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Original subtitles

Tenho uma grande arte: eu firo duramente aqueles que me ferem.

Arquíloco, 650 A.C.

A GRANDE ARTE

Toda minha vida, meus olhos procuraram algo...

diferente.

Imagens que mostrem como as pessoas vivem.

O que sentem e o que suportam.

Um amigo disse que fotógrafos são como caçadores.

Têm o instinto assassino, mas não o desejo de matar.

Talvez ele esteja certo.

Nós escolhemos uma presa e disparamos...

mas em vez da morte, nós criamos a eternidade...

ou uma ilusão dela.

Nós não interferimos.

Às vezes, apenas observamos.

Eu estava no Rio há 3 meses, trabalhando no meu novo livro.

O primeiro passo de STRANGERS.

Tinha fotos suficientes, mas não estava satisfeito.

Alguma coisa me prendia à cidade.

Tinha mais razões para ir embora do que para ficar.

Mas fiquei.

Cuidado!

Posso entrar?

Quer tomar alguma coisa, Gisela?

Sente-se.

O que há, Gisela?

Preciso falar com você.

Fale.

Isso me acalma. Te incomoda?

Agora tenho meu apartamento.

Tem um sujeito...

que aparece de vez em quando.

Agora está me ameaçando.

Por quê?

- Estou com uma coisa dele. - Por que não devolve?

Estou com medo.

O que é? Jóias? Dinheiro?

Aquelas coisas que se usam no computador.

- Disquetes? - É... alguns.

Acho que caíram do paletó dele.

O que tem neles?

Tenho cara de garota que tem computador no quarto?

Os disquetes são dele. Devolve.

Estou com medo. Por isso vim te procurar.

Quem é esse sujeito?

Um cliente...

Só quero devolver aquelas coisas.

Mas não quero ir sozinha.

Você vai comigo?

Está bem. Como vai ser?

Posso marcar com ele na boate e te ligar depois.

Posso te pedir outro favor?

Você me leva em casa?

Não quer entrar?

Não posso.

E se aquele homem estiver aqui, esperando para me atacar?

Não tem ninguém aí.

Mais uma razão para você entrar...

Da próxima vez.

Me liga.

Vou te ligar.

Posso ajudá-la?

Largue as malas.

Vire-se.

Quanto tempo vai ficar?

Seis dias.

Vou fazer uma conferência e volto para a escavação.

Só seis dias?

O que é isso?

O quê?

Essa...

coisa.

Um amuleto de fertilidade.

Não vai rir quando eu tiver quadrigêmeos.

- Não vou estar por perto. - Não precisa estar.

Quem são?

São os surfistas de trem.

Gosto deles.

Esses garotos desafiam a morte.

Desafiar a morte é uma ilusão masculina.

- Detesto quando banca a esperta. - Mas eu sou esperta.

A Fundação vai patrocinar minha pesquisa por mais 2 anos.

E eu pedi um fotógrafo.

Não posso. Preciso terminar as fotos do Rio para os japoneses.

- Fala português? - Não.

Seu nome é Peter Mandrake. É americano.

- Conhece a moça? - Sim.

Foi o que pensei.

Encontramos isto.

E o seu endereço na bolsa dela.

Quando a viu pela última vez?

Eu revelava as fotos de alguém que eu gostava e estava morta.

Assassinada.

Multilada.

Estas imagens não poderiam ajudá-la.

Eram apenas lembranças.

E isso não bastava.

Mais interessantes são as indicações arqueológicas

de que grupos humanos viveram nesta área há 32 mil anos.

A mais antiga prova da presença do homem no Novo Mundo.

Quem eram eles? De onde vieram?

Por que se foram sem deixar rastros?

Esperamos ter logo a resposta para essas perguntas.

Enquanto isso, em nome do Instituto de Pesquisas Arqueológicas,

agradeço a todos o apoio à continuação da nossa pesquisa.

Desculpe, tive um dia ruim. Vejo você no apartamento.

Eu sabia que a polícia não se importaria com uma prostituta.

Se eu não fizesse algo, ninguém faria.

Eu não sabia o que fazer. E nem queria envolver Marie.

Mas observar não bastava mais.

Eu tinha guardado o nome da boate aonde Gisela ia.

Quero falar com o dono.

- Para quê? - Gisela Martins.

Vou ver o que posso fazer. Vamos.

Qual o seu nome?

Sou José Zakkai. Sente-se, Sr. Mandrake.

- Como vai? - Bem, obrigado.

Mandrake... É seu apelido?

Pseudônimo.

Também tenho um: Nariz de Ferro. Aceita uma bebida?

Não adianta me examinar... especialmente nessa luz.

Nem eu sei se sou preto ou branco, judeu ou muçulmano.

Vendo informações, amigo. O que quer saber?

Já disse ao segurança. Gisela Martins.

É uma pena morrer tão jovem.

Quem a ameaçava?

- Por que o interesse? - É particular.

- Pode custar caro. - Não posso pagar.

Nesse país se pega emprestado e nunca se paga. Quer fazer o mesmo?

Tudo bem. Gostei de você. Um dia você me paga.

O nome é Roberto Mitry.

Vive de vender grandes armas para pequenos países. Entendeu o simbolismo?

Onde o encontro?

Sou o Sr. Mandrake. O Sr. Mitry me espera.

Entre, por favor.

Sr. Mandrake... Sou Roberto Mitry.

Aceita um drinque?

Está interessado em vendas para a América Central.

Tenho muitos amigos lá. É representante de qual grupo?

A pessoa que represento morreu.

Como disse?

Foi assassinada.

Gisela Martins. Acho que era sua... massagista.

Desculpe, não entendo.

Ela me disse que guardava disquetes para você.

O senhor me confundiu com outra pessoa.

Não. Sou fotógrafo. Lembro dos rostos.

Garanto que está na pista errada.

Eu estive lá, é verdade...

mas não a matei.

Achou o que estava procurando?

Venha, por favor.

Diz que sempre lembra dos rostos. Pode esquecer um?

Eu lembro do que eu vejo.

Poderia lembrar.

Poderia me dizer o que há no disquete.

Quanto?

Não sei...

- Não sabe? - Não sei se devo...

chamar a polícia ou enfiar o cheque no seu rabo.

Ponha-o para fora.

Por favor, senhor.

Tive um peixinho dourado que falava mais do que você.

- Desculpe, estou cansado. - Tem certeza?

Tenho.

Escuta, idiota. Lembra que dia é hoje?

Quinta.

- O que mais? - Eu não sei.

Hoje faz 2 anos e 7 países que nos conhecemos.

Tudo isso?

Eu te amo.

É o seu relógio.

Não é uma coleira, pode usar.

Ele funciona?

Funciona. Mas se não der corda ele para.

Ótimo.

Você deixou a porta aberta!

Não... Espere.

Nem tente.

Só queremos o disquete, depois vamos embora.

Onde está o disquete laranja?

Que disquete?

Está a fim de brincar comigo?

Não há nenhum disquete aqui.

Foi você? Foi você?

Eu sabia que você não ira morrer.

Você está bem?

Quem eram eles?

Eu não sei.

Você ainda está aqui...

E vou ficar. Não vou deixar você.

E o seu trabalho?

Em arqueologia, quanto mais se espera, melhores as coisas ficam.

Não me faça rir.

Precisa me contar o que está acontecendo.

Por favor...

Eu fotografei uma garota logo que cheguei aqui.

Ela era só uma putinha...

mas era simpática.

Então...

ela me procurou um dia...

Um era careca, de costeletas brancas e altura mediana.

O outro era um gigante com cara de índio.

Pode identificá-los?

Posso, mas não é preciso.

Foram mandados por Roberto Mitry.

Um traficante de armas.

O Sr. Mitry está sendo vigiado por outros motivos.

Ele foi para o Panamá na manhã do ataque.

Sugiro que descanse.

A polícia vai cudar do caso.

Avisamos a Embaixada americana?

Eu tinha sobrevivido, e Marie também.

Mas algo tinha mudado dentro de mim.

Marie não entendia a minha obsessão. Ela só queria esquecer.

Mas eu não conseguia.

E não queria.

Entre.

Fala inglês?

Por que está me procurando?

Quero que me ensine a usar a faca.

Por quê?

Você me deve.

Devo?

Eu preciso aprender.

Compre um revólver.

Quero usar uma faca.

Isto é trabalho de incompetente.

Um artista cortaria aqui...

Compre um revólver.

Atire no terceiro botão de camisa do sujeito.

É mais seguro que na cabeça.

Você me deve.

Joe Kious. Raríssima.

Randall clássica.

Modelo 14.

Preciosidades. Puro aço.

Afiadas à mão em pedra natural...

por mestres.

Esta é a Applegate-Fairbairn, usada pelos comandos britânicos.

A Applegate é boa.

Mas para ataque e defesa a Randall 14 é melhor.

Vou levá-la.

Vou levar a Kious para um amigo.

Boa escolha...

Você tem uma bainha como esta?

Tire seu casaco.

Ouça com atenção.

Muito poucos sabem o que eu vou lhe ensinar.

Você vai mudar.

Tem certeza que quer continuar?

Esta é a carótida.

É fácil de acertar. Mata em poucos segundos.

Se você furar ou cortar...

a subclávia...

o sangue espirra no teto.

Mas o alvo ideal é o coração.

A perda da consciência é imediata. A morte vem em segundos.

Você tem que aprender a proteger essas partes.

Isto é uma faca.

Tente me atingir.

Você pode se esquivar.

Ou bloquear.

Mas o melhor é cortar o outro.

Estas são as linhas de ataque.

Perfurar...

Cortar...

Sua vez.

- Quando vou usar a faca? - Quando estiver preparado.

Siga as linhas!

Não pare!

Não quero ninguém assistindo.

- Quem é ele? - O nome dele é Hermes.

- É um Percor. - O quê?

Percor. Significa perfurar e cortar. Ele é um mestre.

- Perfurar e cortar o quê? - Perfurar e cortar.

Só isso.

Não está falando sério.

Nunca vivi com uma mulher.

Continue.

Quando vou usar a faca?

Muito rápido.

Diagonal.

Me dá 1 e 2.

3 e 4.

Bom. Muito bom.

Muito amplo.

Se isso encostar em você, eu o cortei.

Use os bloqueios.

Mova-se comigo.

Corta, fura.

Fura, corta.

Mantenha o equilíbrio.

Pare. Melhorou.

Melhorou.

Bom. Pare.

Bom. Muito bom.

Tire sua faca.

Vou ensinar os últimos movimentos. Depois vamos para um lugar maior.

"Passata sotto".

"In-quartata".

Se perder a concentração, você morre.

Foi a última aula.

Você aprendeu os fundamentos. Não abuse do que sabe.

Sinta a faca como uma extensão do seu braço.

Ligue-se a ela como a uma nova amante.

Minha dívida está paga.

Nunca mais me procure.

Espere. Quem lhe ensinou isso?

Sabe, a minha vida...

consiste em recolher pequenos fragmentos...

e juntá-los outra vez.

É um trabalho dedicado.

Qualquer violência pode estragá-lo.

A sua faca não tem lugar.

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