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ANTERIORMENTE
BEM-VINDA A CASA
Há três meses, não queria estar aqui. Agora, não quer sair.
Hoje, no Gourmet Gauntlet.
Porque estás a fazer isso assim?
Tens de regressar.
Não me conseguem magoar.
Olá, Dorothy. Fico feliz por estar em casa.
Levem-me lá para cima.
Ela precisa de espaço, de todos nós.
Jericho.
A mamã está aqui!
A refeição devia ser especial.
Não quero que seja inesperado.
Nos últimos meses, ela só comeu comida insípida no hospital.
Não tem uma entrevista com a GQ?
É o primeiro dia da Dorothy em casa, pode precisar de mim.
Ela precisa de normalidade.
Devia ir.
Devia ficar.
Nós tratamos de tudo durante uma manhã.
Vá-se vestir.
A GQ está à espera.
Bom dia.
- Não. Eu disse ao Sean. Não quero… - O Sean teve de ir trabalhar.
Não se preocupe, ele sabe que está em boas mãos.
Onde está o meu filho?
- Vamos sentá-la… - Não me toques!
Eu estou ótima.
Está com dores, Dorothy.
Há de passar. Vai-te embora.
Percebo que esteja a sofrer, mas não precisa de ser cruel.
Toque isto se precisar de mim.
Mais ninguém a vai incomodar hoje.
Para poder relaxar.
Ela não quer a papa de aveia.
Estás bonita.
Achas que consegues fazer isto?
Não deve ser muito difícil e a Dorothy iria gostar.
Quero estar com o Jericho antes do almoço.
Não vai ficar igual à do Sean.
Está bem.
Leanne, não nos devíamos envolver com a Dorothy cá em casa.
O Sean tem de trabalhar. A Dorothy tem de sarar.
Agora, temos de ser eles.
O êxodo em massa da cidade para os subúrbios
é um tópico controverso para as pessoas de Filadélfia.
VAGA DE CRIME VIOLENTO
Estará a cidade histórica a perder o encanto?
Marcia, antiga residente com três filhos, partilha o que pensa.
Filadélfia já não é o que era.
A cidade…
Não devia ver isso.
A nossa cidade está tão bonita como sempre.
O Julian fez-lhe shakshuka. Não foi querido?
Achámos que precisava de comer algo com mais sabor.
Onde está o meu irmão? Quero vê-lo.
Talvez mais tarde.
Como está?
Com comichão… e com dores.
Não te quero perto de mim.
Vou falar com o seu médico sobre aumentar a medicação.
Está na hora de comer.
Dorothy.
- Vá lá. Só um bocadinho. - Não.
Isso.
Eu sei que foi um acidente.
O Sean disse que o seu estômago podia levar algum tempo a habituar-se.
Quero mostrar-lhe uma coisa.
Fiz-lhe isto como prenda de boas-vindas.
Fi-la com as roupas velhas do Jericho,
as que deixaram de lhe servir quando a Dorothy esteve fora.
Ele cresceu imenso.
ESTE PORQUINHO…
A mãe é que se deve…
… livrar das roupas velhas.
Não és tu.
Também me tiraste isso.
Olá, como estás?
Está tudo bem? A Dorothy não atende o telemóvel.
Está tudo bem.
Ela deve estar a descansar.
Estás no armário da Leanne?
Pensava que querias falar em privado.
Pedes à Dorothy que me ligue? Quero saber como ela está.
Não te preocupes, Sean. O pior já passou.
Percebo que esteja zangada comigo.
O que aconteceu na escada foi um acidente.
E peço imensa desculpa pela manta.
Devia ter-lhe perguntado.
Tenho um convidado especial.
O meu filhote.
A mamã teve tantas saudades.
Dá-mo cá.
Primeiro, dê duas trincas.
Mais duas. Como essa.
- Vem cá. - Muito bem.
- Muito bem. - Olá.
- Queres ver a mamã? - Olá.
- Estás tão grande. Meu Deus! - Vou pousar-te.
Gatinhas bem?
Sim?
Não tarda, acho que vai começar a andar.
Sim.
Não te posso pegar ao colo,
mas, quando puder, não te vou largar mais.
Sim. Depois, seremos só nós os dois para sempre, pequenote.
Pronto. Já chega por hoje.
Não. Não, só estive com ele um minuto.
Não pode exagerar, Dorothy. Ordens do médico.
Por favor.
Odeio-te.
- Olá. - Olá.
Está tudo bem?
A Dorothy voltou do hospital.
Acha que sabe o que é melhor para ela, mas não sabe.
Ela disse que…
Às vezes…
… acho melhor mostrar às pessoas que confiamos nelas.
Como estás, Tobes?
Que fazes aqui?
O Sean pediu-me para tratar de umas coisas.
Talvez fique um pouco por aqui.
Que fazes tu aqui?
São para a Dorothy.
Olá, linda!
Vim visitar a nossa rainha guerreira.
Ela está a descansar. Talvez noutra altura?
Ela mandou-me mensagem.
Eu subo sozinha.
Com licença.
- É do Miel? - Do Fiore.
Meu Deus! Que delícia.
Só o melhor para a minha amiga.
Trouxe flores para a Dorothy.
Kort, fechas a porta?
Olá.
Que faz aqui?
A Dorothy está bem? Ligou-me a pedir para vir.
Ela ligou-lhe?
Já viste o que se passa lá fora?
Sean, a Dorothy estava a perguntar por ti.
Que se passa?
- Preciso de um tanque. - Eu sei!
Reparámos…
Mas que merda?
- Livre. - A descer.
Apanhei.
- Percevejos. - Que nojo!
Parece que há pelo bairro inteiro.
Diz para ver nas costuras.
Merda!
Sinto-os em cima de mim.
Que raio vamos fazer com a Dorothy?
Céus! Vou ligar ao Frank!
Que se passa?
Olá?
A sua chamada é importante.
- Não desligue, atenderemos de seguida. - Merda.
A sua chamada é importante.
Não desligue, atenderemos de seguida.
Céus!
Pai?
Não vou destruir o meu fato.
É da Tom Ford.
Chamaram o exterminador?
Estou em espera há 30 minutos.
Céus!
Como está a Dorothy?
Ainda não subi. Ela tem mandado mensagens.
Acho que não a podemos tirar dali. Por isso, não sei que dizer.
Deixemos as coisas como estão.
Não vale de nada assustá-la. Esperamos até termos ajuda.
Ela pode magoar-se a tentar mexer-se.
Ela está bem. Acho que a Leanne está com ela.
Não se mexa.
Que estás a fazer?
Um pouco de autocuidado faz milagres.
Sei que não se tem sentido bem. Isto vai ajudar.
Leanne.
Eu costumava barbear o meu tio. A minha mão nunca treme.
Onde estão todos? Onde está a Kourtney?
Acho que está a tomar banho.
A tomar banho?
Não tinha de chamar a Kourtney nem o Sean.
Nós estamos bem. Estamos por nossa conta.
Leanne… Larga-me!
Tudo bem. Fica meio depilada, se é isso que quer.
Tome, que tal um pouco de batom?
- Que tal um pouco de batom? - O quê? Não!
Merda!
Saúde.
Permites-me a ousadia
de abordar o facto de andares a comer a ama?
Olha quem fala.
Andas com a Kourtney há uns nove ou dez meses?
Qual é o prazo de validade dela?
Ela faz-me feliz, Julian. Todas elas fizeram, durante algum tempo.
Ela faz-te feliz? A ama.
A Leanne.
Não sei.
É…
Não consigo explicar.
Mas que merda?
Vim assim que ligaste, mas temos um problema.
Dorothy, não quero que te passes, mas temos percevejos.
Percevejos?
Meu Deus! Passei o dia cheia de comichão!
O bairro está infestado.
Estão a exterminá-los, mas muito lentamente.
Não sabem o que é, mas eu tiro-te daqui.
- Não te preocupes. - Não?
Já viste o meu estado?
Posso tentar transportar-te.
- Não. - Deixa-me ajudar-te.
Se te magoar, paro.
Não! Prefiro que os percevejos me mordam do que tu me toques.
Como podes dizer isso?
Deixaste-me sozinha com ela.
Dorothy.
Dá-me o meu telemóvel.
Chama a Kourtney.
Não quiseste um fato destes?
Eu fico bem.
Que se passa?
Nada.
Não percebo.
Não importa o quanto te dou a ti, ao Sean e à Dorothy.
Vocês estão sempre miseráveis.
Não é assim tão simples.
Sabes como é horrível ser tomada por garantida, Julian?
É exasperante. É como ter insetos a rastejar sob a pele.
A Dorothy tem de fazer as necessidades.
Esta conversa é privada.
Vai. Faz essa chamada por mim.
Ficas bem?
Fico ótima.
Precisa de mim.
Os acidentes acontecem.
Mas eu estou sempre aqui para limpar a sua porcaria, não é?
Levante os braços.
Eu lavo-lhe isto.
Merda.
Quando vêm cá?
- Daqui a três horas. - Três?
Perdi a vez. Os vizinhos pagaram o triplo.
Têm seis carrinhas. Uma tem de nos ajudar.
- Eu vou! - Segura…
Com licença.
Com licença.
PERCEVEJO
Olá.
Já liguei a todas as malditas empresas de exterminadores da cidade
e vivo mesmo ali.
Há pessoas sem mexer uma palha. Por isso, se arranjares quem nos ajude,
eu serei o homem mais feliz da Terra.
Pois, eu não faço as regras.
Podes encontrar quem as faça?
Já venho.
- Magnífico, não é? - Céus!
As dádivas dela crescem todos os dias. Deve estar maravilhado.
De que está a falar?
Ela fez isto para nos proteger de quem nos quer fazer mal.
Não vê? Há uma guerra em marcha.
Ela está a proteger-nos. Está a proteger a sua família.
Céus! Vocês são qualquer coisa.
Lamento dizer-lhe,
mas acho que é mais uma questão de higiene e negligência, não de vodu.
Consegue senti-lo, não consegue? Quando está perto dela.
Há algo que o atrai, que lhe diz que ela é o caminho.
É o poder dela.
Ainda aqui estás?
Sim. Disseram-me para esperar até os exterminadores saírem.
Desculpa. Não queria que ficasses aqui preso.
Tu não fizeste nada.
A minha abuela fazia-me este mole sempre que eu tinha um dia mau.
Como quando não entrei na equipa de futebol nem de basquetebol.
Digamos que o fazia muitas vezes.
Achei que hoje todos precisavam de comida de conforto.
Fizeste isso para mim?
Sim?
É bom.
Está bem.
Quem está aí?
Céus!
Como tudo o que tu quiseres. Deixa-me ver o meu filho.
Antes, gostava de mim.
Nós dançávamos.
Plantávamos flores.
Partilhávamos segredos.
Eram os nossos momentos, lembra-se?
Que aconteceu a isso?
Percebi como tu és.
Como sou eu?
És má.
Quer saber um segredo, Dorothy?
Começo a perceber coisas sobre as pessoas à sua volta.
O Sean e o Julian gostam muito de si.
Mas acho que, mais do que isso, têm medo de mim.
Costumava incomodar-me, mas começo a não me importar tanto.
Na verdade, acho que eles têm tanto medo
que nem entrariam neste quarto se soubessem que eu estava aqui.
Provavelmente, nem se a ouvissem gritar.
Neste momento, só me tem a mim.
- Quantas casas foram afetadas? - O quê?
Quantas casas foram afetadas?
Não sei! Quinze? Vinte? Foi quase o quarteirão todo.
Não percebo. Saí a meio da entrevista com a GQ,
mas querem que volte amanhã para fazer uma ainda mais importante.
Parece que não consigo errar.
- Isso é ótimo. - Pronto, amor.
Tenho a pele a arder, Frank. Tira-me desta casa!
Dorothy?
Leanne.
Quem são elas?
São as enfermeiras internas que contratei para me ajudar.
Eu e a Kourtney passámos o dia a procurar opções.
O quê? Porquê?
Acho que sabes porquê.
Podes ir.
Não vais ganhar esta batalha, Leanne.
Estou a tentar não me zangar.
Legendas: Lara Kahrel
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