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Original subtitles

Oi, sou Ayed Morrar do vilarejo de Budrus.

Não temos tempo para guerras.

Queremos criar nossos filhos...

na paz e na esperança.

Estamos usando uma estratégia de resistência popular...

e não-violência para protestar contra a ocupação.

Dê-nos esperança...

para que possamos conquistar...

a liberdade dessa forma.

Muito obrigado.

BUDRUS

BUDRUS TERRITÓRIOS OCUPADOS NA PALESTINA

Budrus é um vilarejo pequeno...

com uma população de 1.500 pessoas.

A maioria das famílias vive aqui há várias gerações.

AYED MORRAR

Budrus é único por causa da proximidade da comunidade.

É um vilarejo agrícola

conhecido pelo cultivo das azeitonas.

Há pessoas que dependem só das oliveiras em Budrus.

Nossa ligação com a terra é parte de nossa cultura.

Vejo essa conexão com a terra nos meus filhos, também.

Vamos tomar chá.

Por que está sentado assim?

Afaste o chá.

Cresci como filho de um aldeão muito simples...

e não sabíamos muito sobre nacionalismo.

Da primeira vez que fui para a cidade...

vi uma demonstração contra o exército israelense.

Essa experiência me envolveu;

fui sugado por ela.

Por isso entrei para o serviço público...

e me uni à causa palestina.

Sentia que, como um palestino sob ocupação, tinha um dever.

Um outro estágio na complexa jornada rumo ao Muro da Separação.

O governo israelense autorizou a construção dos 110 km iniciais.

O GOVERNO ISRAELENSE ESTÁ CONSTRUINDO MUROS E CERCAS

SEPARANDO ISRAEL DOS PALESTINOS DA MARGEM OCIDENTAL DO JORDÃO.

PARTE DESSE MURO DA SEPARAÇÃO ESTÁ SENDO CONSTRUÍDO

DENTRO DA MARGEM OCIDENTAL, EM TERRITÓRIO PALESTINO.

EM UM DOS TRECHOS, O MURO CERCARÁ SEIS VILAREJOS PALESTINOS,

CORTANDO-OS DO RESTO DA MARGEM OCIDENTAL,

ASSIM COMO CENTENAS DE ACRES DE SUAS TERRAS.

BUDRUS É UM DESSES VILAREJOS

BUDRUS

A CONSTRUÇÃO PRELIMINAR DO MURO TEM INÍCIO

Meu nome é Doron Spielman...

e sou capitão do exército israelense.

Onde pudermos manter um alto nível de vida para os palestinos,

sem ameaçar a segurança de Israel, nós o faremos.

A preocupação principal cercando o muro é a segurança.

Para prevenir a morte de civis israelenses.

DORON SPIELMAN

CAPITÃO DO EXÉRCITO ISRAELENSE Isso está acima de tudo.

Entre 2000 e 2002,

centenas de civis israelenses foram mortos por homens-bomba...

provenientes da Margem Ocidental.

É contra isso que lutamos.

A solução é o muro...

e não sair matando gente.

A solução é o muro.

Em certos trechos, o muro invade território palestino...

e Budrus é um desses lugares.

É algo muito triste na vida dos palestinos...

entretanto é menos triste do que a morte de um civil israelense.

HOSNIE YOUSSEF, PROPRIETÁRIA

Isso, chame-o.

"O azeite é a base da casa..."

ouço isso desde pequena.

Meu pai levava a água nos ombros...

para regar as plantas.

Hoje, se tentarmos ir às nossas terras, tomamos tiros.

Como se essa não fosse a terra dos nossos pais.

Como se fossemos estranhos nessas terras.

A árvore é uma fonte de vida...

e a criamos como uma criança.

E ela também nos é muito cara.

Mas quando um inimigo vem à nossa terra...

para tomá-la de nós,

a morte torna-se um caminho mais fácil.

Você fica até esperando por ela.

A morte, roubar a terra...

e derrubar árvores são a mesma coisa.

É um direito natural de todos os países do mundo...

garantir a segurança de seus cidadãos.

E acredito que isso também se aplique a Israel.

Entretanto, Israel está tentando construir o muro na terra vizinha...

em vez de construí-lo dentro de suas fronteiras.

Em nossas vidas, nossa comida sempre veio de nossa terra.

Sem ela, o que faremos?

O muro chega bem perto de nossas casas.

Ninguém quer que os israelenses invadam nosso território.

Se confiscarem a terra e as oliveiras...

e nos impedirem de circular livremente...

como poderemos viver?

AYED ORGANIZA UMA REUNIÃO NO VILAREJO

Entrem, sentem-se.

Todos sabem que o problema que estamos discutindo...

e que diz respeito a Budrus é a questão do muro.

Esse muro confiscará 300 acres de Budrus...

junto com cerca de 3000 oliveiras.

O muro será construído a 40 metros da escola...

e dividirá o cemitério.

Devemos esvaziar nossas mentes do pensamento tradicional...

e começar a pensar de forma estratégica.

Temos duas opções:

Dizemos que é o destino e desistimos...

como normalmente fazemos, invocando ser "vontade de Deus,"

ou consideramos isso uma injustiça...

contra a qual devemos lutar.

Naquela noite, penduraram bilhetes nas árvores avisando- nos...

que no dia seguinte derrubariam nossas oliveiras.

À meia-noite, decidimos que iríamos posicionar-nos bem cedo...

antes que as escavadeiras chegassem.

Ah, Budrus, mãe de heróis

Sua firmeza é o maior exemplo

Nossas terras de 1967!

Todas as nossas atividades são pacíficas,

é uma demonstração pacífica.

Se derrubarem uma árvore...

plantaremos outras dez.

Houve uma discussão entre o empreiteiro e o soldado.

Um disse: "Traga a escavadeira para tirarmos as pessoas daqui."

E o outro disse:

"Tire as pessoas e aí trarei a escavadeira."

Permanecemos firmes na terra.

O empreiteiro e o soldado não chegaram a um acordo.

Levantem suas vozes ainda mais!

Ficamos parados lá o dia todo, até nos certificarmos...

que eles não iniciariam a obra naquele dia.

Nós os paramos.

Nós conseguiremos.

Não escolhemos a resistência popular...

por sermos o povo mais educado do mundo.

Ou por sermos os únicos a renunciar à violência.

Escolhemos por ser o melhor caminho para os palestinos.

Saiam da estrada.

Por que eles têm de passar por aqui?

Aqui e lá.

Assim cobriremos 360º.

REFORÇOS POLICIAIS DA FRONTEIRA CHEGAM A BUDRUS

YASMINE LEVY, POLICIAL DE FRONTEIRAISRAELENSE

Estávamos na linha de frente, na polícia de fronteira.

Não estávamos lidando muito com o público.

Éramos a entidade física no campo.

Mesmo antes de ser convocada...

estava determinada a ser uma combatente da polícia de fronteira...

e não apenas um soldado do exército.

Porque a polícia de fronteira é mais assertiva...

e oferece mais igualdade para as mulheres.

Eles estão lá em cima!

Foi quando começou a revolta em Budrus.

Quando cheguei, ainda havia oliveiras...

que para eles têm o valor da própria vida.

Recebemos ordens claras...

de não danificar o que eles estimavam.

Mas quando não nos restou escolha senão erguer o muro...

eles trouxeram as escavadeiras.

Não ligamos para rifles Gás lacrimogêneo ou canhões

De agora em diante, esta é uma zona militar restrita.

No segundo dia, eles chegaram bem cedo.

Eles derrubaram oitenta oliveiras.

As pessoas estão furiosas...

suas terras estão sendo confiscadas.

Batizamos essas oliveiras com os nomes de nossas mães.

Lembra-se das oliveiras que estavam aqui ontem?

Não restou nenhuma.

Vocês derrubaram minhas oliveiras?

Não tenho para onde levá-las.

Quando estava na 1ª série...

eu tinha seis anos...

e fui visitar meu pai na prisão.

Meu pai me ergueu e perguntou...

o que eu seria quando crescesse.

Eu disse que queria ser médica...

e ele disse...

que eu seria, mesmo que ele tivesse de vender tudo.

Dali em diante, eu nunca me desviei de meu objetivo.

Queria ser médica, em especial...

pela situação aqui inspirar isso.

CASA DEAYED

ILTEZAM MORRAR, FILHA DEAYED

Temos fotos e vídeo.

Olhe as escavadeiras funcionando.

Eu não estava lá quando começaram, não é?

Iltezam estava lá.

É como um filme de terror.

Sacrificaremos nosso sangue E nossas almas pela Palestina!

Nossa ideia era fazer várias passeatas contra o muro...

mas de início notei que havia apenas homens.

Não havia mulher alguma nas manifestações.

Perguntei a meu pai: "Por que há apenas homens nas passeatas?

Acho que as mulheres também devem participar."

Você nos levará?

- Você levará as mulheres contigo? - Hoje não.

Mas amanhã todas serão bem-vindas.

É mesmo?

Dali em diante, as mulheres participaram de todas as passeatas.

Agora as passeatas incluíam homens e mulheres.

Budrus fica numa montanha, assim eles poderiam vir de qualquer lado.

E o mais fácil para eles...

seria colocar as mulheres na frente.

Para que nós não usássemos de violência.

Força, liberdade e justiça!

Somos a juventude da Palestina!

Jovens mulheres e jovens homens

As prisões não nos amedrontarão a nós

Ou aos nossos jovens

Vimos os homens tentando empurrar os soldados...

e nenhum conseguia fazer isso.

Mas acho que as garotas seriam capazes.

Foi muito difícil para mim, como mulher...

pois havia muitas mulheres.

Se você é realmente uma mulher, largue a arma e venha aqui.

Somos mulheres.

Vamos, largue a arma.

Yasmina!

Vamos, Yasmina!

Yasmina!

Ah, Yasmina! Yasmina!

Você viu isso?

Yasmina também é um nome árabe...

por isso no vilarejo me chamam de "Yasmina."

Dizem: "Yasmina, você não deveria estar aqui."

"Por que você não se arruma com o meu filho?"

"Nós lhe daremos ovelhas.

Abandone a patrulha da fronteira e venha para nosso lado."

Chega.

Primeiro tentamos conversar com eles educadamente...

para tirá-los de lá pacificamente.

Em seguida, caso necessário...

adotamos métodos tradicionais para dispersar multidões.

Venha aqui, Yasmina!

Está vendo as mulheres?

Quero que fique ali.

Faça-o da maneira correta.

Mande um para lá.

Aterra é nossa, não sua!

Não atirem!

Mesmo que as mulheres tenham apanhado...

ou sido atingidas por balas de borracha e bombas de efeito moral...

elas não se importaram com isso.

Elas foram até o limite para garantir que manteriam suas terras.

Deus é grande!

A cada passeata, digo a mim mesma: "Tudo bem, não sentirei medo."

Mas quando vejo o exército, começo a sentir medo.

Os soldados não são compassivos.

Eles batem, atiram e prendem.

Mas temos um dever a cumprir.

Não abandonaremos nossas terras!

Se vai construir um muro para garantir sua segurança...

não nos importaríamos, desde que fosse atrás da Linha Verde.

Mas não podem roubar nossas terras...

alegando ser questão de segurança.

Como acham que reagiríamos?

É uma demonstração pacífica...

não precisam tratar-nos com violência.

Não há necessidade de usar violência contra nós.

Viemos em paz.

Naquele dia, recebemos os primeiros apoios internacionais.

Vocês não podem ficar aqui. Devem voltar.

Por quê? Porque é território restrito.

Estão vendo isso?

Vocês removeram aquelas árvores e todas morreram.

Todas morreram.

Não estamos em Israel, não podemos ficar regando-as o tempo todo.

Se as remover, elas morrerão.

Nos dispersamos na horizontal...

para que os soldados fizessem o mesmo...

deixando aberturas na linha pelas quais pudéssemos penetrar.

Virou uma corrida.

Todos começaram a correr junto com os soldados...

tentando chegar nas escavadeiras.

É uma demonstração pacífica, não precisam tratar-nos com violência.

Não há necessidade de usar violência contra nós.

Nós montávamos uma linha e eles davam a volta.

Aí chegávamos para o lado e eles passavam pelo meio.

Os soldados chegaram antes de nós...

e cercaram as escavadeiras.

Voltem lá pra cima!

Rego essas oliveiras há cinquenta anos.

E agora querem derrubá-las?

Então terão de me derrubar também.

Quando você está frente a frente com uma escavadeira...

vendo-a destruir as oliveiras...

quando no dia anterior você estava sentada embaixo delas...

Eu senti uma grande vontade de chorar...

mas não era o momento certo para chorar.

As oliveiras da Palestina!

Não sei o que aconteceu, mas de súbito encontrei-me...

atrás da linha dos soldados...

de frente para a escavadeira.

Eu me perguntei: "O que uma única pessoa pode fazer?"

Eu pulei dentro do buraco.

Eu estava apavorada.

A única coisa que o soldado pôde fazer foi tirar a escavadeira.

É bom sentir, mesmo que você seja pequena e não tenha nada...

que você é capaz de fazer tudo isso.

Tenho certeza que todos em Budrus lembram-se daquele dia.

Mais pedras?

Sim, pode trazer.

Pertenço a uma família que me orgulha.

Temos um histórico de resistência.

Meu pai, tios e avó sempre falam...

sobre o que fizeram na 1ª Intifada.

Quando o muro chegou, pensei: "Agora é a minha vez."

TODO ANO UMA REVOLUÇÃO ATRAVÉS DO FATAH

Quando começou a resistência contra o muro, fui preso pela quinta vez.

Fui preso pela primeira vez quando tinha 19 anos, em 1981.

Fui um dos fundadores do movimento...

que criou o braço popular do Fatah.

Nós limpávamos os cemitérios e as ruas...

e ajudávamos os aldeões com a colheita.

É verdade que fazíamos isso...

de um ponto de vista nacionalista, e não apenas visando o bem comum.

E pagamos o preço por isso sendo presos.

Desde que Ayed tinha 17 anos, eles vêm e vão.

Eles prendem um, depois outro.

Mesmo durante o nosso casamento, acreditavam que ele seria preso.

Soldados nos seguiram da minha casa até o local do casamento.

Desde 1989, não conseguimos reunir os cinco irmãos.

Um está sempre ausente, ou preso, ou em fuga.

Quando Ayed fugiu, os soldados nos perturbavam à noite.

Faziam com que saíssemos de casa, inclusive as crianças.

Contaram-nos que haviam capturado Ayed, mas ele estava bem.

Um dia, sob interrogação...

alucinei que via meu filho Ahmed bebê.

Estava amarrado a uma cadeira pequena, pelos pés e mãos.

Fui impedido de dormir durante três dias e noites.

Ahmed chegava e puxava a barra da minha calça.

Comecei a chorar, pedindo-lhe que me desamarrasse para abraçá-lo.

Desamarre minhas mãos para que possa abraçá-lo.

Passei seis anos na prisão e três anos como fugitivo.

Era casado e tinha filhos, mas nada sabia sobre eles.

Meus irmãos cuidavam deles e os alimentavam.

Não participei da criação deles.

O caminho que trilhei, a luta nacionalista...

tem seus privilégios.

Mas as pessoas mentem se dizem que não pagamos um preço.

Não tivemos um dia de descanso.

Lutamos o tempo todo contra os judeus.

E agora estamos lutando contra o muro.

CANAL 1 DE ISRAEL

Temos aqui no estúdio o membro do parlamento...

e subministro da Defesa Ze'ev Boim.

Como vê essas demonstrações diárias...

contra o Muro de Segurança?

Sem dúvida, os Palestinos...

estão tomando medidas especiais para...

O que quer dizer com "especiais?"

Que essas manifestações são novidade.

Até o momento, essas ações não haviam tido sucesso...

pois eram pequenas e pouco frequentes.

Mas agora a força das manifestações está aumentando.

O MURO DEVE SER DERRUBADO

BUDRUS NÓS NÃO ESQUECEREMOS

AYED DISCURSA DURANTE MANIFESTAÇÃO DO HAMAS EM BUDRUS

O que dirão a nosso respeito...

se perdemos o foco lutando entre nós...

e esquecermos sobre o perigo do muro e da expulsão?

Por isso, Budrus esteve sempre unida.

E, se Deus quiser, será...

o espinho deste lado da ocupação.

Irmãos e irmãs, obrigado...

e que a paz esteja convosco.

Talvez seja o crítico mais agudo contra a ideologia do Hamas.

Entretanto, eles são uma porção autêntica da sociedade palestina.

Eles são capazes de desempenhar um papel forte, positivo...

mas também são capazes de sabotar um movimento...

caso o rejeitem.

AHMED AWWAD MEMBRO LOCAL DO HAMAS

Sou professor do secundário local.

O principal motivo pelo qual juntei-me às manifestações...

foi por ver o muro como um símbolo da ocupação.

Se nos valêssemos da violência para lutar contra o muro...

o movimento de resistência não duraria muito tempo.

O exército israelense usaria isso...

para tachar-nos de terroristas...

e usaria suas armas...

como se estivessem enfrentando um exército.

Mas o cunho pacífico da resistência contra o muro...

angariou-nos apoio internacional.

- Diga-nos seu nome. - Mohamed.

Quantos anos tem?

Quantos anos tem?

Sete anos.

Sete? Não, não são sete.

Você tem quatro anos.

Entre, Ayed.

Ahmed Awwad é um verdadeiro líder no campo.

Nossa amizade é muito importante para essa cooperação.

Eu tenho sete filhos, quatro meninas e três meninos.

Helwa, venha aqui!

Helwa!

Tire uma foto.

Devo ir embora ou ela virá?

Mesmo que todos saiam, ela não virá.

Sente-se, por favor.

Essa é minha filha mais velha.

O nome dela significa "beleza".

Ela se feriu durante uma demonstração.

Na perna.

É normal ferir-se durante as demonstrações contra o muro.

O anormal é quando ninguém se machuca.

Sofremos muito com o que está acontecendo na Palestina...

por causa das divisões políticas.

Devemos agir como irmãos...

porque sabemos que a união é o único caminho para a vitória.

Uma nação unida!

Fatah, Hamas e a Frente Popular!

BEM-VINDO

Seja bem-vindo!

SALAM FAYYAD PRIMEIRO MINISTRO PALESTINO

AYED ORGANIZA UMAVISITA DE SOLIDARIEDADE DO 1º MINISTRO

Como vai?

Coloquei-me numa posição delicada ao dizer para essas pessoas...

que a visita do primeiro- ministro duraria entre 30 e 45 minutos.

Eles disseram: "Queremos fazer uma pequena recepção"...

e permiti que fizessem isso.

Você não se importa com os aldeões?

Esses são os filhos e as famílias deles.

Minha relação com esses oficiais é necessária, mas delicada.

Não gosto disso.

Você sabe da importância deles...

mas a recíproca não é verdadeira.

Eles acham que o mundo inteiro é uma tenda que eles controlam.

E todos devem obedecer as regras deles.

Estamos vivendo sob ocupação.

Não dá pra liderar a sociedade sentado dentro de um gabinete.

Você tem de estar no meio do povo para poder liderá-lo.

AYED CONVIDAATIVISTAS ISRAELENSES PARA UNIREM-SE ÀS MANIFESTAÇÕES

Eles partirão no ônibus das 6:45h.

As mulheres incluídas.

Todos querem ir a Budrus.

Quando começamos a lutar em Budrus, não imaginávamos...

que teríamos o apoio...

de tantos amigos em Israel.

É como um sonho.

Agora seguiremos em frente.

KOBI SNITZ, ATIVISTA ISRAELENSE - Acredito que, sim...

Devemos continuar com força...

e tudo melhorará no futuro.

Budrus foi um dos primeiros lugares a ter manifestações conjuntas.

O que é único sobre as manifestações...

e que estava ausente no movimento pela paz...

é o fato de ir a campo e agir.

E foi por isso que me envolvi.

Eu não conheço israelenses, conheço apenas os soldados.

Visitei meu pai muitas vezes na prisão...

e todos os israelenses que conheci eram muito, muito ruins.

Mas agora sei que nem todos os israelenses são iguais.

Alguns pensam que devemos conviver em paz.

Nunca imaginei que algum dia teria amigos israelenses...

ou que conversaria com mulheres israelenses.

Nem todos são soldados.

Eles não nos odeiam.

Saiam daqui, saiam do vilarejo deles.

Este vilarejo é palestino!

Que parte não entenderam?

Vocês têm a minha idade. Quantos anos? 22?

Ouça, você está em uma zona militar restrita.

Não, esse é um vilarejo palestino.

Onde está a placa que diz que essa área é restrita?

Às vezes, israelenses de esquerda uniam-se aos palestinos.

E por serem judeus, não podíamos usar da força contra eles.

E eles estavam na frente, com as mulheres...

algo que tornava as coisas mais difíceis para nós.

Quer que eu confisque isso?

Você não pode, eu assinei um documento.

Quer assinar outro?

Não, não.

Não me irrite.

Tire a bateria.

Como soldados, não sabíamos sobre as implicações e os problemas.

Éramos como robôs.

Disseram-nos: "Tirem as pessoas."

E foi o que fizemos.

Estou dizendo para os israelenses:

"Vocês têm 10 minutos para sair daqui."

Depois disso, prenderemos todos.

Expliquem aos outros em inglês, árabe ou a língua que quiserem.

Nós não atiramos, não choramos.

Não agiremos como assassinos.

Desobedeçam, desobedeçam!

AHMED AWWAD, HAMAS - Também queremos cumprimentar...

os israelenses que nos apoiaram hoje...

e nos dias anteriores...

enquanto defendíamos nossa terra.

Já ouvíramos dizer...

que alguns israelenses queriam a paz.

Mas esses manifestantes foram além das expectativas.

Ví israelenses me defendendo...

dos soldados da ocupação.

Foi estranho ver um judeu lado a lado comigo...

nosso inimigo comum sendo um judeu...

o soldado que ocupa minha terra.

Nessas passeatas, vi essas vozes israelenses in loco...

não foi algo que me contaram.

Sem violência!

Falamos sobre os protestos...

em um vilarejo por causa de oliveiras.

É contra isso que protestam. Fui lá, pois eles correm perigo.

Como você reage a isso?

O entrevistado diz...

que agiu como um escudo humano.

Acredito que haja razões bastantes, como israelense...

para processá-lo.

Você, o subministro da Defesa...

quer processar Nimrod Keret?

52, fale comigo.

Há israelenses e jornalistas presentes?

Há três estrangeiros, vários israelenses...

mas o gás lacrimogêneo foi usado apenas contra os aldeões.

KOBI É PRESO EM BUDRUS

Para mim, quando chegamos a 200 metros dos soldados...

e eles estavam ameaçando-nos com as armas...

tinha certeza que morreríamos.

Mas havia outros ao meu redor que não estavam amedrontados.

E eu gradualmente venci o temor...

e reforcei-me com a vontade deles.

Não permitam que o exército envolva-nos numa confrontação...

que não se alinha com nossos princípios...

ou para a qual não tenhamos as ferramentas necessárias.

A abordagem de Ayed é muito democrática.

E, também, em nível pessoal...

ele sabe delegar decisões...

fazendo com que as pessoas sintam-se parte da luta.

Uma delegação de líderes sul-africanos visita Budrus.

Kobi, está na hora de comer.

- Como? - Está na hora de comer.

- Acho que sim. - Depois disso podemos...

Podemos falar enquanto comem.

Damos as boas-vindas a nossos convidados que discursarão.

BARBARA HOLGAN - Cresci numa comunidade...

EX-LÍDERANTIAPARTHEID - hostil aos negros...

que os via como uma ameaça à sua existência.

Nos movimentos de libertação da época havia duas opções:

Uma dizia...

que os brancos eram os inimigos e deviam ir embora.

A outra dizia...

que todos pertenciam ao país, brancos e negros.

E foi isso que me motivou a entrar para a organização...

pois era um ideal democrático

que reconhecia a humanidade básica de todos nós,

mesmo que estivéssemos envolvidos numa luta mortal na época.

Sinto-me encorajada...

pelo fato de haver israelenses e palestinos, nesta própria sala...

que estão unindo-se

para forjar um entendimento...

e uma luta comuns.

Éramos consistentes diariamente.

OBSERVADOR INTERNACIONAL

Hoje...

estão convidados...

para uma passeata pacífica.

Todas as crianças para trás!

Caros rapazes, há um sistema no mundo, certo?

Ele pediu que fizessem algo. São inteligentes, façam-no!

Temos a companhia...

de dezenas de irmãos e irmãs israelenses.

ATIVISTAISRAELENSE - Nada amedronta mais o exército...

do que a oposição pacífica.

COLABORAÇÃO ÁRABE-ISRAELENSE

Dizemos a eles que não somos contra ninguém...

somos apenas contra a ocupação.

Não ligamos para rifles Gás lacrimogêneo ou canhões

Ei, guardas da fronteira Venham ver!

Estamos em completa harmonia...

e queríamos espelhar isso para toda a Palestina.

Sim à paz!

Não ao muro!

Isso é para você cobrir sua careca,

para parecer um pouco mais jovem.

Fora Israel!

Nossa missão no momento é manter as coisas tranquilas.

Eles têm o direito de protestar.

Só devemos nos certificar de que tudo seja mantido na paz.

Esse é nosso papel hoje.

Felizmente, como podem ver...

tudo acontece sem violência.

Muito obrigado.

Mas, em última instância...

um protesto não-violento não impedirá que ergamos o muro.

Isso não vai acontecer.

Porque homens, mulheres e crianças israelenses...

precisam dormir em paz.

Quando as negociações falharam...

recebemos ordens para utilizar táticas mais agressivas...

para tirá-los do caminho, pois o trabalho tinha de continuar.

Alô.

Estamos planejando uma manifestação.

Será às 10h00, mas o exército israelense está no vilarejo.

Temo que teremos de cancelá-la...

por causa da intervenção do exército.

Não sabemos marchar...

e proteger as crianças ao mesmo tempo.

Al Jazeera.

Al Jazeera. Por que eles não vêm?

Eles se negam a vir a não ser que haja uma manifestação.

Decidimos fazer uma passeata, não é?

Essa passeata poderia colocar as crianças em perigo.

Isso não seria um problema.

Poderíamos levar as crianças para a escola antes da passeata.

Certo?

Primeiro temos de trazer os alunos...

da escola com segurança.

A TERCEIRA INTIFADA

Depois disso podemos começar nossa manifestação.

ESCOLA DE BUDRUS

Se vocês moram aqui por perto, podem ir para casa agora.

Se moram mais longe...

nós os levaremos.

Vai ter passeata?

Essa manifestação é pacífica.

Ninguém aqui está armado.

Dou três minutos para saírem daqui.

Três minutos, entenderam?

Há israelenses aqui.

Israel, os EUA, todos estão vendo.

Onde estão os israelenses?

Deixe-me ver sua identidade.

Não o responda.

Não estamos com a identidade.

Esta terra é nossa.

Não temos de andar com nossas identidades.

Não vão tirar ninguém desta vila, certo?

Essa é minha filha.

Vocês não passam nem um metro desse ponto.

Essa é uma zona militar restrita.

- Pode me dar isso por escrito? - Não, não posso.

Preciso disso por escrito ou não tem valor algum.

Não abuse da minha paciência.

Não estou abusando, é seu dever escrever isso.

Avisaram-nos que tínhamos 5 minutos...

para entregar os israelenses.

Escondemos os israelenses atrás de nós.

Não, esquece, tá? Esquece.

Não leve nenhum de nós.

Ligue para 721, mande-os vir para cá.

Saiam daqui!

Essa é uma zona militar restrita!

Ele é jornalista, ele tem o direito de estar aqui.

Calma!

AHMED AWWAD

Está tudo bem. Não se preocupe.

O que estão fazendo é errado!

CANAL 1 DE ISRAEL

Os embates em torno do muro continuam.

Mais de 100 palestinos e ativistas...

entraram em conflito com o exército israelense por causa da construção.

A polícia de fronteira foi enviada para defender a área.

As ordens foram usar da força...

para dispersar os manifestantes.

A área do muro foi declarada zona militar restrita...

e o toque de recolher foi decretado no vilarejo de Budrus.

BUDRUS NÃO CAIRÁ

Eles estão sempre por aí.

Estão vivendo conosco.

Quantas manifestações fizeram?

- Quarenta e três. - É mesmo?

Mas ultimamente começaram a lidar conosco...

de forma violenta, mais violenta.

Fui atingido!

Aqui é Ahmed Awwad. Venham, rápido, alguém foi ferido.

Corram com o carro, pois temos de levá-lo ao hospital.

Está correndo perigo, por favor!

Esperamos por você lá em cima.

Eles disseram para meu irmão: "Cansamo-nos de jogar esse jogo.

Temos de pará-los a qualquer custo."

Ocuparemos o seu vilarejo...

o dia inteiro e não partiremos.

Budrus nos pertence!

Não, rapazes!

Não joguem pedras, rapazes!

Não joguem pedras!

Por que estão jogando pedras?

A estratégia da luta é a não- violência.

Isso não quer dizer que, se o exército provocar,

as pessoas não jogarão pedras.

O que é um soldado israelense?

Um garoto de 18, 19 anos que foi treinado no exército.

Um exército muito bem organizado.

Ainda assim, ele é um garoto...

e se jogam pedras nele...

ele fica irritado.

Venha para a esquerda.

Saia daí.

Shlomo, venha aqui.

Quando conseguimos empurrá-los até o vilarejo...

tomamos alguns edifícios...

para impedi-los de voltar ao canteiro.

Choviam pedras.

Protejam-se.

É uma armadilha.

Onde estão as bombas de efeito moral?

Atirem!

O que estão esperando?

Falem com os jovens, esses judeus vão nos matar.

Fale para os jovens pararem de jogar pedras.

Eles tomaram a minha casa. Acha que eles se importam?

Eles ficariam aqui eternamente, só de teimosia.

Aquela lá em cima bateu nas mulheres com uma vara.

É a Yasmina.

Oren, acompanhe-os na tomada da casa.

Voltem para casa!

Sabem quantos dos meus soldados foram feridos a pedradas?

Por que jogam pedras quando os israelenses estão aqui?

Que tipo de consideração é essa?

O que está acontecendo, rapazes?

Entrem, por favor.

Uma pessoa quer se casar...

e o casamento é em outro vilarejo.

As pessoas querem ir até lá.

Eu lhe disse que não havia ninguém.

Ouçam, hoje tem uma festa, um casamento.

Uma festa?

Sim, juro. Por favor, deixe-nos passar.

Eles invadiram o vilarejo pelos três lados, em três grupos

e ocuparam-no.

Isso é munição de verdade?

E você não sabe a razão?

A inteligência disse-nos que veríamos uma nova face da...

A inteligência disse? Como assim, foi um aviso?

Meu irmão. Sim, como um aviso.

Eles pegaram alguém.

É Hassan Mohammed Hassan.

Não se mexa.

Seu filho da mãe! Não! Pare!

É munição de verdade.

Está parecendo Fallujah, tiros por todos os lados.

É como... está ouvindo?

Parece um foguete.

- São garotas palestinas. - Sim.

Elas querem libertá-lo.

Por que estão jogando pedras?

Por que estão jogando pedras? Não façam isso!

Deus abençoe a mão daqueles que jogam pedras.

As pedras não adiantarão de nada.

Filme essas balas.

Acho que poderá haver um massacre...

pois as pessoas querem libertar o rapaz que foi preso.

Você acha que isso tem a ver...

com a ameaça que você sofreu?

Talvez queiram deprimir o povo,

pois sabem que Budrus é importante...

para a resistência ao muro.

Para fazer com que desistam...

devem botar Budrus de joelhos.

Talvez seja por isso.

Mas eles não têm esperança.

Você pode ver que as crianças e as pessoas quebraram a cerca.

Vamos descontar a raiva que sentimos por Hassan na cerca!

Não, não à cerca!

Nós conseguiremos!

Não, não à cerca!

Ah, Budrus, berço de heróis

Você é o maior exemplo

Todos querem essas coisas:

Liberdade, segurança.

Não é difícil entender porque estamos fazendo isso.

MANIFESTAÇÕES PACÍFICAS EM BUDRUS CONTINUARAM POR DEZ MESES

Nós constantemente surpreendíamos um ao outro.

Eles desenvolveram seus métodos, assim como nós.

Até chegarmos a um ponto em que tornou-se uma batalha de vontades.

ISRAELI NEWS IN ENGLISH - Estrategistas militares...

ISRAELI NEWS IN ENGLISH - estão planejando...

rotas alternativas para o Muro de Segurança,

que agora ficará mais próximo da Linha Verde pré-1967.

Fontes do governo dizem que a rota tenta estabelecer um equilíbrio...

entre os requerimentos de segurança e os direitos dos palestinos.

DEPOIS DE 55 MANIFESTAÇÕES, O GOVERNO ISRAELENSE

FEZ COM QUE O MURO DASEPARAÇÃO CONTORNASSE BUDRUS POR FORA

REVERTENDO-O À LINHAVERDE EM QUASE SUA TOTALIDADE

MURO DA SEPARAÇÃO REVISTO

Eu lhes dizia que esse não era o nosso destino.

Nós conseguiremos!

Temos uma escolha

Podemos opor resistência ao muro

OS ALDEÕES SALVARAM SEU CEMITÉRIO

E 95% DAS TERRAS E OLIVEIRAS.

OS ALUNOS NÃO IRÃO PARAA ESCOLA VENDO O MURO DASEPARAÇÃO.

Essa mudança de rota em Budrus...

alguns palestinos atribuem aos protestos...

e por isso continuaram a protestar.

Mas, na verdade, foi uma decisão política...

do estado israelense.

Mudanças políticas são fruto de uma luta.

Por haver uma força política que faz com que aconteçam.

BUDRUS INSPIROU ALDEIAS NA MARGEM OCIDENTAL

AADOTAREM A RESISTÊNCIA NÃO-VIOLENTA PARA SALVAR SUAS TERRAS

De Budrus a Ramallah

PAREM A CONSTRUÇÃO DO MURO PAREM DE ROUBAR TERRAS

Deus está conosco

Tivemos um dia longo em Bil'in e Bidu.

Bidu e Bil'in.

Vamos a Ni'lin para apoiar o povo de lá,

que fará uma manifestação contra o muro.

E aqueles são meus amigos, meus amigos israelenses.

Todos iremos apoiar nossos amigos palestinos de lá.

Em sua manifestação. Muito obrigado.

ILTEZAM RECEBEU UMA BOLSA PARA ESTUDAR MEDICINA

EM SARAJEVO, NA BÓSNIA-HERZEGOVINA.

DEPOIS DE CUMPRIR O TEMPO DE SERVIÇO

YASMINE ABANDONOU A POLÍCIA DE FRONTEIRA

PARA COMEÇAR SUA PRÓPRIA FAMÍLIA.

AHMED FOI DETIDO POR NOVE MESES NUMA PRISÃO ISRAELENSE

SEM JULGAMENTO

DEPOIS DE SER SOLTO, ELE VOLTOU A LECIONAR.

KOBI FOI PRESO POR 20 DIAS DEPOIS DE TENTAR IMPEDIR

QUE O EXÉRCITO ISRAELENSE DEMOLISSE CASAS PALESTINAS.

ELE CONTINUA UNIDO AOS PALESTINOS EM MANIFESTAÇÕES

CONTRA O MURO DA SEPARAÇÃO.

AYED FOI ELEITO PARA LIDERAR A UNIÃO DOS FUNCIONÁRIOS

DO MINISTÉRIO DO INTERIOR DA AUTORIDADE PALESTINA.

ELE CONTINUA A TREINAR LÍDERES DE MANIFESTAÇÕES NÃO-VIOLENTAS

PARA UNIREM-SE ÀS MANIFESTAÇÕES.

GOSTARÍAMOS DE RECONHECER ALGUMAS PESSOAS ENVOLVIDAS

EM LUTAS NÃO-VIOLENTAS EM ISRAEL E NOS TERRITÓRIOS OCUPADOS, INCLUINDO:

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