � Daisy.

- At� logo. - At� logo.

- Tchau. - Obrigado.

Meu Deus.

Desculpem.

Sim, no laborat�rio, �s 16h. Muito obrigado.

Rachel.

- Tudo bem eu entrar assim? - Claro que sim.

- Posso assistir? - Por favor. Venha sentar-se aqui.

Use o outro banco.

- Tudo bem? - Acho que sim.

Sr. Presidente,

pode comentar as recentes pris�es de estrangeiros?

Este assunto

est� nas m�os das cortes de justi�a.

S� a lei poder� responder.

A Frente Unida de Liberta��o ainda controla as prov�ncias do norte?

Em outras palavras, ainda h� guerrilhas?

Talvez.

Pela primeira vez

a terminologia oficial corresponde aos fatos

e eles s�o os seguintes...

Isso n�o � mais um problema.

Intelectuais e jornalistas gostam de fazer publicidade.

Para dar algum sentido pol�tico ao movimento.

Chega.

Est� vendo muitas entrevistas do David.

Obrigado. Pode ir almo�ar.

Ent�o...

Que bom que veio.

O que acha da minha ideia?

- Um tributo ao David? - �.

Para qu�?

- Para que se lembrem dele. - �?

E pode ser uma maneira de juntar todo esse material.

N�o parece muito entusiasmada.

N�o � isso.

S�o os rep�rteres, as entrevistas...

David n�o era t�o diferente.

Eu estava a�.

Fui v�-lo, mas s� fiquei um dia.

N�o quero parecer desleal

mas ele era muito permissivo.

N�o houve muita proximidade entre n�s nos �ltimos anos.

N�o sei por que estou falando isso.

Desculpe. Espero que fa�a seu filme.

- Voc� o ama? - Acho que sim.

S� n�o �ramos muito felizes juntos.

N�o h� mais luta.

A situa��o est� praticamente normalizada.

S� restam algumas centenas de gangues

nas m�os de bandidos comuns.

O partido de oposi��o poder� nomear candidatos

na pr�xima elei��o?

N�o h� oposi��o. Somos uma na��o unificada.

- Acha... - Acho que este pa�s

est� no caminho certo para um futuro brilhante.

- David. - O qu�?

- Meia-hora. - Est� bem. Vejo-o depois.

- Voc� n�o gostou da entrevista? - N�o.

Voc� se envolve em situa��es reais, mas seu di�logo n�o � real.

- Por que disse que ele era... - Um mentiroso?

- �. - Eu sei.

Mas s�o as regras.

N�o gosto de v�-lo cumpri-las.

Ent�o, por que veio?

Quarta-feira, 5 de Setembro, 1973 BARCELONA

12h - Parque Comunal Umbr�culo

Sim. Al�, Avis?

Sr. Robertson. Ol�, como vai?

Sei, mas n�o vou para Dubrovnik.

N�o, vou para Barcelona.

Isso mesmo. Pelo resto da minha vida.

Igualmente. Obrigado.

Tchau.

� bonito.

Meu nome � Robertson.

Estou esperando algu�m que ainda n�o chegou.

Vi tantas delas crescerem.

As pessoas olham para as crian�as

e imaginam um mundo novo.

Mas eu,

quando as vejo, s� vejo a mesma trag�dia

se repetir.

Eles n�o conseguem nos deixar.

� entediante.

Onde aprendeu a falar ingl�s?

Quer que eu conte minha vida?

- Quero. - Muito bem.

Um dia, muito longe daqui...

...oficiais s�o acusados pela autoridade militar...

- Desculpe, n�o quis chate�-la. - Eu sei.

As coisas do David chegaram?

N�o. Ligaram dizendo que leva uma semana, pelo menos.

- A mesma trapalhada. - Eu sei.

Perguntaram se conhe�o um tal de Robertson.

Estava no mesmo hotel que David.

- Pode encontr�-lo? - Possivelmente.

- Gostaria de falar com ele. - Eu tamb�m.

Por que n�o tenta esquecer?

�. Sei que � idiotice.

N�o ligava nem um pouco antes.

Agora que ele est� morto, eu ligo.

Talvez estivesse enganada a seu respeito.

Se tentar de verdade

talvez possa reinvent�-lo.

Martin Knight, por favor.

Quando? Mesmo?

Rachel Locke.

Sim.

Que �timo.

Como descobriu. Avis?

Hotel Oriente.

Obrigada.

Avise se acontecer qualquer outra coisa.

�timo. Tchau.

O que aconteceu?

Martin.

Ele foi para Barcelona de manh�.

Talvez tenha encontrado Robertson.

Ainda o est� procurando?

Estou.

Com licen�a. Estava tentando me lembrar de algo.

� importante?

N�o.

Que lugar � este? Entrei por acaso.

O homem que o construiu foi atropelado por um �nibus.

- Quem era ele? - Gaud�.

Venha.

Ele construiu esta casa para um fabricante de veludo.

Usavam esta sala para concertos.

Wagner.

Acha que era louco?

Como entrou aqui por acaso?

- Eu estava fugindo. - Do qu�?

Achei que algu�m poderia estar me seguindo.

- Algu�m que me reconhecesse. - Por qu�?

- N�o sei. - Bem, eu n�o o reconhe�o.

Quem � voc�?

Eu era outra pessoa

mas fiz uma troca.

E voc�?

Bem, estou em Barcelona

converso com algu�m que pode ser outra pessoa...

Eu estava com os outros

mas vou visitar as outras obras de Gaud� sozinha.

- Todas elas? - Todas s�o bons esconderijos.

Depende de quanto tempo voc� tem.

Tenho que ir embora hoje. Esta tarde.

Espero que consiga.

Pessoas desaparecem todos os dias.

- Toda vez que saem do recinto. - Adeus.

Podemos lhe dar outro carro, Sr. Robertson?

Este precisa ser consertado.

Podem, sim.

Contanto que seja grande.

A prop�sito, Sr. Robertson.

- Tenho um recado para voc�. - O qu�?

Um recado.

� do Sr. Knight.

N�o pode ser para mim.

Tenho certeza de que n�o � um engano. Aqui.

Ele disse n�o conhec�-lo...

mas queria que entrasse em contato.

Est� no Hotel Oriente.

No mesmo que o seu.

Caro Sr. Robertson, temos um amigo em comum, David Locke

sobre o qual gostaria de conversar. Agradeceria

se me procurasse no Hotel Oriente.

- Serve um Fiat 125? - Filho-da-m�e.

Tem certeza de que ele disse n�o me conhecer?

Certeza absoluta, Sr. Robertson.

Muito obrigado. N�o vou precisar de outro carro.

Desculpe.

Decidiu n�o desaparecer?

N�o.

� por isso que vim. Achei que pudesse me ajudar.

Por aqui.

Como posso ajud�-lo?

Como pode me ajudar?

Parece loucura, porque n�o posso explicar.

Algu�m est� atr�s de mim.

- Outra pessoa? - N�o. O mesmo homem.

Algu�m que n�o quero encontrar.

Comprei um carro.

De segunda m�o. Terceira m�o.

Vou embora de Barcelona, mas tenho que pegar minhas coisas no hotel.

Parece bastante f�cil.

Mas ele deve estar me esperando.

Ent�o, quer que eu pegue as j�ias e os documentos secretos?

Quero.

Eu lhe darei as chaves do carro, meu passaporte e mil pesetas.

N�o sei para quem mais pedir.

Tudo bem.

Com licen�a. Posso falar com voc� um instante?

- O que foi? - Desculpe a intromiss�o

mas soube que � amiga de David Robertson.

- De quem? - David Robertson.

De certa forma, mas quem � voc�?

H� muito que tento encontr�-lo.

Achei que talvez soubesse onde ele est�.

No hotel, disseram que essas coisas s�o dele.

- E s�o. - Desculpe. Meu nome � Martin Knight.

Sou produtor de TV, na Inglaterra.

Vim de longe para falar com ele, mas n�o o acho.

Entendo.

- Eu o levarei at� ele. - Mesmo? Que gentileza.

Obrigado. Deixei um recado...

na locadora Avis, mas parece ter havido um engano.

Acho que ele me falou de voc�.

Importa-se de me seguir em um t�xi?

Tenho que pegar mais pessoas com bagagem.

Est� bem. Muito obrigado. � muita gentileza.

Vou pegar um t�xi.

- Foi dif�cil? - Bem...

- Obrigado. - Venha.

A sacola � sua?

Posso fazer uma pergunta?

- Uma, sim. - S� uma. A mesma.

Do que est� fugindo?

Vire-se de costas para o banco da frente.

Fugi de tudo.

Da minha mulher.

Da casa.

De um filho adotivo.

De um bom emprego.

De tudo, exceto alguns maus h�bitos.

Como conseguiu isso?

Houve um acidente.

Todos pensaram que eu estava morto.

E eu deixei que pensassem.

N�o h� como explicar, h�?

Acho que vou ser gar�om em Gibraltar.

�bvio demais.

- Ou um escritor no Cairo. - Rom�ntico demais.

- Que tal traficante de armas? - Improv�vel demais.

Na verdade, acho que sou um.

Ent�o, depende de que lado est�.

�.

Acabei de vender cinco mil granadas, 900 rifles

e muita muni��o para pessoas

que travam uma guerra secreta em um canto obscuro do mundo.

- Gostei. - Gostou dessa?

Gostou.

E voc�?

Sou uma turista que virou guarda-costas.

Estou estudando arquitetura.

- Arquitetura? - �.

Que impress�o acha que causa

quando entra em algum lugar?

As pessoas olham para mim e me acham interessante.

Nada de muito misterioso.

Aprendemos muito mais fazendo a mala de algu�m.

� como ouvir a conversa alheia pelo telefone.

Um quarto.

- Como se sente? - Feliz.

Aquele homem procurava David Robertson.

Quem?

O que o seguia.

- Que mais? - Nada.

Disse que era produtor de TV.

Queria falar sobre uma amiga, s� isso.

Tem um encontro com a Marina

�s 15h, do dia 10 de setembro. N�o se esque�a.

Na Plaza de la Iglesia, em San Ferdinando.

E outro, no dia seguinte, em Osuna, com a Daisy.

- Osuna. - �.

No Hotel de la Gloria. Talvez seja muito pitoresco.

Eu n�o vou.

Que pena. Todas essas mo�as: Lucy, Marina, Daisy.

Daisy de novo. Parece ser sua favorita.

- Acho que Daisy � homem. - Homem?

�.

Ontem, quando o filmamos na vila,

entendi que foi criado para ser curandeiro.

N�o � estranho algu�m como voc�

passar muitos anos na Fran�a e na lugosl�via?

Isso mudou sua forma de ver alguns costumes tribais?

Eles agora n�o parecem falsos e talvez errados para a tribo?

Sr. Locke,

h� respostas satisfat�rias para todas as suas perguntas.

Mas acho que n�o entende qu�o pouco pode aprender com elas.

Suas perguntas

revelam mais sobre voc�

do que minhas respostas revelariam sobre mim.

Elas s�o sinceras.

Sr. Locke, poderemos ter uma conversa

se n�o falarmos s� sobre o que acha sincero

mas tamb�m sobre o que eu considero honesto.

Claro, mas...

Agora, podemos ter uma entrevista.

Pode me fazer as mesmas perguntas.

- Est� tudo bem? - Est�. At� mais.

Martin, voc� voltou.

Que sorte. Estava tentando encontr�-la.

- Quero ver isso de novo. - O qu�?

- Isso. - O que �?

Ah, sim.

- O que aconteceu? - Ele desapareceu.

Quem? Robertson?

Foi como se estivesse com medo.

- Com medo? - N�o sei por qu�.

Acho que devemos contatar a embaixada.

Talvez eles saibam de algo.

- Eu sei. - O qu�?

Tenho que pegar as coisas de David l� amanh�.

Sra. Locke.

Boa tarde. Por favor, sente-se.

Sra. Locke,

o meu governo lhe d� os mais sinceros p�sames.

Obrigada.

Estas coisas s�o para voc�.

Quanto � sua investiga��o,

soube que perguntou sobre o Sr. Robertson.

- David Alfred Robertson. - Sim.

Pode me ajudar?

Deve ter sido o �ltimo a falar com o meu marido.

Robertson est� envolvido no tr�fico de armas em nosso pa�s.

Tr�fico de armas?

Ele pode ter matado o meu marido?

N�o.

Temos certeza do laudo do m�dico. Seu marido morreu de enfarte.

- Meu marido sabia quem ele era? - Acho que n�o.

Robertson est� ligado � Frente Unificada de Liberta��o.

Como direi...

uma organiza��o um tanto radical, liderada por Achebe.

S�o pessoas muito desordeiras. Muito pouco inteligentes.

- Mas Robertson desapareceu. - Mas ele estava em Barcelona.

- Quando o contatou? - H� tr�s dias.

Planeja continuar procurando por ele?

Sim.

H� tr�s anos que n�o vou a Londres.

N�o seria melhor nos esquecermos de onde estivemos,

nos esquecermos de tudo, jogarmos tudo fora, todos os dias?

Infelizmente, o mundo n�o funciona assim.

Tamb�m n�o funciona do outro jeito.

� esse o problema.

O que h� do outro lado daquela janela?

As pessoas acreditar�o no que eu escrever. E por qu�?

Porque corresponde �s expectativas delas.

E � minha tamb�m, o que � o pior.

Bem, na �ndia, eles...

Acho que seu gravador...

- Eu devo ter... - Ainda est� gravando.

Desculpe.

Plaza de la Iglesia. � aqui.

� melhor eu continuar sozinho.

Ningu�m.

Que diabos est� fazendo aqui comigo?

Comigo quem?

Com o �nico "eu" que conhe�o. N�o h� outros. Todo o resto...

Vamos comer.

- O meu eu est� faminto. - N�o.

- Por qu�? - Porque n�o me interessa

desistir.

Espero que consiga.

Conseguir o qu�?

Esperem.

- Acredita em coincid�ncias? - Nunca me perguntei isso.

Eu nunca notava. Agora, vejo por toda parte.

- Sabe de uma coisa? - O qu�?

- Eu j� a tinha visto. - Onde?

- Em Londres. - O que eu estava fazendo?

- Lendo. - Devia ser eu mesma.

- No que est� pensando? - Em nada.

Licen�a, se�or.

- O carro branco l� fora � seu? - Sim. Por qu�?

A pol�cia procura pelo dono.

Pe�o para entrar?

N�o. Eu saio.

Ele procura um convers�vel branco com placa de Madri.

Ele n�o sabe por qu�. Quer que o acompanhemos.

Eu vou. � melhor.

Est� procurando pelo carro ou pelo motorista?

Est�o procurando David Robertson.

Uma mulher chamada Rachel Locke

pensa que ele corre perigo.

Perigo de qu�?

Se�ora Locke?

- Se�ora Locke? - Sim?

Se�ora Locke?

- Se�ora Locke. - Sim.

Recep��o.

Tem um quarto duplo para esta noite

- para n�s? - Deu alguma outra informa��o?

Obrigado.

E a embaixada? Tentou contat�-la?

O que disseram?

Pol�cia.

- H� um buraco no peito de a�o. - O que � isso?

� uma chapa de metal que protege o c�rter.

O �leo vai vazar.

O que vamos fazer?

Chegar a algum lugar, conseguir um mec�nico e consertar o carro.

Ele anda?

Devagar.

N�o � bonito aqui?

�.

� muito bonito.

N�o podemos subir ali. O carro n�o vai aguentar.

E a pol�cia logo vai chegar.

� melhor irmos.

H� um barco que sai de Almeria para T�nger.

Ou�a.

N�o pode fugir para sempre.

V� ao encontro.

N�o haver� ningu�m l�, como nos outros lugares.

Mas Robertson marcou esses encontros.

Ele acreditava em algo.

N�o era o que voc� queria?

- Mas ele morreu. - Mas voc�, n�o.

Est� bem.

N�s dois podemos ir.

N�o.

Pegue o �nibus

para Almeria.

Pegue o barco, v� para T�nger

e deixe uma mensagem para mim na American Express.

Encontro-a l� em tr�s dias. Se voc� for.

Est� bem.

Tome cuidado.

� do Felipe Mart�n.

Fechado.

Obrigado.

- Alguma bagagem? - N�o, nenhuma.

Obrigado, Sr. Robertson.

A Sra. Robertson chegou h� poucas horas.

- A Sra. Robertson? - Sim.

N�o precisamos do seu passaporte. Um basta.

Est�o em quartos cont�guos por esta noite.

O que est� vendo?

Um menino e uma mulher de idade.

Est�o discutindo sobre que dire��o tomar.

N�o deveria ter vindo.

O que est� vendo agora?

Um homem co�ando o ombro.

Um garoto jogando pedras.

E poeira.

H� muita poeira aqui.

As coisas n�o s�o engra�adas?

As formas que criamos.

N�o seria horr�vel ser cego?

Conhe�o um homem que era cego.

Com quase 40 anos, fez uma cirurgia

e recobrou a vis�o.

E como foi?

Primeiro, foi o �xtase.

Ele se sentiu muito bem.

Rostos...

cores...

paisagens.

Mas depois, tudo come�ou a mudar.

O mundo era muito mais pobre do que imaginava.

Ningu�m tinha contado quanta sujeira havia nele.

Quanta feiura.

Ele via feiura em toda parte.

Quando era cego

atravessava a rua sozinho com uma bengala.

Depois de recobrar a vis�o

passou a sentir medo.

Come�ou a viver na escurid�o.

Nunca sa�a do quarto.

Depois de tr�s anos, ele se matou.

Que diabos est� fazendo aqui?

� melhor voc� ir.

Est� bem.

Este � David Robertson?

Voc� o reconhece?

Nunca o vi.

Voc� o reconhece?

Sim.

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