All language subtitles for Allende en su laberinto-DVDRip-Latino.2014

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Original subtitles

A 4 de setembro de 1970,

Salvador Allende foi eleito presidente do Chile.

Desde o in�cio, o governo dos Estados Unidos,

presidido por Richard Nixon, op�s-se a ele constantemente

e, por fim, promoveu um golpe militar para o derrotar.

A 11 de setembro de 1973, Allende falou � na��o pela �ltima vez.

Caros compatriotas.

Seguramente, esta ser�...

... a �ltima oportunidade que terei para me dirigir a voc�s.

As minhas palavras...

... n�o cont�m amargura, mas sim, dece��o.

Que elas sejam o castigo moral...

... para quem quebrou o seu juramento.

O ex�rcito chileno...

... comandantes-chefes titulares...

... almirante Merino, que se autodesignou comandante...

... assim como o Sr. Mendoza, o general desprez�vel

que ainda ontem manifestara fidelidade e lealdade para com o governo.

E que tamb�m se autodenominou diretor-geral do Carabineiros.

Perante estes factos...

... s� h� uma coisa que me cabe dizer aos trabalhadores:

N�o vou renunciar!

Colocado numa encruzilhada hist�rica,

pagarei com a minha vida, a lealdade do povo.

Jano.

N�o o dev�amos acordar?

� s� uma atualiza��o.

A reuni�o foi longa e ele quase n�o dormiu.

- Deixa-o descansar. - As instru��es dele eram para o informar.

SANTIAGO DO CHILE 11 DE SETEMBRO DE 1973

RESID�NCIA PRESIDENCIAL TOM�S MORO

Presidente.

O que se passa?

Fomos informados que houve uma revolta na Marinha.

Tomaram as ruas de Valpara�so.

O intendente disse que est�o a avan�ar para Santiago.

A Marinha?

Eu pensei que tinham ido para o mar com a frota americana?

Parece que regressaram mais cedo.

Tomaram as ruas ao p� do porto.

Jano, encontre tropas leais para bloquear os acessos a Santiago.

Que n�o passem do t�nel Lo Prado.

- Avisem o general Pinochet. - Com certeza, Presidente.

Vamos, toca a mexer!

Fiquem alerta, cavalheiros!

E quem � o senhor?

Primeiro detetive da Brigada Presidencial, senhor.

- Uma mensagem para o presidente. - Tomou o pequeno almo�o?

- N�o. - V� � cozinha.

Com sorte, arranja um caf�.

Ser� um dia longo, amigo!

O teu nome sabe a relva

Presidente.

Bom dia, Augusto.

Dormiu alguma coisa, companheiro?

Um pouco.

Estou bem, Salvador.

Estou a ouvir.

The Washington Post, 10 de setembro.

�Depois de 100 dias no poder, o governo do socialista Salvador Allende

enfrenta a sua pior crise.

Confrontado com oposi��es internas e com descontentamento das For�as Armadas,

o seu governo parece ter perdido a for�a.�

Le Monde diplomatique.

�O governo dos Estados Unidos exerce forte press�o para os militares chilenos

levarem a cabo um golpe militar e retirar o presidente das suas fun��es.

O Presidente Nixon...

... pediu a todos os pa�ses que estrangulassem a economia do Chile.

Alguns setores da Marinha e do Ex�rcito come�aram a mobilizar-se.

A incerteza cobre Santiago.

N�o h� d�vidas que Allende, que � um socialista e um ma�on,

est� numa situa��o dif�cil.�

Um ma�on?

Sim.

Mas s� em sonhos.

Um socialista?

Desperto, muito desperto.

O jornalEl Sigloapela a que os trabalhadores defendam o seu governo.

O cabe�alho �: �Cada homem ao seu posto.�

�Allende, a revolu��o sem armas.�

�Em Santiago diz-se que se houver um impasse, � trai��o.

E se houver um impasse, ser� o fim da �Via chilena para o socialismo�.�

� um problema, Allende.

Pensam estar bem informados.

Mas haver� surpresas.

BANCO DO ESTADO DO CHILE

Como vamos, av�?

Que se passa, Augusto? Porque parou?

Uma hist�ria biogr�fica.

N�o penso ter muita import�ncia num dia como o de hoje.

� mais importante do que pensa. Leia.

�Depois de quatro tentativas de ser presidente do Chile,

o socialista Salvador Allende, ganhou, finalmente, a maioria dos votos

para ganhar a presid�ncia do pa�s.

O seu programa para as reformas sociais profundas,

tem como objetivo principal transformar o Chile num estado socialista.

De origens burguesas e cren�as revolucion�rias,

a vit�ria de Allende inquieta Washington e preocupa Moscovo.

Apesar de amigo pessoal de Fidel Castro,

Allende afirma seguir o seu pr�prio caminho

atrav�s daquilo que chama �Via chilena para o socialismo�.�

Pequeno burgu�s.

Grande burgu�s!

- �A nacionaliza��o do cobre...� - Xeque-mate.

�... dos bancos e das companhias de telecomunica��es

p�-lo � frente da companhia norte-americana, ITT,

que respondeu, pondo em marcha um plano para o derrotar.�

Augusto, lembras-te da dedicat�ria que o Che me escreveu no seu livro?

�Para Salvador Allende, que procura os mesmo objetivos por outros meios.�

Uma guerra sem armas.

GUERRA DE GUERRILHA

- Joan, bom dia. - Bom dia, Sr. Presidente.

- Novidades? - S� o que j� sabe.

Enfrentamos uma revolta parcial da marinha, Presidente.

- E o Ex�rcito e a For�a A�rea? - N�o detet�mos qualquer movimento.

Os Carabineiros mant�m-se leais como sempre.

- Danilo, encontre o general Pinochet. - Sim, senhor, Presidente.

- Para onde vamos, Presidente? - Para o Pal�cio La Moneda. Capit�o?

- Escolha a nossa rota. - Ao seu servi�o, Vossa Excel�ncia.

- Quantos homens temos? - Cerca de 50.

- Cinquenta e um. - Cinquenta e um.

E a unidade de detectives liderada pelo inspetor Juan Salgado, acabado de chegar.

- Est�o todos prontos? - Sim, presidente.

Vamos.

Eu atendo.

Sim?

Presidente!

� o senador Altamirano, do Comit� Central do Partido Socialista.

Sim.

Sei muito bem o que tenho de fazer. Espero que todos v�s tamb�m o saibam.

- Informe La Moneda que vamos sair. - Sim, senhor.

- Os carros est�o prontos. - O Presidente vai a caminho.

Quem � ela?

- � nova aqui, Presidente. - � bonita!

Aten��o!

O FASCISMO N�O PASSAR�

LA MONEDA PAL�CIO PRESIDENCIAL DO CHILE

Ol�, bom dia.

Presidente, preparo uma emiss�o nacional. Pensei que quisesse dirigir-se ao pa�s.

- Quero. - Presidente.

- Jano. - O Pinochet n�o atende.

O Ministro da Defesa tamb�m n�o.

Tentamos contactar o general Brady. S� ainda contact�mos os Carabineiros.

Obrigado, Jano.

- O que te parece isto? - � dif�cil. Parece que � coisa s�ria.

- Continuamos a emiss�o? - Sim. Avise-me quando estiver pronta.

Sim, Presidente.

Assim que resolvermos isto, farei um plebiscito.

� esse o caminho? Tem a certeza?

Claro, � �bvio que n�o podemos arriscar uma guerra civil.

O povo deve decidir. Se ganharmos, avan�amos com as reformas.

Se perdermos, sa�mos.

Renunciar n�o � revolucion�rio.

Algu�m falou em renunciar?

Isso � perigoso, Presidente.

Tenha calma, camarada. Sei perfeitamente o que vou fazer.

Quando era crian�a, o meu pai trouxe-me para ver La Moneda.

Bom dia, camarada presidente!

�Sai da casa onde muitos sofreram,� disse ele.

- Que se passa, Jano? - Carros armados de Carabineiros leais.

Quantos regimentos est�o connosco?

Ainda estamos a recolher informa��o. At� agora, ainda n�o tivemos contacto.

Presidente, o general Brady.

Finalmente, aparece um.

Escuto, general.

N�o tem conhecimento da situa��o em Valpara�so?

A Marinha est� a revoltar-se contra n�s.

Espero contar com a sua lealdade e com a do Ex�rcito.

Espero que sim, general!

O Ex�rcito reafirma a sua lealdade ao governo, mas...

... o comandante do territ�rio nega qualquer conhecimento de revoltas.

Estranho, n�o �?

Ou�am-me.

Temos de ativar imediatamente o plano de defesa constitucional.

Bom dia.

... que Allende est� no Pal�cio de La Moneda.

Temos de nos preparar para agir.

Lembrem-se, matem o l�der para acabar com a matilha.

Exatamente.

Onde raios est� Pinochet? N�o deveria estar aqui?

Ele n�o atende. Continuo a tentar?

Em 10 minutos estaremos prontos para a emiss�o para todo o pa�s.

Prepar�mos alguns pontos-chave para si.

O plebiscito ser�...

N�o seja t�o intrometido, Jorquera.

- Tenho de lhe dizer uma coisa. - Mais tarde.

Companheiro...

Vou p�r duas balas na c�mara.

Se as coisas correrem mal...

... a primeira � para ti.

- E a segunda... - N�o ser� assim t�o mau, companheiro.

Ser�.

Prepara-te.

- Aqui est�s tu. - Como est�s?

Bem, ficaremos melhor aqui.

- O que se passa? - Mal consegui entrar!

Prenderam o meu filho.

� um caos total.

Fala com o general Urrutia e pede-lhe para libertar o teu filho imediatamente.

O teu nome sabe a relva

Que germina e cresce...

Esqueci-me da letra.

Est� muito elegante, Presidente.

Presidente.

Fale, por favor.

Fui enviado para o informar

que os partidos da Unidade Popular n�o o apoiar�o nesta aventura.

As nossas fontes dizem que n�o h� nada a fazer.

- Temos de retirar e esperar. - � tudo?

Ontem n�o era t�o pessimista.

Enquanto o governo se manteve no plano das reformas originais...

... o processo resistiu.

Mas o Presidente permitiu que os excessos dos grupos extremistas

corrompessem o projeto original,

o que levou ao conflito com o governo dos Estados Unidos.

Vieram todos para cima de n�s: a direita, os empres�rios,

a classe m�dia.

E atrevo-me a dizer que a classe oper�ria n�o est� muito contente.

Fracass�mos, Salvador.

A sociedade n�o pode ser transformada com partidos trabalhistas,

liderados por dirigentes com pouca ou nenhuma prepara��o te�rica.

Ningu�m aqui leu Marx ou Engels.

Lenine... n�o era mais do que uma etiqueta.

De qualquer forma...

N�o nomeou um trabalhador comum como ministro da Economia?

Perdoe-me, mas � voc� que se engana.

O nosso objetivo n�o se trata de reformar um sistema inumano.

Trata-se de destru�-lo.

E o que constru�mos aqui.

Poder� ser gerido por qualquer agricultor,

por qualquer trabalhador, por qualquer estudante.

Era esse o nosso verdadeiro objetivo.

- Esquecemo-nos de que o Chile n�o � Cuba. - E que eu n�o era o Fidel Castro?

- N�o era isso que queria dizer. - Mas disse-o!

Lamento, Salvador.

N�o podemos resistir � press�o do governo norte-americano.

Disse-o nas Na��es Unidas e denunciou-o.

O poder descontrolado das corpora��es transnacionais.

Lamento, Presidente.

Sim, n�s podemos.

E com dignidade.

O que se passa?

Eles est�o a voltar. Os carros armados est�o a apontar para La Moneda.

Salvador.

Tenho not�cias importantes.

Os Carabineiros est�o a recuar.

� verdade que amea�aram lan�ar uma bomba ao pal�cio?

N�o se atreveriam.

N�o.

Presidente.

General Sep�lveda, ponha ordem nas suas tropas de uma vez!

N�o seguir�o as minhas ordens, Presidente. Fui substitu�do. � uma afronta.

�A guarda morre, mas n�o se rende.�

Esta guarda n�o morre e rende-se antes de um �nico tiro ser disparado.

Est� dispensado, general. O Presidente agradece a sua lealdade.

Eles tiraram-me do comando. � uma afronta. Com licen�a, senhor.

- Caro ajudante de campo. - Presidente.

- O que me pode dizer? - Nada, Vossa Excel�ncia.

N�o temos contacto com as nossas institui��es.

- Estamos ao seu dispor. - Ainda bem.

E o Comandante tamb�m?

Oficial.

Cubram todos os acessos ao pal�cio.

- Dupliquem a seguran�a. - Cubram o flanco esquerdo!

Preciso de saber quantas pessoas guardam o edif�cio.

Preciso de falar com o regimento dos Andes.

Temos de encontrar o general Pinochet.

Continuem a tentar.

O corpo m�dico est� aqui, Presidente.

- Dr. Jir�n. - Um prazer, senhor.

- Par�s. - Senhor.

- Dr. Gij�n. - Senhor.

- Concede-me um minuto, Presidente? - Claro.

Os ajudantes de campo querem falar consigo em privado.

Os ajudantes de campo de Badiola tentaram contactar o general Baeza.

- O Pinochet? - N�o responde e...

Em privado, n�o.

Diga-lhe que estaremos presentes.

Danilo, se querem em privado, que seja.

- Jano. - Sim, Presidente.

- P�e os melhores atiradores nos telhados. - Sim, senhor.

Temos de proteger os telefones e as comunica��es.

Entendido.

Precisamos de falar com Vossa Excel�ncia em privado.

Temos uma mensagem confidencial.

Muito bem. Danilo.

Deixa-nos, mas fica atento.

- Sim, Presidente. - Estou a ouvir.

Presidente.

Houve uma insurrei��o nas For�as Armadas.

Pedem que renuncie.

UM INFILTRADO TENTAR� MAT�-LO. CUIDADO.

Eles disponibilizam um avi�o para que o presidente e a fam�lia saiam do pa�s.

Como se atreve.

Como se atrevem!

Est�o a falar com o presidente constitucional do Chile!

Um presidente honrado que n�o renuncia nem foge.

Fui escolhido democraticamente

para implementar reformas sociais profundas.

E a �nica forma de evitarem que cumpra a promessa que fiz ao povo

� encherem-me de balas.

- Mas o general Baeza diz... - N�o quero saber o que diz o general!

Saiam, por favor.

Se pensam que o povo que me elegeu como presidente

para acabar com a mis�ria e o atraso

me abandonar� hoje, est�o profundamente enganados.

Profundamente enganados.

E em rela��o ao avi�o...

... metam-no no rabo.

Presidente.

Como seu amigo, pe�o-lhe que me ou�a.

Muito bem.

A insurrei��o militar � total, Presidente.

Se n�o renunciar, a For�a A�rea bombardear� La Moneda.

E o general Pinochet

e os regimentos leais encarregues do Plano H�rcules para defender o governo?

Bem, de acordo com a informa��o,

todas as For�as Armadas se uniram e formaram uma junta militar.

Estou a perguntar pelo general Pinochet.

� o l�der da junta, Presidente.

Tr�s traidores.

Tr�s traidores.

Entende, senhor.

N�o pode enfrentar o ar, o mar e a terra.

N�o estou sozinho, capit�o.

- O povo defender� o seu governo. - O povo est� desarmado.

O seu governo implementou o controlo de armas que desarmou o pa�s.

Lamento, Presidente.

Mas agora est� por sua conta.

N�o os pode enfrentar.

Poderei, sim. Poderei.

E se n�o puder...

... a �ltima bala ser� para mim.

O Sr. Nixon e o Sr. Kissinger

ter�o raz�es para estar orgulhosos

por terem destru�do a democracia deste pequeno pa�s.

E todos os militares golpistas...

... ter�o, para sempre, nas suas consci�ncias

a marca da trai��o.

Salve-se, Presidente.

Salve a sua vida e a dos seu entes queridos.

Obrigado pela sua lealdade, comandante S�nchez.

Presidente, tentarei falar com a Junta uma �ltima vez.

Se tiver sucesso, inform�-lo-ei.

Est�s cansado, Salvador?

Sim, Tencha. Muito cansado.

- Sou a Paya, Salvador... - Pois, sim. Eu sei.

Como est� a Tencha?

Est� bem. Est� em Tom�s Moro.

Lembras-te de quando ganh�mos as elei��es?

Dan�aste nesse dia.

Dan�arias com o teu presidente?

Mais tarde.

Conheci a Tencha h� 40 anos.

A ti, conhe�o-te desde sempre.

A Tencha e a Frente Popular.

In�s e a alegria de 1958.

E tu, a guerra.

Presidente,

acreditamos que eles se infiltraram nos nossos escal�es para o matarem.

Este assunto da infiltra��o n�o parece um pouco rebuscado?

Veja isto, Augusto.

Isto n�o � um filme.

- N�o seria a primeira vez. - Bem, h� suspeitos?

- N�o, ainda n�o. - Aqueles filhos da m�e, traidores!

- Diga-lhe o que ouviu! - Desgra�ados!

Eles est�o prontos para come�ar os bombardeamentos.

Deixaram a base da For�a A�rea, desviaram-se para a montanha

e voam sobre Santiago neste momento.

Desculpe, mas quem � o senhor?

O controlador do tr�fego a�reo.

Intercetei uma ordem do general Pinochet.

Patricio. Patricio, est� na altura, diz-me.

Este homem, com tudo o que j� foi feito contra ele, n�o reagiu?

N�o, n�o houve rea��o.

Tentei falar com o ajudante de campo da Marinha que acabou de voltar de l�.

Diz-me que La Moneda est� a ser defendida...

... por 50 membros da sua equipa de seguran�a

e cerca de 40, 50 Carabineiros destacados l� j� est�o a retirar.

O ajudante de campo tamb�m me disse que o presidente

est� armado com armas de assalto.

Tem muni��es para 30 disparos e o �ltimo � para ele pr�prio.

Isso s�o s� hist�rias.

Ele n�o daria um tiro em si pr�prio, mesmo se as balas fossem de borracha.

Entendido.

Ent�o, �s 11h,

quando a primeira bomba cair, veremos o que acontece.

O bombardeamento come�a �s 11h!

Assim que cair, atacamos com o regimento Buin e a infantaria.

Temos de contar ao Brady.

Tem regimentos leais, Presidente?

Nem um.

Joan, � importante que saia daqui

e que conte ao mundo inteiro a magnitude desta trai��o.

Presidente.

Ele ser� feito prisioneiro e faremos uma oferta para lhe poupar a vida.

A sua vida, seguran�a pessoal e depois mandamo-lo para um s�tio qualquer.

Entendido.

Ent�o, manteremos a oferta para o tirar do pa�s.

Manteremos a oferta para o tirar do pa�s, mas o avi�o cair�.

Entendido.

Estou?

Sim, imediatamente.

O embaixador da Argentina, Presidente.

Obrigado, Jano.

Ram�n.

Ol�.

Como est� a fam�lia?

Como est� a Isabelita?

Estou bem...

J� n�o.

Ram�n, conheces-me.

Morrerei aqui se tiver de ser.

Nada.

Estes merdosos ofereceram-me uma chance para me render, um avi�o. N�o...

� impens�vel para mim. N�o.

O qu�?

O que podem fazer por mim?

N�o me esque�am.

Obrigado, meu amigo.

A suas filhas Isabel e Beatriz conseguiram entrar. Est�o � espera.

Jano, tire-as daqui imediatamente.

Elas insistem, Presidente.

Payita, consegues v�-los?

Est�o em Santiago.

Eles est�o ali.

Quase que os podes ver, escondidos.

� espera de recuperar das m�os dos militares,

os seus lucros, os seus privil�gios de classe.

� esta a oligarquia mais cruel da Am�rica Latina.

Eles pensam que, matando um s� homem, conseguir�o parar os processos sociais.

Est�o completamente enganados.

Podem atras�-los, mas par�-los? Nunca.

N�o os podes ver...

... mas podes cheirar o mau cheiro do seu h�lito.

Gritando,

esperando celebrar a nossa ren�ncia ou morte.

Elas insistem, Presidente.

Diga � minha filha Tati...

... que o seu pai n�o se render�.

N�o � assim, av�?

Fechem todas as janelas! Vamos!

Agora!

- Tu! - Sim, senhor.

A janela!

Vamos!

Preparem-se, � a s�rio!

Vamos para os postos de combate.

A ala foi protegida, chefe.

V� a porta!

Depressa!

Aquela porta!

- Quem vai com o presidente? - Eu vou com ele!

O Ex�rcito declarou...

... que come�ar�o a bombardear La Moneda �s 11 h.

Portanto, todos os homens e mulheres que n�o saibam manejar uma arma

dever�o abandonar o pal�cio.

Tamb�m liberto a Pol�cia de Investiga��o.

S� a minha equipa de seguran�a, os meus camaradas, devem ficar.

Desculpa-me, pai.

Presidente.

Quero ficar aqui.

� aqui que devo estar.

Minha filha.

Minhas filhas.

Esta vida, o meu neto...

... tem direito a uma vida plena.

Vai ter com o teu marido.

Cuidem da vossa m�e.

Saiam daqui e digam ao mundo o que se passa.

Parece que n�o vamos ter a nossa emiss�o nacional.

S� escapou a R�dio Magallanes.

As outras foram bombardeadas.

Ponham-me em contacto com o general Baeza.

Sim, Presidente.

Ministro, obrigado por ter vindo.

� o meu dever, Presidente.

Obrigado.

- Est� a chamar, senhor. - Obrigado.

General, fala o presidente.

Gostaria de propor uma tr�gua

para que as mulheres e os civis possam sair do pal�cio.

Muito bem. Confio que manter� a sua palavra.

Se n�o cumprir, ser�o vistos n�o s� como traidores,

mas tamb�m como assassinos de mulheres indefesas.

Confio em si, general.

Est�o prontos para ir? O general Baeza deu-me a sua palavra.

Disparar�o contra n�s assim que passarmos a rua!

- Ele deu-me a sua palavra! - N�o a cumprir�o!

Bem, se n�o cumprirem,

ser� um exemplo da sua cobardia para o mundo inteiro.

Quem n�o sabe manejar uma arma deve sair.

Adoro-te.

Joan.

Meu amigo, sabes o que tens a fazer.

Sim, senhor.

V�.

Payita.

- Vejo-te mais tarde. - Eu fico.

Vais sair com os outros. � uma ordem.

- N�o me podes dar ordens. - N�o discutas!

- N�o quero sair! - N�o discutas!

Se � isso que queres.

� o que quero. Ficarei mais tranquilo, percebes?

Sim, e mais s� tamb�m.

A p�gina est� em branco, meu amigo.

Ou ent�o j� foi escrita.

O que me diz de um jogo de xadrez, camarada Olivares?

- Agora? - Agora.

Antes de come�arem os bombardeamentos.

Poder� ser a nossa �ltima, mosqueteiro.

� estranho.

Ainda nem come��mos o jogo e j� perdi a minha rainha.

Nem consegui despedir-me.

Pretas ou brancas?

Escolhe uma m�o.

Brancas.

Pe�o para E3.

Pe�o para D3.

� um paradoxo.

� o que chamar�o a isto um dia, um paradoxo tr�gico.

O que quer dizer, Salvador?

Defender � bala uma revolu��o pac�fica...

... uma constitui��o e leis que nos levaram ao fracasso.

Usar armas para defender

um Congresso miser�vel que vendeu a sua alma ao fascismo.

N�o importa.

S� foi feito para e pelas pessoas, para o melhor ou pior.

Lembras-te de quando estivemos numa manifesta��o?

Um trabalhador

levava um cartaz, com muito orgulho, e podia ler-se:

�Pode ser um governo de merda, mas pelo menos � meu.�

Desceste da tribuna e apertaste-lhe a m�o.

Como poderia n�o o fazer?

Um sapateiro anarquista teve um papel importante na minha vida.

Juan De Marchi.

Ensinou-me a jogar xadrez e emprestava-me livros.

- Bakunin, Trotsky? - Sim, A Revolu��o Permanente.

Um pouco de tudo.

Nessa �poca, n�o me interessava por leituras pesadas,

por isso, ele simplificava-me as coisas

com a sabedoria de um homem modesto, um que viveu a vida.

�Pensou nisto depressa?� dizia ele. E eu:

�Sim, pensei.�

�Ent�o, qual � a sua pr�xima jogada?�

�A minha rainha pelo seu cavalo.�

�Muito audaz, de facto.

E como planeia continuar sem a rainha?�

�Mas camarada De Marchi, foi o senhor que me ensinou a ser audaz.�

�Ent�o, tem a certeza?�

�Sim, muita certeza.�

�Ent�o, perde a sua rainha.�

Eu disse: �E o senhor, o cavalo.�

Movi o meu pe�o.

Xeque-mate.

H� quanto tempo nos conhecemos, companheiro?

Foi durante a campanha de 1958?

No �Comboio da Vit�ria�, foi a�?

- Na universidade. - Certo.

- Veio ao nosso campus e fez um discurso. - Sim?

Disse, �Ser jovem e n�o um revolucion�rio � uma contradi��o biol�gica.�

Foi o que disse, Salvador.

Quase ganh�mos as elei��es de 1958.

Esses tempos. Eram tempos jovens.

As pessoas tinham f� em n�s. Seguiam-nos com entusiasmo.

Homens, mulheres, crian�as, os mais velhos!

Ter�amos ganho as elei��es se n�o fosse...

- O padre de Catapilco! - O padre de Catapilco!

Penso que chegou com o Elmo.

- Elmo Catal�n. - Elmo Catal�n.

- Que morreu com o Che na Bol�via. - Sim.

- E o Negro Jorquera. - N�o, ele � mais velho do que eu.

�?

Penso que te conhece desde a campanha de 1952.

Cinquenta e dois.

Quatro campanhas.

Sabes que isso me levou a dizer que no meu epit�fio se leria:

�Aqui jaz Salvador Allende, futuro presidente do Chile.�

- Ol�! - Fala Hortensia Bussi. Quem fala?

Quint�n Rivero da guarda presidencial, minha senhora.

Preciso de falar com o Salvador. Onde est� o presidente?

No seu escrit�rio, minha senhora.

Porque n�o foste quando te mandei?

Estou aqui por direito pr�prio.

Eles atreveram-se, Payita.

Atreveram-se mesmo.

Presidente! Dispare na ala esquerda!

Abram as bocas-de-inc�ndio e as condutas!

Presidente.

O ministro Flores, Vergara e Osvaldo Puccio precisam de falar consigo.

T�m uma mensagem importante.

Vamos.

Vamos.

Vamos para aqui!

Saiam!

A For�a A�rea est� a bombardear as popula��es.

Indefesos est�o a ser massacrados.

Desgra�ados.

- A informa��o � fi�vel? - Completamente.

Temos de negociar com eles.

O povo n�o devia sofrer as consequ�ncias.

O povo n�o devia sacrificar-se.

Exigem a sua ren�ncia.

Que parem de bombardear as popula��es.

Que respeitem as conquistas e os direitos dos trabalhadores, s� depois...

N�o h� garantias que eles parem, se renunciar.

N�o cumprir�o a palavra.

Tem de impedir o massacre.

O povo n�o vir�, os acessos a La Moneda est�o bloqueados.

N�o podemos fazer nada.

- De que lado est�s? - Do presidente!

Ao contr�rio dos extremistas, que o tentam desviar da realidade.

Renuncie, Presidente. Proteja o povo.

N�o, Salvador.

Isso apagaria tudo o que conseguiu at� agora.

Ainda h� tempo. O povo vir� defender o governo!

N�o vir�o!

O povo est� a ser bombardeado!

Perseguido, massacrado!

N�o h� lideran�a nos nossos partidos pol�ticos.

N�o h� nenhum foco de resist�ncia, Presidente. Estamos por nossa conta.

- Presidente, negoceie com eles. - Isso seria renderes-te, Salvador!

- Tem de acabar com o massacre agora! - N�o o ou�a, Presidente!

N�o o fa�a!

Isso ser� uma trai��o!

O presidente � revolucion�rio.

Presidente, pense no povo.

N�o t�m culpa.

- Sim, Presidente. - Ouve-me.

Negoceia com eles.

Diz-lhes para pararem os bombardeamentos.

N�o podemos permitir que morra mais gente.

- Vai, depressa. - Sim, Presidente.

Leva uma bandeira branca.

Comunica com o almirante Carvajal e o general Baeza.

Encontra...

Sim, Presidente.

Quero ficar, tio.

Deixa crescer o bigode, jovem camarada.

Agora, vai.

Vai!

Vai para ali.

Rapazes! Agora.

Depois da sua morte...

... o novo pa�s reerguer-se-�, como sempre...

... sobre os corpos de milhares de homens e mulheres que confiaram...

... que tinham f�.

Que acreditavam que um mundo melhor era poss�vel.

� tudo.

S� h� dois caminhos.

E os dois levam ao mesmo lugar.

ALLENDE GANHA POR 39 000 VOTOS

HAROLD ROBBINS OS INSACI�VEIS

CHILE TRABALHA PELO CHILE

TERCEIRO DIA NACIONAL DO TRABALHO VOLUNT�RIO

Ele morreu!

O teu amigo.

O Presidente vem a�.

Disse alguma coisa antes de morrer?

Que n�o te devias render.

Um minuto de sil�ncio pelo nosso camarada ca�do.

Augusto Olivares era mais do que camarada.

Era meu amigo.

Gostaria de ficar a s�s com ele.

Ponham-no ali.

Depois da sua morte...

... o novo pa�s reerguer-se-�, como sempre...

... sobre os corpos de milhares de homens e mulheres que confiaram...

... que tinham f�.

Que acreditavam que um mundo melhor era poss�vel.

� tudo.

S� h� dois caminhos.

E os dois levam ao mesmo lugar.

Sabe o que Neruda me disse h� uns dias?

�O �nico que tem raz�o � Miguel Enr�quez

e os que, como ele, acreditam na guerra armada.

Os poderosos nunca desistir�o do seu poder atrav�s de meios pac�ficos.�

Um conflito armado teria levado a uma guerra civil.

Prometi que isso nunca aconteceria.

Disse-o no Congresso.

N�o iria causar uma guerra civil.

E Allende cumpre o prometido.

E se isto n�o � uma guerra, � o qu�, Salvador?

Um sacrif�cio in�til?

Um massacre?

Uma mostra de dignidade? E depois?

Como se continua uma revolu��o pac�fica?

N�o passa daqui?

O Presidente rende-se com os seus colaboradores.

E os nossos sonhos de justi�a e de uma nova sociedade ser�o enterrados

sobre os escombros da derrota.

Cale-se, Augusto.

Cale-se.

Estamos presos num labirinto, Salvador.

Se Allende se rende, o Presidente morre.

Se Allende morre sem se render, o Presidente pode viver.

Acabou o teu tempo.

Sei que a minha morte n�o foi a resposta, mas foi tudo o que pude fazer.

Ainda h� r�dios a emitir?

- A R�dio Magallanes, Presidente. - Liguem-lhes.

Fala o presidente do Chile.

Caros compatriotas.

Seguramente, esta ser�...

... a �ltima oportunidade que terei para me dirigir a v�s.

As minhas palavras...

... n�o cont�m amargura, mas sim, dece��o.

Que elas sejam o castigo moral

para quem quebrou o seu juramento.

Perante este factos,

s� h� uma coisa que me cabe dizer aos trabalhadores:

N�o vou renunciar!

Colocado numa encruzilhada hist�rica

pagarei com a minha vida, a lealdade do povo.

E lhes digo que tenho a certeza

de que a semente que entreg�mos � consci�ncia digna

de milhares e milhares de chilenos, n�o poder� ser ceifada definitivamente.

A hist�ria � nossa e � o povo que a faz.

Eles t�m a for�a, poder�o subjugar-nos,

mas os processos sociais n�o podem ser travados,

nem com o crime...

... nem com a for�a.

Trabalhadores da minha p�tria...

... quero agradecer-vos a lealdade que sempre tiveram...

... a confian�a que depositaram num homem

que foi apenas int�rprete de grandes anseios de justi�a,

que deu a palavra que respeitaria a constitui��o e observaria a lei

e assim o fez.

Neste momento final,

o �ltimo em que terei a oportunidade de me dirigir a v�s...

... ou�am bem o que digo.

Acima de todos, dirijo-me � mulher simples da nossa terra...

... � camponesa que acreditou em n�s, � trabalhadora que trabalhou mais,

� m�e que viu a nossa preocupa��o com os seus filhos.

Dirijo-me aos jovens,

�queles que cantaram, que nos deram a sua alegria e esp�rito de luta.

Dirijo-me aos homens do Chile,

ao trabalhador, ao campon�s, ao intelectual

e �queles que ser�o perseguidos.

A R�dio Magallanes ser� silenciada...

... e o timbre calmo da minha voz n�o chegar� a voc�s.

N�o importa, voc�s continuar�o a ouvi-la.

Estarei sempre ao vosso lado.

Pelo menos, serei lembrado como um homem digno,

que foi leal � lealdade dos trabalhadores.

O povo deve defender-se, mas n�o sacrificar-se.

N�o devem permitir ser destru�dos, nem enchidos de balas,

nem, muito menos, deixar-se humilhar.

Trabalhadores do meu pa�s...

... tenho f� no Chile e no seu destino.

Este momento sombrio e amargo ser� superado por outros homens

no qual a trai��o pretende impor-se.

Tenho sempre em mente que mais cedo do que mais tarde...

... uma vez mais, as grandes alamedas ser�o abertas

por onde o homem livre passar� para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile!

Viva o povo!

Viva os trabalhadores!

Estas s�o as minhas �ltimas palavras.

Tenho a certeza...

... que o meu sacrif�cio n�o ser� em v�o.

Tenho a certeza, que pelo menos, ser� uma li��o moral

que punir� o crime, a cobardia e a trai��o.

Estamos completamente cercados pelas tropas do general Palacios!

Os seus tanques e equipas de apoio v�m de Morand� e Teatinos.

Bloquearam o centro da cidade!

Se algu�m tentar passar, as tropas de assalto ir�o trav�-los.

E as popula��es?

E o cord�o industrial?

- O povo est� a resistir? - As comunica��es foram cortadas.

Estamos sem comunica��es.

Vamos, camarada presidente!

Estamos numa posi��o muito perigosa!

De que tem medo, camarada?

Da morte?

Olhe, v�s estas m�os?

Estas m�os fizeram mais de 1000 aut�psias quando estava na escola m�dica.

Vivi, praticamente, com a morte.

Se morrer, que fazemos?

Continuam, Jano.

Precisamos de si.

Eu sei.

Ent�o?

Continue a disparar, homem!

N�o parem de disparar! N�o parem o raio dos disparos!

Estamos a ficar sem muni��es! Precisamos de armas!

Ataquem o arsenal dos Carabineiros.

- Sim, Presidente! - Depressa!

Desde que este p�tio n�o caia, n�s tamb�m n�o.

Vamos, camaradas!

- Presidente! - Sim?

O MIR e os socialistas est�o a resistir no cord�o industrial.

Miguel Enr�quez oferece-se para o tirar de La Moneda.

Diz ao Miguel que fico aqui. � aqui que tenho de estar.

O hoje pertence aos jovens.

Entendido, Presidente!

Obrigado, Payita.

� dif�cil admiti-lo.

A minha idade, no meu estado...

Vamos, depressa!

Vamos! Levem as armas! Levem-nas!

Levem-nas!

Depressa, homens!

Vamos, mexam-se!

Vamos!

Estou.

Dizem que o meu filho foi trazido...

... para o regimento. E...

... dizem que foi executado.

Ca�ste nisto? Idiota.

Estas s�o tropas a avan�ar por Teatinos e Morand�.

Acreditamos serem mais de 600 homens.

Refor�a a seguran�a no escrit�rio do presidente.

Sim.

- Quantos est�o connosco? - N�o mais de 40.

Alguns foram embora e tr�s tanques aproximam-se com a infantaria.

A Pra�a da Constitui��o foi completamente cercada.

Junta toda a gente. N�o dispersem.

Est� bem.

Protege Allende!

Aqui!

Aqui em baixo!

- Sim? A2? - Sim, escuto.

Est�o a resistir em Mademsa, em Madeco?

O general Prats de Concepci�n?

Estou?

Essa informa��o � fi�vel?

Estamos por nossa conta.

Sozinhos...

Algu�m, algures, estar� � nossa espera, Presidente.

A sua companheira.

Sim, Presidente.

Como se chama?

- Amelia. - Amelia!

Que nome bonito. Amelia...

Ama-la?

Ent�o...

At� � morte.

At� � morte.

Cuidado, Presidente!

Obrigado, camarada.

Como te chamas?

- Julio Chac�n, Presidente. - Julio...

N�o devias estar aqui.

N�o, senhor Presidente, � aqui que devo estar.

Quantos anos tens?

Fiz 22 a 10 de fevereiro.

Vinte e dois.

� por isso que deves ir embora.

�s demasiado novo para morrer aqui.

- Tens de continuar a lutar, mas n�o aqui. - N�o, camarada.

Prometi ao meu pai que o protegeria.

� o secret�rio do partido em Palmilla.

O camarada Chac�n, lembra-se dele?

O camarada Chac�n, sim, lembro.

Era de uma pequena povoa��o rural em Palmilla.

Os meus pais sempre falaram de si.

Principalmente do dia em que dormiu na minha casa, ao lado da esta��o.

Onde o comboio se reabastecia de �gua.

�Tens uma cama para o camarada Allende?�

Perguntou-me.

Depois deitou-se na cama

onde o meu irm�o mais novo, Memo, se tinha molhado.

Est�vamos t�o envergonhados,

mas foi dormir e n�o falou disso quando acordou.

Sim, lembro-me.

Era do outro lado da esta��o, onde estava a bomba de �gua.

E... Lembro-me do teu pai.

Um bom homem.

Um homem grande, forte,

com as m�os grandes de um trabalhador da ferrovia.

Sim, um homem bom. � por isso que tens de sair daqui,

vai ter com o teu pai e diz-lhe que cumpriste a tua palavra.

J� est� morto, camarada.

Na noite passada, sonhei que ele pegava nas minhas m�os.

Tens de sair daqui.

� uma ordem.

Lamento, mas n�o a posso cumprir, camarada.

Camarada Chac�n!

Camarada!

N�o o deixei sozinho.

As m�os do meu pai n�o eram grandes...

... tinha tr�s dedos na m�o direita.

Era o que lhe chamavam...

�Chac�n Tr�s-Dedos.�

Sim.

Conhecia o teu pai.

Tom�s Chac�n, faltavam-lhe dois dedos na m�o direita.

� um massacre sem sentido.

Presidente!

Vamos sair daqui!

Arranjem uma bandeira branca!

Um pau! Uma bata de m�dico!

- Doutor, empreste-me a bata. - Est� manchada com sangue.

Ainda melhor, d�-ma!

Danilo, fa�am uma fila. Primeiro, as mulheres.

- Mas, Presidente! - N�o discutas! � uma ordem!

E o presidente?

Vou no fim.

Presidente!

- Uma mensagem para si. - Uma mensagem?

... de um homem que disse estar em Tom�s Moro.

- Tom�s Moro? - Sim.

- Foi bombardeada? - Sim.

- Como est� a Tencha? - Ela mandou-lhe a mensagem.

- Juan! - Ela disse como estava?

Juan!

�Senti-me assoberbada por um sentimento estranho...

... que tinha esquecido h� muito.

Tenho a dor do mundo nos meus ombros.

Cuida-te.�

N�o aprendi nada.

N�o aprendi nada.

E agora...

... temos de recome�ar, av�.

�O teu nome sabe a relva...

... que cresce no vale...

... debaixo do sol pulsante e da chuva que cai.�

O qu�? Vai.

E tu?

Vou em �ltimo.

N�o me mintas.

Allende n�o mente.

Vai.

Vai.

O presidente...

Obrigado, camarada presidente.

Doutor.

Allende n�o se rende!

Salvador, est�s aqui?

Sim.

Allende est� aqui.

Trabalhadores do meu pa�s, tenho f� no Chile e no seu destino.

Este momento sombrio e amargo ser� superado por outros homens

no qual a trai��o pretende impor-se.

Tenham sempre em mente que mais cedo do que mais tarde,

uma vez mais, as grandes alamedas ser�o abertas

por onde o homem livre passar� para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile! Viva o povo!

Viva os trabalhadores!

Estas s�o as minhas �ltimas palavras.

Tenho a certeza que o meu sacrif�cio n�o ser� em v�o.

DEPOIS DA MORTE DE ALLENDE,

O CHILE PASSOU 17 ANOS SOB UMA DITADURA MILITAR.

A 5 DE OUTUBRO DE 1988, ATRAV�S DE UM PLEBISCITO,

O CHILE RECUPEROU A DEMOCRACIA.

EM FRENTE DE LA MONEDA,

UMA EST�TUA DE SALVADOR ALLENDE PRESERVA A SUA MEM�RIA.

ESTA HIST�RIA PASSOU-SE NO CHILE, PARA INFELICIDADE DOS CHILENOS,

MAS PERTENCE A TODOS OS DO SEU TEMPO E FICAR� NAS NOSSAS VIDAS PARA SEMPRE.

Tradu��o: Ana Paula Mota

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