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Original subtitles

Em Pili Pili, o dinheiro voava.

Wojtek era a referência no Facebook.

Ele era muito popular e as pessoas adoravam-no.

Tinha imenso dinheiro vindo sabe-se lá de onde.

Era suposto ser um pequeno hotel com seis quartos.

Quanto é que foi? Estiveram cá dois ou três anos.

De zero a centenas de quartos.

Toda a costa sudeste de Zanzibar estava repleta de hotéis Pili Pili.

Wojtek era o rei de Zanzibar.

Toda a gente conhecia o Pili Pili.

Os locais vinham e diziam rezar por Pili Pili nas suas mesquitas,

rezam por Wojtek.

Aos olhos de muitos, o Wojtek era como um deus.

Era visto como um empresário excecional.

Isso desencadeou um incêndio.

Wojtek, anónimo de Zanzibar.

Hoteleiro condenado à prisão.

Ele vendeu algo que ainda não existia.

Os investidores viram um buraco no chão.

O dinheiro desapareceu misteriosamente.

Para esta ilha, foi um enorme escândalo.

Este tipo é muito inteligente.

Eles sabem como jogar.

Várias condenações, mas Wojtek passeia descalço na areia.

Mesmo agora, ao contar isto, sinto arrepios.

Nunca poderia ter sucesso.

E não teve.

Lembro-me de começar no Facebook, de abrir a minha conta.

Chamava-se "Polacos em Zanzibar".

Mais tarde, comecei a mudá-la.

Percebi que as minhas opiniões não estavam de acordo

com o que os outros estavam a pensar e a fazer.

Talvez me sentisse um pouco excluído,

como Robinson Crusoé da ilha

onde estava, Zanzibar.

Tendo em conta tudo isto, mudei o nome da conta

para "Wojtek em Zanzibar".

e, com isso, comecei a minha operação.

Conheci Wojtek, o dono do Pili Pili, há anos em Tricity.

Vinha ao restaurante que eu geria.

Encontrávamo-nos em festas e discotecas.

Bebíamos cerveja e falávamos casualmente.

Conhecíamo-nos.

Um dia, mostrou-me fotos de um hotel que ele tinha comprado

e ofereceu-me emprego.

Conheci o Wojtek numa entrevista de emprego em Gdansk.

Um escritório bonito, estilo africano.

Senti que era eu que estava a recrutar e não ao contrário.

Fiz-lhe perguntas e ele desenhou esboços, mostrou coisas,

explicou tudo.

No início, recusei.

Voltei para o meu trabalho na empresa e o telefone voltou a tocar.

Pensei: para quê desgastar-me aqui, quando podia viver no Zanzibar,

viver "hakuna matata",

ter um emprego e, depois do trabalho, ser uma pessoa feliz.

Então, abri essa porta e vim trabalhar para Zanzibar.

Era o momento certo. Concordei quase de imediato.

Pili Pili era uma cadeia de hotéis gerida por Wojtek.

Nos primeiros meses de atividade, criámos uma base de fãs no Facebook.

Aqui está o nosso Marek.

Ele acenar-lhe-á gentilmente.

Ele adora estes vídeos. Não, não adora.

O Wojtek é um ótimo vendedor. Atraiu engenhosamente os turistas polacos.

Ele tinha um método fantástico, que era basicamente vendas diretas.

Vendia viagens pessoalmente no Facebook.

Nunca foi condescendente nem tentou mostrar-se inacessível.

Antes pelo contrário.

Incentivava os contactos e as visitas, sublinhando a disponibilidade.

Estava disponível a ajudar, tratava todos por igual.

Apresentava-se como um tipo normal, igual aos outros, dizendo:

"Olha, estou em Zanzibar!"

Mas, de facto, era apenas para exibir no Facebook.

Wojtek só visitava Zanzibar.

Visitava-nos de vez em quando e passava cá três semanas.

Gravava horas de filmagens e publicava excertos online periodicamente.

Era a estratégia de vendas.

Wojtek é um ótimo ator e parece muito autêntico.

Era uma pessoa calorosa e aberta.

Será real?

Para mim, ele tem tantas caras e máscaras

que não sei se era encenação ou se ele é mesmo assim.

Este é Wojciech Zabinski, um polaco que vive em Zanzibar há anos.

Wojtek, como é que está?

Wojtek deixou a Polónia e começou o seu próprio negócio.

Não há mais de 200 polacos aqui.

Aqui temos um dissidente corporativo.

Sr. Wojtek Zabinski...

Blog "Polacos em Zanzibar".

Fundador e proprietário do Pili Pili.

- Porquê Zanzibar? - Já há algum tempo que acompanho.

Antes, vivi em Barcelona e, depois, durante algum tempo, na Gran Canaria.

Enquanto vivia na Gran Canaria, vim cá de férias.

Em 2016, trabalhava na Gran Canaria,

num restaurante italiano.

Um dia, um colega aproxima-se de mim e diz: "Dennis,

serve aquela mesa

porque o senhor não fala inglês, nem espanhol, nem alemão.

Não o conseguimos perceber. Achamos que é da Polónia."

Dirijo-me à mesa,

e ouço o comentário: "Um polaco! Que bom!"

Foi assim que conheci o Wojtek.

Ele contou-me que sempre sonhou

abrir um hotel numa ilha exótica.

Os meus amigos convenceram-me que devia visitar Zanzibar.

E foi o que fizemos.

Estávamos em novembro de 2016.

Ao caminhar pela praia, vi uma casa que quase tocava o mar.

Estava à venda e era propriedade de um polaco.

Ele disse-me para ficar com a maldita casa.

O Wojtek perguntou-me: "Dennis, o que achas?

Estarias disposto a abrir lá um pequeno hotel?"

Um mês depois, aterrei em Zanzibar.

Passámos a primeira noite

naquele edifício em ruínas.

O Wojtek disse que iríamos criar um belo hotel de charme.

E essa seria a minha tarefa nas semanas e meses seguintes,

transformar o que víamos à nossa frente em algo espetacular.

Ele orçamentou cerca de 15 mil dólares para as obras.

A realidade seria bem diferente.

No total, a renovação custou mais 70 mil dólares

que não estavam previstos no início.

Eu permaneci na ilha

e só mantínhamos contacto por telefone.

Passava o tempo a pensar como é que iria construir um hotel,

pedindo constantemente dinheiro durante dois ou três meses.

Cheguei a 14 de junho de 2017.

E eu fiquei em choque!

Durante os primeiros dias,

fiquei perplexo e surpreendido com tudo o que me rodeava.

Esperava que o hotel estivesse pronto.

Afinal, ainda estava a ser remodelado.

Não tinha qualquer experiência em trabalhos de construção.

Mostrei ao canalizador onde devia ficar o lavatório, a sanita e o chuveiro,

e ele pergunta-me onde pôr os canos.

Foi um desafio.

Consegui renovar todo o edifício.

Nunca trabalhei num sítio onde gostasse tanto de ir trabalhar.

Acordava feliz a viver naquele hotel, antes de me mudar.

Não me incomodava que os hóspedes, sabendo que eu vivia lá,

me batessem à porta às oito da manhã com pedidos.

Trabalhar 12 horas por dia não era um problema.

O trabalho era muito gratificante.

Nos primeiros dois anos, foi o melhor emprego da minha vida.

O entusiasmo era inabalável.

Sabíamos que éramos diferentes e melhores do que todos os outros.

Eu tinha a certeza absoluta disso.

VARSÓVIA

O meu nome é Agnieszka Szwajgier e sou jornalista.

Há dois anos que acompanho o caso de Wojtek de Zanzibar.

Tudo começou com turistas lesados

que começaram a pedir ajuda.

E é difícil para mim ficar indiferente

quando vejo uma injustiça,

quando alguém enriquece à custa dos outros,

feliz e despreocupado,

enquanto a vida dessas pessoas se desmorona,

as famílias colapsam,

surgem pensamentos suicidas.

Relacionados com essas viagens,

apresentaram queixas ao Ministério Público 240 pessoas.

O total de indemnizações atinge 680 mil dólares americanos.

Catorze investidores lesados no âmbito de contratos

de empreendimentos da Pili Pili.

Nada foi construído.

Os prejuízos ascendem a mais de um milhão de dólares americanos.

O Wojtek de Zanzibar tem dívidas para com os polacos

prejudicados financeiramente

na compra de imóveis no valor de milhões de zlotys.

Ele foi eficaz.

E não atuou no seu território.

Se fizesse o mesmo numa cidade polaca,

enganando os conterrâneos, a sua cabeça rolaria.

Quando comecei a trabalhar com o Wojtek,

não havia qualquer intenção de expansão para uma cadeia de hotéis.

Uns vizinhos vieram ter comigo

a dizer que tinham um problema.

Um tipo ficou sem fundos a meio da remodelação.

Ele queria abrir um hotel.

Fizemos um acordo.

Disse-lhe que podia comprar-lho em prestações.

Ele disse que confiava em mim.

Após um ano, o Wojtek veio ter comigo e disse: "Dennis,

vamos comprar a propriedade ao nosso lado,

vamos construir uma piscina e vamos expandir."

Tudo isto excedeu as minhas expectativas.

Afinal de contas, era suposto ser uma casa pequena.

Relativamente à sua estratégia comercial, o Wojtek era muito otimista.

Dizia que dinheiro não seria problema e que o fracasso não era uma opção.

Vim para Zanzibar trabalhar como chefe de cozinha num outro hotel

numa zona diferente.

E recebi a proposta do Pili Pili.

O Wojtek tinha uma visão para o Pili Pili e parecia completamente exequível.

E todos acreditávamos nessa visão.

As coisas funcionavam.

O que quer que o Wojtek tenha sonhado a dado momento,

posteriormente tornou-se realidade, de uma forma ou de outra.

A base de fãs no Facebook cresceu rapidamente.

Dezenas de milhares transformaram-se em centenas de milhares de fãs.

Esperavam ansiosamente pelo próximo post do Wojtek.

A reação era fantástica e as pessoas adoravam-no.

Em 12 ou 18 meses, tinha mais de 100 mil seguidores.

Criou imenso burburinho sobre a ilha e toda a gente queria vir para cá.

No início do meu emprego disseram

que seriam três hotéis e nada mais.

Naquela altura,

tornava-se evidente que estava a evoluir para algo maior.

O Wojtek desenvolveu o gosto pelos negócios e sucesso.

A nossa visão do futuro era otimista.

Depois, veio a pandemia.

A ilha ficou adormecida, o tráfego diminuiu.

Os nossos hotéis sentiram o mesmo.

Gerou-se a incerteza.

O Wojtek e eu estávamos no pátio,

quando o presidente anunciou que a Polónia ia fechar fronteiras.

O turismo, que é a nossa fonte de rendimento e de subsistência,

podia parar de repente.

Os hotéis todos fechavam,

as empresas despediam empregados.

Muitos expatriados e proprietários de hotéis

fizeram as malas e regressaram a casa, na Polónia, na Alemanha.

Zanzibar depende do turismo.

Agora, não há turistas, porque partiram mais cedo do que o habitual.

Houve um momento para mim, não de pânico,

mas questionei se poderia ficar em Zanzibar.

O Wojtek disse-me para não me preocupar com nada.

A vida tem de continuar.

Temos de combater o coronavírus,

mas não podemos fechar empresas

e deixar as pessoas sem nada.

O Wojtek tinha planos diferentes.

Manteve todos os habitantes locais a trabalhar para nós.

Mudámo-los de funções.

Os cozinheiros pintavam paredes,

os empregados renovavam mobília.

Chegou ao ponto em que os locais vinham

e diziam rezar por Pili Pili e Wojtek nas suas mesquitas,

por manter os empregos, garantindo que podiam sustentar-se.

Wojtek garantiu aos turistas

que mesmo que tivessem reservado

para o período em que o mundo estava fechado,

podiam remarcar.

Podiam continuar a fazer reservas.

Não importa quando irá abrir o mundo, nós estaríamos prontos para os receber.

Durante a pandemia, muitos donos de hotéis desistiram.

O Wojtek aproveitou-se disso.

O meu nome é Michael Winter. Sou da Alemanha.

Vivo em Zanzibar há 16 anos.

Eu era dono de um hotel chamado "Anna of Zanzibar".

Apercebi-me rapidamente que não seriam só quatro semanas.

Então, fechei o hotel.

A Covid continuou e continuou.

E depois decidi vendê-lo.

Soube-se que Wojtek estava a comprar hotéis

e, de vez em quando, surgia alguém a querer alugar o seu hotel.

Num ano, os cinco hotéis passaram a sete e depois a nove.

A situação da Covid esteve na origem deste rápido crescimento.

Os planos do Wojtek assustavam-me.

E ele continuava a assegurar-me que tudo iria correr bem

e que iríamos criar algo incrível.

Tive receio.

Aterrei em Zanzibar a 24 de janeiro de 2021.

Antes disso, geria restaurantes.

Nessa altura, as restrições na Polónia à Covid atingiram o auge.

Toda a gente tinha de usar máscaras em todo o lado.

Não havia perspetivas de mudanças num futuro próximo.

Um amigo meu publicou uma oferta de emprego no Facebook.

Estava à procura de um substituto. Enviei-lhe uma mensagem.

Eu era produtor na Polónia.

Fazia anúncios e videoclipes e publicava no YouTube.

Com a pandemia, o trabalho estava a escassear.

Quando o Jerry recebeu a chamada sobre a partida,

não pensei muito nisso.

Sempre sonhei em viver sob palmeiras, junto ao oceano.

Arrumámos as nossas vidas e partimos.

Senti que tinha viajado no tempo e nunca existiu Covid.

A situação da Covid em Zanzibar era estranha.

Sabíamos tudo o que estava a acontecer na Europa.

Aqui, não mudou absolutamente nada.

Durante mais de seis meses,

a Tanzânia afirma não ter registo de casos de coronavírus.

O governo tenta convencer o mundo de que está curado da Covid.

Uma vez lá, tirámos as máscaras e nunca mais as usámos.

Em Zanzibar, pode deitar fora o teste de Covid.

O assunto Covid já não existe.

Havia uma anedota do Presidente Magufuli

em que alegadamente testou uma papaia para a Covid

e o resultado foi positivo.

Era alvo de várias piadas.

Anunciou que a Covid era uma conspiração dos poderes constituídos

e ele não acreditava nisso.

Zanzibar era um dos dois ou três destinos no mundo

onde não se aplicavam restrições,

e não eram necessários testes, registos Covid ou vacinas.

Wojtek teve a ideia de fretar voos para Pili Pili.

Aviões.

Dissemos-lhe que ninguém fazia isso.

Ele disse: "Vamos ser os primeiros!"

E Wojtek foi para a Polónia.

Voltou num mês e disse:

"Vamos ter os aviões."

O mundo inteiro está confinado,

mas chega um avião com convidados polacos para Pili Pili.

Atrevo-me a dizer que foi extraordinário a uma escala global.

O Pili Pili Fly foi o primeiro voo fretado a chegar a Zanzibar durante a pandemia.

O Presidente estava lá.

As autoridades ofereceram cocos aos convidados.

Foi um acontecimento para Zanzibar e as suas autoridades.

E os voos charter continuaram a chegar.

Durante cerca de três ou quatro meses,

só os nossos aviões charter aterravam em Zanzibar.

E voavam exclusivamente para os hotéis Pili Pili.

Mais um tiro certeiro! A nível de negócios!

O que prejudicou os nossos lucros

foi o preço promocional que o Wojtek fez nos bilhetes de avião.

As pessoas não pagavam o preço total, aproveitavam os descontos.

Ficavam à espera do próximo desconto do Wojtek.

Os novos descontos cobriam o buraco dos descontos anteriores.

Podem comprar-nos cupões individuais,

cada um custa 80 dólares, mas com um valor nominal de 90 dólares.

Poupa mais de 10%.

Temos um desconto permanente, onde se compram dez cupões,

que valem, no total, 900 dólares, ou seja, dez vezes 90,

por 700 dólares.

É um desconto de mais de 20%.

- Sou a Tusia. - Sou o Daniel.

Durante um ano e meio gerimos uma escola de kitesurf.

E um centro de mergulho em Zanzibar.

Um amigo nosso apresentou-nos o Wojtek.

Para mim, como empresário,

o Wojtek era uma inspiração.

A visão que ele tinha e partilhava

era contagiante no seu otimismo.

Sentia-se que ele podia mover montanhas.

A maioria dos empregados da Pili Pili entrou na empresa

quando esta já era um sucesso.

Para eles, Wojtek era um homem de sucesso.

Quando alguém como ele diz que tem uma ideia,

executa-a.

Tal sucesso indicava que sabia o que estava a fazer.

É difícil não confiar.

Só se estivesse lá no início.

Pili Pili era um modelo de negócio de turismo e hotelaria engenhoso

que eu nunca vira.

Lembro-me do slogan a combinar férias com aventura.

Outras agências ofereciam viagens normais,

compostas pela viagem, deitar à beira da piscina e regressar.

Os hotéis Pili Pili situavam-se sobretudo em pequenas aldeias.

Os hóspedes podiam tomar uma bebida deitados à beira da piscina

e passar as férias de uma forma diferente dos hóspedes de grandes estâncias.

Os hóspedes do Pili Pili, no início da pandemia,

tiveram as férias de uma vida.

Sem dúvida alguma.

Descobri os Pili Pili através do Facebook.

Havia ofertas realmente incríveis,

muitos comentários positivos e fotografias.

Toda a gente estava encantada.

Havia um grupo de Pili Pili, quase como uma família.

Apaixonámo-nos por Zanzibar antes da viagem.

Ficámos a conhecer as pessoas que lá vivem.

Vimos Zanzibar não apenas da praia, mas do ponto de vista dos locais.

Todos os dias havia algo, como eventos, concertos,

círculos de tambores, preparação de cocos, animação.

De repente, vamos ao mercado noturno, a seguir, acrobatas.

Podíamos ir ver os golfinhos em Kizimkazi.

Muita animação para crianças.

O Wojtek organizou casamentos.

Uma cerimónia bonita e íntima.

Os recém-casados faziam uma sessão fotográfica num barco.

Era uma sensação íntima e agradável de paraíso.

Fantástico.

Casei-me descalço. Quem é que pode dizer isso?

Fomos os primeiros a casar em suaíli.

"Nimekubali" é "eu quero-te".

Não sei se alguém consegue superar as atrações, as emoções,

as imagens, os sabores e tudo o que acontecia nessa altura em Pili Pili.

A dada altura, as despesas tinham de exceder as receitas.

A razão é que tudo era vendido com desconto.

Os voos charter foram vendidos por menos do que nos custaram.

Os pacotes vendiam-se por menos do que nos custaram.

A certa altura,

o próximo desconto não iria cobrir isso.

É aí que começaram os problemas.

Em 2021, Zanzibar foi

o segundo destino de férias mais popular dos polacos.

O entusiasmo era enorme,

especialmente porque muitos turistas estavam fascinados com Zanzibar.

Muitos visitantes não falavam inglês, apenas polaco.

Não era um problema.

Podiam falar com vários gerentes polacos

e habitantes locais, que tinham aprendido polaco.

Levavam os hóspedes em excursões, passeios pela costa e aldeias.

Uma equipa polaca numa aldeia polaca.

A certa altura, demos nomes polacos às aldeias.

Aqui estamos, uma bandeira polaca a ondular.

Sem problema, os nossos hóspedes são fantásticos.

Bem-vindos a Zanzibar. Chamo-me Black Marek.

Hakuna matata!

Bem-vindos!

Aqui temos um pimento.

Em suaíli, chama-se pili-pili.

É muito picante. Portanto, pili-pili é algo picante.

É a nossa especiaria preferida.

Não.

É muito popular,

como a empresa Pili Pili que o Wojtek tinha.

Era bem conhecido na ilha.

Tinha muitos turistas.

Nunca antes tinha gerido grupos tão grandes de 30 ou 50 pessoas.

A primeira vez foi no Pili Pili.

Gostei muito.

O meu nome é Juma Maulid.

Sou taxista.

Conheci o Wojtek em 2017.

Trabalhei em Pili Pili durante quatro anos.

Tinham demasiados hóspedes.

Se trabalhar mais, dão-te mais dinheiro.

Talvez eu queira alugar outro táxi porque preciso de mais

quando o sigo... ao Wojtek, quero dizer.

Para mim, é o meu táxi. São dez táxis.

O Wojtek era o contabilista.

Wojtek mantinha a organização e fazia as contas.

Ele dizia que, de acordo com os seus cálculos, tudo correria bem.

Não é preciso preocupar.

Se pagarmos demasiado pelas viagens, as estadias compensam.

Se os voos custarem mais, aumentamos o preço da estadia.

As pessoas pensarão que estão a obter descontos.

Foi uma cortesia da nossa parte para poder vir a Zanzibar

poupando 20%, por vezes até 30%.

Tivemos promoções e podem voltar,

com oportunidade de poupar até quase 45%.

Estava mais uma vez a tapar buracos.

Mas as despesas eram tão elevadas nessa altura

que já não era possível cobrir as despesas.

Continuaram a crescer.

Talvez reduzindo o número de voos...

Mas adquirimos ainda mais hotéis,

por isso, precisávamos de mais voos,

com descontos cada vez maiores.

Quando se oferece um desconto, em que um bilhete custa 375 dólares

e o seguinte custa menos 25 dólares por cada.

Uma pessoa normal compraria cinco ou seis.

O recorde foi de cerca de 150,

obtendo-os praticamente de graça e vendeu-os depois no mercado negro.

O pico foi quando dois aviões cheios chegaram

para hotéis ocupados com hóspedes da semana antes.

Foi uma loucura.

Se fores à cidade, Pili Pili.

Se fores ao oceano, todos os polacos de Pili Pili.

Pili Pili.

Peço desculpa.

Contratações à pressa, os hotéis mudavam de mãos e eram remodelados à pressa.

Muitas vezes, sabíamos novidades através dos posts do Wojtek,

por exemplo, sobre um novo hotel.

Depois perguntávamos ao Marek qual era a localização.

E o Marek não sabia.

Mostrávamos o post do Wojtek.

"Ah, sim! Não sei."

A partir de outubro ou dezembro de 2020, todos os meses havia um novo hotel.

Senti que estávamos a ir demasiado depressa e sem um plano.

Apesar dos conselhos e pedidos para abrandar um pouco,

para nos concentrarmos no que tínhamos, crescer essa base

e ver se tudo estava a correr bem,

sempre houve o otimismo de que tudo iria correr bem.

Talvez alguns quisessem abrandar, mas o Wojtek não quis ouvir.

Ele queria vender o máximo possível e lucrar o máximo que pudesse.

Quantos hotéis tinha o Pili Pili? Dezasseis, certo?

- Dezassete. - Era isso?

Eu nem sei.

Pili Pili, Swahili Lodge...

Spot, Uhuru...

Anna of Zanzibar...

E Garden.

Quantos são?

Pili Pili House, Lodge, Family...

Perdi a conta, para ser sincero.

Terei capacidade para acolher até 3000 hóspedes em 20 hotéis.

O crescimento do Pili Pili nos dois ou três anos que estiveram cá,

nunca havia sido visto.

Passaram de zero a centenas de quartos.

Toda a costa sudeste de Zanzibar estava repleta de hotéis Pili Pili.

Tornou-se na maior cadeia de hotéis da ilha.

Foi impressionante. Eu disse: "Ena! Nada mau!"

Se isto se entendesse ao longo de dez anos,

teria feito sentido.

Mas foi tudo demasiado, muito rápido

e sem um plano.

Nunca poderia ter sucesso.

E não teve.

Começaram a surgir mais problemas financeiros

quando adicionaram o regime de tudo incluído nos hotéis.

Houve situações absurdas

com hóspedes a pedir 15 jantares por dia.

O estilo Pili Pili com tudo incluído foi também uma experiência única.

Quando o primeiro avião estava no ar,

as condições eram diferentes do que quando aterrou.

Tínhamos o regime de meia-pensão,

o que significa pequeno-almoço e jantar.

O resto seria pago.

Pouco antes de o primeiro avião aterrar,

Wojtek anunciou que iríamos fazer a mudança

para tudo incluído para todos.

A estadia com tudo incluído não foi bem calculada.

O Wojtek fez as contas sozinho.

Ninguém conhecia a estratégia.

Apresentou o preço e disse-nos para o aceitarmos.

Inicialmente, queríamos dividir o menu entre o que é tudo incluído e o que não é,

como os hotéis fazem.

Mas quando uma ou duas pessoas apresentaram uma queixa ao Wojtek

e ele descobriu isso,

obrigou-nos a mudar o menu para tudo incluído total.

Levavam garrafas inteiras de álcool do bar

porque diziam que o Wojtek autorizou.

Não era o típico tudo incluído que se obtém quando se vai de férias

por grandes agências de viagens para grandes hotéis.

O Pili Pili tinha tudo incluído premium.

Ainda melhor do que isso.

Tínhamos sushi.

Havia noites especiais com churrasco típico africano.

Havia um restaurante com cozinha italiana.

Havia piza turca.

Tínhamos cozinha local, Swahili, Zanzibari.

Fazíamos as nossas próprias salsichas.

A oferta era enorme.

No que diz respeito ao álcool, havia de tudo.

Os hóspedes não acreditavam no que obtinham pelo valor pago.

Duas semanas de férias por 600 dólares.

Zanzibar, tudo incluído, com passagem aérea.

Não se consegue o mesmo numa aldeia da Polónia a este preço.

Podia pedir 17 bifes de atum.

E as pessoas pediam.

Alimentavam gatos, levavam para a aldeia.

Sem controlo.

O chefe de cozinha Edi veio ter comigo um dia e diz:

"Isto é horrível!

Estão sempre a comer.

Vêm tomar o pequeno-almoço e comem.

Quando terminam,

vão para os quartos e voltam passado meia hora,

pedem o menu e voltam a comer.

Depois, vão para a piscina algum tempo e voltam.

E comem."

É impossível ganhar dinheiro assim.

O Pili Pili era assim.

"Comei e bebei, todos vós."

A matemática é simples.

Perdemos em passagens aéreas, pacotes e estadias.

Onde é que lucramos?

Do ponto de vista económico,

algumas decisões e opções não faziam qualquer sentido.

Esse dinheiro não se devia ter evaporado.

Wojtek decidiu triplicar o número de funcionários para não haver espera.

Era um caos.

Ele tomava decisões rapidamente e recusava-se a recuar.

Nenhum outro hotel tinha tanto pessoal como o nosso.

Um pequeno hotel com seis quartos para 15 pessoas

tinha seis pessoas no bar.

Tinha seis cozinheiros, cinco empregadas e seguranças.

Havia mais pessoal do que hóspedes.

Por vezes, havia 30 ou 40 empregados, e nós, hóspedes, 15 ou 17 pessoas.

No seu auge, o Pili Pili empregava mais de 300 empregados de cozinha.

Tenho 620 empregados locais.

Também emprego cerca de 45 polacos na ilha.

Trabalhei no Pili Pili desde 21 de setembro de 2020.

Comecei como responsável de stock,

alguém que trata da comida e bebidas em geral.

O Wojtek era muito simpático comigo.

Costumávamos chamar-lhe "bosskazi".

Isso significa "chefe".

Comigo era muito simpático.

Estava contente por ser meu patrão.

Mas se olharmos para o negócio, era tudo muito estranho.

Ele tinha a sua visão e aplicou-a.

Estava sempre a soprar nas velas para irmos mais depressa.

Mas o que acontecia por baixo, nos bastidores,

ou seja, o departamento de RH, a receção, os restaurantes,

não lhe dizia respeito.

O sucesso assumiu o controlo.

A máquina estava a funcionar em pleno e era difícil abrandar.

Todos os hotéis tinham um gerente e um chefe de cozinha polaco.

Tentaram convencê-lo de que não era a melhor ideia,

que gerava custos elevados,

mas ele continuou a garantir a toda a gente que o dinheiro estava lá,

não havia problema.

No início, o dinheiro voava.

Ficámos impressionados com o que o Wojtek estava a fazer.

Tinha imenso dinheiro vindo sabe-se lá de onde.

O salário era muito bom.

O Pili Pili pagava melhor do que os outros hotéis.

Era um trabalho de sonho.

Pagavam-me bem, não pagava comida, alojamento.

O contrato incluía um voo para a Polónia por 25 cêntimos.

Além disso, havia um desconto para famílias.

Tínhamos acesso aos 17 hotéis da ilha.

Podíamos tomar o pequeno-almoço,

depois alugar um carro, parcialmente às custas do Wojtek,

atravessar a ilha,

jantar ou cear nas falésias e regressar a casa.

Durante meio ano, saltava da piscina para o mar,

depois vivi na propriedade do Wojtek, que também tinha piscina.

Wojtek criou uma propriedade que alugou a um alemão.

Após vender o meu hotel, comprei o lote de terreno onde estamos agora.

Construí 22 casas para o Wojtek.

Assinei um acordo com o Pili Pili

em que eles alugariam as casas durante dez anos.

Teria sido um bom investimento para mim.

Varsóvia tem o incrível bairro Wilanów.

Em Zanzibar, tínhamos o "Pilanów", com as condições de Varsóvia para a elite.

As pessoas eram felizes aqui. Faziam festas, conheciam-se.

Para eles, era perfeito. Mas foi tudo pago pela Pili Pili.

É muito dinheiro quando se alugam 22 casas.

Quando os empregados e os turistas começaram a chegar,

algo mudou.

E acredito que

todo esse sucesso o afetou muito.

Não positivamente.

Começou a acreditar que era infalível ao ponto de,

na minha opinião, algumas ideias serem loucas

e não faziam sentido para mim.

Quanto maior for o sucesso da empresa, maior é o sucesso dos hotéis,

mais fãs no Facebook e mais hóspedes.

Na minha opinião, havia pouca racionalidade em tudo isto.

Parece que o Wojtek se tornou uma celebridade tão grande

que ninguém o superava.

Deu imensas entrevistas e as pessoas queriam conhecê-lo.

E era isso que ele queria.

Ele pavoneava-se como um rei da pop.

Fiquei a pensar no que se estaria a passar.

As pessoas admiravam-no.

Faziam filas para o conhecer.

E ele comportava-se como uma celebridade.

Aos olhos de muitos, o Wojtek era como um deus.

A carta dir-lhe-á a verdade!

Não posso prometer,

mas se eu estiver na ilha, convido-vos para jantar.

Agora parece ridículo, mas na altura eu acreditava no Wojtek.

Conhecer o famoso Wojtek de Zanzibar era uma das atrações.

O tipo que conhecíamos da Internet e dos vídeos online.

Fiquei um pouco chocado e surpreendido por descobrir

que vinha gente a Zanzibar para tirar uma foto com o tipo da TV,

e não para desfrutar do clima, oceano, natureza e por aí fora.

O Wojtek gostava da fama.

Ele sentia-se mesmo o rei de Zanzibar.

Considero isso um pouco perverso.

Quando se entrava em Paje, via-se um cartaz gigante com o Wojtek.

Tinha cinco metros de altura.

O Wojtek dizia: "Pili Pili, por aqui."

Ninguém faz algo assim!

Ele enfiou a cara no meio da rotunda.

Era uma celebridade

de quem os locais diziam: "Tem dinheiro, é dono dos hotéis."

Onde quer que fosse na ilha

havia placas a dizer "Pili Pili".

E acho que mais ninguém em Zanzibar conduzia um Range Rover branco.

Todos sabiam quando era o Wojtek.

Isso surpreendeu-me.

Eu pensava que ele era uma pessoa mais humilde.

Mais tarde, acho se afastou um pouco da realidade,

com os planos e a forma como via as pessoas,

a forma como as tratava,

e na forma como se via a si e aos outros.

Isso teve uma grande influência na sua tomada de decisões.

Toda essa fama

e o facto de se ter tornado tão popular e bem sucedido tão rapidamente,

fizeram-no acreditar que estava em ascensão e que isso não mudaria,

portanto, todas as suas ideias eram ótimas.

O Wojtek tinha dinheiro dos turistas de Pili Pili

e de investidores que vinham ocasionalmente a Zanzibar.

O Wojtek sabia que tinham dinheiro.

Ele investigou-os.

Se chegasse alguém mesmo rico,

o Wojtek sentava-se com dele e dizia:

"Tenho uma ótima ideia.

Estou a construir 100 casas aqui.

Tenho 17 hotéis. Tenho dinheiro. Olhe à sua volta."

O Wojtek mostrava que metade de Zanzibar era dele,

que ele tinha criado aquilo tudo.

Isso dava confiança.

Então, porque não? "200 000 por uma casa.

Aqui está. Gostaria de ganhar dinheiro."

A situação pandémica

levou as pessoas a passar mais tempo na Internet,

a pesquisar várias ofertas

e encontrar oportunidades de investimento.

Um dos investimentos mais badalados de Wojtek foi o Natural Park.

Eram para ser moradias vendidas a polacos

e depois alugadas a turistas através da Pili Pili.

Estas moradias custam entre 160 e 250 mil dólares.

Quanto mais perto do mar, mais caras.

Mas há um pormenor que sugere tratar-se de um esquema Ponzi.

Wojtek garantiu que o investidor que comprasse uma casa destas

receberia um lucro de 10% ao ano,

pago mensalmente,

mesmo que a casa não estivesse terminada

e ninguém vivesse lá.

De onde viria o dinheiro? Do aluguer?

Quem é que ia pagar se a casa não estivesse pronta?

O que veem atrás de mim...

Ali mesmo.

O que está a ver ali é Vetu.

Vetu, ou Pili Pili Natural Park.

Falou com investidores, assegurando que o dinheiro existia.

Ele garantiu que tudo estava a correr bem,

que iria haver uma fantástica cadeia de hotéis na ilha

e teríamos êxito.

Toda a equipa acreditou nele.

Analisando toda esta situação,

posso dizer sem dúvida que Wojtek planeou este esquema em pirâmide,

que resultou em enormes perdas financeiras

para empresários polacos

e investidores privados que gastaram o seu dinheiro em Zanzibar.

Utilizando as redes sociais,

ele vendia hotéis

que ainda não tinham portas ou janelas instaladas.

Na verdade, já estariam esgotados.

Essa era a chave da estratégia de venda do Wojtek.

Ele vendia algo que ainda não existia.

É como comprar um buraco no chão em vez de um apartamento.

Paga, pede empréstimo e depois constrói.

Aqui foi igual.

As pessoas compraram bilhetes, por isso iam lá estar.

Mas não havia hotel.

Parece que não tem medo de nada.

Quem não arrisca não petisca. E ele arriscava.

Nadávamos sempre contra a corrente.

O plano para o Sunset era extenso.

Era suposto ser incrível e o melhor.

Aqui será a zona de churrasco e zona de restauração,

onde se realizarão todos os eventos.

Haverá camas de rede, espreguiçadeiras, tudo.

Estive no local de construção do Hotel Sunset.

Não havia forma de resultar.

Isto é o que vão ver das vossas casas.

Vista para o mar e assim.

Vamos verificar o progresso da construção.

As primeiras paredes já foram erguidas.

Estamos a avançar lentamente.

Em julho de 2021,

era suposto abrir cinco hotéis em duas semanas.

A 3 de julho, chegaram hóspedes aos dois primeiros.

Essas inaugurações correram bem.

Mas as três seguintes, a 10 de julho,

foram um desastre.

Alguns investidores apareceram para ver como estava a evoluir o seu investimento.

E o investimento estava parado.

A pressão do tempo com estes hotéis era horrível.

Isso criou grande tensão entre o Wojtek e todos nós.

As pessoas queriam dizer para parar, mas ele não ouvia.

Estava totalmente concentrado nas vendas.

Ele disse que tínhamos de continuar, sem olhar para trás.

Ele disse que já estava vendido e que tínhamos de abrir os hotéis.

Os rapazes trabalham arduamente.

O trabalho avança e estamos a cumprir o calendário.

Não há motivo para preocupações.

Parecia que ele estava noutro lugar e não via o que nós víamos.

Vimos betão a ser despejado no chão

e ele dizia:

"Esta é a piscina, amanhã estará pronta."

E nós dizíamos: "Mas como?"

Os que estavam a preparar tudo para os hóspedes

só diziam que não iam conseguir a tempo.

Parecia que ele não via o que se passava

e insistia que os hóspedes iriam viver ali.

Instalamos as janelas, ar condicionado e tudo o resto.

Aqui, casa de banho com chuveiro.

Quando os hóspedes chegaram, não havia janelas nem camas.

Esperávamo-los às 20 horas,

e às cinco da tarde não sabíamos se os quartos teriam janelas.

Olhámos para o Wojtek e dissemos que era impossível.

As janelas estavam a ser instaladas e as paredes a ser pintadas.

E os hóspedes prestes a chegar.

Era demasiado.

Foi um pandemónio. O Wojtek todo vermelho, só gritava.

Surpreende-me que não tenha tido um enfarte.

Lembro-me de ver o Jerry a descer

e dizer:

"Temos de ir para o aeroporto.

E barrar os hóspedes."

Foi o fim do mundo.

Legendas: Luísa Jorge plint.com

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