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Como a aranha, tecemos a vida e movemo-nos nela.
N�o, n�o me podes dizer isso.
Farias o mesmo, se a Sra. Charlie Baudelaire te pedisse.
N�o, n�o faria. Explica-me melhor.
Ela est� na piscina e diz, "Junta-te a mim?"
Diz estar muito molhada e eu seco,
se me juntava a ela para umas bra�adas.
Isso...
como � que se diz? � um eufemismo
Disse que n�o trouxe cal��es
e a empregada traz-me um par de cal��es do grandalh�o.
Pe�o licen�a, vou � casa de banho, sem saber como me meti nisto,
quando estava prestes a vesti-los, noto que t�m uma parte interior.
O qu�? O que � isso?
O qu�...
aquela rede?
- N�o! N�o os usaste. - Que mais podia fazer?
Cortar. Partilhaste um espa�o �ntimo com o coiso de outro homem.
N�o vou cortar os cal��es preferidos do Charlie Baudelaire.
Punhas a tua roupa interior entre ti e os cal��es.
N�o pensei nisso.
Pensei ele ter m�quina de lavar.
M�quina de lavar?
Dizes-me que se fores com um perito forense,
ele n�o vai encontrar pele morta,
ou um escroto fedorento... - Chega!
� o almo�o dele?
� querido.
Gostava de ter isso.
Que raios...
Quem raio �s tu?
Felix?
Era o que te tentava dizer.
A v�tima de rapto estava a ter um caso com o vizinho
e ele �, era, instrutor de jiu-j�tsu, qual era a probabilidade?
Dominou o Carl e eu alvejei-o.
N�o, o instrutor de jiu-j�tsu. Tamb�m me surpreendeu imenso.
Ainda estamos aqui.
Ningu�m ouviu, se ouvissem, j� estariam aqui.
Estamos seguros, mas temos um corpo e � de dia.
Hum-hum.
Entendo.
Respeito as suas ordens. Nem um cabelo.
Est� abalada, � compreens�vel, mas n�o est� ferida.
H� DUAS SEMANAS ATR�S
- J� a perdi? - H� um minuto.
- Queres pequeno-almo�o? - N�o, obrigada. J� comi.
- A que horas � a consulta? - �s 15h.
Posso ir buscar-te ao trabalho.
Sabes que mais, quero ir sozinha.
Porqu�?
Haver� outras, n�o te preocupes.
Calma.
Vou falar e tu vais ouvir, OK?
Estamos esclarecidos.
Quem nos contratou sabe onde vives,
sabem onde a Alice estuda, sabem a morada da Professora Kennedy,
sabem a rotina da empregada, o teu hor�rio de barman.
Entendido? �timo. Sente-se.
Ontem esteve com Charlie Baudelaire no quarto de hotel.
Da pr�xima vez, precisamos de um favor.
Fa�a sadomasoquismo com o Charlie, algeme-o e saia. Trataremos do resto.
S� queremos falar com ele. O que lhe parece?
- Diz-lhe o melhor. - O melhor � poder ir � sua vida.
Tal como a sua filha, professora, empregada.
Faz isto por n�s e vive. Se n�o, bem...
Sabemos onde a encontrar, certo?
Tenho de lhe bater? Assegurar-me que entendeu tudo?
Tenho de ir buscar a empregada, mago�-la?
N�o tem nada a dizer?
A Maria n�o � minha empregada.
- Menina Kowalski. - Ronnie.
- Obrigada. - De nada.
Bennie. Carl.
Um regalo para a vista.
S� tu o por�s de bom humor.
- A esposa outra vez? - Que mais?
Assusta como me l�s a mente.
- O que h� de interessante ali? - A pensar num amigo, Jacques McCabe.
Trabalha como guia tur�stico nas Keys.
� de onde �s?
- Gainesville. - Oh. Certo. Esqueci-me.
H� uns meses, ele conduzia para Miami ap�s o fim de semana,
fica preso no tr�nsito,
um acidente ou assim, a autoestrada entupida,
est� na sa�da e um Ford Pantera de 1971 bate-lhe por tr�s.
Conheces o Pantera?
N�o quero ser mulher, mas n�o.
Surpreende-me.
Dada a tua profiss�o, terias roubado v�rios.
- Antiga profiss�o. - Oh, antiga. Sim.
O Pantera foi exportado para os EUA
pela grande fabricante de carros desportivos De Tomaso.
O problema � serem t�o temperamentais,
que at� o pr�prio Elvis ter� alvejado o seu, por n�o arrancar.
Um bate na traseira do Jacques, ele sai do carro
e o dono do Pantera est� transtornado,
nem acredita no que fez.
Inspecionam ambos os carros e veem
que existem nenhuns danos vis�veis.
Nada, nem se quer um arranh�o,
mas a esposa do tipo do Pantera sai do carro e diz, "Esperem, ningu�m
se mexe at� a pol�cia chegar, vamos cumprir a lei."
Apesar de ele ter batido?
Sim. Est�o h� � espera hora e meia,
por fim, vem um pol�cia e explicam o sucedido.
Este pol�cia olha para o Pantera e diz:
"Est� a brincar? Nem vou tomar nota da ocorr�ncia, � parvo.
Sugiro que entrem nos carros e v�o para casa."
Ontem, o Jacques falava com o agente de seguros, que diz,
"Lembra-se do carro que lhe bateu?"
Sim.
"Bem, 10 minutos ap�s chegar a casa,
morreu de uma hemorragia cerebral."
N�o acredito.
Condi��o pr�via. Coincid�ncia em nada relacionado.
Mas isto quer dizer que, gra�as � mulher,
passou a sua �ltima hora e meia � espera de um pol�cia para nada.
Incr�vel, n�o foi?
Pod�amos p�r-te estas,
distrair-te das preocupa��es?
- Quem �? - Pai, sou eu.
Est� tudo limpo.
Entra.
Apanh�mo-los.
- Ambos? Mortos? - Sim. Mortos.
Ei, falem disto depois.
N�o preciso destes detalhes.
- Como est�s, Jett? - Nada mal, Junior.
Vou-me embora.
Precisar�o do tempo em fam�lia.
Espera. Vem c�.
O que fizeste hoje foi excelente.
N�o o vou esquecer.
N�o tens de qu�.
- Para a Alice. Compra-lhe algo. - N�o tens de fazer isso.
� apenas isso. Uma prenda para a tua filha.
Aceita-o, como s�mbolo do meu apre�o.
Jett?
Meu Deus, Jett Kowalski.
- Est�s c� hospedada? - No hotel? N�o.
Vim encontrar-me com algu�m.
Trabalho?
Podia perguntar-te o mesmo.
- Podias. Quando sa�ste? - H� 4 meses. Bom comportamento.
Bom comportamento. Estou surpreso.
Mas fico feliz em sab�-lo. Est�s a trabalhar?
- Empregada de bar, a tempo parcial. - Empregada.
Servo bebidas por gorjetas.
- �s casado. - A tempo inteiro.
Engra�ado. Aquela � ela?
� uma colega. Estamos a trabalhar.
- N�o est�s infiltrado? - Foi bom ver-te.
Espero que n�o. A n�o ser que estejas como pol�cia infiltrado.
Fico feliz que tenhas sa�do.
Isso � querido.
Adeus, Jackie.
Jackie. Ela chamou-te isso?
- Esquece. - N�o, muito b�sica, mas entendo.
Devo-lhe muito.
- Dos teus dias infiltrado? - Ela � uma ladra de classe mundial.
Foi algo que tivesses de fazer para proteger o teu disfarce?
H� 10 anos atr�s infiltrei-me na organiza��o de um tipo louco,
Frank Sweeney, j� ouviste falar?
O bar�o da droga? O que usa pistolas de pregos na concorr�ncia?
A Jett era novata.
Como se sente, querida?
- Tenho uma contratura no pesco�o. - Ouviste, Murphy?
Eleg�ncia sob press�o.
Sei o que �, ent�o, mais vale admitir.
De que fala?
Tenho um avi�o para apanhar, despachemos isto, agente.
Fale comigo. Diga-me o que aconteceu.
S� 4 sab�amos de Lafayette.
Murphy, Dennon, Blair e eu. Mas voc� sabia, n�o era?
O neg�cio parecia simples, agora est� comprometido.
O seu racioc�nio n�o � bom.
Traz c� o Blair.
Veremos a verdade.
- Ele � seu parceiro? - O que � isto, chefe?
Mata-me este monte de esterco.
Viste, Murphy?
- O que se passa? O que fez ela? - N�o te preocupes. Estiveste bem.
J� cheirou carne a queimar?
Vai faz�-la vomitar antes de come�ar a asfixiar.
Depois, vomita mais e borra-se toda.
N�o � uma forma digna de morrer, acredite.
� a forma de um bufo morrer.
Escumalha como voc�.
Diga-me o seu contacto ou vai arder como um burro num protesto.
� a tua vez.
Pergunte ao Murphy onde esteve ontem.
Pergunte-lhe porque n�o estava no abrigo.
- O que est� a dizer? - Sobre a chamada que fez do bar.
Sempre soube que ele era o bufo.
Desculpe ter de a usar para o expor. Dennon!
Era esse o meu nome na altura. Dennon.
Assim n�o tive de alvejar ningu�m.
Ajuda-a a limpar-se.
Sa�mos em meia hora.
O Murphy n�o era o bufo.
Respire. Est� em choque.
�s tu.
Odeio pol�cias, mas odeio mais aquele cabr�o.
Sugiro que saia daqui e nunca mais o quero ver.
Nunca mais a viste at� hoje?
Encontrei-a algumas vezes.
Quer dizer que deu umas com uma criminosa, detetive?
Ela sabia quem eu era e n�o disse nada.
Porque achas que faria isso?
Segui o conselho dela, sa� dali.
Claramente n�o era t�o bom quanto o necess�rio.
E o Frank Sweeney?
Acabou quadripl�gico.
- Atirador misterioso. - Santa Jett Kowalski?
Ningu�m sabe.
O processo diz ter estado presa em Jackson.
Condenada por algo rid�culo, mas tinham de a acusar de algo.
Digo-te, ela teria sido uma bela pol�cia.
Tens de ir.
Usa as duas m�os.
- � nova, certo? Sou a Veronica. - Ol�.
J� a vi c� com a ama, aquele � o meu filho Miles.
Ol�, como te chamas?
- Alice. - �s t�o querida!
Pensei que talvez se quisesse juntar ao nosso grupo.
Jogam ao qu�?
Na verdade, jogamos sudoku,
mas o grupo � apenas para os mi�dos se sentirem mais seguros.
Este parque, por vezes, tem cidad�os menos s�lidos.
Aquela � a Evelyn e a Barb.
A Barb tem um marido ador�vel, dizemos que, "Deve ser gay,
por ser t�o bonito."
- Mudou-se para c� recentemente? - Sim.
Onde vivia antes?
Na pris�o.
- Boa noite, fofinha. - Boa noite, m�e.
- M�e? - Sim?
Todos os monstros vivem na lua?
A maioria.
- M�e - Fofinha.
A Maria parece um pouco, n�o sei...
Foi por isso que foi ao m�dico.
Ela n�o me diz o que se passa.
Vou falar com ela.
- Parece ter ido dormir. - N�o me importava de a aconchegar.
Onde vais?
- Vou mijar. Queres segurar? - Oh, v� l�.
A sua arma. Devagar.
De joelhos.
Quieto.
A sua arma.
- Onde est� o Junior? - Deixamos mensagens. Ter� sa�do?
Explicas-me os dois mortos � porta de minha casa?
Sim. Deixa-os ir.
- Libert�-los? - Trabalham para o meu filho.
- Era um teste. - Que teste?
Para ver se podia confiar em ti.
Tenho uma proposta para ti.
N�o posso. N�o vou.
N�o est� bem a sorrir...
Tamb�m n�o est� a rasgar aquilo.
- Quero que me roubes um anel. - Um anel.
Sim, pertence a um homem com quem fa�o neg�cios.
O teste foi por causa disto?
Nunca teria duvidado do teu velho "eu",
mas a pris�o muda as pessoas. Tinha de ter a certeza. Desculpa.
Entendo o teste. Mas porqu� seguir-me depois?
Essa � uma boa pergunta. Vou perguntar ao meu filho.
N�o volto � pris�o, Charlie.
N�o por ti, nem por ningu�m. Nunca mais. Desisti.
N�o desististe, foste presa. � bem diferente.
Fazes este trabalho e ficas com suficiente para te reformares.
Agrade�o falares comigo, sem desrespeito,
mas o meu trabalho paga as necessidades da Alice...
Chamam-lhe O Russo, mas n�o � russo.
� de um pa�s da Europa de Leste sempre a mudar de nome.
A quest�o �, este idiota tem um cofre
cheio de coisas sem interesse para mim e para ti.
Se alguma dessas desaparece, este trabalho seria um falhan�o.
Desastre �pico, repercuss�es enormes.
O �nico artigo no cofre que me interessa,
no cofre que quero que roubes, � um anel assim, que vale mais de...
Esquece o valor, para ti vale meio milh�o de d�lares.
Por que n�o um arrombador para arrombar um cofre?
Bom argumento.
N�o � assim t�o simples. Este homem tem muitos inimigos.
Tenho dado voltas ao miolo e n�o me ocorre forma melhor,
de entrar em casa para o roubar, do que pela porta da frente.
� a� que tens a vantagem sobre qualquer arrombador.
N�o digo dormires para com ele, tu � que sabes.
S� queres este anel?
Eis a parte divertida:
quero que o substituas por uma r�plica que te vou dar.
Se trabalhares bem, ele nunca saber�.
Onde est� este homem russo?
- Est� em Havana. - Havana, Cuba?
Ber�o do rum e P�rez Prado.
Qual o tamanho da equipa?
A� est� o problema.
Ele tem bons contactos e � uma ilha pequena.
Saber� de qualquer equipa.
Sem equipa, sem armas.
Ter�s de ser tu, al�m do arrombador.
Queres que v� para uma situa��o desconhecida,
sem qualquer apoio, com um g�ngster russo, em Cuba?
�s a �nica que consegue fazer isto.
Se n�o o fizeres, n�o ser� feito. E preciso que seja feito.
Tenho de ir buscar a minha filha � escola.
Bennie.
S� h� uma pessoa com quem consideraria faz�-lo
e faltam-lhe tr�s anos em Atwater.
Se � quem precisas, talvez se arranje.
- Isso � poss�vel? - Por uma comiss�o.
Mas se o Quinn � o �nico com quem consegues fazer isto.
�. E disseste que se n�o o fizer, n�o ser� feito.
V�s, adoro como a tua mente funciona.
Deixa-me ver o que consigo fazer.
Quem raio �s tu?
Est�s pronta?
Pode avan�ar.
- Sim? - Diretor Adjunto Dwight Tucker?
- O pr�prio. - N�o fale, ou�a.
Querido...
- Rosalie? - Estou bem. Faz o que dizem.
- Se cumprir, n�o lhe tocamos. - Quem �?
Posso ser o seu melhor amigo ou o seu pior pesadelo, depende de si.
H� um prisioneiro chamado Rufus Quinton.
Vai troc�-lo pela sua esposa.
Tem o dia de hoje para se arranjar, fazemos a troca amanh�.
Ligo-lhe �s 7 da manh� em ponto.
Se contactar algu�m, garanto-lhe pessoalmente,
que irei pessoalmente sodomizar a sua esposa de hora em hora, cort�-la
e vou enviar-lhe os peda�os.
Tudo bem, Tucker?
Foi apenas para causar impacto, esque�a isso.
Se o seu marido a amar, far� como lhe foi ordenado
e este epis�dio ser� uma hist�ria de sobreviv�ncia para contar em festas.
Exceto a parte do instrutor de jiu-j�tsu.
Que anda a fazer? A trair o seu marido?
Ele deu-te bem.
Fizeste a chamada?
Como correu?
Disse "pessoalmente" duas vezes na mesma frase, soou est�pido.
Mas acho que percebeu a ideia.
- Como correu no apartamento? - Est� limpo.
- E o Bruce Lee? - No aterro. Voltamos ao ativo.
- Como est� ela? - Est� abalada.
- Transfer�ncia de enfermaria. - Cela errada, amigo.
Se fosse a si, Quinton, vinha comigo agora, sem perguntas.
Isso n�o � nada profissional.
Manteria a boca calada. Vamos.
Os seus conselhos s�o um conflito de interesses.
N�o me obrigue a repetir.
OK, tenha calma.
Qual � o grande mist�rio?
Vista isto.
Pode seguir.
O problema dos pol�cias � n�o serem bons a estar calados.
Entende?
Da� a import�ncia de n�o lhe dizer como somos.
Em teoria, parece que a beneficiaria,
mas na pr�tica, causariam tanta confus�o ao investigar isto,
que n�s o saber�amos e n�o ter�amos escolha...
Nunca direi ningu�m o seu aspeto.
Isso � a coisa mais acertada.
Mesmo sendo contraintuitivo.
Sei que est� assustada,
mas � muito importante n�o se esquecer de respirar.
Aqui vamos n�s.
Boa sorte.
- Meu Deus. - Quinn.
Bennie.
Est� tudo bem. S�o s� os pneus.
Foram uns bons tiros, n�o foram?
- A viver o sonho. - Toma nota.
- Algu�m diz o que se passa? - S� o necess�rio.
Digo-te uma coisa, n�o queria ser o terapeuta daquela mulher.
N�o � muito, mas a tua casa por agora.
Ficarias surpreso com aquilo a que estou habituado.
- Trouxe-te isto. - Obrigado.
- E esta velharia? - O Junior vai te explicar.
N�o vais precisar disto, mas pelo sim pelo n�o...
- Est� limpa. - Obrigado.
- Quem �? - Sou eu, Charles Junior.
N�o quero parecer ingrato,
mas podia ter perguntado, antes de me tirar da pris�o.
N�o foi ideia minha. Foi do velhote e da Jett.
O que tem ela a ver com isto?
N�o me sinto confort�vel a ser eu a contar-lhe.
- A contar o qu�? - Deixa-a explicar.
- Vim em neg�cios. - Qual � o nosso neg�cio?
Quanto tempo demoraria a arrombar isto, sem ferramentas e sem furar?
- Dez minutos. - A s�rio?
� assim t�o bom, mesmo ap�s tanto tempo?
Para a sua viagem ao estrangeiro. A Jett conta-lhe o resto.
- Junior. - Charles Junior.
Charles Junior. Desde quando � que a Jett e o teu pai t�m ideias juntos?
- N�o me pergunte isso. - Estou a perguntar-lhe.
Apenas lhe posso dizer, da primeira vez que aconteceu, o velhote disse
terem sido de longe os dois melhores dias de sexo de toda a vida dele.
Cuide-se, Quinn.
Mant�m a tua posi��o,
n�o o deixes usar a sua apar�ncia para te distrair.
Pareces um bolinho da sorte.
� bom estar nervosa.
- Pare�o nervosa? - N�o.
N�o estou assim t�o nervosa.
Eis o meu conselho:
a n�o ser que planeies uma grande conversa, usa o verde.
Sou eu.
Est�s com o Charlie?
Escolhe bem. Queres falar antes ou depois?
O Junior diz que �s a mulher principal do velhote.
O Junior tem muito tempo livre.
- Isso � um n�mero? - � o primeiro. Ent�o � verdade?
O qu�? Ele sempre me apoiou.
Enviou dinheiro para a Alice enquanto estive presa.
Por vezes, precisa de uma pausa da esposa e eu fa�o-lhe companhia.
Este foi o segundo. Ent�o foi caridade.
Esqueci-me que falar contigo � como resolver um enigma.
- S� quero ficar a par. - N�o, n�o queres.
Queres os detalhes s�rdidos para ficares obcecado.
- Tens raz�o. Desculpa. - Tenho raz�o?
Fizeste o que tinhas de fazer.
Devolveste-me tr�s anos de vida. Obrigado.
Odiei cada minuto naquele lugar.
- Que horas s�o? - Mesmo abaixo de 7 minutos.
Consigo fazer melhor.
Sabes quantas vezes me disseste que eu tenho raz�o?
N�o quero que se torne num h�bito.
Queres falar-me do acordo com o Charlie?
AEROPORTO INT. JOS� MARTI
- O que foi? - Est� aqui. N�o te vires.
- Est� com um homem e duas mulheres. - Como s�o?
O homem � falador. As mulheres s�o jovens. O russo parece aborrecido.
Faz-me um favor, n�o olhes.
N�o pude deixar de reparar em si ali a jantar.
Perguntava-me, acha que a sua bebida n�o chegaria intacta do bar � mesa?
- � um espi�o para o hotel? - Se fosse, n�o lhe podia dizer.
- Mas consegue guardar um segredo? - Depende.
Estou a fazer uma pausa do jantar mais aborrecido do mundo.
- Lua de mel? - Isso seria insuport�vel.
Ent�o porqu�?
O amigo com quem vim, n�o �...
Joga pela outra equipa, entende.
- � americana? - Posso ser.
Os americanos dizem sempre, "Entende". Porqu�?
Talvez por sermos dif�ceis de entender.
- Sou a Maggie. - Miljan Bestic.
- Miljan. Polaco? - Perto.
Maggie, deixe-me comprar-lhe outra bebida.
Gostaria, mas n�o posso deixar o meu amigo sozinho muito mais tempo.
Deixe-me tamb�m pagar uma bebida ao seu amigo.
- O que vos traz a Havana? - Pergunte-lhe.
- Ava Gardner. - Ava Gardner? Ela n�o morreu?
N�o quando terminarmos. Estar� t�o viva quanto n�s.
Tem de perdoar a Maggie. � como as atrizes falam quando n�o t�m gui�o.
- Disse o escritor. - � escritor?
- Escreve filmes. - Algum filme que conheceria?
- Desculpa. - Que fazes?
- O que achas? - Est�s b�bada.
Nada disso. Tomei duas bebidas.
Pe�o desculpa pelo meu comportamento. Ele tem motivo para estar ofendido.
Aqui vamos n�s.
Em Hollywood, � frequente escritores serem contratados para filmes que...
- Enfim. - Nunca s�o produzidos.
Pode ter-se uma carreira lucrativa assim.
- Mas cria-se um... - Ar c�nico?
Desagrad�vel ar amargo sobre isso.
Hollywood � assim. Outro dia, outra indignidade.
- Ent�o � atriz. - Sou.
- Gosta de telenovelas, Milton? - Miljan.
N�o as conhe�o.
Lamento. O que quer que tenham posto neste rum, n�o � brincadeira.
- Bebes mais um copo? - Vou dormir.
Confio que liberte a Maggie a uma hora decente?
Amanh�, temos muito que fazer.
Claro.
- Acordei-te? - N�o.
Ele quer jantar amanh�, num pequeno restaurante familiar.
- Como vai ser? - Saber�s sempre onde estou.
- Posso entrar? - E a tua regra?
- Que regra? - Nada de sexo durante trabalho.
Primeiro, n�o � uma regra. E segundo, quem falou em sexo?
S� queres dormir comigo, sem brincadeiras.
- Aviso-te j�, que durmo nu. - Aprendeste isso na choldra?
Ela encontrou-se com ele no Havana Hilton. Foi em 1959, talvez 1960.
Achava que o Fidel fazia sentido.
Perguntou-lhe diretamente se era verdade ele odiar americanos?
O que disse ele?
Disse simpatizar com os americanos, que apenas odiava Richard Nixon.
Vai ser uma cena incr�vel, n�o vai?
- Pequeno restaurante familiar, h�? - Devias ver a fam�lia.
Diz-me uma coisa Miljan Bestic, �s casado?
J� n�o sou. Porqu�?
N�o quero problemas, s� honesto. Tens namorada?
- Saio com um par de mi�das. - T�m mais de 18 anos?
Espero que sim. Tenho quase a certeza que sim.
Ent�o e filhos?
- Nunca tive tempo. E tu? - N�o.
Sempre achei que teria uma menina e lhe daria o nome da minha av�.
- Qual era o nome dela? - Av�. O nome dela era av�.
Quero ver onde vives.
Um guarda armado em cada port�o, na frente e nas traseiras.
20 segundos de carro do port�o � porta.
�trio, cozinha de lado, boa vis�o para o p�tio de entrada.
As luzes externas s�o de interruptor, n�o temporizador.
Tem tr�s, aqui e aqui e esta fundiu.
O p�tio leva a uma piscina ou a uma fonte, n�o sei,
Lavabo aqui, cabes na janelinha, mas prefiro a cozinha.
O quarto principal � no topo das escadas, aqui.
O cofre est� aqui ou aqui.
- Funcion�rios? - Saem �s 22h.
- De certeza que n�o h� c�maras. - Nenhuma. � mesmo � 1959.
- Falta-nos um elemento. - No m�nimo.
- O que h� aqui? - Rua residencial, mal iluminada.
Preciso das luzes desligadas 30 segundos.
E ele fora do quarto 7 minutos depois.
- Dou-te 10. - Quando?
Tive uma dor de barriga. Prometi compens�-lo amanh� � noite.
- Boa noite, senhor, senhora. - Obrigada, companheiro.
At� amanh�.
Consegue-se saber muito de um homem, pelo que tem no frigor�fico.
Somos o que comemos.
Alguns ovos, alface, OK. Tomate, muito bem.
Muito saud�vel. Um pouco aborrecido, esperava bem mais carne vermelha.
Para de me deixar louco.
Espera. Quero ver o congelador, ver se n�o tem uma m�o humana.
N�o est�s a usar nada por baixo do vestido, pois n�o?
Odeio marcas de cueca.
Houve algo que sempre quis saber.
Nos filmes, os atores beijam-se muito. Certo?
Qual � a diferen�a entre esse beijo e beijo na vida real?
N�o consegues notar?
Aqui est� um beijo de filme.
E aqui est� um beijo a s�rio.
- Sabes quem era Jean Tinguely? - Ex-amante teu?
Tinguely era um grande artista su��o. Era um escultor.
Desenvolveu algo chamado "metamec�nica".
Em 1960, construiu uma m�quina cujo �nico prop�sito era destruir-se.
- O que achas disso? - N�o sei.
Acho um ato muito corajoso.
Um dia tamb�m quero construir uma m�quina
cujo �nico objetivo � autodestruir-se.
Vamos despir isto. Anda para a cama.
Levas todas as tuas namoradas para l�? Leva-me para outro s�tio.
As luzes do p�tio est�o apagadas.
D� uma volta ao per�metro e reporta.
Obrigada pela noite incr�vel. �s um cavalheiro.
- Posso ligar-te depois? - Ficarei ofendida se n�o o fizeres.
- Est�s bem? - Que est�s a fazer?
- Magoou-te? - N�o. Estou bem.
- Fiz a tua mala. - Agora? Mas o voo...
Mudei-o. Explico-te a caminho. Vamos.
- A s�rio? Estou cansada. - Acredito que sim.
� disso que se trata? Est�s com ci�mes?
N�o me recordo dos nossos votos eternos.
Ficares neste grau nada profissional de...
Tamb�m aceitaria o trabalho. Foi inteligente.
N�o te culpo por nada, mas, a s�rio, h� algo de errado.
O Bestic e o Junior conhecem-se. Havia fotos de chantagem no cofre.
Junior com prostitutos e com prostitutos mortos. Cenas horr�veis.
Espera. Est�s a ir muito r�pido.
Espere! O que...
N�o lhe toques!
Tira as m�os de cima dela! Daisy!
Vejam s�?
Um paradoxo cl�ssico. A mente diz que n�o, mas o corpo diz que sim.
Como num filme da Ava Gardner.
- N�o � fascinante? - Infinitamente.
William, o escritor amargo podia escrever uma �ptima cena de filme.
- Onde est�? - N�o se preocupe com o Sr. Quinton.
- Onde est�? - Est� morto.
- Onde est�? - J� lhe disse.
Pelo seu bem, � melhor n�o lhe ter tocado.
Estou a toc�-la a si...
n�o parece poder fazer nada, pois n�o?
- Para quem trabalha Daisy Kowalski? - Para ningu�m.
Os seus pais, s�o f�s de Fitzgerald ou do Walt Disney?
Troquemos de assunto. Para quem trabalha?
J� lhe disse. Para ningu�m.
Tudo bem. Tragam-no.
Entram ladr�es em minha casa para me roubar.
Quando lhes fa�o uma pergunta simples, recusam-se a responder.
Disney. Sabe como sei?
Porque chamou Alice � sua filha.
Margarida, Alice no Pa�s das Maravilhas. Estou certo?
Por favor, n�o. Digo-lhe o que quiser saber.
- Eu sei. - Por favor, n�o o magoe.
Para quem trabalha?
- Charlie. Charlie Baudelaire. - Resposta errada.
Deem-no aos c�es.
Sei como se sente, mas, por vezes, a vida � assim.
Ele era um condenado em fuga, procurado pelas autoridades,
n�o me servia de nada.
Era como um animal ferido, que j� n�o tem qualquer finalidade.
Voc�, por outro lado, � um animal de estima��o com um novo mestre.
Agora n�o preciso de amea�ar a vida da sua filha,
sabe que a vou matar, se n�o fizer o que lhe disser.
Vai voltar para casa. N�o vai dizer uma palavra sobre isto.
Vai buscar o dinheiro ao Charlie e aguardar as minhas instru��es.
A minha pergunta foi simples. Para quem trabalha?
E a resposta certa Jett...
� que a partir de hoje, trabalha para mim.
Legendas: Jo�o Ara�jo
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