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Chegar a este dia, ap�s uma viagem t�o longa.
Quando j� n�o falta uma viagem.
Quando finalmente podemos juntar-nos com os entes queridos.
Muito bem, estou a gravar.
Chamo-me Will.
Sempre quis saber: porque estou aqui?
Qual � o objetivo?
Como vivo uma vida com sentido?
Queria saber tudo.
N�o nos perguntamos todos estas perguntas?
A verdade sobre o mist�rio do universo?
Com quatro anos, fui ao funeral de caix�o aberto da minha bisav�,
e fiquei fascinado com o conceito de vida e morte.
Fui criado como cat�lico. At� fui ac�lito.
Era fascinado por tudo isso.
Jesus carrega a cruz.
Est�o a preg�-lo � cruz.
Est�o todos no ponto, ensanguentados e...
Quando era crian�a, comecei a fazer filmes.
Encontrei uma c�mara de 8mm.
No in�cio, era s� divers�o e explodir coisas.
HOMEM DOS SEIS MILH�ES
TERRAMOTO
INC�NDIO NA TORRE
MULHER MARAVILHA Antes - Depois
Eu tinha crescido com muita sorte.
Mas, em crian�a, ningu�m parecia muito feliz comigo.
Ent�o, decidi que era algo mais profundo. Um segredo que ningu�m parecia saber.
Depois fui para a faculdade e comecei a usar o filme
como forma de explorar o significado da vida,
explorar o meu mundo.
Mas, quando acabei os estudos, n�o estava mais perto de saber quem era,
o que queria, para onde ia e, mais importante, porqu�.
Depois da faculdade, voltei para casa.
A minha m�e ficou muito perturbada
por descobrir que eu era gay.
E disse-me para sair de casa e sustentar-me sozinho.
Foi isso que me levou � minha grande aventura.
Esta � a minha hist�ria sobre o que me aconteceu,
na minha pesquisa de 22 anos pela verdade.
ESCRITO & REALIZADO POR Will Allen
ano 1
Est�vamos em meados dos anos 80 e da gera��o yuppie.
Est�vamos todos � procura de algo diferente.
Este n�o era o meu caminho.
Entrei numa p�s-gradua��o. Ia tirar um doutoramento em psicologia infantil,
tinha a minha vida planeada. Depois, conheci algumas destas pessoas.
Eram t�o vivos, a viver com os cora��es,
e a brincar, a saltar para rios gelados,
a caminhar pela floresta, � noite.
E: "Meu Deus, eu quero um pouco daquilo!"
Alguns deles eram das pessoas mais espertas
e mais bonitas que j� conheci.
Come��mos. Era isto que quer�amos.
Era a nossa pequena utopia, no meio desta cidade gigante.
Eramos constantemente alimentados,
como se a nossa alma fosse alimentada de amor, inspira��o
e admira��o.
Eu queria que todos,
toda a gente no mundo, experimentasse isto.
Lembro-me de me sentir muito realizado.
Eu disse: "Pai, quero dar a minha vida a Deus."
E ele entrou no pr�ximo avi�o
para me vir buscar.
As pessoas que estavam l� procuravam espiritualidade.
Mas, subitamente, t�nhamos uma fam�lia.
Do que gostavas de abdicar agora?
E a pessoa no meio dizia
aquilo de que estava a abdicar.
...as minhas necessidades
...os meus desejos
...liga��es ao dinheiro
...sexo
Est�vamos a limpar o corpo desta pessoa.
Retiramos-te o teu apego. Atiramo-lo ao ar, atiramo-lo para longe...
Entrei num grupo com as pessoas mais fant�sticas que j� tinha conhecido.
Foi a minha irm�, Amy, que me contou sobre os seus amigos,
que se intitulavam de: "Buddhafield."
OS BUDDHAFIELD
As pessoas perguntam-me sempre: "Como acabaste l�?"
EMILIANA antes "amy" - irm� do will
Fui criada numa escola cat�lica,
e sempre tive muitas perguntas para as freiras.
Quando ia para casa e contava � minha m�e o que perguntava, ela dizia:
"N�o lhes podes perguntar isso!"
E eu dizia: "N�o! Eu quero saber."
Queria conhecer-me a mim mesmo,
para l� da superf�cie do mundo em que vivia.
A vida n�o pode ser s� vivermos, trabalharmos e morrermos.
Tem de haver algo mais.
Cresci com uma fam�lia
de personagens muito expressivas, art�sticas e do tipo hippie.
Tamb�m n�o tive nenhuma orienta��o enquanto crescia.
Viver em Chicago, onde cresci nas ruas, foi muito violento.
Quando cheguei ao Buddhafield, sem saber o que era o amor verdadeiro,
foi quando comecei a sentir de forma profunda.
Sempre tive desejo de saber por que estamos aqui.
Cresci numa igreja fundamentalista,
extremista, com temor a Deus e isso.
A minha m�e expulsou-me de casa quando eu tinha 15 anos.
Por isso, procurava estabilidade.
Quando cheguei ao grupo, senti:
"Isto vai ser para a vida." Era como um casamento.
Cresci com problemas com a autoridade.
Um problema de autoridade gigante.
Sinceramente, n�o mudei muito.
Quando era muito nova, queria ser cientista.
Depois queria ser artista.
E havia sempre um tema constante,
eu queria ser iluminada.
Sentia-me muito perdido.
E sentia-me vazio.
Como se faltasse alguma coisa.
Em crian�a, passavam-se muitas coisas na minha fam�lia.
Tentativas de suic�dio a cada dois meses, muita viol�ncia.
Queria ser pol�tico.
Queria liberdade.
De alguma forma, queria liberdade de mim mesma.
Est�vamos a libertar as nossas mentes.
Est�vamos a largar os nossos egos.
Comecei a experienciar uma parte mais profunda de mim,
que ia para al�m de tudo o que conhecia.
E era o professor que nos guiava
a cada passo.
WEST HOLLYWOOD, CA encontro satsang
A primeira vez que vi o professor,
foi num encontro semanal do Buddhafield,
em West Hollywood, chamado "satsang".
Disseram-me que ele se chamava Michel.
Ele era suave e a sua energia era
tranquila.
E eu pensei: que homem belo.
Se pensam no amanh�, s�o infelizes.
Se pensam no passado, tornam-se miser�veis.
E a felicidade est� onde estiverem.
Onde estiverem � onde a felicidade est�.
Ele falava como se tivesse ido ao cosmos e voltado,
e estivesse c� para nos contar e levar-nos l�.
Estabeleceram contacto com o eterno?
Ou ainda est�o obcecados com o moment�neo?
Quando v�o acordar?
Quando se v�o aperceber do que est�o a fazer
com esta energia preciosa?
Com esta oportunidade preciosa?
Ele disse-nos que tinha um mestre
que o tinha guiado a um maior despertar espiritual.
Ficam aqui
e ouvem o que vos � dito,
depois ser�o libertados.
Posso garantir-vos isso.
Eu queria ter um professor espiritual,
que me pudesse ensinar a ser livre.
Queria um mentor.
Queria algu�m que me guiasse.
Est�o sempre a fazer isto na �ndia. L� existem gurus.
Isto � apenas uma vers�o moderna disso, na Am�rica.
"� t�o f�cil estarmos apaixonados."
"� t�o f�cil estarmos apaixonados."
"Encontrei..."
"Encontrei a resposta."
"E a resposta..."
"Sou Deus."
Ele era contempor�neo.
N�o era um homem velho, com uma barba grisalha, com um dhoti.
Ele usava cal��es de banho e Ray-Bans.
E dan�ava m�sica contempor�nea.
Falava quatro ou cinco l�nguas.
"Italiano". n�o "Espanhol". Apenas seres humanos.
Ele era muito bem-humorado, inteligente.
Muito brincalh�o, como uma crian�a.
Fazia algo como: "Meu Deus, n�o acredito que fez isso."
Sabia dan�ar. Era art�stico.
Ele era todas as coisas que n�s quer�amos ser.
Era diferente de todas as pessoas que conhecia.
Encorajou-me a largar as minhas ideias do que eu pensava que era.
Finalmente senti que estava no caminho certo.
Fui a todos os encontros, todos os passeios de grupo que faz�amos,
e at� fui a sess�es de hipnoterapia semanais individuais do Michel,
chamadas de "limpezas".
Senti que algo de importante estava a acontecer na minha vida.
Namaste.
Namaste.
- Namaste. - Vejam quem chegou.
O que est� a companhia sagrada a fazer?
Senti-me apaixonada
por outras pessoas primeiro.
- O que est�o a fazer? - N�o estamos a fazer nada.
Est�vamos juntos 24 horas por dia.
Viv�amos juntos, com�amos juntos,
brinc�vamos juntos.
Toda a gente que conhecia estava no Buddhafield.
O meu c�rculo, a minha fam�lia, estava no Buddhafield.
Vivia numa casa com cerca de oito pessoas.
Era caloroso e seguro.
Nunca ningu�m teve fome.
Nunca ningu�m ficaria sem casa.
T�nhamos sempre um lugar.
Todos se apoiavam, ajudavam com a comida,
ajudavam a cozinhar.
Era muito id�lico.
N�o bebia cafe�na,
n�o bebia um copo de vinho.
N�o consigo imaginar viver de forma mais limpa.
Era mesmo defendido que fiz�ssemos exerc�cio e cuid�ssemos de n�s.
Isto era um estilo de vida.
Viv�amos em casas, pag�vamos a nossa pr�pria renda,
t�nhamos empregos.
Eu fazia personal training, tinha o meu pr�prio neg�cio.
Era bem-sucedido com dinheiro.
Se tinha um emprego, obviamente o meu dinheiro
era para a minha renda, as minhas compras.
Mas todos contribu�amos para o que tivesse de ser comprado ou constru�do.
Preciso de ajuda.
Outro exemplo de servi�o.
O servi�o era o que faz�amos de forma desinteressada. Pelos outros, por Deus.
Adorava o servi�o.
Calculei e fazia servi�o 40 horas por semana,
mais trabalho.
Come��mos a fazer servi�o
para um casal de quadripl�gicos que estavam envolvidos no grupo,
e ajud�vamo-los no dia deles.
Fez-me sentir que tinha um prop�sito.
UMA PRODU��O DE CONHECIMENTO
Quando eu estava nos 20 e muitos,
tinha assumido o papel de cineasta informal do grupo.
Um Filme SatSang
Esse ser� o teu primeiro compromisso,
dedicar a tua vida a servir o Conhecimento
e o trabalho do teu mestre espiritual nesta Terra.
Os meus filmes eram como uma forma de contribuir para o grupo.
Eram o meio perfeito para partilhar os ensinamentos do Michel.
At� dirigi um an�ncio para o Wings,
um produto para o cabelo, feito por alguns membros do nosso grupo.
Os lucros que ganhamos ajudaram a financiar Buddhafield
e as viagens do mestre.
Havia apoio suficiente dentro do grupo para eu fazer o que queria...
Capturar as nossas experi�ncias e partilhar a mensagem de amor do Michel.
Mesmo nos primeiros dias, costum�vamos brincar
e dizer que, se era um culto, pelo menos era um culto muito bom.
Uma das primeiras pessoas que queria trazer para o grupo
era a minha irm� do meio, Lori.
O meu irm�o e a minha irm� disseram: "Tens de vir c�,
"� t�o lindo, vais ter o tratamento de que precisas."
CRISTALA antes "lori" - irm� do will
"E cura para o teu dist�rbio alimentar e para o teu trauma de viola��o."
Eu sabia que tinha de me curar. Sabia que estava perturbada.
Isso � algo que sempre soube sobre mim.
Apoi�mos o Will, a Amy e a Lori para fazerem o que queriam fazer.
Eles precisavam de respostas.
O meu marido e eu pens�vamos que t�nhamos trabalhado para lhes dar essas respostas.
GINA m�e do will
Mas, aparentemente, n�o fizemos o suficiente.
Eles precisavam de algo que n�o estavam a receber.
Algo aconteceu.
Algo profundo em mim, naquele momento, disse: "Nunca vou deixar isto."
Um dia, pedi a algu�m
para perguntar se havia algo que pudesse fazer por ele.
Parece t�o pequeno. Ele disse:
"Podes fazer-me uma salada de fruta todas as manh�s."
Ent�o eu ia � loja
e comprava a fruta mais bonita que encontrava.
E comecei a fazer Buddhas de papaia.
Fiz a �ltima Ceia na fruta.
Passava horas, e era dentro do meu ser,
eu estava a fazer uma salada de fruta para Deus.
Um dia, cheguei a casa e o meu colega de casa,
que servia o mestre de forma muito pr�xima,
estava a usar uma das minhas saladas de fruta,
a coloc�-la numa liquidificadora e a fazer um batido.
E eu fiquei...
AS MELHORAS
E continuei a fazer as saladas, apesar de saber que n�o as comia.
Porque n�o havia outra forma de lhe poder dar alguma coisa.
ARCATA, CALIF�RNIA o retiro shakti
Shakti � a transfer�ncia de energia do mestre
para o disc�pulo.
Sa�amos de l� aben�oados e euf�ricos.
Sem drogas.
O meu corpo come�ou a ter convuls�es
e todos estes tipos de coisas come�aram a acontecer.
Quando ele me tocou, eu j� n�o era eu pr�prio.
Houve uma experi�ncia profunda
em que senti uma corrente,
em que senti: "Est� a acontecer eletricidade."
E vejo uma esp�cie de luz a piscar.
Como um rel�mpago.
Um som t�o alto como um avi�o a jato.
� muito viciante.
Eu estava a experienciar um estado do tipo LSD.
Cores moviam-se � volta dele.
Agora havia um fen�meno ligado a isto.
N�o s�o apenas estes sentimentos bons que estou a ter.
Agora h� esta luz cintilante a acontecer dentro de mim.
Mais do que shakti, houve uma experi�ncia maior
que s� o Michel nos podia revelar.
Era o �ltimo passo de que precis�vamos para nos levar � ilumina��o.
ano 4
MAMMOTH LAKES, CALIF�RNIA o retiro do conhecimento
Disseram-nos
que ele ia ter um dia � parte,
em que pod�amos ir ter com ele e perguntar pela experi�ncia direta de Deus.
E ele chamou-o de "o Conhecimento".
A Sess�o Conhecimento
O Conhecimento era baseado num livro chamado Bhagavad Gita,
que � um livro hindu, onde Krishna revela
a experi�ncia direta de Deus ao seu disc�pulo, Arjuna.
Eu disse: "Sim."
Isso parecia-me bem.
Eu pensei: "Eu sabia que era poss�vel."
O Conhecimento era a realiza��o
de podermos ver, ouvir e sentir Deus.
Se pelo menos conseguissem compreender o que isto significa,
sentir finalmente Deus a ser-nos revelado
na sua forma mais pura... finalmente!
Isso era algo que senti que tinha procurado
a minha vida toda, at� ali.
Tinha ido � escola, tinha um curso, tinha um �timo emprego, estava noiva.
E, no entanto, quando isto aconteceu, eu pensei:
"Tudo isso n�o significou nada."
Ent�o, quem quer perguntar pelo Conhecimento hoje?
Uma das coisas que tornava o Conhecimento t�o intrigante
era que nem todos iam poder receb�-lo.
Eu queria o que achava que ele tinha.
Eu queria o Conhecimento.
Eu queria esta promessa de ilumina��o.
Uma cerim�nia iria ocorrer no decorrer de v�rios dias,
onde indiv�duos poderiam perguntar se estavam prontos para o Conhecimento.
Os escolhidos iam receber a experi�ncia de Deus.
Ele disse: "T�m de desistir de tudo e eu saberei,
"porque ser-vos-� perguntado antes de receberem esta experi�ncia.
"Eu saberei se est�o a dizer a verdade ou n�o."
Eu pensei: "� melhor fazer uma avalia��o interior."
Apesar de ser muito devoto,
estava nervoso por ele poder pensar que n�o estava pronto.
Uma noite, ele falou comigo sozinho.
Ele tinha algo que precisava de me dizer.
Ele disse que tinha estado acordado a noite toda, a lutar com Deus,
a lutar pela minha vida.
Eu estava destinado a ter um acidente terr�vel. Era suposto morrer.
Ele disse que eu tinha de seguir a orienta��o dele e que assim ficaria bem.
Foi t�o dif�cil de acreditar, mas confiei nele.
No dia seguinte, eu iria saber se tinha recebido o Conhecimento.
Neste dia eu ia conhecer Deus.
N�o era o presidente, n�o era o Brad Pitt. Era Deus!
N�o quer�amos levar isto a brincar.
Est�vamos na floresta, e ele olha-nos nos olhos
com uma medita��o de olhos abertos
que � muito impressionante.
E ele disse: "O que queres?"
E eu disse-lhe que queria que o Conhecimento me fosse revelado.
Ele disse...
Mas foi muito duvidoso.
Ele estava mesmo a brincar com isso.
Ele disse: "Curva-te," e eu fi-lo. E ele disse:
"Vais receber o Conhecimento, e vais conhecer Deus diretamente."
E ele disse:
"Acho que est�s pronto para isso."
Algo em mim mudou e, literalmente, durante tr�s dias,
pensei que estava drogada com �cidos.
E senti �tomos e vi coisas.
E estava sempre a verificar: "Isto � real?"
E sempre que me ligo � luz...
Fico maravilhada.
N�o h� apenas uma luz,
h� cores e padr�es e eles est�o sempre a mudar.
H� tabuleiros de xadrez a girar.
Os pontinhos mais brilhantes, e cada um deles tem um arco-�ris
e, depois, os eletr�es voam por todo o lado.
O Conhecimento n�o me foi revelado.
Basicamente, ele disse: "Desta vez n�o, Emiliana.
"Acho que ainda n�o est�s pronta."
A minha irm� estava l� h� seis anos a trabalhar como uma escrava.
Como uma escrava.
Claro que me fez sentir inadequada. Tudo o que queria
era alcan�ar esta fus�o com Deus e desaparecer.
Eu olhava para pessoas que estavam l� h� muito menos tempo do que eu.
Tudo era sempre explicado dizendo: "S�o almas mais velhas."
Por isso foi muito dif�cil.
Ele dava-lhe corda. Dava-lhe corda.
Foi especialmente dif�cil quando o meu irm�o recebeu o Conhecimento e eu n�o.
O Conhecimento foi-me finalmente mostrado e n�o era o que eu esperava.
Vi luz e ouvi som.
N�o havia como negar a beleza que eu estava a experienciar.
Mas estava preocupado que me estivessem a pedir demasiado,
e que me estivesse a envolver demasiado.
Esta � a verdadeira bebedeira.
B�bados com o Divino.
Se o que se passa aqui pudesse entrar em livros de hist�ria,
dir�o...
daqui a 50 anos v�o dizer
"Houve uma altura...
em que um Mestre caminhou na terra,
tinha muitos disc�pulos
e eles embebedaram-se!"
Mas eles n�o saber�o isto.
N�o podem p�r isto em livros de hist�ria
Mas isto � o real...
o que conta.
MORNING GLORY'S DANCE curta-metragem, 1989
Adorava fazer o servi�o e, eventualmente,
o Michel chamou-me para fazer servi�o diretamente para ele.
Sempre me tinham dito que era uma honra servi-lo, e senti-me privilegiado.
Podia pedir-lhe qualquer coisa e ele tornava-se muito acess�vel para mim.
Comecei a descobrir pormenores sobre a sua vida.
Para al�m de ser ator, tinha sido dan�arino no Oakland Ballet.
Dan�ava e exercitava-se constantemente.
Tornei-me numa das pessoas que o massajava e fazia ajustes ortop�dicos,
o que cham�vamos de "trabalhadores do corpo".
Eventualmente, mudei-me para o apartamento ao lado do dele, com o Phillipe.
E transform�mos a nossa sala num est�dio de dan�a para ele.
Sou uma pessoa muito dedicada.
Adoro honrar. Ent�o, comecei a p�r toda essa energia nele.
Ele disse: "S� me est�s a usar como desculpa.
"Todos temos desculpas. As pessoas curvam-se perante Buda, Jesus.
"E s� me est�s a usar para isso. Eu n�o sou nada."
Sent�amo-nos especiais e importantes, amados e apoiados.
Est�vamos sempre a dizer-lhe o quando o am�vamos,
como ele era fant�stico e que n�o pod�amos viver sem ele.
E ter 150 ou mais pessoas a dizer isso o dia todo, todos os dias,
� muito poderoso.
O Michel era muito disciplinado.
E o ballet era um ritual di�rio para ele. E tamb�m se tornou no nosso.
Eu adorava. Estava no para�so. Era a minha coisa preferida.
E 90% do resto das pessoas odiava.
A dan�a era um inferno.
Para com isso, imediatamente.
N�o temos tempo para estas tretas.
Repete a dan�a.
E f�-lo bem!
Era como estar novamente na escola.
Tens de saber isto!
Temos 20 coisas diferentes para nos lembrarmos.
Havia pessoas a chorar nessa aula. Era muito intenso.
E estejam juntos!
Era amor duro. Ele estava a dar-lhe amor duro.
O qu�?
Mais bombons?
O �nico que pode errar sou eu.
J� alguma vez viram algo mais pat�tico do que duas pessoas a fazer sexo?
Ele foi muito claro comigo para me abster de fazer sexo.
Nem sequer podia ter um relacionamento no grupo.
Ele disse que era demasiado perigoso e que a minha energia tinha de crescer.
O que acontece durante um orgasmo sexual?
Uma pequena morte.
Mas quem tiver experimentado o orgasmo da medita��o... Esse � o maior orgasmo.
Lembro-me de ele dizer basicamente que o sexo era uma energia baixa.
N�o tive sexo durante tr�s anos.
Os que estavam l� h� mais tempo j� tinham passado isso.
Tornou-se o Bootyfield.
Passado uns tempos, � como um para�so espiritual
de pessoas belas que... "N�o temos sexo. N�o..."
Na verdade, todos o faziam com todos.
Mas era em segredo.
MAUI, HAVAI
Ele levou-me, e a outros ajudantes, a viajar com ele.
N�o molhes a c�mara!
Est� bem.
Claro que, juntamente com toda a divers�o e medita��o,
temos os nossos deveres regulares de servir o Michel.
Eu era o massagista dele e estava de servi�o 24 horas por dia.
Nunca me senti t�o bem na vida,
saud�vel, a amar e amado.
Eu tinha as minhas d�vidas, mas trabalhei muito para as superar.
Ser uma pessoa � ser uma m�scara.
E nunca sabemos com quem estamos a falar, por baixo da m�scara.
A pessoa verdadeira est� algures dentro dessa m�scara.
Temos de ficar nus perante Deus,
como ele nos fez, no nosso corpo de luz.
O mestre s� representa Deus na Terra.
E, se n�o conseguem estar nus � frente do vosso mestre,
n�o conseguem estar nus � frente do vosso Deus.
Saibam isso.
O professor era um hipnoterapeuta.
E convidava-me para a terapia, que ele chamava de "limpeza".
E cobrava $50 d�lares por sess�o.
Todos faz�amos terapia todos as semanas.
Na hipnoterapia regressiva, tent�mos voltar ao trauma,
alivi�-lo e depois mud�-lo, para termos poder.
Ent�o, ele dizia: "Vou contar at� dez e vais recuar os passos."
E ele tem uma voz muito profunda e hipn�tica.
"Muito bem, fecha os olhos."
"Recua no tempo. Recua os passos."
Depois, estalava os dedos e...
"Est�s l�. Quantos anos tens?"
"Onde est�s agora?"
E, em poucos minutos, eu estava a lamentar-me e a chorar,
como se nunca tivesse chorado na vida.
E depois agarramo-nos � almofada, gritamos e choramos.
Quando acab�vamos, t�nhamos, literalmente, flutuado para longe.
Era fant�stico.
Divulguei todos os segredos, todos os pensamentos, todos os medos,
expus tudo.
SESS�O DE HIPNOTERAPIA GRAVADA tamb�m chamada "limpeza"
O que acontecer aqui
entre n�s, dever� ficar aqui.
Tens algu�m com quem fales sobre tudo o que fazes, pensas ou dizes?
A minha m�e estava muito envolvida nas nossas vidas
por isso, muitas das limpezas
voltavam � minha inf�ncia.
Havia uma coisa natural que fazia sentido sobre manter dist�ncia.
O Michel deu nomes novos a todos para ajudar a ultrapassar o passado
e criar uma nova forma de nos vermos a n�s.
Era uma pr�tica comum no grupo.
A Amy agora era Emiliana.
A Lori era Cristal.
E eu era Francesco.
Eles vinham a casa e diziam-nos que tinham mudado de nome,
e que era assim que queriam ser chamados.
E eu dizia: "N�o vos vamos chamar isso.
"Demos-vos nomes e � assim que vos vamos chamar,
"e � bom que se habituem a isso."
Vinham jantar e diziam: "Viemos c�
"para vos dizermos que nos queremos separar de voc�s."
Eu respondi: "O qu�?"
N�o conseguia acreditar. "V�o separar-se da vossa fam�lia?"
T�nhamos tido uma inf�ncia t�o feliz com estas crian�as.
Ent�o, o meu pai, de quem eu era muito pr�xima, estava a morrer.
Ele disse-me que eu n�o o podia ir ver.
"Isto � para quebrares a liga��o com ele."
E eu fazia reservas de voo e chorava,
e depois cancelava-as.
Mas era muito dif�cil.
Eu sempre... A minha intui��o trabalhava sempre.
E suspeitava que podia ser um culto.
N�o, n�o senti que estava num culto.
WEST HOLLYWOOD, CA encontro satsang
Ele sempre disse que era um n�o-grupo, um anticulto.
- Namaste. - Namaste.
Se foram enfeiti�ados por este...
tipo controlador...
que faz lavagem cerebral...
Imploro-vos
que v�o embora.
A minha fam�lia tinha contratado um investigador privado para me seguir.
E descobriram que eu estava neste grupo.
Ele foi ter com a minha fam�lia e disse: "� um grupo benigno, n�o s�o perigosos."
"Vai ser mais dif�cil para voc�s tir�-la, ser� mais prejudicial. Deixem-na estar."
A minha fam�lia ficou em choque. Disseram que me fizeram lavagem cerebral.
Queriam contratar algu�m para me desprogramar.
Eu era adulta, n�o podiam fazer nada.
N�s brinc�vamos. Sab�amos que parecia estranho seguir um homem de Speedo.
Mas parece que algumas pessoas n�o o viam como o v�amos.
ano 6
Havia um tipo, o Kenny, que se apaixonou por uma rapariga do nosso grupo.
E ela parecia uma modelo.
Ele n�o estava no grupo.
Ele n�o parecia modelo.
E n�o era muito simp�tico.
Este tipo estava a persegui-la.
E a motiva��o dele era destruir o grupo para poder ter a rapariga.
O Kenny come�ou a atacar o Michel,
a dizer que ele era l�der de um culto, a dizer-nos o que pod�amos fazer.
Foi ao Cult Awareness Network, uma organiza��o gerida pelo Rick Ross.
Massacre de Jonestown d� origem � rede de informa��o de cultos
Quando temos l�deres que dizem que falam por Deus,
que n�o podem ser questionados pelos seus seguidores,
com pouca ou nenhuma responsabilidade, temos uma mistura muito vol�til.
Ent�o ele chamou a Cult Awareness Network
para tentar fazer parecer que ela estava prisioneira.
Os pais pagavam ao Cult Awareness Network para entrar,
raptar os seus filhos e desprogram�-los.
Este era o pior medo do Michel, que o Buddhafield fosse chamado de culto.
Agora j� n�o se falava do Conhecimento,
n�o se falava de Deus nem de amor.
Falava-se de: "O que vamos fazer?"
Ele disse: "J� n�o estou em posi��o
"de fazer o meu trabalho neste ambiente.
"Temos de sair daqui."
O Michel n�o avisou ningu�m.
A meio da noite pegou em mim, no cozinheiro, num trabalhador do corpo
e disse: "Peguem nas vossas coisas, vamos embora."
E eu disse: "Onde vamos?" "Vamos embora."
Eu n�o tinha cart�o de cr�dito, dinheiro, conta banc�ria, telefone.
Eu vivia escondido com ele.
Todos os outros ficaram em Los Angeles aquele tempo, a aguardar instru��es.
Eventualmente, ele decidiria onde eles deviam ir.
Namaste, Michel.
MENSAGEM V�DEO PARA MICHEL
Obrigada por me lembrares de ser um disc�pulo a 1.000%.
Estou completamente apaixonada por ti.
N�o h� significado na minha vida, exceto tu.
E estou disposta a atravessar
o que for preciso para estar contigo, o fogo que for preciso.
Obrigada pela minha vida.
Namaste, Mestre.
Foi como voltar a perder a minha fam�lia.
N�o queremos desistir disso e voltar a ser largados aos c�es de LA.
E fiquei completamente devastada.
Fomos deixados para tr�s.
Acho que s� posso agradecer.
Obrigado por me deixares amar tanto.
O meu cora��o � teu, meu senhor.
Eu queria ir com ele. Nunca quis estar sem ele.
Fomos a todos os s�tios, a tentar perceber
onde �amos viver a seguir
e como nos �amos proteger.
O comportamento dele come�ou a ficar obsessivo.
Convenceu-nos a todos de que todas as figuras de Cristo
que tinham caminhado na Terra tinham sido mortas
porque traziam ideias nada convencionais e radicais de que a sociedade n�o gostava.
Ent�o, iam mat�-lo.
Eu era t�o pr�ximo dele como os outros. E, mesmo assim, n�o sabia quem ele era.
Acho que nunca ningu�m soube quem ele era.
Acho que a m�e dele deve ter morrido muito nova, ou assim.
O irm�o dele morreu quando ele era muito novo.
Sei que ele vinha de uma fam�lia rica.
Alguns anos nos anos 60, em San Francisco.
Pelo menos, foi o que me disse.
Grupos de magia negra.
Sei que ele veio para a Am�rica para ser uma estrela de cinema. Queria ser famoso.
Chamava-se Jaime Gomez. O nome art�stico era Michel Rostand.
�dolo dos Jovens "Clube de F�s de Jaime Gomez"
aclamado como "Rapaz Americano T�pico"
Ele era ator. E, assumi, provavelmente era bom.
At� ter visto algumas representa��es dele.
Sei que ele entrou em A Semente do Diabo.
Rezem pela Semente do Diabo.
Sei que entrou no filme A Semente do Diabo.
Ele entrou em A Semente do Diabo.
O papel dele no filme foi um milissegundo
no final, a olhar para a c�mara.
Segundo pessoas que apareceram, viram-no em filmes pornogr�ficos.
Achei que era tudo um disparate.
Sr. Rostand organiza Workshop para atores na Fl�rida.
Nunca foi uma estrela, apesar de achar que era a inten��o dele.
ex-diretor de casting de Hollywood e professor de teatro
Ele usava a sua hipnose, o seu entendimento espiritual
e os seus m�todos de representa��o,
e eles fundiam-se nesta forma de chegar a Deus.
Estivemos seis meses na estrada,
a tentar encontrar um s�tio onde pud�ssemos assentar,
onde o grupo todo pudesse juntar-se a n�s.
E ele decidiu que Austin, Texas, era o s�tio.
Um dos seus disc�pulos comprou-lhe uma casa nos sub�rbios.
Ele mudou o nome para que ningu�m que procurasse o Michel Rostand
o pudesse encontrar, agora chamava-se "Andreas".
Ap�s estarmos indetet�veis durante tanto tempo,
o Andreas sentiu que era altura de chamar toda a gente.
Queria que todos viessem em grupos pequenos.
As pessoas romperam contratos de arrendamento,
venderam as suas casas e os seus pertences e come�aram a fazer as malas.
Vieram gradualmente para Austin e recri�mos Buddhafield.
Estava sempre a aparecer gente nova.
Est�vamos a partilhar este amor que experienci�vamos, com outras pessoas.
Diria a palavra "recruta". Est�vamos todos a recrutar.
E eu mesmo recrutei muitas pessoas.
Ele procurava pessoas que fossem abertas.
E essa era a instru��o dele.
Depois ele come�ou a recrutar pessoas que sabiam fazer ballet,
porque ele adorava ballet.
Ele usava aulas de ioga para recrutar mais membros,
para que tivesse sempre mais pessoas a chegar.
Era um grupo de pessoas muito interessante, porque eram todas belas.
Estes corpos belos em Speedos... E as raparigas era muito bonitas.
N�o dava para n�o os ver.
Apesar de ele querer disc�pulos novos,
o Andreas ainda estava hesitante em deixar que se aproximassem muito dele.
Dizia-nos que ainda havia muito a temer
do mundo exterior.
ano 8
Como podem ver, o fogo consumiu
a maior parte deste recinto.
Os �ltimos n�meros que temos...
A 160 quil�metros de n�s, aconteceu Waco.
Assistimos em horror enquanto 72 membros de um presum�vel culto morreram,
durante um ataque do governo.
Isto deixou-o em p�nico,
porque ele pensou que o que aconteceu ao David Koresh lhe ia acontecer.
Era um l�der espiritual que estava a ser demonizado e a gerir um grupo.
E tinha medo que as pessoas estabelecessem paralelos
e que o vissem assim.
�s vezes sentia que tinha de o proteger.
Em Austin, era: "Mant�m o grupo secreto, � sagrado,
"coisas sagradas t�m de ser secretas."
Faz�amos exerc�cios nas aulas,
para praticar para o caso de o FBI nos capturar.
"V�o dizer-lhes que n�o conhecem nenhum Andreas,
"n�o conhecem ningu�m."
N�o sabia se o FBI andava atr�s de n�s ou n�o,
mas eu fazia o que fosse preciso para o proteger e ao grupo.
Apesar de n�o ser bom a mentir, fi-lo.
N�o tinha nenhuma integridade. Mentiria � minha m�e, por ele.
Fomos instru�dos que t�nhamos de mentir sempre aos nossos pais.
Raramente tive qualquer intera��o com algu�m fora do grupo.
Mesmo os meus pais, que viviam perto, em Fort Worth,
n�o sabiam que eu estava em Austin.
Aqui, o meu irm�o viveu a tr�s horas dos meus pais.
N�o h� motivo para termos de continuar com esta mentira.
Eles n�o v�o aparecer e inspecionar a comunidade.
Eu tinha de inventar mentiras elaboradas.
Disse-lhes que me mudei para Atlanta, para o M�xico,
e para qualquer lado, para lhes dar motivo para n�o me esperarem ver.
Ele pedia a pessoas que iam � Europa
para enviar postais para os meus pais.
Aqui est� um postal enviado de Floren�a, quando eu era o Francesco.
Ele enviava-me presentes de s�tios para provar que estava l�
e escrevia-me cartas.
E, mesmo assim, eu sabia.
E � triste, magoou-nos imenso.
Adeus, Will.
T�nhamos de esperar que tudo se resolvesse.
Foi bom ter-te c�.
O meu papel no Buddhafield aumentou,
e eu tinha um grupo de disc�pulos novos �vidos para fazer servi�o comigo.
Podar, limpar os lagos, varrer a relva, cortar a relva.
Decidi fazer da nossa casa em Austin um lugar de paz e beleza.
R�pido, apanha.
Quando termin�mos, t�nhamos constru�do n�o s� um jardim gigante,
mas tamb�m um avi�rio completo com pav�es, p�ssaros ex�ticos, at� um wallaby.
O jardim tornou-se no nosso santu�rio
e a casa dele tornou-se num ref�gio do mundo exterior.
As coisas acalmaram.
O tempo passou e j� n�o tem�amos tanto a Cult Awareness Network.
Pens�vamos que a vida podia estar a normalizar,
mas as exig�ncias do Buddhafield e do Andreas tornaram-se maiores.
O avi�rio com os p�ssaros e os coelhos foi invadido por ratos.
Levant�vamos uma rocha e sa�am centenas de ratos a correr.
Ele pediu-nos para matar os ratos.
E n�s arm�mo-nos com p�s.
Batia-lhes na cabe�a, ou t�nhamos de os decapitar.
Durou muito tempo a matar estas criaturinhas peludas.
Era como se ele estivesse a jogar um jogo connosco,
como se nos estivesse a tornar nos seus guerreiros pessoais.
ano 12
O Andreas adorava dan�ar. E disse que gostava de ter um teatro.
Ent�o, encontrei um peda�o de terra fant�stico. Ele disse-me para o comprar.
Disse: "Vamos construir um teatro, desenhar um teatro."
�s vezes, o professor aparecia, olhava para o teatro
e dizia: "N�o gosto das traseiras deste edif�cio,
"n�o gosto de onde est�o as janelas,
"n�o gosto das paredes, deitem-nas abaixo." E n�s assim faz�amos.
Literalmente, deit�vamos o edif�cio abaixo
e reconstru�amos novamente, para ele olhar para ele.
Ele levava-me para a sua sala e dizia:
"Porque est�s a demorar tanto a construir?
"Se fosse eu, j� estava pronto h� um ano.
"Est� a atrasar o meu trabalho. A criar karma."
Eu estava horrorizado.
E ele dizia: "Isto � um ensinamento para ti.
"N�o importa quando o edif�cio fica constru�do.
"S� me preocupo com o teu despertar atrav�s deste processo.
"E, se n�o tiveres isto terminado at� � pr�xima semana..."
E eu dizia: "Isso aconteceu mesmo?"
Quando o teatro ficou constru�do, o Andreas come�ou a coreografar ballets.
Ensai�vamos todos os dias, durante horas.
As pessoas largavam tudo, incluindo os empregos,
para ensaiar.
Estes ballets eram surpreendentes.
Encomendava-se tecido de L.A.,
para que pud�ssemos ter roupa elaborada,
e desenhavam-se cen�rios. Era algo extraordin�rio.
Toda a gente estava envolvida.
Ensai�vamos durante um ano, faz�amos a roupa e tudo,
e s� atu�vamos os ballets uma vez, para n�s mesmos, e pronto.
Ele vivia como um multimilion�rio, da forma mais simples.
Tinha um motorista. Eu levava-o.
Tinha cozinheiro. Cozinhavam para ele. Limpavam-lhe a casa.
Onde quer que fosse em p�blico, eu levava uma cadeira especial.
Era enorme. Estava numa mochila. Era mais ou menos assim.
Ent�o, por um lado, ele era completamente paranoico
e tentava ser secreto.
E, por outro lado, tem esta comitiva de gente
que lhe montavam um trono em todo o lado, em p�blico.
Ele ligava-me e dizia: "O que est�s a fazer?"
Eu respondia "Estou na cama."
E ele dizia: "� melhor sa�res da cama, tens servi�o a fazer."
Estava tudo desenhado para mostrar o qu�o devotos �ramos.
Ele queria controlar as vidas sociais,
as intera��es de todos, o que faziam.
Era apresentado como uma orienta��o espiritual, o melhor para a alma.
N�o pod�amos ler livros, ver televis�o, ouvir r�dio,
e eu nunca fiz nada disso.
Um dia, ele irritou-se comigo, quando lhe disse que comprei uma televis�o.
Mais tarde, ele disse: "Fizeste isso nas minhas costas."
E eu disse: "N�o sabia que tinha de te dizer antes
"de decidir comprar uma televis�o."
Numa altura, arranjei um c�o.
N�o foi aceit�vel. N�o se podia ter um c�o.
Acabei por ter de devolver o c�o.
A humilha��o p�blica era muito intensa.
Sentia que era uma disc�pula horr�vel, porque tinha arranjado
um cachorrinho, sem lhe pedir permiss�o.
Ele n�o gostava de c�es.
Com a minha amiga Danielle, costum�vamos dizer, quando ele era louco ou...
Fazia express�es esquisitas.
Ela olhava para a sala e dizia:
"Vamos ficar aqui o resto das nossas vidas."
Foi bom quando come�ou,
e n�o era tudo sobre ador�-lo.
MISS UNIVERSO
Era sobre alcan�ar algum tipo de crescimento espiritual para n�s,
n�o lamber-lhe os p�s.
LA FEMME FATALE v�deo musical, 1999
"Se encarnaste no corpo de uma mulher,"
"podes ser uma gopi"
"ou podes ser..."
"Todos os homens s�o poss�veis!"
Ela � muito sexy, vai ser namoradeira, isso tudo.
E todos pensam...
Femme Fatale foi uma can��o que Andreas escreveu
sobre o efeito negativo que o sexo tem na espiritualidade.
Eu aproveitei a oportunidade de fazer algo
que n�o tinha s� a ver com Buddhafield.
Mas a can��o tamb�m serviu como uma s�tira p�blica contra a mulher
que o Andreas achava que estava a ser muito sexual.
N�o queria fazer parte de um ataque,
mas segui em frente e fiz um v�deo muito engra�ado.
Foi um grande sucesso.
TEXAS - VIDA O ESTADO DA ESTRELA SOLIT�RIA
Ele n�o gostava que as pessoas tivessem uma vida normal, uma vida sexual normal.
E a forma como tratava a sexualidade em geral era juvenil.
Havia uma jovem no nosso grupo, chamada Sophia.
Ela era fant�stica... Passou a vida toda a querer ser bailarina.
Dan�ava de forma bela. E, obviamente, ele tornou-a na sua prima ballerina.
O Andreas queria que ela passasse tempo comigo, que fosse pr�xima de mim,
mas n�o tivesse sexo comigo.
Sabendo que eu estava a desenvolver uma liga��o rom�ntica
com ela, porque eu lhe dizia isso.
Ele tinha dito a cinco mulheres diferentes para n�o namorarem comigo,
porque era mau para o meu desenvolvimento espiritual.
� um tema muito confuso.
Havia muitas mensagens contr�rias sobre sexualidade.
Diziam-nos que n�o somos os nossos corpos,
n�o se envolvam em sexo, nem nos vossos sentidos,
e transcendam tudo isso.
No entanto, �ramos todos obcecados pelo nosso visual.
As mulheres usavam maquiagem, as pessoas faziam opera��es pl�sticas,
os homens tinham de ir ao gin�sio, as pessoas depilavam-se.
Ele n�o gostava de gordos, n�o queria ningu�m no grupo
que n�o fosse fisicamente uma estrela.
Ele queria que todos fossem estrelas.
Ent�o sugeria que esta pessoa fosse tratar dos olhos,
ou sugeria que esta pessoa fosse tratar das bochechas,
ou que outra pessoa tratasse do queixo.
Ele ficou obcecado com isso.
�amos � casa de banho dele
e encontr�vamos pilhas de r�mel,
pestanas falsas e corretivos.
Ele usava maquiagem todos os dias da sua vida.
Lembro-me de uma vez em que estava na �gua com ele
e ele tinha uma pestana na bochecha.
E eu estava a tentar sinalizar-lhe para a tirar.
N�o sabia da cirurgia pl�stica, mas come�ou a ficar evidente.
Ele estava sempre a dizer-nos: "Isto � o corpo.
"Um dia vai ser uma carca�a, vai morrer."
E l� est� ele a arranjar os olhos,
os olhos, isto, os l�bios,
constantemente a fazer coisas ao corpo.
Est�s a gravar?
Sim.
Mas come�ou a ficar muito deformado.
E com aspeto assustador.
Era uma dicotomia total daquilo que o ensinamento era.
E sabia que ele mandava pessoas fazerem cirurgia pl�stica antes dele,
para ver se era seguro ou como ficava.
E nunca questionei isso.
Ningu�m ia dizer: "A tua maquilhagem est� a escorrer."
Ningu�m se atreveria. Eu n�o me atreveria.
Aqui vem ele, Francesco!
Quase me apanhaste!
Percebes o que acabaste de fazer?
Abriste a porta e quase me acertaste.
Eu desligava sempre a c�mara quando o Andreas estava a gritar.
Us�vamos o termo:
"Precisas de largar o que pensas."
Era algo que diz�amos a qualquer pessoa.
E era quase... era cr�tico.
Era: "N�o est�s alinhado com o que se passa aqui."
N�o queres estar no pensamento. Sem pensamentos. Se estiveres a pensar
n�o est�s ligado � medita��o e a Deus.
H� um termo, chama-se "cumplicidade m�tua."
N�o se pode ter um professor sem seguidores.
Os benef�cios ultrapassam a loucura.
Ent�o come�amos a aceitar as coisas question�veis.
Come�amos a aceitar. � como qualquer fam�lia.
E acho que muitos de n�s compartimentaliz�mos,
muitos de n�s sempre racionalizaram.
E ele ajudou-nos a racionalizar tudo.
A �nica verdade que sobra � a verdade que me contam.
E quem � a maior autoridade no grupo?
� o mestre.
Queres ter filhos?
N�o.
Ainda bem para ti.
O crescimento espiritual e as crian�as
n�o se combinam sempre.
Disse-lhe que estava gr�vida. E ele disse: "Aborta."
Eu n�o queria abortar, mas ele disse que n�o podia ficar na comunidade
se tivesse a crian�a.
Abortei.
Mal ouvia a voz dele, entrava em modo de rendi��o
e fazia o que ele dizia.
Eu estava com algu�m da comunidade,
e estava muito apaixonada.
E planeei engravidar,
porque pensei: "N�o vai haver problema."
O Andreas tinha-lhe dito que ele ia ser expulso,
se n�o me levasse para abortar.
Por isso, tive de abortar.
Nos anos todos que estivemos juntos, nenhuma crian�a nasceu.
ano 16
�s vezes, os nossos p�ssaros escapavam quando os �amos alimentar
e voavam para longe, nunca mais eram vistos.
Por isso, t�nhamos de os proteger, para o seu pr�prio bem.
L� porque a porta est� aberta,
significa que temos de a atravessar?
N�o.
Se a porta vos levar embora?
�s vezes, uma porta aberta � uma sala fechada.
Uma pris�o.
Havia muita gente que n�o ficava l�.
Claro que eram demonizados.
Quando deixei o grupo, imediatamente todos ouviram algo horr�vel.
Disseram-nos: "N�o se comuniquem com eles, eles est�o nas suas mentes."
Havia rumores de que me tinha tornado uma prostituta,
ou que geria prostitutas a partir de minha casa.
Quando as pessoas come�avam a afirmar a sua independ�ncia,
ele tornava-se r�gido.
Era altamente controlado, se f�ssemos embora por nossa conta,
coisas m�s nos iam acontecer.
Se alguma vez deixasse o grupo, dentro de um ano estaria morta.
Porqu�? Porque estaria longe da asa da sua gra�a.
Ele tinha-me dito, em duas ocasi�es,
que se n�o estivesse com ele ia apanhar SIDA e ia morrer.
E eu acreditei nele. Eu acreditava nele.
� que ele era um hipnoterapeuta.
Significa que ele tinha o dedo na mente de todos com que ele lidava.
E lidava com todos de forma completamente diferente.
Ele manipulava todas as personalidades assim.
S� t�m uma oportunidade para estar comigo.
S� uma na vida.
Isto era, literalmente, lavagem cerebral.
Todos os dias faz�amos trabalho hipn�tico com pessoas.
� lavagem cerebral.
ano 20
Fiz alguns dos filmes que fizemos para o nosso grupo.
MIDWAY STATION curta-metragem, 2005
A minha personagem est� no meio do deserto e aconteceu o apocalipse.
Na cena, ele baixa-se para arranjar �gua e apercebe-se
de que n�o est� sozinho, de que o mestre est� l�.
Aqui estamos, somos atores � frente da c�mara,
mas, ainda assim, esta coisa com shakti est� a acontecer.
E eu n�o sabia se era feito ou n�o,
ou se era real.
Depois comecei a pensar, talvez tudo isto fosse feito.
"H� algo de errado aqui."
Surgiam pensamentos o tempo todo. Eu estava sempre a receber a mensagem.
E escolhi n�o ouvir.
Pensava: "Em que � que isto se tornou?
"Tornou-se num circo."
E o Shakti da M�e Divina tornou-se...
no que eu sou.
E algumas das pessoas mais velhas que estavam l� desde o in�cio
olhavam umas para as outras, a pensar:
"N�o sei como � que isto mudou para ser tudo sobre ele,
"em vez de ser sobre a nossa experi�ncia interior."
A��o!
N�o me quero referir a ele como algo mais do que era,
um ator sem trabalho que arranjou o trabalho de uma vida.
ano 21
Uma das pessoas que estava l� h� muito tempo
escreveu um email.
Caro Buddha Field,
comportamento ilegal, viol�ncia psicol�gica e f�sica
E enviou-o para toda a gente no Buddhafield.
Houve um email enviado sobre isto tudo.
Apetite sexual extremo rela��es sexuais com disc�pulos
Eu pensei: "O que � isto?"
heterossexuais coagidos Controlou a mente das pessoas
O autor estava a sair do grupo.
E lan�ou acusa��es s�rias em dire��o do Andreas.
De longe, a pior acusa��o no email foi de que o Andreas, durante anos,
tinha obrigado disc�pulos homens jovens a terem rela��es sexuais indesejadas.
O Andreas imediatamente disse a todos
que a carta estava cheia de mentiras e para n�o a lerem.
E, subitamente, come�ou a haver uma divis�o.
Algumas pessoas n�o acreditaram. Algumas acreditaram.
Era s� uma carta que algu�m escreveu. E podem escrever o que quiserem.
Pessoalmente, n�o tinha nenhum motivo para acreditar nas coisas que diziam.
E algumas pessoas uniram-se � volta dele.
E, inicialmente, at� eu o fiz. Escrevi uma refuta��o � carta.
Sim. Era uma treta.
Eu tinha estado numa rela��o sexual com ele.
Eu sabia que tudo ali era verdade.
Tinha come�ado nas sess�es de terapia privadas.
Sendo, na altura, jovem e muito novo na sexualidade,
temos muitas d�vidas.
Falamos com o nosso terapeuta sobre estas coisas,
ent�o ele tem um ficheiro de informa��o sobre n�s.
Alguma vez tiveste sexo com um homem?
N�o.
Alguma vez quiseste ter?
Podes ser muito honesto.
E, algures por a�, ele come�ou
a falar-me de fantasias homossexuais.
"Quem achas atraente?" E eu come�ava a nomear mulheres.
Ele dizia: "N�o, um homem."
Como se sentir-me atra�do por mulheres n�o tivesse validade.
Fantasias?
Sim.
Sobre o que fantasias?
Como ser�?
Um dia,
foi depois de uma sess�o de terapia...
Ele pediu-me para o beijar.
Eu fiquei chocado, n�o queria. N�o estava � procura disso.
As coisas morais que foram postas na tua cabe�a.
N�o � a tua voz.
Tens de receber o que � aut�ntico.
Porque est�s a carregar
muito programa aqui.
A primeira coisa que me mandou fazer foi sobre o corpo.
Foi: "N�o tens de ter vergonha do teu corpo.
"Podes tirar a roupa e ficar livre.
"N�o � nada de mais."
Inicialmente, senti que fazia trabalho espiritual.
Depois come�ou a ser do g�nero: "Aproxima-te mais de mim."
E sentava-se no seu trono, muito direito,
e eu ficava � frente dele, ajoelhado.
E ele dizia: "Faz o que quiseres fazer,
"o que te parecer natural."
E o que me parecia natural era que queria sair dali.
E ele come�ou a fazer sexo comigo, n�o naquele dia, mas durante algum tempo.
E tornou-se numa coisa regular,
todas as ter�as e s�bados � noite, depois do gin�sio, sempre certinho.
E eu nunca tinha tido sexo.
E...
N�o estava de acordo com isso. E indicava-o, expressava-o.
E ele ignorava-o, ignorava completamente.
Imaginem ter sexo com algu�m, homem ou mulher,
e eles est�o s� ali parados,
ali, ausentes, sem prestarem aten��o.
"Gostas disto?" E a vossa resposta �:
"Sim, claro."
E eles continuam o sexo, porque n�o se preocupam.
Para essa pessoa somos s� um saco de carne.
Foi a� que comecei a odi�-lo.
Resisti.
N�o queria estar com ele. E, �s vezes, chorava.
E ele dizia: "Est� bem,
"vamos descer uma escadaria longa, vamos voltar � tua inf�ncia.
"A quem est�s a resistir?"
Eu dizia: "Estou a resistir a ti, n�o quero ter sexo contigo."
Ele respondia: "N�o, vamos voltar � tua inf�ncia,
"quando algu�m queria que fizesses algo que n�o querias fazer."
Ele era um mestre. Era perito em conseguir o que queria.
E, de alguma forma, depois deste processo, eu curvava-me aos seus p�s, dizendo:
"Meu Deus, obrigado, como me trazes sempre para este s�tio bonito?"
E voltava a ter sexo com ele.
N�o se pode dizer n�o.
"N�o" � contra as regras.
Depois tinha de lhe pagar. Tinha de lhe pagar pela terapia.
Cinquenta d�lares sempre que ia.
Ent�o: "Aqui est� a tua terapia,
"vamos ter sexo, d�-me $50."
Mas que neg�cio. Conseguem imaginar?
Isto aconteceu todas as segundas-feiras
da minha vida, durante cinco anos.
Aqui estou eu, a ajudar este tipo todos os dias com a sua cadeira,
com todos estes pormenores da sua vida, e odeio-o.
Mas, mesmo assim, estou aqui neste grupo, a esfor�ar-me para o servir.
E era... Senti que estava a enlouquecer.
E...
Pois.
Senti que estava mesmo a enlouquecer.
A Sophia salvou-me vida.
Meu Deus, muito obrigado, Sophia. Obrigado.
Ela sabia que se passava algo comigo.
Soube, quando o Andreas lhe disse para n�o se envolver comigo,
que alguma coisa n�o estava bem.
Ent�o, ela ignorou-o.
E desenvolvemos uma rela��o rom�ntica.
Com 28, 29 anos, ela foi a minha primeira namorada,
uma namorada de verdade.
Como � poss�vel?
N�s confi�mos em ti.
N�s...
N�s confi�mos em ti.
Ainda assim, sentia que lhe devia algo.
Sinto-me um ot�rio ao dizer isto, era muito est�pido.
Eu pensava: "Est� a fazer isto por mim."
E nunca contei a ningu�m.
N�o at� tudo se desmoronar.
Soube logo ali que era: "Meu Deus, agora vejo,
"vejo o que ele tem feito." Foi muito claro.
"A cortina tinha sido aberta. A cortina estava aberta."
Partiste-me o cora��o, magoaste pessoas.
Um atr�s do outro, homens come�aram a partilhar as suas hist�rias de abuso,
com amigos e confidentes no grupo.
Todos estes rapazes assumiram.
Todos estes rapazes.
Ent�o, um atr�s do outro, em l�grimas,
vieram e disseram: "Isto aconteceu-me e isto aconteceu-me."
E as coisas ficaram piores. Eu ouvia cada vez mais hist�rias.
Muitos irm�os eram heterossexuais.
E ele abusou deles, sodomizou-os.
N�o estou c� para competir com ningu�m
sobre nada.
Porque n�o tenho nenhum objetivo com voc�s.
Exceto se, sinceramente,
quiserem crescer, talvez isto vos seja oferecido.
Est�o a seguir?
Ele pegou em 120 mentes e manipulou cada uma delas na sua pr�pria hist�ria.
Nunca ningu�m soube. A m�o direita nunca soube o que a esquerda fazia.
Nunca soube o que se passava contigo.
Conheci-te intimamente durante 25 anos e nunca soube que sofrias.
Nunca. Se soubesse que estavas a sofrer como estavas,
ou que os meus irm�os estavam a sofrer como estavam,
teria posto um fim a isso desde o in�cio.
� verdade.
Ele come�ou a ter sexo comigo quando me levou ao Havai.
N�o entendi o que estava a acontecer.
Ele dizia que tudo o que fazia era por mim.
Dizia-me que o seu mestre o tinha aproximado da mesma forma,
e que era muito especial.
Estava a salvar a minha vida, dizia-me. Eu morreria sem ele.
Mas ainda era a pessoa na minha vida que me podia levar � experi�ncia de Deus.
E, na minha cabe�a, eu dependia dele para isso.
E apesar de ter suspeitas de que n�o era o �nico,
mantive-me calado e protegi-o.
N�o podia mostrar a ningu�m o que estava a sentir ou o que se passava.
E, apesar de todos em Buddhafield serem a minha fam�lia,
eu estava sozinho.
Ele disse-me que s� estava a trabalhar comigo desta forma,
e eu n�o podia dizer a ningu�m porque eles n�o compreenderiam.
Ningu�m tinha a hist�ria completa.
Algumas pessoas sabiam algumas coisas, outras sabiam outras coisas.
Eu sabia a coisa que sabia.
Mas ningu�m tinha autoriza��o para falar uns com os outros sobre isso.
Eu n�o sabia que ele tinha seduzido
tantos homens dentro da comunidade.
Quando ouvi as hist�rias sobre o que estava a acontecer,
foi quando pensei: "Filho da m�e."
Juntamente com as confiss�es de abuso sexual, vieram outras hist�rias.
Ele disse-me para dizer que tinha cancro.
E eu tive de dizer aos meus melhores amigos, ao meu namorado, a todos.
E tive de manter isso em segredo, para que ele pudesse ser curador
e curar-me do meu cancro, que n�o existia.
Foi do g�nero: "Est�s a gozar comigo?"
Foi 70% uma mentira? Foi 80% uma mentira?
Finalmente descobrimos que os rumores
de ele ser ator pornogr�fico eram mesmo verdade.
� medida que mais pessoas descobriam a verdade,
alguns come�aram a confrontar o Andreas.
E eu disse: "N�o podes fazer isto.
"Isto � a nossa comunidade e est�s a destru�-la."
Confrontei-o, literalmente. Disse: "O que est�s a fazer?"
Ele negou tudo.
Ele disse: "Radhia, sei que est�s a ouvir isto,
"mas eu n�o fiz isso."
Ele tinha uma cren�a interior de que
se continuarmos a contar a hist�ria, eles v�o acreditar.
Eu tinha de tomar uma posi��o.
Sabia que havia ali muita gente nova, inocente,
que nem sequer saberiam o que se estava a passar.
Eu pensei: "Pronto, basta."
Era isto que eu tinha de deixar.
Chegou a um ponto em que n�o me preocupava.
Era do g�nero: "Posso morrer daqui a um ano,
"mas � melhor do que ficar aqui mais um segundo."
E eu disse: "Nunca mais.
"N�o sou o teu brinquedo sexual.
"Acabou. N�o vou aceitar mais."
Ele olhou para mim e os olhos dele ficaram pretos.
Os olhos dele ficaram diferentes, a cara ficou diferente, foi assustador.
Ficou claro para mim, quando estava a olhar para ele, que lidava com um louco,
que estava desesperado para tentar manter tudo junto.
Foi a� que o feiti�o quebrou
e eu pensei: "J� n�o tens mais nada para mim."
No per�odo de uma semana... Subitamente, todos come�aram a partir.
Ele estava a tentar defender-se. A tentar reverter os danos.
O Buddhafield estava a desmoronar.
Foi devastador ver os meus amigos mais pr�ximos partirem.
E comecei a sentir a necessidade de me juntar a eles.
Mas, por mais que tentasse,
n�o me conseguia livrar de um sentido de obriga��o com o Andreas.
Ele continuava a negar tudo.
Queria uma oportunidade de contar o seu lado da hist�ria, a quem ouvisse.
Ent�o, pediu-me para pegar na c�mara, uma �ltima vez.
Fomos "convocados" uma noite, para uma casa,
porque ia haver uma mensagem do Andreas.
E montaram um ecr� grande
e mostraram o v�deo dele.
O que isto �
n�o pode ser posto numa carta
biogr�fica.
N�o precisa de resumos sobre uma hist�ria.
O que isto �
� livre.
Intocado,
n�o polu�do...
N�o � pedir desculpa.
Houve pessoas
que, pela primeira vez num encontro, se levantaram.
N�o sei, dez ou 20 pessoas sa�ram
enquanto o v�deo estava a dar.
Porque era t�o perturbante.
Estou em voc�s.
Mas, na verdade,
n�o h� eu nem h� voc�s.
Por isso venham.
Que todos os seres
acordem.
Dava para ouvir um alfinete a cair. Ningu�m acreditou.
Todos se questionavam.
Mas, depois, ele fez algo que nos surpreendeu a todos.
Decidiu, ap�s 17 anos, que era altura para outra sess�o de Conhecimento.
Alguns membros leais aceitaram a sua oferta,
incluindo a minha irm�, Amy,
que ainda n�o fazia ideia do que me tinha acontecido.
E agora ele est� desesperado para segurar os que ainda confiavam nele.
Por isso, revelou o Conhecimento. E foi horr�vel.
Ele nem sequer estava ligado a mim.
No dia seguinte, fomos dar um passeio.
E ele apareceu e p�s a m�o no meu pulso.
E diz: "Sabes, Emiliana,
"estas pessoas est�o a tentar destruir o teu mestre,
"e preciso de saber se conheces algu�m
"ou se consegues arranjar maneira de tratar deles,
"de nos livrarmos deles.
"Se n�o for isso, arranja algu�m que possa destruir as suas vidas,
"atrav�s do IRS ou seja como for."
As pessoas que ele queria magoar
eram as duas pessoas que estavam por tr�s
da exposi��o da verdade do que se passava mesmo com ele.
O homem que escreveu a carta e a Radhia.
Como � que isto se partiu?
Como � que tudo se partiu?
Como � que cheguei aqui sendo t�o odiada,
t�o ostracizada e demonizada,
quando amei algu�m tanto
e lhe dei a minha vida durante tanto tempo?
Na altura, n�o sabia o que ele era.
Ver isso e finalmente come�ar
a ter as minhas realiza��es sobre o Andreas,
de que tudo o que ele fez foi uma manipula��o
para um fim narcisista e man�aco...
Isto era tudo uma loucura.
Alguns membros avisaram o Andreas que, se n�o parasse o seu trabalho,
iam apresentar queixa contra ele.
Convencemo-lo que o deix�vamos em paz
se ele prometesse parar de ser professor.
N�o o queria ver magoado, mas queria que isto acabasse.
Ent�o, viajei com ele e com alguns outros para o estabelecermos no Havai.
C� estava eu, a regressar ao local onde o abuso todo tinha come�ado.
Mas, finalmente, desta vez, eu estava farto das mentiras.
E estava farto dele.
Ent�o, ap�s 22 anos, fui embora,
sem me despedir.
ano 22
Tinham acabado de partir 200 dos amigos mais pr�ximos, que considerava fam�lia.
Foi como se uma bomba tivesse explodido.
E a aldeia em que tinha vivido estava totalmente destru�da.
Era esse o sentimento.
Sinto falta daquela comunidade.
Foi como uma grande morte
da nossa fam�lia, todos de uma vez.
Fiz tanto servi�o para ele, e n�o me preocupava com o futuro,
que, quando acabou,
eu tinha apenas $45.
N�o tinha conta banc�ria, n�o tinha nada.
Lembro-me de me deitar no ch�o, em posi��o fetal.
Era como se estivesse a cair por um al�ap�o.
Estava escuro e n�o havia fundo.
Onde vou encontrar aquela admira��o? Quem me vai fazer dan�ar na floresta?
Sabem,
quem me vai fazer querer cantar quando n�o sei cantar?
Questionei tudo o que pensava quando sa� do grupo.
Vendi a minha casa
e aceitei trabalho como seguran�a,
reclamei a minha masculinidade.
Estava t�o zangado.
Estava t�o amargo, t�o c�nico.
N�o conseguia confiar em nada.
Todos n�s que sa�mos do grupo precis�vamos de curar.
Como muitos dos meus amigos,
tentei curar as rela��es de que tinha abdicado no passado.
N�s abra��mo-los. Dissemos-lhes que os am�vamos.
Nunca desistimos deles.
Tinha rezado que eles voltassem, e voltaram.
Foi inacredit�vel, aquilo por que tinham passado.
E eu estava contente por se terem livrado deste homem.
E sinto um �dio profundo, e n�o devia.
N�o � suposto eu odiar. Mas sinto que...
Ele � mesmo mau.
Mesmo mau.
H� uma intera��o social que acontece entre pessoas altamente codependentes
e narcisistas patol�gicos.
Que vai dar � pessoa que precisa de constante adora��o e aten��o...
Quem lhes vai dar isso, incessantemente?
Algu�m que depende dele como fonte da sua autoestima.
E dir�o: "Pareces ser um ser humano normal, racional, inteligente.
"Como � que isto te aconteceu?"
Foi dif�cil para mim admitir
que sofri lavagem cerebral e que estava num culto.
Olhando agora para tr�s, ele fazia todo o tipo de coisas para nos atrair.
Coisas cativantes. E fazia-nos sentir especiais,
e sent�amo-nos muito amados.
H� algo em ver outras pessoas a serem devotas
que nos faz pensar: "Estas pessoas n�o parecem loucas."
� o que fazemos sempre que entramos numa religi�o.
Aceitamos as suas cren�as como verdade.
Fazemos tudo para defender essa verdade.
Subjugamos os nossos melhores interesses pelos interesses da religi�o,
do grupo, da corpora��o.
� o que acontece no sistema de pensamento em grupo.
� o que nos mant�m l�. Foi o que me manteve l�.
Ent�o, quanto melhor nos sentirmos, mais empenhados nos tornamos.
E, depois, algu�m nos pode mandar fazer qualquer coisa.
Eu teria matado ou morrido por ele.
� muito comum. Est� em todo o lado.
Olhem � volta, h� um culto na vossa cidade,
quase vos garanto.
OAHU, HAVAI Praia Ianikai
5 ANOS MAIS TARDE
N�O TRANSGREDIR
- Eu sei, vejo-os a todos. - L� est� o Andreas.
O Andreas criou um grupo novo e tem agora mais de 100 seguidores.
Acho que ele criou aquele tipo de
hiperprotec��o em volta deve, novamente.
O Andreas agora chamava-se "Reyji",
que significa "rei-deus".
At� hoje, n�o compreendo.
Algumas pessoas ainda ficaram.
Ainda ficaram quando souberam a verdade.
Sem essas pessoas a continuarem e a estarem l�,
ele n�o teria conseguido reconstituir o grupo.
Magoa-me ver que ele ainda faz a mesma manipula��o.
E � triste porque as pessoas desistem das suas vidas, do seu poder.
V�o negar as suas pr�prias ambi��es, capacidades e talentos, por ele.
Tudo vai ser feito por ele.
O que lhes diria se achasse que podiam ouvir, era:
"Ele n�o � isso. S� est� aqui por ele, n�o � por voc�s."
Eles conseguiriam ouvir isso? Sei que n�o.
N�o o consegui ouvir durante 22 anos.
J� pass�mos?
- Pass�mos. - Achas?
Ele est� ali.
Pessoas inocentes est�o a chegar, at� hoje.
S�o muito sinceras e deviam saber.
Deviam saber a verdade.
Mas s� chegamos at� ele...
disfar�ados.
De outra forma, se ele vir uma c�mara, vai...
desaparecer.
No in�cio, quando me juntei a Buddhafield,
pensei que estava a encontrar uma verdade mais profunda nos meus filmes.
Pensei que estava a capturar vida e a expressar amor.
Mas, na verdade, eu tinha alimentado a causa dele,
e contribu�do, da minha forma, para magoar pessoas
que amava.
Teste...
- O que achas? - Sim.
Estou apavorado.
Quando chegaste c�?
No meu anivers�rio.
Estou ali.
E o que est�s a fazer?
Estou vivo e a desfrutar.
Eu tamb�m.
N�o tem sido f�cil.
Percebes?
Estou a ver que tens muitos disc�pulos.
N�o.
As pessoas v�m e v�o.
Isto �, basicamente, pessoas a passarem.
Bem...
Tens sido um bom menino?
N�o...
N�o sei o que isso �.
N�o achas que devias aprender o que isso �?
Bom e mau...
� melhor descobrires o que � melhor.
Sim.
Tens sido o melhor que podes ser?
Estou s� a ser.
Durante anos, senti que n�o tinha poder.
N�o tinha voz.
Mas estava enganado.
Lamento, Andreas, mas algu�m tem de te parar.
Porque magoaste o meu irm�o e magoaste os meus outros irm�os,
de formas de que nunca se v�o curar.
E tens de cair,
seu filho da m�e feio e deformado.
Vai-te lixar.
� uma esp�cie de processo chato, temos de ver e vasculhar tudo.
E ver a parte boa e esquecer um pouco das partes negativas.
H� muitas coisas boas.
Sinto que estou muito mais clarificada, muito mais conhecedora, mais consciente,
do que estaria se n�o tivesse passado por esta experi�ncia.
N�o penso nas coisas m�s. Isso n�o me vem � mente.
S� me lembro do que foi bom e do que me ajudou.
E o que me ajudou foi a liga��o que t�nhamos uns com os outros.
N�o foi por causa do professor, foi por nossa causa.
Foi uma experi�ncia lindamente louca, maluca e terr�vel,
que me tornou na pessoa que sou hoje e ainda n�o a consigo entender.
Estou muito contente com a pessoa que sou. Estou contente com a minha vida.
Tenho uma vida imensamente rica e bela. Tenho uma fant�stica...
Arrependo-me e ao mesmo tempo n�o me arrependo. E estou muito agradecido
e feliz pela pessoa que sou hoje em dia.
Portanto, talvez tenha valido a pena.
Talvez tenha valido a pena.
Em 2006, filmei retratos em v�deo de alguns dos meus amigos.
Quando acabei o v�deo, em 2007,
Buddhafield, tal como o conhecia, tinha-se desmoronado.
DO YOU REALIZE? curta-metragem, 2007
Alguns seguiram o professor para o Havai,
mas a maioria partiu.
Foi um per�odo confuso.
PARTIU
PARTIU
FICOU
FICOU - PARTIU
PARTIU
PARTIU
PARTIU
PARTIU
PARTIU
PARTIU
PARTIU
FICOU - FICOU
PARTIU - PARTIU
PARTIU
PARTIU
PARTIU
PARTIU
FICOU
PARTIU
FICOU
PARTIU
PARTIU
PARTIU
PARTIU
FICOU
PARTIU
Desde 2007, mais de uma d�zia de antigos membros vieram a p�blico com hist�rias
de abuso sexual e psicol�gico.
At� hoje, muitas das pessoas que apareceram no v�deo com a legenda "ficou"
j� abandonaram o grupo ou o professor.
obrigado a todos os meus amigos corajosos que contaram as suas hist�rias
CHRIS pesquisa novos movimentos religiosos e fala da sua experi�ncia.
Ele mora em San Francisco com a sua namorada de h� tr�s anos.
DANIELLE � dona de um neg�cio de cuidados de animais em Austin, Texas.
Planeia ir para a Fl�rida, mais perto do pai.
DIMITRIUS � treinador pessoal e ator.
Ainda vive em Austin e planeia voltar para este para come�ar uma fam�lia.
VERA coleciona e vende roupa e joias vintage.
Acabou o curso de culin�ria e reside em Nova Iorque com a fam�lia.
RADHIA � nutricionista e presidente de uma televis�o por internet.
Est� numa banda de rock dos anos 70 e ainda adora meditar.
DAVID � pai solteiro e mora em Austin, Texas.
� ator e produtor de filmes conscientes.
AMY mora em Fort Worth, Texas, onde cuida dos nossos pais.
Ela faz cart�es de sauda��es de luxo e joias artesanais.
JENNIFER � uma psicoterapeuta especialista em abusos e traumas religiosos.
Mora em Austin com o noivo.
MURTI d� aulas avan�adas de Ioga e Ioga com parceira t�ntrica
com a sua mulher, Larina.
Residem juntos em Honolulu, no Havai.
ALESSANDRA adora vender casas em Austin, Texas.
Ainda medita e dan�a ballet.
GREG � massagista.
Os seus tutoriais no youtube foram vistos mais de 45 milh�es de vezes.
PHILLIPE mora com o seu parceiro, Max e as Radical Faeries da Carolina do Norte.
� artista performativo, escritor e educador pr�-sexo.
CRISTALA � herbalista e tratadora corporal licenciada.
Ela mora no Novo M�xico e d� palestras por todo o pa�s
sobre as propriedades medicinais do cannabis.
JULIAN mora em Los Angeles onde fundou uma organiza��o sem
fins lucrativos para pessoas com HIV.
Ainda cuida da tia de 87 anos que estava no Buddhafield.
M�sica final escrita e desempenhada por CABOT BUDLONG
Ex-membro por 20 anos, sofreu abusos, ainda sobrevive...
Ajude-nos e torne-se membro VIP para remover todos os an�ncios do % url%
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