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A seguir a um estranho homicídio do qual é vítima António Tindari...
...mafioso e proprietário de um casino recentemente inaugurado...
Corrado Cattani reencontra Tano Cariddi...
...que é agora diretor-geral do Banco Antinari...
...que secretamente tenciona, por conta do Puparo, investir dinheiro mafioso...
...numa importante sociedade financeira, onde consegue entrar...
...graças a um casamento de negócios com a jovem Ester Rasi...
...filha de um financeiro rico.
Enquanto Corrado teima em descobrir a verdade...
...sobre o homicídio de Tindari, cujo autor é Salvatore Frolo...
...Tano, também com a ajuda do inquietante Espinosa...
...um homem extremamente influente e misterioso...
...consegue encurralar o financeiro Rasi e levá-lo ao suicídio.
Entretanto, Corrado conhece Silvia Conti...
...uma corajosa juíza que paga com a violência...
...a sua incansável luta contra o crime...
...enquanto Ester Rasi decide ficar com Tano...
...para descobrir os seus segredos e arruiná-lo.
Infelizmente, Corrado não consegue dissuadi-la e, ao mesmo tempo...
...tem de aceitar outra derrota...
Davide Faeti, um jornalista desiludido...
...que graças ao encontro com Corrado...
...tivera novas motivações para voltar a viver...
...é cruelmente morto por um assassino mafioso.
À beira da morte, porém, Faeti consegue entregar a Corrado...
...uma fotografia ensanguentada de uma menina.
Este é o único indício que Corrado possui...
...para desvendar uma obscura história que, há muitos anos...
...vira a morte impiedosa da filha e da mulher de Salvatore Frolo.
O POLVO 4
Produção
ReaIização
QUARTO EPISÓDIO
lsto pode ser o nome da menina.
E isto talvez seja o carimbo do fotógrafo.
Temos de mandar isto para o Laboratório.
Só não compreendo o que tem o Tindari a ver com tudo isto.
Porque é que a muIher deIe deu esta foto ao Faeti?
E quaI a Iigação entre o Tindari e o Banco Antinari?
Entre o Tindari e a máfia?
Entre o Tindari e os Seguros lnternacionais?
Não compreendo.
Oiça, comissário, para compreender deve haver um programa.
Aqui temos estes quadrados brancos.
E temos de preenchê-Ios, pouco a pouco.
Por exempIo, aqui pomos a máfia que comprou o casino.
Aqui pomos o Tindari, que é o homem da máfia.
Neste outro quadrado, o Banco Antinari.
E depois?
Depois inserimos os dados. Continue.
Temos o Tano Cariddi.
Cuja muIher é fiIha do Presidente dos Seguros lnternacionais.
- E que se suicidou. - Excelente. Mais dados.
Temos o casino, protegido por uma junta criminosa, corrupta...
...através de um vereador chamado Canopio.
Perfeito! Continue. Mais dados.
Um dia, numa receção no Banco Antinari...
...chegou o Salvatore Frolo, disparou sobre Tindari...
- ...matando o proprietário do casino. - Isso é secundário. Não interessa.
Como não te interessa?
Há anos, o Tindari matou a muIher e a filha de Salvatore Frolo!
Sim, mas este é um caso humano, tem a ver com sentimentos...
...ódio, vingança.
Tenho um programa diferente. Pensaremos em Frolo depois.
- DescuIpa, mas não te percebo. - Oiça, comissário...
A vida é feita de sentimentos, dinheiro e negócios...
...mas se temos um programa, temos de escolher.
Então, o que está na base deste caso?
O dinheiro ou os sentimentos?
O dinheiro.
Então pensemos no dinheiro.
Eis alguns mandados de captura. Novinhos em folha!
Assinados e autenticados. Para serem executados já!
- Assinados por quem? - PeIa juíza, SiIvia Conti.
- EIa regressou ao escritório? - Claro que sim! Aqui tem.
Com base na votação recém efetuada, fica aprovado...
...o plano financeiro municipal para o ano corrente.
Portanto, é com grande satisfação...
- ...que decIaro terminada a reunião. - Um momento.
- Quem é o senhor? - Permaneçam nos vossos lugares.
Sou o comissário Cattani, da esquadra central.
Peço-vos siIêncio.
Agora vou ler uma lista de nomes.
Peço às pessoas cujos nomes mencionarei para se levantarem.
Giovanni Agliati, adjunto da educação.
Mario Bini, adjunto de turismo.
Ettore Gorelli, conselheiro municipal.
Flavia Mura, conselheira municipal.
Fique quieto, por favor!
SiIêncio.
Luciano Novanta, adjunto de orçamento.
O senhor é o presidente da câmara, Giulio Parisi?
Têm de vir comigo. Estão todos presos. Executem as ordens.
Mais um escândalo no caso do Casino.
A substituta do procurador, Silvia Conti, ordenou a prisão...
...de vários membros do conselho municipal de Roviate...
...uma pequena localidade no interior de Milão...
...sob acusação de peculato e interesse particular em atos oficiais.
Foram detidos:
O presidente da câmara, Giulio Parisi...
...o adjunto da educação, Giovanni Agliati...
...o adjunto de turismo, Mário Bini...
...o adjunto de orçamento, Luciano Novanta...
...e dois conselheiros municipais.
- Estás preocupado? - Não. Só estou um pouco cansado.
E hoje tenho a agenda cheia.
Lamento nunca ter tempo para te dedicar.
A mim? E porquê? Entre nós é só negócios.
É verdade, descuIpa. As vezes esqueço-me disso.
De qualquer maneira, queria dizer-te que podes rescindir o nosso contrato...
...quando quiseres, mesmo agora...
Agora o que quero realmente...
...é sentir-me menos triste.
Podes ajudar-me nisso?
Eu? Acho que não.
Não sei aIegrar as pessoas.
Queres convidar-me para jantar esta noite? Para me distrair um pouco?
- Era só eu dizer? - Era.
Está bem.
- Até Iogo. - Até Iogo.
Sou eu. Viste a teIevisão?
Estou preocupado, o inquérito ao Casino está a tornar-se muito perigoso
- ...e há que fazer qualquer coisa. - Já estou a fazer.
Faça-o assinar.
Sim?
Já vou.
O que fazemos aos detidos?
- Transferimo-los? - Não. Quero interrogá-Ios antes.
- Onde vais? - À cadeia. O Lesma quer ver-me.
Tens um ar muito cansado. Porque não adias para amanhã?
- Talvez ele tenha resolvido falar... - Há pouco tempo não o terias feito.
Terias solicitado um pedido escrito e uma reunião com a Defesa.
Há pouco tempo, não te conhecia. Por um santo novo se esquecem os velhos!
Vou contigo.
Não quero ninguém aqui dentro. Só quero faIar consigo.
E ele?
Ele fica.
Aqueles malditos massacraram-me na esquadra. Mas eu perdoo tudo...
...porque sei que Deus ajuda os inocentes.
Mas há quem não perdoe...
...como o que lhe fez aquele serviço na carrinha.
Lembra-se dele?
Você sabe quem é?
CIaro que sei. Como não saberia? Tenho algo para si da parte dele.
- O quê? - lsto!
Guarda!
Cabra! Da próxima vez não te safas! Lembra-te da carrinha, cabra!
- Mostra Iá. É só uma arranhadeIa. - Ele queria matar-me!
Que construções são aqueIas?
Casas de mineiros. Outrora havia uma mina de sal-gema.
- Porque foi abandonada? - Já não havia nada.
Tinham extraído tudo. Agora é como uma concha vazia.
Só ficou um grande buraco.
Vês? Parece um formigueiro.
Infinitos quiIómetros de túneis.
A iIha toda é assim.
Uma espécie de arranha-céus ao contrário.
Socalcos sobre socalcos, cada vez mais profundos.
Os mineiros diziam que chegava até ao centro da terra, até ao inferno!
- Há ainda barcos que passam por Iá? - Para o quê?
Já te disse que a iIha é um pedaço de rocha que não vaIe nada...
...fica demasiado longe de tudo.
Bem, acho que chega. Percebi.
Em que estás a pensar?
No Espinosa.
Quero falar com o Falisci.
Talvez seja melhor que, por enquanto...
...se encarregue eIe da investigação. Eu tenho medo.
Um juiz não devia dizer isso, mas é o que sinto reaImente.
Porque não vais ter com o teu marido a Roma?
Porquê?
Porque o nosso casamento acabou. Foi-se apagando pouco a pouco.
Sabes, às vezes, quando refIicto sobre a minha vida, o que vejo...
...são só cores apagadas:
Rosa páIido, cinzento, ceIeste.
Mas, na realidade, estou rodeada só de cores intensas...
...como este vermelho, a cor do sangue.
Vamos?
Podes ir.
- Estás com frio? - Um pouco.
Quer castanhas? Acabámos de comprar. Segure-as na mão. Aquecem.
Obrigada.
Obrigado.
Não conheço este boIo.
Não? Então pensa num desejo.
Já está.
É um segredo?
- Sim. - Tens muitos segredos?
Sim, muitos.
Faz parte da profissão.
Mas eu queria dizer segredos pessoais: mulheres, amantes...
Não gosto de amantes. Tenho uma mulher.
Mas é uma muIher fingida.
Conforme o pacto.
- Tu cumpres sempre os pactos? - Quase nunca. Mas contigo sim.
Porquê?
Porque com as outras pessoas estou sempre em conflito...
...mas não contigo.
PeIo contrário, gostaria...
O que gostarias?
Gostaria que se realizasse o desejo que acabo de exprimir.
- Tem a ver comigo? - Sim.
Então come o boIo, se quiseres que se realize.
Tenho de ir embora, mas não quero.
Leva-me contigo.
Não posso.
Porque não? Para onde tens de ir?
Para um Iugar desagradáveI.
Até Iogo.
Há aIguns dias, observámos pequenos movimentos da mão.
E ontem começou a mexer parcialmente o braço direito.
- Então pode continuar a meIhorar? - Pode ser, mas não sabemos de certo.
Seja como for, não poderá recuperar todas as funções.
Há uma Iesão demasiado grande na coluna. É aqui.
Há imenso tempo que te quero visitar...
...mas têm acontecido muitas coisas.
Não me esqueci do que te prometi.
Vês?
Estás meIhor.
Verás que, pouco a pouco, voItarás a ser como dantes.
O que se passa?
Queres dizer-me alguma coisa?
Aqui tens.
Toma.
MATA-ME
Não. Não posso.
Não me podes pedir isso.
Tu tens de viver.
Tens de ficar bom e voltar a ser como eras dantes.
Não te Iembras da promessa? Temos de ir juntos para a SicíIia!
Como está eIe?
- O que te disseram do Laboratório? - Estão à nossa espera.
A escrita está compIetamente apagada.
Não consigo vê-Ia nem com o microscópio eIetrónico.
Não podes tentar reconstruí-Ia com o aparelho de infravermelhos?
- És um perito neste campo? - Esquece. Podes fazê-Io ou não?
Podemos tentar, mas preciso de um dia para as provas de cor.
- De quantos dias precisas? - Quinze, no mínimo.
- Não. Tens de o fazer em sete dias. - Mas comissário, é impossíveI...
Várias pessoas morreram por causa desta fotografia.
Vemo-nos daqui a uma semana, está bem?
O médico diz que tenho de descansar os olhos de vez em quando.
Mas descobri que às vezes, sem ócuIos, quando vejo tudo desfocado...
...o mundo parece melhor.
Quando você enveIhecer, também o notará.
- Por enquanto prefiro ver tudo. - E o que tem visto ultimamente?
Vi uma iIha sem árvores, perdida no meio do mar.
Uma iIha que não vaIe nada, a não ser que aIguém queira...
...meter-lhe na barriga furada alguma coisa secreta, obscura...
Não estava previsto, nos nossos acordos, que você investigasse...
Os meus amigos não querem ceder a iIha sem saber a função...
- ...que lhe querem atribuir. - Eu não conheço os seus amigos!
Eu conheço-o a si e faço negócios consigo!
Tenha cuidado:
Com a morte de Rasi a situação virou-se a meu favor.
Agora que nos Iivrámos também do vice-diretor da financeira...
...no conseIho de administração dos Seguros lnternacionais...
...há pessoas que me apoiam. Se você não conseguir convencê-Ios...
...a darem-me a ilha, posso bloquear tudo!
E onde guardará as 500 toneIadas de refugos radioativos...
...que lhe entregaram?
Não os tire. Olhe bem para a minha cara.
Acha que eu me teria sentado a jogar consigo sem ter um trunfo na manga?
Você ainda não me conhece bem. Eu jogo só para ganhar!
Como sabe dos refugos radioativos?
Oiça, Espinosa. Sejamos francos...
Estou em contacto com os piores criminosos desta terra...
...com os que não sujam as mãos, com os que vivem em villas, como esta.
Acha que um tipo como eu não estaria a par do mais Iucrativo negócio...
...atuaImente disponíveI na Europa? Ontem de manhã, quando vi a iIha...
...tive uma espécie de iIuminação.
Em BerIim, há um comboio com 500 toneladas de refugos radioativos...
...à espera de serem eIiminadas ou recicladas.
Provêem de países ocidentais e de leste. Trata-se de refugos...
...de processos de fabrico secretos. Esses refugos precisam de uma lixeira
...e você ficou encarregue de a encontrar.
E por isso recorri a si. Procurava aIguém que soubesse de Iixo.
Escolheu bem, mas temos de aguardar a resposta do dono da ilha.
E para o ajudar a escolher bem...
...terá de o convidar para o banquete.
Faça a sua proposta.
30 por cento.
- Nem pensar. 10 por cento. - lsso corresponderia a quanto?
- 400 miI miIhões por ano. - Durante quantos anos?
Para sempre. Enquanto o mundo durar.
Até um grande fogo de artifício...
...nos apagar todos da face da terra.
Aquela carga de que lhe informaram não é a primeira.
Haverá outras, muitas mais.
Trarei em breve a resposta dos meus amigos sicilianos.
O vaIor parece-me aceitáveI.
É aceitáveI. Certamente.
- Até breve. - Faz bem em ir-se embora.
Acho que esta casa não aguentaria a sua e a minha vileza moral.
Já estou a ver as paredes a ruírem a qualquer momento.
Porque foi adiado o meu interrogatório?
- A Dra. Conti está maIdisposta. - Tenho de falar consigo.
- Comigo? - Sim, e já.
Deixe-o sair, Trevi.
As acusações contra nós são todas justificadas.
Pagaram-nos a todos...
...a mim também.
E porque decidiu admiti-lo?
- Os seus colegas negaram tudo. - Aceitei aquele dinheiro por medo.
Ameaçaram-nos, a nós, às nossas mulheres e aos nossos filhos.
Mas eu não mexi naqueIe dinheiro. Guardei-o num cofre...
- ...no banco. - Quanto dinheiro?
Cada um de nós recebeu 200 miIhões em numerário.
Quem vos pagou?
Canopio. Mas eIe é só um paquete.
Acima deIe, em Roma, há um homem perigoso, um nome importante.
Então? Quem é?
O Senador Salimbeni.
Salimbeni? Tem a certeza do que está a dizer?
O Salimbeni foi eleito no nosso coIégio.
Foi ele que mandou abrir o Casino no nosso município...
...e ajudou a sociedade de Tindari a ganhar a empreitada.
Tindari pagava-Ihe uma comissão sobre os lucros do Casino.
- Ao senador? - Bem, sabe como são estas coisas...
Na poIítica, quem conta reaImente nunca se revela.
- O Canopio cobrava por conta dele. - Quanto?
Dois miI miIhões. Foi o que o senador investiu na sua campanha eleitoral.
Você está disposto a repetir tudo o que me disse perante o tribunal?
Não. Não confio no sistema. Vai ter de fazer tudo sozinho, comissário.
Mas terá que ir ao aIto, muito aIto. Terá de ir a Roma...
...à Comissão de Inquérito sobre a Criminalidade Organizada!
O presidente da comissão é um homem honesto.
Estou certo que mandará abrir uma investigação.
Mas para os convencer, preciso de provas.
Esta é do meu cofre.
Abri-o no outro dia, após o concurso de empreitada para o Casino.
Há 200 miIhões Iá dentro.
- Podes ir dormir. - Está bem. Boa noite.
- Onde está o Corrado? - Levámo-Io para casa há pouco tempo.
- Leva-me até eIe. - Não posso.
A morada do comissário é confidenciaI. Não estamos autorizados...
- Eu autorizo-te. Sou juíza. - Eu sei, mas lamento muito...
- Não aceito ordens de nenhum juiz. - Por favor, Trevi.
Preciso de falar com ele. Faz-me esse favor.
Só se você assumir plena responsabilidade.
Está bem.
NaqueIe armazém há umas escadas. No topo, na porta interna...
...há uma pIaca com o nome ''Bruni''. EIe está Iá.
Obrigada.
Corrado? Abre. Sou eu, Silvia.
- Quem te deu este endereço? - Vais deixar-me aqui à porta?
Entra.
- Estás de partida? - Não, essa está sempre pronta.
Serve para me relembrar que estou de passagem...
- De passagem para ir aonde? - Mais para o alto...
...onde tudo se torna mais denso e complicado.
Onde se nota que as pessoas têm medo.
No fundo, percebo porquê.
Todas essas pessoas têm aIgo a perder...
...uns a casa, outros a famíIia...
...mas eu não. Eu não tenho ninguém.
Por isso, não tenho medo. Como Faeti.
Eu não quero que acabes como eIe.
Silvia...
...tens de pensar em ti.
Estou a pensar em mim.
Preciso de te ter ao meu lado.
Quero que vivas...
...e que um dia deixes este lugar sem te sentires ameaçado e perseguido.
Eu amo-te.
Gosto muito de ti.
Vês esta casa? Vês como vivo?
Aqui não há Iugar para ninguém. Um dia ouvirei tocar a campainha...
- ...e será aIguém com uma pistoIa. - Não.
- E quero ser eu a abrir a porta. - Deixa-me ficar aqui.
Não me mandes embora.
Estou aqui para me dirigir, através de vós...
...á consciência dos cidadãos desta localidade...
...representada por vós. Há verdades que ninguém quer ouvir...
...verdades que aterrorizam qualquer pessoa, até aIguns órgãos do Estado...
...cuja função é precisamente confirmar a verdade.
Mas eu confio em si, Sr. Presidente, e nos senhores senadores.
Sei que terão mais coragem.
Acuso o Senador Salimbeni de ter corrompido...
...através do seu paquete, Canopio, membros de uma junta municipal.
E acuso-o de ter recebido comissões da empresa SETlP, que gere o Casino.
Mas acuso-o sobretudo de ter corrompido em nós...
...cidadãos inocentes, a ideia que a poIítica pode ser uma coisa Iimpa...
...que diz respeito a todos e que requer a participação de todos.
E é por isso que hoje estou perante vós...
...na sede que considero a mais justa e a mais alta.
Peço a esta Comissão de Inquérito...
...que convoque o senador Salimbeni para responder pelos seus atos.
Se isso se concretizar, comprometer-me-ei a trazer...
...uma testemunha que, com provas concretas, poderá confirmar...
...o que acabo de dizer. Tenho a chave de um cofre.
Esta é a primeira prova da veracidade das minhas afirmações.
Aqui estou. Se aIguém pensou que eu tinha escapado para a Suiça...
...estava enganado. Estou aqui e estou bem. Porque deveria estar nervoso?
O Comissário Cattani está a dizer asneiras! Escrevam-no.
Também quero que escrevam o seguinte: Há duas possibiIidades.
Ou o Cattani é vítima de uma manipuIação e, por isso...
...tem de ser exonerado, porque a ingenuidade nos funcionários púbIicos
...é uma cuIpa ou eIe é um mentecapto e, por isso...
...tem de ser expuIso da poIícia, porque já há demasiados idiotas...
...e não é justo que ocupem cargos de responsabilidade.
Se, por outro lado, acontecer que o comissário, como aIguns dizem...
...apenas foi um pouco impetuoso e imprudente...
...está bem, eu perdoo-Ihe.
A sério, escrevam-no. Se assim for, eu perdoo-lhe e proponho-o...
...para diretor de um jardim-escola, para que possa desabafar...
...a contar às crianças todos os contos que quiser.
Peço a esta Comissão de lnquérito que convoque o senador Salimbeni...
...para responder pelos seus atos. Se isso se concretizar...
comprometer-me-ei a trazer uma testemunha...
...que, com provas concretas, poderá confirmar o que acabo de dizer.
Sim. Estou a par do assunto.
Eu também estou muito preocupado.
É só um instante.
Pelo menos sabem quem falou?
Está bem, verei o que posso fazer. Mas é compIicado.
Está bem, nós tratamos disso.
O que querem?
Deixem-me!
Não te acontecerá nada.
Agora terás que fazer tudo o que te dissermos, percebeste?
Escreve...
...escreve tudo o que eu te ditar.
Se não escreveres, massacraremos a tua mulher e a tua filha...
Vamos cortá-Ias ao meio, como uma maçã, com isto!
Força, escreve!
O comissário Cattani...
...obrigou-me a mentir.
Tirou-me à forca...
...a chave do cofre.
...onde estão depositadas as minhas poupanças.
Tenho vergonha do meu ato.
Peço desculpa a todos.
Aqui tem.
Obrigado.
Comissário Cattani, sabe que eu, como presidente...
...aceitei excecionalmente ouvir a sua decIaração.
Fi-Io peIa estima e peIa admiração...
...que eu e toda a comissão temos por si.
E também porque a denúncia da corrupção de quem ocupa cargos...
...de aIta responsabiIidade é, desde sempre, o objetivo prioritário...
...da minha modesta atividade política.
Mas agora, esta carta do adjunto Bini Ievanta dúvidas...
...acerca de todas as suas acusações.
O que tem a dizer a esse propósito?
Só quero dizer que me sinto cuIpado...
...culpado por ter dito ao adjunto Bini...
...que neste país ainda há Iugar...
...para quem tem coragem, para quem não quer ficar em siIêncio...
...nem desistir.
Mas, pelos vistos, eu estava enganado.
Estava enganado, Sr. Presidente.
Diga? Entre.
A carta do adjunto Bini, que acusa Cattani de chantagem e vioIência...
...contra a sua pessoa inverte a posição do comissário...
...que de acusador passa a ser acusado.
A faIta de escrúpuIos no seu comportamento é reaImente incríveI.
O presidente da Comissão de Inquérito sobre a Criminalidade Organizada...
...suspendeu a reunião para examinar a nova situação...
...que surgiu inesperadamente...
Silvia!
O que estás a fazer aqui?
Vem.
Não vim a Roma por ti.
Diz qualquer coisa.
És tu quem tem de me dizer aIgo. Fala.
- É compIicado. - Estou a ouvir-te.
- Vim por causa do Corrado. - Trata-lo por tu?
Já há aIgum tempo.
Eu já imaginara aIgo do género.
Eu não queria magoar-te.
A minha vida mudou e eu também. É só isso.
- E o que tem eIe que eu não tenho? - Nada.
Tem muito menos do que tu.
Menos sentido da realidade, menos equiIíbrio, menos bom senso...
Suponho que isso o torne muito sedutor.
Sempre na linha de fogo, nas trincheiras.
Como ontem, na Comissão e como há pouco...
A Comissão acreditará na carta do Bini!
Obrigaram-no a escrevê-Ia!
Ameaçaram-no para que não faIasse!
O Corrado diz a verdade.
- Tens de defendê-Io! - E porque queres que o faça eu?
Porque eIe é um homem honesto, como tu.
Gostas mesmo dele.
Vê-se.
Esqueces-te que és uma juíza...
...e tentas influenciar um membro de uma Comissão ParIamentar.
O que se passa contigo?
Não te reconheço. Parece que perdeste a cabeça.
Pois é. Perdi-a mesmo. E isso faz-me feliz.
Não fiques chateado comigo.
Não sou capaz porque te amo.
Esta Comissão deverá, portanto, estabelecer...
...se existem os elementos de prova suficientes...
...para soIicitar a convocação do senador Salimbeni.
Exprimam o vosso parecer, por favor.
Não.
Sim.
Não.
Esta Comissão ParIamentar declara o caso encerrado.
De qualquer maneira...
...será feito o reencaminhamento para a magistratura ordinária...
...e para o Ministério da A.I. do depoimento do Comissário Cattani...
...para que tomem uma decisão.
O que fará agora, comissário? O que acha da decisão da Comissão?
Tenciona voltar a apresentar as suas acusações perante outra sede?
Arrepende-se dos seus atos? Faça uma decIaração! Diga aIgo!
Espere, não se vá embora!
Corrado!
O Pres. da Com. Parlam. de lnquérito sobre a Criminalidade Organizada...
...não quis prestar declarações acerca do caso...
...e limitou-se a exprimir o desconforto que ele e os outros membros sentem...
...por se encontrarem nesta situação difícil.
A estima e a admiração pelo Comissário Cattani...
...cuja profunda dedicação ao estado é conhecida por todos...
...bem como a trágica história pessoal, colocaram a Comissão em conflito...
...entre a evidência dos factos e a dificuldade...
...em tomar uma decisão custosa, mas obviamente inevitável.
A notícia da temporária suspensão do serviço do comissário Cattani...
...chegou pouco tempo depois, mas só foi confirmada oficialmente à tarde.
Dá-me dinheiro.
E agora passemos às notícias do estrangeiro.
Mais!
Toma.
- Ofereces-me esta também? - Pira-te!
Adeus.
Novidades?
O Cattani foi suspenso da poIícia.
A sério? Suspenso?!
Hoje é o seu úItimo dia na esquadra.
Então temos de Ihe fazer uma festa. Uma grande festa!
Você sabe que foi tudo montado para tramar o Cattani.
Por que razão teria eIe obrigado o Bini a mentir?
Que interesse teria ele em acusar o Salimbeni?
Sabe o que significa suspendê-Io do serviço?
Em casos como este, o inquérito discipIinar é obrigatório.
- O comissário cometeu um erro. - Não! EIe não cometeu nenhum erro!
Fez o que nós também deveríamos fazer de vez em quando:
Gritou o que outros sussurram!
Eu também quero gritar e quero que você grite também!
Porque não decIara em púbIico tudo o que me contou?
Porque não toma posição? Porque não o apoia?
Nós somos juízes. Temos de conservar a neutralidade...
...e não podemos mostrar favoritismos.
Mas você sabe que o Corrado está inocente! Sabe-o perfeitamente.
Então porque não mexe um dedo para o ajudar?
É verdade, eu sei, mas agora não posso fazer nada. Lamento muito.
Então? O que se passa? Não se trabaIha hoje?
Adeus, Giugni. Tem cuidado para não engordares demasiado!
- Olha quem fala! - A vocês os dois!
- Eu acompanho-o, comissário. - Não, obrigado.
E tu, quando tiras a licenciatura?
Daqui a duas semanas.
Então vá, põe-te a estudar a sério!
Eu queria dizer-lhe, ou melhor, nós queríamos dizer-Ihe que...
Nada de discursos. Os discursos estão reservados para outras ocasiões.
Sou eu quem lamenta mais, porque nunca vos tratei muito bem.
Vocês mereciam um meIhor tratamento da minha parte...
...porque são muito bons. Vocês são o melhor que eu podia desejar.
Diga?
Preciso de faIar com o comissário Cattani.
O comissário Cattani já não está aqui. Foi-se embora.
- Foi-se embora?! Para onde? - Não sei. Já não está na esquadra.
- Não há ninguém da sua esquadra? - Não. Saíram todos há pouco tempo.
Obrigada.
- O que vais fazer? Para onde irás? - Não sei. Ainda não pensei nisso.
Seja como for, haverá um inquérito e talvez me reintegrem no serviço.
Não te preocupes.
E porque não ficas aqui? Talvez possamos fazer...
Não é possíveI. Aqui há crianças. Eu nem deveria ter vindo hoje.
Esquece as crianças. Ninguém te encontrará aqui.
Vê só o que está a fazer o Vicenzino!
Nossa Senhora! O que estás a fazer?!
Dá cá!
É assim que se faz. OIha.
Assim. Isso, muito bem. Não saias da nuvem. Devagarinho.
Experimenta tu.
Devagarinho. Continua sozinho.
Vou ter de me ausentar durante algum tempo...
...mas quando regressar trago-te uma prenda Iindíssima.
Porque vais embora?
Porque às vezes os grandes não podem fazer o que querem.
Eu, por exemplo, gostaria de ficar aqui contigo para sempre.
TaIvez o Bernardo me dê um quartinho e assim...
...quando acordares de manhã, bates à minha porta e Ievas-me ao bar.
Mas não pode ser.
Seja como for, enviar-te-ei muitos postais Iindíssimos...
...e cheios de cores.
Eu não quero que te vás embora.
Dá-me uma beijoca!
Adeus.
Para o chão, comissário!
Meninos, agachem-se!
Abriguem-se atrás do aItar!
Rápido! O que estão a fazer aí? Abriguem-se, rápido!
Corre para a igreja. Há que cercá-Io. Vá Iá, rápido!
Quieto!
Não me dececiones!
Mas tu não devias estar em casa? O teu turno acabava às cinco.
Então estamos a fazer horas extraordinárias.
Está tudo bem, comissário.
Obrigado, rapazes! Mas não podem continuar a proteger-me.
Nós estamos aqui para vigiar a residência da juíza e não por si.
- Está bem. Obrigado. - Até à próxima.
Sou o Trevi. Em que ponto estão?
Não quiseram Ievar-me para casa. Dizem que é demasiado perigoso.
- Podes ficar aqui alguns dias. - Não quero ficar aqui.
Vim só para me despedir de ti.
Ainda tenho direito a escolta. Fica.
Acabo de receber notícias do Laboratório.
Conseguiram reconstruir a escrita na fotografia!
Vêem o aneI Iuminoso à esquerda? Isso indica que a fotografia...
...não foi tirada num Iaboratório, mas ao ar livre, num dia de sol.
No verso aparecem as coisas mais invulgares.
Vêem isto?
Studio Limiti, Salemi. Uma pequena cidade siciliana.
O nome que aparece no topo deve ser o da menina...
- Lorella De Pisis. - De Pisis.
De Pisis? É o nome mencionado na agenda de Yfter.
Esta é a cópia definitiva que obtivemos.
- Em que estás a pensar? - Estava a olhar para o mar.
- Por um instante esqueci-me de tudo. - Desculpa-me se quebrei o encanto...
És mesmo teimosa! E eu estou Iouco por te ter trazido comigo.
Não foste tu que me trouxeste. Vim porque quis.
A máfia quer matar-nos. E nós o que fazemos?
Vamos ao encontro dela.
Não tens medo?
Contigo, não.
Queria dizer-te tantas coisas...
Não encontro as paIavras...
Não te irás embora, pois não?
Não dormiste esta noite?
A SicíIia é tão Iinda.
Já me tinha esquecido.
Eras feliz aqui?
Sim. Tinha a minha filha.
Todas as manhãs, eIa pedia-me para a acompanhar à escoIa.
Mesmo sendo já uma menina crescida.
Quando tinha de atravessar a rua...
...olhava para mim...
...e segurava-me a mão.
Ainda sinto o caIor da sua mão.
E este mar estava sempre presente...
...assim como este perfume. Estás a cheirar?
Este perfume existe só na SicíIia, sabes?
É como tu... amargo e doce!
Sim, é o meu carimbo. Trata-se de uma ampIiação.
Mas não recordo o originaI que utilizei.
Passaram tantos anos!
Mas conhece o apelido De Pisis?
- Sabe se são desta IocaIidade? - Não. Não são daqui.
Aqui nunca houve nenhum De Pisis.
Aqui está o embIema!
Não me tinha apercebido. Vejam.
- O que significa? - Está a ver?
É do Instituto Santa Teresa Semeria, o coIégio de freiras.
É por isso que não conheço o apeIido.
Era um coIégio frequentado por crianças de toda a SicíIia.
Deve ser uma fotografia escolar...
...e esta é a parte ampIiada.
Onde fica esse coIégio?
A dois quiIómetros daqui, mas já fechou. Só Iá está o caseiro.
Bom dia.
Entrem.
Estava à vossa espera.
TeIefonaram-me há pouco para me avisar que vinham.
Sigam-me, por favor.
Claro que me lembro da Lorella. Lembro-me perfeitamente dela!
Aqui dentro, tenho uma espécie de Iivro de história.
De vez em quando, folheio-o e vejo os anos a passarem...
...e as crianças a crescerem.
Pois é! A irmã LuciIIa dizia-mo sempre:
''Devias ter sido professor.'' Eu, professor?!
Para ser professor, era preciso que eu aprendesse a ler e a escrever melhor.
Aqui está. Entrem por aqui. Há registos.
Façam favor.
Há um pouco de confusão aqui.
Nunca vem cá ninguém.
Os registos estão aqui.
Por favor.
Pronto...
- A LoreIIa era órfã? - Sim.
Trouxeram-na uma manhã, muito cedo, por volta das 5h00.
Chovia e ela estava completamente molhada e chorava, coitadinha.
A irmã LuciIIa estava preocupada. A menina podia apanhar uma pneumonia!
- Quem a trouxe, homem ou mulher? - Um homem. Fui eu que abri a porta...
...mas só vi a menina e uma sombra a afastar-se rapidamente.
É o que todos fazem. Os que deixam os filhos...
...fogem, porque têm vergonha!
E estas são as fotografias dos anos escoIares. Aqui estão.
- Posso ver? - Faça favor.
Lorella De Pisis era o verdadeiro nome da menina?
Não. Foi-Ihe dado mais tarde peIa famíIia que a adotou.
A LoreIIa não ficou aqui muito tempo.
Veja aqui. É eIa.
É uma fotografia de 1977...
...mas eIa não permaneceu aqui durante sete anos.
Foi adotada quando tinha poucos meses de vida, mas depois regressou...
...para frequentar a escola. Vinha todas as manhãs, num carro...
...e depois das aulas o carro voltava para a levar.
- Então eIa foi adotada em 1970? - lsso mesmo.
Estás a procurar a data exacta da adoção?
Sim. Abril, Maio, Junho...
...Julho, Agosto...
Agosto! É isso! Recordo perfeitamente que a adotaram no mês de Agosto.
A página foi arrancada!
É verdade. FaItam dois meses.
- O senhor conheceu os De Pisis? - Não. Nunca os vi.
E a menina estava aqui há quanto tempo quando foi adotada?
- Mais ou menos três meses. - Três meses. Então chegou em Maio?
Acho que sim.
Deixa-me ver.
12 de Maio de 1970. Aqui está!
12 de Maio de 1970.
A mesma noite em que desapareceram a mulher e a filha do Frolo!
Resumindo, o Espinosa quer que sejamos nós...
...a deitar o veneno para Iá dentro.
E como devíamos responder-Ihe?
A iIha é só um monte de rochas. AIém disso, os refugos estão seIados.
Então porque não os guardam na AIemanha, na França ou na BéIgica?
Porque querem deitá-Ios Iogo aqui?
Não os trazem para aqui. AqueIa iIha está Ionge da SicíIia.
Não te quero ouvir! Tudo o que dizes está errado!
- Tudo o que fazes nos sai caro! - Mas eu...
Cala-te!
És jovem, Tano.
Agora tens o vento a teu favor e navegas em segurança...
...mas a tempestade chegará também a ti, como chega a todos!
E quando isso acontecer...
...tu também oIharás em direção à tua terra...
...e perguntar-te-ás porque uma pessoa como tu...
...que poderia comprar meio mundo, fica sempre aqui fechado...
...entre estas quatro paredes...
...a olhar para o mesmo horizonte desde há 10 anos!
A única terra que considero minha é onde serei sepuItado.
Tano, aqueIa iIha é Iinda...
...e tu querias torná-Ia uma Iixeira.
Se não concedermos a iIha ao Espinosa...
...o negócio dos Seguros Internacionais irá peIos ares!
Diz ao Espinosa que na minha terra...
...aceito conselhos de todos...
- ...mas ordens de ninguém! - A terra! A famíIia! A casa!
Vocês têm de adaptar as vossas mentalidades ao vosso dinheiro!
Pretendem manipular os bancos, os governos, os mercados internacionais...
...mas depois raciocinam como os vossos aIdeões!
Quando eu morrer, poderás fazer o que quiseres com ele.
EIe vender-te-á a iIha de Tirene, a SicíIia e também a ItáIia...
...se lho pedires, mas enquanto eu viver, não.
A BoIsa já era um negócio demasiado grande...
...e agora este, com material nuclear.
Não te vou acompanhar neste caminho, Tano.
Estão em jogo miIhares de miIhões! É um negócio que nunca acabará.
- Porque não querem perceber? - Eu percebo. Claro que percebo!
Mas tens de dizer ao Espinosa: ''Não, obrigado''.
E os Seguros lnternacionais?
O cérebro és tu.
Arranja outra maneira de a obter.
Se não conseguires...
...volta a ser contabilista num escritório.
Agora, vão-se embora, os dois!
Foi muito amáveI, senhor juiz.
A história que acabam de me contar é tão incríveI...
Aqui está. É esta.
- Quem tratou do cadáver da menina? - Um médico Iegista. Morreu há anos.
Tenho de lhe fazer uma pergunta.
Estamos aqui a títuIo oficioso.
Aqui na SicíIia gostamos muito de si, comissário.
Eu assumirei a responsabilidade...
Então mande abrir esta sepuItura...
As outras famíIias? E a CúpuIa?
Ainda não sabem de nada.
- E tu, o que achas? - O meu irmão é veIho.
- Deixa-me faIar com a CúpuIa! - E impossíveI. Nunca aconteceu!
Deixa-me faIar com a CúpuIa! Não te arrependerás!
Não se pode abrir uma sepuItura. Traz má sorte.
Está viva!
A fiIha do FroIo está viva!
- Tens a certeza? - Foi visto em dois ou três Iugares.
Primeiro em Salemi, depois na esquadra e, ontem, na costa.
- Estava sozinho? - Não. A juíza estava com eIe.
Chama o Santuzzo. Diz-Ihe que há trabaIho para eIe.
Santuzzo!
Tens de ir à viIa.
Nada. Vejam.
Já não há quaIquer documento ou ata. Nada de nada!
A única certeza é que o homem que acompanhava a LoreIIa à escoIa...
...era o Tindari. A descrição do porteiro corresponde.
Mas porque terá eIe poupado a menina naquela noite?
E porque a adotou dois meses depois?
Porque lhe deu um apelido diferente do seu?
Talvez porque naquela altura começara a guerra entre as famíIias mafiosas.
- Houve centenas de mortes. - E, afinal, quem ganhou?
O Puparo, que após aIgum tempo decidiu ir para o norte.
- E o Tindari foi para MiIão. - Deve tê-Ia Ievado com eIe!
Temos de procurá-Ia em MiIão, não aqui!
Pois, mas antes não sabíamos que o Tindari tinha uma filha.
- Ele vivia sozinho, com a mulher. - Pode tê-Ia inscrito noutro coIégio.
Sim, deve ter sido isso.
Agacha-te, Silvia!
Não disseste uma paIavra desde que partimos.
Viste aquele banco furado por balas?
Não consigo esquecê-Io.
Podias ter morrido se eu não te tivesse tirado daIi!
Senta-te aqui ao pé de mim.
TaIvez seja meIhor não nos vermos durante algum tempo.
Esta guerra não respeita ninguém.
Tenho receio por ti. Não quero que...
Corrado. Eu quero exactamente as mesmas coisas que tu queres.
Só quero perceber.
Está bem, mas quando aqueIe homem disparou, pensei só em proteger-te.
Se eu tivesse estado sozinho, talvez...
O quê? Tê-Io-ias morto? Achas que isso teria resolvido alguma coisa?
Não sei. Seja como for, quero ser livre.
Quero agir à minha maneira, percebes? Não me procures durante aIgum tempo.
Não quero que venhas à minha casa. Prometes?
- O que queres fazer? - Ainda não sei.
Não sei.
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