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O episódio nove mudou toda a história de Westeros.
Não sei se tenho imaginação para isso.
É inacreditavelmente desconfortável.
Não é muito bonito.
Fiquei pensando o tempo todo: "Eu não devia ter feito isso."
E essa incrível explosão de acontecimentos.
EPISÓDIO 9 O CONSELHO VERDE
O nove foi um roteiro que gostamos muito de escrever.
É um thriller, uma corrida contra o tempo.
O rei finalmente morreu, e agora?
E AGORA?
A morte de Viserys cria um efeito dominó.
O nove foi um jogo totalmente diferente, é basicamente um golpe.
E tem essa incrível explosão de acontecimentos.
Já começa com um estouro.
Essa informação aparece e o conselho é convocado
e as portas são trancadas.
O pequeno conselho está sempre iluminado e ativo.
Mas aqui foi um mistério total, como se fosse um plano de um golpe.
Pode não chegar a isso.
Algumas decisões: Como filmar, para as câmeras ficarem fluindo,
para que seja sobre os personagens, o que todos estão pensando.
Então eu queria que fosse sobre eles, sobre o que diziam.
O rei estava bem noite passada,
como vimos.
Qual de vocês aqui pode jurar que ele morreu naturalmente?
É um ambiente bem escuro, com um foco de luz na mesa.
Minha inspiração veio de "O Poderoso Chefão".
- E não vou fazer parte de... - Sente-se!
Tem um homicídio no meio.
É bem brutal, mas bem rápido,
e aí a conversa continua.
O rei não desejava o assassinato de sua filha!
Ele a amava. Não aceito que você negue isso.
Mais uma palavra e eu o expulso e o mando para a Muralha!
O episódio nove é principalmente a história da Alicent.
É um bom desvio para ela, porque ela vê quem seu pai se tornou.
Clare Kilner viu aquela primeira cena no episódio um,
quando o pai dela, Otto Hightower,
a manda visitar Viserys, que está de luto.
E no episódio nove, ela vai até o pai e basicamente o manda se ferrar.
Nossos corações nunca foram um só.
Fui apenas uma peça do seu tabuleiro.
Nós traçamos um paralelo entre as duas cenas,
para mostrar o arco do que aconteceu entre os dois
desde quando era criança até ela virar mulher,
dizendo: "Cansei de você."
É uma maravilha trabalhar com Olivia.
Ela é um sistema climático, sabe? Ela tem um alcance emocional tão vasto,
e pode acessar um grande número de emoções paradoxais em uma fala.
Ela tem uma facilidade incrível e um relaxamento profundo,
ela pode mudar o tom e entrar na personagem
e deixar você impressionado, sendo sincera.
Relutância em matar não é uma fraqueza!
Eu tenho o Aegon. Procederemos agora como eu quiser.
Corta, obrigada. Foi ótimo.
UM LUGAR SEM LEI
A Baixada das Pulgas foi estabelecida em "Game of Thrones"
na Espanha, em Cáceres.
Você entra e imediatamente é King's Landing,
dá para ver por que filmaram lá antes.
E tem isso das cidades históricas,
que são lindamente renovadas e mantidas,
é muito difícil fazer com que pareçam sujas
e mal apresentadas como queremos com a Baixada das Pulgas.
Você está no distrito da luz vermelha de King's Landing.
É o bairro pobre, a área perigosa,
você não vai lá à noite sem saber o que está fazendo e como se cuidar.
As janelas foram cobertas com persianas velhas
ou pedaços de tecido.
Nós espalhamos coisas sujas e fedidas pelo chão.
Não é muito bonito.
Aemond teve a ideia de visitar um bordel
que ele sabe que Aegon frequenta.
Eles têm uma conversa interessante com uma madame lá,
que foi minha professora na escola de atuação.
Eu fiquei tão nervoso. Estava atuando na frente dela na tela.
Em algum momento ontem à noite...
Eu estava gostando dessa.
De novo.
Marcando.
Fiquei pensando o tempo todo: "Eu não devia ter feito isso."
Eu acho que tivemos uma visão
do tipo de Baixada das Pulgas que queremos representar,
que é um lugar com menos leis do que antigamente.
Tem um lugar chamado "ringue da luta", que é um clube secreto bem sórdido
onde crianças lutam e coisas terríveis acontecem,
é um mundo sombrio
que existe por baixo do brilho da vida real.
O ringue da luta foi interessante,
algumas dessas cenas mais fortes são as mais divertidas de se fazer.
Precisamos fazer dentes especiais que foram lixados,
porque a ideia era que eles mordem e arranham uns aos outros,
tínhamos umas unhas, tivemos que sujar as crianças.
Eu queria filmar
quase como se fosse o que imagino ser um ringue de luta de cachorros
ou de luta de galos, mas com crianças.
É bem triste, porque eles são ferozes,
e mesmo a forma como se enfrentam é feroz.
Eles são como macacos ou sei lá, se atacando, era loucura.
Fizemos testes com crianças locais de clubes de judô e jiu-jitsu,
e trabalhamos com elas, coreografamos suas ações da luta.
Foi mais sobre fazer com que parecessem ferozes,
gritando, rosnando, rugindo,
do que a luta em si.
Era uma atmosfera bem animalesca, o que foi legal,
porque mostrava os elementos inumanos do Aegon e de onde ele anda.
E eu acho que essa cena teve um papel grande no episódio.
Porque precisamos saber que tipo de rei nós vamos ter.
Agora você viu o que ele é.
Você não viu tudo.
- Do Aegon? - Um de muitos, eu diria.
PARA O PARAÍSO
O Grande Septo foi outro ambiente onde usamos o Volume.
A chave com o Volume parece ser
que você tem elementos construídos de cenário,
que nos separam e separam os atores das telas do Volume.
Em termos de decoração de set, não temos muito o que colocar.
Porque você não pode pendurar coisas no teto ou nas paredes,
você fica restrito a um certo espaço.
Basicamente, colocamos o que fica à frente,
e então a tela domina o fundo.
É bem impressionante quando você olha.
É o centro religioso da fé nos Sete.
E eu queria a ideia de olhar na ponta de cada estrela
e ter uma estátua de cada face.
É lindo, porque tem feixes de luz bem fortes nelas.
A ideia foi o design de Daniel Lieberskind
para o memorial judaico em Berlim.
Foi particularmente impressionante o seu uso de luz,
com janelas altas, que jogavam luz para o centro
e tiravam você do espaço e levavam para o céu.
Eu me arrependo disso, amigo.
É um novo Grande Septo.
Não é o que vemos explodir na sexta temporada de "Game of Thrones".
Isso é 200 anos antes, a essa altura o Septo de Baelor não existe.
Construímos como um ambiente digital,
vemos no ambiente que criamos de King's Landing.
Encontramos um ótimo pátio, mas substituímos tanta coisa
que acabamos construindo uma grande parede verde.
Quando chegamos na Espanha, e eu vi aqueles degraus naquela praça,
isso me fez pensar em Romeu e Julieta.
Fiquei obcecada pelos degraus
e como poderíamos coreografar algo neles.
Então planejamos uma luta de espada.
Ação.
Você não vai vencer.
Os meninos amaram aquela cena, e eles deram tudo de si.
Eles queriam pular por cima das grades.
Eles foram muito bons em fazer as próprias lutas
e algumas cenas de ação.
Eles trabalharam duro para acertar as lutas de espada.
É aí que é divertido.
Uma luta geralmente tem uns seis socos ou chutes,
e uma luta de espada tem uns seis golpes.
E precisamos encontrar um jeito
de fazer esses movimentos parecerem interessantes.
Porque não há uma variação infinita do que podemos fazer.
É um curso intensivo de luta de espadas, porque nunca fizemos isso.
Já fizemos artes marciais.
Tivemos que levar esse tipo de estilo para a luta de espadas.
Sendo justo, acho que fomos muito bem.
Gostei de fazer essa parte, toda a parte física,
acho que é sempre legal.
Nós tivemos uma luta no chão, Aemond e eu.
E esquenta bastante.
Me sorte!
Queríamos exibir um ódio de irmãos,
e pensamos: "E se o Aegon cuspir no rosto de Aemond?"
Eu e Tom pensamos parecido.
Sabíamos que daríamos tudo de nós naquela cena.
Tem uma hora que ele me segura, e eu falo:
"Vou morder sua mão."
E ele: "Isso, isso, ótimo. Vamos fazer isso, sim."
Eu estava de acordo.
Corta, ótimo.
ESTAMOS FAZENDO ISSO
Vimos o Fosso dos Dragões em "Game of Thrones".
Mas isso se passa 200 anos antes,
então há uma versão completa do Fosso dos Dragões.
Um dos sets que não dá para construir, você usaria seu orçamento inteiro nisso.
Tem 76 m de comprimento, e 36 m de largura.
Isso ainda é só uma fração do espaço.
O que fizemos foi construir partes componentes
do Fosso dos Dragões.
Um dos principais elementos foi a porta em relevo de bronze.
E ação!
Foi um dos nossos trabalhos favoritos.
Quisemos acrescentar muitos elementos,
porque quando você faz algo grande, pode ficar bem vazio.
Então quisemos deixar os desenhos bem simples,
para você ver de longe o que eram.
Mas, de perto, eles queriam muitos detalhes.
Tem belos pedaços do mar,
tem algumas das muralhas, alguns dos castelos.
E temos até um sol em uma parte.
Nós nos divertimos.
E as portas eram apenas um terço do tamanho que seriam de verdade.
Então sabíamos que os efeitos visuais colocariam o resto das portas.
Então é tudo uma tela azul.
Os efeitos visuais foram uma parte grande.
Nas conversas, vimos o que poderíamos ou não fazer,
como fazer o que queríamos.
Logisticamente, trabalhamos em partes diferentes
do Fosso dos Dragões.
E não dava para colocá-las exatamente onde eram
em relação uma à outra, então tivemos diversos problemas.
Por exemplo, quando filmamos uma ponta do Fosso dos Dragões,
nunca poderíamos olhar para as portas,
então usamos uma tela azul em frente às portas,
porque tínhamos que acrescentar perspectiva.
E ter essa separação da realidade de trabalhar em um ambiente azul
e ter que manter as pessoas cientes do que estavam olhando
e entender o que acontecia.
As cenas tiveram artes conceituais,
então quando você está no set de filmagem,
todos podem ver o que estão observando.
E podemos juntar os dois mundos,
então assim quem quiser interagir com ele
pode ver através das câmeras, com as criaturas,
com as extensões de cenário.
Podem andar pelo set e ver tudo nos óculos.
Basicamente, tudo que não está ali agora
e é importante para a composição da imagem,
é o que solucionamos.
E foi toda a coisa em 360 graus,
como eles queriam todos os planos, e eles foram incluídos,
esse foi um dos momentos onde falei: "Estamos fazendo isso".
Com a COVID, não podíamos ter muitas pessoas lá,
então adicionamos muitas pessoas em CG,
mas também todo um ambiente em CG ao redor delas.
E tinha uma grande fila,
mais de 100 artistas de apoio interpretando os soldados,
com a espada erguida, criando um arco para eu passar embaixo.
Mas eu ficava sendo lembrado que esses figurantes seriam multiplicados,
multiplicados e multiplicados,
que ocupariam quilômetros, estariam nos mezaninos,
teriam centenas de milhares de pessoas.
E eu pensava: "Meu Deus. Não sei se tenho imaginação para isso."
Corta!
- Corta. - Vamos fazer a queda agora.
OBJETO DE PODER
A coroa do Conquistador, passada por gerações.
A coroa de Aegon é um item impresso em 3D.
A impressão 3D é interessante,
porque é uma resina que é folheada em cobre,
depois folheada em níquel, depois em ferro para ficar assim.
É uma longa experiência para chegar a este ponto,
tem couro por dentro para ficar mais confortável.
E definitivamente não cabe em mim.
Queria que coubesse.
Aegon Targaryen é o verdadeiro herdeiro do Trono de Ferro.
Este é o pergaminho da coroação,
que o septão vai abrir quando coroarem Aegon.
O item vai e volta entre nós e a parte gráfica,
para os tamanhos, os visuais...
Eu gosto bastante de como as coisas se equilibram sempre
e quantas pessoas acabam se envolvendo para fazer isso.
Fico muito interessado pelo design e construção
de objetos de filmes, e espadas em particular.
E existem três lâminas de aço valiriano nessa história.
A primeira é a Irmã Negra.
E ela acaba nas mãos de Daemon,
que ele recebe por seus feitos nos campos de torneios
como cavaleiro e montador de dragão.
A segunda espada é Blackfyre,
que todos os reis Targaryens carregaram e usaram,
Jaehaerys, Viserys e, claro, o próprio Aegon.
Então fui atrás de Peter Johnsson,
sabendo que ele é um designer de espadas, e disse:
"Pode criar uma coisa que seja uma arma real
e pareça ser desse mundo de fantasia que estamos criando?"
Quando você faz uma espada,
a primeira prioridade é fazer com que tenha propósito e equilíbrio.
Mas uma espada também é um objeto de poder,
e precisa expressar esse poder no seu design.
E mostrar que esses Targaryens assumiram a fé dos Sete Deuses.
Tudo foi construído desde o círculo da estrela de sete pontas.
Então tudo é segurado por essa geometria,
é uma forma mística de unir o poder
dos sete deuses e o símbolo dos dragões neste objeto.
Quando fazemos uma arma,
sempre a fazemos de verdade para a filmagem.
E então fazemos versões de borracha dela,
e podemos fazer versões duras ou macias,
dependendo do que for necessário para a cena.
Peter usou aço de damasco para fazer a espada Blackfyre.
Então, passo a passo, projetamos a lâmina,
depois transferimos para arquivos de vetor.
Depois imprimimos, colocamos o vinil, tiramos as cascas,
depois você coloca no ácido para ele consumir o metal aberto.
Colocamos tanto esforço na lâmina,
e tudo pode dar errado ao colocar no ácido.
Por sorte, conseguimos lâminas fantásticas.
Saiam da frente!
A antiga, que as pessoas devem reconhecer,
é a famosa adaga Catspaw que vimos na primeira temporada
do "Game of Thrones" original,
a adaga que é colocada nas mãos de um assassino
para matar Bran Stark após sua queda do telhado
e após testemunhar Jamie Lannister e Cersei Lannister juntos.
Nós pegamos a adaga Catspaw original.
Nós a olhamos, medimos,
decidimos reduzir um pouco,
mas tem a mesma silhueta.
Mas tem uma sensação diferente na forma como foi produzida.
O pensamento foi, sabe,
poderiam ter trocado a empunhadura nesse tempo,
mas, no fim, tem a empunhadura de osso de dragão
e a mesma lâmina de aço valiriano.
Gostamos muito da ideia de que a adaga que passa de uma mão para a outra
foi uma boa forma de unir as duas séries.
Não importa.
Como assim, não importa?
Eu não quero.
INACREDITAVELMENTE DESCONFORTÁVEL
Sabíamos que precisávamos de uma penúltima cena.
Teve uma conversa de:
"Vai ser a coroação e tal", e eu ficava pensando:
"Temos que fazer melhor."
Lembro de estarmos na sala dos roteiristas,
e eu falei: "Seria incrível se a Rhaenys saísse do chão em um dragão."
Os visuais foram tão poderosos, foi tão divertido.
A ideia foi aceita na hora, e nunca nos arrependemos.
Quando Meleys aparece e tudo vem abaixo, então tem muita destruição,
muita poeira e farpas, o puro caos.
A sequência é enorme,
porque temos que fazer muitas simulações físicas.
Primeiro você constrói o ambiente,
você tem uma multidão em CG,
nuvens de poeira simuladas, etc. Dá muito trabalho, é muita integração.
Ali está ela, ali está a porta.
Você tem Rhaenys no dragão,
e é um embate brilhante entre ela e Alicent,
que não é nada verbal,
é puramente no olhar.
Quando pré-visualizamos, desenhamos, fazemos o storyboard e filmamos,
você precisa considerar os dragões, mesmo eles não estando ali.
Sempre que tem um dragão em cena, temos momentos hilários com o elenco,
porque, claro, nunca tem um dragão.
Tentar atuar em frente
a um homem segurando um bastão com uma bola, com um dragão...
E eu, gritando: "Olivia, o dragão vai pegar você!
Ele vai soltar um bafo!"
E então os efeitos especiais sopram o bafo do dragão no cabelo de Olivia,
o cabelo de Olivia voava para trás.
Precisa de cada gota de imaginação e criatividade
que tem na sua cabeça para funcionar.
Rhaenys é uma Targaryen,
então usei as cores preto e vermelho para a armadura.
Foi uma muito boa de se fazer, porque é bem discreta,
e deliberadamente bem elegante,
ela obviamente mostra riqueza e poder,
mas isso não fica tão na cara.
Mas levaram de dez a doze semanas para a modelagem,
para acertar a forma.
Foi criada perfeitamente para a forma dela,
o que envolve muitas provas repetidas.
Me falaram que fica incrível.
Mas é inacreditavelmente desconfortável.
Um dos detalhes legais que conseguimos incorporar
foram as escamas na parte do peito.
Foi um visual legal, bem sutil,
para mostrar que precisa ter cuidado com quem vai mexer.
Queríamos um momento triunfal para ela no fim da temporada,
e a vemos sendo quem vai levar a notícia para Dragonstone
sobre o golpe e o trono de Rhaenyra sendo roubado,
é um grande momento heroico para a personagem.
Quando ela não foi escolhida em Harrenhall logo no começo,
acho que, por dentro, a alma dela queria subir em um dragão
e sair pelo teto.
E dizer: "Vão se ferrar!"
Para mim, se trata de como podemos chegar ao centro de um personagem
e expressar isso visualmente, para que passe para o público
e eles possam sentir um pouco do que os personagens sentem
e passar por essa jornada com eles.
O episódio nove foi meu favorito.
Ele tem uma evolução, começa em um evento bem específico
e termina com outro que muda toda a história de Westeros.
Ele tem todas as características de uma sequência icônica de "Thrones".
Foi simplesmente grande.
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