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Na tentativa de encontrar as razões de um incompreensível homicídio...
...cometido por Salvatore Frolo, um homem saído dum hospital psiquiátrico
...que matou a tiro Antonio Tindari...
...dono de um casino aberto pouco antes numa província do Norte,
o comissário Cattani volta a encontrar Tano Cariddi,
que, agora diretor do Banco Antinari prepara-se para investir na bolsa,
por conta da máfia, um capital enorme. Com este fim,
Tano Cariddi casa por conveniência com a filha do financeiro Rasi, Ester,
e, depois de ter destruído o pai com a ajuda do inquietante Espinosa,
homem dos mil poderes e mistérios, condu-lo ao suicídio.
Ester, que só agora percebeu a natureza perversa de Tano,
fica ao seu lado por desejo de vingança, para arruiná-lo.
Entretanto, Corrado, que aos poucos se apaixonou pela juíza Silvia Conti,
a seguir a uma corajosa denúncia não sufragada por provas,
é temporariamente suspenso da polícia e, após escapar a um atentado,
parte com Silvia para a Sicília, no rasto da filha de Salvatore Frolo...
...e do mistério ligado à sua morte.
Aí, consegue averiguar que Paola Frolo ainda está viva...
...e foi talvez adoptada por Tindari, o falecido dono do casino...
...que a teve escondida durante anos num colégio perto de Milão.
Enquanto Tano se prepara para a fase final da sua duvidosa manobra
...e aguarda o consenso da Cúpula mafiosa que eliminará o Puparo...
...e dará a luz verde a uma troca de negócios com Espinosa,
Corrado volta a Milão, decidido a continuar sozinho, sem Silvia,
já demasiado exposta, a sua luta sem tréguas.
Entretanto, em Milão, Ester copiou de uma agenda secreta de Tano
uns apontamentos em código que talvez ocultem as várias tramas
dos acontecimentos a decorrer.
O POLVO 4
Produção
Realização
QUINTO EPISÓDIO
Estou?
Aceitaram. Esperam por ti amanhã. Vou buscar-te ao aeroporto.
Entra, por favor.
- Bom dia. - Despacha-te, tenho de falar contigo!
Mas...
...posso saber o que se passa?
Tenho de ver o Corrado imediatamente.
Infelizmente, não te posso ajudar.
- O comissário já não é... - Eu sei que já não está na sede.
Mas eu preciso vê-Io.
Sabes onde está, tens de lhe dizer que preciso de falar com ele.
Oiça, juro-lhe: O comissário partiu, ninguém sabe onde está.
Mas não percebes? Eu preciso dele.
Está bem, se por acaso falar com ele...
Se falares com ele, diz-lhe que é algo que diz respeito ao Tano.
Percebeste? Tano Cariddi!
É importante, ele perceberá.
De acordo.
Leva tudo.
- O senhor não almoça? - Não.
Como queira.
- Boa tarde, senhora. - Boa tarde.
Olá.
São três horas, mandei o almoço para trás.
Desculpa-me, fui ao médico.
E na volta, encontrei trânsito.
Porque foste ao médico?
Nada. Dói-me sempre a cabeça.
Queria fazer um controlo.
E o que disse ele?
Nada.
As coisas do costume.
Dar passeios, dormir mais, comer mais.
Talvez lhe devesse explicar que, nesta casa...
...depois de uma certa hora, o almoço já não é permitido.
Bem-vinda.
O porteiro disse-me que faltas há uma semana.
Mas... o que fazes?
Decidi mudar-me para o estúdio. É pequeno...
...mas sozinho fico bem.
São tristes as estantes vazias.
Pois, é verdade. Mas em breve levarei as estantes.
Assim ficas com mais um quarto.
Acho que não vou viver aqui.
Não?
É pena.
É uma casa bonita, gostavas dela.
Sem ti não posso ficar.
Faz como quiseres.
Agora tenho de ir.
Mas o que farás?
Tenho montes de projetos.
Voltarás à faculdade?
Não.
Então, de que projetos falas?
Gostaria...
...de poder explicar às pessoas o que é a política...
...como dantes explicava aos alunos a utilidade dos insectos.
Eles perguntavam-me: Para que serve a mosca?
É incómoda, é feia e suja. E eu respondia: Serve.
Serve para alimentar os répteis, as aves.
Sabes o que pensam as pessoas da política?
Que é um pouco como a mosca: Uma coisa suja, feia...
...inútil e dispendiosa.
Não, pensam que é um privilégio reservado aos políticos.
Claro, mas...
...se quem faz política se deixasse comer pelos eleitores...
...tudo seria diferente.
Trata-se de responder às perguntas deles...
...aos porquês...
...falar em vez de calar-se...
...trazer à superfície o que está no fundo...
...explicar...
...explicar tudo.
Tudo, o quê?
O que acontece, o que nos rodeia. E o que não se vê.
- É difícil. - O fácil, toda a gente sabe fazer!
- Trevi? - Comissário, é você.
- Desculpa ligar para aí, novidades? - Não.
Não, não, nenhuma novidade.
Mas, ontem, veio uma pessoa à sua procura.
- Ester? - Sim, Ester.
Quer dizer-lhe algo muito importante acerca do Tano Cariddi.
Está bem.
- Volto a ligar-te. - Até logo.
Mas tu...
...gostas de mim? Gostas mesmo de mim?
Sim, gosto mesmo de ti.
Porquê?
Porque és bom.
Não é verdade.
Não sou bom.
Não posso permitir-me a bondade.
Demasiadas pessoas queriam ver-me arruinado.
És bom comigo.
Só me interessa isso.
Estou?
Ester...
...é o Corrado.
Não...
Não chamámos nenhum táxi.
Ouve, espero por ti no bar da Porta Ticinese, a qualquer hora.
Claro que estou certa.
Quem era?
Enganaram-se no número.
Estou com vontade de fazer amor.
Não quer que o acompanhe ao aeroporto?
Não. Fica com a senhora.
Segue-a. Quero saber onde vai, o que faz.
Quero saber tudo.
- Boa viagem. - As chaves, senhor.
Não posso ir contigo.
Tens de ir sozinho.
Estão todos?
Todos. O governo da Cosa Nostra por completo.
A Cúpula.
Não vos vejo.
Não tens de ver-nos.
Só tens que falar.
Atualmente...
...há no mundo 550 centrais nucleares.
Cada central está em funcionamento cerca de 25 anos...
...depois é desmantelada.
Acumula um número enorme de escórias radioativas...
...e é, ela própria, uma enorme escória.
É preciso desmantelá-la, armazená-la, descontaminá-la...
...ou, então, utilizá-la doutra maneira, obtendo assim um duplo proveito.
Neste momento, há 17 reatores nucleares em desuso.
Dentro de três anos, juntar-se-ão mais 150...
...enquanto outros serão construídos.
Será assim, para sempre.
Nalguma parte da Europa...
...um comboio com as primeiras 500 toneladas de material radioativo...
...está à espera da vossa decisão.
Têm três dias para dizer sim ou não.
Três dias para decidir se caminharão para o futuro...
...planeando a vossa riqueza e o vosso poder...
...ou se ficarão ancorados à velha mentalidade feudal...
...que hoje o Puparo encarna.
Ele é o passado.
Como não quer ceder a ilha de Tirene, vim pedi-la a vocês...
...à vossa honrada sociedade, pela qual vou investir, nestes dias, biliões.
Já tratei de tudo: A parte contrária oferece, para sempre...
...uma participação fixa avaliável em cerca de 400 mil milhões anuais.
Eu nasci não muito longe daqui...
...numa aldeia...
...com as casas caiadas por fora...
...mas negras de miséria por dentro.
O padre dizia que eu era inteligente, e convenceu os meus pais...
...a mandarem-me para o Norte, para um colégio.
Mas havia sempre o risco de eu ter de voltar para aqui.
Só tinha uma maneira de me salvar:
Ganhar todos os anos a única bolsa de estudo que o instituto atribuía.
E eu ganhei-a sempre.
Quando os meus pais morreram...
...estava na Inglaterra, na universidade...
...e não quis voltar.
Estavam mortos, não podia fazer mais nada por eles...
...e no entretanto fazia por mim:
Estudava, dia e noite.
Nunca um amigo...
...nunca uma companhia.
Quando voltei, um velho banqueiro...
...Nicola Antinari...
...ofereceu-me a possibilidade de subir.
Era como uma ave que nasceu na cave de uma catedral e voou rumo à luz.
Porque as catedrais são bonitas...
...mas são escuras.
E é preciso...
...furar a cúpula...
...para ver o sol.
Por isso, hoje estou aqui.
Lembrem-se:
Só três dias.
Toma.
Copiei-os da agenda dele.
Há números e letras incompreensíveis, numa ordem estranha.
Acho que são importantes.
É um código.
Não faço ideia do que significa.
Levá-Io-ei ao Trevi.
Talvez perceba alguma coisa.
Obrigado.
Mas não quero que fiques naquela casa.
É perigoso o que andas a fazer.
Não sabes o que ele tem em mente, ninguém sabe de nada.
Só eu posso...
Ouve, não podes continuar a fingir!
Tens de ir embora, percebes? Partir, fugir daí!
Mas ainda não percebeste?
Não quero ir embora. Quero ficar com ele...
...até o conseguir destruir.
Não te deixarei sair daqui se não me prometeres.
Não, não.
Sozinho não vais conseguir. Já é demasiado poderoso...
...demasiado hábil, demasiado esperto. Mesmo para ti!
Porém...
...porém tem um ponto fraco:
Está apaixonado por mim.
Precisa de mim.
Ester...
...toma.
Leva isso.
Fico mais tranquilo.
Nestes dias estou em casa do Trevi.
Vemo-nos em breve.
Pensa em mim...
...de vez em quando.
Adeus.
- Bom dia. - Marzio, o que fazes aqui?
Entre, senhora.
Não, obrigada. Tenho o carro estacionado...
Sei onde está o seu carro, e sei onde está o do comissário.
Entre, é melhor para si.
Faça favor.
Acomode-se, venha.
- O que queres de mim? - Sente-se, por favor.
Bebe algo?
Como está o comissário Cattani? Está bem?
Sabe que não queria acreditar?
A sério, juro.
O Dr. Cariddi tinha umas suspeitas.
Disse-me para a seguir. Mas eu não queria mesmo acreditar.
Posso dar-te muito dinheiro se ficares calado. De acordo?
E eu fico calado.
Quem fala? Foi por isso que a trouxe para aqui, para fazer um acordo.
- Chegam 50 milhões? - Quase.
Cem?
- Cem, chegam? - Quase.
Mais...
...uma pequena percentagem...
...daquela coisa...
...que dá ao seu amigo.
Fazemos assim, cada vez que se encontrar com ele...
...e até posso levá-la, depois encontra-se comigo também...
...aqui.
O que fazes? Recusas-me?
Então, queres obrigar-me a dizer tudo!
Imagina como vai ficar o Dr. Cariddi quando souber com quem te encontras!
Afasta-te!
- Não me toques! - E quem te toca?
Não te aproximes, porco!
Está bem, já percebi, tens gostos difíceis. De acordo.
Ficamos amigos.
- Só é preciso... - Não te mexas!
...arrumares isso.
Eu... estava a brincar.
- Puta! - Não me toques, afasta-te!
O outro sim e eu não! O que tenho eu?
Meu Deus!
Não!
- Então, consegues perceber algo? - Já eliminei 3500 variantes.
- E quantas há, ao todo? - Um milhão.
- Estamos fritos! - Pois.
Mas encontraremos! Encontraremos!
Sim?
Sim, está aqui. Quem fala?
Vou passar.
Comissário, é para si, a menina Ester.
Sim.
Não saias daí.
Não, não, não saias, vamos buscar-te.
Desculpe, este é o úItimo, temos de fechar.
Desculpem, polícia.
Saia. Você também, por favor.
Conta-me tudo.
Então, como aconteceu?
Ele queria-me.
Pôs-me as mãos em cima.
Todos me querem...
...menos tu.
Porque bebeste?
Responde-me!
Só um bocadinho...
Anda.
Não!
Corrado!
Mas o que fazes?
Pára!
Onde aconteceu? Há quanto tempo?
Não sei, há umas horas.
Alguém te viu a entrar aí?
Vieste para me prender?
Não! Não vim para te prender, mas não sei o que fazer!
Não fiz de propósito.
A bala disparou sozinha, não queria matá-Io.
Onde está a pistola? Onde a puseste?
Eu...
...deixei-a lá.
Força, vamos.
Obrigado.
- Boa noite, Sr. Procurador. - Boa noite.
Já estão aqui. Anda, anda!
- Sou o comissário Renzi. - Prazer.
Venha.
Dispararam com esta.
A coronha tem muitas impressões, mas confusas.
O homem chama-se Marzio Alimenti.
É o motorista do banqueiro Gaetano Cariddi.
Confirma o facto de que fui informado?
Sim. Esta é uma pistola de serviço. Temo-la em dotação.
Pesquisámos o número...
...pertence ao comissário Cattani.
Guarde a notícia para si, comissário.
Quero que, por enquanto, os jornalistas não saibam de nada.
Difundirei um mandado de captura contra Cattani.
Entretanto, continuemos... com as averiguações.
E agora vamos à casa do Cattani.
Sentem-se onde quiserem.
Trago-te um pouco de água.
Toma.
Vais denunciar-me?
Não digas tolices.
Mas agora ouve-me, volta já para casa.
A polícia não tem de supor nada. E o Tano também não.
E se descobrem que a pistola é tua?
Virão ter comigo.
Não tem importância nenhuma. Ficarei aqui uns tempos...
...o tempo de pôr o Tano entre a espada e a parede.
Depois, deporei em teu favor, direi que se tratou de legítima defesa.
Olhem! Venham! Venham ver!
Encontrou-os!
- Vem. - Encontrou o quê?
Está a imprimir. Encontrou-os!
Descodificou aqueles números!
Hamburgo, Malinveux, Amstelgarten, Rugemont, Flickert, Banville, Nápoles.
- Mas o que é? - Não sei.
Estes percebem-se melhor.
São nomes e números de telefone.
Canopio...
...Santelia...
- ...Salimbeni... - É de loucos!
- Espinosa... - Estão aqui todos os do inquérito!
Espinosa.
Conheço esse nome.
Mas não me lembro onde o ouvi.
- Tome. - Obrigado.
Parece que Cattani deixou esta casa há muitos dias.
Sim, também me parece, seja como for, façam uma busca cuidadosa.
Acha mesmo que Corrado matou o homem?
Não, não, eu não acredito em nada, limito-me a constatar.
A sua pistola estava lá, desapareceu da sua casa...
...e ninguém sabe onde anda.
Você também me diz que não faz ideia de onde tenha ido parar.
De resto, o comissário ultimamente tomou...
...muitas iniciativas. Pronto...
...percebe-me?
Receio que tenha decidido fazer justiça sozinho.
Não.
Acho que não.
Seja como for, se por alguma razão falar com ele...
...convença-o a entregar-se.
- O que se passa? - Uma desgraça.
Encontraram o Marzio morto.
- Está a polícia em casa. - Já vi.
Desculpem, cheguei agora do aeroporto.
Fomos obrigados a incomodar a senhora...
...mas esta noite encontrámos o corpo do seu motorista.
Foi morto a tiro.
Mas... como aconteceu?
Infelizmente, não tenho testemunhas.
Os vizinhos, depois do tiro, forçaram a porta, mas o assassino tinha fugido.
Tem alguma ideia de...
...não sei...
...alguma ameaça, algum inimigo pessoal.
Não.
Não tenho intimidade com a criadagem.
Importa-se que façamos umas perguntas ao pessoal?
Faça o favor de entrar.
Ester. Espera.
Quem pode ter sido?
Não sei...
...conhecia-o pouco.
Deixei-o aqui de propósito para te acompanhar.
Se o tivesse feito, neste momento ainda estaria vivo.
Porque saíste sozinha?
Não gosto de sair com o motorista.
Foste às compras?
Sim.
E compraste coisas bonitas?
Não.
Depois decidi não comprar nada.
Desculpa-me, tenho de ir.
Sou o vereador Bini. Deixe-me entrar, por favor.
Mas... você não estava na prisão?
Saí em liberdade condicional, de manhã.
Oiça, senador, quando saí de casa, há umas 2 horas, tinha-os à perna.
Penso ter conseguido despistá-Ios...
...mas se assim não for, seria melhor você não me deixar à porta.
Entre.
Está a falar de quem?
Dos que querem matar a mim e à minha família.
Não imediatamente, claro.
Daqui a uns tempos, quando as pessoas já não se lembrarem de mim...
...e a notícia tiver menos impacto.
Só que eu, nessa altura, espero já não estar aqui.
Quer dizer que não tem intenção de se apresentar ao julgamento?
Mas então você não percebeu!
Se não sair da Itália, não me deixam chegar ao julgamento vivo!
Quem quer matá-Io?
Esta é para si.
Aqui dentro tem as provas de anos de corrupção, na nossa câmara...
...aqui em Roviate...
...e em Roma, no Parlamento.
Imagina a quem me refiro.
A quem?
Ao senador Salimbeni.
Aqui está:
Contratos...
...empreitadas...
...facturas, cheques, chantagens, gestão danosa.
Aqui tem tudo o que queria ter dado áquele pobre comissário.
Mas...
...mas então...
Tudo o que disse à Comissão era verdade. Mas eu traí-o!
Tinha-lhe prometido falar...
...mas, pelo contrário...
Sabe, quando nos apontam uma faca aqui...
...e dizem que farão o mesmo com a nossa mulher...
...e com a nossa filha...
...perdemos a coragem.
Porque veio aqui agora? Porquê logo comigo?
Porque você foi o único a votar a favor.
Mas você disse-me que... prepara-se para fugir, deixar a Itália.
Infelizmente, não sou um herói.
Sou um tipo qualquer...
...como muitos...
...e tenho medo.
Espero que você não se pareça comigo.
É assustador!
Quero falar com o escritório do senador Salimbeni, por favor.
Preciso de marcar um encontro com o senador Salimbeni.
É o professor Conti.
Como? Está em Milão?
Sabe dizer-me onde?
Um momento.
Sim.
Muito obrigado.
Olha esta mensagem! Acabou de chegar.
Calma! Tenho a tensão baixa.
- Lê isto! - De manhã preciso de tranquilidade.
- Anda, lê isto! - O que é isso? Mordeu-te a tarântula?
Ordem de detenção para Cattani?
Estão loucos? Homicídio?
Estou? É o Quadri.
Era o Trevi.
Pronto, agora sabem de tudo.
Naturalmente...
...cada um de vocês agora pode deixar o quarto...
...ir à esquadra mais próxima...
...e denunciar a Ester.
Ou então podem prender-me.
São agentes da polícia, podem fazê-Io.
Mas se vocês acreditam...
...no que acabo de contar...
...então, se calhar, todos juntos...
...conseguiremos chegar ao fim desta história.
Comissário...
- ...devíamos falar com o Falisci. - Não.
Na Procuradoria há algo que não está bem.
Os outros sabem sempre dos nossos movimentos...
Sabiam do Frolo...
...sabiam da transferência para a clínica.
Tenho a certeza de que há um espião na Procuradoria!
Depois, o procurador é demasiado... demasiado cauteloso.
Nós, desta vez, agiremos à nossa maneira.
Foi por causa disso que os quis todos aqui.
O que quer dizer, à nossa maneira?
É preciso fazer três coisas. Primeiro: Ir à casa do Tindari...
...e procurar o maior número possível de informações sobre Lorella De Pisis.
Segundo: A Procuradoria.
É necessário pôr as mãos nos documentos roubados do Casino...
...e na conta bancária do Tindari!
Terceiro: O senador Salimbeni. É preciso saber o que faz...
...como se mexe, quem encontra.
Por exemplo, no jornal diz que desde manhã que está aqui...
...próximo de Milão, para a inauguração de um lar para idosos.
É preciso alguém ir atrás dele, já!
Presente.
Bem.
Percebi. A mim, para variar, toca-me a questão pior. Está bem...
...eu trato do dossier na Procuradoria.
Por favor, pare.
Um momento.
Vamos.
E como tudo o que concerne o homem, a velhice tem uma dimensão existencial.
Modifica a relação do indivíduo...
Por outras palavras, se a velhice biológica...
...é um fator que não pode ser condicionado pela história...
...nem pela sociedade...
...o destino...
...e a situação individual do idoso são fatores nos quais podemos intervir.
O que seria uma árvore sem raízes? Nada.
O que seria o presente sem o nosso passado?
Sem os que nos precederam? Nada.
Por isso...
...uma sociedade civilizada digna deste nome...
...tem de proteger...
...ouvir e defender os seus idosos da injúria do tempo, das consciências...
...da terrível doença das novas gerações que se chama...
...indiferença. Na verdade, nós...
...não somos indiferentes.
Estamos aqui, ao vosso lado...
...e este novo lar é a testemunha. Gozem-no bem!
É vosso.
Adeus, queridos, adeus! Quero-vos bem.
Desculpe, está aqui o senador Conti, insiste em falar consigo.
- Onde está? - Aqui fora.
- Disse o que quer? - Não.
Desculpem, preciso de ficar só.
Deixe-o passar.
Faça o favor de entrar.
Sabe, professor, é a úItima pessoa que esperava encontrar aqui.
Importa-se que o trate por professor? Ou prefere senador?
Professor está bem.
Assim não há confusões, o senador... é você.
Fico contente por ter vindo ver-me.
Sabe, eu por princípio não guardo rancor a ninguém.
Disseram que na Comissão de Inquérito você votou contra mim.
Está bem, está no seu direito.
Estamos num país democrático, não é?
Mas não diga isso aos velhotes, eles adoram-me, iriam levar a mal.
Imagino que, por estes lados, não sejam os únicos a gostar de si.
Não é para me gabar, mas neste colégio a cada eleição...
...chego quase ao 58 por cento das preferências.
E naturalmente você retribui.
Não seja desagradável, professor.
Eu não retribuo nada.
Este lar é um serviço público...
...merecido.
- Então porque veio você inaugurá-Io? - Oiça-me.
Para ter 68% nas próximas eleições?
- Veio provocar-me, não é? - Não, não.
Só para dar uma sugestão.
Para convidá-Io a demitir-se do seu cargo...
...de forma a magistratura poder indagar livremente sobre você...
...e os seus amigos do negócio do casino.
Faça como eu digo.
É a úItima oportunidade que tem para prestar um bom serviço ao Estado.
Ou, com base na nova documentação...
...mandarei abrir um novo inquérito da Comissão sobre si.
- Qual documentação? - Saberá numa altura oportuna.
Esperarei até amanhã...
...se até às vinte horas não receber uma carta com a sua demissão...
...denunciá-Io-ei à Comissão.
Satisfaça-me uma curiosidade, professor.
Porque se rala tanto comigo?
Tenho vergonha de me sentar na mesma sala parlamentar que você.
Tenho vergonha de mim...
...e dos que representa indignamente.
Demita-se: Será a única boa ação da sua vida!
Vai para cima.
Olhe aqui, comissário!
Este livro de cheques.
Olhe para esta matriz.
L... D... P. Lorella De Pisis.
Sim, se calhar, desta vez estamos lá!
Não sei mais o que fazer, não sei onde procurá-Io.
Esperava que estivesse aqui.
O que lhe terá acontecido?
Nada.
O que achas que lhe aconteceu?
Ele é assim...
...anda sempre a correr, sempre com problemas.
Mas desta vez está acusado de ter matado um homem...
...desarmado.
Não acredito.
Nunca faria isso.
Corrado é um tipo que mesmo quando...
...é antipático, intratável...
...continua sempre bom por dentro.
Vês, de vez em quando vem aqui gente que...
...oferece roupas, compra umas estatuetas...
...acarinha as crianças...
...mas assim, só para se sentirem bem.
É gente para quem a vida é como um mealheiro:
De vez em quando põem umas moedas esperando ir parar ao Paraíso.
Mas o Corrado não é assim.
Ele, quando está no meio deles, dos pequenos...
...olha-os como se fossem todos irmãos. Mas não irmãos de sangue...
...irmãos de dor.
E tu também és assim.
Não...
...eu não sou tão forte como ele.
Queres-lhe bem?
Esse gajo, tirando nós os dois, só tem três amigos:
Quadri, Giugni e Trevi.
De certeza que está com um deles.
Aqui está.
Esta é a pasta que Giugni tirou da Procuradoria.
Estes são os seus extratos de conta.
Pega no livro que encontrámos em casa do Tindari.
Eu verifico o extrato de conta do Tindari...
...e tu diz-me os números dos cheques com a sigla Lorella De Pisis.
Há aqui dois. O primeiro é 304459503.
Não entrem por enquanto, vou revelar.
Aqui está.
Aqui está: 304459503.
Sim, perfeito!
Vamos ver se está o outro.
4579921043.
Deve ser um dos úItimos.
Como disseste? 457...
- 9921043. - 9921043.
- Exato. - Remonta há poucos meses.
A importância é de três milhões.
Emitido à ordem de quem?
Da Overseas School de Klammerburg.
Tindari fez uma transferência por mês.
Durante anos.
É a escola de Lorella, escondeu-a aí, e é aí que devemos ir buscá-la!
Na Suíça.
Por favor, abre. Sei que estás aqui.
Corrado...
...sou eu, abre.
Graças a Deus estás bem!
Porque não me telefonaste? Porque desapareceste sem dizer nada?
Estás tão pálida!
Diz-me o que aconteceu.
Porque encontraram a tua pistola junto daquele homem?
- Quem te disse? - Falisci.
Porque não saiu a notícia nos jornais?
Quer encontrar-te sem muito alarido.
Porque para ele és inocente, não está enganado, pois não?
Não, não.
Mas...
...não posso dizer-te quem foi.
- Porquê? - Porque...
...porque prometi.
Já não confias em mim?
Disse-te para não me procurares, porque o fizeste?
Pensava que estavas ferido, talvez até morto!
E agora? Agora que me encontraste, o que pensas fazer?
Tens de ir ter com o Falisci, contar-lhe tudo e...
Não, não, eu não vou a lado nenhum!
E não conto nada a ninguém!
Não vais conseguir sozinho!
- Mas como pensas... - Silvia...
...não me digas o que tenho de fazer!
- Por favor, tenta entender-me. - Não, não te entendo.
Já não te entendo.
Proposta de reabertura do inquérito...
...sobre o senador...
...Ettore Salimbeni.
Então, tenho de me ir embora?
Por favor, Silvia, é tudo tão difícil.
Nunca pensei que fosse fácil.
Corrado...
...quando tudo acabar, vais querer viver comigo?
Todos os dias, de todos os anos, de todos os séculos?
- Não consigo encontrar o açúcar. - Responde, não mudes de conversa.
Não consigo imaginar o meu futuro.
Mas deseja-lo a meu lado?
Sim.
Sim, desejo.
Os homens nunca encontram nada, o açúcar está aqui.
Este... não é o teu marido?
Ernesto!
Esta foto foi tirada ontem.
O que faz com o Salimbeni?
Não sei, não percebo, tenho de ir ter com ele!
Não, espera!
- Tenho de ir! - Vou contigo.
Espera!
Pára!
O que significa isto?
- Não, espera! - Não!
- Silvia, espera! - Não!
Não entres!
Telefona!
Chama uma ambulância!
Faz o que te digo!
Morreu.
Silvia, agora tenho de sair daqui. Percebes isso, não é?
Se me encontrarem aqui, prendem-me!
O que querias fazer sozinho?
Não sabes como é o mundo?
Corrado, o que se passa?
Estás sozinho?
Sim.
Não consegui chegar antes.
Mas o que aconteceu? O que tens?
Mataram o marido da Silvia.
Santo Deus.
E eu já não sei o que fazer.
Já não os consigo parar!
Ganharam.
Não é verdade, Corrado.
Basta.
O que faz o teu Deus?
Fica aí, a olhar?
Porque permite que aconteçam coisas destas?
Porque não faz nada?
Quem és tu para julgar Deus?
Com que direito... Queres recuar?
Já não aguento.
Não aguento mais.
Silvia, querida, escrevo para te dizer que decidi pedir a reabertura...
...do caso Salimbeni.
Sei que não estarás de acordo, pedir-me-ás para ser cauteloso...
...para não me expor, mas a vida, por um estranho acaso...
...reservou-me uma surpresa... régia.
Algo que nunca esperaria, e que, se calhar, não mereço.
Reservou-me a possibilidade de fazer algo pelo nosso país...
...pelos que não podem, pelos que não sabem.
Pensa em mim...
...um modesto professor universitário que até agora só soube de formigas...
...esses seres antiquíssimos que, únicos entre os animais...
...não recuam frente a ninguém.
Eu farei o mesmo...
...porque estou convencido que a minha longa vida de estudos...
...não tenha sido mais que a preparação para este momento.
Dra. Conti. Soubemos... Lamento muito.
Deixe-nos sós.
- Quer sentar-se? - Não, quero aquele inquérito.
O que tem, já não confia em mim?
Estou a tratar disso pessoalmente, você neste momento não conseguiria...
Aquele inquérito é meu. Tem de mo dar.
E desta vez, se me quiserem parar...
...terão de assassinar-me como fizeram ao Ernesto!
Serei esperta e má como eles...
...e até mais que eles!
Aquele inquérito pertence-me!
Você sabe onde se esconde o comissário Cattani?
É acusado de homicídio, quem o proteger, é cúmplice.
Estou aqui pelo meu inquérito, não para falar do comissário Cattani.
De acordo.
Sim, tem razão.
O inquérito é seu.
Tome-o de volta.
A Cúpula disse que sim. Podes começar a operação.
Transferimos a úItima parte do dinheiro.
E ao Espinosa, podes dizer que o comboio pode chegar.
Está tudo pronto. Se sair hoje à noite em 2 dias embarcamo-Io em Nápoles.
Depois descarregamos as 500 toneladas de merda na ilha e acabou.
E o Puparo?
Isso é assunto de família, eu resolvo. Mas já está fora da Cúpula.
Ele sabe disso?
Ainda não. Vou agora para a Sicília.
Dir-lhe-ei hoje à noite.
Quem ficará com o seu lugar?
Não adivinhas?
Sem mim não serias nada, verdade?
Verdade.
No meu lugar, aqui em Milão, fica o Barbarossa, está noutro carro.
As famílias decidiram.
Não te querem deixar sozinho.
Qualquer coisa que precises...
...ele está aqui, com oito homens.
E sorri, por uma vez!
Vais comprar a Itália!
Nos úItimos tempos, como podem ver...
...adquirimos 14% dos Seguros Internacionais.
É mais do que aquilo que alguém alguma vez teve.
Significa que trabalhámos bem.
Significa que as indicações de compra que sugeri estavam certas.
Portanto agora...
...quero que em 2 dias comprem por mim a quota de controlo dos Internacionais.
Temos de chegar aos 31%.
Por outras palavras...
...quero recolher por essa data todas as ações da Barton e da Selis.
Mas como o faremos? Não penso que tenham intenção de vender.
A velocidade e a liquidez serão as nossas armas.
Às dez começarão a vender as nossas ações dos Internacionais.
Provavelmente os preços começarão logo a descer. Mas não se preocupem.
Vendam!
Até que valor?
Até reduzir a metade do valor do título.
Até dar a ideia da queda.
Nessa altura, será o caos:
Os pequenos acionistas...
...entrarão em pânico, e a Barton e a Selis...
...já em crise de liquidez, ficarão à beira da falência.
Como sabe que estão em crise de liquidez?
Sei.
Como sei que os sócios maioritários não saberão reagir à nossa manobra...
...sem antes reunir os conselhos de administração.
Mas então será tarde de mais...
...porque vocês recomeçarão a adquirir o mais depressa possível!
E os títulos retomarão o valor.
Os pequenos acionistas serão os primeiros a ceder...
...e venderão em bloco.
Será por volta das onze e meia da manhã.
A bolsa ficará literalmente à nora.
Ninguém perceberá nada.
Quando os títulos alcançarem o dobro do valor...
...a Barton e a Selis também cederão!
A partir desse momento, comprem tudo.
Até ao fecho.
- Custará pelo menos 3000 biliões. - Exato.
Mas às duas da tarde...
...o Banco Antinari será dono de um património...
...estimado em cerca de 30 mil biliões.
E, nos dias seguintes, o capital continuará a aumentar.
Dirigirei as operações daqui.
Não preciso de nenhum de vocês.
Quero-vos todos no terreno.
É tudo.
Obrigado, senhores...
...e boa sorte.
É para depois de amanhã, então. Sim...
...diga que podem arrancar.
Dou-lhe os meus parabéns, senador. Prevejo que...
...a sua carreira política tenha em breve brilhantes progressos.
Levaste a morada da escola da Lorella?
Sim.
Klammerburg é perto de Zurique.
Chegaremos durante a manhã.
Mas ela sabe que o pai... quer dizer, aquele que acha ser o pai, morreu?
Não sei.
Mas porque não lhe deu o nome quando a adotou?
Porque não a batizou Lorella Tindari?
Porque não tratas de conduzir... e te calas?
Quanto falta até à fronteira?
Pouco.
E se formos apanhados?
Dirás que acabas de me deter e vais levar-me para a esquadra mais próxima.
E se não acreditarem?
Se não acreditarem, são cinco anos de prisão!
Pronto, só queria saber.
Comissário, a Lorella está no nosso instituto há anos...
...mas o pai, o Sr. De Pisis, nunca apareceu aqui.
Anda, Lorella.
Anda.
Os senhores são da polícia italiana, querem falar contigo.
Sentem-se no meu escritório.
Mas o que se passa?
Ouve, Lorella, viemos dizer-te que...
...pronto, não é fácil.
Aconteceu algo ao meu pai? Está mal?
Sim.
Infelizmente o teu pai, há uns tempos, teve uma desgraça.
Há uns tempos?
Mas ontem à noite falei ao telefone com ele, estava bem.
Falaste ao telefone com o teu pai, ontem à noite?
Sim, claro. Como todas as noites.
Então, querem dizer-me o que se passa?
Desculpa, um momento.
Tu... nunca ouviste falar num tal senhor Tindari?
- Não. - Conhece-Io? Já o viste?
Não, nunca.
Tens de ir connosco a Milão. Aí, explicar-te-emos tudo.
Estás pronto?
Percebeste tudo?
São 25 milhões.
Assim poderás comprar todos os porcos que quiseres!
Satisfeito?
Força, vamos.
E assim...
...tu também queres ir para a América.
Vá...
...se é isso que desejas.
Estou a perceber:
Aqui a vida...
...tornou-se difícil...
...para todos.
Abre a janela.
Hoje à noite, o vento...
...tem o perfume das laranjeiras.
Como farás na América sem isso, Santuzzo?
Não quero vê-Io.
Leva-o!
São da polícia.
Também há um comissário...
...chama-se Cattani.
Não, não me querem dizer nada, mas querem que venhas para um sítio...
...que se chama Villa Celeste, já, assim que puderes.
Sim.
Está bem, pai. Adeus.
Então?
Disse que querem falar com ele, que é uma coisa importante, e ele...
...ele disse que está bem.
- Não lhe explicaste onde tem de vir? - Sim, mas já não percebo nada.
Leva-a para o carro.
Já vou.
Corrado!
Onde estás?
Sim, sim, percebi.
Está bem.
Combinado.
Toma, bebe.
- Faz-te bem. - Não quero nada! Saia daqui!
Saia daqui!
Disseram que me explicavam, mas ninguém fala, ninguém diz nada!
Odeio-vos!
Encontrámos a rapariga num colégio suíço.
Estava ali há muitos anos...
...e o Tindari pagava regularmente as propinas.
Foi isso que me despistou.
Fui para lá convencido que o Tindari, depois de a ter adotado...
...tivesse fingido ser o pai dela. Mas o pai adotivo é outro.
- Quem é? - Não sei.
Seja como for, virá aqui ter, daqui a poucas horas.
É a úItima vez que te oiço. Tive o inquérito de volta.
Já não te posso seguir.
Denunciarei a pessoa que entrar por esse portão, e levá-la-ei a tribunal.
Agora chega, a tua guerra pessoal acabou.
Vais prender-me também?
Sim.
Para teu bem.
Quando?
Amanhã.
Há tempo, amanhã.
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