All language subtitles for Colosseum s01e08 The Pagan

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Original subtitles

Em nome do �nico Deus verdadeiro.

Em nome do �nico Deus verdadeiro.

Em nome do �nico Deus verdadeiro.

O que ele est� fazendo?

Parem ele!

O Coliseu � o imp�rio romano

destilando a ess�ncia b�sica ao m�ximo.

� um s�mbolo de conquista.

� um s�mbolo de dom�nio.

� um s�mbolo do poder imperial.

Irradiando por toda parte o mundo romano.

Agora.

Qualquer imperador tinha o Coliseu � sua disposi��o

para usar como ferramenta para reafirmar o poder e autoridade.

A mensagem ao povo romano

� que a vida � um combate.

Tamb�m foi uma advert�ncia judicial.

N�o teste o poder de Roma.

Era crime de pena de morte.

Se voc� vive pela espada...

Voc� morre pela espada.

Demonstra o poder do Coliseu.

Transformou escravos em her�is.

Subvertendo a estrutura de poder de Roma.

O Coliseu viria a simbolizar

a ascens�o e queda de Roma.

Est� tudo a�...

O sangue, a gl�ria, a magnific�ncia.

E as falhas que fizeram Roma

ser o maior imp�rio que a Europa j� viu.

Griots Team apresenta: S01E08

Tradu��o: khaleesi - Wuo Russi - Pierre - Trench21P

Revis�o: marck93

401 D.C. O Coliseu DE ROMA

401 d.C.

S�o mais de 300 anos desde os jogos inaugurais no Coliseu.

Roma e a arena mudaram.

Neste ponto, o Coliseu teria sido um lembrete triste

de uma era mais gloriosa.

Isso era reflexo do que estava acontecendo no imp�rio de Roma.

� agora uma nova era da hist�ria romana.

Roma n�o era mais o que era, Roma estava em decl�nio.

O imp�rio foi cercado por todos os lados

por invasores b�rbaros que sentiram a fraqueza de Roma.

Haviam sax�es no norte.

Haviam g�ticos ao longo da fronteira de Dan�bio.

Francos ao longo do Reno, persas no leste.

Roma estava sob amea�a.

O outrora invenc�vel ex�rcito romano,

lutaram para conter a mar� de inimigos em v�rias frentes.

Em 395 d.C., o pr�prio imp�rio � dividido em duas metades.

Nenhuma delas no centro de Roma.

Era grande demais para qualquer pessoa lidar.

Ent�o cada filho de Teod�sio governou uma metade do imp�rio.

O �ltimo homem a governar um imp�rio romano unido.

Arcadius de 16 anos governou de Constantinopla ao leste.

E Honorius de 15 anos governou de Mil�o ao oeste.

Eles s�o muito jovens

e s�o muito inexperientes.

E eles claramente n�o est�o � altura do trabalho.

Nenhum deles jamais visitou Roma.

Isso significa que a cidade que � o cora��o do imp�rio

est� � deriva.

Mas um homem quer reviver Roma.

Realizando os jogos mais luxuosos vistos no Coliseu.

Por muitos anos.

O nome dele � S�maco.

Isso � tudo para voc�.

Voc� � incr�vel, pai.

� um homem que foi altamente alfabetizado.

Que produziu muita escrita ao longo de sua vida.

E assim temos um bom registro de quem ele era.

Atrav�s das cartas que foram guardadas por seu filho M�mio,

que era devotado a seu pai.

Temos uma vis�o na vida deste homem

que estava desesperadamente

tentando preservar a Roma antiga.

S�maco era o l�der do senado.

Na falta do imperador em Roma, ele era a pessoa mais poderosa.

S�maco de v�rias maneiras � um retrocesso.

Algu�m que est� vinculado por tradi��o.

Ele quer manter a velha ordem.

E a rever�ncia para os velhos deuses.

Mas h� um novo deus em ascens�o.

No fim do s�culo IV d.C.,

Achamos que 50% da popula��o tinha se tornado crist�o.

At� os dois imperadores romanos agora s�o crist�os.

Para S�maco e seus apoiadores,

oferecer jogos na arena,

era uma oportunidade de acabar com essa nova religi�o.

S�maco e pessoas como ele teriam visto o Coliseu

e os jogos dentro dele como absolutamente essencial

� vida romana, � grandeza de Roma como uma cidade.

Para S�maco, religi�o era uma transa��o.

Se voc� recusa a manter jogos que honravam os deuses

e coisas ruins acontecem ao imp�rio romano,

era f�cil para tradicionalistas como o S�maco dizer:

"Para que Roma volte a ser pr�spera,

precisamos voltar aos antigos costumes."

Mas conter a influ�ncia do cristianismo fica dif�cil

conforme muitos senadores poderosos se convertem.

Os crist�os estavam ocupando o trono,

e um n�mero crescente de aristocratas da elite,

incluindo senadores romanos, tamb�m estavam se convertendo.

E logo, S�maco enfrenta uma amea�a

de um poder crist�o muito mais imprevisto.

395 D.C. SEIS ANOS ANTES

A jornada de S�maco come�a seis anos antes,

em sua casa de campo ao lado da cidade de Roma.

Onde encontrou isso, M�mio?

Nesta casa?

Alguma not�cia da guerra?

Quem ganhou?

� dif�cil de acompanhar.

Em que tempos vivemos...

H� outra pessoa, chamada Ol�brio,

que � mais novo do que S�maco

mas que tamb�m vem de uma fam�lia aristocrata.

A fam�lia dele decide se converter ao cristianismo.

Precisamos aceitar o mundo como ele �, Ol�brio.

Ent�o siga o seu conselho e aja como um bom crist�o.

Diga que � um de n�s.

Ningu�m se importa se voc� acredita ou n�o.

Sei que tem altas expectativas para o seu filho,

mas que chance ele tem com os crist�os no trono

e enchendo o senado?

O que voc� acredita de verdade � s� da sua conta.

Ent�o eu devo seguir o seu exemplo?

� a melhor solu��o para todos.

O n�mero de crist�os est� crescendo

e o n�mero de pessoas que est�o resistindo

diminui diariamente.

Eu n�o vou trair quem eu sou s� para me encaixar.

S�maco poderia ter se convertido ao cristianismo

e, com a maioria dos imperadores que ele lidava

e que eram crist�os, isso o teria ajudado,

ele poderia ficar � frente.

Por�m, ele resiste a isso porque parece estar

genuinamente comprometido aos deuses do passado.

O comprometimento se torna mais perigoso

conforme os crist�os ficam mais antipag�os.

A situa��o foi invertida dos crist�os serem perseguidos

para uma situa��o em que os imperadores crist�os

se moviam com cada vez mais for�a contra o paganismo.

Sob a lideran�a do imperador Teod�sio,

um conjunto de leis antipag�s � colocado em pr�tica.

Eles acabam com religi�es, rituais e feriados pag�os,

banem os sacrif�cios, fecham templos pag�os,

e retiram o financiamento deles.

399 d.C. DISTRITO DO COLISEU, ROMA

Logo, crist�os fan�ticos chegam a um extremismo destrutivo.

Era poss�vel ver as mudan�as nas ruas.

As pessoas estavam derrubando monumentos pag�os

que agora eram considerados como idolatria.

As est�tuas, por exemplo,

de deuses ou homens vistos como deuses,

foram retiradas, desfiguradas ou demolidas.

A cidade de Roma � cheia de est�tuas.

Elas decoram toda a frente do Coliseu.

E essas est�tuas s�o uma grande afronta aos crist�os,

porque elas violam dois mandamentos,

N�o far�s para ti nenhuma imagem esculpida

e n�o ter�s outros deuses al�m de mim.

A destrui��o dessas est�tuas

era uma forma de refazer a paisagem da cidade

para refletir as cren�as deles.

O Coliseu, por mais que fosse um espa�o de entretenimento,

tamb�m era, de alguma forma, um espa�o religioso.

Para os crist�os, era uma batalha com alto risco.

Eles passaram a agir como fan�ticos,

tornando-se extremistas.

Eles se tornam obcecados por destruir est�tuas.

N�o! N�o! Parem!

Parem! Parem!

Para algu�m como o S�maco,

ver uma horda crist� destruir uma est�tua

era uma afronta imensa

e era extremamente ofensivo aos tradicionalistas.

J� que as tens�es continuam a aumentar,

S�maco n�o pode mais ficar parado.

N�o!

S�maco lutou para proteger os monumentos pag�os de Roma

de crist�os fan�ticos.

N�o!

Recuem! Vamos! Recuem!

Esses crist�os vinham das classes mais baixas,

e achavam que seu momento havia chegado.

Foi terr�vel, para algu�m como S�maco, ver isso.

Porque ele viu,

na verdade, a religi�o romana como garantia de seguran�a.

Por�m, mais que est�tuas estavam em risco.

O Coliseu ficava vazio e sem uso,

por cerca de 90% do ano.

Era uma sombra do que havia sido.

O que fazemos neste velho lugar?

- Vamos embora. - Este velho lugar,

j� foi o cora��o de Roma.

Se quisermos restaurar a cidade que amamos,

tem que ser aqui.

Em 399 d.C., ele achou a oportunidade perfeita.

O filho de S�maco, Memio, foi designado

ao protetorado, uma posi��o de prest�gio

na cidade de Roma.

Sediar jogos comemorativos no Coliseu,

era agora privil�gio dos senadores romanos.

Mas poucos s�o ricos o bastante para pagar por eles.

S�maco era extremamente rico.

Rico de uma forma incompreens�vel.

Ele tinha propriedades rurais na Sic�lia e no norte da �frica,

e villas na regi�o de N�poles.

O ganho anual de S�maco era estimado

em 288 mil moedas de ouro.

Isso era cerca de uma tonelada e meia de ouro, por ano.

Mas era a chance dele.

N�o havia limite de gastos para celebrar

seu filho e o herdeiro dele.

S�maco tinha um ano

para organizar os jogos, mas ele teve obst�culos

como ningu�m antes havia tido.

Ele precisava decidir tr�s coisas: o local,

os participantes e as feras para que tudo fosse um sucesso.

Mas diferente dos dias de gl�ria do Coliseu,

ele teve muita dificuldade para escolher.

Tratava-se de uma opera��o com enorme log�stica.

A infraestrutura que atendia os jogos h� s�culos,

j� n�o existia quando S�maco organizou os seus jogos.

Havia uma grande dificuldade

em financiar a esp�cie de entretenimento capaz

de segurar a aten��o do povo romano.

Era mais dif�cil encontrar o necess�rio em 400 d.C.

do que na era de C�modo, dois s�culos antes.

Ainda mais dif�cil, em 399 d.C.,

o Imperador do Ocidente, Hon�rio,

fechou todas as escolas de gladiadores.

O fim das escolas de gladiadores era uma antiga ambi��o

dos bispos crist�os do Mediterr�neo Ocidental,

que viam esportes violentos como uma mancha cultural.

Embora o fim das escolas tenha sido dif�cil,

n�o havia ningu�m melhor para contornar a situa��o.

Se havia uma forma de entreter o povo romano,

S�maco a encontraria.

CENTRO DO EX�RCITO ROMANO ROMA

Ele come�ou com o comandante do ex�rcito romano,

Estilic�o.

Ele era, em parte, b�rbaro.

Seu pai era um oficial da cavalaria v�ndala,

mas ele tamb�m era muito bem relacionado.

Era casado com a sobrinha do imperador.

Como tal, ele estava t�o dentro da vida na corte,

que foi designado guardi�o do jovem imperador, Hon�rio.

Estilic�o era excelente no campo de batalha

e um general brilhante.

Ele era, literalmente,

respons�vel por manter o imp�rio ocidental de p�.

A amizade de S�maco com ele,

era um canal pelo qual S�maco pode pedir coisas de todo tipo.

Vejo que ainda sabe lutar.

Eu pratico sempre.

Mas voc� n�o est� aqui para me recrutar para os jogos.

O imperador, com sua sabedoria,

ou algu�m pr�ximo a ele,

fechou todas as escolas de gladiadores.

Qualquer homem forte que eu achar, levarei ao norte.

Voc� sabe que eu n�o chamaria seus homens, Estilic�o.

Mas prisioneiros?

N�o temos muitos por causa da falta de recursos.

Verei o que posso fazer.

Obrigado, meu velho amigo.

N�s sabemos disso porque temos as cartas que S�maco

escreveu para Estilic�o em que ele pede para que

prisioneiros sejam enviados para lutar e morrer

para entreter a multid�o.

S�maco estava fazendo tudo o que podia

para realizar esses jogos.

Estilic�o logo marcha com suas tropas para o norte.

Para confrontar um ex�rcito Visig�tico.

Cujo l�der Alaric est� pressionando a fronteira

da p�tria italiana.

Enquanto isso, em Roma, outro inimigo surge, a fome.

Os recursos do imp�rio romano est�o espalhados

defendendo as fronteiras de hordas

de b�rbaros saqueadores.

Qualquer interrup��o no fornecimento de comida

era uma enorme amea�a � pr�pria sobreviv�ncia da cidade de Roma.

Dezenas de milhares de pessoas poderiam morrer de fome.

Com a guerra se espalhando por todo o Mediterr�neo

a fome em Roma � agora um fator da vida.

E quando pessoas passam fome obviamente ficam irritadas.

Ficam com raiva.

Procuram pessoas para culpar.

O imenso investimento de S�maco

em colocar os grandes jogos em um momento que o imp�rio

estava sob press�o de todos os lados

e a fome assolava a terra,

parece um conjunto estranho de prioridades

gastar o dinheiro com isso em vez de alimentar os romanos.

N�o h� nada como a aus�ncia de comida

para destacar as desigualdades entre os que t�m

e os que n�o t�m.

As coisas come�am a mudar e se tornam

como uma caixa de p�lvora.

S�maco est� em um ponto destacado

pela multid�o da cidade.

Porque ele � um cidad�o proeminente,

mas tamb�m porque continua sendo um pag�o

em uma cidade cada vez mais crist�.

Para S�maco, est� come�ando a ficar feio.

Com sua posi��o amea�ada, ele deve lembrar aos romanos

que est� do lado deles antes que seja tarde demais.

400 D.C. NORTE DA EUROPA

Apesar da agita��o, na linha de frente o general Estilic�o

est� tentando encontrar prisioneiros adequados

para lutar por S�maco na arena.

Espada.

Prisioneiros de guerra pertenciam ao general

que capturou eles.

�s vezes eram executados no local.

Muitas vezes eram vendidos como escravos.

Levante-se.

�s vezes prisioneiros podiam ser enviados de volta

para Roma para lutar e morrer no Coliseu.

Bom.

Pode lutar.

Levante-se.

Sabemos pelas cartas que S�maco consegue

um grupo de prisioneiros de guerra sax�es

para serem gladiadores nos seus jogos.

Levante-se.

Sax�es s�o lutadores renomados, ele pensa: "Isso � fant�stico",

"Vamos traz�-los e eles podem ser",

"Minha for�a de combate de elite".

Envie os que selecionei de volta para Roma.

Certifique-se que o senador S�maco os receba.

Ele tem esperan�a sobre esses guerreiros.

Execute o resto.

Al�m de gladiadores,

ele tamb�m precisa de animais para as ca�adas,

mas encontr�-los ser� um desafio.

Est�o ficando sem animais selvagens.

Os habitats desapareceram.

Foram ca�ados at� quase a extin��o.

E se tornaram incrivelmente caros.

Por exemplo, sabemos que um le�o poderia custar

at� 600 mil sest�rcios, o que � mais de um milh�o de d�lares

nos dias atuais.

Mesmo S�maco sendo muito rico,

estamos falando de valores absurdos.

Ele escreve para seus contatos solicitando c�es-lobo

da Gr�-Bretanha, ursos dos B�lc�s,

crocodilos do Nilo, cavalos da Espanha,

e da �frica, ant�lopes, gazelas, leopardos e le�es.

� bastante claro, pelas cartas de S�maco,

que est� tentando aproveitar os recursos...

Como existiam... Do imp�rio inteiro.

Ele escreve para todos os tipos de pessoas influentes,

estadistas, governadores locais,

e se n�o respondem, ele continua escrevendo.

Para ajudar a fechar o neg�cio, S�maco presenteia-os.

Pessoas que viviam naquele escal�o da sociedade romana.

Tinham que ser muito generosos com sua riqueza.

Tinham que presentear, fazer doa��es.

Era parte do trabalho.

Presentes nunca deram errado ao tentar convencer pessoas

para fazer o que S�maco queria que fizessem.

Temos que imagin�-lo fazendo tudo que pode.

Pedindo favores, persuadindo, subornando,

enviando presentes, tentando que pessoas forne�am coisas

que ele precisa para realizar os jogos.

S�maco tem que gastar uma fortuna.

S�o valores chocantes

para as pessoas atuais que ele gastaria

esse tanto de dinheiro para jogos.

Ele pode ter gastado algo como uma tonelada de ouro,

Em d�lares atuais, 40 milh�es para dar uma festa.

O suficiente para alimentar 20 mil fam�lias por um ano.

Para S�maco, este � um jogo de tudo ou nada.

Mesmo para algu�m t�o rico quanto ele.

Iria ser uma quantia enorme.

S�maco viu nos �ltimos 25 anos

sua influ�ncia pol�tica diminuindo.

E sentiu que seu pr�prio poder e influ�ncia pessoal

estavam se esvaindo, ent�o este foi um grande risco.

Iria usar esses jogos n�o apenas para lembrar os romanos

do pr�prio passado, mas tamb�m para afirmar

sua pr�pria superioridade familiar.

Ent�o ele realmente precisa que os jogos

tenham sucesso, especialmente se quiser ter

um futuro pol�tico em Roma.

Acha mesmo que vai funcionar?

Meu filho, um grande conjunto de jogos vai reviver a cidade.

E trazer � fam�lia que os apresentou a imortalidade.

Mesmo que funcione, vale a pena perder nossa fortuna?

A tarefa final � restaurar o Coliseu em si.

Um terremoto e um inc�ndio no s�culo III.

Seguido por d�cadas de neglig�ncia, tiveram seu pre�o.

Foi tamb�m um resultado da mudan�a dos imperadores

da cidade de Roma para o norte da It�lia.

N�o era mais um objeto de riqueza

e patroc�nio que os imperadores eram capazes

de trazer para suport�-la.

Estava se tornando abandonada e subutilizada.

Roma nesse per�odo estava quase

irreconhec�vel da forma que era no seu pico.

Eles n�o t�m dinheiro

para trocar a infraestrutura, e � um per�odo bem sombrio.

V�rias coisas foram arrancadas.

Muitas das pedras e rochas foram levadas

para construir pr�dios em outros lugares.

Ent�o ele tem que fazer muitas reformas no Coliseu.

Antes mesmo de realizar qualquer jogo l�,

e � um empreendimento enorme.

� uma constru��o enorme.

Para S�maco, o Coliseu ainda � um s�mbolo poderoso.

Manter o Coliseu intacto era uma maneira importante

de S�maco e os outros patr�cios manterem a imagem de Roma.

Temos um problema.

Agora apenas algumas semanas antes do primeiro dia de jogos,

S�maco enfrenta um contratempo devastador.

Disseram que n�o comeram na jornada at� aqui.

Crocodilos eg�pcios morreram de fome.

E os ursos?

Os 300 ursos?

Temos tr�s, todos filhotes.

� necess�ria uma infraestrutura inteira

para realizar os jogos, conseguir os animais,

transport�-los para Roma, mant�-los vivos.

Sob as tens�es do quarto e quinto s�culo.

Acabaram desaparecendo.

Mas S�maco de alguma forma, consegue animais suficientes

para prosseguir com os jogos.

Os prisioneiros sax�es tamb�m chegam.

S�maco olhando para os sax�es

pensa: "esses s�o perfeitos para o meu Coliseu como alimento."

S�o como feras selvagens. S�o como objetos.

Isso � tudo que ele precisa

para os jogos dram�ticos na arena.

Mas os prisioneiros se recusam a agir como ele espera.

O que est� acontecendo?

De p�, agora.

Eu disse levante-se.

Lute.

Lute!

Por que n�o est�o lutando?

Talvez n�o vejam motivo.

Ele precisa desses sax�es, pessoas com essa reputa��o,

prisioneiros de guerra que poderiam servir como lutadores

e morrer para entreter a multid�o.

Se lutarem por mim,

prometo que ser�o recompensados.

Generosamente.

Levantem-se.

Apesar dos desafios, o dia que S�maco

esperava se aproxima.

Mas nem todo mundo em Roma est� animado.

Os crist�os radicais queriam erradicar

e acabar com os jogos de gladiadores,

n�o apenas porque eram cheias

de religi�o que eles n�o concordavam,

mas tamb�m porque eram uma exalta��o � viol�ncia.

Esses homens sentiram h� tempos que o esporte sangrento,

a morte como entretenimento,

era uma mancha para a religi�o das pessoas

e uma afronta aos valores crist�os.

Mas a popularidade dos jogos se manteve

com o povo crist�o

que at� iam � missa antes de verem os jogos � tarde.

401 D.C. DIA DE ABERTURA DOS JOGOS

Para S�maco, o dia da abertura dos jogos

� o auge de tudo o que ele fez durante muito tempo.

Para ele, essa � a tentativa de voltar no tempo

e honrar os deuses da forma que ele conseguir

e retomar um pouco da prosperidade de Roma tamb�m.

Povo de Roma!

� uma honra apresentar o nosso maior prefeito de Roma,

S�maco M�mio!

Tudo isso � para voc�.

Voc� � incr�vel, pai.

No dia da abertura, quando S�maco olhou ao redor,

havia mais do que um pouco de anima��o.

De alguma forma, o Coliseu parecia a Roma antiga.

Posso imagin�-lo sentado l� com um sentimento de orgulho

por tudo o que ele conquistou,

mas por dentro, um inc�modo consciente dizendo:

"este � um mundo que est� chegando ao fim".

Tais medos logo se provaram verdadeiros.

As coisas d�o muito errado para os lutadores sax�es.

Os jogos de S�maco finalmente come�am.

Mas, conforme o jogo segue,

seus guerreiros sax�es decidem escolher o pr�prio destino.

Ningu�m estava vigiando os guerreiros sax�es,

e eles se aproveitaram do momento.

Ao inv�s de se submeterem � indignidade e terror,

de lutarem como gladiadores, os sax�es se mataram.

S�maco ficou furioso.

Ele perdeu a sua for�a de combate de elite.

S�maco n�o sentia nada al�m de desprezo pelos sax�es,

ele os chamava de bando de escravos

mais in�teis do que os espartanos.

O que �, da perspectiva de um romano de elite,

a pior coisa que poderia ser dita.

Ent�o esse momento � bastante emblem�tico

para mostrar o que est� acontecendo no imp�rio.

N�o � nada.

Se voc� n�o consegue for�ar prisioneiros de guerra

a lutar e morrer por voc�, ent�o o que � o imp�rio romano?

Isso � algo que era feito h� s�culos.

N�o ser capaz de for�ar esse grupo

a lutar e morrer na arena

diz muito sobre a decad�ncia do poder romano.

Apesar de perder os sax�es, os jogos n�o pararam.

At� senadores crist�os compareceram.

A simples ideia de apresentar os jogos

era desconfort�vel para os senadores crist�os,

mas n�o era algo que eles achavam que n�o deveria ter.

N�o h� d�vidas de que os senadores crist�os

participavam dos jogos de S�maco,

porque, mais do que tudo,

ele � um evento enorme para a elite romana

e apesar de alguns membros da elite permanecerem pag�os,

outros se converteram ao cristianismo.

O que os unia mais do que a f�

era o fato de serem membros da elite romana.

Por�m, uma segunda surpresa desagrad�vel aparece.

O nome dele � Tel�maco, um monge fan�tico,

que se op�e ferozmente aos velhos costumes de Roma.

Ele � um monge asc�tico oriental,

que renunciou a todos os prazeres mundanos

em sua busca pelo Deus crist�o.

Ele vem do oriente � Roma

e, por isso, v� com maus olhos

as coisas que aconteciam no Coliseu.

Ele quer que aquela vis�o de mundo chegue ao fim.

Ele � o oposto de um romano que busca prazer.

Em nome do �nico e verdadeiro Deus!

Ele estava indo de encontro aos poderes que dominavam Roma,

e suas cren�as estavam em total desacordo com as cren�as pag�s.

Em nome do �nico e verdadeiro Deus!

O que ele est� fazendo?

Para ele, o que acontecia naquele anfiteatro

precisava acabar.

Parem-no!

Ele quer acabar com os jogos.

Em nome do �nico e verdadeiro Deus, parem!

Parem!

Isso � contra os ensinamentos de Deus.

Tirem-no daqui agora!

Saiam ou enfrentem a f�ria Dele.

O que Tel�maco fez era in�dito e chocante.

Era realmente a primeira vez em cerca de 600 anos

que algu�m tentou impedir uma luta de gladiadores.

Em qualquer evento de derramamento de sangue,

a plateia espera viol�ncia.

O derramamento de sangue deixava a plateia extasiada.

O povo de Roma sempre explodia em viol�ncia.

A multid�o ficou t�o indignada,

por ter seu entretenimento interrompido,

que atiraram pedras em Tel�maco.

Nosso senhor,

o �nico Deus verdadeiro, me proteja.

Ap�s anos de prepara��o,

S�maco enfrenta um desastre.

Seus jogos luxuosos

s�o interrompidos por um crist�o,

apedrejado at� a morte.

Ter um monge crist�o entrando e atrapalhando o jogo

� como romper a fina linha cultural

que divide as pessoas no cora��o de Roma.

Se S�maco estivesse tentando reviver

os valores tradicionais de Roma,

ent�o � um fracasso completo.

A sociedade romana havia mudado.

Not�cias sobre a morte de Tel�maco no Coliseu

chega ao imperador em Mil�o.

Horrorizado com a viol�ncia,

ele ordena proibi��o total da luta de gladiadores

em todo o imp�rio.

As coisas nunca mais seriam as mesmas.

Ningu�m jamais gastaria tanto dinheiro quanto S�maco.

Ningu�m jamais voltaria no tempo

para tornar Roma o centro do universo novamente.

404 D.C. COLINA C�LIO, ROMA

Esmagado pelo fracasso de seus jogos,

S�maco se retira para sua case de veraneio.

E no inverno de 402 d.C., ele adoece.

Pai,

voc� deve descansar.

M�mio, estou bem.

Continue seu trabalho, filho.

Este � o meu legado.

S�maco � o �ltimo de sua esp�cie,

o �ltimo de sua ra�a.

Ele � uma figura um pouco tr�gica

para n�s que temos simpatia pela gl�ria que era Roma.

S�maco morreu menos de um ano depois de seus jogos.

Sua �ltima carta � para Estilic�o

se queixando de n�o ter se recuperado da doen�a.

Talvez ele tenha morrido em desgra�a.

As batalhas que ele trava ao longo de sua vida

em nome do passado pag�o de Roma,

simboliza a virada da guarda, a mudan�a de uma era.

Logo ap�s,

as fronteiras do imp�rio romano ocidental colapsam,

em 408 d.C.

Estilic�o � decapitado por ordem do imperador Hon�rio

durante um expurgo sangrento do ex�rcito.

Dois anos depois,

Roma � saqueada pelos ex�rcitos visig�ticos

comandados por seu inimigo, Alarico.

Finalmente, em 476,

o �ltimo imperador romano ocidental

� deposto.

Um s�culo ap�s os jogos de S�maco,

Roma encolheu para um d�cimo do tamanho que tinha.

Talvez 100 mil pessoas viviam em Roma em vez de um milh�o.

A cidade estaria cheia de pr�dios em ru�nas,

com ervas daninhas crescendo nas ruas.

Era um escombro do seu antigo eu.

N�o existe Coliseu sem um imp�rio para sustent�-lo,

para trazer riqueza,

e a rede de suprimentos para faz�-lo funcionar.

Quando todas essas coisas acabam,

n�o tem por que o Coliseu existir.

O grande intelectual crist�o, Vener�vel Beda, disse:

"Enquanto o Coliseu existir, Roma tamb�m existir�,

quando o Coliseu cair, Roma tamb�m cair�,

e quando Roma cair, o mundo inteiro cair�".

O Coliseu est� abandonado.

Torna-se uma ru�na

e, mais tarde, uma pedreira.

No per�odo medieval,

enquanto reconstru�am uma Roma crist�,

tiravam pedras do Coliseu e usavam-nas para constru��o,

como a Bas�lica de S�o Pedro, no Vaticano.

� ir�nico que este lugar, que sempre foi pag�o,

acabe por se tornar o cora��o da f� crist�.

Ficar cara a cara com o Coliseu, atualmente,

� confrontar

algumas das nossas emo��es mais complexas

sobre o antigo imp�rio.

Por um lado, � realmente muit�ssimo bonito.

Mas a� voc� se lembra o que fizeram l� dentro.

Constru�da por escravos,

representa a sede de sangue,

a decad�ncia, a viol�ncia, a gl�ria e a deprava��o

do imp�rio romano.

O Coliseu � o lugar onde os romanos eram romanos.

Quando viam prisioneiros de guerra,

quando viam a execu��o de criminosos,

quando viam animais ex�ticos,

quando viam gladiadores lutando para seu entretenimento.

Isso os definia como um povo

em termos de sangue, viol�ncia e poder.

Todas essas coisas estavam no cora��o

de como o imp�rio romano foi constru�do e como perdurou.

O Coliseu nos conta muito sobre os romanos.

Nos mostra a import�ncia de um monumento,

de prest�gio, de impon�ncia.

Isso nos fala sobre seu amor pela escala, a vis�o.

E todas essas coisas s�o representadas

neste magn�fico edif�cio que existe at� hoje.

Legende conosco: griotsteam.weebly.com

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