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Original subtitles

A FESTA DOS ÍDOLOS

Sim, sempre livre quero gozar de festa em festa.

Quero que a minha vida passe sempre pelos caminhos do prazer

Que o dia nasça ou morra quero viver sempre nos lugares

de prazer procurando novas alegrias.

Senhoras e senhores, não deviam aplaudir esta jovem

porque ela nos vai abandonar.

Sim, perdemo-la.

Vai deixar a orquestra e a vocês, a vossa audiência.

E abandona a música. Sabem porquê?

Envergonho-me de o dizer.

Vai fugir com um homem.

Senhoras e senhores,

foram tão amáveis comigo que se me permitem,

gostaria de vos apresentar o homem que amo.

Senhoras e senhores,

o meu pai.

O regimento do meu pai foi transferido para outro quartel.

Papá, posso dizer qual?

Bem, seja como for, é um quartel.

Creio que todos devemos saber

o que está nas nossas mãos.

Quando tivermos ganho, eu volto.

Mas de momento, acho que o meu lugar é com ele

e com os rapazes.

Senhoras e senhores, com a vossa autorização, esta noite,

gostaria de cantar a canção favorita do meu pai:

"Amanhecer"

Amanhecer, outro dia novo dia

A névoa da pradaria está a desaparecer

Porque é o amanhecer

O sol está no céu

e as flores desabrocham no seu manto colorido

Saídas do céu, que bonitas são,

Para ver da minha janela

Um céu cheio de sonhos.

Enquanto as nuvens azuis navegam no céu azul

Ao amanhecer, eu sonhei contigo.

Kathryn, entra, por favor.

Aqui está o homem com quem vou fugir, Sr. Iturbi.

O Sr. Jones. Coronel Jones.

Gostei muito do concerto, Sr. Iturbi.

Muito obrigado.

Espero que o seu regimento esteja orgulhoso da nova recruta, coronel.

Verá que estou muito disciplinada, senhor.

Aqui é férrea.

Vai ter problemas com esta rapariga.

Queria ficar e causar mais problemas.

Foi maravilhoso, na verdade. Lamento ter de partir.

Eu também, mas é por uma boa causa.

- Ela fará um bom trabalho. - Já tem tudo pensado.

Até já lhe pôs um nome. É ''Serviço de Recreio'', não é?

É. Entreter os soldados, levantar-lhes a moral,

fazê-los sempre sorrir. É importante.

- Os homens precisam disso, não é? - Não.

Mas preciso eu.

Estou certo que os farás muito felizes.

Adeus, José e obrigada por tudo.

Kathryn, eu... pretendia ter um discurso de despedida,

algo poético e comovedor.

Mas agora que chegou o momento, a única coisa que posso dizer

é que terei muitas saudades tuas.

É o discurso mais comovedor que ouvi em toda a minha vida.

- Cuide bem dela. - Cuidarei. Adeus, senhor.

- O capitão Avery, meu ajudante. - Olá.

- Encantada. Ajudante? - Um assistente.

Secretário a cargo do trabalho administrativo.

-Tenho um táxi à espera. - Obrigado, capitão.

Vê o que quero dizer?

- Até amanhã, Fred. - Sim, senhor.

Foste muito duro, não?

Ele quer ser o secretário encarregado da filha do coronel.

Mas desse departamento encarrego-me eu.

Como te devo chamar? Pai, papá, papi ou coronel Jones?

Não te lembras de como me chamavas quando eras pequena?

- Creio que não. - Óptimo.

Como era?

Não to direi por nada.

- Surpreende-te como eu sou? - Menina Jones, é maravilhosa...

É um prazer conhecê-lo, coronel Jones.

- O quê? - É um prazer conhecê-lo.

Estou muito feliz de o ver.

Todas as raparigas deviam conhecer o seu pai alguma vez.

Estou feliz por o terfeito ainda sendo jovem.

O comboio sai amanhã ás dez da noite.

Apanho-te ou vais ter à estação?

Vemo-nos lá.

Certo. Estás na 124, compartimento H.

-Vou escrever-te. - 124, compartimento H.

Eu lembro-me. - Óptimo.

- Queres subir um momento, papá? - Não.

- Porfavor. - É melhor assim.

Vemo-nos amanhã na estação.

Então o que lhe digo?

Nada.

Então?

- Alto, moreno e lindo. - Voltaste cedo.

O que esperavas no nosso primeiro encontro?

Nem sequer te comprou um hambúrguer?

Os homens como ele agem devagar, não te lembras?

Deixa-me ver...

Na altura era capitão. Não mudou muito.

Nada muda muito...

Mãe, sempre que to tiro, tu encontra-lo e voltas a pô-lo da volta.

Eras uma menina linda, querida.

Não sei por que ficavas sempre tão mal nas fotografias.

- O pai sempre foi bonito. - Sempre.

Corajoso, bonito, cortês, todas as virtudes masculinas.

Mas muito aborrecido...

- Mãe, por favor... - É verdade, foi por isso que o deixei.

- Ele pediu-me para te dizer uma coisa. - A sério?

Disse-me para te dizer que gosta muito de ti

e que espera que um dia voltes para ele.

Kitty Kat... se eu não te conhecesse...

- Bem, mas eras o que estava a pensar. - Tolices.

Ele teve muitos anos para pensar.

Se isso fosse verdade,já o teria dito.

Mas não deram uma oportunidade um ao outro.

Se te visse, gostaria de ti e tu dele...

Ouve... A única coisa que lhe interessa é o exército dos Estados Unidos.

Isso é óptimo para o exército, mas não para mim.

Eu consegui orientar bem a minha vida sem ele.

Sou feliz, ele também e o exército está felicíssimo.

Além disso, é assunto nosso. -Também é meu.

Claro, Kitty, o que quero dizer...

Agora que tens a oportunidade de passar um tempo com ele,

quero que aceites a situação e a desfrutes.

E não tentes unir-nos de novo, sim?

Sim...

Mãe, lembras-te como eu lhe chamava?

O que queres dizer?

Eu chamava o pai por algum nome em especial?

- Sim, tinhas um. - Qual?

- ''Paddy Weddy''. - O quê?

- ''Paddy Weddy''. - ''Paddy Weddy''?

Não admira que não me dissesse...

Deixa-te de tolices senão começo a chorar.

Parece que eu vou para o fim do mundo.

Não sejas tola. Vou ter saudades tuas.

- Não te vais safar assim. - Com o quê?

Não podes mandar-me para a guerra sem me comprares algo,

ao menos uma revista.

Que cruz ter uma filha mercenária!

Está bem, compro-te uma revista.

''Mecânica popular'', compra-me essa.

É a minha revista favorita, sabes? - Não me digas...

Papá, o que fazes aqui?

- Mãe, o pai... - Olá, Bill.

- Como estás, Hillary? - Bem, obrigado.

Tens bom aspecto...

Agora me lembrei que não dei gorjeta ao rapaz das bagagens.

Volto já.

Não, vemo-nos no comboio. Dizes-lhe onde é?

Bom estratagema. É espertinha!

- Já te disse. - Tem cuidado, querido.

E escreve-me quando chegares. Não te esqueças.

Estará ã tua espera.

50 dólares por mês? Tens de pedir um aumento.

Finalmente sós, querida.

Adeus, querida e não te esqueças de escrever.

Rapazes, a bordo!

Kitty, encontraste o rapaz?

Sobe para o comboio, Kathryn, depois falamos.

-Adeus, Hillary, gostei de te ver. - Cuida dela, Bill.

Vocês deviam beijar-se, toda a gente o faz.

Até os... desconhecidos.

Acho que tenho de rever o regulamento.

Vou certificar-me disso.

Kitty Kat, não farás nada disso.

- Adeus. - Adeus.

- Cuida de ti. - Sim...

-Adeus, querida. - Escreve-me.

- Um momento. - O que foi?

Lá porte ter beijado, não significa que tens de me seguir.

Não?

Eu beijo muitas raparigas e não significa nada.

Eu acho que sim. Significa que estamos comprometidos.

O que é isto?

Significa que te seguirei até ao fim do mundo.

Mas não podes, este comboio é só para soldados.

Não digas a ninguém que estou aqui.

REVISTA MECÂNlCA POPULAR

Adeus, Mame...

Adeus, Mame, querida. Deixo o meu coração na plataforma.

Deixa uma moeda ao rapaz.

Caso não saibas, o comboio já partiu.

És o detective de serviço?

Adeus, Mame, querida, adeus, adeus...

Escrever-te-ei todos os dias, todas as horas, todos os minutos...

Não interessa o preço dos selos...

Adeus, querida.

- O que achas? - O que acho de quê?

O que queres dizer com isso? O que achas da mãe?

Não é maravilhosa? - Não sei. É?

Ora, pai, o que é que ela disse? O que é que tu disseste?

Afinal de contas, estiveste com ela três ou quatro minutos,

deve ter acontecido algo.

Disse-lhe que tinha feito um excelente trabalho contigo

e ela perguntou-me pelo exército.

Perguntei-lhe pelo mundo da música

e ela disse-me que continuava muito harmonioso.

Disse-me que ultimamente o meu mundo saía muito nos jornais.

E expressei-lhe surpresa por leres coisas daquelas.

Depois disso, as coisas esfriaram.

Satisfeita?

Se eu tivesse uma mulher que não via há anos,

teria feito muito mais.

Sim?

Tenho de saber algo.

- O quê? - És doida?

E tu?

Ouve,

eu só te beijei na estação porque se estavam todos a beijar.

É a única razão. Não significas nada para mim.

Disse-te antes e volto a dizê-lo. Não significas nada para mim.

Um momento, soldado.

Como se chama, meu jovem?

- Soldado Marsh, senhor. - Encantada.

Não te metas nisto. Não significas nada para ele.

Não?

- Não, senhor. - Não tem mais nada a dizer-lhe?

Não, senhor, excepto que a partir de agora, só beijo mulheres que conheço.

É tudo, Marsh.

Tu e eu, acabámos de vez!

E tu e tu, vamos ter de falar de homem para homem.

Escrevendo na cadeira aos três filhos que estão ali,

Sonhando com a despedida e o amanhecer

Tu, Harry, Dick e Tom,

Um beijo da mãe para vocês

Nas vossas caras um sorriso bonito

Três cartas na caixa do correio

A morada é os mares distantes

Ao Tom, ao Dick e ao Harry,

no exército, na marinha e nos fuzileiros.

Ela, orgulhosamente, tricota três camisolas.

Para os três rapazes corajosos

E ela diz nas suas cartas

''Estarei à espera até que voltem de lá. "

Como eles crescem depressa, ainda agora eram pequenos,

Ela chora para dentro de si

Agora tricota para eles, com os dedos faz uma reza

Para que eles fiquem protegidos do frio.

Estes espectáculos deixam-vos mais felizes?

Menina Jones, posso levá-la a casa quando acabar o baile?

Se a minha mãe me visse agora...

Eu não passava de um cowboy num rancho no velho Wyoming

E a minha ambição era sair daquele buraco um dia

Por isso fiz a mala e deixei o Wyoming

E oiçam porque estou contente por ter partido.

Cavei um fosso cavei um fosso

Tentei ficar rico em Wichita.

Consegui em Wichita.

Podia continuar a cavar até me aborrecer

Mas agora sinto que cavei um fosso

e há algo mais

Tenho uma noite para cavar um fosso

Quero voltar a divertir-me antes de me aborrecer

Antes de cavar um fosso e ficar rico em Wichita.

LEMBRE-SE O INIMIGO ESTÁ A OUVIR.

Podes continuar sem mim?

Melhor ainda.

O que vais fazer depois do baile?

Queres acompanhar-me a casa?

Se quiseres, por mim tudo bem.

Quem diria?

Posso convidar-te para um batido de chocolate?

Um batido de chocolate? Chuck, parecerá que estamos noivos.

Mas por outro lado, é mesmo o que eu preciso.

Óptimo.

Dois batidos de chocolate, um para o soldado Jones...

- Olá. - Olá.

- Olá, Eddie. - Olá.

O que foi, não gostas do batido?

Gosto.

- Então não gostas da festa? - Não está mal.

Não gostas da música?

Não ouviste? Não gosto do exército.

Mas porquê?

Quando cheguei, a primeira coisa que aprendi é que um soldado

não se mistura com os oficiais nem com as suas famílias.

Agora entendo porquê.

Porquê?

Não somos suficientemente bons.

Não sei onde ouviste isso, mas não é verdade.

Menina Jones, o que pretende, levantar-me a moral?

Dou-lhe um murro, menina Jones?

- Deixa, Chuck, vamos embora. - Só um pequeno...

Se é assim que quer, menina Jones, levo-a a casa.

- Ora esta, um individualista. - Não gostas de mulheres, é?

Não preciso dela, tenho os meus planos.

- Quero tirar este fato. - Vais abandonar o exército?

Não, vou pedir transferência. Para a força aérea.

É lá que quero estar, lá em cima.

Ela não tem nada a ver com isso.

Em que estás a pensar? O pai dela não é coronel?

São eles que decidem...

E não faz mal nenhum ser amável com a filha do chefe.

Há maneiras mais difíceis de seguir em frente.

Vamos, Sam, não vale a pena dizer ao grande Marsh

a oportunidade que está a perder.

Esquerda, direita, marquem o passo

Esquerda, direita, marquem o passo

Esquerda, direita, esquerda, direita

Eu não passava de um cowboy num rancho do velho Wyoming.

E a minha ambição era sair de lá um dia

Por isso fiz as malas e deixei o Wyoming.

E oiçam porque estou contente de o ter feito

- Cavei um fosso - Cavei um fosso

- Tentei ficar rico - Em Wichita.

- E consegui... -... em Wichita.

Companhia, alto!

- Um baile para a semana? - Parece-me bem.

Soldado Jones...

- Gosta de Chop Suey? - Gosto.

Porquê?

Polanski!

À vontade...

Boa noite, rapazes.

Menina Jones, queria perguntar-lhe o que faz terça-feira à noite.

Mas, sargento...

Sentido!

Meia volta!

Marchar!

- Boa noite, menina Jones! - Boa noite, menina Jones!

Soldado Jones presente.

- Capitão. - Olá, Kathryn.

- Como correu? - Muito bem, suponho.

Algum problema?

Na verdade, os rapazes não precisam de mim.

- Quando cheguei, pensava que podia... - Tolices!

Estão loucos por ti.

Sim, creio que gostam de mim.

- Excepto o Eddie. - Quem é o Eddie?

O Marsh, aquele que conheci no comboio. O antipático.

Olha, uma carta!

Kathryn,

o capitão quer despedir-se. - Perdoe.

- É da mãe. Boa noite, Fred. - Estava a perguntar-me,

se eu tirasse os galões para não verem que sou um oficial,

acha que conseguiria um encontro por aqui?

Não precisa de passar por isso.

- Então que tal amanhã à noite? - Perfeito.

Não posso, amanhã estou com os rapazes da banda. Lamento.

Vê o que eu dizia? Discriminação.

- Boa noite, coronel. -Adeus, Fred.

- Boa noite, Kathryn. - Boa noite.

- Queres ouvir o que ela diz? - Nem por isso.

Deixa-me ler-te esta parte, é linda!

Boa noite, Kathryn.

Achas que temos um futuro juntos?

Acho que tens futuro na prisão se não saíres daqui.

las visitar-me?

Eddie, vais meter-te em problemas.

Quero pedir-te perdão.

Porquê? Se não gostas do exército, lamento.

- Mudei de opinião. - Então agora gostas do exército?

Gosto mais desde que estás aqui.

- Não foi o que disseste antes. - É isso que me torna interessante.

Sou imprevisível.

O que se passa contigo? Por que és tão desagradável?

- Não te entendo. - Fazemos assim...

Aceitas um encontro comigo e eu explico-te tudo.

- Não. - Ora, é bom para o meu moral.

- Comigo e com a minha família. - O que tem a tua família a ver?

Vamos vê-los.

- Eles... estão por aqui? - Claro.

Estavas a falar com alguém? Pareceu-me ouvir vozes.

Vozes? Era eu.

Quando escrevo, falo comigo mesma.

Assim olha...

''Querida, mãe. Eu re... ''

Recebi... é com ''c'' ou com ''s''?

''Recebi a tua carta... ''

Se lhe vais contar segredos militares, sussurra...

- Oh, Kathryn, eu... - ''O pai é muito popular''.

Desculpa eu ter sido brusco antes.

Brusco?

Se quiseres ler-me agora a carta da tua mãe...

Não, deixa lá.

A sério que gostava de ouvir.

Não ias gostar, é muito aborrecida.

É longa, sete páginas.

Queres vingar-te de mim, é? Está bem.

Ser pai é novo para mim, mas eu aprendo.

Boa noite.

- Eddie, vai. - Bom tipo.

- Fora daqui. - E esta noite?

- Onde vivem os teus pais? - Em Belford. Eu arranjo um carro.

E achas que se eu os conhecer, vou entender por que és assim?

É a chave da minha personalidade.

- Quando? - No sábado à noite.

Arranjo uma licença.

- Está bem, combinado. - Óptimo. Fazemos assim...

''E quando o baile acabou... ''

Parece que alguém deixou aqui um sapato.

Que tolice! Por que alguém deixaria aqui um sapato?

As pessoas precisam deles...

Não é?

Pode retirar-se, soldado.

- Não foi culpa dela, eu entrei... - Pode ir, Marsh.

Sabe, senhor,

foi por aqui que eu entrei.

Desculpa, pai.

O que mais admirei em ti até agora, Kathryn,

foi a tua capacidade de ficares amiga de todos os rapazes

sem mostrares favoritismos.

Mas, papá, alguns precisam de mais ajuda que outros.

- Vamos, Kathryn... - É verdade...

O Eddie é o único que conheci com a moral em baixo.

Precisa de ajuda.

Kathryn, não quero parecer pouco razoável, fazes um bom trabalho

e eu confio no teu julgamento.

Então não te importas que eu saia com ele?

Sair com o Marsh?

- Tenho um encontro com ele. - Não vai contra o regulamento.

Faz o que achares melhor.

Boa noite. Espero que a tua mãe não saiba disto.

É suposto eu cuidar de ti.

Se souber, voa até aqui no primeiro avião que puder.

''Querida mamã, acho que estou apaixonada. ''

Chegámos tarde? Está quase a acabar.

Mesmo a tempo.

Não tinhas dito que íamos a tua casa?

Esta é a minha casa.

E suponho que esta gente toda são teus parentes.

Não, eles estão... ali em cima.

O que está ali no trapézio, é o meu pai.

E quem é o que está de cabeça para baixo?

É o tio Algy.

Aquelas são as minhas irmãs, a Mary e a Ally.

Aquela é a minha mãe.

Gostas?

São os acrobatas mais incríveis que já vi na vida.

Acrobatas? São os ''Corbinos voadores''.

-Trapezistas. - Há diferença?

Claro que sim. Os meus pais eram os melhores.

Não disseste que os teus pais são aqueles?

Os meus pais morreram quando eu era pequeno.

Não te preocupes, como nunca os tive, nunca tive saudades.

Os Corbino foram impecáveis comigo.

Educaram-me e treinaram-me.

Sabes fazer aquilo?

Se sei fazer? Eu era a estrela deste número.

Chamávamo-nos ''Eddie Marsh e os Corbinos voadores''.

Atenção, senhoras e senhores!

A menina Mary Corbino tentará voltar à plataforma de saída

de uma forma nunca conseguida por outro trapezista.

A menina Mary Corbino!

Vamos, vemo-los nos bastidores.

Eddie, olá, estás maravilhoso!

- Eddie! - Olá, mamã!

Estás com um ar maravilhoso!

Dão-te de comer?

Esperem. Esta é a Katrhyn Jones.

- Adorei a vossa actuação. - Obrigada.

Estás muito elegante, Eddie.

Não te sentas?

Não podemos ficar, temos de voltar para o quartel.

- O quartel? Que esperem. - Papá, porfavor.

Não insultes o exército.

Quem o está a insultar?

O Eddie é um homem muito importante lá.

Não sou tão importante como isso, mamã.

Ficaste modesto? Nunca o foste.

Antes dizias a toda a gente que eras o melhor trapezista do mundo. E era.

Não podia ser melhor que vocês.

As raparigas fazem-no bem, mas devias ver o Eddie.

Bem, temos de voltar. É uma viagem longa e...

Vamos, Eddie, não vás assim.

- Por que não jantam connosco? - Não devemos...

Não negues. Estamos prontos em dez minutos e podemos ir.

- O que dizes? - Adoraria.

Então saiam e esperem por nôs lá fora.

Não demoramos.

Gostas da minha gente?

Adorei-os.

- Fazem um bom número, não? - Sensacional.

Mas não me trouxeste aqui para isso.

E porque não?

Porque querias impressionar-me.

Sim...

Aqui eras muito importante, não é?

Sim, era. Chamavam-me ''o rei do grande trapézio''.

É por isso que não gostas do exército?

Achas que foram justos comigo?

Só perguntei.

Kathryn, achas que cheguei lá acima de um dia para o outro?

Sabes quantos anos me custou?

A vida toda, toda a vida lá em cima.

E para onde me mandam? Para a infantaria.

Um tipo que passou a vida no ar.

- O que achas de tão divertido? - És maravilhoso.

Sabes? É preciso o mesmo sentido do equilíbrio

e precisão para pilotar um avião

que para trabalhar no trapézio. E eu tenho talento para isso.

Há pessoas que são felizes no chão, eu sou feliz no ar.

O meu pai podia arranjar-te a transferência para a força aérea.

- Falas a sério? - Naturalmente,

é o mais lógico do mundo.

Sim, é verdade. Quero dizer... talvez seja o que devias fazer.

Suponho que é normal que tu entendas melhor.

Tu também és uma artista.

Estás no mundo do espectáculo, não é?

Eu faço mais concertos.

- Canto muito com o Iturbi. - Iturbi?

Sim, o regente da orquestra.

Ah, sim, o da liga dos cabeludos.

Uma dessas bandas com cem tipos que toca música clássica, não é?

Sim, eu cantava com eles.

- E não te tapavam? - O que queres dizer?

Cem tipos tocam mais alto que uma pessoa a cantar.

Não, não quando eu canto.

Já entendi, tu eras a estrela.

Quando tu cantavas, eles tocavam suavemente.

Não, não é isso.

Ás vezes tocam forte e ás vezes suavemente.

Damos força uns aos outros.

Parece muito complicado.

Não, Eddie, não é quando se trabalha em equipa.

Imagina que a orquestra está aqui e eu estou aqui.

Os oboés começam a abertura.

As cordas apanham aqui...

E começam a tocar mais alto.

Tocam as trompas

e agora o resto dos metais.

Deixa que a soe a música, música por todo o lado

Música que me conta

o Abril que está no ar.

Ouve o rugido do trovão

Canção que te maravilha

Deixe que soe uma música encantadora

Música que o meu coração partilhará

Deixa que soe a música cantando sobre os meus pés

Música que se sente como o sol nas cara

Deixa que a aurora que se aproxima conheça a canção que oiço

No meu coração há música

O amor interpreta-a perfeitamente.

Nunca antes ouvi as minhas asas

Bater ao vento sem controlo

Esta é a música, a música que oiço

Agora recordar-me-ás onde quer que a oiças

Ouve o rugido do trovão, canção que maravilha

E diz: deixa soar a música

Em cada respiração...

Oh, é maravilhoso!

Fantástico!

Acho que é melhor irmos.

- Venham jantar connosco... - Não podem ir...

- O que tens? - Nada.

Estive a pensar... Não foi ideia tua, sabes?

O quê?

Falares com o teu pai sobre a minha transferência.

Ah, não?

Não, foi minha, foi por isso que te trouxe.

E estás envergonhado?

Sim, mas...

não quero que penses que te beijei porque...

Não penso, não penso nada disso.

De certeza?

Não era esse tipo de beijo.

Era deste tipo.

Á vontade, Marsh.

Coronel Jones, queria explicar-lhe...

É tarde para explicações, venha ao meu escritório amanhã de manhã.

- Coronel, eu... - É tudo.

Desculpa, papá, não sabia que era tão tarde.

- Não te preocupes. - E não foi culpa dele.

Falamos disso amanhã.

Mas passaste uma boa noite?

Claro.

Creio que me apaixonei por ele.

Estás zangado comigo?

Não sei.

Não creio.

Boa noite, querida.

Prometi ã tua mãe cuidar de ti... Que promessa difícil!

Western Union, porfavor.

Quero enviar um telegrama à Sra. Hillary Jones,

Grandy House, Nova lorque.

''Querida mamã:

esquece a minha carta, estava só a brincar.

- Pareces muito contente, soldado Marsh. - O que celebras, Eddie?

Não sabem? O Eddie tem um encontro com o coronel.

O coronel não mexeria um dedo sem consultar o Eddie.

Vais ensinar-lhe como comandar o regimento?

- Não, vai dizer-lhe para onde vamos - Pode ser o Alasca, Eddie?

- Por que não Inglaterra? - Que te parece a Rússia?

Como voa pelo ar com grande tranquilidade

o homem ousado do trapézio voador.

Eddie, eu também espero ter uma conversa com o coronel,

por isso, dá-lhe um toque, se calhar. - Claro. Sobre o quê?

Sobre mim e a filha dele, a Kathryn.

Deixa lá, eu mesmo falo.

Afinal de contas, ela ama-me e eu amo-a.

Eu falo com o coronel.

Por que não? Acho que sim?

Olá, coronel,já me conhece, estou nas forças armadas.

Quero falar-lhe sobre a sua filha. Eu vim...

Sim, eu vou. Sim, senhor...

Não pode fechar-me a porta na cara, tenho os meus direitos.

Acho que lhe direi claramente o que penso.

Por que não? Acho que sim.

Entre.

Não me incomodem se não for urgente.

Sente-se.

- Revi o seu dossier, meu jovem. - Sim, senhor.

Não é um bom soldado, pois não?

Não, senhor.

- Ontem à noite excedeu o seu tempo. - Sim, senhor.

A minha filha disse-me que quer ser transferido.

Isso depende, senhor.

De quê?

Do que tenha a dizer sobre mim e a menina Jones.

Se me transfere só para se livrar de mim, creio que não aceito.

Acha que tenho o direito a dizer algo sobre ambos?

Se é um desses que pensa que um soldado não se pode misturar

com a filha de um oficial, então... - Espere um momento.

Desculpe, senhor.

É melhor ser você a falar.

- Coronel, desculpe. - Não é má ideia.

Sente-se à minha mesa e eu sento-me aqui.

- Coronel, eu não... - Não se preocupe, Marsh.

Quero saber o que diria se a sua filha chegasse de madrugada.

Aqui está a sua folha de serviço, as suas classificações...

e tudo o resto.

Vá em frente.

Força!

Marsh, andou a sair com a minha filha.

E ouvi que sente algo por ela.

Sim, senhor.

O exército não gosta disso, não gosta em geral.

Pensa que a disciplina é melhor se houver menos familiaridade.

É o que o senhor pensa?

Bem, talvez eu seja diferente,

talvez o exército esteja a mudar.

Mas quero que saiba que não pode haverfavoritismos.

E se hoje em dia os oficiais são mais amistosos com os homens

do que eram antes, tem de haver disciplina.

- Sim, senhor. - Não me venha com ''sim, senhor''.

E se tivermos disciplina porque tem medo de mim,

não serve.

A disciplina tem de sair do respeito.

Sim, senhor.

Não me importo que a minha filha saia com um soldado,

mas não quero que saia com um falhado.

Sim, senhor.

Não vou castigá-lo por a ter trazido tarde,

embora saiba que o podia fazer, não o esqueça.

Não, senhor.

Mas vou dar-lhe uma oportunidade.

Creio que pode melhorar esta folha de serviços.

Se acha que pode aprender o que é disciplina,

não me oporei a que veja a Kathryn, se ela o quiser ver.

Quanto ã transferência, deixemos isso por agora, vamos ver como corre tudo.

O que diz?

Muito bem, senhor. Vou dar o meu melhor.

Perfeito. Espero que sejam muito felizes.

Soldado Marsh...

Sim, senhor?

Vou recomendar ao seu comandante que lhe dê trabalho extra

por exceder a sua licença ontem. - Sim, senhor.

Ligue-me a Nova lorque, quero falar com a Sra. Jones,

a Sra. Hillary Jones de Grandy House. Depressa.

Deixe, cancele a chamada.

- Bom dia. - Bom dia, coronel.

Senhores, os dois têm filhas crescidas, não é?

- Sim, senhor. - Faz 21 em Outubro.

Bem...

Como é que mantém a trela curta? Como é que as controlam?

Bem, creio que posso falar pelo major Haines.

É muito simples, na verdade.

O major e eu pensamos que é só uma questão de...

quer dizer... pensamos que...

a melhor maneira é... - Sim?

Por que teve de mencionar isso, coronel?

Obrigado, senhores.

Kathryn, quero falar contigo.

- É importante. - Ouve.

Kathryn...

E depois, querida, chega o final do Concerto da Vitória.

- E tu serás a solista. - Eu adoraria, José,

mas o meu trabalho é aqui.

Fazemos assim um trato...

Eu cantarei para ti se vieres aqui cantar para nós.

Fazes? Fantástico!

Que te parece o próximo domingo? Óptimo.

Então esperamos-te? Óptimo. Adeus.

Ouviste? Ele vem aqui. Não é maravilhoso?

Sim, mas...

Coronel, o que faz em casa a meio do dia?

Kathryn,

sabes por que eu e a tua mãe nos separámos?

Porque a vida de um soldado não lhe pertence

e ela nunca quis aceitar isso.

- Falaste com o Eddie? - Sim, falei.

- E gostaste dele? - Gostei.

Não... quer dizer, não sei.

Só queria ter a certeza que sabes onde te metes.

- Não te preocupes tanto, papá. - Mas a tua mãe...

A minha mãe estava errada.

Eu partilhava-te sempre com o exército e o Eddie também.

Dás-me mais problemas que um regimento.

Vamos fazer dele um grande soldado, não vamos?

Paddy Weddy...

- Acertei-lhe? - Mesmo no centro.

Olhar à direita!

Olhar em frente!

- Kathryn? - Sim?

Hoje rasguei a minha transferência.

O quê?

A minha transferência para a força aérea.

Mas querias tanto isso...

Não sei...

Prefiro estar contigo.

Eu também prefiro.

Kathryn, queres casar comigo?

Não sei. E tu?

Quando voltar.

Eu espero-te.

- Achas que eu volto, não é? -Tenho a certeza.

Eu também, como todos os rapazes do exército.

Assim espero.

Eddie, acho que é melhor ires, tens muito que fazer.

Sim, eu sei. É melhor despachar-me.

Eu amo-te.

Eu também.

- Mamã! - Minha pequena Kitty...

Mamã, que alegria!

Não é preciso tanto alvoroço.

É tão bom ver-te. Quando chegaste?

Há uma hora atrás.

Recebi a tua carta e suspeitei que precisavas rapidamente de uma mãe.

- Não recebeste o meu telegrama? - Recebi.

É por isso que estou aqui.

A tua mãe queria levar-te para casa.

Oh, não, isso é impossível.

Não sei se teria dito dessa maneira, Bill.

Não, terias partido o seu coração gentilmente.

O teu pai parece bastante compassivo com o rapaz.

Embora, segundo o que me contou, seja difícil de perceber porquê.

Não é melhor conhecê-lo antes de o julgar?

Não.

Ouve, Kitty Kat, ele é maravilhoso,

ou não terias gostado dele.

Mas agora está no exército. Que tipo de vida te pode oferecer?

A vida dele nem sequer lhe pertence.

É por isso que vens para casa,

antes que o descubras por ti mesma.

Papá, concorda com a mãe?

Quando é que partimos?

Amanhã de manhã.

Eu não vou.

- Não me pode obrigar! - Kitty!

Domingo é o nosso espectáculo.

Vem o Iturbi e actuarão estrelas de Hollywood.

O Eddie pediu à família dele para prepararem o trapézio

para fazerem um número no meu espectáculo.

Trapézio? Os pais dele são acrobatas?

Trapezistas e eu amo-o.

Estamos comprometidos e não me importa o que digas.

Vou casar-me com ele.

Só porque deixaste o meu pai isso não quer dizer...

É melhor deixares-me falar com a tua mãe a sós.

Importas-te?

Hillary, ela esperou muito por aquele espectáculo.

Trabalhou no duro.

- Quer que seja um êxito e... - Lamento, Bill,

quanto mais atrasarmos, mais difícil será.

Podias mudar de opinião, os soldados vão embarcar em breve.

Quando?

Não posso dizer-te quando, mas é muito em breve.

Tu também vais?

É o meu regimento.

Deixa-me chama-te meu amor...

LEMBRA-TE O INIMIGO ESTÁ Á ESCUTA

Muito bem, Eddie, bravo!

Vamos, voltem ao trabalho!

Calado!

- Eddie... - Kathryn.

- A minha mãe está aqui. - Isso é bom ou mau?

- É terrível. - Porquê?

- Ela quer levar-me para casa. - Diz-lhe que não queres ir.

Não sou bom para ela...

Nem te quer conhecer.

Não me quer conhecer?

Não é por ti, querido, é porque és soldado...

E ela não gosta de soldados. Perfeito!

Espera, isso não vai servir de nada.

- Onde julgas que vais? - Não é da tua conta!

Eddie, vais meter-te em problemas!

Eh, Eddie, o que é, amigo?

Saíste sem autorização ou deste um murro no sargento?

-Tudo. - Oh, isso é grave.

Conheço um tipo que apanhou um ano por causa disso.

''Serão castigados com um ano de trabalhos forçados,

dispensa desonrosa ou veredicto em tribunal marcial. ''

Vamos, vamos. ''Ou veredicto em tribunal marcial''.

Não te esqueças do ''ou'', amigo. Até pode ser fuzilado.

Não é má ideia. E é mais barata.

Ora, vão passear...

Se te fuzilarem, fazes-me um favor?

Diz à Kathryn que gostava de sair com ela.

Sim, sim...

Tens uma visita.

- Cinco minutos, menina Jones. - Obrigada, sargento.

Olá, soldadinho.

Olá.

- Eddie, a tua família está aqui. - Onde?

No pátio de armas, a preparar o equipamento.

- O que lhes disseste? - Contei-lhes a verdade.

Estou nalguma prisão? Contaste-lhes o quê?

- Não. - E por que não? Diz-lhes.

Conta-lhes o que acontece com quem diz o que pensa.

Conta-lhes o que se passa a um tipo que se apaixona

pela filha de um chefe. Conta isso tudo ã minha família. Sim!

Diz-lhes o que acontece a um soldado que diz à mulher do coronel

o que pensa dela.

Não, tu não entendes. Tens problemas.

Marcaram uma data para o julgamento.

O que queres que faça? Que me ponha a chorar?

Não, mas podemos fazer algo.

Tens de te defender, vamos falar com alguém...

Esquece!

Eddie, estou a tentar ajudar-te.

- E não posso se não reconheces... - Não preciso da tua ajuda

nem de ninguém, eu meti-me nisto sozinho e saio disto sozinho.

Eddie, não digas isso, por favor...

Deixa-me sozinho.

- Eddie... -Vai, porfavor, deixa-me em paz.

- Coronel Jones, o Sr. Corbino. - Como está, Sr. Corbino?

Então é o senhor que meteu o Eddie não prisão, é?

-Algy, vem cá. -Vou já.

Cometeu um erro. O Eddie é um bom rapaz.

- Aqui está, foi este. - Como pôde fazer isso?

Papá, porfavor, não fiques nervoso.

- Diga-nos, o que ele fez? - Foi por isso que eu vim,

o Eddie abandonou o seu posto.

- Desertou do exército? - Não, abandonou o trabalho.

Mas por que é que o fez? Ele é tão responsável!

E uma estrela.

Há uma coisa que o Eddie não entende: a disciplina.

No exército é preciso trabalhar em equipe.

Mas o nosso número é trabalho de equipe.

Sem o trabalho de equipe, os Corbinos Voadores não voariam.

Não nos diga que o Eddie não sabe o que é trabalho de equipe.

Parece que o esqueceu.

Será que lhe podiam...

refrescar a memória?

Esqueceste-te dos lenços.

Agora há muitas oportunidades para as mulheres na marinha.

Ou queres alistar-te nos fuzileiros?

- Vou para casa. - Vais já?

Sim, agora mesmo.

Acho que uma rapariga montou um espectáculo para esta tarde.

Chama-se Kathryn Jones e dizem que vai ser muito bom.

Não quero saber, não fico aqui nem mais um minuto.

Soldado Jones...

- Sim, senhor? - É a sua missão.

Tem um espectáculo a fazer.

- Tinha, mas... - E tem. É uma ordem.

Sim, senhor.

Obrigada. José Iturbi foi magnífico.

Kathryn, amor, vou amar-te para sempre.

Sempre.

E agora, rapazes, tenho uma grande surpresa.

Apresento-vos o rapaz mais adorado da América,

Mickey Rooney.

Muito obrigado, menina Jones. Olá, amigos. Como vão?

Olá, Mickey!

Prepararam-vos um grande espectáculo.

Por trás desta cortina, há mais talentos do que alguma vez viram,

à espera de sair para vos mostrar.

Primeiro, gostava de vos apresentar uma rapariga

que é a maior a dançar, uma rapariga com três ''B''.

Ballet, beleza... e "Boogie Boogie".

A melhor dançarina da América, a menina Eleanor Powell.

Eleanor, é a ti que eu amo mesmo!

Muito obrigado, menina Powell.

E agora, apresentamos Virgínia O'Brien, a rapariga com uma única expressão.

Acompanhada por duas raparigas muito felizes por voltarem a casa,

Gloria DeHaven e June Allyson, com Bob Crosby e a sua banda.

Todos conhecem Bob Crosby, tem um irmão que vende queijo.

Muitos céus ficaram cinzentos porque estamos separados

Muitas luas passaram e continuas no meu coração

Fizemos uma promessa

e selámo-la com um beijo

numa pequena aldeia espanhola

Foi numa noite como esta

Numa pequena aldeia espanhola, foi numa noite como esta

As estrelas brilhavam

Foi uma noite como esta

Sussurrei que seria fiel

e ele suspirou ''sim, sim... "

Voltarei à velha Virgínia

Dançaremos, querido, debaixo das árvores

Cantarei numa pequena aldeia espanhola...

Foi numa noite como esta numa aldeia espanhola...

Era Virgínia O'Brien. Aposto que é uma rapariga que nunca sorri.

E agora, no próximo número, apresento-vos três mulheres

das mais fabulosas de Hollywood.

Ann Sothern, Lucille Ball e Marsha Hunt.

Já me esquecia de dizer que também há um homem neste número.

Como nenhum de vocês vai olhar para ele

com estas três belezas em palco,

é melhor dizer-vos já como ele se chama. É Frank Morgan.

Anda com isso, Rooney.

Como vêem, ele não pode esperar. Nem vocês.

E nem eu? Então por que esperamos?

Vou sair, doutor. A nova enfermeira chega dentro de minutos.

Eu também já vou daqui a pouco.

Só espero que o barbeiro acabe de fazer a barba ao capitão.

- Muito bem, Adeus, doutor. - Adeus.

Obrigado, querida. Não bati, como sabia que eu estava a chegar?

Sou adivinha!

Bonita rapariga!

- É o barbeiro? - Sou assessor capilar.

Assessor capilar?

Sim, sou faço visitas previamente marcadas.

Além disso, faço preços exorbitantes.

Diga-me, a quem tenho o prazer dúbio de me dirigir?

Sou o Dr. Conte, médico-ajudante.

Doutor, sou o professor Frank Morgan.

Encantado de conhecer um colega.

- Colega? - Sim.

Quer dizer que também é médico?

Estimado amigo, não é incomum começar com um cliente

fazendo-lhe a barba, cortando o cabelo, fazendo uma massagem facial

e acabando a operá-lo ao apêndice.

Então não ganha a vida como barbeiro.

- Oh, sim. - E as operações ao apêndice?

- Sô as faço ã parte... -À parte...

Os homens da minha família fazem o juramento de Hipócrates

há gerações. Eu estudo medicina desde que tirei as fraldas.

No anfiteatro de operações do St. John

fiz a primeira heteroplastia dos anais da medicina.

- Heteroplastia? - Sim. A heteroplastia como sabe,

é o transplante de pele de um indivíduo para outro.

Eu sei o que é, só fiquei surpreendido por ouvir que fez

esse tipo de enxertos.

É que o meu salário era pequeno e eu tinha mulher e...

Oh, refiro-me ã pele... Enxertos de pele...

- Sim, enxertos de pele. - Foi um caso curioso.

Acidentalmente, enquanto o barbeava, cortei o nariz a um limpa-chaminés.

- O nariz? - Sim.

E com o nervosismo, caiu-me a navalha e cortou o dedo grande do pé.

Depois, na operação, com a pressa, pus-lhe o dedo no nariz

e o nariz no pé.

- Que confusão! - Sim, foi horrível!

Sempre que espirrava, saltava-lhe o sapato.

O pobre apanhou febre dos fenos e gastou um dinheirão em sapatos.

Seja como for, a minha operação salvou-o.

Suponho que usou a incisão transversal do Barker

com um canal médio para evitar a rejeição.

Na... na... naturalmente.

Não, usei os bolsos da frente agarrados

à parte de trás com um cinto.

Com um cinto...

É a mesma técnica que usei quando fiz a dupla cardioctomia.

Dupla cardioctomia? O que é isso?

- Dois corações. -Três espadas.

Passo. Do que estamos a falar?

Bem, vou almoçar. Prepare as suas coisas,

o capitão deve estar a chegar. - Com certeza, doutor,

estarei preparado.

- Bom dia, doutor. - Bom dia.

Oh, doutor...

Os recrutas estão aqui para a inspecção.

- Recrutas? - Sim, senhor.

Mando-os por ordem alfabética?

- Eu não preciso de recruta nenhum? - Mas têm de fazer a inspecção.

- Mas as raparigas estão... - Não quero saber... raparigas?

Por que não disse logo?

- São recrutas para quê? - Deve estar a brincar, doutor.

- São as voluntárias modelo. - Modelo?

Dê-me a minha máquina e mande entrar a primeira recruta.

Como está, doutor?

Estou...

- Não se quer sentar, querida? - Sim, obrigada.

- Como se chama? - Chamo-me Ann Sothern.

Número de telefone?

- Como disse, doutor? - É só uma formalidade.

A marinha gosta de saber onde vos pode localizar.

E eu tambêm gostaria...

- É casada? - Não, doutor.

Esplêndido. E está em perfeita forma física, suponho.

- Bem, creio que sim, doutor. - Sim, estou a ver. Perfeita.

E por que quer alistar-se, querida?

Tenho uma irmã na infantaria, outra na aviação

e uma prima responsável por um farol.

Está iluminada?

Não, doutor, mas o noivo dela acha que ela é uma brasa!

Eu sempre quis servir a marinha, entende?

Disseram-me que tenho boas pernas para o mar.

Sim...

Bem, acho que é melhor ir para o vestiário.

A enfermeira vai prepará-la para o exame.

Obrigada, doutor.

É aqui dentro. Bem-vinda.

Bem... adeus.

Até mais logo...

Meu Deus!

A seguinte, porfavor.

Oh, doutor, espero passar esta inspecção,

morro por entrar na Marinha.

Nós também estamos ansiosos por a ter, minha flor.

- Porfavor. - Só estou a ver-lhe o pulso.

Muito irregular. E rápido!

Tem os dedos no meu relógio!

Sim, é verdade.

É incrível como ficamos descuidados ao fim de algum tempo.

Algum problema, doutor? Estou preocupada com o meu peito.

Não tem com que se preocupar.

É melhor ir para o vestiário para a enfermeira a preparar para a inspecção.

Doutor, se passar, serei a rapariga mais feliz do mundo.

Sabe? Já fui recusada por dois médicos.

Que canalhas!

Não se preocupe, boneca, se a marinha não a quiser,

quero eu. - É maravilhoso!

E pensar nos anos que perdi como barbeiro.

Bem, ''c'est la guerre''.

A seguinte, porfavor.

Entre, menina.

Oh... é bom de mais para ser verdade.

Um pouco mais perto, querida.

Também quer entrar para a marinha?

Sim, doutor, ponho-me inteiramente nas suas mãos.

Oh, eu faria...

Quero dizer, estou aos seus pés.

Quero dizer, eu estou aqui só para a examinar.

Bem, que qualificações tem?

Eu gosto de marinheiros.

Oh, perfeito.

- altura? - 1. 65 m.

- Peso? - 52 quilos.

Nua, claro.

Claro...

- Cintura? - 58.

- Anca? - 83.

- Decote? -Ás vezes.

Oh, esplêndido!

Está aceite, querida.

- Mas não tenho de tirar... ? - Não, não, não...

Não será necessário, dará uma marinheira perfeita.

Agora entre no vestiário e espere com as outras raparigas.

Obrigada, "mon chêr docteur".

Até logo.

Estou? Joe? Vende a barbearia agora mesmo.

Vou comprar um salão de beleza.

Sim, agora tenho de praticar muito em permanentes.

Adeus.

- Que belo romance... ! - Espere um momento.

O que faz aqui?

- O que se passa, filho? - Onde é que julga que vai?

Onde? Sabe o que há naquele quarto?

Três dos mais belos exemplares femininos

que eu já tive a sorte de pôr os olhos em cima.

- E agora vou... - Sabe quem eu sou?

- Não. Quem? - Sou o capitão.

Ca. . ca... capitão...

- Sabe quem eu sou? - Não.

Óptimo.

Bom dia.

Gosto de todas!

Um espectáculo assim não estaria completo sem o artista seguinte.

Já actuou praticamente em todos os quartéis do país.

É o tipo que diz sempre...

Olá, estudantes, como estão?

Chegou a hora de largar os livros e dançar...

Bem,já sabem de quem falo, o velho professor Kay Kyser.

Olá, amigos, como estão?

Primeiro quero agradecer-vos pelo que cavam por nós.

Agora queremos cavar um pouco para vocês.

Vamos cavar uma bela vala. Preparados? Cavar!

Cavar, cavar, cavar...

Cavei um buraco cavei um buraco

E fiquei rico lá em Wichita.

Fiz amigos em Wichita.

Estive ocupado a cavar como nunca antes

Mas agora, cansado, quero algo mais

Tenho pena de deixar este buraco

Quero voltarcom a Marie, a Susie, a Ethel, a Mary e...

- O porco foi ao mercado... - Cinge-te ao guião, estamos a cavar.

Conheço um tipo que cava buracos que valem 250.000 dólares.

- Estás a gozar? - Não. Começou a cavar

buraquinhos por 25 centavos, caves por um dólar,

piscinas por três e meio, poços petrolíferos por 45...

E foi assim que fez 250.000 dólares?

Não, a sogra dele morreu e deixou-lhe o dinheiro.

E agora, o ritmo estridente do romance.

Uma senhora encantadora, Georgia Carroll.

- Tenho de repetir... - Cavei um buraco...

exactamente como me sinto?

Deverei confessar que te amo?

Se quiseres.

Devo recitar sob a pálida luz da lua

ejurar-te pelas estrelas que estão sobre ti?

Cavei um buraco cavei um buraco

E fiquei rico em Wichita.

Fiz amigos em Wichita.

Estive ocupado a cavar como nunca o fiz antes

Mas agora, cansado, quero algo mais.

Cavei um buraco.

Um buraco, um buraco

Cavei um buraco em Wichita.

Muito obrigado, amigos.

E agora, se gostam de ver raparigas bonitas... e quem não gosta?

dêem uma olhadela a este grupo de belas bailarinas

e a Don Loper com Maxine Barrat.

Isto também eu quero ver,

por isso, adeus a todos...

Bem, cá estou eu outra vez.

Agora tenho de vos apresentar dois grandes rapazes,

o capitão Clark Gable e Lionel Barrymore.

Infelizmente, o paradeiro do capitão Gable é um segredo militar

e o Barrymore foi chamado para uma cirurgia.

Mas imagino que se tivessem vindo, teriam representado uma cena

de ''Piloto de Testes'', aquela onde o capitão Gable

conta ao Lionel Barrymore que está cansado de voar

porque se acaba de casar com uma rapariga encantadora

chamada Myrna Loy. Eu tambêm deixava de voar...

Aqui têm um pouco de Clark Gable.

Ouve aqui, Jim,

estou cansado de voar.

Acabei de vez. Estou casado com uma rapariga encantadora

e ele não me quer partilhar com as nuvens.

Espera um minuto!

Estás a dizer-me que estás farto de voar?

Lamento, mas só deixarás de voar quando os pássaros também deixarem.

Precisas é de voltar para casa e pensar no que me disseste

e amanhã voltamos a falar. Combinado?

Estou cansado de voar. Definitivamente. Acabei!

Não, espera um momento!

Vais fazer-me dizer algo que é muito difícil de dizer,

mas não me resta outra alternativa. É o seguinte:

sai daqui depressa antes que te expulse!

Muito obrigado, amigos. Obrigado.

Agora quero apresentar-vos uma grande artista.

Talvez se lembrem dela como Miss Georgia Brown em ''Cabina no céu''.

A incrível Lena Horne, com Ben Carter e a sua banda.

Cada abelha enche-se de ciúmes quando me vê contigo

Não as culpo, Deus sabe

Rosa de mel...

Quando passas por ela, as flores agacham-se e suspiram

E não sei a razão pela qual

és mais doce, Deus sabe

Rosa de mel...

Não compro açúcar

Só tens de tocar na minha chávena

És o meu açúcar

És tão doce quanto te mexes

Quando bebo um gole dos teus lábios doces

Parece que o mel se espalha

Pelo teu corpo doce... Deus sabe.

Rosa de mel...

Recuso-me a responsabilizar-me pelo próximo indivíduo.

Na verdade, não queríamos que ele viesse actuar, mas ele insistiu.

Já o fez antes e voltará a fazer.

A Raposa Silvante, o rapaz selvagem, Red Skelton.

Não, não o posso fazer. Não faço.

Faço tudo menos isso. Porfavor,

não me obriguem a fazer, sou um bom rapaz.

Não aguento, não aguento!

Por que me torturam assim?

Vamos, Red.

- Porfavor... - Não, nunca me perdoaria!

Não. Não vou nadar.

Já estive nessa praia ontem e queimei-me tanto ao sol,

que uma lagosta veio ter comigo e disse: ''Sam, onde estavas?''

Raparigas, vistam qualquer coisa, estou a sentir-me como um mirone.

Se vierem sempre assim vestidas, afastam-me os soldados todos.

Red, isso é ridículo e tu sabes. Sabes que os soldados não me ligam nenhuma.

O que é que eles andam a tomar?

Vá lá, querido, por que não vens nadar connosco?

Preferia ficar aqui e limpar o congelador.

Red, o que me podes dar para isto que tenho no olho?

Isto não é uma farmácia, mas um batido de chocolate serve?

Vem lá nadar, por que queres ficar aqui metido

nesta loja? Aqui nunca acontece nada.

O que queres dizer que aqui nunca se passa nada?

Nas lojas passa-se de tudo. - Como o quê?

Por exemplo, ontem de manhã entrou um tipo muito tímido.

Já viram um tipo tímido a entrar numa loja?

Ele caminhou até àquele balcão...

- Olá. - Como está, menina?

- Posso ajudá-lo? - Hoje está muito calor.

Sim, pois está, mas o que deseja?

Deve haver aqui mais alguém para me atender, não?

Eu sou a única vendedora.

- Pode pedir-me a mim. - Não posso!

Pode pedir-me, não há problema.

- Venha... - Porfavor...

- Não seja ridículo. - Tenho vergonha.

Por favor, diga-me o que quer,

eu não digo a ninguém. -Jura?

- Promete? - De todo o coração.

- O que deseja? - Uma garrafa de agua de lilás.

Isto é para fazerem uma ideia.

E que mais se passa?

O que mais gosto nestas lojas, é como as pessoas se conhecem.

Não se lembram onde se conheceram nem como se chamam.

Ontem entrou uma rapariga...

Olá, como está?

Olá... Há quanto tempo...

Bem, como está?

- Não a vejo desde... - Não venho cá desde então.

Não voltou?

- Por onde tem andado? - Por aqui e por ali.

- Trabalha? - De vez em quando.

- E o que faz? - Isto e aquilo...

O mesmo de sempre.

- O seu irmão ainda está preso? - Conhecemo-nos mesmo, não é?

Gostava de a voltar a ver. Onde vive agora?

- No mesmo sítio. - Sim, ali por...

Isso mesmo.

Posso telefonar-lhe? Dá-me o seu número?

Estou na lista telefónica.

- Sim,junto ao seu nome, não é? - Claro.

É bom vê-la de novo, menina...

- O que vai tomar? - O de sempre.

Lamento muito,já acabou!

Se os clientes te incomodam tanto, por que não desistes?

Estive quase a fazê-los hoje de manhã. Sou alérgico a gelados.

- Alérgico a gelados? - Não os suporto.

Esta manhã entrou uma menina...

- O que deseja, menina? - Um gelado bem grande.

Sim, menina...

Um gelado bem grande. Que sabores tem?

Todos os que quiseres. Temos de...

baunilha...

Eu gosto de baunilha.

Temos de tutti-frutti.

Não gosto de tutti-frutti.

Mas é mais ''tutti'' que ''frutti''.

Que mais tem?

- Por que não comes uma bola de neve? - Não gosto de bolas de neve.

E também não gosto de ti.

De que tem mais?

Temos de pistáchio...

Que mais tem?

Serve-te tu mesma, eu já volto.

Muito obrigado, Red.

Não me agradeceu...

Desculpa. Obrigado, Margaret.

De nada, Sr. Rooney.

E agora vão ouvir José Iturbi a tocar piano

como só ele o sabe fazer.

E com ele há uma jovem,

uma jovem que desejo conhecer há muito tempo.

É tão bonita, tão doce... E sabe cantar bem...

Chama-se Judy Garland.

Talvez tenha sido algo que me atingiu

Talvez algo que comi

Mas do nada, sonhei e encontrei-me contigo

E tu disseste-me: ''Olá, Gate''.

Milhões te ouviram tocar Chopin

Os críticos aplaudiram-te e aprovaram-te

Mas milhões mais simplesmente adoram

Ouvir-te tocaresse ritmo.

Ouvir-te tocaresse ritmo.

Eu disse ouvir-te tocar esse ritmo

Não vais acreditar julgarás que é um sonho

Ouvir-te tocar música com esse ritmo

Mas quando ouves as trompetas soar, sabes

O grupo está a tocar em Carnegie Hall.

Em vez de Strauss tocam Irving Berlin.

Em vez de Brahms é Begin the Begin.

Esses clássicos todos passaram de moda

O grupo está a tocar em Carnegie Hall.

Estão a tocar ta-tlee-a-ti, com Shostakovich.

Ta-tlee-a-ti Mozart e Bach

Ta-tlee-a-ti e não sabem porquê

Porque tudo pode acontecer quando começa o rock

A filarmónica era tão digna

Mas agora tem ritmo e está pronta a começar

Haydn e Haendel estão virados para a parede

Porque a banda actua em Carnegie Hall.

Rimam tudo com um Ding Dong

E quando o maestro dá a ordem

É um compasso que começa

A soa com ritmo

Até o José Iturbi começa a mexer-se, a mexer-se...

Rapaz!

Tschai-Tschai-Tschaikoswky poderia sairferido

Ouvindo tocar o seu concerto de piano

Beethoven tem sorte, está surdo de todo

porque a banda actua

porque a banda actua

porque a banda actua em Carnegie Hall.

Judy...

- Sabes uma coisa? - Sei. Gostas dela.

Obrigada.

E agora, os extraordinários trapezistas, os Corbinos Voadores.

E com eles, o nosso amigo Eddie Marsh.

Gostava de estar ali.

Ainda bem que não estás. Cairias do trapézio.

Seria muito difícil fazê-lo sozinho, não achas?

- O que queres dizer com isso? - Descobre tu.

Ele é bom, não é?

Algo me diz que ainda será melhor.

Tens cuidado quando me passares, não é, Eddie?

Não tenho sempre?

Sempre tiveste, mas ultimamente trabalhas pouco em equipa...

Está a resultar!

Seria uma grande queda daqui, não?

Ainda bem que estou no meu lugar.

Esse jovem é um belo acrobata.

Trapezista.

Diz-lhe para anunciar o dois e meio!

- Eddie! - Eddie, não faças isso.

Papá, há muito tempo que ele não o faz.

Talvez tenha perdido a mão.

Diz-lhes o dos dois e meio!

Atenção, por favor, agora uma mostra de habilidade e destreza aérea.

Eddie Marsh, o rei do grande trapézio vai agora tentar desafiar

todos os limites do possível.

Dará duas voltas e meia no ar sem a ajuda da rede.

Eddie Marsh!

Não devia fazer isso!

Sou culpado e sei disso

e estou envergonhado.

Podem fazer comigo o que quiserem,

mas quero que saibam que aprendi a minha lição

e não foi precisamente na prisão.

Como sabem, o meu regimento vai partir e gostava de ir com eles.

Quero ter a oportunidade de ser... o homem mais importante do mundo,

um soldado do exército dos Estados Unidos.

O advogado de defesa tem algo a acrescentar?

O soldado Marsh era um homem importante na sua profissão.

Devem ter ouvido falar dele. Eddie Marsh.

Chamavam-lhe o Rei do Grande Trapézio.

- Não é verdade, Marsh? - Sim, senhor.

É duro para um rei passar para soldado raso.

Mas mostrou a sua fibra de homem.

Sinto, e estou certo que o comandante do regimento pensa o mesmo,

que o soldado Marsh fala a sério.

Gostaríamos de o ver partir com o resto do regimento.

Companhia, alto!

Direita, virar!

À vontade.

Eddie!

Kathryn!

Tinha tanto medo de não te conseguir ver...

Tenho tanto a dizer-te...

Não digas nada. Volta só.

Tenho de voltar.

Haverá aqui uma rapariga que tem a minha aliança, não é?

Meia volta, mirones. Vamos...

Todos a bordo!

Adeus.

Adeus, soldadinho.

Acho que está na hora.

Sim, como sempre, Bill.

A nossa vida foi feita de despedidas.

Mas nas outras faltava algo.

Algo como isto.

-Adeus, Hillary. - Adeus, Bill.

Ouve, ouve, aqui vem o novo desfile

Ouve, ouve, as vozes de uma oração

Qualquer terra de onde quer que seja

Eles vêm a cantar a nossa nova canção

Abram alas ao dia a que chamam amanhã

Abram alas a um mundo que é novo

Espero pelo amanhecer de amanhã

Juntos vamos percorrê-lo juntos

As Nações Unidas em marcha

Com as bandeiras ao vento

Juntos lutar pela vitória

Um mundo novo

Ouve as vozes de um novo mundo

Marchando através

Esta noite vamos lutar pelos direitos e liberdades.

Tradução e Legendagem Francisco Marques

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