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Nos �ltimos dias de novembro de 1950,
12 mil homens da Primeira Divis�o dos Fuzileiros,
com uns milhares de soldados do ex�rcito,
viram-se encurralados no topo das montanhas da Coreia do Norte
perto de uma reserva chamada Chosin.
Os seus l�deres foram apanhados desprevenidos
pela entrada s�bita da Rep�blica Popular da China
na guerra da Coreia que j� durava h� cinco meses.
Os americanos estavam rodeados, em menor n�mero
e em risco de aniquila��o total.
A batalha de duas semanas que se seguiu
est� entre as melhores da hist�ria dos EUA.
Ajudou a pavimentar o caminho da pol�tica estrangeira dos EUA
na Guerra Fria e ap�s
e permanece uma das mais memor�veis
nos anais dos Fuzileiros.
Acho que todas as batalhas s�o terr�veis,
mas este pode ter sido
a pior da hist�ria americana.
Eram talvez as piores condi��es de inverno
que as for�as americanas j� batalharam.
N�o estavas apenas gelado fisicamente,
estavas congelado emocionalmente,
n�o sabendo quanto mais podias dar
e ainda assim querias sobreviver.
A coisa mais dif�cil que j� fiz na vida foi pegar em corpos congelados
dos fuzileiros que tinham sido mortos
e as suas pernas e bra�os ficam na posi��o
da hora da sua morte.
Escrevi uma carta para casa.
"Querida m�e e pai, quando receberem esta carta,
saber�o que os fuzileiros foram aniquilados, ou...
Ou sairemos daqui com grandes honras".
Os fuzileiros marcharam para o topo dessas montanhas
e quando o faziam,
estavam diferentes, a guerra era diferente,
a Am�rica era diferente,
e, na verdade, o mundo estava diferente.
No Dia de A��es de Gra�a em 1950,
a Am�rica liderou as tropas das Na��es Unidas
que marchavam na Coreia do Norte.
As for�as da democracia de acordo com o New York Times,
estavam a limpar tudo sem resist�ncia.
O que restava do ex�rcito comunista da Coreia do Norte
aparentemente tinham desertado.
Os Fuzileiros e a For�a A�rea dos EUA dominavam os c�us
e provaram-no ao distribuir um cabaz do feriado
por toda a pen�nsula...
At� aos homens na linha da frente,
perto da fronteira norte-coreana, com vista para a China.
Eles fizeram um esfor�o monumental para distribu�rem aquela refei��o
debaixo daquelas condi��es...
BILL MILLS FUZILEIROS DOS EUA
... e foi maravilhoso.
Peru, tartes,
morangos, tudo.
Era peru frio, deixem-me que vos diga.
Os cozinheiros deram o seu melhor.
Mas era A��o de Gra�as
e est�vamos otimistas que a guerra pudesse terminar...
JOHN EDWARD GRAY EX�RCITO
... e isso era ele pr�prio um agradecimento.
O comandante das for�as das NU,
o General Douglas MacArthur voou para a Coreia do Norte no dia a seguir
para lan�ar a �ltima ofensiva
naquilo que seria uma vit�ria numa guerra curta.
MacArthur disse �s tropas e aos seus comandantes
que o objetivo principal da guerra da Coreia...
BRUCE CUMINGS HISTORIADOR
... o de unificar a pen�nsula
sobre o controlo do governo da Coreia do Sul,
em breve seria concretizado e disse aos soldados,
"Espero que estejam em casa pelo natal."
Os limites da Coreia do Norte � o Rio Yalu
e ent�o o objetivo dele
era ir at� Yalu e conquistar toda a Coreia do Norte.
Eles iam escalar a montanha,
como se cortassem manteiga...
GAIL SHISLER AUTOR
... e eles iriam para Yalu e seria em grande.
Eu estava entusiasmado com isso.
Pensei, "Caramba, � isto que temos de fazer."
E pensei, que estava no papo.
Pensei que ir�amos conseguir.
Estava tudo bem claro,
"Vamos a isto", era rotina nessa altura.
T�nhamos ganho a guerra.
Acabou.
SAM FOLSOM FUZILEIROS DOS EUA
Era claro como a �gua.
Cinco meses de guerra na Coreia,
os americanos e os comandantes tinham raz�es para estarem confiantes.
MONG�LIA - CHINA - URSS - JAP�O COREIA DO NORTE - COREIA DO SUL
OCEANO PAC�FICO
A meio do paralelo 38
no acordo pol�tico que se seguiu depois da Segunda Grande Guerra,
a pen�nsula coreana tinha-se solidificado
em dois estados separados em 1950.
PYONGYANG - SEUL PARALELO 38
A Coreia do Norte tinha o apoio da Uni�o Sovi�tica
e do Mao Zedong da nova China comunista.
Os EUA e as outras democracias ocidentais
apoiaram o sul.
Este desequil�brio fr�gil permaneceu at� 25 de junho de 1950.
O ex�rcito norte-coreano entrou
pelo paralelo 38 nesse dia
derrubando as defesas sul-coreanas.
Capturaram Seul, a capital do sul,
em menos de 72 horas e continuaram,
tornando claro o seu plano de conquistar a pen�nsula toda.
Quando os norte-coreanos invadira,
eles tinham equipamento sovi�tico, tanques sovi�ticos...
STANLEY WEINTRAUB AUTOR
... e conselheiros sovi�ticos.
OS SOVI�TICOS APOIARAM AS TROPAS PELA FRONTEIRA
A R�DIO ANUNCIA A GUERRA
O povo americano acreditava que o que estava a acontecer era que
era o Stalin a fazer guerra contra os EUA.
Ao ouvir estas not�cias,
o Presidente Truman voou para Washington
desde a sua casa no Missouri.
O presidente descreveu esta invas�o
como uma amea�a � paz que n�o podia ser tolerada.
Isto � uma afronta aos esfor�os das na��es livres
para constru�rem o tipo de mundo
em que o homem possa viver em paz e em liberdade.
Esta afronta foi bem clara.
E temos de ser claros.
Depois de dias da invas�o,
o Conselho de Seguran�a dos EUA
resolveu expulsar os norte-coreanos do sul
e restaurar a paz e a seguran�a na zona.
SORTE 13
Os EUA iam liderar uma for�a multinacional
comprometida em p�r em pr�tica a resolu��o das Na��es Unidas.
Eu tinha 20 anos quando a guerra come�ou.
Sabia muito pouco sobre a Coreia,
JAP�O - GORDON
mas sabia que est�vamos em conflito direto com a Uni�o Sovi�tica
e que os sovi�ticos queriam
espalhar o comunismo pelo mundo.
MANERT KENNEDY FUZILEIROS DOS EUA
Disso eu sabia.
Eles ativaram todas as reservas dos fuzileiros nessa altura
porque precisavam de tropas agora.
WERNER REININGER FUZILEIROS DOS EUA
Tipo, agora.
Eu s� queria ser um fuzileiro da pior maneira.
Era muito novo para a Segunda Grande Guerra.
�ramos uns dois mil, todos na mesma situa��o.
�ramos mi�dos acabados de sair da escola secund�ria
e quer�amos todos ser fuzileiros,
AUTOM�VEIS N�O PERMITIDOS
um fuza a s�rio.
JACK HAFFEMAN FUZILEIROS DOS EUA
Carregar uma arma, matar algu�m.
Lembro-me de entrar no comboio e ir embora.
Lembro-me da minha m�e despedir-se de n�s.
JUAN BALLEZA FUZILEIROS DOS EUA
Mas depois percebi que ele n�o estava a despedir-se.
Ela estava a dar-nos a b�n��o.
Na altura que a primeira remessa de soldados chegou,
o ex�rcito da Coreia do Norte quase que tinha expulsado os americanos
da pen�nsula.
Mas o Douglas MacArthur permaneceu confiante
que podia reverter as perdas.
Ele ordenou para as for�as atacarem forte em territ�rio inimigo,
no porto de Inchon.
O MacArthur arriscou
e tentou atracar ali, com mar� alta,
que s� tinha umas horas
para desembarcar a tropas l�.
E n�o era uma praia boa de todo.
Tinha um pared�o l�.
Mas o inimigo n�o esperava que desembarc�ssemos ali,
por isso, foi uma grande surpresa para o inimigo.
E n�o estava bem defendida.
O sucesso em Inchon foi um golpe de g�nio.
A 16 de setembro,
a Primeira Divis�o dos Fuzileiros foi para Inchon.
A cidade foi recapturada contra pouca resist�ncia.
As fatalidades dos aliados foram poucas.
Estes homens marcham por Inchon,
em dire��o a Seul, o seu objetivo.
O sucesso em Inchon mudou tudo.
A linha de apoio da Coreia do Norte foi cortada.
Havia uma rota direta de Inchon at� Seul,
que era a capital e ficar com ela n�o era apenas
uma vit�ria militar, mas tamb�m psicol�gica
e pol�tica.
O objetivo come�a a mudar agora,
porque o primeiro pensamento do MacArthur era,
"Vamos desintegrar o ex�rcito norte-coreano
e reestabelecer as fronteiras".
E depois come�ou a perceber,
"Talvez consiga perseguir os norte-coreanos...
HAMPTON SIDES AUTOR
... at� ao pa�s deles, na Coreia do Norte
e destruir o que resta do ex�rcito".
Tornou-se na ideia de ficar com o pa�s todo.
E n�o foi apenas o MacArthur,
todos os l�deres em Washington.
Havia um cheiro de vit�ria total.
O Presidente Harry Truman tinha uma grande reserva.
Estava preocupado que a China comunista
pudesse entrar na guerra para defender o regime norte-coreano.
O seu general descartou isso.
O MacArthur n�o acreditava
que os chineses fossem lutadores.
Que eram um ex�rcito de agricultores, n�o estavam bem armados,
e n�o tinham for�a a�rea de relevo.
Ele n�o acreditava de todo
que os chineses fossem uma amea�a.
EST� A ATRAVESSAR O PARALELO 38 CORTESIA DA 3� DIV. ROK
As instru��es dadas a MacArthur nas reuni�es
era para proceder com cuidado na Coreia do Norte.
Apenas os soldados da Coreia do Sul poderiam lutar
at� � fronteira da China.
EST�O A ATRAVESSAR O PARALELO 38 CORTESIA DA 7� CAVALARIA DOS EUA
Mas o MacArthur acreditava que sabia mais.
Tr�s dias depois dos seus homens terem sido capturados em Pyongyang,
o general ordenou aos seus comandantes para acelerarem,
usando as for�as dispon�veis.
As tropas ficaram ainda mais excitadas
porque aqui n�o expuls�vamos apenas um inimigo
que era agressivo, mas ensin�vamos-lhe uma li��o.
Agora estamos a ganhar-lhe territ�rio.
A palavra de otimismo circulava entre n�s.
"Vamos destruir estes norte-coreanos por completo
e iremos at� Yalu".
ENFORCADO MAR DO JAP�O
Na �ltima semana de novembro,
o MAcArthur j� avistava Yalu
e ele tinha um plano para l� chegar.
RIO YALU
Os seus ex�rcitos dos dois lados da montanha T'aebaek
seriam umas tenazes de prote��o.
Elas fechariam a divis�o entre eles,
com uma frente s�lida e depois irem para norte
antes do brutal inverno coreano chegar.
"Isto dever�, contudo, terminar a guerra."
Disse o MacArthur � imprensa,
"e restaurar a paz e a uni�o na Coreia."
Eu n�o sabia quais eram as ordens.
Tudo o que sabia era que �amos andar.
Eram uns 15 quil�metros a subir...
BOB EZELL FUZILEIROS DOS EUA
... para onde �amos.
Avan��mos devagar
porque era a �nica forma de poder subir.
Tinhas duas dire��es para ir para a Coreia do Norte
e ou era a subir ou a descer,
porque era muito montanhoso,
um terreno muito dif�cil.
Era muito perigoso para n�s
porque a linha de abastecimento era um caminho de vacas.
Era nada mais que isso.
Muitas vezes, s� havia uma faixa
ao longo de uma encosta
com uma montanha de um lado
e um precip�cio do outro.
Cheg�mos, por fim, � aldeia de Yudam-ni
e era o pa�s mais desolador que j� havia visto.
Uma pilha de pedras e rochedos e claro vento e neve.
Estavam todos a resmungar e a desprezar,
mas isso s�o os fuzileiros.
Se n�o desprezas, n�o �s fuzileiro.
JOHN PARKINSON FUZILEIROS DOS EUA
As temperaturas � noite desciam
at� aos 25 graus negativos
e o verto de noroeste soprava
a 30 km/h vindo da Manch�ria.
Mas ainda est�vamos animados, com otimismo,
"N�o teremos de aguentar isto por muito mais tempo.
Talvez tenham raz�o, talvez a guerra acabe".
O MacArthur estava disposto a trocar o cuidado pela velocidade
e isso teve consequ�ncias.
Na v�spera da sua �ltima ofensiva,
a Primeira Divis�o dos Fuzileiros foi esticada
ao longo da linha de abastecimento por quase 130 quil�metros,
em dire��o � reserva de Chosin.
Tr�s mil e seiscentos homens acamparam...
RESERVA DE CHOSIN HAGARU-RI
... aos p�s da reserva em Hagaru-ri,
onde a sede da divis�o e um aer�dromo que era preciso
estava a ganhar forma.
A oito quil�metros, do lado oeste da reserva,
estava um pequeno contingente de 400 fuzileiros
a defender a estrada.
O grosso das for�as, oito mil fuzileiros,
estavam a entrar perto de uma aldeia de Yudam-ni...
... a preparar a ofensiva do dia seguinte.
A este estavam cerca de 2500 soldados americanos
e muitas centenas de sul-coreanos
colocados ali para proteger o flanco direito dos fuzileiros.
Ao escurecer do dia 27 de novembro,
os homens em ambos os lados da reserva
estavam a estabelecer-se para a �ltima noite de sono
antes do grande ataque a Yalu.
Havia uma �rvore no topo da colina,
uma �rvore adulta com pinhas.
E levei a minha ferramenta
e cortei alguns desses ramos.
E deitei-os abaixo, pus o meu saco-cama por cima
e ia ter uma bela noite de descanso.
E ouvi, "Bang!"
Estrondos, como no bowling,
apitos, gritos.
E um very-light foi aceso.
E o que conseguias ver � frente
eram os chineses a vir contra n�s, muitos deles.
Mont�mos a nossa linha de tiro
para defender as posi��es, preparados para o ataque.
O primeiro-sargento estava a gritar para que todos sa�ssemos.
"Saiam das tendas e v�o para o terreno,
e levem as espingardas porque eles v�m a�".
GRANT MCMILLIN EX�RCITO
E de repente chega um monte de chineses.
Tinham uns uniformes acolchoados,
estavam a entrar no nosso per�metro em dire��o a n�s.
Matei o que estava perto de mim e ele cambaleou.
Tive de disparar duas vezes antes de ele morrer.
Alguns chineses apareciam a cerca de nove metros � nossa frente
e algu�m gritou, "Abriguem-se! Ele tem uma granada!"
Foi horr�vel.
Sabes que vais morrer
e pensas como � que vai ser.
Us�mos tudo o que t�nhamos.
As nossas M1, as carabinas, se as consegu�ssemos p�r a trabalhar,
t�nhamos as metralhadoras
e era um campo s�lido de tiro � medida que eles desciam.
N�o precisavas de ver de onde vinham.
Estavam na retaguarda, � frente e � tua volta
e no teu meio.
Estarias a disparar, a esfaquear,
e a usar a arma como um pau.
�s vezes, estavam a dois, tr�s metros de ti
antes de te aperceberes disso.
BOB BOULDEN FUZILEIROS DOS EUA
E era quando usavas a arma e a baioneta como um bast�o.
Quando as coisas ficaram feias, o meu grande amigo, Sargento Bob Debbins
levou um golpe na cabe�a.
Tent�mos salv�-lo, mas n�o t�nhamos como.
Tirei a minha t-shirt da mochila,
tinha uma extra e tentei parar o sangue com isso,
mas ele esvaiu-se em sangue.
Est�vamos por um fio.
Quando o ataque diminuiu na manh� seguinte,
um dos subordinados de confian�a do MacArthur,
o general Ned Almond, foi de helic�ptero para o posto de comando
do lado este da reserva para ver o ex�rcito que foi atacado.
FUZILEIROS
Um das mais altas patentes no terreno,
o Tenente Coronel Donald Faith estava a contar
o que se tinha passado na noite anterior.
O Faith disse-lhe e deve ter sido muito convincente,
"General, estamos em apuros.
Captur�mos soldados chineses de duas divis�es diferentes.
Isso indica que eles t�m duas divis�es mesmo aqui na nossa proximidade.
O que vamos fazer, general?
Quase que morr�amos todos.
Afastamo-los, mas precisamos de ajuda".
E o general Almond disse, "Como assim?
Vais deixar que uns chineses faxineiros te impe�am?
Vamos continuar com o ataque".
O l�der da Rep�blica Popular da China, Mao Zedong,
tinha ganho uma grande guerra civil um ano antes
e uniu o pa�s sob a bandeira do comunismo.
Mas ele era um homem atento de uma vida de batalhas.
O Presidente Mao estava atento ao que se passava dentro da China.
Estava atento ao imp�rio sovi�tico perto da sua fronteira a norte.
E estava atento aos americanos,
que tinham apoiado os seus inimigos na guerra civil
e cujo ex�rcito estava a amea�ar a fronteira no outono de 1950.
O que Mao tinha nas m�os
e isto era o contr�rio do que as pessoas pensavam nos EUA,
as pessoas pensavam que Mao era diab�lico, um comunista louco e ditador
e o MacArthur era um grande her�i, mas do ponto de vista de Mao,
o MacArthur era o irracional.
Ele s� queria atacar.
"O que fariam os EUA
se o ex�rcito comunista chin�s estivesse a marchar no M�xico,
e a falar sobre deitar abaixo o capitalismo americano no sudoeste?"
Mao come�ou os preparativos
para entrar na guerra da Coreia do Norte em outubro,
aquando as tropas de MacArthur passaram o paralelo 38.
Quando o ex�rcito de MacArthur continuou a marchar para norte,
perto da fronteira chinesa,
Mao colocou o seu plano em a��o.
As informa��es dos EUA sabiam que havia tropas
que estavam a ser reunidas na Manch�ria.
S� n�o sab�amos o que estavam a fazer ali.
SHEILA MIYOSHI JAGER HISTORIADORA
E claro, o que faziam l�
era uma calma e silenciosa infiltra��o na Coreia do Norte.
Os chineses usaram o escuro da noite para camuflar os seus movimentos
e afastavam-se das estradas,
escondendo-se � noite dos nossos avi�es de vigil�ncia
e de dia
ao ficar nas florestas debaixo das �rvores.
Caminhavam de noite e ficavam a p� nos penhascos.
As for�as americanas, em geral, ficavam nas estradas
e foram para a fronteira.
Mas enquanto isso, entre as for�as,
os chineses vinham devagar a p�.
O Mao sabia que o seu ex�rcito era muito inferior
aos americanos em tanques, artilharia e for�a a�rea.
Mas mediu o MacArthur e viu uma fraqueza.
No in�cio de novembro, enviou pequenas equipas de tropas
para atacar a frente americana.
Estes homens recuaram como se fosse uma retirada completa.
Os chineses bateram forte.
E depois desapareceram.
J� n�o havia ali mais nada.
O MacArthur disse, "A toda a for�a" outra vez.
Isto tornou-se parte da estrat�gia,
que era atrair os americanos mais para dentro da Coreia do Norte,
que eles penetrassem mais dentro
e depois rode�-los.
H� uma certa ast�cia em Mao.
Ele sabe com que est� a lidar.
Ele sabe que o MacArthur � arrogante.
Esta � uma estrat�gia que joga com essa arrog�ncia.
Interrog�mos prisioneiros norte-coreanos,
civis e at� uns chineses
e o que soubemos desses interrogat�rios
� que havia muitos chineses
no outro lado do rio Yalu,
que era a fronteira entre a Coreia do Norte e a Manch�ria.
E cont�mos isso � Divis�o...
MARTIN OVERHOLT FUZILEIROS DOS EUA
... e eles passaram aos oficiais,
que passaram ao ex�rcito, que era o MacArthur,
e ele n�o acreditou nisso.
Ele disse, "N�o, eles n�o v�o entrar na Coreia"
Eles n�o conseguiam aceitar que,
sim, os chineses vinham a�.
Mesmo depois do ataque, eles n�o aceitavam isso.
"Isto n�o significa nada."
Era isso que se passava na sede.
O Mao atraiu os americanos para o Yalu
e estavam rodeados por todos os lados.
200 MIL CHINESES ENTRAM NA COREIA
EUA ATACAM A CHINA COM FOR�A
ALASCA ESTATUTO DE ESTADO PODE HAVER OBSTRU��O
As tropas das na��es unidas s�o obrigadas a retirarem-se
de todas as frentes em face aos ataques dos chineses.
Este � o destino amargo dos ex�rcitos dos aliados,
que quase tinham a independ�ncia da Coreia uma quest�o arrumada.
"ENFRENTAMOS UMA NOVA GUERRA" MACARTHUR
200 MIL CHINESES AMEA�AM ENCURRALAR AS TROPAS - NU DEVE AGIR
A nordeste da Coreia a situa��o � ainda mais grave.
Aqui, milhares de fuzileiros e outras for�as da NU
est�o encurraladas.
FOR�AS DAS NU EM PERIGO
MILHARES DE CHINESES COMUNISTAS EMPURRAM ALIADOS EM RETIRADA
O pior dos chineses aterrou sobre a Primeira Divis�o dos Fuzileiros,
que estava sobre o controlo do General Oliver P. Smith.
Cauteloso e de poucas falas, Smith duvidou da sabedoria
da marcha de MacArthur em dire��o � fronteira chinesa.
E agora as consequ�ncias da ousadia do MacArthur
estavam a cair sobre Smith e os seus homens.
Ele percebe que agora � uma guerra diferente.
O avan�o para Yalu, no que lhe diz respeito, acabou.
Ele receava, genuinamente,
que toda a frota da Primeira Divis�o dos Fuzileiros estava em perigo,
que podia ser aniquilada.
O seu trabalho agora era descobrir uma forma de sair desta.
Pelos menos seis divis�es chinesas, por volta de 60 mil tropas,
estavam em ataque
aos cerca de 15 mil de Smith.
O Smith percebeu que a sua pr�pria sede
na vila de Hagaru estava em territ�rio cr�tico.
Hagaru ainda n�o tinha sido atacada,
mas o Smith sabia que os chineses chegariam.
Os cruzamentos da cidade tinham de ser controlados
se quisesse salvar e extrair os seus homens em perigo.
Hagaru estava levemente guardada.
N�o havia l� muitas tropas de combate.
O general Smith tinhanheiros, pasteleiros e assalariados do ex�rcito
e tinha engenheiros que estavam a construir o campo.
Era uma equipa variada.
Enquanto os avi�es americanos mantinham os chineses calmos,
o Smith pressionou os seus engenheiros
para acabar o aer�dromo
para que os pilotos pudessem trazer refor�os.
E mandou quase todos os homens � sua disposi��o
para defender o per�metro em Hagaru.
muitos no local chamaram-lhe a Colina Este,
o ponto alto sobre o aterro das muni��es.
As muni��es est�o a chegar.
Eles deixaram-nas cair.
JOHN Y. LEE EX�RCITO DA REP�BLICA DA COREIA
A cada hora, enviavam.
Era minha fun��o ir buscar o que enviavam.
Os chineses come�avam a disparar sobre n�s
quando �amos buscar as muni��es.
Os envios terminavam assim que escurecia em Hagaru
pouco antes das cinco do dia 28 de novembro.
Os homens escavaram para segurar a Colina Este
dava para ver os engenheiros a trabalhar com os holofotes,
a acelerar para terminar o aer�dromo.
Uma pequena neve come�ou a cair perto das oito da noite
e nas pr�ximas horas, estava tudo calmo,
menos as escavadoras.
Depois das 22:30 a calmaria terminou.
Os chineses perceberam que
a Colina Este era a chave...
RICHARD CAREY FUZILEIROS DOS EUA
... e por isso concentraram-se nela a noite toda.
Est�vamos a meio da colina
e sem infantaria.
T�nhamos engenheiros, homens de artilharia,
cozinheiros, pasteleiros, todos que pud�ssemos arranjar.
T�nhamos de o fazer.
T�nhamos de a segurar.
Ouvimos o barulho de um morteiro a vir.
E depois, pimba!
DR. STANLEY WOLF MARINHA DOS EUA
E depois ouvias gritos.
Algu�m tinha sido atingido.
Os chineses continuavam sempre a vir
e est�vamos assustados.
N�o era uma guerra normal, a que est�vamos habituados
durante os treinos na academia de fuzileiros.
Que haveria inimigos a vir nestes n�meros
com pouco cuidado na sua pr�pria seguran�a.
S� nos poderiam vencer
com a for�a dos n�meros.
Na primeira vaga, todos t�nhamos armas.
Na segunda vaga, nem todos tinham armas.
Eles pegavam nas armas da primeira vaga.
E na terceira vaga seriam comiss�rios com armas autom�ticas.
Ningu�m se retirava.
Os homens do Smith estavam em menor n�mero.
As divis�es chinesas vinham de todos os lados.
O Smith tinha d�vidas
se conseguia segurar Hagaru.
Enquanto a unidade de remendos se esfor�ou para manter Hagaru,
os seus camaradas fuzileiros do lado oeste da reserva
estavam a preparar-se para uma segunda noite de ataques.
N�o fazia ideia do que a� vinha.
Sabia que era mau e esperava...
"Esperava fazer o que me competia
e n�o desiludir ningu�m".
Aprendes a controlar as emo��es.
Comprometes-te a lutar pelo teu amigo
e ele far� o mesmo por mim.
Ele n�o me vai deixar ali e eu tamb�m n�o.
Ali descobre do que �s feito.
N�o � ser her�i, nada disso,
mas est�s ali com uma fun��o e se n�o a cumprires,
n�o �s s� tu que vais morrer...
THOMAS CORK, SR. FUZILEIROS DOS EUA
... vai morrer todo o pelot�o.
Eles atacavam mesmo.
Destru�ram a nossa posi��o.
As nossas metralhadoras estavam t�o quentes
que at� derretiam os canos.
Houve algumas vezes
que eu tive de pegar na metralhadora
e vir� ao contr�rio
e disparar por cima das cabe�as dos nossos homens atr�s
porque eles estavam a passar.
Eles agora come�am a escalar a colina
e estamos a disparar contra eles.
E agora estou a disparar
e as pessoas come�aram a atravessar
do lado das rochas, a isto de n�s,
talvez uns dez metros.
E a minha arma encrava.
E o tipo atira uma granada.
Dei um passo e a granada explodiu.
Comecei a voar pelo ar,
mas n�o senti nada ao cair.
Acho que foi um morteiro que acertou no buraco
e eu voei e aterrei no ch�o.
E olhei em volta e pensei,
"Um tipo perdeu a perna."
E levantei-me, cai de cara
e olhei para baixo
e estava ali uma perna
e o pobre coitado era eu.
Foi a minha perna direita que se foi do joelho para baixo.
Pela primeira vez na vida rezei, nessa noite.
"Deus, n�o me deixes morrer.
N�o...
Aqui n�o, n�o t�o longe de casa.
S� quero ver o nascer do sol mais uma vez.
D�-me outro dia".
Quando apareceu a primeira luz do dia,
os chineses recolheram para os esconderijos do dia.
Os fuzileiros ainda tinham aguentado Hagaru,
assim como as colinas cruciais sobre Yudam-ni.
Mas a muito custo.
Encontrei um fuzileiro.
Ele estava no topo da montanha.
Estava num buraco que... Pensei que estava morto.
Ele n�o se mexia de todo, mas vias os olhos a mexerem-se.
Tinha a cara cheia de cinza e peg�mos nele
e lev�mo-lo pela colina abaixo
at� � enfermaria.
Eles tinham camaradas pelo ch�o
em colch�es de palha, debaixo de cobertores
e a fazer o melhor que sabiam por eles.
As probabilidades n�o eram boas em salvar um tipo,
mas ainda assim, os camaradas que tinham feridas de balas,
quer dizer, das m�s,
era t�o frio, que o sangue congelava
e eles sobreviviam.
Tipos sem perna daqui para baixo.
Estava tanto frio, tudo congelava e eles sobreviviam.
Perdiam a perna, mas ainda estavam vivos.
Era tudo complicado quando expostos ao frio extremo.
Eles paravam de sangrar porque aquela zona congelava
e quando cheg�mos perto deles, olh�vamos para eles
e quando descongelavam, come�avam a sangrar
e descobr�amos mais quatro ou cinco buracos de balas.
Fazias o teu melhor e quando terminavas,
ias para o pr�ximo paciente.
Tentava cobri-los com cobertores ou tendas
ou com tudo o que resistisse ao frio,
mas eles congelavam at� morrer.
Nessa manh� depois dos combates os relatos eram s�rios.
O General O.P. Smith n�o sabia quanto mais tempo
os homens defenderiam Yudam-ni.
Pouco se sabia do escasso n�mero de unidades do ex�rcito
do lado este da reserva.
Ainda pior, os chineses tinham chegado ao sul de Hagaru,
cortando a linha de abastecimento atr�s de Smith
e atacaram a Primeira guarni��o dos Fuzileiros em Koto-ri...
YUDAM-NI - RESERVA DE CHOSIN HAGARU-RI - KOT'O-RI
... a apenas 17 quil�metros.
Hagaru estava agora amea�ada por tr�s lados.
O Smith estava preocupado que Hagaru ia cair
e que a batalha da Colina Este ia chegar a um ponto cr�tico.
Ele precisava desesperadamente de refor�os.
Precis�vamos de mais tanques,
mais infantaria, precis�vamos de refor�os.
Pouco antes das dez horas da terceira manh� de combates,
com a ordem de Smith, 922 homens deixaram Koto-ri e foram para Hagaru.
Sobre o comando do tenente brit�nico Tenente-Coronel Douglas Drysdale,
a for�a dele tinha 235 comandos
com algumas unidades americanas,
141 ve�culos de mantimentos e 29 tanques.
O Smith achou que se o Drysdale n�o conseguisse,
Hagaru n�o se seguraria e isso resultaria
na destrui��o da divis�o inteira.
Os chineses sabiam o que se estava a passar
e n�o queriam deixar aqueles tipos passarem.
Come�ou bem, mas levou tempo.
E deparamo-nos com muitas
metralhadoras, morteiros, muito fogo de morteiros...
BOB HARBULA FUZILEIROS
... e fomos apanhados.
T�nhamos fuzileiros feridos e mortos que p�nhamos nos cami�es.
Cami�es a irem pelos ares, a serem alvejados.
Quando um cami�o parava,
os homens do cami�o tinham de o proteger.
Era a guerra deles.
N�o sabias o que estava a acontecer
dois cami�es � frente ou atr�s de ti.
Os chineses cortaram e destru�ram o meio
do comboio de Drysdale.
Os homens � retaguarda deram a volta
e foram de volta para Koto-ri.
O Drysdale falou com o Smith pelo r�dio para contra sobre o desastre.
Quando o Drysdale liga ao general Smith,
ele queria saber se dev�amos dar meia volta
e voltar para Koto-ri.
O general Smith sabia que tinha de ter esses refor�os.
Ele disse para prosseguir a todo o custo.
Disse ao meu assistente de arma, "Isto n�o est� nada bom, Joe."
Eles estavam dez horas atrasados
e pouco mais de metade dos homens restavam.
Mas a For�a de Drysdale incluindo 16 dos 29 tanques,
conseguiram chegar a Hagaru.
"Para a guarni��o de infantaria
foram adicionados um tanque e 300 homens",
um O. P. Smith mais aliviado relatou.
Ele agora tinha a for�a
para segurar a cr�tica Colina Este.
Eles disseram, "P�e os teus homens aqui neste campo
e vai descansar".
N�o pod�amos fazer fogueiras, nem fossos.
Estava tudo congelado como um rochedo.
Estavam uns corpos chineses no ch�o,
por isso amontoamo-los para nos proteger do vento.
As condi��es do ex�rcito nas montanhas a este da reserva
eram ainda desconhecidas.
A sede do general Smith perdeu o contacto
com o comandante encarregue,
o Tenente Coronel Donald Faith.
Os homens no terreno estavam a ficar ansiosos.
As for�as chinesas estavam sempre a aumentar.
T�nhamos uma multid�o a rodear-nos.
Parecia uma divis�o inteira...
JOHN EDWARD GARY EX�RCITO EUA
... ou uma divis�o e meia.
Est�vamos a ficar sem muni��es,
sem gasolina para os ve�culos,
mal t�nhamos comida nos �ltimos dias.
Os avi�es vinham e deixavam os mantimentos errados para n�s.
Muni��o de 40 mm para armas de calibre 50.
Est�vamos a ficar sem nada,
incluindo pessoas, e sabiamo-lo.
Algu�m dizia-nos,
"Os tanques est�o a tentar chegar aqui."
E depois de alguns dias, diz�amos,
"Sim, j� ouvimos essa."
Porque se vamos...
RAY VALLOWE EX�RCITO DOS EUA
... vamos ouvi-los antes de os vermos,
porque eles fazem muito barulho e n�o ouvimos nada.
Os homens do Faith come�aram a perder a esperan�a
quando um helic�ptero que trazia o comandante da divis�o do ex�rcito
veio para o pequeno per�metro deles.
Por um momento fic�mos excitados
porque ach�vamos que a ajuda estava a caminho.
Era o nosso comandante de divis�o.
Ele est� preocupado.
E aqui estava ele.
Isso quer dizer que a ajuda vem a caminho.
Mas n�o era essa a mensagem.
O general disse, "N�o v�o receber ajuda."
Temos de conseguir sair daqui.
Quando o General Douglas MacArthur
saiu da sede em T�quio para reconhecer os danos,
ele parece ter perdido a sua caracter�stica de confiante.
Deve t�-lo abalado muito
este acontecimento.
N�o estava nos planos dele.
Acho que ele n�o o compreendia.
Os chineses redesenharam a forma de combater em menos de 72 horas.
O ex�rcito do MacArthur a oeste da Coreia estava numa retirada precipitada,
abandonando mantimentos e armas para o ex�rcito de Mao.
A sua Primeira Divis�o de Fuzileiros na reserva de Chosin,
eram inferiores � raz�o de um para dez,
estavam amea�ados � extin��o.
O MacArthur veio c�.
Eu estava l�.
Vi-o a sair do avi�o.
Ele era um homem perturbado naquela altura.
Ele estava a ganhar a guerra.
Tinha acabado.
E de repente, estava a perd�-la.
Ele era para mim, naquela altura,
um velho homem perturbado e abatido.
DESTINO DOS FUZILEIROS CADA VEZ PIOR PARA O EX�RCITO
Todos os jornais e revistas
estavam cheios de not�cias.
SEM FIM � VISTA PARA AS TROPAS ENCURRALADAS
ATTLEE FALA DE UM MAU CEN�RIO NA COREIA
A minha esposa n�o sabia dos detalhes disto,
mas os cabe�alhos eram de grande monta.
"31.� Infantaria Aniquilada."
EX�RCITO ALIADO EM LUTA PELA VIDA
A CRISE NA COREIA DOMINA O CONGRESSO
OS VERMELHOS ENTRAM E AMEA�AM ENCURRALAR O EX�RCITO DOS EUA
OS CHINESES FLANQUEIAM A 50 QUIL�METROS DE PYONGYANG
O meu pai guardou uma cole��o de recortes de jornais
e h� hist�rias dos fuzileiros
que foram aniquilados, uma legi�o inteira.
Os fuzileiros estavam encurralados, estavam isolados.
Os jornais tinham desistido de n�s.
UMA CARNIFICINA DE CERTEZA
A minha esposa perdeu um irm�o no USS Arizona em Pearl Harbor,
e estava a pensar que...
WATSON CRUMBIE FUZILEIROS DOS EUA
... me tinha perdido tamb�m.
UNIDADE ENCURRALADA DA RESERVA DE CHOSIN
WILLIAMS GANHA NA TABELA
O OITAVO EX�RCITO VOA PARA O SUL
A minha av� ouvia a r�dio
quando um dos famosos locutores da altura disse...
GAIL SHISLER NETA DE O.P. SMITH
... "Se algu�m tem um filho ou um marido
na Primeira Divis�o dos Fuzileiros, rezem por eles.
Podem n�o ter salva��o".
A SITUA��O NA COREIA DO NORTE FICA CADA VEZ PIOR
O INIMIGO SEGUE PARA PYONGYANG
Os conselheiros do Presidente Harry Truman
t�m tido dificuldades para se ajustarem � nova realidade
depois do espetacular ataque de Mao.
Eles admitiram entre eles
que os EUA n�o tinham recursos
para derrotarem os chineses na guerra da Coreia.
O melhor que podiam aspirar
era desenhar uma linha na pen�nsula, fech�-la,
e entreg�-la aos sul-coreanos
e sair de l� com alguma honra.
Mas os oficiais de topo do Pent�gono
n�o sabiam se tinham as for�as necess�rias para segurar essa linha.
Os relat�rios falavam de uma Terceira Guerra Mundial
e a Uni�o Sovi�tica entraria na Europa ocidental
enquanto os EUA estavam distra�dos na �sia.
O Truman at� disse que estava disposto a largar
uma bomba at�mica para defender a Coreia do Sul.
Se o ataque for bem-sucedido na Coreia,
podemos prever que se espalhar� pela �sia e pela Europa
e para este hemisf�rio.
Estamos a combater na Coreia pela nossa seguran�a e sobreviv�ncia.
Ningu�m parecia ter a resposta,
mas o Truman foi muito claro que n�o desistiria da Coreia.
Era uma altura tremenda,
um momento significativo
na hist�ria americana.
EUA CONSIDERAM USAR A BOMBA AT�MICA!
A conversa era que a nossa civiliza��o estava em risco.
Os comandantes americanos na Coreia tiveram poucas dire��es de Washington.
O Pent�gono deu-lhes autoriza��o para sair do nordeste coreano
e retirar os fuzileiros em seguran�a,
mas n�o era uma miss�o simples.
Os homens do General Smith tinham de passar
do topo da reserva de Chosin para Hagaru, Koto-ri
e at� ao mar do Jap�o,
a 128 km pelo inverno severo do �rtico,
atrav�s de milhares de soldados chineses
� espera em terreno elevado pela �nica estrada.
MAR DO JAP�O ENFORCADO
Os historiadores militares sempre disseram
que lutar por retirada � a manobra mais dif�cil
de ser bem-sucedida.
Tem de estar tudo perfeito com o apoio a�reo, com a artilharia,
com as fatalidades na altura certa.
� uma opera��o muito complexa.
A divis�o estava a preparar-se.
Estavam a queimar muitas coisas,
estavam a livrar-se de muitas armas,
coisas que n�o eram usadas
e iam come�ar a ir em dire��o a sul.
JACK HAFFEMAN FUZILEIROS DOS EUA
No dia um de dezembro,
ap�s quatro longas noites a lutar contra os ataques do inimigo,
os fuzileiros do lado oeste da reserva
come�aram a sua perigosa jornada.
S� havia uma estrada,
um �nico ponto de entrada e sa�da de cada lado da reserva
e para o topo da reserva.
Estrada de terra
flanqueada por colinas dos dois lados.
Um pesadelo completo.
O Mao pensou que
se ele destru�sse a Primeira Divis�o de Fuzileiros,
isto criaria muito medo e d�vida em Washington
e provocaria o fim da guerra.
O seu objetivo n�o era s� castigar a Primeira Divis�o de Fuzileiros,
ou feri-los,
mas aniquil�-los por completo.
O comboio do regimento estava na estrada
e as companhias de atiradores estavam nas colinas a batalhar
e �amos em dire��o ao sul.
Havia disparos nas colinas a toda a hora.
Sub�amos e desc�amos as colinas
porque o inimigo rodeava-nos
e conseguias ouvir as lutas que iam acontecendo em todo o lado.
�amos pela parte elevada
para tentar proteger a estrada onde fosse poss�vel.
E est�vamos a subir uma colina
e o tipo ao meu lado era do Alabama.
Houve uma explos�o entre ele e eu
deitou-me ao ch�o e �s voltas,
mas assim que rodava, ele estava a cair.
Ele tinha a m�o assim e esguichava sangue.
Parece que a cara dele foi arrancada.
Primeira Divis�o de Fuzileiros s� tinham uma vantagem clara
na sua luta a sul.
Os EUA ainda controlavam os c�us.
A For�a A�rea e os pilotos do aer�dromo ali perto de Yonpo
e os pilotos da Marinha dos porta-avi�es no mar do Jap�o
eram r�pidos a responder �s chamadas feitas do ch�o.
A nossa fun��o era tentar manter os n�meros baixos
para que os chineses
n�o varressem os fuzileiros aos molhos.
LYLE BRADLEY FUZILEIROS DOS EUA
T�nhamos m�ltiplas miss�es por dia.
T�nhamos de estar muito concentrados.
Os picos das montanhas estavam por todo o lado,
mais o facto de termos mau tempo.
Se o sol aparecesse, trazia os avi�es.
Sem sol, nada de avi�es.
E quando n�o h� avi�es, os chineses ca�am em cima de n�s.
� a grande quest�o da opera��o da reserva de Chosin.
Demos muito apoio e de perto
e quando digo perto, era mesmo.
Por vezes, era t�o baixo
que dava para ver a cara do piloto
pela janela do avi�o.
Era fant�stico,
a coragem daqueles tipos em descer assim.
As coisas que v�amos era napalm.
� gasolina em gelificada.
O napalm era uma coisa nova.
Era uma coisa muito potente.
Quando aquilo explodia, abrangia uma �rea grande
e podia causar muitos danos.
Caminhavas por uma �rea
onde o napalm tinha atingido o inimigo
e os corpos estavam queimados.
A pele desfazia-se
e dava para ver o fato amarelo.
E havia cheiros que at� hoje n�o me esque�o.
As unidades do ex�rcito a este da reserva de Chosin
ainda se sentiam esquecidas.
Eles estavam a aguentar-se contra uma for�a chinesa
que era mais numerosa � raz�o de dez para um.
Os mortos e feridos aumentavam todos os dias.
Os mantimentos diminu�am.
E n�o se sabia de nada do General Smith em Hagaru.
O Tenente-Coronel Faith, ele disse, "Tenho estes feridos todos
e n�o tenho ordens para a retirada".
Ent�o ele decide-se.
"Vamos sair daqui.
Vamos tentar voltar para Hagaru".
Sab�amos que a nossa companhia de tanques tinha estado em Hudong-ni.
RESERVA DE CHOSIN HUDONG-NI
E esper�vamos que talvez nos pud�ssemos juntar aos tanques
com o poder de fogo deles,
ent�o a�, ser�amos escoltados em seguran�a
para os fuzileiros em Hagaru-ri.
Assim que tiv�ssemos os tanques, t�nhamos conseguido.
�amos para casa em liberdade.
T�nhamos mantimentos l�.
T�nhamos 400 a 450 feridos que tinham de ir de cami�o
e a �nica forma de os carregar era p�-los uns em cima dos outros.
T�nhamos camadas de feridos nos cami�es.
Os mortos tinham de ficar.
T�nhamos de os p�r em pilha e deix�-los l�.
T�nhamos de os despir
para dar aos feridos nos cami�es.
E tamb�m procur�vamos por muni��o,
t�nhamos poucas.
Era grotesco, era mesmo.
Horr�vel.
Um pesadelo.
�s 13 horas da tarde do dia um de dezembro,
os soldados do Faith come�aram a ir para sul.
Ao in�cio foram aclamados
ao ouvir o som dos avi�es em cima.
Os avi�es dos fuzileiros atiraram napalm aos chineses na estrada
na frente da nossa coluna.
Mas um deles funcionava mal e atirou o napalm mais cedo.
E caiu nas nossas tropas.
Houve uma explos�o de fogo
e muitos dos que estavam na frente
n�o voltaram.
As nossas tropas separaram-se
ao tentar apagar os soldados em chamas.
Foi desconcertante, para dizer o m�nimo.
And�mos cerca de um quil�metro na estrada e l� estava a ponte.
A ponte estava destru�da.
Est�vamos a perder tempo.
S� and�mos uns tr�s quil�metros.
O meu instinto era
que n�o havia forma de sair dali.
N�o havia hip�teses.
Est�vamos condenados a seguir a estrada
porque era a �nica forma de salvar os feridos.
Pod�amos nos salvar ao abandonar o comboio,
mas para mim isso seria cobardia.
Est�vamos moralmente unidos.
Fomos at� � colina 1221
e outro cami�o tinha ca�do na valeta
e o nosso condutor parou atr�s dele, desligou o cami�o,
saiu e desapareceu.
N�o sei se o cami�o funcionava ou porque � que o fez,
mas aqueles cami�es ficaram ali cheios de feridos.
Foi onde eu fui capturado.
Todos os soldados ali que ainda estavam vivos
tornaram-se prisioneiros de guerra.
Mas o resto do comboio passou.
Fomos at� onde esper�vamos ver os tanques,
mas s� para ver que eles n�o estavam l�.
As nossas esperan�as estavam em baixo.
Pens�vamos que est�vamos quase l�.
Tipo, "Est� quase".
Eles disseram, "Desculpem, mas ainda falta muito.
Ainda t�m mais cerda de dez quil�metros para fazer".
Est�vamos por nossa conta e foi quando tudo desabou.
Voei pela reserva do lado este.
Conseguia cada manobra no ch�o.
Os chineses estavam a descer os penhascos
e a atacar o ex�rcito na estrada.
E vi-os a serem dominados.
Estive na Segunda Guerra Mundial, vi todos os tipos de batalhas,
mas nunca vi for�as americanas a serem destru�das assim.
Vimos um cami�o a arder
onde os feridos, com as roupas a arder,
a gritar de agonia.
Nunca me senti t�o desesperado na minha vida
e n�o podia fazer nada.
Muitos de n�s j� tinham calculado a situa��o,
diziam, "Fizemos tudo o que pod�amos."
Era quase cada um por si, a dada altura.
Ou �ramos capturados
ou tent�vamos salvar os homens que estavam connosco
e sair da reserva.
Tivemos uma aventura e tanto no gelo.
Perdi o meu capacete no p�nico.
Perdi o meu compasso do meu cinto
e ca� v�rias vezes.
A minha coxa ferida estava a matar-me.
Disse a um dos camaradas, "Deixa-me aqui.
N�o consigo mais.
Estou de rastos".
Recebemos uma chamada, "Doutor, limpe o deque.
Temos muitas casualidades a chegar".
E chegaram, num per�odo de tr�s dias,
muitos feridos do ex�rcito.
E muitos deles estiveram no gelo
durante dois ou tr�s dias.
Quando chegaram estes homens estavam gelados, literalmente.
Dos 2500 soldados, o que t�nhamos,
acho que 358 voltaram
e estavam prontos para combater.
� uma percentagem enorme de baixas.
Quando, finalmente, cheg�mos a Hagaru-ri,
parec�amos mortos-vivos
por termos sido negligenciados durante cinco dias.
Assim que o ex�rcito chegou a Hagaru,
o comboio de retirada dos fuzileiros a oeste da reserva parou
a cerca de dez quil�metros de dist�ncia.
Eles resgataram o que sobrava da �nica companhia de infantaria
que estavam a segurar a passagem na estrada
nos �ltimos cinco dias.
Menos de metade dos homens nessa passagem estavam prontos a combater.
Quase todos sofriam de queimaduras do gelo e fome corrosiva.
Os corpos mortos dos fuzileiros eram empilhados, congelados,
entre as tendas de enfermaria.
E para trazer todos os feridos e mortos que pod�amos,
isso era apenas uma tradi��o dos fuzileiros.
Sempre que consegu�ssemos tent�vamos traz�-los.
Muitos dos feridos conseguiam andar
e os que n�o podiam vinham nos ve�culos.
Eram empilhados nos cami�es e nas partes de tr�s dos tanques
e nas pe�as de artilharia.
Havia fogo de atiradores
e andar ao lado deste comboio eram soldados.
E quando n�o havia disparos,
rodeavam os jipes, a tentar aquec�-los
e se o comboio continuasse, t�nhamos de lhes dizer,
"V�o ter de caminhar outra vez."
E esses pobres coitados tinham dormido dez ou 15 minutos
e estavam de p� outra vez.
N�o t�nhamos dormido nada, por isso, adormecias a caminhar.
E n�o havia comida e nem �gua.
Est�vamos aturdidos porque est�vamos desgastados.
Completamente exaustos.
Os chineses estavam constantemente a colocar bloqueios na estrada.
Troncos e pedras.
Tudo para abrandar o comboio para o poder atacar.
Cada volta e reviravolta a caminho do sul,
eles encontravam alguma coisa.
Est�vamos na estrada l�
e uma coluna inteira parava.
Eu dizia, "Porque � que par�mos?"
Ele disse, "Temos prisioneiros, na estrada toda."
Ent�o, avancei e mesmo ali, passei-me.
Vejo estes prisioneiros.
Estavam condenados. Feitos.
Foram mortos e eu n�o percebi.
Peguei na minha M1, e na baioneta
e comecei a acertar-lhes.
"Saiam da estrada,
saiam da frente!"
E eles rolavam
e n�o tinham pernas, bra�os,
os corpos despeda�ados,
os p�s pretos do gelo.
E disse para mim, "O que est�s a fazer?
Est�s louco".
N�o �s a mesma pessoa.
�s uma pessoa diferente.
�s algo que nunca julgaste vir a ser.
Os homens dentro da guarni��o de Hagaru ouviram os cami�es
antes das sete da manh� do dia tr�s de dezembro,
o fim da primeira semana da batalha.
E depois viram as luzes
do comboio dos fuzileiros de Yudam-ni
a vir do ponto mais a nordeste do per�metro.
Assim que cheg�mos �s linhas,
sab�amos que est�vamos a entrar em Hagaru-ri.
Algu�m disse, "Um, dois, esquerdo!"
E come��mos a marchar.
Ouvia-se o bater das botas,
o bater da marcha era aleat�rio
e depois era um som �nico".
Estavam a acertar o passo.
Est�vamos a marchar.
March�mos at� Hagaru,
o som dos p�s a bater no gelo.
Algu�m que nos via disse,
"Olhem para estes malditos, estes magn�ficos malditos."
Algu�m come�ou a cantar
o hino dos fuzileiros.
N�o conseguia acreditar.
Estavam a cantar o hino e est�vamos a passar as linhas
e algu�m deu-me um cantil cheio de caf� quente
e um pacote de bolachas e sentei-me na neve
e se calhar foi a melhor refei��o da minha vida.
Nessa noite, dormi no meu saco-cama
na palha dentro de uma tenda.
Era muito luxuoso.
Depois dos regimentos dos fuzileiros regressarem
do oeste da reserva e ali ficaram,
havia l� muitos correspondentes tamb�m.
A Time Magazine, a Life.
Eles disseram, "General, n�o faz do tipo dos fuzileiros, desistirem."
O General Smith disse-lhes, "Retirar?
Estamos s� a avan�ar para a retaguarda".
O Smith enervou-se com a no��o de isto ser uma retirada.
N�o havia frente, n�o houve retirada.
Ele estava rodeado por todos os lados
e qualquer movimento em qualquer dire��o era na verdade um ataque.
Quando o General Smith insistiu que estes homens n�o estavam a retirarem-se,
mas "a atacar noutra dire��o",
pelo menos uma jornalista no acampamento
suspeitou que havia aqui uma grande preocupa��o.
"Quando olhei para os homens", ela escreveu,
"Pensei se eles teriam a for�a
para dar o murro final".
N�o me lembro de ter comido em Hagaru.
Tudo era escasso.
A pior parte eram as botas,
de pl�stico que vinham at� meio do joelho.
A parte debaixo era de borracha
e desde que estivesses a andar estava tudo bem.
Mas ao subir as colinas,
as meias ficavam molhadas pelo suor
e depois n�o havia forma de trocar de meias,
se estivesses deitado na neve toda a noite
os teus p�s congelavam.
As botas tinham uma palmilha
de cerca de um cent�metro e meio de espessura
que era suposto absorver a transpira��o.
Ao inv�s, a palmilha congelava e era como andar no gelo.
Eu estava a descongelar, creio,
porque eles deram-me um caf� e morfina.
Mas tiraram-me as botas
e depois vi que os meus dedos estavam pretos
e passei-me.
Queria chorar, n�o o fiz, mas queria.
Disse uns palavr�es.
Algu�m se aproximou e disse, "Para com isso.
Porta-te direito. Como um fuzileiro".
Por isso, calei-me.
A minha bota estava congelada, por isso tiveram de a cortar
e parte dos meus dedos sa�ram com a bota.
E quando tiraram a bota,
todos os dedos tinham desaparecido.
A ponta dos meus dedos, foram-se.
O dedo grande, o pequeno e todos eles.
E dois deles foram encontrados dentro da bota.
Um dos milagres de Hagaru e a Batalha de Chosin
� que eles tiraram de l�
4500 feridos em v�rios C-47.
� quase imposs�vel.
Um m�dico tinha de se certificar que o paciente tinha mesmo de voar.
O papel do m�dico era dividir aqueles
que tinham de ser enviados para o avi�o
e aqueles que tinham de ir de cami�o.
Lembro-me bem de um homem sem uma parte do cr�nio
e com o c�rebro de fora.
Se estiv�ssemos na Coreia do Sul ou noutra circunst�ncia,
ele teria sido levado ao hospital
e, sim, ele ficaria gravemente lesionado, mas podia sobreviver.
Eis outro homem que tinha uma ferida no peito,
levou com uma bala no peito
e o ar entrava e saia por ali.
Mas sab�amos que esse homem sobreviveria
se o lev�ssemos para o Jap�o, ele iria.
Estava um homem a vestir outro
a dar-lhe morfina para as dores e a p�-lo de lado.
E � um pensamento m�rbido que o pus�ssemos de lado, mas era assim.
Era o que faz�amos.
Deve ter havido uns 20 de n�s, talvez uns 30 de n�s a bordo
e vo�mos durante uma hora e meia, talvez duas
de Hagaru at� ao Jap�o.
E quando cheguei ao Jap�o, a� senti,
"Estou fora da zona de guerra",
e, "Vou ficar bem".
A evacua��o pelo ar terminou enquanto os fuzileiros se preparavam
para abandonar Hagaru e d�-la aos chineses.
O �ltimo voo tinha espa�o suficiente
para levar as cartas dos fuzileiros
para os ansiosos parentes em casa
e para levar uma m�o-cheia de cad�veres com os feridos.
FUZILEIROS DOS EUA
Mas a quest�o permaneceu.
Quantas das dez mil tropas ainda em Hagaru sairiam de l� com vida?
Enquanto os fuzileiros em Hagaru se preparavam para a pr�xima batalha
na sua luta pela sobreviv�ncia,
o chefe deles estava em Nova Iorque,
a dar uma nova marca para a estrat�gia da Am�rica na Guerra Fria.
"O idealismo n�o tem mal",
disse o Comandante dos fuzileiros disse numa reuni�o da ind�stria da defesa,
"mas se vamos assumir a lideran�a de um mundo livre,
temos de armar as nossas for�as para fazer ver a nossa vontade
sempre que os nossos interesses sejam amea�ados".
No Departamento de Estado e no da Defesa,
o que estavam a falar era de fazer os EUA
essencialmente, para sempre, os pol�cias do mundo.
TRUMAN AVISA QUE O MUNDO LIVRE DEVE ARMAR-SE CONTRA A AMEA�A RUSSA
Sempre que o comunismo se mostrasse,
t�nhamos de estar prontos para atacar.
O Presidente Truman estava a preparar para declarar estado de emerg�ncia nacional
para galvanizar o pa�s no esfor�o para enfrentar
o que chamamos "o comunismo imperial".
PREPARA��O PARA GUERRA TOTAL ALIADOS DESISTEM DE WONJU, OSAN
"Temos de nos fortalecer e r�pido", disse Truman aos conselheiros,
mesmo que tenhamos de abdicar das televis�es e frigor�ficos.
TRUMAN - GRANDE PREPARA��O PARA AS FOR�AS ARMADAS
O PRESIDENTE DIZ QUE AS BOMBAS SER�O USADAS SE NECESS�RIO PARA A SEGURAN�A
O que a crise de dezembro de 1950 fez
foi convencer o povo americano...
MOBILIZA��O A GRANDE ESCALA GANHA FAVOR
... que eles tinham que gastar muito dinheiro e fazer mais sacrif�cios
numa Guerra Fria que ficara quente na Coreia
e pode aquecer noutro s�tio qualquer.
E em resultado disso,
tivemos mudan�as fundamentais na Am�rica.
Aquilo construiu o estado de seguran�a nacional,
construiu bases militares no estrangeiro, um ex�rcito longo e sempre ativo
pela primeira vez na hist�ria americana.
E tudo isso � resultado de dezembro de 1950
cortesia da interven��o chinesa.
Na manh� do dia sete de dezembro,
assim que se desmantela o acampamento de Hagaru,
se destr�i os mantimentos e equipamentos que n�o cabem nos cami�es,
as unidades de lideran�a dos fuzileiros j� estavam no pr�ximo desafio.
Quando sa�mos de Hagaru-ri e fomos para Koto-ri,
havia chineses por todo o lado na montanha.
E eu estava ali
atr�s do atrelado do jipe, que estava carregado at� cima
e estava ali a dispara a minha arma.
E o tipo ao meu lado foi atingido e caiu.
Uma das piores coisas � estar nas linhas
e um dos teus camaradas � morto.
E nos seu �ltimo suspiro ele chama pela m�e.
E nada � mais triste e desolador do que ouvir isso.
Um dos mitos � que os homens n�o choram
e � uma treta.
Eu vi homens a chorar, especialmente, quando os amigos eram atingidos.
Quando tens dores, choras.
Tens um sentimento de isola��o.
Nunca eras muito amigo de outro fuzileiro
porque a morte de um amigo
seria devastador.
E de repente,
sai uma metralhadora de um bunker.
E este fuzileiro e eu
rastejamos pelo lado da colina para o bunker e atir�mos granadas.
Um tipo, estava ali sentado, com uma metralhadora
e uma granada caiu-lhe entre as pernas
e explodiu-lhe as pernas
e o seu est�mago estava de fora, mas ele ainda estava vivo.
E continuou a falar comigo em chin�s.
Disse ao oficial que estava atr�s de n�s,
"Deix�mos um vivo."
E ele diz,
"Tu sabes o que eles nos fizeram na Colina Este."
Mas quando ele falava comigo, estava a falar da fam�lia dele?
Estava a implorar-me para o matar?
"Ele estava a tentar salvar-me?"
Mas ele ia morrer de qualquer maneira.
Estava todo despeda�ado.
Com isso, despachei-o.
�s vezes ainda penso nisso � noite,
desejando apenas perceber o que ele me dizia.
N�o � nada mat�-los � dist�ncia.
� quando olhas o homem nos olhos, isso � diferente.
O frio n�o deu tr�guas nos nove dias seguintes ao come�o da batalha.
Algumas noites tinham temperaturas de 30 graus negativos
e raramente vinha ao zero, mesmo com o sol aberto.
Mas o Mao ainda insistia que o seu ex�rcito continuasse a sua miss�o,
fossem quais fossem as baixas nas suas tropas.
Quase metade dos 60 mil soldados chineses
que enfrentaram os primeiros fuzileiros estavam mortos ou feridos.
Quando eles te atacavam,
especialmente de noite, olhavas para eles como super-humanos.
Achavas que n�o havia nada que os impedisse.
Os que queriam se render,
� apenas o oposto.
Pareciam perdidos e queriam ajuda
e estavam cheiros de fome.
Os chineses eram enviados para a batalha
sem roupa adequada, sem muni��es,
sem comida, muitos deles.
Muitos deles tinham de cuidar de si mesmos
e muitos outros morreram durante o inverno.
Estamos a falar de muitas mortes,
n�o s� mortes da batalha, mas tamb�m pelo frio.
Nos p�s, tinham sapatilhas.
Vias um prisioneiro e os p�s dele eram um bloco de gelo.
Lembro-me de ver um prisioneiro, tinhas as orelhas inchadas,
como uma batata.
Parece que algu�m lhe p�s
uma batata em cada lado da cabe�a
e que cortaram com a faca.
Estavam a rebentar por terem estado congeladas.
Eles sofreram muito, muito mais do que n�s.
Lembro-me sempre que
fossem quais fossem as condi��es em que estiv�ssemos, os chineses tamb�m estavam.
At� hoje, se fosse conhecer
um soldado chin�s que esteve l�,
abra�ava-o como um irm�o.
Porque sei que sofreu tanto quanto eu.
Na altura que a frente da coluna chegou a Koto-ri,
os chineses n�o conseguiam atacar de verdade o acampamento
ou fazer pouco mais do que oferecer resist�ncia na estrada.
Mas a palavra espalhava-se pelas patentes.
Outro obst�culo � frente.
A sul de Koto-ri, a alguns quil�metros h� uma passagem chamada Funchilin
e h� l� uma ponte
e os chineses explodiram a ponte.
T�nhamos de recolocar uma ponte.
T�nhamos de ter forma de atravessar o vale,
sen�o n�o ter�amos os nossos ve�culos
e nem evacuar�amos os nossos feridos.
Era uma situa��o desesperante.
Se me lembro bem,
era um espa�o de sete metros
e ali est�vamos n�s, com um enorme buraco.
N�o pod�amos avan�ar.
Com a coluna parada
� espera que os engenheiros reparassem a falha,
veio uma frente do norte.
As temperaturas baixaram.
Homens l� insistem que foi aos 50 graus negativos.
Foi de mau a pior.
Passaram por tudo o que passaram
e depois a enfrentar uma frente fria
com um frio inimagin�vel...
Quando est�s com muito frio, tens dificuldade em respirar, muito.
� mesmo frio.
Estava frio.
E de que maneira.
Estava t�o frio que n�o estavas bem nem f�sica nem mentalmente.
N�o conseguias pensar em nada complicado.
Podes nem conseguir contar at� dez.
O c�rebro n�o funciona.
Um dos truques que aprendi era dormir a sesta
sentado no capacete, que era redondo em baixo.
Quando adormecesse, ca�a e acordava.
Mas antes de adormecer, sentia-me quente
e em paz completa
e acho que � isso que se sente antes de morrer congelado.
Senti, "Como � que vamos sair daqui?"
Havia o sentimento, eu tive-o,
"Pode ser aqui.
Nunca mais vou ver a minha esposa".
E sentias isso,
um senso de impot�ncia
e desespero.
Em Koto-ri, os comandantes fuzileiros tiveram de fazer escolhas
sobre o que podiam carregar nos cami�es que sobram
e o que deixariam para tr�s.
Usaram uns explosivos
para rebentar a terra
para depois porem ali uma escavadora,
e faziam um grande buraco.
Eles tiveram muitas dificuldades
porque tinham de estourar e escavar um buraco grande.
E atiraram para l� os fuzileiros.
Enterraram 117 pelas minhas contas.
Foi devastador, uma vis�o horr�vel.
Um amigo chegado, de Detroit
ele foi morto em Yudam-ni.
E eu tive a sensa��o que
ele tinha outros que eu conhecia
estavam a ser deixados naquele buraco.
O Oficial do Regimento de Informa��o, o Capit�o Donald France era um deles.
O seu assistente, Tenente McGuiness, era um deles.
E o nosso condutor, acho que se chamava Lundberg,
era um deles.
Puseram-nos no buraco e taparam.
Era o melhor que pod�amos fazer naquela altura.
Os fuzileiros em Koto-ri n�o estavam s�s na sua mis�ria.
Os civis norte-coreanos viram as suas casas destru�das
pelos bombardeiros americanos e a sua artilharia nas semanas anteriores,
as suas colheitas de inverno pilhadas por chineses esfomeados.
Milhares j� fugiam para sul
na esperan�a de seguran�a e calor.
Um grande n�mero de refugiados seguiu a coluna
dos fuzileiros em retirada para Yudam-ni.
Eles eram um grande desafio.
N�o consegues perceber
se esta pessoa que � asi�tica
� ou n�o o inimigo.
Se entrassem nas nossas linhas, tinham de ser revistadas,
para ter a certeza que n�o havia armas.
Foi um desafio aceit�-las.
Eles n�o tinham comida
e nem o equipamento que t�nhamos.
Nem sei como conseguiram faz�-lo.
Era devastador, as crian�as a chorarem e a seguirem caminho
e n�o podias fazer nada por eles.
O que podias fazer? Eles eram tantos.
S� podes rezar a Deus que lhes d� sorte
e os fa�a passar o dia e a noite
e o dila seguinte e por a� em diante
e at� um s�tio onde estejam em seguran�a.
Lembro-me de ver idosos, mulheres idosas
e houve relatos de mulheres darem � luz ali
em temperaturas abaixo de 30 ou 40 graus.
� noite, ouvia-se um gemido
e era um gemido coletivo.
O sofrimento que eles passaram...
O pedido era urgente e veio do pr�prio General Smith.
Por isso a For�a A�rea concordou em levar a cabo uma opera��o
nunca tentada antes.
T�nhamos de consertar a ponte e eu tinha uma boa equipa
e eles decidiram que pod�amos pelo ar colocar
diferentes partes da ponte no per�metro,
uni-las
e nivel�-las no espa�o que faltava...
EDWARD ROWNY EX�RCITO DOS EUA
... onde a ponte tinha sido destru�da pelos chineses
e conseguir�amos evacuar.
Cada parte daquilo precisava de um avi�o para carreg�-lo,
um C-119 Boxcar
com dois paraquedas enormes dos dois lados para o atirar,
porque n�o conseguiam aterrar.
Boxcars voam para a �rea onde as nossas tropas est�o
isso despertou a na��o inteira.
As sec��es da ponte a ser repostas depois de destru�da pelos vermelhos
s�o enviadas por paraquedas para reabrir a �nica sa�da.
� a primeira vez que uma ponte � aerotransportada.
Bem cedo na manh� do dia nove de dezembro,
quase tr�s dias depois de estarem parados em Koto-ri,
os fuzileiros tiveram a autoriza��o
para seguirem para a ponte reparada.
Quando est�vamos a caminhar sent�amos que est�vamos a sobreviver.
Acho que resistimos ao frio
com a esperan�a de que essa era a �nica forma de sobrevivermos.
S� precis�vamos de andar mais um pouco.
Esse tipo de inconsci�ncia afeta o teu c�rebro.
E podias seguir o tipo � tua frente.
Descemos e seguimos aquele caminho
com os chineses a disparar sobre n�s, mas n�s quase que os ignor�vamos.
De vez em quando,
ouvias algu�m a gritar.
Sabias que tinha sido atingido,
mas continuavas a andar.
N�o podias fazer nada.
N�o havia escapat�ria, n�o te podias esconder,
nem arranjar cobertura, por isso aceitavas o teu destino.
Sempre me perguntei
como � que aquele primeiro condutor
quando parou naquela ponte
se ia aguentar ou n�o.
Nada disto tinha sido tentado antes.
Ningu�m sabia se ia funcionar
e foram uns minutos assustadores
at� os primeiros ve�culos passarem.
E os homens que marchavam ao lado podiam ver atrav�s da falha
e ver 150, 300 metros at� ao vale.
Quando cheguei � ponte,
estava l� um homem a dizer, "Atravessem por aqui",
e ainda bem que n�o era de dia
porque n�o conseguia ver o que estava por baixo.
N�o tenho mem�rias exatas
de atravessar aquela viga.
Naquela altura, o meu c�rebro congelou.
S� sabia que n�o podia parar.
Havia um cami�o no lado da estrada
com uns tipos l� dentro.
Estavam feridos.
E ele disse, "Sabes conduzir um cami�o?"
Eu disse, "Claro que sei."
Eu conduzi o cami�o por ali
com feridos atr�s
e os chineses a tentar matar os condutores.
Mas pensei,
"Depois de passar esta ponte, estamos em casa.
Conseguimos".
Levou quase dois dias para passar as 14 mil tropas sobreviventes,
ao lado dos cami�es, tanques e pe�as de artilharia,
sobre aquela ponte remendada.
Os �ltimos fuzileiros e as unidades do ex�rcito
atravessaram-na no dia 11 de dezembro de 1950,
duas semanas depois do ataque inicial dos chineses.
Ao chegar a terra mais plana
fora das montanhas, ficou mais quente.
Estavam 32 graus, come��mos a tirar a roupa.
Estava quente para n�s.
Foi uma sensa��o de euforia
em que j� n�o tens ningu�m a disparar sobre ti
e tu n�o est�s a ripostar.
Um relaxe total, feliz por estar vivo.
Quando cheg�mos � parte debaixo da passagem,
a nossa coluna parou e quando par�mos,
ca�mos para o lado da estrada
e fic�mos ali deitados e adormecemos logo.
Est�vamos t�o exaustos, pouca energia t�nhamos.
Sa�mos de l� mesmo a tempo.
o dia 27 de novembro, um quarto para as dez da manh�,
foi quando os chineses nos atacaram.
E a cada ano no dia 27 de novembro,
subo uma colina e sento-me l�.
Agrade�o a Deus por me ter deixado viver
e rezo por aqueles que morreram.
� um testemunho dos fuzileiros que sobreviveram
e conseguiram fugir dali.
Mas, fundamentalmente, foi uma vit�ria chinesa
foi a chave para limpar a Coreia do Norte
de tropas das NU e nunca l� voltaram.
Os chineses expulsaram os americanos,
mas sofreram muitas baixas.
O Mao atirou tudo o que tinha aos fuzileiros
e eles fugiram do seu dom�nio.
Sa�mos da cena para o mar
e os chineses nunca nos amea�aram.
Conseguimos retirar 90 mil civis de l�,
civis norte-coreanos.
Os chineses nunca os impediram, nunca os amea�aram.
Ainda acredito que o sacrif�cio
n�o s� dos fuzileiros, mas do ex�rcito e da Marinha
e de toda a gente que apoiou este compromisso
fizeram a coisa certa.
A Coreia do Sul ainda est� viva
e s�o pessoas orgulhosas, trabalhadoras
e eu apoio-os at� hoje.
E n�o me arrependo do tempo
que l� passei para os defender.
De todo.
Costumam dizer que � uma guerra esquecida.
Eu tenho a dizer que foi uma vit�ria.
N�o a ganh�mos
no sentido de unir as Coreias.
Isso n�o aconteceu.
Mas conseguimos manter a Coreia do Sul como pa�s
e o que conseguimos manter
valeu a pena lutar, valeu cada segundo
e orgulho-me de ter feito parte disso.
Quando falo �s pessoas da Reserva de Chosin,
digo que sou um dos sobreviventes.
Estou grato por ter conseguido sair de l�
apenas com um pouco artrite e sem um p�.
Estou orgulhoso disto porque fa�o parte da hist�ria.
� algo que ficou comigo a minha vida adulta toda.
N�o percebi o impacto que esta experi�ncia teria
na minha alma, no meu ser.
Lutei noutras batalhas depois dessa
e nada se compara � Batalha da Reserva de Chosin.
Traduzido por: Daniela Cunha
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