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Original subtitles

Quando olho para voc�s, n�o vejo prisioneiros.

N�o vejo criminosos ou escravos.

Sequer vejo gladiadores.

Eu vejo legion�rios,

dedicados na prote��o desde grande imp�rio.

Me ajudem.

Me ajudem a proteger os cidad�os de Roma

e voc�s v�o ganhar a liberdade!

C�sar! C�sar! C�sar!

O Coliseu � o imp�rio romano

destilado em sua ess�ncia mais b�sica.

� um s�mbolo de conquista.

� um s�mbolo de dom�nio.

� um s�mbolo do poder imperial

irradiando pelo mundo romano.

Agora!

Todo imperador tinha o Coliseu � sua disposi��o

como ferramenta para reafirmar seu poder e autoridade.

A mensagem para o povo romano

� que a vida � um combate.

Tamb�m era uma advert�ncia judicial.

N�o teste o poder de Roma.

Era uma ofensa pass�vel de morte.

Se voc� vive pela espada...

voc� morre pela espada.

Demonstrava o poder do Coliseu.

Transformou escravos em her�is,

subvertendo a estrutura de poder de Roma.

O Coliseu viria a simbolizar

a ascens�o e queda de Roma.

Est� tudo ali,

o sangue, a gl�ria, a magnific�ncia,

e as falhas...

que fizeram Roma o maior imp�rio

que a Europa j� viu.

Griots Team apresenta: S01E06

Tradu��o: N0Sferatu - TatianeVS LeChatNoir - Trench21P

Revis�o: marck93

162 D.C. ROMA

162 d.C.

A era de ouro de Roma.

O imp�rio de meados do segundo s�culo

est� no �pice em termos de expans�o territorial

e riqueza.

� um imp�rio que est� liderando o mundo

na ci�ncia, cultura, filosofia e na medicina.

Roma � o centro cultural do universo

nesse momento.

Autores, doutores, arquitetos,

fil�sofos, foram em bando para a cidade,

porque foram atra�dos por Roma em si.

Entre os extasiados por Roma

est� Galeno de P�rgamo, um brilhante cientista m�dico

cujos trabalhos s�o estudados at� hoje.

Galeno � provavelmente a figura mais influente

na hist�ria de medicina.

Ele era escritor, fil�sofo, cientista, doutor,

e um homem incrivelmente ambicioso.

Seus escritos sobreviveram, o que s� aconteceu

com pouqu�ssimos doutores deste per�odo.

E sabemos que ele � excepcionalmente habilidoso,

e tem um ego � altura.

Galeno vai ao Coliseu

para chamar a aten��o do Imperador Marco Aur�lio,

uma das grandes mentes do imp�rio.

Marco Aur�lio vem na ponta final

dos cinco bons imperadores.

Esses foram os que governaram

durante a chamada Pax Romana,

durante o apogeu do imp�rio romano

no segundo s�culo d.C.

Marco Aur�lio era um intelectual.

E era muito engajado

em reflex�es filos�ficas.

Na verdade, �s vezes sua alcunha era "O rei fil�sofo".

Ele foi uma figura extraordin�ria.

Ele foi escolhido quando era muito jovem

e treinado para ser imperador.

E pela primeira vez, eles estavam certos.

Mas Marco Aur�lio n�o governa sozinho.

Pela primeira vez na hist�ria de Roma

dois imperadores governaram lado a lado.

O irm�o adotivo de Marco Aur�lio, L�cio Vero,

eles eram praticamente opostos.

Reinaram juntos perfeitamente

porque eram dois lados da mesma moeda.

N�o h� exemplo melhor de qu�o opostos eles eram

do que sua atitude para com o Coliseu e os jogos.

Algu�m como o Marco, que era intelectual, filos�fico,

para ele a carnificina sem fim e prop�sito n�o fazia sentido.

L�cio, por sua vez, vivia por isso.

Sim, � um esporte vulgar,

� um v�cio vulgar de se ter, mas ele adora.

Um cirurgi�o como Galeno desempenha um papel crucial

em manter os gladiadores vivos.

Mas ele quer mais.

Galeno era um indiv�duo t�o ambicioso e obstinado,

que ele queria se tornar o melhor m�dico do mundo.

Ele j� se via dessa forma,

s� queria que as pessoas reconhecessem.

Esses dois homens em Roma

no �pice do poder do imp�rio,

Tamb�m estar�o presentes no come�o do seu decl�nio.

A jornada de Galeno at� esse momento

come�a quase duas d�cadas antes e a 1200 km de dist�ncia

da cidade de Roma.

157 D.C. P�RGAMO

A terra natal de Galeno

� a antiga cidade de P�rgamo,

Um centro grego perto da costa do Mar Egeu,

agora na Turquia ocidental.

P�rgamo � uma das joias

da parte oriental do imp�rio romano.

� uma cidade sofisticada com muitas grandes constru��es,

incluindo um templo para Escul�pio, o deus da cura.

Se voc� quisesse ser um m�dico,

P�rgamo era bom para come�ar.

Galeno era muito instru�do, ele tinha tutores,

Primeiro em filosofia e depois em medicina.

Ele veio de uma fam�lia que era rica e culta.

Ele tinha tudo para o sucesso.

Em 157 d.C.,

Galeno recebe sua primeira fun��o m�dica oficial.

Ele ganha uma incr�vel oportunidade,

que � ser doutor em um ludus,

uma escola de gladiadores.

Gladiadores, ao contr�rio da opini�o popular,

n�o eram mercadorias descart�veis,

eles eram extremamente valiosos.

A quantidade de dinheiro

gasta com esses atletas,

os preservando, os deixando famosos,

e os treinando, era um grande custo para a escola,

e eles tinham que ter um retorno deste custo.

Qualquer coisa que poderia preservar o gladiador,

eles fariam, e isso inclui ter um bom tratamento m�dico.

A designa��o de Galeno para o ludus

segue anos de estudos incomuns.

Tem um ponto de virada na vida dele,

seu pai morreu aos 19 anos.

Ele ganhou uma grande heran�a,

e a usa para ir em uma peregrina��o de aprendizado.

Ele gasta os pr�ximos 10 anos viajando,

e eventualmente ele para

na cidade que o forma,

que � Alexandria no Egito.

Alexandria era o lugar no mundo antigo

que tinha a tradi��o de disseca��o humana.

Tinha uma janela bem estreita

onde isso era praticado na era ptolemaica,

no terceiro s�culo a.C.

De qualquer forma, a tradi��o e conhecimentos prosseguiram.

O conhecimento de Galeno,

a capacidade de aprender com os trabalhos de m�dicos

que participaram de fato em disseca��es,

deram a ele a oportunidade

de entender o corpo como ningu�m naquele tempo.

Agora Galeno aplica

seu conhecimento �nico de anatomia.

Para tratar os gladiadores na escola de P�rgamo.

Gladiadores dariam � um jovem m�dico

v�rias oportunidades de treinar.

Estamos falando de muitas lacera��es,

muitos ossos quebrados, impactos de alta velocidade.

Cada machucado era uma janela para o corpo humano.

Era uma oportunidade de trabalhar seu of�cio.

Preparem ele.

SALA DE OPERA��O DE GALENO. P�RGAMO

� uma fratura na placa frontal do cr�nio.

Incha�o interno gera press�o no osso,

E esse osso...

precisa ser cinzelado

para liberar essa press�o.

Ainda est� com a gente?

Beleza.

Em termos de equipamentos � disposi��o de Galeno,

n�o tem tanta diferen�a entre o que ele tinha acesso

e algo que um doutor estaria usando 150 ou 200 anos depois.

Ele tinha alguns anest�sicos dispon�veis,

tinha opioides, mandr�gora misturada com vinho.

Ele tinha bisturis,

tinha pin�as,

ele conseguia consertar ossos quebrados.

Quando se tem algu�m como Galeno, que entende

que precisa desinfetar as ferramentas,

que precisa desinfetar feridas,

como dar ponto, como fechar, seu conhecimento do corpo...

N�o havia ningu�m como ele naquele per�odo.

Galeno revolucionou a medicina antiga.

Estamos falando de um cara que, 2.000 anos atr�s,

era capaz de identificar sete nervos cranianos,

e ele sabia a diferen�a entre art�rias e veias.

Novinho em folha.

S� temos sua pr�pria vers�o,

mas conta que seus antecessores

deixaram 60 gladiadores morrer ao longo de 5 anos,

e ele s� viu a morte de dois.

Esse foi um hist�rico impressionante.

Voc� foi bem hoje, H�lio.

Obrigado.

Me pergunto,

ser� que seus cr�nios s�o iguais em Roma?

Imagino que sim.

Por qu�?

S� tem um jeito de descobrir.

Para Galeno, seus pr�ximos passos s�o claros.

Seu caminho segue para Roma.

Em 162 d.C., Galeno chega em Roma.

Buscando conhecimento e prest�gio.

Roma era, na �poca,

a maior cidade do mundo.

Tinha a popula��o de cerca de um milh�o ou mais.

Se voc� queria estar conectado ao poder

prest�gio, riqueza e fama,

l� era o lugar para se estar.

Para Galeno, que j� gastou quatro anos

trabalhando como doutor com gladiadores,

n�o tinha palco maior em todo o imp�rio romano

do que o Coliseu.

JOGOS INAUGURAIS DOS IMPERADORES

Galeno tinha um objetivo, se tornar m�dico pessoal

do homem mais importante do imp�rio.

Em 162 d.C., Marco Aur�lio foi coimperador de Roma

por menos de um ano.

O imp�rio que ele e seu irm�o L�cio herdaram,

� vasto e poderoso,

estendendo-se desde os desertos da S�ria

e do rio Nilo para a Esc�cia.

E as florestas da Germ�nia.

Marco Aur�lio o governa

diferente de qualquer imperador anterior,

de acordo com as regras da filosofia estoica.

Marco Aur�lio � provavelmente mais conhecido

como o autor de "As medita��es".

E medita��es especificamente sobre o estoicismo.

Ele acreditava nessa filosofia antiga.

De sacrif�cio, dever e obriga��o.

Muito da filosofia � baseada na ideia

que se deve viver de acordo com a natureza.

A natureza era governada pela raz�o e provid�ncia divina.

E isso significava observar uma conduta virtuosa.

A virtude era a ideia do que se deveria almejar.

Os registros de Galeno confirmam que ele tinha

as mesmas opini�es de Marco Aur�lio

sobre a preserva��o da vida humana.

Galeno era m�dico. Ele era um curador.

E Marco Aur�lio n�o teve grande amor

pelos jogos e esporte sangrento do coliseu.

Morte! Morte! Morte!

Quando um gladiador mortalmente ferido

estava morrendo,

uma figura vestida como dis pater,

que � um deus do submundo, aparece.

Posso salv�-lo!

Eu posso salv�-lo!

Eu posso salv�-lo!

Ele d� um golpe de miseric�rdia, uma martelada na cabe�a

do gladiador derrotado.

Sabemos porque � retratado na arte,

escritores romanos falam sobre,

e porque encontramos cr�nios de gladiadores

com esse padr�o distinto de fratura

que s� poderia ter vindo desse martelo.

Marco Aur�lio era algu�m que valorizava a vida humana,

compreendia o sofrimento,

n�o sentia prazer em matar por si s�.

Para mim j� chega.

Ele realmente n�o gosta do coliseu ou dos jogos.

Ele os v� como violentos e vulgares.

� um problema para Galeno.

Se o imperador n�o gosta de gladiadores,

atrapalha que Galeno consiga mais destaque.

Se Galeno quer construir uma reputa��o para si,

ter� que procurar trabalho al�m do coliseu.

Quando Galeno chega � Roma,

ele � mais do que apenas um grande cirurgi�o.

CASA DE GALENO, ROMA

Galeno, al�m de tudo,

era um farmacologista especialista

e interessado em ca�ar os ingredientes mais eficazes

em qualquer lugar na �rea do Mediterr�neo.

Uma das coisas de que Galeno mais se orgulhava

era um rem�dio que ele criou

chamado Theriac ou theriaca,

da palavra grega therian, que significa besta selvagem.

E isso porque continha 64 ingredientes,

alguns dos quais continham partes de animais selvagens.

E um ingrediente m�gico, o �pio.

Theriac foi visto no mundo antigo

como uma droga maravilhosa.

Curaria tudo, desde uma tor��o no tornozelo

de um ataque card�aco � queda de cabelo.

Tamb�m foi, mais importante,

um ant�doto para veneno.

Voc� � o imperador.

O que voc� mais teme?

B�rbaros.

Veneno.

Veja, todo imperador tem inimigos.

O imperador pode n�o se importar que eu salve gladiadores,

mas ele deve querer se salvar.

Estou preparando o ant�doto.

O veneno e o medo do veneno

est� sempre na mente de todos os imperadores.

Esse era o jeito mais r�pido e f�cil de matar algu�m.

Claudius, predecessor de Nero,

foi supostamente assassinado com cogumelos venenosos,

ent�o voc� pode entender como Marco Aur�lio

sempre teve medo da hist�ria se repetir.

Galeno cr� que seu conhecimento de ant�dotos de veneno

poderia torn�-lo indispens�vel.

E ele conhece algu�m de dentro

que poderia apresent�-lo ao imperador.

PAL�CIO IMPERIAL DE ROMA

Quando Galeno chega � Roma,

um dos melhores contatos dele que j� est� na cidade

� um antigo professor dele de Filosofia, Eudemo,

que � um amigo pessoal do imperador Marco Aur�lio.

Eudemo era realmente o convite de Galeno

para a classe alta e a elite cultural romana.

Eudemo.

- Bom te ver. - Poderoso C�sar.

Quero apresentar a voc�

um dos alunos mais brilhantes que j� tive.

Estou honrado em conhec�-lo e desejo oferecer meus servi�os.

Eu n�o sabia que precisava deles.

Eu inventei um theriac.

� o preventivo mais eficaz contra o veneno

e doen�as conhecidas.

Galeno, �?

Eu te avisarei se eu precisar de seus servi�os.

Ele queria praticar medicina naquele c�rculo de elite.

Ele queria tratar as pessoas mais poderosas de Roma.

Mas, na verdade, Marco Aur�lio n�o tenta

entrar em contato com Galeno nesse momento.

A busca de Galeno para se juntar � elite de Roma

parece acabada, por enquanto.

As tentativas de Galeno de promover seu status em Roma

parecem paralisadas.

Ent�o, um ano ap�s sua chegada � cidade,

seu amigo Eudemo contrai uma doen�a misteriosa.

CASA DE EUDEMO, ROMA

Eudemo era muito bem relacionado

com a aristocracia romana,

ent�o Galeno sabia que se pudesse curar Eudemo,

essas pessoas muito poderosas

pensariam que ele era um grande m�dico,

e sua reputa��o poderia chegar aos ouvidos do imperador.

Velho amigo.

Velho amigo. Deixe-me ver.

Mas havia muitos outros m�dicos

que tinham opini�es pr�prias sobre a doen�a de Eudemo,

e Galeno teve que competir contra eles

para levar esse paciente.

Terei que tirar uma amostra da sua urina, receio.

O que quer que eles estejam oferecendo a voc�,

por favor, n�o aceite.

A linha entre m�dicos, charlat�es,

e m�gicos, nessa �poca,

era bastante t�nue.

E muitos m�dicos eram personagens bastante obscuros

e fornecedores de �leos de cobra falsificados

e venenos.

Alguns desses rem�dios beiram o fant�stico.

Por exemplo, pegar esterco de javali seco

como um elixir para curar contus�es,

ou genitais decepados de uma raposa,

ou at� mesmo sangue de gladiador usado como cura para epilepsia.

Galeno tinha uma abordagem mais simples.

Checava o pulso, fazia perguntas ao paciente,

observava com muito cuidado o curso da doen�a,

comparava com o que tinha visto em outro lugar.

Galeno � �nico porque realmente tem ci�ncia por tr�s dele,

ou o que considerar�amos ci�ncia.

E ele consegue descobrir

que Eudemo est� sofrendo de febre quart�,

que � um tipo de mal�ria.

H� muitas dificuldades na Roma urbana,

e uma delas � que em Roma, ao longo da antiguidade,

h� casos de mal�ria.

Sempre h� grandes criadouros

nas margens do rio Tibre para insetos.

E esses insetos carregavam a mal�ria.

N�s dois sabemos...

que talvez eu n�o sobreviva.

Eudemo, voc� viver�.

Galeno sabia que n�o havia cura

para o que Eudemo estava enfrentando.

No entanto, ele foi capaz, por causa do progn�stico,

observando cuidadosamente o curso das febres de Eudemo,

ele viu que Eudemo sairia dessa.

Como Apolo, ele era capaz de profetizar

o que iria acontecer no curso de uma doen�a.

Os amigos poderosos de Eudemo

agora pensavam em Galeno

como este m�dico fenomenalmente eficaz

e realmente progn�stico.

Esse foi um grande passo na carreira dele em Roma.

Para aproveitar sua crescente reputa��o,

Galeno trata todos os necessitados.

Em vez de ter um diploma de m�dico chique,

a maneira como busca sua preemin�ncia

est� no palco p�blico.

Voc� n�o se torna um m�dico antigo

a menos que voc� queira se tornar orador p�blico tamb�m.

Pois voc� constantemente precisa explicar seus m�todos

e defender seus m�todos.

Galeno est� fazendo demonstra��es p�blicas.

Ele est� discutindo com seus rivais.

Est� escrevendo, estudando.

Mas o mais importante, ele est� tratando as pessoas

de todos os estratos sociais.

Da classe senatorial de Roma

at� o mais humilde dos escravos.

E a reputa��o de Galeno est� crescendo como resultado.

Depois, dos confins do imp�rio

vem um desenvolvimento chocante.

Chegam not�cias da fronteira norte, o Dan�bio,

dizendo que houve uma invas�o.

Tribos b�rbaras atacaram a partir da Germ�nia

e pela primeira vez,

o ex�rcito de Roma n�o consegue afast�-los.

A fronteira norte estava desmoronando.

Havia amea�as de incurs�es muito graves

contra interesses romanos,

especialmente de uma tribo perigosa

chamada de marcomanni.

O que come�a parecendo uma invas�o pequena

transforma-se nas guerras marcom�nicas,

o que ocupa Marco pelo resto de seu reinado.

As guerras marcom�nicas na fronteira norte

pode ser vista como a primeira das invas�es b�rbaras ao norte

que vai enfraquecer as funda��es do imp�rio romano.

Em resposta,

os dois imperadores de Roma viajam 563 quil�metros ao norte

para chegar ao quartel-general militar

em Aquileia, fronteira da It�lia

e a Eslov�nia moderna.

Marco Aur�lio tinha um senso de dever muito forte,

e tamb�m era um pol�tico realista.

E por mais que ele preferisse

deixar a luta a seus subordinados.

Ou mesmo para o coimperador dele, Vero,

ele percebeu que isso exigia a interven��o pessoal dele.

Era uma amea�a suficientemente s�ria

que ambos Marco Aur�lio e L�cio Vero

foram lidar na fronteira.

Quando os imperadores chegaram ao campo,

confrontaram um novo tipo de inimigo.

Uma doen�a mortal e misteriosa.

Estava sem controle nas legi�es.

Os homens em Aquileia n�o experienciaram

nada como isso antes.

Supostamente, a peste

foi horr�vel, uma doen�a horr�vel.

Al�m da diarreia esperada.

E v�mitos e febre, o que acontecia � pele

era desconcertante.

Sarnas se formavam e caiam deixando les�es horr�veis.

Seus efeitos eram devastadores.

N�o parecia que as pessoas tinham imunidade pr�via,

e matou um grande percentual de pessoas que infectou.

Ningu�m foi poupado, incluindo imperadores.

N�o voc� tamb�m.

N�o � nada.

H� um m�dico que conheci uma vez.

Curou Eudemus quando ningu�m mais pode.

Diz ter um ant�doto para qualquer veneno.

Quer traz�-lo aqui para isso?

N�o posso simplesmente te assistir morrer.

O imp�rio romano nunca esteve livre de doen�as.

Mas epidemias como essa que Marco Aur�lio

est� experienciando, � algo novo.

Rapidamente se tornou aparente para o alto comando.

E para o pr�prio imperador que lutavam

com uma crise de sa�de de ordem maior.

Marco Aur�lio reagiu

convocando Galeno de Roma.

Imagina o tipo de emo��o.

Que Galeno sentiu no per�odo.

Aqui minha chance de servir diretamente ao imperador.

E por outro lado, � como entrar em uma p�ssima situa��o.

Galeno foi servir o imperador,

sem saber se retornaria.

168 D.C. LINHA DE FRENTE DE ROMA

AQUILEIA, NORTE DA IT�LIA

Dois anos na guerra

com a tribo dos marcomanos, Galeno chegou

aos quart�is romanos.

Para encontrar um ex�rcito em crise.

A situa��o que Galeno encontrou

quando foi � Aquileia.

Era mais s�ria do que podia imaginar.

Galeno nos d� descri��es bastante detalhadas.

Dos sintomas, e baseados nesses sintomas,

achamos que era var�ola.

Deve ter sido a primeira apari��o

de var�ola no mundo mediterr�neo.

H� discuss�es de que ele via muita var�ola hemorr�gica,

que � uma forma muito letal da var�ola,

Na qual h� muitos sangramentos sob a pele.

Essa crise vem de v�rias formas ao imp�rio,

mas de forma essencial e diferente.

Para Galeno, foi o desafio da vida dele.

Talvez mais que em outro ponto da mem�ria da humanidade,

uma doen�a se tornou uma amea�a � exist�ncia

para Roma.

Como a peste continuava

a dizimar as tropas, os dois imperadores voltaram � Roma.

Para reabastecer as legi�es reduzidas.

Deixaram o ex�rcito sob os cuidados de Galeno.

O inverno que passou em Aquileia

foi muito dif�cil para ele.

Era raro ele expressar desespero.

Ou estar sobrecarregado,

mas � exatamente o que fez.

Tratou centenas de v�timas da peste,

e diz que toda a popula��o

teve dificuldade para sobreviver ao inverno em 168.

169 D.C. 23 DE JANEIRO

Na viagem para Roma, L�cio Vero morre,

Deixando Marco Aur�lio sozinho no comando

de um imp�rio em risco.

Vero n�o foi muito longe, S� 50 quil�metros de Aquileia.

Para Marco Aur�lio ele foi deixado sozinho

para comandar um imp�rio acometido pela peste

tinha inimigos nas fronteiras, ex�rcito devastado pela doen�a.

Ele sabe que � responsabilidade dele

comandar o imp�rio romano sozinho.

169 D.C. ROMA

Ap�s um ano na linha de frente,

Marco Aur�lio convoca Galeno de volta a Roma.

N�o demora muito para a peste

devastar toda a It�lia

e se espalhar das legi�es para a popula��o civil.

Nessas circunst�ncias, Roma seria

um p�ssimo lugar para estar.

N�o havia lugar no mundo melhor para espalhar

uma doen�a letal e altamente transmiss�vel

que a cidade de Roma.

Talvez 10% da popula��o do imp�rio romano,

ou mais, morra com essa praga.

Nos pr�ximos anos.

E claro, p�nico se espalha.

E, na verdade, por um momento,

paralisa o poder romano.

A peste � uma grande crise para o imp�rio romano.

Galeno volta a Roma e encontra a cidade transformada.

E de fato, a fam�lia de Galeno n�o foi poupada.

Quase todos da casa dele morrem.

� poss�vel simpatizar com Galeno nesse ponto.

� um m�dico que dedicou toda a vida

para ajudar pessoas de determinadas classes sociais.

Mas a escala dessa peste,

dessa doen�a, � esmagadora.

E claro, ningu�m sabia quanto tempo duraria.

As observa��es dele sobre o que acontecia

iam al�m de muitos m�dicos.

E claro, isso o aproximava de Marco Aur�lio,

que, primeiro, n�o queria se tornar uma v�tima da peste,

mas tamb�m estava desesperado para saber como par�-la.

PAL�CIO IMPERIAL, ROMA.

O m�dico Galeno

e o imperador Marco Aur�lio

eram mais que contempor�neos.

Tamb�m tinham afinidades profundas.

Pareciam ter um impulso

para o tipo de coisa com prop�sito s�rio.

Agora a miss�o de Galeno era manter

o imperador Marco Aur�lio vivo.

Provavelmente reservou seu tratamento especial, teriaga,

somente para o imperador.

Adicionei canela dessa vez.

N�o ajudou.

Agora preciso registrar exatamente como se sente.

Ci�ncia.

Claro.

Para qual fim?

Quem restar� para ler sobre sua ci�ncia?

Talvez eu seja salvo.

Mas Roma?

Por um lado, o reinado de Marco Aur�lio

marca um grande ponto do imp�rio romano,

tamb�m marca o ponto no qual as sementes foram plantadas.

Que definiriam os pr�ximos s�culos

da exist�ncia de Roma.

Embora nem o imperador ou o m�dico soubessem

a peste, se relacionava �s invas�es b�rbaras,

que marcam um ponto de virada para Roma.

Apesar da crise em andamento.

E no meio da peste devastadora,

Marco Aur�lio realizava jogos no Coliseu.

Para honrar seu irm�o L�cio.

Era acompanhado por seu filho e herdeiro, C�modo.

O Coliseu na verdade permaneceu aberto

enquanto tudo isso acontecia.

Afinal, os romanos n�o conheciam doen�a de transmiss�o direta,

ent�o n�o havia pensamento que isso talvez fosse um vetor.

H� morte nas ruas.

A economia est� falhando.

Ent�o esse � o ponto em que Marco percebe

a import�ncia do Coliseu.

E usa seu grande efeito.

Faz o que faz para apreciar os deuses.

Tem seus sacrif�cios.

Tem seus eventos religiosos.

Tem seus jogos.

� tudo parte da vida normal da cidade de Roma.

E em um tempo de crise,

� preciso manter as pessoas unidas.

Marco Aur�lio era um imperador muito popular,

mas tomou

uma decis�o muito impopular.

E isso �, fez os participantes

lutar com espadas de madeira.

Os romanos estavam acostumados com 400 anos

de gladiadores lutando com ferro.

E a no��o que agora gladiadores lutariam

com espadas de madeira n�o foi bem recebida.

Marco Aur�lio,

n�o acreditava em viol�ncia desnecess�ria.

E queria que esses gladiadores

dependessem de suas habilidades enquanto atletas

mais que da qualidade de suas armas.

O que Marco Aur�lio n�o podia explicar

ao povo romano � que o imperador

tinha seu pr�prio plano.

Marco Aur�lio pretendia algo chocante,

alistar gladiadores para reabastecer o ex�rcito.

Gra�as a Galeno, ele aprendeu que eram

um dos poucos grupos em Roma intocados pela peste.

- S�o saud�veis. - Quero saber tudo sobre eles.

Seu treinamento, alimenta��o, sono, movimentos intestinais.

Os gladiadores viviam em uma comunidade protegida.

N�o tinham liga��o alguma com o mundo externo.

Eram saud�veis. Com tr�s boas refei��es por dia.

Tinham �timos cuidados m�dicos.

Eram talvez as pessoas em melhor forma

em Roma naquele momento

temos que lembrar, � claro, que gladiadores

eram treinados para lutar

era o que Marco Aur�lio precisava.

Marco Aur�lio tomar essa decis�o

sugere tens�o sem precedentes.

Como poderiam degenerados e criminosos

defenderem a honra de Roma?

Seriam confi�veis no campo de batalha?

Os gladiadores eram escravos,

muitas vezes tirados dos, na vis�o dos romanos,

povos mais miser�veis do imp�rio

e envolvidos em uma ocupa��o s�rdida.

Para t�-los envoltos

em uma esp�cie de profiss�o honrosa,

de soldados em nome do pr�prio imp�rio.

Era uma transforma��o not�vel.

Fa�am fila para o imperador.

Vistam esse uniforme.

Agora voc�s s�o soldados romanos.

Quando olho para voc�s,

n�o vejo prisioneiros.

N�o vejo criminosos,

nem escravos.

Tamb�m n�o vejo gladiadores.

Eu vejo legion�rios,

dedicados a defender este grande imp�rio.

Ajude-me a proteger os cidad�os de Roma,

e voc� ganhar� sua liberdade.

C�sar! C�sar!

Essa � a minha promessa solene.

De certa forma, isso descreve o desespero

que Marco Aur�lio est� sentindo naquele momento

e o risco que ele est� disposto a correr

para garantir que o imp�rio perdure.

169 D.C. ROMA

No outono de 169 d.C.,

Marco Aur�lio re�ne suas legi�es de todos as partes do imp�rio.

Galeno aguarda ser chamado de volta ao campo de batalha.

Prepare os cavalos.

- E quanto a voc�, Galeno... - Marco, sinto muito.

Eu n�o posso ir.

De novo n�o.

Eu sou um cientista.

Eu n�o sou um guerreiro.

E da�?

Bem, o imp�rio precisa de ambos.

C�modo.

Eu ia pedir para voc� cuidar do meu filho na minha aus�ncia.

C�sar.

Galeno ainda est� traumatizado

da �ltima vez que ele esteve na linha de frente.

Quando o imperador pergunta por que ele n�o pode ir,

ele responde:

"Eu tive uma vis�o de um deus que disse:

N�o v�.

N�o v�."

E um fato sobre os romanos,

eles acreditavam em press�gios.

Dependendo da sua cren�a,

voc� pode pensar que Galeno era aben�oado pelos deuses,

ou que era bastante conveniente

os deuses falaram com ele naquele momento particular

e o pouparam de ir para um lugar miser�vel

fazer um trabalho miser�vel.

Agora como cirurgi�o pessoal do herdeiro de Roma,

a tarefa de Galeno

� garantir que o pequeno L�cio C�modo

n�o sucumba � praga mortal.

169 D.C. AQUILEIA, NORTE DA IT�LIA

Simultaneamente,

Marco Aur�lio dirige-se para o norte at� Aquileia.

Com batalh�es de gladiadores em suas fileiras,

suas legi�es confrontam os ex�rcitos b�rbaros.

Ap�s meses de luta feroz, eles repelem essa invas�o.

As guerras marcom�nicas ao longo das fronteiras do Dan�bio

com os povos germ�nicos

s�o um alerta para Roma

e um alegar para um pesadelo.

Uma vit�ria decisiva permanece fora de alcance,

e Marco gasta a maioria do restante do seu reinado

em um campo de batalha.

Isso marca um ponto de virada na hist�ria imperial romana.

O que Marco Aur�lio estava visando

era, de fato, o futuro do imp�rio romano.

Haver� ondas de invas�es

de Godos a V�ndalos e muitas tribos do norte,

tudo para conquistar a It�lia.

172 D.C. ROMA

A 560 km de dist�ncia, em Roma,

Galeno se dedica �s atividades da ci�ncia m�dica.

Galeno deve ter ficado muito aliviado

por n�o estar na linha de frente.

E agora ele pode voltar sua aten��o

para suas atividades favoritas:

ler, escrever,

redigir trabalhos cient�ficos, di�rios e afins.

Galeno �, provavelmente, a figura mais influente

na hist�ria da medicina.

Ele nos deixou uma enorme cole��o de textos m�dicos.

Na verdade,

ele deve ser o autor mais prol�fico da antiguidade.

Suas obras em grego

compreendem cerca de um oitavo

de todos os manuscritos gregos antigos que temos.

O conhecimento presente nos textos m�dicos de Galeno

definiu a medicina isl�mica e europeia

pelos pr�ximos 15 s�culos.

Apesar da melhor medicina que o imp�rio pode oferecer,

Marco Aur�lio vai morrer em seu quartel-general

em 17 de mar�o de 180 d.C.,

provavelmente de var�ola.

Sob os cuidados de Galeno,

seu herdeiro sobrevive.

Os deveres de bab� de Galeno

acabaram tendo consequ�ncias n�o intencionais.

Gra�as a ele,

o herdeiro do trono cresce e se torna um jovem saud�vel.

A ironia � que C�modo

torna-se uma coisa de que Roma se arrepender�.

Na pr�tica, C�modo acaba se tornando

um dos imperadores mais desastrosos

na hist�ria romana.

No final das contas, ele vai trilhar um longo

lento e doloroso decl�nio.

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