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Estou pronta.
Certo, seus oponentes s�o fortes mas voc� � r�pida,
ent�o, use sua velocidade e lembre-se: Fique alerta.
Olha isto.
"Quanto a M�via, a gladiadora romana,
ele � um insulto ao seu povo e ao sexo dela."
O Coliseu � o imp�rio romano,
destilado em sua ess�ncia mais b�sica.
� um s�mbolo de conquista.
� um s�mbolo de dom�nio.
� um s�mbolo de poder imperial,
radiando atrav�s do mundo romano.
Agora.
Todo imperador tinha o Coliseu ao seu dispor,
para usar como meio de reafirmar seu poder e autoridade.
A mensagem para o povo romano � que a vida � um combate.
Era algo como um aviso judicial.
N�o teste o poder da Roma.
Era uma ofensa punida com morte.
Se voc� vive pela espada,
voc� morre pela espada.
Demonstra o poder do Coliseu.
Transforma escravos em her�is,
elevando a estrutura de poder de Roma.
O Coliseu viria a simbolizar, a ascens�o e queda de Roma.
Est� tudo l�...
sangue, gl�ria, magnific�ncia e imperfei��es...
Fizeram de Roma o mais grandioso imp�rio que a Europa j� viu.
Griots Team apresenta: S01E04
Tradu��o: Ostemberg - Russi Wuo - LeCharNoir - Trench21P
Revis�o: marck93
� 107 d.C.
O Coliseu tem estado aberto fazem 27 anos.
E continua sendo s�mbolo m�ximo dos valores romanos.
O Coliseu era a express�o mais pura do imp�rio romano.
Sendo mais claro,
era o s�mbolo de como viver como um romano
e como morrer como um romano
com for�a,
coragem e honra.
Que comecem os jogos.
Mas agora, novos lutadores controversos
est�o pisando na arena.
- Ave C�sar! - Ave C�sar!
Mulheres.
Gladiadoras femininas ou tamb�m chamadas de gladiadoras,
eram extremamente incomuns na sociedade romana
por v�rios motivos.
A maior era por representarem um invers�o,
gladiadores eram personifica��o da energia masculina.
Esta reviravolta no combate gladiatorial,
era sustentada pelo Imperador Trajano,
que ascendeu ao poder h� 9 anos,
em 98 d.C.
Trajano era um personagem espetacular.
Era um general duro,
bem-sucedido, despretensioso,
era imensamente popular.
Ele foi realmente escolhido
como imperador ideal, desde o come�o.
Trajano tinha uma autoimagem interessante,
melhor imperador.
Esta era a sua autoimagem. O melhor.
Se viu como imperador de Roma por excel�ncia,
pegou todas as melhores qualidades de seu predecessores,
mas tamb�m, expandiu o imp�rio de Roma
a um n�vel sem precedentes.
Durante seus 19 anos de reinado,
Trajano alargou as fronteiras de Roma
� maior extens�o da hist�ria,
conquistando Ar�bia,
Arm�nia, Mesopot�mia e D�cia,
a qual hoje em dia � conhecida como Rom�nia.
Ao final do reinado de Trajano,
o imp�rio ir� se entender por 5,2 milh�es de metros quadrados.
As vit�rias trouxeram centenas de milhares
de prisioneiros de guerra para Roma,
incluindo lutadoras femininas de D�cia.
Elas permitiram uma oportunidade perfeita,
para um novo entretenimento.
Trajano pode ter visto nas gladiadoras,
mais um sinal de sua grandeza e habilidade
de proporcionar novos e mais ex�ticos espet�culos
para o povo de Roma.
Pol�tica �, em parte, entretenimento.
O p�blico no Coliseu, esperava mais
e mais do que era proibido e das coisas fascinantes.
Uma lutadora feminina era o �pice da finesse do sabor,
para agradar o j� gasto, apetite das multid�es romanas.
Mas uma gladiadora � diferenciada, M�via.
Ele � uma raridade.
Uma cidad� romana livre...
fato que enfurece o satirista popular, Juvenal.
Juvenal expressa uma verdadeira ansiedade social,
h� um padr�o de postura moral,
que Roma tenha enfraquecido
e aquelas virtudes romanas de antigamente,
tinham praticamente, desaparecido.
Havia tamb�m, uma preocupa��o
com o surgimento de modinhas como a de mulheres gladiando,
de que isto iria, de alguma forma, romper a estrutura
da sociedade romana.
Gladiadoras
podem serem vistas como uma dilui��o
do que fez Roma grandiosa.
Tamb�m era algo que voc�, sabe, n�o veria um romano fazer.
Ent�o, de muitas formas, era prejudicial.
Uma amea�a que estava amea�ando Roma.
101 D.C. 6 ANOS ANTES
A jornada de M�via at� o Coliseu,
provavelmente come�ou nas favelas de Roma.
Sabemos o nome de M�via dos escritos de Juvenal,
mas tamb�m sabemos que � um nome plebeu muito familiar
dos grupos da pr�pria Roma.
Roma foi constru�da num local repleto de mal�ria
e as vezes, as condi��es de vida eram muito limitadas
e lotada de v�rias gera��es de fam�lias.
�s vezes, morando em 2 ou 3 c�modos.
Para uma menina
em uma fam�lia m�dia, era uma vida muito dura.
Do que me chamou?
N�o quero saber de voc� brigando de novo, entendeu?
Eu te odeio.
M�via, venha me ajudar.
Era esperado uma ajuda nos afazeres dom�sticos.
Desde muito novas.
Elas tinham que ajudar sua m�e
fazer todos os trabalhos bra�ais ao redor da casa.
Mais do que isto, o que � esperado que se fa�a �
aprender uma gama de virtudes femininas,
habilidades dom�sticas, organizar a casa,
cozinhar, tecer, consertar roupas.
Meninas n�o eram formalmente educadas
e com 10 anos de idade j� eram colocadas para trabalhar
e pode imagina algu�m como M�via,
sendo enquadrada nestes moldes.
Desde o in�cio do seu reinado,
Trajano sabia o valor do espet�culo.
E at� os mais pobres moradores de Roma,
poderia assistir aos jogos no Coliseu.
O local onde assentavam-se refletia suas posi��es sociais.
Nosso caminho � este.
As pessoas de n�vel social mais elevado, senadores,
cavaleiros, as pessoas realmente importantes em Roma,
sentavam nas primeiras filas, e conforme voc� subia
passava por romanos de classe m�dia da sociedade,
at� finalmente, chegar aos cidad�os mais pobres,
e al�m destes, estavam escravos e mulheres.
Isto lhe diz algo sobre como a sociedade romana via mulheres
sobre seus lugares na hierarquia social.
A classe trabalhadora e plebeias como M�via,
podiam ir ao Coliseu, para entretenimento,
em suas vidas cotidianas, havia muito pouco tempo
ou oportunidade para tais jogos.
Esta era uma ocasi�o muito especial para eles.
Gladiadores eram figuras da cultura popular,
uma das formas que temos para saber disto,
e sabermos que seus nomes eram conhecidos
pois haviam produtos, tipo bonecos promocionais.
Haviam candeeiros com a imagem dos gladiadores nelas.
Haviam pratos.
Sabemos disto pois estas coisas foram
encontradas em s�tios arqueol�gicos do imp�rio romano.
Gladiadores eram tradicionalmente homens,
at� que o imperador Trajano quebra os moldes
com lutadoras femininas.
Para seu prazer e entretenimento
e por ordem do pr�prio imperador conquistador,
estas 2 prisioneiras de guerra lutar�o agora at� a morte.
- Ave C�sar! - Ave C�sar!
Trajano sabia que todo imperador � julgado
pela qualidade dos espet�culos na arena,
pelos pr�prios jogos.
Ele tamb�m sabia que,
uma gladiadora feminina ia contra todos os princ�pios
do patriarcado romano.
Ent�o, de um lado, ele n�o est� nem a� para a tradi��o,
para o status quo.
Por outro lado, ele aposta alto,
dando ao povo de Roma, o novo espet�culo
de gladiadoras femininas.
As prisioneiras de guerra
eram ferozes.
N�o eram vista como de fato humanas,
eram vistas como m�quinas de lutar.
Elas encontram a morte,
por puro prazer
e entretenimento das multid�es romanas.
Os romanos, de forma alguma, tinham problemas
com esportes violentos,
e � isto que Roma queria incutir
entre seus cidad�os,
n�o temam,
sejam fortes,
v� e conquistem.
Voc�s s�o romanos.
M�via deve ter ficado boquiaberta,
mas o que � interessante sobre M�via,
� que isto n�o a repulsa,
mas h� uma fagulha,
algo sobre sua cria��o
ou apenas algo na alma dela
que dizia: "Eu quero mais."
102 D.C. ROMA
A inf�ncia de Mevia em Roma,
foi numa �poca onde a vida das mulheres,
especialmente as plebeias, n�o era valorizada.
� bastante incomum ouvirmos
falar nos nomes das mulheres de Roma que n�o eram da elite.
Eram metade da popula��o, ent�o havia v�rias delas.
Mas elas quase n�o constam nos arquivos hist�ricos.
O pouco que sabemos sobre as mulheres,
vem das anota��es de autores influentes,
como Juvenal.
Juvenal talvez tenha sido o maior satirista romano.
Ele assume uma persona, certo?
Ele tinha uma personalidade pr�pria, que era zangada.
Ent�o h� muitas hip�rboles, muito exagero,
e muita caricatura.
De todos os estilos liter�rios que existiram no mundo antigo,
a s�tira � o mais romano.
Era como uma v�lvula de escape.
Era tenso, porque havia
algu�m criticando tudo que viam de errado na sociedade.
� claro que a s�tira ilustra como lidar
com situa��es reais.
A impress�o das classes altas, na �poca da escrita de Juvenal,
era que Roma perdia espa�o
e estava em decad�ncia.
Todo imp�rio, em seu auge, combinava duas coisas:
A arrog�ncia da superioridade, estava sempre junto
de uma inseguran�a perturbadora
e medo de que tudo estaria perdido.
A decad�ncia e a pervers�o enfraqueciam a sociedade.
Tudo apodrecia. A ma�� estava bichada?
H� uma obra incr�vel, escrita por Juvenal,
chamada "S�tira Seis," onde ouvia-se
sobre uma Era de Ouro mundial,
onde as mulheres eram discretas, sabiam seu lugar
e n�o desafiavam os homens de forma alguma.
E era assim que os romanos queriam que fossem as mulheres.
Elas n�o podiam votar,
e n�o tinham muitos direitos.
Havia um estere�tipo de que as mulheres eram fracas,
mentalmente e fisicamente.
Isso resultou em muitas restri��es
em sua posi��o social e legal.
A expectativa de vida de uma plebeia,
era entre 20 e 30 anos somente.
Os dados de mortalidade infantil
e materna s�o assustadores
na Roma antiga.
Uma romana podia engravidar nove vezes,
e talvez ter dois filhos vivos
que passassem dos sete anos.
Elas se casavam muito jovens
e engravidavam muito jovens.
Ter um filho podia ser senten�a de morte.
Na lei romana, as meninas podiam se casar aos 12 anos.
Para casamentos fora da fam�lia, a noiva precisava de um dote.
Ent�o, a noiva precisava de propriedades em seu nome.
� claro que por se casarem fora da fam�lia,
qualquer propriedade em nome da mulher, sairia da fam�lia.
Ent�o, era muito caro ter filhas mulheres.
As op��es que Mevia tinha eram pouqu�ssimas.
Se olharmos a lista de empregos
que ofertavam aos homens, o n�mero chegava � cerca de 225.
Havia apenas 35 para mulheres.
Dentre os 35 empregos, havia padeira, lavadeira,
parteira,
e atriz ou prostituta, � claro.
Mas ningu�m queria ser atriz ou prostituta.
Eram os n�veis mais baixos da sociedade.
Aqueles que se apresentavam em p�blico,
era considerados infames.
De acordo com a lei, os gladiadores eram da classe
dos "quase intoc�veis."
Eram como as prostitutas.
Gladiadores,
usavam seus corpos para agradar as multid�es.
Por isso, eles ocupavam essa posi��o.
As anota��es de Juvenal, indicam que no final
da segunda campanha militar de Trajano na Dacia,
Mevia tomou uma decis�o corajosa.
Apesar da opini�o dos romanos sobre os gladiadores,
eles ganhavam bastante dinheiro.
Eles eram as celebridades da �poca.
N�o era somente a chance
de ganharem liberdade, mas tamb�m grande fama.
E no caso de Mevia,
a chance de escapar de sua classe social.
Imagino se ela
olhou os grandes gladiadores ao seu redor e pensou:
"Bem, n�o h� muita perspectiva para minha vida daqui em diante,
ent�o, por que n�o tentar?"
Mevia seguiu um caminho muito perigoso.
Se ela fracassasse,
seria responsabilidade de todas as mulheres.
Se ela vencesse, seria viola��o da lei.
A for�a vem da base. A velocidade vem dos bra�os.
Para se tornar uma gladiadora,
Mevia precisa se matricular em uma escola de treinamento.
A escola mais importante de Roma
� administrada pelo aliado de Trajano, Quintus Turbo.
Parem! Parem!
Quero que pensem
no que est� em jogo na arena.
Lutem.
O que sabemos sobre Quintus Turbo
vem de uma inscri��o em uma l�pide.
Ele era um pol�tico, um homem da �rea militar,
mas tamb�m era o procurador de Ludus Magnus,
a maior escola de gladiadores de Roma.
� uma enorme responsabilidade,
pois a Ludus pertence ao pr�prio imperador.
Ent�o todas as grandes decis�es a serem tomadas
sobre a escola deveriam passar por ele.
Ele � o respons�vel pelo sucesso da Ludus.
Boa.
Recrutar algu�m como a Mevia na Ludus Magnus
� uma via de m�o dupla muito arriscada.
Por um lado, a quantidade de treinamento intenso e caro
deveria levar a Mevia aos padr�es do Coliseu.
� um investimento muito alto.
Por outro lado, a recompensa tamb�m era muito alta,
porque, se ela fosse um sucesso,
bem, ningu�m a faria parar.
Senhor!
Por favor, senhor.
Eu quero ser uma gladiadora.
Eu quero lutar.
Aqui n�o � o seu lugar.
Ensine-me!
Do que o senhor tem medo?
107 D.C. ESCOLA LUDUS MAGNUS
Para chamar a aten��o do Juvenal,
Mevia provavelmente treinou na Ludus Magnus.
Temos uma jovem mulher com brilho nos olhos,
que queria lutar.
Ent�o eu imagino algu�m como o Quintus disse:
"este � o meu ingresso para o sucesso".
H� poucas evid�ncias de que um gladiador homem
teria se sujeitado a exames m�dicos,
mas para a Mevia, provavelmente foi diferente.
Eles queriam ter certeza
de que ela ao menos n�o estivesse gr�vida
antes de consider�-la uma gladiadora em potencial.
Muito magra, n�o �?
Mas sou forte.
Voc� fala demais. N�o � a mesma coisa.
- E ent�o? - Ela est� apta.
Olhe aqui. Olhe isso.
Voc� quer isso?
Trajano quer que Turbo garanta que um fluxo de espet�culos
continue a passar pela arena,
e uma gladiadora mulher como a Mevia se encaixa nisso.
Os historiadores Cassius Dio e Tacitus
falam sobre mulheres romanas
se apresentando ao imperador Nero,
cerca de 50 anos antes.
A maioria dessas mulheres n�o eram gladiadoras,
mas atletas.
Isso foi importante aos treinadores de gladiadores
e aos divulgadores continuarem dando ao p�blico
algo que eles nunca haviam visto.
Algo novo e empolgante.
Gladiadoras mulheres se encaixam nisso.
Elas eram diferentes, eram transgressivas.
Mevia poderia ter sido a primeira mulher romana
registrada a fazer o juramento dos gladiadores.
Repita o que eu disser.
- Eu suportarei. - Eu suportarei.
- Ser queimada. - Ser queimada.
- Acorrentada. - Acorrentada.
Espancada.
E ser morta pela espada.
E ser morta pela espada.
Fa�a a sua marca.
Entende o significado desse contrato?
Sou mais livre aqui do que era em casa.
O poeta romano S�neca foi quem nos disse
como era o juramento dos gladiadores.
O juramento dos gladiadores une treinador e gladiador.
Por bem ou por mal, eles est�o juntos nisso.
� como um juramento de casamento macabro.
Ela est� vendendo seu corpo e alma.
O juramento dos gladiadores
� um dos votos mais s�rios que existem.
Voc� est� se comprometendo de corpo e alma
para a vida de gladiador.
Ent�o voc� est� se sujeitando voluntariamente e de boa vontade
a esse treinamento rigoroso, sabendo que no final
voc� poder� morrer no Coliseu.
Ao se matricular voluntariamente ao Ludus,
Mevia d� as coisas � sua fam�lia.
N�o h� escapat�ria.
A fam�lia dela a teria renegado.
Pois seria uma vergonha.
Uma mancha na hist�ria da fam�lia.
Ela nunca teria sido capaz de voltar para eles.
Nunca teria sido capaz de casar ou ter a vida
que os pais esperavam dela.
Uma escola de gladiadores era efetivamente.
Uma pris�o masculina ou um quartel.
� praticamente cheia de gladiadores.
Que s�o mantidos trancados.
Ent�o para uma mulher entrar l�,
seria uma experi�ncia estranha,
o ambiente para ela.
� para sua prote��o.
Gladiadores eram ensinados a ser perigosos para sociedade.
Ent�o para Mevia livremente se comprometer a isso.
Ultrapassava uma barreira distinta.
Devem ter pensado que uma mulher n�o pertencia ao lugar.
Outra forma de pensar nisso � que algu�m
que quisesse entrar naquela vida merecia respeito.
Mevia � de muitas formas uma radical.
Porque teve que aguentar a vida que tinha.
Em detrimento da que a permitiria
tornar-se a pessoa que desejava.
Para chegar ao Coliseu,
Mevia primeiro devia sobreviver ao treinamento.
E enfrentar seu inimigo mais feroz.
Armado n�o com uma espada, mas com uma caneta.
Juvenal tem toda uma s�tira
voltada para mulheres.
E seu bom e mau comportamento.
Quando ele menciona Mevia,
� no contexto de Roma se tornar decadente.
A preocupa��o de Juvenal sobre decad�ncia se relaciona
ao fato de que certas pessoas
cruzaram a linha em termos de adequa��o.
A sociedade romana via virtudes principalmente
em estar conectado ao estado de guerra.
Esperava-se pessoas corajosas,
resistentes, e habilidosas na luta.
Para muitos romanos, quando olhavam para uma gladiadora,
viam decad�ncia moral no trabalho da sociedade.
Era algo que diminu�a o poder.
Os valores militares
que gladiadores deveriam representar.
E claro, eles eram os valores militares.
Em primeiro lugar, conquistaram todo o imp�rio romano.
Ainda no per�odo do comando de Trajano,
a maioria dos homens romanos n�o lutava mais nas for�as armadas.
E para os romanos tradicionalistas,
pensando no passado comparado �s gera��es anteriores,
era um motivo de preocupa��o.
Eles sentiram... De fato, que Roma estava ap�tica.
No tempo de Juvenal, essa atitude era exuberante.
Aqui alguns trechos de Juvenal:
"Como uma mulher pode ser decente
negando o sexo com o qual nasceu?
Pobres coisas fracas.
Qu�o pouco aproveitam isso."
Quem s�o eles?
- Espectadores. - Por qu�?
Ouviram que eu tinha uma mulher romana.
- Quando vou ter uma espada? - Quando eu disser.
Agora, segure isso firme assim.
Ent�o. V� em frente. � isso.
Tempos de mudan�as e estresse sociais �s vezes evocavam
nas pessoas forte interesse
em olhar para o passado,
Que s�o percebidos como tempos de simplicidade e seguran�a.
E Juvenal deve ter trabalhado nesses tipos
de medos, essas inseguran�as,
e a nostalgia nos leitores dele.
Voc� perguntou, "quando ser� grande de novo, Roma?"
- Que vergonha, Turbo. - E quanto a voc�?
S� se alimenta do medo das pessoas.
Ignore-os.
N�o, melhor ainda... use isso.
Pense nele e em como quer te ver falhar.
De novo. Mais forte.
Comece!
Quando Mevia enfrentou o treinamento,
tudo indica que passou pelo mesmo treinamento que os homens.
Gladiadoras teriam usado.
Um punhal pequeno e curvo chamado sica.
Essa era a arma de escolha para assassinos.
Foi constru�do para causar
grande dano aos �rg�os internos.
Era uma arma muito desagrad�vel.
O primeiro treino de todos os gladiadores
com uma arma diferente.
Era com a rudis, uma espada de madeira,
Mas tinha duas vezes o peso de uma espada comum.
Ou a arma que usar� na arena.
Ent�o te desenvolvia fisicamente.
Continua. Mais. Isso.
- O treino foi brutal. - Foi intenso.
Vamos. Mais r�pido. Vai.
E foi muito significativo.
Para separar os fracos dos fortes.
Bom.
Voc� pode n�o conseguir no final.
Podem dizer que voc� n�o serve como gladiador.
Voc� est� � merc� do treinador.
Porque o objetivo deles � fazer de voc� o gladiador perfeito.
Sabe o que est� em jogo aqui?
Reputa��o e honra.
Quando voc� se torna um gladiador profissional,
voc� tem fama, dinheiro, as pessoas adoram voc�,
e voc� tem a certeza
que suas a��es ser�o imortalizadas
e seu nome ecoar� pela hist�ria.
A forma do treinador ganhar dinheiro
com um gladiador era se eles lutassem.
Se ganhasse a luta, levaria alguns trocados,
Mevia poderia ser paga.
Ela receberia 20% dos ganhos.
Com os outros 80% indo para o treinador dela.
Ap�s alguns meses de treinamento,
Turbo tinha todos os motivos para colocar Mevia em uma luta.
Era hora de ver se ela poderia lutar,
ou se era perda de tempo.
A primeira partida p�blica de Mevia
contra uma gladiadora rival ser� no Coliseu.
Em uma prov�vel luta at� a morte.
Mevia!
107 D.C.
A notoriedade de Mevia como gladiadora,
nascida uma cidad� livre em Roma,
faz dela a atra��o principal
para sua primeira luta no Coliseu.
Folhetos e p�steres teriam sido colados
dentro e ao redor do Coliseu anunciando as lutas.
Isso era esperando para o pr�ximo
conjunto de espet�culos.
O an�ncio de uma luta entre duas mulheres?
Essa rara ocorr�ncia teria gerado muito burburinho.
Nem todos em Roma est�o entusiasmados com a luta.
Ainda hoje, no s�culo 21,
muitos homens que assistem a esportes de luta
n�o querem ver luta feminina.
Acho que em uma sociedade que era ainda mais patriarcal,
que n�o tinha o mesmo costume com esportes femininos,
com limites de g�nero mais dif�ceis de tra�ar,
acho que a rea��o teria sido bem mais negativa.
Roma era um lugar vol�til.
Era uma cidade com um milh�o de habitantes ou mais
com muito tempo dispon�vel.
A cidade sempre foi um caldeir�o fervente de tens�o.
Todos os tipos de tens�es.
�tnico, religioso, lingu�stico.
Todas essas coisas ferviam constantemente
sob a superf�cie e mal eram contidas.
Evitar esse tipo de tens�o
era o trabalho de todo imperador.
Mas n�o importa o quanto eles tentassem,
a cidade sempre explodia em viol�ncia.
Acontecia revoltas regularmente todos os anos.
Hostilidade contra as mulheres em Roma
poderia ser brutal.
Viol�ncia sexual contra mulheres foi descrito nos mitos
tendo a ver com a pr�pria funda��o de Roma.
O estupro de Lucr�cia
foi o estopim que p�s em a��o a forma��o da rep�blica romana.
Ent�o a viol�ncia de g�nero
era realmente uma parte profunda do mundo romano.
O destino de mulheres que transgrediam
as normas sociais em Roma era praticamente sempre ruim.
Os romanos refor�aram essas fronteiras,
E eles fizeram isso com viol�ncia.
Para algumas pessoas olhando para uma gladiadora,
era o tipo de coisa que poderia servir
como uma fa�sca no pavio.
O tipo de coisas que mobilizaria uma multid�o revoltada.
S� existe uma linguagem que esses tolos entendem.
Qualquer dissid�ncia na cidade tinha de ser reprimida logo,
porque teria consequ�ncias desastrosas.
Poderia se espalhar para todo o imp�rio,
isso seria o colapso da sociedade para os romanos.
Durma um pouco.
Amanh� � um dia importante.
107 D.C. ROMA
JOGOS TRAJANCIANOS
Trajano, como todos os imperadores,
mediu-se pela conquista.
Ele devastou completamente as tribos dacianas.
Traz de volta in�meros escravos.
E o lugar onde voc� v� toda essa conquista,
todos os escravos �, claro, no Coliseu,
porque no Coliseu tem mais gente para jogar
na arena para lutar e ser morto.
Gra�as �s campanhas dacianas de Trajano,
meio milh�o
de pessoas escravizados foram trazidas at� Roma.
Muitos deles eram mulheres.
Mevia lutar� contra
uma prisioneira de guerra daciana.
Saiba que Juvenal est� l� fora assistindo.
Devo ignor�-lo
ou us�-lo?
Vamos l�.
A press�o
sobre qualquer gladiador � intensa dentro do Coliseu.
Se voc� � um lutador altamente alardeado,
tal como Mevia, tudo dependia do seu sucesso.
Estou pronta.
Seus oponentes s�o fortes, mas voc� � r�pida.
Ent�o use sua velocidade e lembre-se de ficar alerta.
Veja isso.
"Quanto a Mevia, gladiadora romana,
ela � um insulto � sua na��o e ao seu sexo."
O fracasso pode custar caro para Mevia.
Tanto a reputa��o que ela tenha ganho,
quanto poderia custar a vida dela.
Que os jogos comecem!
Mevia certamente causou uma sensa��o
quando ela apareceu pela primeira vez.
Ave, Cesar!
Acho que uma primeira percep��o
� que n�o basta vencer,
� que voc� tem que fazer isso de maneira divertida.
A plateia quer ver algo acontecendo.
Eles querem se divertir.
Voc� quer que a plateia v� embora sabendo
quem voc� �, das coisas que voc� fez,
voc� quer que contem hist�rias sobre voc�.
Vamos, Mevia!
E se voc� morresse
com eleg�ncia, coragem e honra,
voc� sabia que seria lembrado e imortalizado.
107 D.C.
Em sua primeira luta,
� prov�vel que Mevia est� vestida
como uma guerreira lend�ria.
Sua oponente tamb�m assumiria um papel m�tico:
A heroica grega.
Relevo em m�rmore de Halicarnasso
do primeiro ou segundo s�culo d.C.
retrata duas gladiadoras
que est�o sendo dispensadas do servi�o,
ou recebendo uma prorroga��o ap�s chegarem a um empate.
Amazona e Achillia, s�o os nomes delas.
Amazona � a resson�ncia das amazonas,
lend�rias mulheres guerreiras
que vivem al�m dos limites da civiliza��o.
Achillia, � claro, remeta a Aquiles.
O veloz Aquiles da lenda Hom�rica.
O Coliseu foi uma li��o.
Se pensar no fato que a maioria dos romanos
era analfabetos, n�o liam mitologia.
E, �s vezes, eles encenavam cenas da mitologia
muito parecidas com as hist�rias b�blicas,
s�o para dar uma li��o de moral,
esses mitos eram um caminho
para ensinar aos romanos uma li��o importante.
Acho que teria fascinado o povo de Roma.
Era como se fosse uma amazona ganhando vida.
Uma personagem de mito e lenda.
Toda luta de gladiadores era at� a morte,
porque se algu�m n�o se rendesse...
Basicamente indicava que eles haviam desistido.
A luta continuaria at� algu�m morrer.
Um gladiador poderia se render.
Eles levantariam o dedo em sinal de submiss�o.
O imperador se voltaria para a plateia
e pedia a opini�o deles sobre o que deve fazer.
Se o gladiador que se rendeu deve viver
ou se deve morrer.
M�via!
A ideia romana de clem�ncia � uma virtude imperial.
Isso remonta a J�lio C�sar.
Mas quando a vemos sendo aplicada,
h� um lado positivo, mas tamb�m um lado sinistro.
E � um jeito do imperador
sinalizar que est� no controle total.
A vit�ria de Mevia ressoa
muito al�m das paredes do Coliseu.
Mas depois de sua apari��o documentada na arena,
pouco se sabe sobre ela.
Ter conquistado um lugar na escrita de Juvenal,
talvez ela tenha dominado o combate entre gladiadoras
durante o reinado de Trajano.
Um s�culo depois,
a dif�cil toler�ncia de Roma
com mulheres gladiadoras termina.
O imperador Sept�mio Severo
pro�be gladiadores do sexo feminino
no in�cio do terceiro s�culo.
E isso significa uma coisa, que elas se tornaram populares.
Eu disse que poderia lutar.
Bom trabalho.
Ironicamente, Mevia � lembrada
apesar de Juvenal ter zombado dela,
apesar de desprezarem ela
e apesar do fato das piadas de mau gosto,
o maior desprezo e mau gosto poss�vel dos romanos.
Hoje conhecemos Mevia. E hoje podemos honr�-la.
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