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Original subtitles

Meu nome é Pacu.

É um nome novo. Tão novo, que ainda nem peguei o costume.

Tô aqui tentando alembrar uma história.

Às vezes eu alembro. Às vezes eu esqueço.

Vai ver que é porque tem outra que eu não consigo arrancar da cabeça.

É a minha história, de meu irmão...

e de uma camisa no vento.

O sangue começou a amarelar.

Vambora!

Vamo, Preto! Vamo, Cavaco!

'Bora, 'bora, 'bora!

Vamo! Vamo! Vamo, Preto! Pega o viço, pega o viço!

'Bora, 'bora, 'bora!

Vamo, Preto!

O pai é que toca os bois para rodar a bolandeira.

No tempo do vô,os escravo fazia o serviço todo.

...agora é nós mesmo. -Vamo, meu boi!

Vamo, Preto! Vamo, Cavaco!

'Bora, 'bora, 'bora!

Vamo! Vamo!

'Bora, 'bora, 'bora!

Vamo! Vamo, Cavaco! Vamo, meu boi!

Tonho,meu irmão. É o que mói a cana.

A mãe recolhe os bagaço.

Leva essa cana logo, menino! Oxe!

Vamo, Preto! Vamo, Cavaco! Vamo, meu boi!

Vai, menino! Que moleza é essa?

A mãe diz que Deus não manda um fardo maior do que nós pode carregar.

Conversa fiada.

Às vez ele manda um peso tão grande,que ninguém güenta.

Nós vive em Riacho das Alma. Fica no meio do nada.

De certo mesmo...

só precisa terciência de que fica em cima do chão e debaixo do sol.

E o sol daqui é tão quente, mas tão quente...

que às vez a cabeça da gente ferve que nem rapadura no tacho.

Tonho...

sonhei de novo com o lnácio.

Deite um pouco.

Deite.

Deite, menino.

Agora durma.

'Bora, 'bora, 'bora, 'bora!

Vamo, Preto! Vamo, Cavaco! Pega o viço, pega o viço!

Vamo, meu boi!

O sangue amarelou.

Tonho...

tu conhece a tua obrigação.

Vai não, Tonho.

A alma do teu irmão não encontrou sossego.

Ele fez o que tinha de fazer. E agora é a vez de Tonho.

Vai não.

Preste atenção, menino. Teu avô, teus tio, o teu irmão mais velho.

Eles tudo morreram por nossa honra e por essa terra.

E um dia pode ser tu.

Tu é um Breves.

Eu também já cumpri minha obrigação.

Se não morri, foi porque Deus não quis.

Tonho, tu vai com cuidado no amanhecer, e não se esqueça:

tua obrigação é só com quem matou teu irmão.

Negócio de homem pra homem. Olho no olho.

Tentei consertar tuas bota, mas não deu jeito, não.

Toma as minhas. É boa de andar.

Obrigado, pai.

Pra chegar nos Ferreira, Tonho vai pisarem chão que já foi nosso.

Os Ferreira tomaram e nós tomamos dos Ferreira.

Agora é deles de novo.

Foi assim que começou a briga.

O pai disse que é olho porolho. E foi olho de um porolho de outro.

Olho de um porolho de outro,que todo mundo acabou ficando cego.

Em terra de cego...

quem tem um olho só, todo mundo acha que é doido.

Que Deus permita.

Que Deus queira.

Que a alma de lnácio, filho primeiro, encontre sossego ao lado dos seus.

Que cada gota de seu sangue seja duas do inimigo.

Que você, meu filho, encontre a paz que não teve entre os vivo...

e saiba olhar pelos seus irmão na hora de cumprirem sua obrigação.

-Vamo ali no olho d'água. -Sim, senhor.

-Tudo tranqüilo, Fabiano? -Tudo calmo, sim, senhor.

Ó...

Sai daqui, menino.

Vim cobrar o sangue do meu irmão!

Adeus,meu irmão

Adeus,meu irmão

Até o dia do juízo

Era seis amante,irmão

Adeus,meu irmão

Adeus,meu irmão

Até o dia do juízo

Não rezo pela alma do seu neto porque ele tirou a vida do meu filho.

Mas respeito a do de vosmecê. É a mesma da minha.

Hoje a nossa é maior.

Meu filho pede licença para prestar incelênça.

Vai pedir pela alma do morto.

Depois, se vosmecê achar por bem, pede pra falar com o senhor.

Onde ele está?

Do lado de fora.

Rogai por nós, mãe de Deus, para que sejamos livres do temor...

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Senhor, tende piedade de nós.

Cristo, tende piedade de nós.

Deus lhe abençoe. Muito obrigado.

Mano velho, até logo.

Eu orei pela alma do morto.

Em respeito a ele, fui no enterro e no almoço.

Agora eu peço pra falar com vosmecê.

Eu peço a trégua a vosmecê.

O senhor não devia conceder essa trégua. O senhor...

Tá concedida a trégua.

A mesma que teu pai concedeu a meu neto.

Mas só até a próxima lua.

De um morto pra outro.

É a tua garantia até a lua cheia.

Depois, se o sangue amarelar, não vale mais nada.

Quantos anos tu tem?

2O.

A tua vida agora tá dividida em dois.

Os 2O ano que tu já viveu e o pouco tempo que te resta pra viver.

Já conheceu o amor?

Nem vai conhecer.

Tu tá vendo aquele relógio ali?

Cada vez que ele marcar mais um, mais um, mais um...

ele vai tá te dizendo: menos um...

menos um, menos um.

Bom dia.

Dia...

Tu sabe onde é que fica um vilarejo pertinho daqui, chamado Bom Sossego?

É acolá mesmo. Mas não é pequeninim, não.

-É não? E aqui, como é que chama? -Aqui é Riacho das Alma.

Oxente, e cadê o riacho?

Secou. Só ficou as alma mesmo.

Como é teu nome?

-Menino. -Como?

-Tenho nome, não, moça. -E como eles te chamam?

-Eles me chama de menino mesmo. -Puxa! Chamam o menino de menino!

Menino!

Menino...

toma aqui.

Tu já sabe ler?

Sei não.

Mas sei lê as figura.

Ô menino!

Não quero ver você metido com esses andarilho, não, viu?

A mãe pensa que mancha de sangue sai.

Mas num sai.

Tu cumpriu tua obrigação,meu filho.

Agora, tu precisa resolver tudo até o dia da lua. Dá um rumo nas coisa.

Me ajudá na moenda. E consertá o telhado, pra se chover este ano.

Chove nunca.

Ademais do telhado, tem de levá a rapadura pra vender na vila.

Tu não tava de sonho bom não, Tonho. Tentei te acordar.

Mas tu não quis.

O que tu tá fazendo acordado, menino?

Tô lendo.

Onde tu arrumou isso?

-Ganhei. -Ganhou como?

A moça me deu.

-Que moça? -Minha amiga, oxe!

-Tu foi sozinho pra cidade? -Eu não. Eles é que tava perdido.

Só que agora tão mais, não. Que eu ensinei pra eles.

E esse livro aí... isso é livro de quê?

É livro de tudo.

-Tá errado, menino. -Tá errado o quê?

Tá de cabeça pra baixo.

Tá não. Quer pegar uma aposta mais eu?

É igual de um lado... e de outro.

Tem diferença, não.

Tá vendo? Tu que não entende nada de livro. Me dê.

-É ela! -Ela quem, menino?

A moça que me deu o livro.

Ela veve no mar, mais os peixe, os siri, navio.

Quer ver? Ela vai me levar com ela. Vai me ensinar o abecê e tudo mais.

Tá acreditando, não? Apois, quando eu crescer, eu vou me casar com ela.

-E ela já sabe disso? -Não.

Ainda é segredo.

Um dia, a sereia subiu pra riba do mar...

e viu o juazeiro, as vaca...

as montanha...

o capim...

e, quando ela olhou pra cima da casa de rapadura...

viu o galinho do pescoço pelado cantando pra ela.

Ah, ela se engraçou.

E foi vendo, e viu as mula...

as cana, a bolandeira.

Ela achou tudo lindo...

mas o que ela gostou mesmo foi quando ela viu o menino.

Não larga mais isso, não?

Não tá vendo que esse negócio faz mal pra vista?

Tô tentando me alembrá a história, mãe.

As vez eu alembro, as vez eu esqueço.

Pois esqueça.

E então?

A cor tá começando a mudar.

Não vai demorar muito.

Não vai, não.

Seu Lourenço, o sinhô é homem de importância...

é o maior comerciante da cidade, e eu lhe tenho o devido respeito.

Mas sou obrigado a dizer que o sinhô errou na conta.

Não, a quantia tá certa.

-Mas é a mesma quantidade de sempre. -Pois então, os preços baixaram...

com as usinas a vapor. É o progresso.

Eu acho que o senhor devia seguir esse exemplo, seu Breves.

Mas, seu Lourenço, nós tinha um combinado que...

Rapadura é o que não falta.

Arrocha!

Quer ver, vem vendo! Quer olhar, vem olhando!

-Cobra com sapo dançando! -Cobra com sapo dançando!

Quem tem, tem, tem! Onde tá que tá?

-Vamos todos pra lá! -Vamos todos pra lá!

Amanhã â noite, ninguém dormindo! Homem, mulher e menino!

-Homem, mulher e menino! -Arrocha!

Seu Lourenço acha que é dono do choro dos outros.

Eu vi ela.

Ela quem?

A sereia. Tava montada numas perna de pau.

Montada onde?

-Ela é do circo. -É?

Ela mais o homem vão fazer o circo lá na vila.

Vai ter cuspidor de fogo, palhaço...

-Cobra dançando com sapo... -Cobra dançando com quê?

Com sapo.

É?

Ô menino, tá sonhando acordado? Traga a cana! 'Bora, 'bora, 'bora!

Vamo, meu boi!

Traga essa cana logo, menino. Oxe!

Vamo 'bora.

Tonho...

eu tinha uma vontade danada de ver o circo.

Tu acha que o pai ia deixar?

A gente é que nem os boi: roda, roda e nunca sai do lugar.

Simbora, menino!

Tu não queria ver o circo?

Hum?

'Bora!

Ela é fogo! Não te disse?

-Tu tá pegando fogo! -Fogo! Fogo! Fogo!

Oxente, tostei!

Salustiano, espia quem taí.

Oxente! Mas não é o menino sem nome?

É muito mais melhor não ter nome do que se chamar Salustiano.

Meu nome é Clara. E tu?

É Tonho, meu irmão.

Boa noite, moça.

-Gostaram do espetáculo? -Gostei. Eu gostei mais foi do fogo.

É bem mais melhor quando tu faz.

Caraio!

Eu trouxe o livro. Pra tu me alembrá a história.

Vocês dão licença, que já tá meio tarde.

Ei, menino!

Presta atenção que tu vai ganhar um nome. E vai ser um nome só teu.

Qual é o bicho que tu gosta mais?

Tu gosta de passarinho?

-Esse aí só gosta de bicho do mar. -Ah, é?

-Pois vou te batizar de Sardinha! -Tá mangando de mim, é?

Tá bom, vamo ver outro nome.

Pacu.

Pacu!

Taí batizado. Agora, tu tem um nome.

E agora sou teu padrinho.

Pra tu comemorar aí o batizado!

-Não gostei, não. -Do quê?

Do nome.

Pacu!

Tão me tirando de besta? Pacu é nome de peixe de rio.

Tonho...

tu acha que ela se deita mais o homem?

Sei não.

Só sei que ele agora é teu padrinho.

Pacu!

Pacu!

Pacu!

Pacu!

Pára de mangar de mim, viu?

Onde tu levou o menino?

Onde tu levou o menino?!

Pro circo.

Pra onde?!

Pro circo.

Vai pro quarto, menino.

Vai!

Tu vai pras festa numa hora dessa, Tonho?

Tu perdeu o respeito pelos morto dessa casa?

Tu devia se guiar por lnácio, teu irmão mais velho!

Se preocupe, não.

Já tô seguindo os passo dele.

Tu cala essa boca.

O senhor me desculpa, mas eu não vou calar, não.

-Cala essa boca. -Não calo.

-Cala essa boca. -Não calo!

-Cala essa boca. -Não calo.

-Não calo! -Cala essa boca!

Tonho...

tu tem que ir embora.

Tu viu a fita preta no braço do moço?

Reparei.

Esse aí não dura muito tempo mais não.

-Que invenção é essa, Salustiano? -lnvenção nada.

Tá metido em guerra de família.

Morre um de lá, depois matam outro de cá.

-E como é que tu sabe? -É antigo. Por aqui, todo mundo sabe.

Ganância... briga por causa de terra.

Preferem se acabar do que acabar com isso.

Povo ranhento.

Olhe, é que nem duas cobra que eu vi um dia desse.

Uma mordeu o rabo de uma. A outra mordeu o rabo da uma.

E morde o de uma, morde o da outra, foram se comendo...

até que um dia não restou mais nada.

Pra não dizer que não restou nada, tava lá a pocinha de sangue no chão.

É desse jeito que esse povo vai se acabar.

Eu tenho é pena, eu morro de pena.

Pega o viço, pega o viço! Vamo, Preto! Vamo, Cavaco!

Que moleza é essa? Hein? 'Bora, 'bora, 'bora.

Vai! Vai, meu boi!

'Bora, 'bora! Pega o viço!

Vamo, meu boi!

Vamo, meu boi!

Vai!

'Bora, 'bora! Vamo, meu boi! Anda, anda, anda!

Vamo, Cavaco, vamo!

Vamo, Cavaco! Vamo!

Levanta, Cavaco, levanta! lsso!

Levanta.

lsso, meu boi!

Tonho!

Os bois tão rodando sozinho!

Quer ajuda?

Ajuda é sempre bem-vinda.

Ainda mais quando é de graça.

Cadê meu afilhado?

-Tá em casa. -Tu veio ver o circo?

Agora, só ano que vem.

Tamo indo pra Ventura, pros festejo grande da Semana Santa.

Tu conhece Ventura?

Não. Não conheço lugar nenhum.

-Tu nasceu vivo ou morto? -Hein?

Se tu nasceu vivo ou morto, rapaz.

Vivo.

Pois eu nasci morto, mortiço da Silva, foi, ou não foi?

O pior é que é verdade.

Mas vou lhe explicar: minha mãe ficou muito doente na hora de parir.

Eu nasci tão roxo, mas tão roxo, que me deram por morto. Foi, ou não foi?

Aí me esqueceram por lá umas horas e foram tentar salvar minha mãezinha.

Aí resolveram me dar um banho pr'eu ficar mais apresentável no enterro.

Foi só me jogar na tal d'água fria, que eu abri o berreiro.

Resultado: nunca mais tomei banho.

Banho, sai pra lá! Segunda conclusão: não me aborreço mais com nada.

Pra quem nasceu morto, o pior já passou. Tudo que vem é lucro.

Hum, se é!

E tem mais: água. Água, água, essa eu não uso mais nem para beber.

Água, sai pra lá! Vamo, Alambique.

Quanto tempo ainda?

Pouco tempo.

Eu vou com vocês até Ventura. Depois, eu tenho que voltar.

Clara! Cadê você?

Nessa casa, os morto é que comanda os vivo.

Às vezes, eu tinha vontade que Tonho não voltasse mais nunca.

Não diz uma coisa dessa, mulher.

A pior das vida, homem, é melhor do que morrer feito bicho.

Olha em volta, mulher...

o que é que sobrou?

Nada.

Pois então.

Nós já perdemo tudo.

Se Tonho não voltar, vamos perder também a honra.

E o rapaz, apreciou a dormida?

A sereia não podia viver mais o menino, porque no lugar das perna...

ela tem rabo de peixe...

e a bichinha não podia caminhá.

Então ela ficou com raiva e pulou no mar!

E começou a se enrolar com as cobras e brigar com os sapo.

Mas aí a sereia começou a ficar com saudade do menino...

e começou a cuspir fogo e soltar fumaça.

Foi aí que o menino subiu em cima de um boi véio...

todo cansado, no chão, e correu atrás da sereia.

Foi, pocotó, pocotó, atrás da sereia!

E se embrenhou no meio dos mato, por dentro das cana...

e, quando abriu o último feixe de cana...

chegou no meio do mar...

e encontrou a sereia.

Tá seguindo os passo do outro?

Tu que pensa que pode ficar sem obrigação nessa casa!

Me dê meu livro!

Me dê!

Me dê meu livro! Me dê!

E a porcaria desse circo ainda existe, menino?

Oxente, como é?

-Porcaria de quê? -De circo!

-Vai pá lá! -Vai pá lá! Peste ruim!

Reginaldo, chega pra cá.

Ó coisa ruim é dificultosa de acabar. É que nem tu.

Que nem tu que não presta, caboclo ruim!

Menino, é Clarinha?

-Tua afilhada? -Ficou a cara da mãe, não foi, não?

Com esse tamanho todo, menino?

Faça isso direito, menino. Tu tem idade pra fazer as coisa direito.

Vem, Tonho.

Vou te mostrar uma coisa, Tonho.

Me ajuda aqui. Estica a corda.

Pode começar a rodar, Tonho.

Roda mais, Tonho!

Mais!

Mais!

Roda mais!

Mais!

Mais!

Roda mais!

Roda mais!

Não vou nunca me esquecer disso, nem de tu.

Nem eu, Tonho.

Clara!

Pega o viço, pega o viço! Pega o viço!

'Bora, 'bora, 'bora! Vamo, meu boi!

Vamo, meu boi! 'Bora!

Pega o viço, pega o viço! 'Bora, 'bora, 'bora!

A camisa tá quase amarelando.

Sempre amarela.

Eu tava pensando...

se o senhor desse permissão...

eu pegava os homem...

e acabava logo de uma vez com a raça desses Breves.

Já te disse isso e vou repetir pela última vez:

O sangue de cada um tem a mesma valia.

Tu só tem o direito de pedir o sangue que perdeu.

Quem ultrapassa esse direito paga dobrado nessa vida ou em outra.

Foi isso que meu pai me ensinou, e o pai do meu pai ensinou a ele.

Vai ser assim até a minha morte.

Tu lembra que eu te ensinei a voá com isso?

Tu morria de medo.

Tonho...

...hoje é tu que vai avoá. -Hum?

Tu fica no meu lugar, e eu, no teu.

Não, não quero, não.

-Só uma vez... -Não quero, não.

Tonho!

Tonho!

Tonho...

-Tu tá forte demais, menino. -Eu não. Tu que não sabe avoá.

Sou eu, agora! Sou eu, agora!

Tá quente.

-Dois, três! -Pula, pula!

Chegou a hora que eu mais gosto do espetáculo.

Quem vai? Quem vai? Quem vai?

Pode vir, pode encher!

Tu não pode fazer isso.

E depois ele já tá é morto mesmo.

Mas eu não tô.

Amarelou.

Amarelou mesmo?

Amarelou, sim, senhor.

Tu sabe o que tem de fazer.

Sei, sim, senhor.

Tonho...

tu sabe que hoje é o fim da trégua.

Daqui pra frente, é a camisa que decide.

Tu não deve mais sair de perto de casa.

Fique sempre junto de mim.

E nunca esqueça da arma.

Vai chover.

-Vai chover nada. Não é mês de chuva. -Eu sei que vai chover.

Tonho...

o pai tomou meu livro.

Não consigo mais me alembrar nem das história, nem do rosto da sereia.

A sereia...

ela tinha rabo de peixe.

E o menino tinha os dedo...

os pé e...

Vai dormir, não, Pacu?

Consigo, não, Tonho. Tá ventando muito.

-Então, fala calado. -Tá bom, Tonho.

Tonho!

Clara...

Eu vim te dizer que eu não tô mais presa, não.

Foi tu que me ajudou.

Tu também pode, Tonho.

Te espero.

Agora tu já sabe a minha história.

Mas eu continuo sem me alembrar da outra.

A sereia,os navio e...

diacho!

O menino veio buscar a sere...

Não,não era isso...

Caraio!

A sereia que veio buscar...

É isso,acho que eu tô lembrando!

Um dia...

a sereia veio buscaro menino pra viver mais ela...

e ele gostou.

Ela virou o menino em peixe e levou ele pra vivê debaixo do mar.

No mar...

ninguém morria e tinha lugar pra todo mundo.

No mar,eles vivia tão feliz...

mas tão feliz,que não conseguia mais parar de dar risada.

No mar, eles vivia tão feliz, mas tão feliz...

que não conseguia mais parar de dar risada.

Tonho!

Meu Deus, meu filho, não!

Meu filho! Não, meu Deus!

Mataram o menino.

Pega a arma, Tonho. Já! Não tem trégua, cobra o sangue já!

-Cobra o sangue desses porco! -Tonho, meu menino...

Vai, meu filho! Cobra o sangue! Já!

O que é que tu tá fazendo? A arma! Cadê a arma, Tonho?

Tonho!

Tonho!

Volta, Tonho!

Tu volta, ou morre agora pela honra da nossa família!

Acabou, homem! Acabou, homem! Acabou, homem!

Acabou tudo, homem! Acabou, homem!

Meu Deus...

Ô meu Deus!

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