All language subtitles for La Piovra - Season 4 (EP6)

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Original subtitles

Salvatore Frolo, saído há pouco de um hospital psiquiátrico...

...mata a tiro Antonio Tindari...

...que acha ser o responsável pelas mortes da mulher e da filha.

O comissário Corrado Cattani, encarregado do inquérito...

...com a corajosa juíza Silvia Conti, pela qual, aos poucos, se apaixona...

...desvenda, peça a peça, as obscuras razões daquela longínqua barbárie.

No curso do seu longo inquérito, Corrado reencontra Tano Cariddi...

...que está a investir secretamente na bolsa um enorme capital mafioso,

e que, com este fim, casou por conveniência com a jovem Ester Rasi...

...filha de um abastado financeiro que Tano...

...com a ajuda do misterioso Espinosa, leva ao suicídio.

Enquanto Ester, que compreendeu a verdadeira natureza de Tano...

...decide ficar com dele para o destruir, Tano prepara a sua obra-prima:

A conquista na bolsa dos Seguros Internacionais.

Colaboram na duvidosa operação: Espinosa, o senador Salimbeni...

...e os anónimos elementos da Cúpula mafiosa.

Um comboio com uma terrível carga mortal que parte para o Sul de ltália...

...sela o infame acordo.

Corrado, por seu lado, seguindo o seu instinto...

...e mantendo uma promessa feita a Salvatore Frolo...

...inutilizado devido a um atroz assalto, encontra Lorella...

...a filha que Salvatore julgava morta...

...e leva-a para a comunidade de Frei Bernardo...

...um dos poucos amigos com quem Corrado ainda pode contar.

Com a juíza Silvia Conti ao lado, Corrado espera nervosamente...

...o desenlace do mistério: De facto, avisado telefonicamente pela rapariga...

...uma personagem cujo rosto ainda não se conseguiu definir...

...aceita ir a um encontro com Corrado.

Quem é o homem que Lorella acredita ser o seu pai?

O POLVO 4

Produção

Realização

SEXTO EPISÓDIO

Fico aqui um bocadinho, comissário.

Na cozinha tem café quente.

Abre.

Não quero ser incomodado por ninguém.

Está bem, doutor.

Seguros Internacionais.

Banco Antinari.

Quota de controlo.

Não, obrigada.

Quando partiu o Puparo?

Hoje à noite, com Santuzzo.

Ligou antes para o aeroporto para saber se havia aparelho.

Para onde ia? Ouviste o telefonema?

Escrevi aqui.

Está bem.

Nós tratamos disso.

Comecem.

O Tano voltará mais tarde.

Foi para Ascona.

Ascona.

À Villa Pausania?

Não sei.

Porquê, quem está na Villa Pausania?

Espinosa.

E quem é Espinosa?

Um homem importante...

...que não pensava que o Tano conhecesse.

Um colecionador.

Lembras-te da boneca antiga que tenho no meu estúdio?

Há anos que o Espinosa ma pede.

Vem aí o Trevi com duas pessoas.

Onde está a minha filha?

Tinha isto.

Ele está limpo.

Você...

...quem é você?

Sou aquele que pensas.

O Puparo.

É maravilhosa.

Não imagina quantas vezes pedi esta boneca ao seu pai.

Já não esperava isso, poder tê-la...

...mas agora...

...não sei mesmo como agradecer. Venha...

...mostrar-lhe-ei uma coisa.

Faça favor.

Vê?

A coleção completa...

...é composta por cinco bonecas.

A bondade...

...a malvadez...

...a dor, a felicidade.

Os quatro sentimentos que dominam o homem.

E depois há esta...

...a duplicidade.

Nunca gostei desta boneca.

Mete medo.

É verdade.

O artesão dinamarquês que a construiu chamava-se Kirstensen.

E...

...pelo que se sabe, era maçónico.

Mas, nessa altura...

...o Mozart também era.

Você também é?

Eu sou... um pouco tudo...

...e um pouco nada.

Um pouco como esta boneca.

Tem de me perdoar, gosto de gracejar.

Mas falemos de negócios.

Então, diga-me, o que quer por esta maravilha?

Nada.

Ofereço-lha.

O meu pai dizia sempre que tinha ficado com poucos amigos...

...e que você era um deles.

Não é verdade?

Tenciona mesmo dar-me esta prenda...

...sem pedir nada em troca?

Sim.

Só quero uma coisa.

Quero saber a verdade sobre o meu pai.

Quero saber porque se matou.

E o que a faz pensar que posso ajudá-la?

Foi a úItima pessoa a vê-Io.

Disse-me o nosso motorista.

Porque veio ter consigo nessa tarde?

Veio propor-me um negócio que, infelizmente, tive de recusar.

Porquê?

Porque já me tinha comprometido...

...com outra pessoa.

Quem?

Isso não posso dizer.

Era o Tano Cariddi, não era?

Diga-me a verdade, era ele?

Sim.

Mas o seu marido não tem nada a ver com a morte do seu pai.

Eu também não.

O seu pai tomou a decisão...

...de fazer o que fez...

...porque era um homem só, cansado...

...e muito deprimido.

Esta é a verdade.

Não há mais razões.

Descodificou aqueles números.

Hamburgo, Malvineux, Amstelgarten, Rougemont, Flicken, Banville, Nápoles.

Você não pode imaginar o que sente um colecionador...

...quando a úItima peça encaixa no seu lugar...

...e o mosaico fica completo.

No que pensa?

Em nada.

Quer dizer...

O que é isso?

É um jogo.

Um jogo... muito complicado.

Assim, vê?

Trata-se de levar um comboio ao destino, ultrapassando...

...montes de obstáculos.

E você...

...joga sozinho?

A sua candura é desarmante.

O seu marido tem sorte.

Não.

Não jogo sozinho.

Mas no fim serei eu a ganhar.

A primeira vez que vi a Lorella foi no colégio.

Tinha poucos meses.

Não se chama Lorella, chama-se Paola.

Paola Frolo!

Para mim é Lorella.

É o nome que as freiras lhe deram...

...e esse ficou.

Levei-a comigo.

Chorava sempre, nos primeiros dias.

Chorava porque a mãe tinha sido morta por Tindari...

...por tua ordem!

O que sabes tu de como as coisas correram?

Não foi o Tindari a executar o massacre.

Aliás, foi mesmo ele que, quando os outros foram embora...

...se atirou pela escarpa abaixo e tirou a menina das chamas.

Ordenei tantas mortes na minha vida...

...o que me interessa agora assumir mais uma ou menos uma?

Mas isso não. Não queria isso.

Não queria que nos vingássemos numa menina e numa mulher.

No Frolo, sim!

Ele desobedeceu, traiu...

...e tinha de morrer.

Mas esse cobarde tinha desaparecido...

...e então as famílias decidiram.

Quem não paga com o sangue, paga com as lágrimas.

Era 1970.

O ano em que algo...

...começou a envenenar-nos por dentro.

Dizem que um rato, à noite, se entrar no teu quarto...

...pode comer-te um dedo do pé sem dares por isso...

...porque tem um suco nos dentes, que faz com que não sintas a dor.

Assim foi para nós.

E aquele rato mau...

...traidor...

...era a droga.

Aceitámo-la sem preocupação.

Porém...

...a quem deitava isso nas veias...

...envenenava o sangue.

A nós, envenenou-nos a cabeça.

Em pouco tempo, foram-se as regras, juramentos, pactos...

...que tinham durado séculos.

Em nome da droga podia fazer-se tudo.

Roubar o pai, trair a própria mulher...

...matar o irmão...

...e até queimar vivas uma mulher e a sua criança.

Mas não vim aqui para falar.

Quero saber quem, além de vós, sabe da Lorella.

Ninguém.

E ninguém deverá saber.

Olha que tu já não dás ordens!

Espera, comissário!

Apanharam o Puparo, não é suficiente?

O que queres mais?

Quero levá-la de volta ao pai.

Mas ao verdadeiro.

Não faças isso, comissário.

A quem chamas o pai verdadeiro, para ela é ninguém.

E, duma vez só, tiras-lhe dois pais!

O que está à tua frente, porque passará o resto da vida na prisão...

...e o outro...

...porque já não está...

...porque é só um farrapo.

Mas quem achas que és? Vens aqui e dás-nos um sermão!

E ainda queres mandar aqui e ali!

Tu, que és o nojo desta terra!

Eu penso na Lorella!

E tu também tens de pensar nela!

Durante anos, mantive-a afastada de tudo.

Se as famílias que me querem morto e enterrado descobrem que ela existe...

...que é a minha coisa mais importante, matam-na!

Percebes isso?

Tens de a levar, para longe, para o estrangeiro!

Ela tem de ficar sempre...

...Lorella De Pisis...

...para todos, para sempre!

Se fizeres isso...

...conto-te tudo sobre trinta anos de máfia.

Vês...

...a esse homem que...

...que tu chamas de farrapo...

...eu fiz uma promessa.

E mantê-la-ei.

Não faço pactos contigo.

Deixa-me passar! Quero passar!

- Deixa-me! Sei que está aí dentro! - Sentado!

Pai!

O que se passa, pai? Quem são eles? O que querem?

Nada. Nada Lori, nada.

O que querem de nós? Porque têm pistolas?

Não tenhas medo.

Eu estou aqui, agora. Vai correr tudo bem...

...não te preocupes.

Podem deixar-me só com ela por uns minutos?

De acordo. Esperaremos aqui fora.

Só cinco minutos.

Ouve-me, Lori.

Temos pouco tempo.

Dir-te-ão muitas coisas feias acerca de mim.

E serão todas verdadeiras.

Tens de aceitar a proposta dele.

É demasiado importante que ele fale.

Sabe nomes que nem sequer imaginamos, os insuspeitáveis.

Tens de aceitar.

E Frolo?

Terá de continuar a acreditar que a sua filha está morta?

Está bem...

...mas diz-me que justiça é esta!

Uma justiça que pede às vítimas que continuem a pagar pelo mal sofrido.

É a única que temos.

Se não, temos a deles...

...a da vingança.

Preferes essa? Queres portar-te como eles?

Olho por olho, dente por dente?

Vai ter com a Lorella, conta-lhe tudo.

E torna-te como ele.

Vingança por vingança.

Mas não será verdadeira justiça.

Não, nós...

...somos diferentes, tu e eu.

Porque tu continuas a falar de justiça...

...de lei, todas... todas as coisas com maiúsculas, eu, pelo contrário...

...penso no Frolo, no Faeti, que foi morto como um cão...

...e também penso no teu marido!

E achas que eu não penso?

O que sabes tu daquilo que sinto?

Achas que és o único a sofrer?

Mas eu sou uma juíza...

...e tenho de decidir, tenho de escolher.

Por todos.

Sim, mas não escolhas por mim.

Eu escolho sozinho.

Dá-me a mão. Anda cá.

Entra!

O que é? O que se passa?

Vieram buscá-Io.

Temos de levá-Io daqui! Imediatamente!

Vá, despacha-te!

Força!

Ouve...

Há pelo menos dez homens aqui fora! Mas antes de dar-te a eles, mato-te!

- Deixa-o! - Não vieram para me salvar.

Querem matar-me.

Não acredito.

- Não acredito! - É a verdade!

Juro-te!

Estão a chegar.

Por aí, vai!

Arrumem essas armas. Aqui só há crianças. O que querem?

Diz-me onde está o Puparo!

Não sei de quem falam.

Onde está?

Não sei.

- Não, parem! - Vão para dentro, vocês!

Dentro!

Então? Vieram dois...

...nós sabemos. Porque negas?

Fala!

Queres ver como acabam as tuas crianças?

Queres ver? Olha!

Deixa estar as crianças!

Não! Não!

Anda comigo.

Bernardo!

Não, deixa-o! Deixa-o!

Pára! Onde vais? Fica calmo.

Apaguem isso!

- Já te disse, querem matar-me! - Não tenho outra escolha, anda!

- Façam-nos sair! - Parem!

Parem! Aqui está, entrego-o.

Agora tirem as crianças daí!

E o Santuzzo, onde ficou? Queremo-Io também!

Pai!

O que fazes? Pára, anda cá!

Deixa-me!

Sai, Trevi!

Tenho medo!

Corrado! Corrado! As crianças!

Corrado!

Ajuda-as!

Anda comigo!

Força, anda!

Bernardo!

Fiquem aí, lá no fundo, onde ainda não há fogo!

Fiquem próximos, todos juntos, desse lado!

Coragem, já os tiramos daqui!

- Pai! - Lorella!

Anda, ajudo-te!

Santuzzo!

Força!

Andem, saiam!

Todos para fora!

Força, todos na carrinha!

Greta!

Greta! Onde estás?

Silvia!

Leva-os daqui, leva-os para a carrinha!

Força, rápido!

Baixem-se, todos na carrinha!

Saiam!

Andem.

Saiam!

Depressa! Depressa!

Trevi! Anda!

Silvia!

Silvia! Não consigo encontrar a Greta!

Greta! Onde estás?

Greta! Greta!

Amor, anda!

Encontrei-a! Corrado, cuidado!

Força, vamos!

Corram!

Anda, Trevi, anda!

Todos os carros, todos os carros!

Parece estar a passar-se uma guerra.

Estão a chegar, chamem de todos os lados.

Também os carros do quarto sector, todos para o mesmo ponto!

Sr. Capitão, há uma chamada de alarme.

Foi pedida a intervenção de um helicóptero na zona da gasolineira.

Assinalaram um tiroteio entre dois carros.

- Não temos mais informações? - Não, senhor.

Ligue ao heliporto e faça dirigir um helicóptero à zona indicada.

Seguem-nos!

Baixem-se!

Não se mexam! Em baixo!

Não os deixes passar!

Baixem-se, não se levantem, baixem-se!

Espera, Quadri!

- Tenho de falar com o Corrado! - Agora não há tempo!

- Por favor, é importante! - Entra, força!

Estão em cima de nós! Não consigo mantê-Ios afastados!

Só fiquei com uma rajada! Dá-me a tua pistola!

Está descarregada!

Mas o que faz a polícia?

Onde estamos, num deserto?

Trevi, em breve dir-te-ei para te atirares para a esquerda, faz isso!

Baixem-se, crianças, baixem-se! Não levantem a cabeça!

Vou confiar, comissário, não se engane!

Se isto parar, nunca mais arranca!

Vá, atira-te para à esquerda! Vá!

Encontrámo-Ios. Daqui parece um caos.

Vamos descer para ver.

Um dos dois carros está em chamas.

Também há crianças.

Vamos, força!

Sim, vamos muito bem assim.

Não, não se preocupem, continuem a vender.

Bem...

E não larguem a Mediarez, se não encrava-nos.

Fiquem sempre de olho na Barton e na Selis.

Em breve temos de começar a manobra de cerco.

Sim?

O que fazem as sociedades do sindicato de controlo?

Em 45 minutos exactos, comecem a comprar a Fresia, a Smat e a Primar.

Para onde os levam agora?

Não sei, arranja-se um sítio.

Tens de ficar tranquilo, nós tratamos deles.

Viste? É o destino.

A igreja para as crianças... nunca conseguirei acabá-la!

A culpa é tua! Quiseste armar-te em herói, olha a confusão que fizeste!

- Corrado, eu a ti às vezes... - Fica calmo.

A perna!

Quem são vocês, podemos saber?

Sou a juíza Silvia Conti.

Agente Maurizio Trevi. Agregado à primeira divisão, Equipa Especial.

E você?

Sou o comissário Cattani.

Sabe que há um mandado de captura contra si?

Sim, sei.

E agora explique-me o que aconteceu, se não se importa.

Está bem, já vou.

Mas... Sr. Procurador, aonde vai a correr?

O seu café!

A propósito, há um pouco para mim?

Claro que sim, faça favor, Giugni. Acabo de o fazer.

Obrigado.

- Aqui está, acabadinho de fazer. - Que bem!

Mas o que terá acontecido?

Eu sei lá! Aqui todos os dias há novidades!

Depois, no fim...

...o resto podem ver sozinhos.

Nem eu sei como...

...conseguimos chegar aqui. Como fizemos para sair dali vivos.

E ela, quem é?

Uma rapariga que ajuda Frei Bernardo, de vez em quando.

Aí está.

Diz-lhe que espero por ele aqui.

Ester!

Pica.

Porque vieste?

Descobri o que são os nomes que estavam na agenda de Tano.

Lembras-te? Trata-se do percurso de um comboio!

Como soubeste?

Fui a Ascona, uma aldeia perto de Locarno...

...ter com um homem chamado Espinosa.

Está em negócios com o Tano.

Na sua mesa tinha um mapa com todo o percurso do comboio.

O que pode ser?

Não sei.

Se calhar ele sabe.

Quem é ele?

É um homem muito importante, que sabe muitas coisas, inclusivé do Tano.

E aquela mulher?

- É a Silvia. - Eu sei, mas...

...gostas dela?

Sim.

Devia estar feliz.

Daqui a pouco, o Tano será preso...

...e terei o que queria.

Mas sinto-me tão só.

Para mim és importante.

Importante?

Sim, quero-te bem.

Mas para mim é diferente.

Eu... eu desde a primeira vez em que te vi, não sei...

...que estúpida!

Não!

Sim!

Porque não me agarraste sempre assim?

Porquê?

Agora vai. Aquilo é que é importante.

Vai. Espero por ti aqui.

Trata-se de um comboio que tem de atravessar meia Europa...

...com uma carga de 500 toneladas de coisas radioativas...

...lixos, venenos...

É um comboio de morte.

Tem de chegar até Nápoles e daí embarcar...

...para descarregar tudo numa ilha abandonada chamada Tirene.

Não encontrará um único posto de controlo, ninguém deve pará-Io...

...e ninguém o parará.

Está protegido lá em cima.

Por quem?

Por muitos.

Já me podem dizer onde se encontra neste exacto momento? Está em Itália?

Nós vamos.

- Nós também. - De acordo. Entrem, força.

Agora tens de ir, Greta.

Quero ficar contigo e com o Corrado.

Amanhã vemo-nos. Mas agora temos de cuidar do Bernardo.

Fizeram-lhe muito mal?

Não, não muito. Amanhã ele também irá ter contigo.

Amanhã levam-te de volta para a Suíça. Prometeram-me.

E tu lembras-te da tua promessa?

Tens de esquecer que existo.

Prometes?

Adeus, Lori.

Sim, a juíza Conti está bem.

Foi ela a contar-me os acontecimentos.

Confio em si, a maior eficiência. Exacto.

Sim, claro.

De acordo, obrigado.

Enviei um convite a todos os juízes envolvidos em inquéritos de máfia.

Temos de manter a coisa o mais secreta possível.

Se esse homem falar sem que se saiba que foi preso...

...talvez desta vez consigamos pôr as mãos na Cúpula.

Mas se o helicóptero consegue intercetar o comboio, então...

...terá sido tudo inútil, fugirão todos.

Passem-me ao Krypton.

Está bem, oiço, podem falar.

Percebi, sim percebi, está bem.

Mas o que faz?

Temos ordens para voltar.

Enlouqueceram? Temos de parar esse comboio!

Resolvemos ficar de olho nele, mas sem o parar.

Recebi agora os dados de Nova lorque.

Coincidem com os de Frankfurt.

Como previsto, nas praças estrangeiras deixam-nos à vontade.

Os títulos continuam a aumentar de valor...

...os pequenos acionistas vendem.

Este é o momento de abrir o jogo!

Comprem tudo o que for oferecido!

Sim, agora, já!

Façam subir os títulos para o dobro do valor!

Nessa altura apanharemos a Barton e a Selis!

A meio da manhã o volume de trocas parecia absolutamente impressionante.

Inexplicavelmente, uma quantidade enorme de ações dos Internacionais

entrou na zona de venda, e o título baixou tanto...

...que houve verdadeiras cenas de pânico.

Os Internacionais pareciam estar no ponto de afundar.

Durante mais de uma hora, foi um verdadeiro caos.

Depois, de repente, um tanto misteriosamente...

...os títulos começaram a subir.

Todos os pequenos acionistas começaram a vender.

Mas a pergunta essencial, neste momento, é: Quem está a comprar?

Quem é tão louco de arriscar tais capitais num dia como este?

Fala-se em adiantar o fixing travando eventuais manobras especulativas.

Sou eu. Tenho as úItimas notícias, o Puparo...

Sabia que eras tu.

- Nojento! - Mas o que diz, Giugni?

- Eu garanto-lhe... - Cala-te!

Bartoli...

...Tirié, Caria...

...Salvati, Ceresa...

...Brocchieri...

...Lifredi... e eu.

Estes são os nomes da Cúpula dos anos 70...

...a que decidiu aceitar o tráfico de droga.

Desde então até hoje...

...quatro dos que acabo de nomear...

...foram eliminados.

A Lifredi, deram um tiro enquanto estava parado num sinal...

...dentro do seu carro.

Os que fizeram isso...

...eram meus homens.

Sciarra, Corona...

...Busacca e Ritolo.

De Tirié e Caria tratou o Santuzzo, que está ali e pode confirmar.

O úItimo foi Brocchieri, com o veneno.

O executante material foi Sciarra.

Rebentou a guerra entre as famílias.

Durou anos.

E os nomes dos mortos, se quiserem, posso dizê-Ios um por um.

Muitos...

...estão sepultados no fundo do mar...

...um quilómetro ao largo de Altavilla.

Quando não os púnhamos no ácido...

...ou não resolvíamos fazer com que vocês os encontrassem na estrada...

...descarregávamo-Ios aí.

Deve haver pelo menos duzentos.

Atualmente...

...a Cúpula...

...é composta por doze pessoas...

...aliás, onze...

...porque o que me ia substituir...

...o meu irmão Salvo, morreu. Por minha ordem.

Fale-nos nas relações entre a máfia e o mundo político.

- Quer nomes? - Sim.

Mas todos sabem esses nomes!

Diga-mos.

A sério, quer sabê-Ios?

E então decidimos...

...quem dos dois morrerá primeiro.

Se eu... ou você.

Não se preocupe comigo.

Limite-se a responder.

Por exemplo, o que sabe do senador Salimbeni?

Está em negócios connosco, mas há pouco tempo.

Foi o Tano Cariddi...

...quem nos pôs em contacto com ele.

Está então a dizer que o banqueiro Gaetano Cariddi...

...faz parte da Cosa Nostra?

Ele nunca jurou.

Mas é Cosa Nostra.

Pertence-nos.

Pusemo-Io à cabeça do banco...

...fizemo-lo crescer, até ele ficar o que é.

E nós demos-lhe cinco biliões líquidos...

...com os quais hoje...

...neste momento...

...está a comprar, por nós...

...os Seguros Internacionais.

- São quase 2 horas, significa que... - Que já o fez.

Neste preciso momento, Gaetano Cariddi, como vêem...

...deixa a sede do Banco Antinari...

...depois de ter concluído a extraordinária operação financeira.

Jornalistas e fotógrafos rodeiam-no.

Esperamos poder ouvir o seu comentário em direto.

Mudará algo na política económica do grupo?

Está satisfeito com o triunfo de hoje ou pensa em futuro passar o Oceano?

Dr. Cariddi, faça uma declaração!

Qual será a próxima jogada, tendo agora a maioria dos Internacionais?

Diga-me pelo menos isso: Hoje está feliz?

Sim.

Diz lá, não te ias licenciar hoje?

Bolas, esqueci-me por completo!

Tenha cuidado com o que diz, se não nunca mais sairá da prisão!

Força!

Estou sim?

Sou... sou eu.

Não, nada, está tudo bem.

O Puparo morreu.

Era de Milão.

O velho foi-se embora.

Nesta história toda...

...há outra pessoa muito importante.

Se calhar a mais importante de todas.

Foi ele... quem permitiu...

...atacar os Internacionais.

Foi ele a organizar o negócio do comboio.

Chama-se Antonio Espinosa.

Não conheço este Espinosa, nem conheço o senador Salimbeni...

...mas...

...eles são como as duas caras da medalha das bruxas:

Numa...

...há uma serpente...

...que rasteja...

...que se confunde com a relva...

...e na outra...

...há o falcão...

Consegues vê-Io...

...mas não apanhá-Io...

...porque voa demasiado alto, está demasiado acima.

Há alguém que possa confirmar as suas declarações?

Santuzzo Salieri.

Ele é o único que me ficou fiel...

...até ao fim.

Ele não abre a boca.

Façam-no entrar.

Acabou tudo, Santuzzo.

Agora podes falar.

Pronto, agora sabe de tudo.

Foi Ester Rasi a dar a primeira indicação sobre o comboio e Espinosa.

Onde está agora Espinosa?

Fora do nosso alcance. Na Suíça.

E...

...essa Ester?

Com tudo o que aconteceu, perdi-a de vista.

Receio que tenha voltado para a casa do Tano.

Não quero que fique lá.

Queria ir buscá-la, se calhar com o Trevi.

Não.

Não, por enquanto, comissário, não vai a lado nenhum.

- Mas olhe que tenho de ir! - Não!

Estamos a preparar dezenas de mandados de detenção.

A ação das detenções...

...tem de ser coordenada de forma a começar simultaneamente.

Se você for agora, arrisca-se a estragar tudo.

Porém...

...há algo que pode fazer.

Diga-me.

Tem de trazer uma pessoa aqui...

...mas sem a prender.

Se faz favor.

O que é esta encenação?

Boa noite, senador.

Lembra-se de mim?

Cattani.

O que faz aqui? O que quer?

Estes senhores podem acomodar-se no outro quarto.

- Mas não é justo! - Trevi.

Por esse lado.

Naturalmente não podem fazer nem receber telefonemas, nem ver ninguém.

Comissário, pedir-lhe-ei contas disto.

Sabe, senador...

...parece que o dinheiro subtraído aos cidadãos em forma de luvas...

...e de corrupções...

...equivale ao passivo do Estado por inteiro...

...mais de cem biliões...

...nos úItimos anos.

É impressionante, não é?

Se não existissem pessoas como você...

...poderíamos sanear o défice público.

Desta vez, Cattani, abusou!

Deixe-se de conversas!

Não precisa de atuar, aqui não há ninguém para enganar!

Mas você... você está louco!

Olhe, senador, vê?

Eu não lhe toco. Vê? Nem sequer me aproximo...

...mesmo tendo uma grande vontade de lhe partir a boca!

Só lhe peço para vir comigo à Procuradoria, está lá alguém...

...que quer interrogá-Io. Peço-lhe... por favor.

Se faz favor.

Desse lado.

É aqui.

Faça o favor de sentar, senador.

Agradeço por ter aceite o nosso convite.

Agradeço ao comissário Cattani também.

Em nome do povo italiano...

...a comissão parlamentar presidida por mim...

...devido a novos elementos surgidos nestas úItimas horas...

...e à excecional importância da ação judiciária em curso...

...julgou ser seu dever aceitar o pedido do Procurador Chefe Falisci

...dispondo a imediata transferência para Milão em sessão extraordinária.

Estamos aqui para ouvi-lo, senador.

É então Tano Cariddi o artífice da extraordinária operação financeira

...com a qual, subvertendo as regras, acaba um mito que parecia inatacável:

Os Seguros Internacionais, fortaleza do capital italiano...

...passam para as suas mãos com uma incrível manobra de bolsa

...que ficará provavelmente nos anais.

Com a vitória do Tano Cariddi acaba para sempre a utopia...

...de um grande grupo financeiro sem patrões...

...pela qual sempre se bateu o antigo presidente, Filippo Rasi.

Na Checoslováquia, o dramaturgo...

Viste a televisão?

Bravo, Tano!

Bravo!

Parabéns!

Extraordinária operação financeira!

Incrível manobra de bolsa, bravo!

Não gosto de ser gozado, sabes disso.

A sério?

Pensa...

...não fiz outra coisa nos úItimos tempos...

...mas tu não gostas!

Mas...

...o que se passa contigo?

- Estás bêbeda? - Não!

Estou lúcida!

Estou lúcida, sempre estive. Para aprender, contigo!

Ensinaste-me como se matam pessoas sem nunca fazê-las gritar!

A força não serve, pois não? Basta uma ameaça, uma chantagem!

Foi assim com o meu pai, não foi? Tinhas de o fazer comigo também!

Tinhas de me impedir de pensar, fazer-me viver no terror...

...como sempre fizeste com os outros todos!

Mas não...

...apaixonaste-te por mim!

Por mim, que te odiava como nunca odiei ninguém!

- Não é verdade! - É verdade, sim!

Queres saber?

Fazer amor contigo metia-me nojo!

Dormir ao teu lado, acordar ao teu lado!

- Não! - Ter de sorrir, ter de te tocar!

Tinha horror de tudo!

Sabes?

- Sempre te traí! Sempre! - Não é verdade!

Sim. Espiei os teus movimentos, roubei nas tuas gavetas, até matei!

Não é verdade!

E sabes a quem passava as informações que te roubava?

- Sabes? - Basta!

Basta! Não podes ter feito isso, não é verdade!

Ao comissário Cattani!

- Diz-me que não é verdade! - Sim!

- Diz-me que não é verdade! - Ele sabe de tudo!

Hoje ganhaste, mas amanhã voltarás a ser aquilo que és:

Um vulgar patife como muitos...

....um nada...

...um nada!

O que se passa?

- Vamos buscar a Ester. - Mas o Falisci disse que...

Está bem, vou sozinho.

Espere.

Este é o comboio.

Acabou de passar.

Tu, espera aqui.

Sim?

Sou eu.

Não, não correu tudo bem.

Houve uns problemas.

O que aconteceu?

Responda-me!

Força, explique-me!

Estou a queimar tudo.

Sim, tudo.

Faça o mesmo você também, Espinosa.

É bonito o fogo.

Chegaste?

Estava à tua espera.

Onde está a Ester?

Queria ir ter contigo.

Mas eu não podia deixá-la.

Percebes isso, não é?

Já me levaste a Greta, o banco, tudo.

O que fazes com ela?

Onde está?

Dorme.

Demorou tanto tempo...

...para encontrar um pouco de paz.

Ester!

Ester!

Tive de fazê-Io.

Queria ir embora.

Deixar-me.

Ela também...

...como os outros.

Mas agora já não sairá daqui.

Ficaremos aqui...

...nesta grande casa...

...eu e ela...

...para sempre.

Só tinha vinte anos!

Comissário!

Não, comissário, pare!

Pare, deixe-o!

Deixe-o!

Vinte anos!

O passaporte, por favor.

Aqui tem.

Pode ir.

Obrigado.

Isso também.

Infelizmente, como vê, vou partir, comissário.

Não poderei dedicar-lhe mais de...

...pronto.

Dez minutos.

Considere-o um privilégio...

...aos muitos que me vêm visitar, não concedo mais do que cinco.

Mas a sua tenacidade merece um prémio. Por acaso está armado?

Disseram-me que você...

...é uma espécie de...

...cruzado do bem.

Gosta de lutar contra o Dragão.

Mas...

...desculpe, comissário, caso...

...eu fosse efectivamente o Mal encarnado...

...pensava derrotar-me com esta?

Deixe lá!

Olhe, olhe para estes esplendores.

Por acaso parece a casa de um bandido?

Eu sou um colecionador.

E essa...

...é a coleção que mais estimo.

É uma coleção de almas.

Olhe, aqui dentro tem um grande industrial...

...aqui mais um alto funcionário de entidades públicas.

Este é dos maiores banqueiros da Europa.

Este... é um ministro.

Eu coleciono...

...as suas doenças escondidas, a sua podridão...

...os seus segredos.

Para chantageá-Ios.

Chantagear?

Não, comissário, não existem chantagens no nosso ambiente.

Só existem contratos, mercadorias para troca...

...como estas "informações reservadas".

Para a democracia, a corrupção é exactamente como...

...o lubrificante para o motor.

Tem um cheiro nauseabundo, e suja...

...mas não se pode passar sem isso.

Mas agora o seu negócio rebentou!

O que quer dizer com isso?

Dou-lhe umas informações.

O Tano Cariddi foi preso...

...o senador Salimbeni terá de responder perante o Parlamento.

E o negócio dos Internacionais faliu.

Em breve, o seu comboio também será mandado parar.

Perdeu, Espinosa.

É tudo?

Sim. Acho que sim. E acho que chega.

Conseguiu então rasteirar-nos!

Bravo! Dou-lhe os meus parabéns.

Porém...

...engana-se.

Sim, engana-se, comissário.

Eu não perdi. E quer saber porquê?

Porque os que mandam e decidem realmente estão comigo.

Esse comboio era só o primeiro de uma longa série.

Hão-de chegar mais...

...porque todo o mundo está de acordo!

Todo o mundo!

Este negócio é necessário aos governos de muitos países.

E nós realizá-Io-emos, quer você goste quer não.

Nós quem?

Nós...

...os que mandam.

Os que estão por cima de tudo, até por cima...

...dessa lei com L maiúsculo da qual você é um estrénuo paladino.

Sabe, comissário...

...os homens como eu são um pouco como...

...artistas que criam a obra-prima juntando materiais diferentes.

Argila com diamantes, ouro com cobre...

...pedra cinzenta com cores da paleta.

Percebe isso? Eu trato...

...somente de juntar...

...a alta finança...

...a alta criminalidade...

...o poder político.

Tudo junto...

...isso é o poder!

O seu tempo acabou, comissário.

Acabou mesmo.

Em todos os sentidos da palavra.

Mandar-me-á matar?

Não.

Não agora.

Não aqui.

E não eu.

Quem, então?

A força das coisas.

É um homem inteligente, comissário, percebe isso, não percebe?

Afinal...

...sabe demais.

Chegou à estação terminal.

Não lhe será permitido dar mais passos.

Espinosa!

Lembre-se, vá para onde for, segui-lo-ei!

Ficarei atrás de si enquanto puder.

Adeus, comissário.

E seja honrado o mérito.

O que se passa agora?

Nada, nada. Fui eu a pedir para vires aqui.

Antes que te vás embora, quero que conheças uma pessoa.

É um homem que está muito mal...

...e que era amigo do teu pai.

Sentaste-te no colo dele, há muito tempo.

Chama-se Salvatore Frolo.

Mas sempre lhe chamaram Acidduzzu.

Acidduzzu?

Sim. Quer dizer passarinho.

Vem, anda.

Viste?

Mantive a promessa...

...trouxe-ta.

Olha como é bonita.

Não pode mexer.

Não pode falar, mas...

...queria ver-te.

Tem os olhos bondosos.

Vamos.

Anda.

Coitado do passarinho!

Uma vez, a professora falou-nos da Estrela Polar.

Lembro-me que era...

...o mês de Maio.

E eu...

...naquela noite, em vez de ir dormir...

...caladinho, devagarinho...

...trepei até ao sótão, depois, por uma escada, até ao terraço.

Tinha ainda na cabeça as palavras da professora:

"Têm de procurar...

...o Pequeno Carro...

...que está entre o Dragão, Cefeu e a Ursa Maior...

...e depois subir, sempre para cima."

"E lá em cima está a Estrela Polar, que é fixa."

"Indicou o caminho durante séculos aos marinheiros, aos viajantes."

Naquela noite, no céu...

...havia milhares de estrelas.

Eu sentia-me tão...

...tão pequeno, tão confuso.

Tinha oito anos.

E onde ficava o quadrado de Pégaso? E Orião? E as Plêiades?

Onde ficava o Carro?

Parecia-me...

...como podia encontrar uma coisa tão pequena...

...mas tão importante...

...sozinho?

Como se faz?

Não nos veremos por uns tempos.

Tenho de ir para longe.

Tenho.

Estou aqui.

Interrompemos as transmissões para comunicar uma trágica notícia.

Esta manhã, às sete e trinta...

...o comissário Corrado Cattani foi barbaramente assassinado.

A cilada deu-se num pátio secundário do Hospital Maior de Milão...

...e consumou-se em poucos segundos.

Os assassinos despejaram no comissário um verdadeiro rio de fogo.

De facto, parece que o pobre corpo foi atingido por mais de 70 balas.

Infelizmente Cattani, que nas últimas horas contribuiu para a grande rusga...

...há pouco concluída, contra os vértices da "Cosa Nostra",

hoje estava desarmado e, por sua expressa vontade, sem escolta.

Disseram...

...e escreveram...

...que era um homem irresponsável...

...patético...

...que vivia fora do mundo.

Sim, é a verdade...

...era mesmo assim.

Escreveram que não respeitava as regras...

...que fazia tudo como lhe apetecia...

...que nunca dava um passo para trás.

Ridículo, não é?

E depois, era ambicioso...

...queria chegar longe!

Olhem onde chegou! Escrevam isso!

E agora vão todos embora!

Saiam daqui!

Juro-te, Corrado. Juro-te...

...nem um passo atrás...

...até os ter encontrado...

...a todos!

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