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- Sara? - Estou quase a acabar.
- N�o aguento mais. - Ent�o, usa a outra casa de banho.
Tenho de me afastar uns tempos.
O qu�?
Ambos sabemos que � verdade.
Isto j� n�o funciona.
Pensei em ir a M�laga com o Peder.
Vais de f�rias com o Peder?
Preciso de tempo para pensar.
Est� bem?
Boa noite. Vou dormir.
Eliot, querido, tens de te levantar.
Dani�l?
Dani�l?
Dani�l?
OBRIGADA, DESCULPA
O chimpanz� � o parente vivo mais pr�ximo do Homem.
Temos de recuar muito no tempo para encontrar...
- Ol�. - Onde est� ele?
- Ali. - Obrigado.
N�o deteto pulso.
V�s aquilo?
E tamb�m est� frio.
Est� muito r�gido.
Deve estar morto h� horas.
Parece que sim.
Podes falar com a fam�lia?
Est� bem.
Ol�, Helen.
� a Sara.
Sei que � cedo, mas estou a ligar porque...
... o Dani�l... Tentei acord�-lo...
... mas ele n�o acordou.
Sim.
Mam�, sabias que as pessoas j� foram macacos?
Os dinossauros morreram
e os macacos transformaram-se em homens das cavernas.
Tamb�m j� fui um macaco. Podes ser um macaco agora, mam�?
O IFK Norrk�ping a vencer por 1-0
neste jogo de abertura da liga sueca. David Moberg Karlsson foi o autor do golo.
Est� bem. Podes comer um.
Um.
N�o, n�o vais comer mais.
N�o h� mais para ti.
Pronto, toma l�.
- Ol�, pai. - Linda, os meus chinelos?
- O qu�? - Os meus chinelos.
Preciso deles.
Os funcion�rios n�o te podem ajudar a procur�-los?
Por amor de Deus. S�o malucos.
N�o param de cantar "bata palmas", como idiotas.
- Tens de vir c�. - Sim, j� vou. Est� bem?
�timo.
Certo. Adeus.
Ent�o...
- Ali. - Certo.
- Ol�. - Ol�.
Sou o Ivan, o m�dico de servi�o.
Helen. A m�e do Dani�l.
O pai do Dani�l.
Ent�o... � assim... Estou aqui...
Acho que � melhor gravar isto.
Pode ser dif�cil lembrarmo-nos do que foi dito quando estamos em choque.
Vejo muito isso no meu trabalho como psic�loga.
Sim, claro.
Bom...
O cen�rio mais prov�vel
� o cora��o ter parado de bater durante o sono.
O corpo n�o apresenta quaisquer sinais de uma luta mortal.
Claro que faremos uma aut�psia para determinar a causa da morte,
mas � prov�vel que tenha sido um problema card�aco n�o diagnosticado.
Dormi no sof�.
Est� bem.
Dormiste no sof�?
Eu... tenho dificuldade em dormir por causa da barriga.
Costumo dormir no sof� para n�o ser acordada pelo Dani�l.
Tenho dificuldade em voltar a adormecer. Da� dormir no sof�.
N�o podia ter feito nada.
� importante que entenda isso, Sara.
Ena!
Bonito.
- Achas? - Sim. Sem d�vida.
- Zlatan! - O que foi isso?
Ol�! Ol�, meu amor. Ol�.
- N�o pode ser! Tens um c�o? - Sim.
- Ol�! - Este � o Zlatan, o meu c�o.
Sempre quis ter um c�o.
- �timo. - Ent�o, rapaz?
- Eu tenho um. - �s um bom rapaz, Zlatan?
�s, sim.
Olha, tenho �gua para n�s.
Mas receio n�o ter gelo.
- Aqui tens. - Obrigado.
Que tal um pouco de m�sica? Pronto.
- Ena... - Ena...
- Ena... - Ena...
O que fazes aqui?
Tens namorado?
- Estamos a dar um tempo. - Estamos?
Sim, disseste que querias dar um tempo.
Disseste: "Para ser eu pr�prio nesta rela��o,
preciso de ficar sozinho por uns tempos."
- Como te chamas? - Ludde.
- Ludde. - Ludvig.
Eu sou o Jasse.
Devia ir.
O que eu disse foi que n�o conseguia sentir o que ela queria.
Debato-me com pessoas que n�o exprimem o que querem
quando preciso de sentir o que elas querem.
Conheci tantas mulheres que n�o consegui sentir.
Certo, bom...
- Ouve... Tu "sentes-me", certo? - Se calhar, n�o me devias tocar agora.
N�o.
Vou-me embora.
- Vou esfaquear-te e matar-te! - Au!
Au! Miseric�rdia!
Agora apanhei-te!
Quando o pap� chegar a casa, vai comer-te.
Marquei uma reuni�o com a pastora.
Ela quer que penses nos hinos que gostarias de usar.
Gosto muito do "Dia a Dia e Com Cada Momento Que Passa".
Falaste com o Eliot sobre o funeral?
Disse-lhe que o Dani�l viajou a trabalho.
Posso dizer-lhe, se quiseres.
N�o sei o que lhe dizer.
N�o. Se quiseres esperar um pouco, n�o faz mal.
Vou come�ar a ligar �s pessoas.
Vou esfaquear-te!
CAIXA DE MUDAN�AS
Ol�.
Ol�. Voltaste a trazer as tuas coisas?
N�o gostei de viver com a Maja. N�o resultou antes.
- Como assim, antes? - Estava a dar-te espa�o.
- Vem c�. - Pod�amos ter falado disso primeiro.
Tive saudades tuas.
O meu pai ligou.
O marido da minha irm� morreu.
Tens uma irm�?
A minha irm� mais nova, Sara. N�o te falei dela?
Fui viver com o nosso pai depois do div�rcio.
Encontrei os abacates perfeitos. Tal como gostas.
Enfim, o marido dela morreu de repente.
Que chatice.
O pai acha que eu devia ir ao funeral, mas que ele...
Porque ele e a Sara... Ele n�o pode ir.
N�o sei o que fazer.
O que se passa?
N�o me perguntaste como estou.
- N�o me devias tocar agora. - Certo.
Vamos.
Meu Deus! Lamento imenso.
- N�o me costumo atrasar. - N�o faz mal.
Bem-vinda. Sente-se.
- Posso ajud�-la? - N�o.
Muito bem. S� queria ter uma ideia de quem era o Dani�l.
- Quem era? - Sim.
Quer que fale de alguma coisa no funeral?
Pode ser qualquer coisa, grande ou pequena.
Cas�mo-nos depois de termos o Eliot.
Mas conhecemo-nos quando estud�vamos Direito. Mud�mo-nos para c� o ano passado.
O Dani�l queria estar perto dos pais.
Compreendo.
E foi tamb�m pelos mi�dos, claro.
As pessoas dizem que s�o s� 30 minutos de autocarro e que vir�o visitar-nos.
O problema � que nunca vem ningu�m.
Deve estar a pensar que, pelo menos, h� ar puro,
um grande relvado e um marido com quem partilhar tudo.
Mas, de repente, ele desaparece.
Morreu. E acho que � um comportamento nojento.
E os seus pais? M�e, pai? Tem irm�os?
Uma irm� mais velha, mas n�o temos contacto.
E os seus pais?
Morreram.
- O que est�s a desenhar? - � um porco. Est� triste.
S� tem um amigo, um guaxinim velho e gordo.
Estou a ver.
Tamb�m est�s triste?
Tens saudades do pai?
Pod�amos ligar-lhe.
N�o, n�o podemos ligar ao pai.
Porque ele � como aquele p�ssaro. Aquele que enterr�mos no jardim.
O pap� est� morto?
- N�o voltar� para casa na semana que vem? - N�o.
Agora podes ser um macaco?
Mais alto.
Muito mais alto.
Mais alto!
Mais alto.
Mais alto, mam�! Mais alto!
Mais alto!
- Devo?... - N�o.
- Olha, mam�! Um c�o! - Agora n�o, Eliot.
Sim!
- Esse c�o � teu? - Sim, �.
- Como se chama? - O qu�? Chama-se Zlatan.
Chama-se Sat�?
- N�o, chama-se Zlatan. - Sat�?
- Zlatan. - Sat�!
- Vens, Sara? - Sat�!
Eliot, a av� e o av� est�o � nossa espera.
- Agora temos de ir. Vem. - N�o.
Soube que haveria caf� em tua casa.
O Dani�l adorava chocolate.
Lembro-me de comprar um peda�o de bolo de chocolate.
Pu-lo na cozinha, em cima da mesa,
pus-me a arrumar umas coisas e depois fui � casa de banho...
- Ol�. - Ol�.
Ele adora bolas.
Queres tentar?
Vem c�, Zlatan.
N�o podemos ter um c�o porque a minha m�e � al�rgica.
Certo.
O meu pai vai ser queimado.
V�o p�-lo num forno grande.
- Queres andar de baloi�o? - Sim.
Achei que sim.
Sabias que a tua m�e adorava andar de baloi�o?
- Ol�. - Ol�.
Mais alto!
Mais alto!
Mais alto!
Aqui vou eu!
Estou a voar!
Fizeram um �timo trabalho hoje, Sara.
Sim, �timo.
N�o!
Eliot!
- Au! - Eu sabia.
- D�i. - V� l�.
Ai!
Pronto. Mant�m a cabe�a assim para tr�s.
- Lamento pelo Olle. - Eliot.
Eliot. Certo.
N�o sabia que ele n�o se estava a segurar.
Mas ele est� bem?
O pai dele morreu, por isso, n�o, n�o est� bem.
- Desculpa. - N�o faz mal.
- Fica bem. - Sim.
Adeus.
- Como soubeste do Dani�l? - A Helene...
- Helen. - Helen.
- Desculpa. - N�o faz mal.
- Os meus p�sames. - Sim.
- Os meus p�sames. - Obrigada.
A Helen ligou ao pai.
Fui visit�-lo ao lar, h� pouco.
- Ele queria muito vir. - J� podes ir.
Pico, pico, sarapico Mas que dentes t�o bonitos
Pim, pam, pum
Pico, pico, sarapico...
- Av�? - Sim?
- Viste aquele c�o? - Sim, como se chamava?
- Chamava-se Sat�. - Zlatan, certo.
- � amarelo-dourado. - Sim, era. Muito bem.
Muito bem...
Pico, pico, sarapico...
Entendo porque n�o tiveste muito contacto com ela.
Com a Linda. Mas tinha de ligar ao teu pai. Afinal de contas, s�o fam�lia.
Nestas alturas, precisamos da fam�lia.
Acho que seria boa ideia mudar-me para c�.
N�o podes fazer tudo sozinha, com o Eliot.
E em breve ter�s tamb�m um beb�.
Tirarei umas f�rias da cl�nica, para poder estar aqui contigo a tempo inteiro.
Estamos bem.
Sara, percebo que estejas muito triste.
Tamb�m estou triste.
Ambas o perdemos.
Mas eu perdi o meu filho.
O meu filho.
Vou dormir. O Eliot tem de acordar cedo, amanh�, por isso...
Vou chamar um t�xi.
Jos�, vou chamar um t�xi.
Helen? N�o precisa de sorrir. Consegue reconhec�-la na mesma.
Se �s feliz e sabes disso, bate palmas
- Estes s�o saborosos. - Sim.
- Sim. N�o s�o os que costumo comprar. - Comprar? N�o �s tu que os fazes?
Quando me ensinaste a fazer bolos?
Calem-se, raios!
Todas as segundas, todas as quartas, todos os dias, tr�s horas.
Sempre a bater palmas.
Fui a casa da Minorca depois do funeral.
Tirei umas fotos.
� o jardim dela.
Esse � o filho, o Eliot.
Vais voltar a visit�-la?
Olha. O Jasse est� a ligar.
Posso... N�o, pai.
N�o me digas que ainda andas com ele.
D� c� isso.
Ol�.
Ol�.
- Raios, Linda. - N�o posso falar. Estou no...
Fedelho egoc�ntrico de merda!
N�o, estou no metro. H� um velho finland�s esquisito a gritar.
- Tens uma pila min�scula! - O qu�?
Sim, ele � muito desagrad�vel.
Ouve, n�o me vou demorar, por isso... At� j�. Est� bem, beijo.
Pai!
Agora, tipo... "Meu Deus, tenho uma parte do cabelo no ar?
Tenho mau h�lito? E se estiver a suar?" Estou s� a antever...
Quero ir para casa.
Pai, agora vives aqui. Lembras-te?
A tua m�e vive aqui.
Mam�!
- Eliot! - Mam�!
Eliot?
A mam� j� est� aqui. O que aconteceu?
Sonhei que o pap� te enterrava no relvado.
Querido...
N�o estou enterrada, estou aqui.
Deita-te.
Vamos cantar juntos, est� bem?
Tuu tuu, pequeno cigarro
Como soubeste...
Quem est� a bater � porta?
N�o sei.
Ter�o de voltar amanh�.
... vir aqui ter?
Vim pela estrada de Turku
Pela estrada de bois de H�meenlinna
Ol�!
- O que est�s a fazer? - Bati � porta, mas n�o abriste, ent�o...
S� queria dizer ol� e saber como est� o nariz do Eliot e...
Sabes que horas s�o?
- Oito e meia. - O Eliot est� a dormir.
- Agora? - Tem cinco anos. Deita-se �s 19h30.
Posso?...
N�o o podes trazer para aqui. Sabes que sou al�rgica.
- Isso foi o que a m�e disse. - O qu�?
- Sim, ela mentiu. - O qu�?
N�o, Zlatan. Ei!
Ela fez-me prometer que n�o te dizia. N�o te podia dizer.
Da� nunca te ter dito.
Zlatan!
- Obrigada. N�o vais beber uma? - N�o.
- N�o � permitido. - N�o, n�o �.
- Deve nascer em breve. - Daqui a quatro semanas.
N�o tenho filhos, mas tenho o Zlatan.
E o Zlatan d� muito trabalho. H� sempre alguma coisa.
Podes sentar-te?
N�o acredito que a m�e mentiu sobre eu ser al�rgica.
Tudo o que sempre quis foi um c�o.
Acho que ela n�o queria nenhum.
- � t�pico dela inventar uma desculpa. - Tinha muito que fazer.
Com um homem que era infiel e escondia �lcool pela casa toda.
- Enfim, como est�s? O que se passa? - Est�s a brincar?
N�o. N�o nos v�amos h� s�culos.
No funeral da m�e.
N�o � que n�o te quisesse ver, s� pensei
que nunca mais me quisesses ver.
Porqu�?
Porque disseste: "Nunca mais te quero ver."
N�o foi um dia f�cil.
- O teu c�o mordeu o padre. - N�o foi o Zlatan.
Foi o meu primeiro Zlatan. O outro Zla... Quero dizer... O meu outro Zlatan.
Acho que devias ir.
Eu entendo.
Ouve, eu...
Desculpa ter aparecido sem te contactar primeiro.
Mas h� mais uma coisa.
� o pai.
Ele n�o est� muito bem. Come�ou a esquecer-se das coisas.
�s vezes, ele � como era, por isso, achei que quisesses ir visit�-lo.
Vem.
Podes dormir no sof� para n�o teres de o acordar.
Onde est� o Eliot?
S�o oito e meia, temos de ir.
Ele j� saiu.
O qu�?
Sa�mos mais cedo. Ele queria muito ir com a Linda e com o c�o.
Com a Linda?
Foi com a Linda?
Sim, hoje foi assim.
Mas dev�amos ter ido n�s.
Sim.
� maravilhoso podermos estar aqui juntas. Precisamos uma da outra.
Sem d�vida.
Olha. Ali est� o drag�o malvado.
Sim.
- N�o � malvado. � bondoso. - Sim, lindo.
Sim, estamos c� todos os dias.
- � uma fera chamada Vermelho. - Claro. Muito triste.
N�o, n�o os vamos deixar.
- Vais perceber em breve, av�. - Sim, compreendo.
Sim. Posso ligar-te mais tarde?
N�o combin�mos que o levaria � creche �s quartas-feiras?
- Sim. - Ele n�o a conhece.
Porque queres que uma estranha...
N�o � uma estranha, � a minha irm� mais velha.
Mas o Eliot nunca a conheceu. E tu renegaste-a.
Mas, claro, as rela��es entre irm�os costumam ser muito complexas.
- Vejo muito isso, como psic�loga. - A Linda j� dormiu c� uma vez.
E o Eliot adora o c�o dela.
Sara, o Eliot n�o precisa de algu�m que s� apare�a quando lhe conv�m.
Precisa de estabilidade e de seguran�a.
J� n�o tem pai, o que causa muita ansiedade a uma crian�a.
Est�s de luto e n�o podes fazer tudo sozinha.
Daqui a um m�s, ter�s outro filho.
Mal consegues cuidar do que j� tens.
O que disse?
Disse que n�o consigo cuidar do Eliot?
Alguma vez falas sobre o Dani�l?
N�o.
O meu filho est� morto e nem o posso enterrar inteiro.
Queria ser cremado. Disse que n�o se importava desde que tivesse uma l�pide.
Mas quero que o meu Dani�l esteja todo l�.
O Dani�l todo j� n�o existe.
Porque est�s t�o zangada?
Est�s a sofrer com a morte dele, sequer?
Talvez seja disso que o Eliot precisa. Ver a m�e triste.
Ouve, eu...
Estou aqui porque atirei um telem�vel � cabe�a da minha sogra.
Ela ficou ferida?
Levou dois pontos. Ela diz que estou zangada.
- Que n�o fa�o o luto da forma correta. - H� muitas formas de fazer luto.
Acho que todos nesta sala concordam com isso.
- Certo? - Sim.
O luto � amor que perdeu a casa.
N�o percebo porque temos de ficar aqui sentados a falar disso.
N�o importa, eles continuam mortos.
N�o v�o voltar de repente. Isto � in�til.
Tive quatro anos com o meu Rickard. Foram os anos mais felizes da minha vida.
Est�vamos sempre juntos, faz�amos tudo juntos.
Quando me ligaram a dizer que ele tinha morrido...
... as minhas pernas cederam.
Recusei todos os convites,
passei todos os fins de semana sozinho, at� no Natal.
Um dia, o meu irm�o mais novo apareceu no meu jardim.
Pedi-lhe para se ir embora, mas ele recusou-se.
Gritei-lhe que fosse para o inferno.
E depois ele foi-se embora e nunca mais voltou.
N�o sei porque estou a contar...
Vou apanhar-te.
Apanha a bola! Vai buscar a bola. Eu quero-a!
Podemos ver-nos amanh�? E no dia seguinte?
E no dia seguinte. E no seguinte e no seguinte...
- Se a tua m�e deixar. - Linda?
- Desculpa. - Porqu�?
Achei que tivesse feito algo errado.
Queres ir viver connosco?
E ajudar-me um pouco antes...
E depois. S� se quiseres.
Ent�o, queres que fique contigo por uns tempos?
Sim.
Comigo e com o Eliot.
Sim, e com o beb� tamb�m.
E com o Zlatan.
Sim.
Ligarei todos os dias.
- N�o me toques agora. - Certo.
Vamos, Zlatan.
Adeus!
Linda. Linda, precisas de ajuda?
N�o, deixa estar.
- Vamos. - O meu telem�vel est� a tocar.
Est� l�? N�o, ela vai-se embora.
Ainda bem que perguntas como estou.
Tenho-me esfor�ado tanto para garantir que temos uma boa vida juntos.
Parece que ela n�o est� a investir tanto na nossa rela��o como eu.
D�i muito. Amo-a tanto.
Com a �gua n�o h� como errar.
Isto � delicioso.
- � take-away. - Sabe a �nus.
- Eliot! - Disse-lhe que n�o pode dizer "merda".
Linda, o que fazes na vida?
Ganhei a lotaria.
- O qu�? - O qu�?
Sim, h� dois anos. Foram 548 mil coroas.
Isso deve ser bom, n�o?
Sim.
Mas tinhas um emprego antes de ganhares a lotaria?
Sim, num lar de idosos.
E ainda tens contacto com o teu pai?
Sim.
Mas s� o visito ocasionalmente. Ele n�o est� muito bem.
- Deu cabo da cabe�a com o �lcool. - Quem?
- O av�. - Tenho outro av�?
N�o.
- Isto est� mesmo delicioso. - Como partiu ele a cabe�a?
- Com �lcool, querido. - Helen.
Est�s a cometer um grande erro, Sara.
Ela agora vive aqui.
Eu trato disso. Sei onde se p�e.
M�e, porque nunca conheci o meu av�?
Porque ele n�o me quer ver.
Quando tinha a tua idade, sentava-me no baloi�o � espera dele.
Mas ele nunca vinha.
Gostava de o ver, um dia.
Ol�!
N�o consigo fazer isto.
Dar uma boa inf�ncia ao Eliot.
Ter de ser a m�e e o pai.
E em breve...
S�o duas inf�ncias que tenho de acertar.
N�o consigo.
Vem.
Pronto. Vem c�.
Est�s a usar a camisa do Dani�l.
Desculpa.
- A minha roupa estava... - Tudo bem.
... suja.
Tuu tuu, pequeno cigarro
Como soubeste vir aqui ter?
... Turku
H�meenlinna...
O Zlatan vai morrer?
- Sim... - Tu vais morrer?
Sim, mas s� quando tiver uns 100 anos.
- Juntamente com o Zlatan. - Sim, exatamente.
Gosto de ti, tio Linda.
Tamb�m gosto de ti.
- Estes comprimidos s�o novos? - J� s�o 15 horas?
Faltam 15 minutos. S�o novos?
�s 15 horas, servem caf� e bolo na sala de jantar.
N�o costumamos ir l�.
Tamb�m comprei alguns.
- Ainda n�o s�o 15 horas. - N�o.
- Qual � a gra�a? - Porque puseste morangos no ch�?
Porque � saboroso.
Sei que ela est� zangada comigo.
A tua irm� mais nova.
- Gosto de morangos no ch�. - O qu�?
N�o!
Av�!
Ol�, querido.
Ol�, querido.
- Ol�. - Ol�.
Ol�.
� o pap�?
Sim, s�o as cinzas do teu pai.
"O melhor pai do mundo, marido da Sara e nosso filho adorado."
N�o foi o que combin�mos?
Sim, est� �timo, Helen. Est� �timo.
- � a minha vez? - Sim.
Aqui tens uma lanterna para n�o teres medo do escuro.
Isto � um desenho de n�s os dois, da mam�,
do tio Linda e do Zlatan.
E da av� e do av�.
E aqui est� uma banana, para o caso de teres fome.
Cinquenta e um, sete, oito...
A Helen parece querer provar que est� a sofrer mais.
... cem e sete.
- Isso d�... - Um mais um mais um.
Isso equivale a tr�s pernas.
Linda, j� te liguei mil vezes.
Perdi as minhas chaves.
Este � o Jasse.
E esta � a Sara, a minha irm� mais nova.
Ol�.
Ol�.
E tu �s...
- N�o lhe falaste de mim? - Sim.
Ele vive no meu apartamento. E � meu namorado.
Estamos juntos h� quatro anos.
Sim.
Exceto quando foste viver com a mi�da do ioga.
Mentalmente, estava contigo.
Estavas.
Podemos estar com algu�m fisicamente e mandar energia para outra pessoa.
Podemos?
- Sim, podemos. - Mas n�o foi f�cil para mim.
Linda, quando voltas para casa?
N�o me faz bem estar sozinho.
- Que idade tem ele? - Fa�o 39 daqui a duas semanas.
Daqui a duas semanas.
Podes levar as minhas chaves. Toma.
- Tamb�m precisas de dinheiro? - Vais dar-lhe dinheiro?
- Emprestas-me 2000? - Claro.
� para um curso que gostaria de fazer. Para pessoas que foram magoadas pelo amor.
- Chama-se Guerreiros Feridos. - "Guerreiros Feridos?"
- Sara... - Sim?
Est� bem.
Meu Deus, tanta energia negativa.
- Acabou de enterrar o marido. - Pode ser simp�tica na mesma.
- Tenho saudades tuas. - Tamb�m tenho saudades tuas.
Voltas para casa em breve?
Assim que o beb� nascer.
- A quem est�s a mandar mensagens? - � s� ao Jasse.
Ele gosta mesmo de sexo oral.
Quero dizer, faz�-lo.
Acho que aprendeu num curso qualquer. Ele...
Est� l� deitado e, quando acaba, olha para cima, assim.
Como se quisesse elogios. Eu acho que parece...
... um c�o a beber �gua.
Mas ele � muito am�vel e atencioso.
Acho que estava s�
a ter um dia mau. Ele...
� boa pessoa..
Porque fazes sempre isso? Arranjar desculpas para as pessoas.
Nem todos s�o simp�ticos. N�o faz mal n�o gostar de algu�m.
- Mas eu gosto dele. - � isso que quero dizer. �s est�pida.
O qu�? Tamb�m gostas de pessoas, n�o?
Gostas... Adoras o Eliot.
Mas isso � muito diferente. � uma crian�a.
- Amamo-las mesmo quando as odiamos. - Est� bem...
E o Dani�l?
Amavas o Dani�l.
Quando engravidei do Eliot, n�o foi planeado.
E o Dani�l...
... n�o queria ter filhos. N�o naquela altura.
Sabes o que ele disse, quando lhe contei?
"Esta � a pior coisa que podias ter dito."
E, embora se arrependesse de o ter dito...
... acho que demos um ao outro uma vida que nenhum de n�s queria.
- Est�s zangada comigo. - O qu�?
Est�s zangada comigo.
Mas agora estou aqui porque te quero ajudar.
Com o Eliot e com tudo o que precisares. Eu...
Quero apoiar-te, mas tens de parar de estar zangada comigo.
- Ai! - �s a minha irm� mais velha.
Sim, mas n�o me podes bater!
Ent�o?
Ai! Tu tamb�m n�o me podes bater!
Para!
- Para! - N�o, para tu!
N�o.
Para!
Podias ter ficado comigo e com a m�e depois do div�rcio, mas n�o ficaste.
Foste viver com ele.
Tinhas idade para poder escolher, mas eu s� tinha 10 anos
e tive saudades tuas, raios!
Ele teria ficado sozinho.
E depois? Era um adulto e estava-se nas tintas!
E a culpa foi toda dele, de qualquer forma!
Tens de meter nessa tua cabe�a que, �s vezes, as pessoas s�o cretinas
e o melhor a fazer � deix�-las.
N�o, n�o queria dizer agora.
Toma.
Era o pai que o tinha, mas achei que devias ficar tu com ele.
Ele rala-se, Sara.
E acho que devias ir v�-lo antes que seja tarde.
Minorca, juro que podes contar comigo.
Sara?
Boa noite.
Boa noite.
Ele podia passar por um rob�, embrulhado nisto?
Claro.
Tinha-me esquecido do Dia das Bruxas na creche.
Posso ir l� lev�-lo, se quiseres.
N�o � preciso.
Na verdade, ia perguntar-te se podias ir busc�-lo hoje.
Preciso de falar com a parteira e a creche fecha �s 14h.
Podia lev�-lo e ir busc�-lo.
Est� bem.
Ou ligo a dizer que ele est� doente.
Estou pronto!
Est�s �timo. �s?...
Sou o tio Linda.
- Tenho bigode? - Sim.
Do�ura ou travessura?
- N�o tenho doces. - Ent�o, travessura.
- N�o. - Sim.
N�o!
Ouve l�!
�s mesmo maroto. �s maroto?
- Adeus, querido. - Adeus.
Adeus.
- Conheces aquela tartaruga? - Sim?
S�o lentas, mas no filme s�o muito r�pidas.
- R�pidas assim? - N�o, assim!
Eu guardo isso.
Vamos ver.
- Pode deitar-se? - Sim.
Pronto.
- Sente-se bem? - Sim.
Vamos ver como est� o pequenino.
Ou devia dizer "pequenina"?
- Sabe que � uma menina, certo? - Sim.
- Muito bem. Levanta o top? - Sim.
Vou abrir isto.
Vou procurar a cabe�a. Inspire.
E expire.
Expire.
Aqui est�. Muito bem.
Vamos ver se encontramos o cora��o.
Vai sentir isto frio.
Deixe-me ouvir.
Tenho de procurar um pouco.
Pronto. Aqui est�.
Consegue ouvir?
Parece ser muito saud�vel.
Pronto.
Tome.
Desculpa.
Desculpa. Tinha-me esquecido de que estavas a�.
Desculpa.
Ol�?
Ol�.
Onde est� a Linda?
Foi-se embora.
Ol�, querido.
Ol�.
- Ela n�o veio. - O que aconteceu? Onde est� a Linda?
Eliot, querido. Vou s� falar com a tua m�e. Volto j�.
- N�o me vou embora. - Est� bem.
Vem.
A Linda n�o apareceu. Ele pensou que ela tivesse morrido.
A creche n�o te conseguiu contactar, por isso, ligaram-me a mim.
� como eu disse, a Linda � irrespons�vel. N�o podes confiar nela.
Estou a confort�-lo h� uma hora.
Acontecimentos destes deixam marcas. Como psic�loga, vejo muito isso.
Ol�.
Tentei ligar-te. Porque n�o atendeste?
Onde estiveste?
Desculpa. Estava com o pai.
Devia ter sido uma visita r�pida, mas, quando l� cheguei, ele tinha fugido.
Procur�mos em todo o lado. E tive muito medo de que algo lhe tivesse acontecido.
Podia ter ido para o meio do tr�nsito.
Mas depois encontr�mo-lo. Ele est� bem e est� tudo bem.
O Eliot julgou-te morta.
Mas n�o estou.
Posso entrar e falar com ele.
S� lhe quero dizer que n�o estou morta.
Vai-te embora. A Helen tinha raz�o. Isto foi um erro.
Minorca, o Eliot n�o pode viver a pensar que as pessoas morreram
s� porque se atrasaram cinco minutos.
Mas as pessoas fazem-no. As pessoas morrem!
Todos nos abandonam. Ningu�m � de confian�a.
Todos nos desiludem e temos de fazer tudo.
Prometeste que estarias comigo e com o Eliot.
Prometeste e depois escolheste-o a ele! Voltas a escolh�-lo em vez de mim!
Tuu tuu, pequeno cigarro
Como soubeste vir aqui ter?
Vim pela estrada de Turku
Pela estrada de bois de H�meenlinna
Mam�? Onde est� o tio Linda?
Est� em casa a dormir na cama dela.
- Com o Zlatan? - Com o Zlatan.
- Limpamos isso? - N�o.
Acho que n�o devias dormir com isso.
Tenho saudades do tio Linda.
Uma linha reta.
N�o est�s direita.
Direita.
Zlatan!
Est� l�?
Ol�, fala a Helen Garc�a. Falaste com a Sara? Sabes onde ela est�?
- N�o, n�o sei onde ela est�. - Alguma ideia de onde possa estar?
- N�o falamos desde... - Esquece.
- Est� bem. - Adeus.
Est� bem. Adeus.
- O que fazes aqui? - Est�vamos a dar um passeio.
A Sara entrou em trabalho de parto ontem � noite. Foi ver a parteira esta manh�.
- Tinha 4 cm de dilata��o. - Est� bem.
Por isso, internaram-na.
Ligaram da enfermaria. Ela desapareceu.
Devia ter percebido que ela n�o estava bem.
� o meu trabalho, raios!
Tenho de ir buscar o carro e procur�-la.
Onde raio est�o as minhas chaves?
Aqui.
Talvez o Zlatan a encontre.
Busca, Zlatan. Zlatan, busca!
- Onde est� a Sara? Zlatan! - Vens ou qu�?
Sim, claro.
- Podes tir�-lo daqui? - Zlatan, deita-te.
Deita!
O que lhe d�s de comer?
Desculpe.
N�o consigo parar de pensar nisto do Eliot.
- Sei que n�o sou grande irm� mais velha. - Claro que �s.
Sou a mais velha. Devia cuidar da Sara, mas n�o sei como.
Mas a Minorca sabe. Ela sempre soube o que fazer. Em tudo.
O meu psic�logo diz que n�o vos tenho ajudado muito
enquanto tentam voltar a criar la�os.
Que posso ter parecido hostil.
- Anda num psic�logo? - Sim.
- Pensei que fosse psic�loga. - Sim. Mas somos apenas humanos.
- Est� bem. - Faz parte do nosso trabalho.
Ele disse que � importante ter lugares e pessoas seguras em alturas de crise.
Deves ser uma dessas.
Apesar de n�o terem tido contacto.
Sara...
Sara!
- Helen... - Sara!
Helen? Acho que sei onde ela pode estar.
Vire aqui � direita.
Porque viria ela aqui?
- Brinc�vamos aqui, em mi�das. - O qu�? Porqu�?
Para.
- Aqui? - Vamos ver. Vem.
- Gra�as a Deus! - Segure.
Fico com ele?
Sara?
A andar de baloi�o?
N�o consigo.
Vem, vamos voltar para o hospital.
N�o quero.
Mas...
Mas est�s prestes a dar � luz.
A tua menina vai nascer agora.
Sonhei que dei � luz o Dani�l.
E se for parecida com o Dani�l?
Os rec�m-nascidos n�o parecem batatas cozidas?
E se...
E se ela ficar como ele?
Se falar como ele, agir como ele, disser as mesmas coisas.
Se for como ele.
Eu n�o o suportaria.
N�o nos parecemos com os nossos pais, pois n�o?
- Parecemos, sim. - N�o, n�o �s nada como a m�e.
N�o me referia � m�e.
Sou como o pai!
- Sou como ele. - Vamos, Sara.
Sou como ele.
Sou t�o ego�sta como ele.
Sou igualmente impaciente e amargurada com a vida.
Tamb�m �s bondosa e engra�ada, como o pai.
Afasto toda a gente, tal como ele.
E agora estou sozinha, como ele.
Mas n�o sou como a m�e, pois n�o?
�s am�vel com todos.
�s insegura e tens medo dos conflitos.
Est�s com um homem que te trata mal.
N�o, n�o �s nada como a m�e...
Tudo bem.
Sou como a m�e.
Eu gostava da m�e.
Eu tamb�m gostava dela.
Tenho saudades dela.
Eu tamb�m.
Ent�o? Est� bem.
Pronto.
Pronto.
For�a!
S� mais tr�s contra��es e ela sai.
- Est�s a ir muito bem. - H� algo errado. Sinto-o.
Est� a sair-se bem, Sara. J� sinto a cabe�a. J� falta pouco.
- Alarme! - A acionar o alarme.
O cora��o da beb� n�o bate como devia. Ela tem de sair agora.
Muito bem, vamos.
Acionem o alarme.
Vamos depressa.
Sonja?
- Porque n�o se senta, Helen? - Sim.
S� devo estar nervosa.
Tenho medo.
Eu tamb�m.
Pensei que o pior j� tivesse acontecido.
Com o Dani�l.
Mas n�o aconteceu.
Av�!
Ol�, Elliot.
Levaram-na para uma cesariana de emerg�ncia.
Podem entrar e ver a m�e e a filha. E a irm� mais nova.
Vem.
Vem, Linda.
C�us...
Meu Deus, � t�o gira.
Ol�, maninha.
Um, dois, tr�s, quatro, cinco, seis...
... oito, nove, sete.
Seis. Seis!
Quer pegar nela?
Posso?
Aqui a tem.
Ol�, querido.
- Tive saudades tuas. - Eu tamb�m.
- � linda. - Sim.
Obrigada.
Tenho de ir fazer uma coisa.
Mam�?
Ol�.
Linda?
O que se passa?
N�o se pode estar com algu�m e enviar energia mental para outra pessoa.
O que se passa?
N�o se pode estar com algu�m e enviar energia mental para outra pessoa.
Tira isso daqui.
Amo-te.
- Isto n�o � bom. - Vou tocar-te.
- Mas, Linda... - Adeus.
Ol�.
Sei que vais ficar muito zangada,
mas tamb�m sei que ficar�s feliz mais tarde.
- Talvez n�o sejas feliz mais tarde... - Do que est�s a falar?
Hoje � um bom dia.
� a tua menina?
Sim.
- Ol�, pequena Sara. - Chama-se Saga.
Estava a brincar.
Engra�ado.
Mas ela...
... parece-se contigo, Minorca.
Pronto, pai. Tirei uma foto para ti.
Vamos comer piza?
Talvez devessem...
... descansar um pouco.
� uma boa ideia. Vou p�r isto aqui.
Obrigado.
Desculpa.
Vamos.
- Linda! - Pai, espera aqui.
- Queria saber quando voltas para casa. - Casa?
Para c�, quero eu dizer.
- � parecida contigo. - N�o.
Parece uma batata cozida.
Legendas: Florinda Lopes
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