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- Posso ajudar? - N�o.
- Bennie. Carl. - Jett. Ele vem j�. Senta-te.
Posso voltar, se ele estiver ocupado.
Que engra�ada.
- Posso levar-te o casaco? - Quem tem gra�a agora?
- � s� um minuto. - Eu ouvi. Quem � o loiro l� fora?
Ele incomodou-te?
N�o me parece que sabe o que faz.
� um profissional.
- N�o est� ao nosso n�vel. - Est� � nossa frente.
Vi recentemente num sonho.
Soube logo que ia l� voltar.
Viktor, apresento-te o meu amigo, a Jett.
Prazer em conhecer-te, Jett.
Desculpa se retive o teu amigo.
N�o precisas desculpar-te. Pe�o desculpa por interromper.
Gostas de truques com moedas?
Nunca pensei muito nisso.
Uma moeda que desaparece � um truque que nos diz, "Agora v�s, agora n�o."
Tu �s igual, mas ao contr�rio.
Agora que est�s aqui, n�o podes desaparecer.
J� usaste essa.
Fica bem, Jett.
Caramba, Jett.
Fazes-me querer voltar a fumar.
Fuma. Eu n�o digo nada.
SEXTA-FEIRA
Onde raio estiveste?
N�o me toques!
N�o me batas, est�pido!
Tenho o bra�o partido!
Foste tu que fizeste isto, n�o foste?
Abandonaste-me. Esperavas o qu�?
Que n�o me lixasses o lugar.
- Porque esperaria isso? - Aqueles tipos deram cabo de mim.
Os adolescentes ricos?
O tio de um dos palermas � um gangster Argentino,
mandou um gorila, quase me partiu os dedos.
Porque parou?
Chega. Estou fora.
N�o quero voltar a ver a tua cara de parvo.
- De onde roubaste isto? - Est�s a ouvir?
- As notas est�o marcadas? - Est�s doente da cabe�a, Neal.
Estamos bem. Vai.
V�o querer os juros do empr�stimo inicial.
Juntei mais mil.
N�o sei porque nos envolvemos nesta rela��o advers�ria.
� como eu disse.
Desaparece da minha vista, est� bem? Para sempre.
Somos fam�lia.
Sou o �nico que sempre te apoiou.
- Como? - A s�rio?
Fazes ideia do est�pido que isso �?
Achas que gosto de ver a minha irm� com um palerma a vir-se nas mamas?
N�o me interessa minimamente o que pensas.
- Matou-me, mas vieste ter comigo. - N�o interessa.
Procuraste-me e ajudei-te com o problema.
Se agora est�s com amn�sia...
- Seja como for, Neal, estou fora. - Al�m disso, n�o finjas comigo.
Tu gostas. N�o digo que � a tua voca��o
mas gostas de ganhar dinheiro.
N�o preciso desta perspetiva, desaparece.
N�o te culpo, �s boa no que fazes. Sempre foste.
Lembras-te de Esperanza Beach?
Cabra!
Partiste-me o nariz!
Sabes o que mais gosto em ti?
- Pergunta com rasteira. - N�o segues as massas.
Muitas mulheres que conhe�o
gostam de estar em grupos, fazem tudo da mesma maneira.
Discutem umas com as outras, todos os detalhes.
Tu n�o �s assim.
Tu n�o �s assim.
N�o sei.
Achas que foi a tua educa��o?
Nunca pensei sobre isso.
Como eras em crian�a?
Dev�amos ouvir isto outra vez.
Resumindo, n�o me fa�am perguntas pessoais.
N�o, resumindo, s� estou a come�ar.
Vais dizer-me como te magoaste
ou vais fingir que tiraste um sinal?
Se o fizesse, n�o ias acreditar.
Experimenta.
- Alguma vez foste son�mbulo? - N�o.
N�o � algo que admita, mas,
em mi�da, acho que sa�a do quarto,
ia at� � casa de banho e acabava no jardim a olhar para as �rvores.
Era onde a minha av� me encontrava.
Quando a minha vida est� muito confusa
ou quando n�o se passa grande coisa, volto a ser son�mbula.
D�s contigo no quintal � procura da casa-de-banho.
De rabo ao l�u.
Est�s a tentar distrair-me.
N�o, fui contra uma �rvore a meio da noite
e espetei um ramo no bra�o, doeu como o raio que parta.
N�o sei porque rio, n�o teve gra�a.
N�o penses que, se adormecer,
vou passear no corredor do hotel como vim ao mundo.
Poderia atrair aten��o indesejada a ti aqui escondido.
Divertes-te muito como rapariga, n�o?
Tomo as minhas decis�es, se � isso que queres dizer.
Importas-te se fizermos de luz apagada desta vez?
- Est�s farto de me ver? - N�o.
Quero imaginar que estou contigo
e depois acender a luz e ver realizar-se.
Que grande poeta me sa�ste.
Jesus Cristo.
Admira-me que o velho cora��o ainda aguente.
Tudo � um medicamento, tudo � veneno.
- Isso � o qu�, sabedoria �ndia? - Li uma vez.
Tudo o que tomamos, a��car, drogas, sexo,
pode ser um medicamento ou veneno.
Tudo com modera��o.
Incluindo a modera��o.
N�o esperavas esta.
Isto somos n�s, irm�o.
N�o, senhor,
- N�o somos os pe�es? - Talvez quando comecei.
Agora �s este tipo.
Ainda persegues a mi�da?
- N�o persigo ningu�m. - Desculpa.
Ainda ficas � porta da casa � noite, a vigiar-lhe as janelas?
Cheque.
Como assim?
N�o � justo. N�o � justo.
Dizes que os �rabes inventaram isto?
No deserto. Tinham todo o tempo do mundo.
� isso que n�o percebo.
T�m todo o tempo para perceber
as formas precisas do jogo e das pe�as.
Diagonal, em forma de L,
para cima e para baixo, dois passos
at� que chegam � Rainha? Est�o cansados?
Dizem, "Que se lixe, a cabra mexe-se conforme lhe apetece."
Achas que devemos entrar, ver se ele est� bem?
De certeza que est� muito bem.
E tu, como eras em crian�a?
Lembro-me de tentar andar descal�o um ano inteiro.
Tinha uns 13 ou 14 anos.
Estava determinado a n�o usar sapatos durante um ano.
S� que n�o me deixavam entrar na igreja e eu adorava ir � igreja.
Sou um crist�o com notas baixas, mas sou crist�o. E tu?
N�o acredito nessas hist�rias c�smicas morais.
Tens sorte.
Gostava de dizer que n�o acreditava,
mas n�o consigo deixar de pensar
que, se a retribui��o existir, eu bem que mere�o.
- Est� tudo bem? - Bem? Porque n�o estaria bem?
Percevejos mexicanos?
Ele bateu-me.
Tenho de bater-lhe tamb�m. N�o estava a pensar nisso.
N�o.
Lembras-te do meu amigo Frank Sweeney?
Claro. Sociopata. Fatos Paul Smith.
Trabalhaste para ele umas vezes.
H� muito tempo.
Morreu durante o sono h� dias.
N�o sei porque me afeta tanto.
Pensei que conheci muitas pessoas que morreram
durante os neg�cios. S�o ossos do of�cio.
Ultimamente conhe�o muitos que morrem s� porque est�o velhos.
No nosso ramo, n�o podemos admitir que estamos a ficar velhos
porque s� o facto de o dizer d� a ideia errada.
N�o �s velho. N�o julgo pelo param�dico que est� aqui.
Que coisa querida de se dizer.
Nunca ningu�m me chamou de querida.
N�o te conhecem como eu.
O que vais fazer em rela��o ao Salas?
O Salas est� habituado ao poder, n�o � mente.
N�o posso esperar por ele.
Tem um barco cheio de hero�na a atracar aqui na pr�xima semana.
Ajudas-me com este brinco? Est� sempre a cair.
� um arranjo da treta.
S� h� uma rota de sa�da.
O que farias?
Se tivesse escolha, n�o entrava em lado nenhum s� com uma sa�da.
Obrigada.
N�o tens de qu�.
Evans: Amanh� �s 15h00, Est�dio Westlake
PRIS�O FEMININA JACKSON
� assim que funciona, s� o m�dico pode estar contigo durante o parto.
- Mais ningu�m? - N�o.
- Os guardas veem pelos monitores. - Claro.
Tens 24 horas com o beb�, antes de o levarem.
N�o querem que cries la�os.
A assistente social leva-o, para locais no sistema de ado��o.
- E mais? - Algemam-te logo a seguir ao parto.
�s vezes, at� durante. Depende da pris�o.
- � s�? - N�o imagino como possa ser pior.
- H� um homem chamado Carlyle. - Sr. Carlyle.
Sr. Carlyle?
Desta vez, n�o posso resolver isto por ti.
Lamento.
Se ficares de boca fechada, sais daqui a quatro anos.
Eu conhecia os riscos.
N�o h� outra forma.
- � o teu chefe? - N�o � o meu chefe.
Algu�m que conhece o jogo todo.
- O qu�? - Estou gr�vida.
Quando chove.
Diz-lhe que te enviei,
precisas de saber tudo sobre a assistente social.
- E o apoio. Tudo. - E depois?
No dia, trocas a assistente social.
Ele far� desaparecer a papelada.
- A pris�o n�o � para uma crian�a. - Eu sei.
Uma crian�a saud�vel vale muito.
N�o sugiro que o fa�as.
Roubar o beb�?
N�o vejo porque n�o.
N�o me pe�as para matar a assistente social, Daisy.
Ningu�m vai matar ningu�m.
A n�o ser que tenha de ser.
Agora � o momento para desistir.
ASSISTENTE SOCIAL
Vais ligar-lhe?
Alice.
- Alice? - O que achas?
Adoro.
M�e! N�o deixes o extraterrestre apanhar-me!
Um extraterrestre n�o.
Alice, anda! Sei onde podes esconder-te.
N�o queria aparecer, estava no carro � tua espera e a Alice viu-me.
- O que te aconteceu � testa? - Devias ver o outro tipo.
- Diz-me que foi o teu irm�o. - Foi o meu irm�o.
Est�o quites.
Livres de d�vidas e falidos.
Tenho de come�ar do zero,
algo em que tenho bastante pr�tica.
N�o ias voltar � escola?
Talvez. Preciso de poupar.
Pensei que precisasses de ajuda por aqui.
O que tinhas em mente?
Podia fazer algumas tarefas da Maria com a Alice,
lev�-la � escola, ao ballet.
Compras. Levar a Maria aos tratamentos.
Cortar a relva, dar comida �s galinhas.
Sei que n�o tens galinhas.
Quantas vezes treinaste este discurso?
Duas. Tr�s vezes. Foi muito depressa?
Quantas horas?
Se confiares em mim, fico ao teu dispor 7 dias por semana.
Precisamos de outra casa.
S�BADO
Falei com o Miljan.
- Aceitou que ficasses com 400. - Que atencioso.
- H� algum problema? - N�o.
- D�-me as m�s not�cias. - N�o h� m�s not�cias.
S� boas not�cias.
Tinhas de saber quantos mais trabalhos ter�s.
Ele disse tr�s.
- Mais tr�s e depois? - Depois a tua d�vida fica paga.
N�o adianta perguntar quantos s�o.
Aqui est� o primeiro trabalho.
Chama-se Nolan.
Ol�. Parecemos espi�es em Berlim.
N�o disseste que era uma estrela.
Porque n�o desabafas, diz-lhe o que tens em mente.
Est� bem.
Menina, eu sou m�dico, tenho v�rios tipos de doentes.
Gostam de falar. Muito. Ent�o, eu escuto.
H� um casal,
� atriz, fez uns programas de TV nos anos 90, nada de mais.
Casou com um empres�rio, o paciente.
- Conta-lhe do carro. - Estou a p�r a mesa.
Costuma ler a revista Casa e Decora��o?
S� no consult�rio m�dico, � espera de fazer uma citologia.
H� revistas giras nos abrigos.
Grandes egos, como o meu doente, o que est� casado com a atriz?
Tem propriedades no pa�s.
Tem uma casa de ver�o em Portsmouth, no lago,
que est� fechada nove meses.
Tem oito empregados, fica s� dois nesses meses.
Olha, acess�rios de ferro aut�ntico em todas as portas. Giro, n�o �?
Sim. D� abrir qualquer fechadura apenas com uma chave de fendas.
O que estava a perceber.
Uma elimina��o com ast�cia.
Na garagem est� um Mercedes-Benz 300SL Roadster de 1958.
Sabes quanto vale?
Porque n�o me dizes?
Foi vendido em leil�o no ano passado por dois milh�es de d�lares.
Roubar n�o � o problema, o problema � depois.
� a beleza da coisa. Ficamos com ele 24 horas, depois vai para outro pa�s.
- Tratas do embarque? - Tenho um interessado.
N�o � a minha quest�o.
Cada vez gosto mais dela.
O embarque est� assegurado. Trazes o carro, n�s tratamos disso.
Pe�o desculpa. Ele s� estava nervoso.
Isso � o que me deixa nervoso.
Precisas de quantos na tripula��o?
- Primeiro tenho de v�-lo. - A tua parte s�o 250.
Divide como quiseres.
Agora j� confiam no meu discernimento?
Disse-te que hoje s� tinha boas not�cias.
Boa fechadura. Uma boa fechadura d� boa sorte, � o que eu digo.
A malta quer entrar, pensa,
"Que chatice," e seguem para outra casa.
Obrigada
N�o parece muito feliz.
O que se passa?
Nada.
�s vezes, uma boa fechadura n�o chega.
Precisa de mais prote��o. O problema � esse?
- Como assim? - � a Am�rica. Precisa de uma arma.
Tira um curso, aprende a us�-la.
Sabe onde posso arranjar uma? Uma pistola?
Pense nisso. Se precisar de algo, um amigo meu arranja-lhe.
Estamos a falar de quanto?
N�o sou eu. � um amigo meu.
Arranja uma Ruger de 9mm ou uma Walther PPK por 400 d�lares.
Uma arma para dist�ncias curtas.
Carregadores de 10 ou 14 balas,
cano de 10 cent�metros, f�cil de desmontar e limpar.
A Ruger cabe no bolso, pesa pouco, fica bem na m�o.
Vai adorar, garanto.
Pense nisso e depois ligue-me.
DOMINGO
Aonde vais?
Ao gin�sio. N�o queria acordar-te.
Temos de falar.
Nunca � o melhor in�cio de conversa.
A Kim e a Alma estiveram c� ontem,
almo��mos e tivemos uma grande conversa.
A Kim estava a desvalorizar.
- Est�s a ouvir? - Sim.
Ela consegue ser uma bruxa, Kim.
- � a minha melhor amiga. - N�o era a Alma?
S�o as duas.
- O que tens contra a Kim? - Confio na Alma, a Kim pode ser...
manipuladora, �s vezes.
Seja como for, n�o vou meter-me.
Tu � que falaste nelas.
Eu estava a falar... Esquece.
Est� bem.
A forma como falavam dos maridos, n�o quero que acabemos assim.
Assim como?
A Kim dizia... Tens de jurar que n�o dizes a ningu�m.
Vou dizer a quem, � Alma?
A Kim dizia que quando
estavam noivos, deixava o Ricky terminar, na boca dela
e que agora n�o podia acreditar porque o fazia
e a Alma concordava, que era mau,
que s� se fazia antes de casar e nunca mais.
- Certo. - � a tua resposta?
Surpreendida? Nenhuma delas parece sequer gostar de sexo.
Que maldade. A Kim � muito sexual. A Alma...
N�o sei, acho que o Walter a engana.
- Talvez possas descobrir. - Como?
N�o sei, o detetive �s tu.
O que devo fazer, seguir um amigo?
Nem suportas o tipo.
� marido da amiga da minha mulher.
Segunda melhor amiga.
O que quero dizer �, n�o quero acabar assim,
a rir nas costas do meu marido.
Mulheres contra homens. A mesma treta.
Tem de haver uma forma melhor.
Estava a pensar, o nosso anivers�rio est� perto,
a partir de agora, uma nova resolu��o,
vou treinar o meu reflexo de v�mito.
- Qu�? - Quero melhorar no oral
e que descontraias e termines na minha boca. V�rias vezes.
- Querida. - N�o sei o que est�s a dizer.
O qu�?
- A s�rio? - � do trabalho.
Tenho a tua pila na boca. Respeita.
- � trabalho. - Parece que nem queres.
- Como? Claro que quero estar aqui. - Ele est� a chamar-te.
Desculpem. N�o dava para ajudar.
Estou a cinco minutos.
- Vai ter � Benning com a 33. - Porqu�? O que fazes a�?
O Jacinto Salas e o Junior, aconchegados como piolhos.
- Tens a certeza? - Absoluta.
O que tinha dito sobre seguires o Bobby sozinha?
- Quem �? - Bobby, fui descoberta.
Tem calma. Est� contente por te ver, grande coincid�ncia, s� isso.
- Chego daqui a tr�s minutos. - Vem para c� agora.
- Mundo pequeno, n�o? Bobby Larcum. - Bobby!
- O que fazes aqui? - Ver a minha cunhada
vamos comprar mob�lias de exterior por aqui, acho que cheguei cedo.
Nunca tinha vindo a esta igreja, resolvi entrar.
E tu? O que fazes aqui?
O meu amigo Charles � membro da congrega��o.
Ol�.
Bobby, temos de ir andando se quisermos ir ao brunch.
A Tiffany e o marido procuram casas.
Ainda falamos da �ltima casa, n�o penses que n�o o fazemos.
O meu marido gosta de ter tempo para tomar estas grandes decis�es.
- Como se chama? A loja? - N�o sei. A minha cunhada sabe.
Ando sempre � procura de bom mobili�rio de exterior.
Enfim, � melhor ir andando, gostei de ver-te.
- Tamb�m. - Tem um excelente dia.
- Vai com Deus. - Tu tamb�m, Bobby.
Posso ver?
O que est�s a fazer?
- Porque raio fizeste isso? - Arranjo outro.
- O que se passa? - Ela � pol�cia.
- O qu�? - � pol�cia e levaste-a l�.
Est�s completamente louco? � uma cliente.
- Procura uma casa com piscina. - N�o.
- Como assim, n�o? - V�s mais do que latinos ali?
Os �nicos n�o latinos sou eu e tu. A Tiffany e voc�s conhecem-se.
Achas o qu�, que h� coincid�ncias na vida?
Ocorr�ncias aleat�rias que se juntam sem raz�o aparente?
� o que pensas? Sem liga��o? Sabes o qu�o ing�nuo isso �?
Saltas tantos passos, que nem sei do que falas.
Primeiro, est�s zangado porqu�?
- N�o estou! - Est�s a gritar!
Porque o mundo que tu v�s como turista � o meu mundo,
fa�o isto desde que nasci
e os meus sentidos dizem-me que algo est� mal, eu nunca me engano.
Precisas de ajuda. A s�rio.
Adoro-te, mas precisas de ajuda.
N�o sejas condescende comigo. Nunca.
Estou a tentar ensinar-te algo e fazer o que fa�o normalmente.
Cala-te e aprende.
- Jesus. - O Jesus n�o � para aqui chamado.
- O que �? - Est� um tipo � tua espera.
- Deixaste-o entrar? - � muito giro.
ACONSELHAMENTO ESPECIAL
Conheceste o Ray Brewer?
- Giro como? - Do�-me o rabo s� de olhar para ele.
O Miljan Bestic nasceu na Mold�via, andou na escola em Londres.
Trabalha em expans�o internacional em servi�os n�o banc�rios,
neg�cios com seguran�a e iniciativas de atravessar fronteiras.
Fus�es de institui��es, aquisi��es. Obrigado.
- Parcerias e alian�as estrat�gicas. - Diz-me algo que entenda.
Enfrentou uma rede virtual de lavagem de dinheiro da Costa Rica
contra o governo americano e ganhou. � bom.
Tem um castelo na Su��a, entra e sai de Marselha a cada seis semanas.
N�o vem oficialmente ao pa�s desde 2004.
H� um ano, esteve numa angaria��o de fundos em Marselha.
O Charles Junior estava l�, em nome do pai.
- E clientes? - Russos e ex-Russos, basicamente.
- Tem de haver alguma coisa. - H�. Uma irm�, mais nova em Miami.
- Filhos, marido? - Divorciada. Trabalhou com o Bestic.
Foi casado com a irm� do Bestic?
- Conheces? - Alguns.
H� outra liga��o.
H� 25 anos, o Bestic namorou uma modelo chamada Cristelle,
muito conhecida nas Cara�bas na altura.
- Alguma vez a viste? - Foi famosa por um minuto.
O avi�o dela caiu ao largo de Aruba.
Que interessa quem ele namorou � 25 anos?
Um ano antes de namorar o Bestic, era fotografada em v�rios clubes
agarrada ao Charlie Baudelaire.
Vives aqui a tempo inteiro?
Onde queres chegar?
Pensei que pud�ssemos tomar um copo, falar durante uns dias.
Talvez.
- � o melhor caf� que j� bebi. - Obrigado.
Seguiste o telefone do Bobby at� � igreja e onde estava o Salas?
- L� dentro com o Junior. - Porque ajudaria ele o Salas?
Talvez queira o neg�cio do pai, n�o consegue faz�-lo,
chama a concorr�ncia, faz um acordo.
Certo. O Salas livra-se do Charlie e assume e d� ao Junior o qu�
uma parte? Precisa o Junior para qu�?
Acho que n�o precisa dele para nada. Pode n�o ter a ver com ideias, sabes.
O Junior n�o me parece burro. Maluco, mas n�o � burro.
Sobreviv�ncia. O Salas faz o que tem a fazer, o Junior aposta o que tem.
O Charlie est� a envelhecer, a perder a m�o de ferro.
- Devemos prender o Bobby. - Ainda n�o.
N�o disseste que o Junior � maluco? O Bobby n�o est� seguro.
Precisamos dele l�.
O que significa esse olhar?
N�o tenhas pena do tipo e lixes isto tudo.
- Enviei-te menagem ontem � noite. - S� vi hoje de manh�.
Tinha a certeza que a Helen tinha visto e n�o dormi com a preocupa��o,
a sentir-me uma perfeita idiota.
N�o posso fazer mais isto. Quero um parceiro fixo.
Que me apoie, n�o me tire o sono e me irrite.
- Queremos o mesmo. - N�o queremos.
Queremos. Vou falar com ela.
N�o se trata dela, estou a falar de mim.
N�o est� ligado? N�o sei do que falamos.
Odeio sentir-me como um clich�.
Deixa ou n�o deixes a tua mulher. N�o o fa�as por mim.
O novo juiz do Charlie est� a juntar uma equipa
e devo passar a pasta.
Esses tipos s�o est�pidos. N�o vou deixar-te fazer isso.
N�o estou a pedir a tua permiss�o.
Sabes quanto tempo demorei a escrever a mensagem? Nem sequer respondeste?
- Ent�o? - N�o.
- Desculpa. - Tens o cheiro dela.
Ela usa uma esp�cie de �leo essencial.
N�o falo de �leos ou sabonetes, Jack. Cheiras � rata dela.
- Est� bem. - Tudo bem, certo?
As mulheres t�m levar uma queca ao domingo de manh�.
Faz parte do contrato. Levo isso em considera��o.
Meu Deus, podes parar? N�o fizemos.
Desligou a chamada, como se tivesse direito.
S� est�vamos a falar.
Faz-me o favor de n�o me tratares como uma idiota.
Ernesto, gracias.
Ouve, tinha uma no��o tresloucada.
Queria fazer-me um broche.
Que horr�vel, que desagrad�vel para ti.
N�o quero que ela me fa�a sexo oral agora.
Deves estar a dar a ideia errada.
Parece que a Helen e eu s� queremos chupar-te a pila.
S� simp�tico ao escolheres o que gostaste mais.
Quase nem consegues falar, Jack.
Est� bem.
A bola de t�nis representa uma �nica part�cula.
Os seus movimentos parecem prov�veis para a frente como para tr�s.
Os jogadores representam os milh�es de part�culas do nosso mundo.
Um mundo de tempo passado e futuro.
Se revertermos a pel�cula do jogo,
os seus comportamentos parecem bastante prov�veis
desde que os movimentos obede�am a �nica part�cula.
Quando a menina se afasta da simetria do tempo da part�cula �nica da bola
percebem que a pel�cula n�o � realidade.
Os eventos do mundo que conhecemos n�o aconteceram para tr�s no tempo.
HOWARD PARK, 162
Espera, espera, espera, sai de cima de mim! N�o!
O que est�s a fazer?
Para de resistir.
Cabra maldita.
N�o! N�o!
N�o! N�o!
Que raio?
Estou a sonhar. Acorda. Acorda. � um sonho.
Rosalie.
- Rosalie. - O que queres?
Larga isso.
Levanta-te, n�o olhes.
Veste-te e vai ter comigo � cozinha, vamos resolver isto.
Meu Deus, o que fiz?
- N�o sei. - Senta-te.
Senta-te.
- Eu conhe�o-te. - Tens uma cortina de duche?
- Uma qu�? - Cortina de duche.
Sim.
Meu Deus, sei quem �s. �s o tipo que matou o Felix.
N�o dava para evitar. Tens duas escolhas. Lidar comigo.
Ou ficas aqui at� a pol�cia chegar, passar um tempo na pris�o.
O que fazem aqui?
Precisamos da cortina, tens de comprar uma nova.
Rosalie, concentra-te. O que est� feito, est� feito.
O Felix estava no local errado
e o teu marido levou-te ao limite.
O que fizeres agora ir� determinar o resto da tua vida.
Se quiseres explicar ao j�ri, ficas � sua merc�,
tens uma pena reduzida, podes faz�-lo.
Se quiseres que isto desapare�a, temos de trabalhar r�pido, est� bem?
Camomila?
Temos de tapar o buraco da bala, tens massa ou cimento?
A bala n�o atravessou, precisamos de pouco.
Rosalie?
Debaixo do lava-loi�a. Comprei quando me mudei.
� o que acontece quando perdes controlo.
�s vezes, acontece. Temos de aprender.
- Ele entrou na minha casa. - Eu sei.
- Tentou violar-me. - � terr�vel. Eu entendo.
Estava a defender-me.
Defendeste-te. Ningu�m desmente.
� s� que arma n�o deve ser legal
e vais passar um mau bocado com a viola��o, sendo o teu marido.
A lei pode ser distorcida.
Agora tens de lavar a parede, limpar o sangue todo.
Quando o fizeres podes sentir-te mal, mas n�o vais vomitar.
Sabes porqu�? Se o fizeres, tamb�m tens de limpar.
Ouvi o tiro e assustei-me. Pensei que a tivesses apontado a ti.
- Tens andado a seguir-me? - Tomava conta de ti.
Sinto-me respons�vel pela tua situa��o.
N�o devia. Do ponto de vista profissional, n�o devia mas sinto.
Tens de perdoar-te pelo que aconteceu com o Felix.
- O meu sacerdote disse o mesmo. - Tem raz�o. Com licen�a.
Rosalie.
Carl. O que andas a fazer?
Manda-a para casa e fala com o Eddie, diz-lhe que preciso de uma fechadura.
Com volta para o polegar.
Uma porta nova tamb�m.
N�o sei, uma porta, tem montes delas.
Vai ter comigo � Funer�ria Franklin daqui a 30 minutos.
S� uma. Depois explico.
Quanto mais r�pido fizermos isto, mais r�pido voltas. Obrigado.
N�o � vergonha desmaiar.
Num mundo perfeito, n�o na cena do crime.
Como estava a dizer. Muitas pessoas desmaiam na primeira vez.
SEGUNDA-FEIRA
- Ol�. - Ol�.
Ent�o? Encontraste o Frank?
N�o foi preciso. A situa��o mudou. Obrigado pela informa��o.
- Porque ele est� morto. - Ainda bem que n�o fui � procura.
O Salas traz o barco cheio de hero�na para a semana e o Charlie sabe.
Como � que ele sabe?
O Salas mandou um assassino tratar dele,
mas deve ter pago pouco, o Charlie apanhou o tipo, torturou-o.
- Matou-o? - N�o perguntei. N�o estava l�.
- O que vai fazer o Charlie? - O que achas?
Roubar o equipamento. Mas duvido que haja algum envio.
O Junior e o Salas t�m andado juntos ultimamente.
Porque � que ainda n�o prendeste o Junior?
Porque pagam-nos para esperar e ainda n�o h� nada certo, � isso?
Sim. Quando o Charlie tentar roubar o envio e ningu�m aparecer,
vai perceber que algu�m falou.
Sei que n�o segues os meus conselhos, mas � melhor que n�o pense que �s tu.
Trato disso quando voltar.
- Aonde vais? - Spa com a namorada.
- N�o consigo imaginar. - H� pessoas com falta de vis�o.
Bom dia, Rosalie.
Tenho de ir trabalhar. N�o sabia se preferias caf� ou ch� primeiro.
- O que se passa? - Volta-te.
- O que est�s a fazer? - Disse-te para te virares. Devagar.
O que fal�mos sobre autocontrolo?
Legendas: Ana Sequeira
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