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Zulu
Muito bem.
Lembram-se de quem é que falou convosco sobre prazer sexual?
Alguém fala convosco sobre prazer sexual?
(Risos)
Falam-nos do prazer sexual na aula de Educação Sexual?
Ou apenas nos falam de doenças sexualmente transmissíveis
ou de como não engravidar?
Os nossos pais falaram-nos do prazer?
Não.
(Risos)
Quando somos bebés,
só conhecemos o prazer.
As mãos dentro das calças, sabe tão bem!
Não tem nada a ver com sexo, até alguém dizer:
"Não te toques! Não te toques."
Ao crescermos, se somos adolescentes e se temos interesse por sexo,
o que nos chamam?
Galdérias, certo?
Surpreendentemente, ainda hoje ouvimos esse tipo de comentário.
Nós celebramos a gratificação masculina mas humilhamos as mulheres pelo mesmo.
Ainda recebemos mensagens negativas
das nossas famílias, da nossa cultura, da religião.
Isto ainda acontece.
Depois, quando somos adultas e entramos em relações,
devemos, magicamente, adorar o sexo.
(Risos)
Não vos consigo dizer quantas vezes recebo mulheres no meu gabinete
— mulheres de todas as idades —
que dizem que têm dificuldade em atingir o orgasmo.
Seja porque não veem foguetes e esperam vê-los,
ou porque não têm orgasmos com a penetração,
e dizem: "Eu tenho um problema."
Interrogo-as sobre o seu prazer quando elas se masturbam
e elas dizem: "Não tenho problemas com isso."
Contudo, elas continuam a pensar que têm um problema com o orgasmo.
Depois, há o problema com o desejo, outro problema comum.
Para a maior parte de nós, o desejo não é constante.
Não se mantém estático durante um ciclo de vida, varia.
E, por vezes, varia drasticamente.
Infelizmente recebo muitas mulheres que veem ter comigo
e me dizem que encaram o sexo como sendo uma tarefa,
algo que elas têm de dar,
não algo que elas partilham,
ou algo que elas recebem.
Normalmente isto acontece quando um parceiro tem mais desejo do que o outro.
Nestas situações,
as mulheres evitam fazer sexo, evitam a intimidade,
sentem-se frustradas e sozinhas,
os seus parceiros sentem-se frustrados e sozinhos,
e elas perguntam-se: "o que tenho de errado?
"Não amo o meu parceiro?
"Não me sinto atraída pelo meu parceiro?"
Mas quando começamos a falar, elas sentem-se atraídas pelo seu parceiro,
elas amam o seu parceiro.
Na verdade, quando fazem sexo, elas desfrutam o momento.
Então, qual é o problema?
Como é óbvio, se estamos numa relação má,
ou numa relação disfuncional, ou se estamos ressentidas com o parceiro,
não vamos ter qualquer desejo pelo nosso parceiro.
Então, e as mulheres que têm uma relação feliz,
no geral?
O que se passa?
Passa-se que nós temos de perceber como funciona o desejo nas mulheres.
Digo-vos, na maior parte das mulheres
— não que o desejo não varie para os homens,
mas diria que varia em 75% das mulheres e em 25% dos homens —
nas mulheres, o desejo já não é espontâneo em relações de longo prazo,
na maioria dos casos.
E relações de longo prazo podem ocorrer em qualquer idade.
Estudos indicam que relações de longo prazo vão de 6 a 18 meses,
o período quando a fase da lua-de-mel se vai desvanecendo.
Nós perdemos esse desejo espontâneo,
aquela sensação de estar excitada, aquela sensação abaixo da cintura,
e começa a manifestar-se mais acima do pescoço,
ou acima da cintura, no coração e na cabeça.
O nosso desejo torna-se mais recetivo,
ou seja, quando o nosso parceiro nos estimula,
nós respondemos àquela estimulação e o nosso desejo entra em ação.
É isso que provoca o desejo. Por isso, o que fazemos?
Temos de nos dedicar ao desejo, temos de optar pela sexualidade.
Temos de escolher o desejo, sabendo que é bom para nós,
sabendo que nos vai fazer sentir bem
e que nos vai dar prazer.
Mas escolher sexualidade é um esforço consciente.
Vou dar-vos um exemplo para vos dar uma ideia
— pelo menos é o que funciona comigo.
Quantas pessoas aqui adoram ir ao ginásio,
em particular, de manhã cedo?
Muito bem, algumas pessoas.
Vocês são os verdadeiros amantes de ginásio nesta sala.
Penso que para a maioria de nós
é um esforço irmos ao ginásio, não é?
O despertador toca por volta das cinco ou seis da manhã,
e sabem que têm de despachar o treino antes de começar o dia.
Levantam-se da cama e pensam: "Tenho mesmo de ir ao ginásio?"
Vestem a roupa do ginásio e como já estão vestidos,
não vão voltar para a cama, vão ao ginásio.
Vão ao ginásio e fazem o vosso treino. Fazer exercício sabe-vos sempre bem.
Sabe-vos bem, sentem-se com energia e dizem: "Ena, foi ótimo,
"tenho de fazer isto amanhã, adorei."
Muito bem.
Chega o amanhã e o despertador toca às cinco da manhã.
Vão saltar da cama?
Não! Mesmo que adorem treinar, certo?
Não têm um desejo espontâneo de ir ao ginásio.
(Risos)
Faz sentido?
Muito bem.
O passo seguinte para conseguir uma boa sexualidade
é compreender o nosso corpo.
A maioria aqui são mulheres, certo?
Quantas de vocês — e mostrem as mãos, sejam honestas —
se alinhássemos todas as vossas vulvas em linha reta,
que é a toda a parte aqui em baixo, alinhamo-las todas nuas,
quantas de vocês conseguiriam escolher a vossa?
(Risos)
Muito bem, meia dúzia!
Vejo que há alguns homens na sala.
Se alinhássemos os pénis,
garanto-vos que cada um de vocês escolheria o seu, certo?
(Risos)
Eu sabia.
(Aplausos)
Sendo mulheres, somos abençoadas
com um órgão que serve apenas para o prazer sexual.
Apenas isso. Chama-se o clitóris.
Como podem ver, não é só a pequena ponta que sentimos,
é uma estrutura completa.
75% de nós, mulheres,
não conseguem atingir o orgasmo através da penetração por si só.
Não interessa se ele está ali durante 10 minutos ou 10 horas...
(Risos)
não vai dar, está bem?!
Nós precisamos de estimulação clitoriana para chegarmos ao fim; é muito importante.
Curiosamente, estudos recentes mostram
que as mulheres que atingem o orgasmo através da penetração
têm uma distância menor entre a abertura vaginal e o clitóris,
por isso, estão a sentir mais pressão.
O clitóris tem de estar incluído.
Faz sentido? Muito bem.
No entanto, recebo mulheres constantemente
e quando lhes conto estes dois factos,
que o desejo é recetivo e não espontâneo,
e que não vão atingir o orgasmo através da penetração,
o sentimento de alívio,
o alívio nos olhos delas é mesmo incomparável.
Elas dizem: "Está a dizer que sou normal?
"Durante este tempo todo
"eu pensava que havia algo de errado comigo..."
Retenham estes dois factos importantes, por favor.
Nós somos mais normais do que pensamos.
A saúde sexual é um direito humano,
segundo a Organização Mundial de Saúde,
e isso inclui o prazer sexual.
Desistir do sexo afeta-nos,
afeta as nossas relações,
afeta-nos fisicamente, até.
Estudos mostram que as pessoas que fazem sexo regularmente
vivem durante mais tempo, têm melhor aspeto, sentem-se melhor
e têm melhores relações.
Por isso, não querem desistir disso.
Qual é o segredo?
O segredo é compreender
— na verdade, não é grande segredo —
mas o segredo é compreender
que a sexualidade, a nossa sexualidade está sempre a evoluir;
ela varia: o que sabe bem uma vez pode não saber bem na próxima vez.
O nosso desejo pode estar alto uma vez e não tanto na vez seguinte
em relações e connosco.
O mais importante a reter é que a sexualidade evolui.
Temos de reconquistar o prazer.
Temos de dar prioridade ao nosso prazer.
É uma mudança de atitude. É disto que nós precisamos.
Obrigada.
(Aplausos)
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