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O COMEÇO DA VIDA
Cada criança que nasce
é uma espécie de surpresa para a humanidade.
E, na minha opinião,
é com esse espírito que devemos acolher as crianças.
Esse é o primeiro grande desafio de uma pessoa:
lutar para passar pelo canal de nascimento.
Ela aguenta firme e consegue passar.
Foi sua primeira Jornada do Herói, e ela a superou.
Eles são guerreiros, sabe?
Eles sobrevivem a partos incríveis.
Se pensarmos em um recém-nascido,
temos um bebê vermelho e enrugado em nossos braços
que mal aguenta a própria cabeça,
e, aos 3 anos de idade, já consegue andar,
falar e até mesmo mentir sobre algumas coisas.
Então, aos 3 anos de idade, já sabe enganar,
já sente empatia pelos outros.
Uma das coisas que sabemos é que os bebês são
as melhores máquinas de aprender do universo.
Mesmo filósofos, psicólogos e psiquiatras pensavam
que os bebês eram irracionais, egocêntricos,
que eram imorais, que não entendiam causa e efeito,
que não conseguiam se colocar no lugar de outra pessoa.
E nos últimos 30 anos,
a ciência provou que é tudo exatamente o oposto.
Vocês são ótimas irmãs.
Sim.
Não.
Sim, sabe dizer sim?
Não.
Em vez de vê-los como tábulas rasas,
hoje já sabemos que eles são
os melhores cientistas e alunos que conhecemos no mundo.
Dizemos que crianças pequenas não prestam atenção.
Queremos mesmo dizer é que nunca param de prestar atenção.
Acontece que eles são
ultrassensíveis aos padrões de informação
e a tudo que acontece ao seu redor.
Eles usam essas informações
para tentar resolver problemas e descobrir o que acontece no mundo.
Os bebês criam hipóteses
sobre o que acontece no mundo
e tentam confirmá-las.
Esse é um dos motivos pelos quais
se um bebê está sentado num cadeirão no restaurante,
talvez ele derrube uma colher
e a colher bata no chão, fazendo um barulhão.
E um dos pais ponha a colher de volta no cadeirão e diga:
"Não jogue a colher".
Logo em seguida, o bebê joga a colher no chão de novo
para ver se faz barulho.
Os bebês estão ocupados tentando entender
o quanto o mundo é previsível.
O mundo funciona assim?
"Se eu derrubar a colher, vai fazer barulho de novo?"
Às vezes, eles fazem experiências conosco.
"Se eu jogar a colher, minha mãe vai se manifestar de novo?"
A mãe diz: "Pare!"
O bebê pensa: "Que legal! Estou entendendo minha mãe.
Já sei como fazer com que ela faça aquela cara".
Crianças com autoestima elevada
estão dispostas a se arriscar para aprender coisas novas,
pois elas podem estar erradas.
Então, a autoestima as ajuda a fazer coisas novas,
mesmo que a criança não tenha sucesso.
Na maioria das vezes, as crianças não acertam,
as crianças erram muito.
Como adultos, devemos tentar entender como é ser uma criança.
Elas tentam subir no sofá, mas o sofá é alto demais;
elas tentam se alimentar sozinhas e a comida cai.
Então, precisamos aumentar a autoestima delas
para que se sintam bem
e continuem tentando até serem bem-sucedidas.
Chamamos os anos iniciais de anos de formação.
O que estimula o cérebro do bebê
não é nada além de uma percepção de si mesmo.
"Como é ser eu?"
"Como é ser humano?"
"Esta vida, o que é?"
O que está sendo formada é a sua autopercepção
e a sua percepção do mundo.
Uma criança precisa ser deixada livre,
livre para escolher, para observar.
Livre para se aproximar, para se afastar,
livre para poder experimentar
um material de diversos modos.
Às vezes, eu escuto dizer:
"A criança precisa aprender, é um recipiente que enchemos com saber".
Não, isso não é verdade.
Ela não é uma tábula rasa
onde você coloca seus saberes e suas competências.
As crianças aprendem
e co-constroem seu saber junto a você,
junto aos colegas, junto às outras crianças.
E fazem isso se te veem envolvida,
se divertindo com elas,
se te veem interessada no que elas estão fazendo
e se veem que esse interesse não passa só da criança para o adulto,
mas sobretudo da criança para as outras crianças.
O aprendizado começa quando o bebê nasce,
e há evidências de que eles já aprendem dentro do útero.
O aprendizado não tem programação, ele acontece através de associações.
Quando elas descobrem que aquele bloco
se encaixa naquele buraco de uma determinada forma,
quando montam algo que nunca montaram antes,
seja na cozinha brincando com as panelas,
ou construindo uma casinha no mato,
ou construindo algo na praia, na areia,
elas estão inventando.
Elas são as grandes inovadoras do mundo.
Imaginar mundos alternativos,
ser capaz de pensar no mundo de forma diferente do que de fato é,
é uma das capacidades mais potentes que nós humanos temos como adultos.
Se você pensar bem, tudo nesta sala
era imaginário da perspectiva de alguém
que um dia morou numa caverna, no início da evolução humana.
Para os bebês, desde o nascimento e nos primeiros anos de vida,
o cérebro faz ligações entre neurônios
numa velocidade impressionante.
A cada segundo, o cérebro faz
de 700 a 1000 conexões novas, a cada segundo.
No cérebro dos bebês, há muitas rotas e conexões possíveis
entre um neurônio e outro.
Durante o desenvolvimento, as rotas que são muito utilizadas
são mantidas e reforçadas,
e as que são pouco utilizadas praticamente desaparecem.
O ingrediente mais importante
são as pessoas que interagem regularmente com a criança.
O que chamamos de interação "bate bola" entre bebês e adultos.
O bebê faz algo como sorrir, balbuciar ou reclamar,
e o adulto responde ao que o bebê está fazendo.
E conforme os bebês crescem, mesmo ainda nos primeiros anos,
eles continuam respondendo, desde o comecinho.
Então, essa resposta de bate bola é essencial
para desenvolver o cérebro.
No peito da mamãe.
A mãe é a primeira amostra de humanidade
com a qual a criança tem contato.
A relação que você tem com sua mãe determina
o mundo para o qual você vai entrar
e o apoio que você pode esperar dos outros.
Fui abençoada por poder vivenciar
esse nível de amor.
Alguém pode te dizer: "Você vai amar essa criança".
Mas ninguém poderia ter me preparado
para um amor tão profundo.
Amar esses bebês mais do que meus próprios pais.
No segundo em que descobri, foi: "Eu tenho uma vida dentro de mim".
E cada detalhezinho, tipo...
meus quadris se alargando, não conseguir dormir à noite...
São todos esses pequenos detalhes que acrescentam ao amor.
Quando os seguramos e pensamos:
"Eu passei por tudo isso só para segurar você".
A mãe é a principal responsável
na construção do capital humano do seu filho.
Esse amor materno é uma parte importante da economia
e que não é totalmente reconhecido pela sociedade.
Não quero minimizar o papel do homem.
Sua função é muito importante.
Filhos de pais ausentes crescem em situação muito pior.
Mas também acho que a função da mãe é essencial.
Já vimos muitas famílias em que uma mãe, sozinha,
mesmo sem um homem, criou filhos muito bem-sucedidos.
Eu me debato com o fato de que, por um lado,
sou o único pai que conheço que fica em casa,
mas, por outro lado, alguém tem que fazer isso.
Alguém tem que fazer isso para cada criança que nasce.
Nós não temos um furador, mas nós temos barbante.
-Então, a gente improvisa. -O que quer dizer "improvisar"?
Significa se virar com o que temos.
Este é o Shep, meu filho mais novo
e aquela é a sua fantasia de Halloween.
O Shep tem 2 anos e ele gosta muito de trens,
então achei que essa seria uma ótima fantasia para ele,
o Halloween foi ontem.
Eu gastei bastante tempo e cola quente para montá-la,
mas acabou ficando muito pesada para ele usar.
Você precisa comer pelo menos 3 colheradas da salada e o feijão
para ganhar mais bacon.
Eu só quero abrir.
Só quer ver?
Muito bem, isto é o que ganha se comer o resto da salada.
Eu trabalhava como físico pesquisador,
e estava nessa empresa há uns 12 anos.
Quando eu falo para meus ex-colegas que parei de trabalhar
para cuidar dos meus filhos, eles falam: "Por que isso?"
E hoje, um ano depois, eu vejo que essa decisão
foi uma das melhores que tomei na minha vida.
Quando entrei no meu antigo emprego,
sabia que não davam licença maternidade,
mas eu poderia tirar uma licença médica.
Então, me ofereceram 2 meses de licença médica,
com opção de prorrogar
caso o médico achasse necessário conceder uma extensão.
Eu aceitei os termos, mas ao final do 2º mês,
meu chefe queria que eu voltasse ao trabalho.
Fizemos uma reunião para falar sobre o dia em que deveria voltar.
"Você vai voltar", esse era o plano.
Mas, quando chegou a hora, eu não consegui deixá-la.
Eu estava aprendendo a amamentar,
com 2 meses minha produção de leite estava aumentando.
90% das mulheres nos EUA querem amamentar seus filhos.
Querem fazer isso por eles.
Apesar disso, aos 6 meses, nos EUA, apenas 16% ainda estão amamentando
e no Canadá, 26%. São índices muito baixos,
considerando quantas mulheres queriam amamentar.
E em países onde isso acontece, onde você recebe
um salário integral para ficar com seu filho,
a taxa de amamentação é muito alta.
Por exemplo, na Suécia, Finlândia e muitos desses países,
eles oferecem licença paga para as mães e para os pais.
E se observou que, se você tem um pai que participa,
a mãe tem mais chance de amamentar com sucesso
e alcançar suas metas de amamentação. Isso é incrível!
Um pai participativo ajudando a mãe
a se envolver mais com a criança.
Licença maternidade não paga não é viável para muitas famílias.
É muito importante, nos primeiros meses,
encorajar alguém a ficar com o bebê em tempo integral.
A licença paga possibilita isso.
Saímos de licença maternidade por volta de um ano.
Sim, pois é! Eu sei.
Nunca é fácil dizer ao chefe que você está grávida,
porque ele sabe que você irá se afastar por um bom tempo.
É comum na Dinamarca ficar afastada por um ano,
mas você também pode ficar por seis meses ou menos.
As mulheres são muito fortes no mercado de trabalho,
então tentamos fazer os pais tirarem uma licença mais longa.
Então, é comum ver pais com crianças pequenas tirando 4 meses de licença
para ficar com as crianças enquanto são pequenas.
Nós tentamos fazer o sistema funcionar,
para mais homens poderem tirar licença.
Assim, dividimos as tarefas domésticas
e quem fica com as crianças.
Sou um péssimo pai.
Mas meus filhos gostam de mim.
Na verdade, eles me amam.
Outro dia, eu disse a eles:
"Eu grito muito com vocês".
E eles disseram: "Não, você só grita quando fazemos algo errado".
E eu disse: "É, mas eu não deveria".
Eles responderam: "Não, você é legal e não grita".
Eles são tão cegos de amor por mim,
porque precisam tanto de mim como pai,
que quase não veem meus defeitos.
Recebi uma oferta de emprego no condado de Prince George,
e minha filha mais velha, Mackenzie, vai à escola em outra cidade,
e eu a levo à escola todos os dias.
Era uma boa oferta,
mas não o suficiente para abrir mão de levá-la à escola.
Está causando problemas?
Ah, aí está, causou um problema para mim.
Nós dividimos as funções de cuidar da casa e da nossa filha.
Quem estiver disponível no momento
assume a responsabilidade de, por exemplo, preparar a comida
ou colocá-la pra dormir.
Por mais que os afazeres sejam cansativos,
nós dividimos tudo.
A relação fica desigual
quando só a mãe sabe como fazer as coisas.
Só a mãe sabe trocar fraldas ou segurar o bebê.
Então, o pai diz: "O bebê está chorando. Pegue-o".
Aí, o pai sente: "Meu trabalho é ganhar dinheiro,
e a minha mulher deveria me dar mais atenção".
Eu participei e cuidei junto desde o início.
Não porque eu seja uma pessoa melhor,
mas foi a escolha que fizemos.
Isso me ajudou a não me ressentir do tempo
que minha mulher fica com o bebê porque eu também fico.
Depois dos primeiros meses, você tem que dizer:
"Não somos apenas pai e mãe, somos também parceiros".
Eu tenho dois filhos, Joaquim e Felipe.
O Joaquim tem 6 anos e o Felipe tem 3 aninhos.
Sou enfermeira.
Trabalhei no ano passado durante o dia
e a professora do meu filho mais velho me dizia
que o via angustiado,
que notava que ele sentia falta dos pais durante o dia.
Ao me divorciar e ficar sozinha com eles,
tive que optar por trabalhar durante a noite
para poder ficar com eles durante o dia.
Passo o dia com eles,
e não posso descansar à noite. Tenho que sair para trabalhar,
porque minha rotina é assim.
E no dia seguinte estou com eles para o que precisarem.
Vesti a camisa de mãe
e isso me trouxe dificuldades no casamento,
porque me esqueci de ser mulher
e me dediquei totalmente aos meus filhos.
Mas enfim, estou com eles.
A primeira lição que eu e meu marido aprendemos rápido,
mas poderíamos ter aprendido mais rápido,
foi nunca falar: "Você pode me fazer um favor?"
A ideia era de que estávamos nessa juntos, como parceiros.
Meus filhos não ligam se eu sou importante,
ou se ganho dinheiro.
Eles só se importam se estou presente.
E isso é um ótimo lembrete para a vida.
Quero empurrá-lo na grama.
-Está bem. -Vou te empurrar.
Preparado?
Não vou deixar que faça de novo.
De novo!
Meu maior papel como pai é ser um playground.
Assim?
Que tal?
Podemos ficar assim.
De uma perspectiva criativa, uma das coisas mais importantes
de se dar a uma criança é nada.
É permitir que inventem algo com o que tiver ao redor.
E também incentivá-las
a inventar mundos.
Essa ideia de oferecer à criança oportunidades
de explorar, aprender e o que seja,
ou brincar.
A brincadeira é o principal veículo para o aprendizado da criança.
O que queremos é que as crianças
não tenham tudo tão fácil, sem desafio,
nem que seja tão difícil que não possam realizar.
Se você observar um bebê, ou criança em idade pré-escolar,
principalmente bebês e crianças pequenas,
eles repetem a mesma coisa sem parar.
Os adultos, às vezes, ficam entediados
quando uma criança ganha um brinquedo novo,
mesmo algo simples, como blocos, cartolina,
ou um quebra-cabeça simples,
assim que acabou de fazer, quer fazer de novo, sem parar.
Elas têm um instinto nato para dominar as coisas.
Brincar é o trabalho das crianças, é o que devem fazer.
Tudo de importante acontece quando elas brincam.
Elas se empenham,
participam do mundo e aprendem.
Vocês já viram bebês que são deixados tranquilos,
que são deixados viver sua própria realidade,
como eles sonham, olham,
absorvem, escutam.
Sentimos que várias coisas acontecem,
mas ele não faz barulho.
Esses são momentos formidáveis.
É preciso dar tempo para o bebê sentir sua própria existência,
porque isso é uma riqueza.
Acho que o dever do professor,
do adulto, até mesmo de um parente,
mas na escola é o dever do professor
construir contextos interessantes.
Ai, que cheiro! Camomila!
Me dá vontade de tomar um delicioso chá de camomila!
O que estou oferecendo ao meu filho, se sou mãe,
ou às minhas crianças, se sou professora?
Relações,
histórias e também beleza.
Estou oferecendo uma coisa que nasce dentro de uma história,
dentro de um cuidado.
-É gostoso? -É.
Você experimentou?
-Gostoso. -É gostoso?
Alimento é cultura.
No momento em que servimos um alimento,
estamos fazendo um percurso cultural,
estamos dando um estilo de vida à criança.
A comida tem um papel importantíssimo,
já que deve suprir a necessidade de amor, atenção e cuidado
deixada pela amamentação, que diminui com o passar do tempo.
Muitas crianças vivem em apartamentos
às vezes, muito pequenos.
Como fazemos para criar um bom ambiente para elas?
O ambiente, antes de tudo, está na mente das pessoas.
Pode não ter tantas coisas, não ter tanto espaço,
mas que valor as pessoas dão às coisas,
aos espaços com as crianças, ao ambiente?
Este.
Ai, que dor! Me dá um remédio?
Preciso de um remédio porque estou com muita dor.
Toma!
Esse é o remédio?
Não, eu quero um copinho de remédio.
Aqui está!
Pronto!
-Você se sente melhor? -Sim, bem melhor! Obrigada, doutor!
Na natureza, as crianças põem em jogo toda a sua corporeidade.
Elas a exploram e apreciam
não só do ponto vista biológico e naturalista,
mas também do ponto de vista ético e estético.
A beleza tem intrinsicamente um valor
de tipo ético e moral.
Acreditamos que o belo atrai o belo,
e atrai os gestos de beleza;
que o cuidado atrai gestos de cuidado.
E acho que esse é um ótimo exercício de cidadania,
um belo treinamento para a construção de um homem.
Observar as crianças e fazer esses diálogos com elas
torna o cotidiano extraordinário,
torna extraordinários os atos simples.
A chuva pode se tornar uma coisa interessantíssima,
a luz que muda...
Viver com as crianças, estar com elas,
é uma espécie de redescoberta de muitas coisas.
Mas o adulto precisa continuar a se encantar também
com um pedaço de papel alumínio do chocolate, sabe?
O papel alumínio que faz barulho, que brilha com a luz.
O adulto deve continuar a se encantar com essas coisas.
O mais importante para mim
é que eles tenham uma vida livre,
que eles encontrem seu próprio desejo.
-Eu "ama" papai. -Você falou certo?
Papai "ama eu"!
É muito importante ouvir as crianças.
Se você não ouve as crianças, você as perde.
As crianças têm coisas valiosas para contar
para todas as pessoas.
Mesmo uma criança pequena, quando tenta dizer algo,
o que ela está dizendo é muito válido.
Quando uma criança tenta dizer "mamãe"
e tenta dizer "papai",
isso é comunicação.
-Papai? -Sim?
Vamos ficar mais altos do que o carro de bombeiro.
-Mais do que o carro de bombeiro? -É!
Se compararmos o número de palavras que
crianças de famílias carentes ouvem
com o número de palavras ouvidas por crianças de famílias mais cultas
há uma diferença enorme no número de palavras por hora.
E pesquisas comprovam que realmente há uma diferença.
Essa diferença pode chegar a 30 milhões de palavras a menos
ouvidas pelas crianças de famílias carentes
até os 4 anos,
em comparação com crianças de famílias mais cultas.
-Cabelo? -Cabelo.
Não.
-Orelha? -Orelha.
E a sua orelha?
Onde está a sua orelha?
E o nariz?
E os olhos?
Não, onde estão os olhos?
-Queixo. -Sim, o queixo.
E o cotovelo?
-Muito bem! -Olho.
Olho.
Por que essa diferença é importante?
Porque sempre que um pai fala com seu filho,
isso provoca algo no filho, é um estímulo para a criança
e forma conexões cerebrais.
Se uma criança ouve 30 milhões de palavras a menos que seus pares,
já é um território desigual.
O que uma palavra custa como intervenção? Nada!
Vejo a minha amada
No lado leste do portão
Mas os anjos do céu enviaram
O assobio do vento norte
Vem cá, dá um beijo no papai.
O momento mais feliz do meu dia é quando minha neta
me chama de "vovô" depois que me levanto.
Quando comemos juntos e ela me pede
para segurá-la para comer no meu colo.
Meu filho é taxista em Pequim.
Minha nora trabalha numa fábrica de alimentos.
Embora a fábrica feche às 17h,
ela demora pelo menos 4 horas para conseguir chegar em casa.
O que os homens da caverna faziam com essa pedra?
Eles cortavam as ovelhas e os carneiros,
todas as coisas.
Por que eles não tinham...?
Ferro.
Porque eles não tinham faca, ferro...
Não.
-Então eles usavam... -Esta pedra.
Não brinquei com isso ainda.
-Ei! Por que a agressão? -Ele me bateu.
Se jogar coisas na sua irmã de novo, papai vai ficar bem zangado.
Filho, por que você foi violento?
Como você se vira contra ela do nada? Hein?
Por que isso?
Temperamento forte, hein?
Não! Ela não me deixou brincar.
Vamos comprar sua bicicleta no mercado.
-Não. -Como não? Sim.
-Não. -Ah, vai!
Todos os pais às vezes ficam tentados a bater nos filhos.
Porque você está cansado e se irrita com alguma malcriação.
A criança vê esse gigante vir até ele, furioso,
com a mão assim e, para a criança, é amedrontador.
Alguns tipos de maus-tratos a criança não sofre. Ela vê.
Ela vê a mãe e o pai brigando.
Então, para ela, brigar é normal.
Aprendem que é assim que se resolve problemas.
Se você tem um problema com o outro, você briga.
E eles levarão isso para sua vida adulta
e também para suas famílias, quando crescerem.
Há um provérbio chinês
que diz que os pais são os melhores professores dos seus filhos.
Assim sendo, o comportamento, a forma como se expressam
e a forma como reagem ao mundo exterior
terão grande influência sobre seus filhos.
Eu queria conversar com você.
Você não dormiu à tarde porque você não quis.
Mas quando você não dorme à tarde,
fica bem cansado
e não se comporta tão bem quanto poderia.
Então, vai ter que se esforçar para se comportar bem, certo?
Está pronto para se comportar e descer?
Porque se não estiver pronto para se comportar,
pode ficar mais tempo aqui em cima.
Talvez vendo livros ou algo do tipo.
-Descer! -Você quer descer? Tudo bem.
Radika tinha 7 meses quando chegou às nossas vidas.
Minha visão sobre Radika é:
de onde quer que tenha vindo, ela veio para nós.
É incrível, pois ela pegou trejeitos de nós dois.
É impressionante.
Ela tem a mania
de pegar a ponta da toalha de mesa, qualquer coisa.
Quando estava no colo dele, ela ficava...
Pegando a ponta da minha orelha,
ela fazia isso com o travesseiro.
-De pequena. -Quando eu tinha a idade dela.
1, 2, 3, 4, 5.
Metade da personalidade de uma pessoa
já faz parte dela,
que são 50%.
E os outros 50% vêm do ambiente,
dos pais, da escola.
Do resto das coisas.
Se não demos a ela 50%, ao menos, demos os outros 50%.
Acho que ela é 80% como eu.
As coisas ruins são atribuídas a mim.
Os 20% de coisas ruins que ela tem vêm do pai.
Nós planejamos contar a ela sobre sua adoção,
mas tem que ser de forma muito sensível.
Nós certamente vamos contar, não há nada para esconder.
Meus pais morreram.
Eu fui criada aqui no Fruitful Talent Center,
por pais voluntários.
Antes, eu sentia falta dos meus pais,
mas quando chegou a hora, eles me deram amor,
e me criaram como se fossem meus pais,
e eu pensei: "Meus pais já morreram,
mas eu tenho alguém para me acolher, me dar educação.
Então, tudo bem".
Se eles não estivessem lá, eu ficaria desesperada,
mas, como estavam lá comigo, eu disse:
"Obrigada. Vou chamar vocês de 'meus pais'."
Então, eu resolvi voltar
e ajudar também as crianças do Fruitful Talent Center.
Algumas das crianças não têm pais,
e, elas vêm me dizer: "Sabe, tia Beatrice..."
Eu digo: "O quê?"
"Antes, eu não tinha pai nem mãe, mas agora...
Antes eu não tinha nada para comer,
mas quando você me alimenta e nós brincamos, eu me sinto bem".
Então, eu digo a eles: "Isso é muito bom.
Vocês são meus filhos. Venham aqui.
Vocês não têm pai nem mãe, mas, enquanto estiverem aqui,
acreditarem em Deus e eu estiver com vocês,
vai ficar tudo bem".
Essas crianças que não têm pais
chamam o Fruitful Talent Center de lar.
Os problemas que temos, para ser sincera,
como onde eles dormem, não temos camas suficientes,
a comida também é um problema.
Alguns dias, não temos...
Hoje de manhã, não tomamos café da manhã.
Mas eu preparei água e disse: "Vamos tomar este copo d'água".
Todos beberam a água, e agradecemos a Deus.
Os primeiros anos são como construir a fundação de uma casa.
Você constrói a estrutura sobre a qual todo o resto se desenvolverá.
Então, se a fundação não for bem construída no começo da vida,
conforme a construção se ergue, algo ruim pode acontecer.
Nós, as doces crianças
Somos amadas por todos
O mundo é todo nosso
Temos asas como as borboletas
Que voam bem alto no céu
As palavras que falamos
Meu filho ficou muito doente e precisava de sangue.
Então seu próprio pai doou sangue a ele,
mas ele ainda precisava de mais sangue.
Então, peguei US$765 emprestados na cidade.
Por isso, tenho que trabalhar para pagar a dívida.
Meu trabalho é subir 30 andares carregando baldes d'água
e de cimento na cabeça.
Eu recebo US$ 4 por dia para fazer esse trabalho.
É muito duro, meu corpo quase não aguenta,
mas mesmo assim eu faço.
Pelos meus filhos, aguento tudo.
Primeiro de tudo, ser pobre por si só
é uma violação dos direitos humanos.
Todo ser humano tem direito às necessidades básicas,
todas elas.
Todo ser humano. Alimentos, abrigo, roupas,
serviços de saúde.
O básico, todo ser humano tem direito a isso.
Quando você cresce na pobreza, não recebe alguns desses itens.
A pobreza nega às crianças muitos dos seus direitos.
Muitas crianças não frequentam a escola.
Temos crianças fora da escola.
Se pesquisar sobre a vida delas, você verá
que as famílias não têm dinheiro para pôr comida na mesa.
Eu tomo conta do meu irmão e da minha irmã sozinha.
O que fazia em cima do telhado aquele dia?
Aquele dia estava chovendo e um pedaço do telhado caiu.
Fez uma goteira e estava tentando consertar.
Qual é seu maior sonho?
Não tenho sonhos.
Qual criança em desenvolvimento corre riscos?
A criança que vive em circunstâncias muito difíceis,
não um mau dia aqui e outro ali,
mas algo constante, dias, semanas, meses, anos,
onde há pouca interação positiva,
onde o nível de estresse é alto,
principalmente, na pobreza extrema,
em ambientes violentos ou em casos de doenças mentais graves,
como depressão ou uso de drogas.
Não há tempo para pensar no amanhã,
eles só tentam viver mais um dia.
E quando o lar é muito desorganizado,
não porque os pais não amam seus filhos,
mas porque são sobrecarregados pelas circunstâncias.
A mãe deles teve problemas no estômago e morreu.
Eu sofro por ver meus filhos...
sem mãe.
Eu me esforço bastante para ser um bom pai,
para que eles tenham alguém ao lado deles durante a vida.
Eu quero que meus filhos tenham uma boa vida
e uma boa educação, se possível,
que os levem aonde quiserem.
Crianças não são criadas pelo governo, mas pelas pessoas.
Não são criadas por instituições, mas por indivíduos.
No final, grande parte disso é como
os adultos mais importantes na vida das crianças
estão provendo o que elas precisam.
Mas o problema é quando valores políticos
ficam zangados com os adultos que não dão o que elas precisam
ou querem puni-los ou não querem ajudá-los:
"Posso ajudar as crianças, mas não vou ajudar os adultos".
A ciência diz que não se pode ajudar as crianças
sem ajudar os adultos que cuidam delas.
Crianças não são ajudadas por programas, mas por pessoas.
As consequências de não dar às crianças o que precisam
custam muito para a sociedade.
E mesmo para as pessoas que dizem:
"Eu cuido bem dos meus filhos.
Eu dou duro, as coisas não vêm fácil,
mas estou cuidando bem deles.
Não é justo me pedir para me responsabilizar
pelo que os outros não fazem pelos filhos.
Estou preocupado com os meus". A resposta é:
A vida dos seus filhos, quando crescerem
será mais fácil ou difícil
com base em quantas pessoas da idade deles
estão contribuindo ou são um peso para a sociedade.
Uma vez, Albert Einstein foi entrevistado por um jornalista
e ele perguntou: "Professor Einstein,
se você tivesse apenas uma pergunta sobre o universo, qual seria?"
Ele esperava uma pergunta muito sofisticada.
E Einstein respondeu que a pergunta seria:
"O universo é amigável?"
Nos EUA, fizemos um estudo que mostra
o benefício de um dólar investido nos primeiros anos de uma criança.
Quais são os efeitos em termos de redução de crimes?
Na redução de custos de encarceramento?
Nós descobrimos que para cada dólar investido
retornam por volta de 7 dólares.
Em termos de margem de rendimento,
que é basicamente quanto se ganha por ano para cada dólar investido.
Uma caderneta de poupança pode ganhar
3, 4, 5 por cento ao ano.
O que nós descobrimos
foi algo entre 7 e 10 por cento de rendimento ao ano.
O que é um rendimento muito alto.
Muito mais do que a bolsa de valores dos EUA.
E dar às pessoas a capacidade de serem autônomas
de lidarem com os desafios da vida,
tornando-as mais produtivas e assim reduzindo a desigualdade social.
Para mim, um governo que leva a sério
o desenvolvimento de suas crianças ou o futuro de sua nação,
deve investir em parentalidade.
Criar oportunidade para os pais
que permitam a eles terem qualidade de tempo com seus filhos.
Às vezes, os pais se preocupam
porque não têm dinheiro, não têm tempo,
não podem comprar para os filhos brinquedos caros, computadores e etc.
Eu digo a eles que esse brinquedo não importa.
Você é a coisa mais importante na vida dessa criança.
Você é o primeiro e o melhor professor.
São as coisas que vêm de graça:
suas palavras, seu amor, sua brincadeira.
É a conexão que você constrói entre você e seu filho
que faz toda a diferença do mundo.
Então, quando ajudamos a criança
e investimos na primeira infância,
estamos investindo na sociedade como um todo.
Se mudarmos o começo da história,
mudamos a história toda.
Para melhor.
É necessário uma vila Para criar nossas crianças
É necessário uma vila Para criar uma criança
Todos nós devemos Dividir a responsabilidade
Todos nós devemos Compartilhar a alegria
É necessário uma vila Para criar nossas crianças
É necessário uma vila Para criar uma criança
Todos nós devemos Dividir a responsabilidade
Todos nós devemos Compartilhar a alegria
Subpack e sincronia by DanDee
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