All language subtitles for Colosseum s01e07 The Emperor

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Original subtitles

Isso � loucura.

Voc� n�o � escravo.

Voc� n�o � prisioneiro.

Por favor, reconsidere.

Cuidado com o que fala.

Lutando a seguir na arena

Lucius

Aurelius

C�modo,

o imperador de Roma.

O Coliseu � o imp�rio romano

em sua ess�ncia mais b�sica.

� um s�mbolo de conquista.

� um s�mbolo de domin�ncia.

� um s�mbolo do poder imperial

irradiando no mundo romano.

Agora.

Todo imperador tinha o Coliseu ao seu dispor

como ferramenta para afirmar seu poder e autoridade.

A mensagem para o povo romano

� que a vida � um combate.

� tamb�m um aviso.

N�o teste o poder de Roma.

Era um crime de pena de morte.

Se voc� vive pela espada,

Voc� morre pela espada.

Demonstra o poder do Coliseu

transforma escravos em her�is,

mostrando o sistema de poder de Roma.

O Coliseu simbolizar�

a ascens�o e queda de Roma.

Est� tudo l�.

O sangue, a gl�ria, a grandiosidade,

e as falhas que fizeram de Roma

o maior imp�rio que a Europa j� viu.

Griots Team apresenta: S01E07

Tradu��o: Maflew - Wuo LeChatNoir - Russi - Trench21P

Revis�o: marck93

192 D.C ROMA

GRANDES JOGOS DE COMMODUS

Em 192 d.C.,

o Coliseu completou um s�culo.

O imperador C�modo tem uma surpresa.

Ele � a luta principal, lutando como gladiador.

Gladiadores eram o n�vel legal mais baixo de romanos livres.

N�o tinham personalidade jur�dica.

Estavam na categoria de prostitutas e cafet�es.

Ent�o para um imperador romano

tentar alavancar a popularidade dos gladiadores

� chocante.

Para C�modo, o Coliseu se tornou uma obsess�o.

Um lugar que se tornaria fundamental

para sua ascens�o e queda.

Depois de herdar um grande e poderoso imp�rio

do seu pai, o grande Marco Aur�lio,

C�modo est� em desacordo com a classe dominante de Roma.

O senado.

Os senadores s�o

o grupo de pessoas mais poderosas,

a encarna��o da elite de Roma.

O senado sempre seria o ponto de oposi��o.

A elite tinha vergonha das a��es de C�modo.

Para eles lutar como um gladiador

era se rebaixar por vontade pr�pria.

Esse foi o �pice de uma rela��o que j� n�o ia bem

entre as duas for�as mais poderosas de Roma.

O imperador e o senado.

N�s sabemos muito sobre C�modo

por conta do historiador Cassius Dio.

Ele foi um senador romano.

Infelizmente para C�modo, Cassius Dio

foi um dos seus inimigos mortais no senado.

O imperador e o senado estavam

em um inevit�vel conflito.

Um que come�ou longe

das multid�es adoradoras do Coliseu.

Sob seu pai, Marco Aur�lio, em 166 d.C.,

Roma � abalada por uma invas�o de b�rbaros germ�nicos

na fronteira norte,

dando in�cio �s guerras marcomanas.

Essa foi a primeira vez em s�culos

que um invasor entrou

no cora��o do imp�rio romano.

Eu acho que uma no��o da import�ncia dessa crise

� que Marco Aur�lio vai pessoalmente

liderar as tropas em batalha

e ele leva seu jovem filho e herdeiro junto.

177 D.C.

Em 177 d.C.

C�modo passou 5 anos nas linhas de frente

com seu pai defendendo Roma.

A cultura militar de Roma � diferente da cultura civil.

Quando algu�m se torna soldado

eles s�o removidos da sociedade

por muitos anos.

Por C�modo ser exposto a esse mundo militar ainda novo

foi uma experiencia formativa para ele.

Mas o interesse de C�modo em lutar

n�o foi somente no campo de batalha.

Ele ficou mais interessado pelo combate de gladiadores,

uma paix�o que se entrega mesmo fora da guerra.

Quando eles capturavam qualquer prisioneiro,

eles os faziam lutar.

N�o havia nada para os prisioneiros

al�m de executa-los, ent�o por que n�o aproveitar?

Talvez soldados, que j� estavam acostumados a ver sangue

queriam ver algo mais extremo.

Eram como boxe sem luvas,

cheio de viol�ncia e sangue.

Soldados, quando for�avam os prisioneiros a lutar at� a morte

gostavam de assistir eles serem decapitados.

Talvez isso seja algo que o C�modo viu.

Talvez ele tenha gostado disso.

� dif�cil imaginar um contraste maior

entre C�modo e seu pai.

Pare.

Marco Aur�lio era um fil�sofo estoico.

Para ele, a vida servia para o desenvolvimento pessoal.

Para ele, a ideia desse tipo de combate de gladiadores

n�o era moralmente edificante para o povo de Roma.

Marco Aur�lio deveria saber dos defeitos de car�ter

que iriam atormentar C�modo anos mais tarde.

C�modo era bem diferente do pai dele,

porque ele tomou a dire��o totalmente oposta do pai,

que apreciava o sangue e a viol�ncia da arena.

Apesar da apreens�o,

Marco Aur�lio toma uma decis�o ousada.

Em 177, Marco Aur�lio decide nomear o seu filho

como coimperador e herdeiro do trono.

Uma das perguntas que os historiadores se fazem

� de como algu�m t�o s�bio quanto Marco Aur�lio

escolheu o seu filho?

Marco Aur�lio descobriu que C�modo

era uma pessoa com defeitos, mimada e tola.

Os imperadores que existiram antes de Marco Aur�lio

n�o tiveram filhos,

ent�o n�o tiveram que decidir o que fazer com o filho.

S� escolheram a melhor pessoa para ser o imperador.

Na antiguidade, o parto era muito �rduo,

e havia uma taxa alt�ssima de mortalidade.

Al�m disso, os romanos usavam uma grande quantidade de chumbo

para ado�ar o vinho, o que causava a esterilidade.

Marco � o primeiro imperador desde Vespasiano

a ter um filho biol�gico, o C�modo.

180 d.C. GERM�NIA, LINHA DE FRENTE

Tr�s anos ap�s nomear C�modo como coimperador,

e herdeiro direto, Marco Aur�lio fica doente.

- Agora jogamos de novo. - C�sar. C�sar.

- O qu�? - � o seu pai. Chegou a hora.

Ou�a...

Para o senado...

Experi�ncia...

� sabedoria.

No dia 17 de mar�o de 180,

Marco Aur�lio morre.

Possivelmente da praga que acometeu seu ex�rcito.

Ele � sucedido pelo seu filho de 18 anos, C�modo,

que encara o fardo de acabar com essa guerra de 14 anos

que consumiu o reinado do seu pai.

C�modo se torna o homem mais poderoso do imp�rio romano

e n�o demora muito para ele mostrar

que aquele seria um reinado bem diferente do seu pai.

C�modo se tornou um dos piores imperadores

da hist�ria do imp�rio romano.

Se voc� buscar pela linha divis�ria

entre a gl�ria de Roma e seu longo decl�nio,

C�modo � essa linha.

O pr�ximo passo de C�modo choca todo o imp�rio.

180 d.C. GERM�NIA, LINHA DE FRENTE

Ap�s a morte de seu pai,

o novo imperador C�modo teve uma ideia diferente

de como lidar com a guerra.

C�sar, para onde est� indo?

Para bem longe daqui.

Estou indo para Roma.

C�modo n�o quer ficar no frio e na lama

lutando e acampando em uma tenda.

Ele quer voltar para Roma, para o luxo,

desfrutando a vida de imperador.

Ao inv�s de continuar a guerra com os germ�nios at� o fim,

que, para os romanos, teria que ser uma vit�ria,

C�modo decidiu fazer as pazes com eles.

Foi uma grande mudan�a.

pois, na cabe�a dos romanos, eles n�o faziam as pazes.

Eles ganhavam.

C�modo pode ter pensado

que fazer as pazes com os b�rbaros resolveria tudo,

mas a hist�ria nos mostra que foi o contr�rio.

Ele os permite ficar onde hoje � a Hungria,

antes chamada de Pannonia, que era parte do imp�rio.

Ningu�m em s� consci�ncia

teria feito o acordo que C�modo fez com os b�rbaros.

ROMA

Quase imediatamente,

a rela��o entre C�modo e o senado come�a mal.

H� uma barreira entre eles desde o in�cio.

N�s est�vamos em guerra!

E agora n�o estamos mais, C�ssio.

Voc� colocou Roma em perigo.

Diga-me,

como a paz pode ser mais perigosa do que a guerra?

Para o senado, isso s� trar� mais problemas,

pois eles sabem que essas tribos voltar�o no futuro,

gerando uma amea�a ainda maior.

Termine de assinar isso para mim, Cleander.

Cassius Dio trata os assuntos internos do imp�rio

de forma sigilosa.

Ele � pr�ximo do imperador

portanto, seus estudos e observa��es.

Os escritos dele s�o uma incr�vel fonte

de conhecimento sobre C�modo.

Cassius Dio escreveu a hist�ria de Roma em 80 volumes.

Isso fornece um contexto

para as frusta��es do senado com C�modo.

Desde sua funda��o em 753 a.C.

E pelos pr�ximos 700 anos,

Roma foi um imp�rio sem imperador.

De volta aos dias de rep�blica, o senado estava no controle.

Faziam as leis, organizavam campanhas militares,

e tamb�m controlavam as finan�as.

O senado era, de longe, o mais poderoso corpo do imp�rio.

Mas tudo mudou quando J�lio C�sar deu um golpe em 49 a.C.

E se tornou ditador de Roma.

Esse � o in�cio da idade dos imperadores de Roma.

Mas mesmo com os imperadores, o senado ainda negociava bem.

Eles eram um importante intermedi�rio

entre o imperador e os romanos.

Era muito importante o imperador

ter os senadores ao seu lado.

Todas essas fam�lias de senadores

tinham posses em todo o imp�rio.

Equivaliam a pequenas corpora��es multinacionais.

Eram ricos de uma forma imposs�vel de entender.

Ent�o mesmo se o cora��o do poder pol�tico

fosse a outro lugar, ainda haveriam pessoas importantes.

E ent�o o senado � perigoso.

Muitos imperadores foram anteriormente

destru�dos por seus inimigos no senado,

incluindo os not�rios l�deres

Cal�gula, Nero, e Domiciano.

A hist�ria dos imperadores romanos

mostra que � muito perigoso irritar o senado.

Mas C�modo tinha um plano, e era realmente ignorar o senado

e apelar diretamente ao povo.

Para ganh�-los,

C�modo tinha uma incr�vel ferramenta � disposi��o.

Ele tinha os jogos.

Em menos de um ano de reinado, C�modo tinha jogos luxuosos

para celebrar o fim das guerras b�rbaras de seu pai.

Por ser um evento t�o importante,

a fam�lia imperial, assim como sua irm� Lucila

estaria l�, e claro, o pr�prio senado.

Ent�o seriam testemunhas desse evento.

Para o senado, isso foi entendido como uma piada.

Jogos de triunfo come�aram com o fim das grandes guerras.

Lutadas por muitos anos,

guerras que estabeleceram o poder de Roma.

Isso era o oposto disso, e ainda assim exibia a si mesmo

como um tipo de general vitorioso.

Mas n�o � o senado

que C�modo est� tentando impressionar.

Imperadores podiam se comunicar com pessoas no Coliseu.

Naqueles dias, n�o se via tanto o imperador.

Exceto nos triunfos ap�s grandes vit�rias no exterior.

E no Coliseu, onde ele aparecia em sua caixa

e a multid�o tinha uma chance

de expressar o que pensava dele tamb�m.

O Coliseu adotava uma rela��o de atividade din�mica

entre pessoas e o imperador.

E � poss�vel imaginar milhares de pessoas

dizendo o que querem,

encorajando o imperador no que ele faz,

em patrocinar e ser generoso.

E montar um espet�culo para eles.

Era tipo um contrato.

Lhes dou esses jogos

e precisam me honrar.

E os jogos eram para isso.

Ele � incrivelmente inteligente.

Porque criou o palco perfeito

para construir sua popularidade.

Juvenal, o escritor romano,

resumiu como o imperador

devia ganhar o apoio das pessoas.

Juvenal famosamente chamou isso de p�o e circo

tudo que um imperador precisava para liderar romanos.

O p�o era uma refer�ncia para

o subs�dio romano oficial

ou doa��o de trigo.

Al�m de mant�-los cheios,

era preciso jogos que refreassem sua aten��o

dos problemas di�rios.

A famosa afirma��o de Karl Marx

sobre religi�o como o �pio do povo.

Bem, os circos eram o �pio das massas no per�odo romano.

Enquanto imperadores anteriores

s� faziam jogos para marcar conquistas importantes,

C�modo fazia movimentos sem precedentes.

Fazia jogos quase cont�nuos.

Para solidificar sua rela��o com as pessoas.

C�sar! C�sar! C�sar!

Ouviu isso, Cassius? As pessoas me amam.

Mas estamos endividados.

Encontrarei o dinheiro.

H� muitas pessoas em Roma que dariam alegremente

para a gl�ria do imp�rio.

Cada dia de jogos

custa muito dinheiro.

Precisava financiar a importa��o do que �s vezes eram

milhares de animais selvagens.

Deve contratar gladiadores,

alguns deles eram extremamente caros.

Nos termos de hoje, falamos de um evento

que custaria milh�es de d�lares por dia,

e esses jogos podiam durar meses.

O custo dos jogos era inacredit�vel.

Mas C�modo tinha um plano para pagar os jogos.

C�modo direcionava sua aten��o para os 1%,

da classe senadora, e ele imp�e uma nova taxa

a eles para financiar os jogos no Coliseu.

Era um jeito de reduzir o poder do inimigo.

E dar a si mesmo mais dinheiro

para se fazer mais popular com as pessoas.

Para C�modo, era uma situa��o boa para todos.

O senado n�o aceitaria isso facilmente.

Quando vessem que seus pr�prios interesses

eram amea�ados, eles revidariam.

Na perspectiva do senado,

C�modo se tornava uma amea�a real.

Era suficiente para levar-lhes a agir.

� preciso lidar com C�modo.

182 D.C. ROMA.

Nos primeiros dias do reinado de C�modo

houve um atentado a sua vida.

Quem o mandou?

Quem o mandou?

Mais tarde descobre que sua pr�pria irm�, Lucila,

estava envolvida e tamb�m alguns dos senadores.

A ideia aparentemente era que ela podia substituir

seu marido e eliminar seu irm�o

para liberar o caminho do marido.

Traga-me a cabe�a dele.

N�o havia possibilidade de um atentado

ao imperador n�o incluir o senado.

O viam como um perigo, como algu�m

que devia ter sido resolvido h� um tempo,

e tentariam o melhor para faz�-lo.

Suas rela��es com o senado sempre foram tensas,

agora viraram intoler�veis.

� justo dizer que qualquer apar�ncia de pessoa normal

que havia em C�modo acabou

no momento que a trama do assassinato se revelou.

Como ousam?

Ele j� era muito inst�vel.

Uma pessoa violenta e cruel.

E isso validava seu comportamento.

E o levaram a um estado mental deplor�vel.

E �quela altura ele estava pronto para vingan�a.

Buscando ajuda, C�modo se volta para

sua unidade imperial de elite do ex�rcito romano,

a guarda pretoriana.

Como ele queria se livrar de todos que estivessem envolvidos

na tentativa de assassinato era �til usar a guarda pretoriana.

Eram essencialmente mercen�rios que protegiam o imperador.

E estavam l� para servir.

As pessoas e os senadores os temiam,

e estavam certos nisso.

A guarda pretoriana por lei era a �nica for�a

que podia carregar armas pesadas

no sagrado cora��o de Roma.

Eram lutadores muito habilidosos,

e ferozmente leais ao imperador.

C�modo desencadeou uma pequena

vingan�a sangrenta no senado.

Qualquer um que suspeitasse envolvimento,

que estivesse envolvido e fosse alguma amea�a a ele,

na sua vis�o, devia cair.

A guarda pretoriana acompanhava senadores.

E sistematicamente torturava cada um deles.

At� o ponto em que dessem mais nomes.

A teia ficava cada vez maior.

Grande parte da classe pol�tica de Roma � destru�da.

E claro, um dos efeitos colaterais

� que eles, por serem homens ricos,

perdiam todo direito sobre suas posses,

suas vilas, neg�cios, e muito convenientemente,

C�modo tomava tudo para si.

Cassius Dio e alguns dos outros senadores

escaparam do massacre fugindo da cidade.

Pode entender que isso chocou bastante os senadores

ver membros do senado sendo mortos

como nada mais que criminosos comuns.

Sabiam que C�modo n�o era algu�m mentalmente est�vel

ou algu�m com quem quisesse mexer de jeito nenhum.

At� sua pr�pria irm�, Lucila, n�o escapa da f�ria de C�modo.

Primeiro foi exilada para ilha de Capri.

E ent�o assassinada por sua guarda imperial.

C�modo decidiu que Roma

n�o era mais um lugar seguro para ele,

e ent�o sai da cidade para a pr�pria seguran�a.

Mas antes de sair, C�modo faz uma escolha

que aprofundaria seu racha com o senado.

- C�sar? - Estou saindo de Roma.

- Empacotarei nossas coisas. - N�o dessa vez, Cleandro.

Voc� fica.

Te deixo no comando enquanto estou fora.

Eu, C�sar? Mas eu...

Querido Cleandro, estou confiando em voc�.

Ele delega o comando da cidade

e as coisas do dia-a-dia de Roma

a um de seus antigos escravos, um homem livre chamado Cleandro.

Um homem livre � um antigo escravo.

Eles eram parte importante da popula��o romana.

Um escravo podia comprar sua pr�pria liberdade.

Mas ainda assim, deviam ser fi�is aos seus senhores,

agora chamados de "patr�es."

Cleandro era um escravo liberto,

pertencendo

� uma classe social baixa, e que acabava

de receber poder e responsabilidade

do pr�prio imperador, ficando acima do senado.

Isso, � claro, causou como��o no senado.

C�modo insultou e contrariou o senado.

Mas ficou claro que as coisas entre eles e o imperador,

tomavam o rumo da destrui��o.

Ap�s passar o poder ao seu antigo escravo, Cleander,

C�modo se mudou para uma casa fora da cidade.

183 D.C. VILLA DEI QUINTILI

C�modo deixou a cidade e foi para a Villa dei Quintili,

nas redondezas de Roma.

Essa era uma villa confiscada por ele

de membros da elite que ele havia matado.

Daquele momento em diante, ele se tornou paranoico.

Ele sentia que n�o podia confiar em ningu�m ao seu redor.

Isso o fez ter atitudes mais extremas.

Voc� � membro do senado.

Sou de Ravena, C�sar.

Bem, eles te enviaram.

Voc� me convidou, C�sar,

O clima de conspira��o

e amea�as do senado, abalaram C�modo ainda mais.

Dizem que ele tinha prazer em humilhar os outros.

Quanto mais a alta a classe, mais prazer ele tinha

na humilha��o.

O "Hist�ria Augusta," conta que C�modo, cruelmente,

cometeu v�rios assassinatos.

Ele matava quem bem entendia e violava qualquer lei.

A rela��o entre o imperador e o senado,

era complicad�ssima.

Era dif�cil permanecer no poder, por qualquer per�odo de tempo,

sabendo que havia algu�m querendo o seu lugar.

Sabendo que havia gente lhe desejando o mal.

Sem tornar-se v�tima do medo e da paranoia.

Sempre que estudamos os imperadores cru�is,

eu lembro da famosa frase:

"O poder corrompe,

e o poder total, corrompe totalmente."

Ent�o, muitos imperadores...

romanos,

eram v�timas da paranoia e da megalomania.

Cal�gula e Nero s�o exemplos de imperadores

que simplesmente enlouqueceram

na desintegra��o de seus reinados,

por causa da crueldade e megalomania com que agiam.

E por causa das constantes

brigas com membros do senado romano.

Diferente de Cal�gula e Nero,

n�o houve calmaria para C�modo.

C�modo foi inst�vel desde o come�o.

E as coisas ainda pioraram.

Logo ap�s uma baixa no senado,

havia v�rios lugares livres

que C�modo, obviamente, usou em seu favor.

Ele ordenou que Cleandro leiloasse os lugares

pela melhor oferta.

Isso abalou o senado profundamente.

O cargo de senador n�o era comprado nem vendido.

Admitir novos membros,

que colocavam o dinheiro acima de tudo,

diferente de seus antecessores,

era t�o ofensivo quanto as amea�as de morte anteriores.

Os homens que assumiriam os lugares livres, n�o tinham

a educa��o ou origem adequadas para um senador.

Bastava ter dinheiro, para se tornar senador

do imp�rio romano.

Sabe-se que havia corrup��o na Roma antiga.

Mas esse foi um evento sem precedentes.

Um n�vel de corrup��o nunca visto na hist�ria romana.

Enquanto tudo isso acontecia,

C�modo estava seguro em sua villa, fora de Roma.

A villa de C�modo tinha seu pr�prio anfiteatro.

E enquanto ele estava l�, decidiu treinar para gladiador.

N�o h� relatos do porqu� dessa decis�o de C�modo.

Mas podemos dizer que foi pela inseguran�a dele.

Pelo desejo de sentir-se s�mbolo da virilidade masculina.

Ele ficou ainda mais paranoico.

E, inexplicavelmente, ele se sentia mais seguro

na presen�a de assassinos treinados, do que no senado.

Preciso de uma espada de verdade.

Guiado por seu treinador, Narcisus,

C�modo domina a arte dos combates "um contra um".

Terminamos?

De acordo com seu pr�prio convencimento,

em seis anos, C�modo superou 735 gladiadores.

Um n�mero nunca visto em combates de gladiadores.

H� relatos de que os combates

eram cheios de amputa��es e outros atos violentos.

N�o eram fingimentos.

Acho que seus dias de gladiador terminaram.

N�o havia maneira de C�modo perder.

Seus advers�rios lutavam com espadas de madeira

e ele n�o.

Ent�o, n�o eram lutas justas, como j� era de se esperar.

Durante seis anos, ele ficou recluso em sua villa,

aprendendo a ser gladiador e alimentando sonhos de poder,

enquanto a cidade que ele deveria governar ia � ru�na.

O alto custo de promover jogos continuamente

e a larga escala de corrup��o, liderada por C�modo,

levaram Roma � beira do colapso.

A crise foi t�o grande,

que a popula��o romana ficou sem suprimentos.

A economia fracassava,

Havia inquieta��o entre as pessoas

e morte nas ruas.

Roma estava em um momento desastroso.

Tamb�m havia

uma s�ria amea�a de Roma se destruiria.

Tudo por causa do ego�smo de um indiv�duo.

186 D.C. ROMA

Ap�s seis anos do reinado de C�modo,

havia uma tens�o crescente em Roma.

Houve fome como Roma n�o via h� centenas de anos.

Isso junto do retorno da peste antonina.

Ent�o, um grande surto acomete a cidade.

A cidade estava ca�tica.

Diariamente, milhares morriam de fome ou doentes.

Era o pior per�odo de fome desde 436 a.C.,

quando milhares de pessoas se jogavam no rio Tibre,

para fugir da agonia da fome.

Se havia fome, e de repente, acabava a comida,

Era responsabilidade do imperador. Ent�o,

C�modo era respons�vel por uma cidade

onde n�o havia comida,

ficando em numa posi��o muito vulner�vel.

A cidade acabou recorrendo � viol�ncia.

Durante um protesto, os romanos se armavam com qualquer coisa.

Podiam ser facas, pedras ou p�s de mesa.

H� um famoso caso, do s�culo II a.C.,

onde um famoso pol�tico romano

foi espancado at� a morte com peda�os de m�veis.

Roma estava em uma enorme crise

e a popula��o teve experi�ncias terr�veis.

Certamente,

a causa da fome e da agita��o social

em Roma, no reinado de C�modo,

foi um mau governo, feito de corruptos,

a desaten��o total dele

sendo um gladiador ao inv�s de governante...

e uma popula��o descrente

de seu imperador.

Dezenas de milhares de pessoas morreram.

A popula��o estava furiosa,

e protestava.

Eles iam at� a villa do imperador para isso.

O tenente dele, Cleandro, foi obrigado a fugir

para salvar a pr�pria vida.

- C�modo. - Cleandro...

por que n�o est� em Roma?

Cleandro arcou com as consequ�ncias,

porque C�modo n�o hesitou em culp�-lo para se salvar.

� voc� quem eles querem.

E ent�o,

devo dar ao meu povo o que eles querem.

Voc� deve lidar com eles.

Levem-no at� a sa�da.

C�modo.

Havia desacordo na cidade. A economia fracassava,

e C�modo percebeu que devia agir.

Ele n�o podia continuar se escondendo.

Ele tinha que tomar atitudes extremas e sabia como.

Ele baixou o custo das moedas,

ou seja, reduziu a quantidade de prata em cada uma.

Portanto, a mesma quantidade de prata

teria maior alcance.

A princ�pio, ele tinha mais dinheiro para comprar comida

e gastar nos jogos.

Mas na verdade, isso gerou infla��o.

Seria desastroso para as finan�as da cidade.

Cassius Dio dizia que

C�modo encontrou um reino de ouro

e o transformou em ferro e ferrugem.

C�modo

que com toda press�o no sistema romano,

ele estava perdendo a f� do povo romano.

Ele tinha que fazer algo grandioso.

C�modo pensou com ele mesmo:

"Darei a eles mais entretenimento."

Desta vez, C�modo tem uma surpresa chocante.

O destaque desses novos jogos

ser� algo que o povo romano nunca viu antes.

O pr�prio imperador vai ocupar o centro da arena

e lutar como um gladiador.

C�modo,

isso � uma loucura.

Por favor, reconsidere.

N�o se preocupe, C�ssio.

Eu refleti muito sobre isso.

Voc� n�o � um escravo.

Voc� � o imperador de Roma.

Um dos atrativos em ser gladiador

� recordar quanto poder,

quanta admira��o, quanta emo��o eles causaram.

Gladiadores s�o tit�s. Possuem um status divino.

As mulheres os desejam. Eles s�o imponentes.

S�o talentosos, habilidosos.

Eles s�o o auge dos lutadores.

Como n�o am�-los?

A verdade � exatamente o oposto.

O filho de Marco Aur�lio estava morto.

O novo C�modo que volta � Roma,

ele volta como um monstro.

192 D.C. GRANDES JOGOS COMMODIANOS

Ap�s seis anos de aus�ncia,

o imperador C�modo retorna � Roma

para lutar como um gladiador,

mas n�o qualquer gladiador.

C�modo teve uma ideia de �ltima hora,

ele se vestiria de H�rcules

para associar-se a esse deus que personifica for�a e poder.

C�modo queria ser visto

como um deus a sua vida toda.

Mas existe outra ironia.

H�rcules � um personagem problem�tico,

que era conhecido pelo alcoolismo,

sua queda na loucura e tamb�m sua crueldade.

� sem precedentes um imperador entrar sozinhos na arena.

Isso n�o � nada que se espera da elite,

muito menos do imperador.

Gladiadores usam seus corpos

para agradar �s massas.

Eles s�o como prostitutas. S�o como atores.

Teria sido dif�cil para a classe dominante

aceitar qualquer uma das a��es de C�modo.

Eles eram pessoas cultas e educadas.

Portanto, o fato de um deles

se rebaixar ao ponto de se apresentar

na mesma profiss�o

da esc�ria da esc�ria.

De acordo com Cassius Dio,

C�modo retirou do falido tesouro romano

um milh�o de sest�rcios por sua apari��o,

quase US$ 10 milh�es em esp�cie nos dias de hoje.

C�sar! C�sar!

Ap�s os jogos,

C�modo embarca em um projeto ainda maior.

Ele pretende reconstruir Roma a sua pr�pria imagem.

Ele renomeou uma col�nia de "commodiana",

a col�nia de C�modo.

E n�o acreditar�amos que isso fosse verdade

se n�o fosse pelas moedas

da �poca de C�modo que eles usavam.

Ele realmente deu o pr�prio nome.

C�modo entra em a��o.

Os romanos passar�o a ser commodiani.

O Senado ser� chamado de:

"Virtuoso senado comodiani".

Ele enche a cidade com est�tuas de si mesmo

vestido como o deus H�rcules.

Uma delas era uma grande figura de um arqueiro,

muito parecida com o pr�prio imperador,

com uma flecha apontada em dire��o a porta da frente

do senado romano.

Se houve uma mensagem pol�tica mais clara do que essa,

eu desconhe�o.

Isso n�o podia ser tolerado.

At� mesmo pelos senadores

simp�ticos a uma reforma.

Quando C�modo anuncia mais jogos com ele mesmo como estrela,

o Senado sabe que deve agir.

C�modo tem seu fim pelas m�os de seu treinador de gladiadores,

nas m�os de Narcisus,

agindo sob as ordens do senado.

H� uma esp�cie de ironia po�tica nisso,

no final foi a pr�pria figura que ele mais admirava,

que tanto desejava ser, que p�s fim � sua vida.

O gladiador.

A morte de C�modo acaba sendo um ponto cr�tico

para o imp�rio romano.

O tratado de paz que ele assinou

com as tribos germ�nicas acabou.

Os b�rbaros dentro do imp�rio viraram a casaca

e invadiram a It�lia outra vez.

O imp�rio romano, esgotado financeiramente

pelas despesas de C�modo, pouco poderia fazer.

C�modo, ap�s sua morte,

sofre o que � conhecido como damnatio memoriae.

Isso significa que todas as refer�ncias a C�modo

foram literalmente exterminadas.

As inscri��es com o nome de C�modo foram apagadas,

documentos com seu nome e sobre ele foram destru�dos.

Isso mostra o qu�o forte era o sentimento.

As pessoas s� queriam esquec�-lo.

Ele era uma mancha no imp�rio.

H� um aspecto sagrado no Coliseu,

e ele passou por cima de tudo.

Ele transformou em um circo.

Ele o ridicularizou e, por fim, tirou o poder

que o Coliseu tinha de muitas maneiras.

O reinado de C�modo � melhor resumido

por Cassius Dio quando ele diz que C�modo

era uma maldi��o maior para os romanos

do que qualquer pestil�ncia e qualquer crime.

Legende conosco: griotsteam.weebly.com

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