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- Art Subs - 15 anos fazendo Arte para voc�!
Legenda - willian_as -
CIDADES DESMORONANDO, POL�TICOS QUE N�O GOVERNAM
POR JULIANA VERDI
JULIANA VERDI DE PARIS�
UMA DAS NOVAS MULHERES DO OESTE DA PROV�NCIA DE BUENOS AIRES
Como ajuda as pessoas essas atividades ao ar livre.
� tamb�m um trabalho de orienta��o vocacional.
Pois a ideia � que quando terminarem o ensino m�dio,
em vez de sa�rem do rumo,
j� tenham alguma ideia do que querem fazer da vida�
Do que est� rindo?
O que querem fazer, que decis�o tomar.
Esta � a imagem que tenho do seu trabalho, Marcio,
pelo que eu percebo.
Vem muitos jovens aqui, �s vezes para conversar�
e d� para ver a falta de apoio por parte�
tanto da fam�lia, como tamb�m do governo,
na orienta��o desses jovens para ver o que far�o da vida,
que atividade ou disciplina podem se sair melhor.
Tentar canalizar o talento que t�m em algo.
Creio que o seu trabalho, de alguma maneira,
talvez n�o com todos os jovens,
mas de alguma maneira ajuda nessa busca.
Se esses jovens n�o estivessem fazendo isso, onde estariam?
O que acontecer� quando terminarem a escola�
Se conseguirem terminar�
�se n�o souberem o que fazer.
Um pouco de apoio, um pouco de orienta��o.
Para orientar esses jovens no que far�o da vida.
Que atividade, que disciplina�
VIII A PARTE DE JULIANA
Ent�o, tentar canalizar o talento que t�m e acho que voc�
as atividades com os jovens�
Se n�o for por isso�
Lila, lembre-se que temos que entregar o programa em 15 minutos.
O que ser� deles no futuro?
Ser�o advogados? N�o sei.
- Por exemplo. - Possivelmente.
Sabe que eles sempre me agradecem
e tento definir o limite.
Para explicar que o m�rito � todo deles.
Eu sou o professor. Eles sabem bem o meu lugar.
E algu�m numa posi��o como a minha,
o que tem que fazer � acompanhar.
Esta � uma transmiss�o da LU11 de Trenque Lauquen
e suas repetidoras: LU25 em Fort�n Olavarr�a,
LU23 em Tres Lomas, LU33 em 30 de Agosto,
LU34 em Pellegrini e LU37 em Salliquel�.
Voc� est� escutando Bom dia, Trenque Lauquen
com Enrique "Rolo" Rolandi.
Ol�, Patita.
Ol�, Carla.
Rodro.
De alguma maneira, talvez n�o com todos os jovens,
mas de alguma maneira ajuda nessa busca.
Sim� Pois bem�
O operador disse que j� estouramos o nosso tempo.
As meninas de Um Mar de Novidades j� est�o aqui,
mas elas ter�o que nos perdoar.
Ent�o�
Temos algumas mensagens de ouvintes.
Um deles d� os parab�ns ao Marcio
por apoiar o esporte e traz�-lo para nossa cidade.
- Muito obrigado. - � verdade.
Mais uma� Ah, eu conhe�o este: "El Gato" Montes.
- Meu amigo de escola. - Sim, claro.
- Cara legal, "El Gato". - Muito legal.
Ele espera voc�s para um churrasco na casa dele.
N�o sei se hoje ou�
Eu n�o o vejo h� um temp�o.
- Que cara legal, "El Gato"! - Cara legal.
O pai dele, Tito Montes, jogava futebol conosco em La Plata,
quando �ramos estudantes, comigo e meus irm�os.
Sim, sim. Outro cara legal.
Toda a fam�lia Montes, na verdade.
S�o pessoas de bem e fazem muito pela cidade.
O tanto que essa fam�lia fez por Trenque Lauquen.
Temos que encerrar, mas antes disso,
uma palavra dos nossos patrocinadores, que proporcionam essa transmiss�o.
Somos patrocinados por�
Tratores Almafuerte: 30 anos pelos campos.
E quem fez os p�ezinhos, Lila?
Padaria Los Amigos: Mais que uma amizade.
Agora sim. Estamos indo.
Meninas de Um Mar de Novidades, vieram lindas, para o ver�o, claro,
muito bem vestidas.
Obrigado por tudo. Obrigado, Marcio.
- Obrigado a voc�. - At� mais.
- At� amanh�, amigos. - At� amanh�.
LU11 apresenta Juliana em�
Um Mar de Novidades.
A revista que te acompanha todas as manh�s.
Bom dia.
Esta � uma nova edi��o de Um Mar de Novidades.
Mais uma vez estamos nos est�dios da R�dio LU11
e pedimos desculpas pelo atraso habitual.
Aqui estamos com nossa equipe, nossos amigos, nossos ouvintes.
Nos encontrando mais uma vez
para compartilhar entretenimento, novidades
e, acima de tudo, um espa�o de di�logo
com nossa querida comunidade de Trenque Lauquen.
Hoje temos conosco nossa querida portenha, Laurita.
- Nossa quase bi�loga, n�o? - Quase, falta pouco.
Ela far� uma coluna surpresa, pelo que diz aqui. Certo?
Temos tamb�m Curcio para falar de esporte.
Hoje, coluna hist�rica sobre arremesso de peso.
E� � bem�
- sua rela��o com� - Maravilha.
E a nossa querida Patita. Com seus variados personagens
que nos une, nos emociona, nos faz rir e chorar.
E esperamos que ela tenha trazido mais personagens, certo?
A vidente veio?
Parece que sim!
Muito bem�
Vamos come�ar, sim?
Rodro, na sala de controle, sempre confi�vel.
Vamos come�ar com um assunto animador,
sobre a obra que est� sendo feita no complexo lagunar,
que voc�s conhecem muito bem, na �rea da Rota 33,
que est� causando tantas discuss�es sobre a constru��o de uma barragem.
Esperamos que esta tarde venha nos visitar
o prefeito da cidade, Francisco P�rez Fox.
Ele prometeu que viria, mas, bem�
- Ele vir�. Claro. - Nunca se sabe. Se chegar, j� � algo.
O prefeito � muito ocupado.
Agora vamos entrevistar Marta R�podas,
diretora da pe�a que estreia hoje � noite
no Teatro Municipal de Trenque Lauquen.
Um lindo teatro, um lugar maravilhoso para ir.
Mas tamb�m esta noite
se apresenta a companhia de Marta, que se chama "Teatro a priori",
que apresenta uma interpreta��o livre
de Esperando Godot de Samuel Beckett,
estrelada por pais e filhos.
Marta est� a caminho de Trenque e estamos com ela por telefone.
Como vai, Marta?
Ol�, Juliana. Est� me ouvindo?
E agora sim,
nossa coluna de Mulheres que Fizeram Hist�ria.
Uma coluna cl�ssica para todas n�s.
Esperamos que Laurita nunca saia de Trenque.
Ela n�o pode ser substitu�da.
N�o, por favor. Espero n�o ser substitu�da!
Ent�o conta pra gente, Laurita, quase formada?
Quase, quase. Falta pouco.
Quase formada. O que nos trouxe esta manh�?
Eu trouxe uma personagem que causar� um pouco de pol�mica, eu sei.
Ela j� fez isso antes.
- Lady Godiva. - Lady Godiva, certo.
Acho que se pronuncia Lady Godiva.
N�o, � Godiva mesmo.
- Sim, eu digo Godiva. - Godiva est� bom.
Laura, conte-nos quem � essa mulher que fez hist�ria.
Bom, em primeiro lugar,
poder�amos dizer que ela � a nudista mais famosa de todos os tempos.
Come�amos bem. Nudista?
Nudista, exibicionista, como queiram chamar.
Voltamos � Idade M�dia, s�culo XI, Inglaterra.
Quando pensamos na Idade M�dia,
temos que imaginar o que significa para n�s: o castelo, o senhor feudal�
- Os vassalos� - Esse � o panorama de Lady Godiva.
Ela era casada com Leofrico, que era o Lord da cidade de Coventry.
Godiva era muito querida pelo povo,
muito bondosa e parece que era bonita.
E ela era muito popular numa �poca em que as castas
eram muito evidentes.
Leofrico, por outro lado,
zero carisma, um tirano. O povo n�o gostava nada dele.
- Um machista, n�o? - Num momento de escassez,
Leofrico decide aumentar os impostos,
o que deixaria, literalmente, a cidade � beira da fome.
O povo desesperado pede miseric�rdia, mas Leofrico n�o recua.
Foi ent�o, como �ltimo recurso,
que os comerciantes e os pobres recorrem a Lady Godiva,
na esperan�a de ela convencer o marido a n�o subir os impostos.
Lady Godiva tenta, Leofrico diz que n�o � poss�vel.
Ent�o, s� por intriga, ele oferece um trato.
Ele diz: "Vou baixar os impostos, mas com uma condi��o:
voc� cavalgar�, nua, por toda a cidade de Coventry."
- Olha� - Algum tipo de sexopata.
Rodro j� est� procurando no Google.
Imaginem�
Que perverso. Acho muito perverso.
Imaginem o qu�o escandaloso isso seria hoje,
fazer a primeira-dama passear nua pelas ruas.
Sim. Talvez alguma garota de Trenque poderia fazer o mesmo, n�o?
- Talvez isso inspire o prefeito. - Claro.
- Uma ouvinte, talvez? - Vamos abrir um concurso�
- Praticamente vanguardista. - Exato!
Vanguardista. E isso na idade m�dia.
Ent�o Lady Godiva aceita o desafio. Tudo isso � divulgado.
Parece que Leofrico acreditava que ela n�o cumpriria a promessa,
mas chega o dia, ela monta o cavalo dela
e cavalga completamente nua pelas ruas de Coventry.
Bravo, Lady.
Mas o mais comovente � que o povo,
que sabe que Lady Godiva est� fazendo esse sacrif�cio por eles,
fecha as janelas, os postigos e n�o a veem.
Ent�o o sacrif�cio n�o foi t�o grande,
pois ela cavalgou pelas ruas vazias de Coventry.
Mas n�o devemos tirar o m�rito, certo? Ela andou a cavalo, nua�
Isso � verdade. E Leofrico acabou baixando os impostos.
- Bravo, Leofrico. - H� de ser dito�
- Bravo, Leofrico. - Bom trabalho.
Desculpe. Um �ltimo detalhe!
Reza a lenda que apenas um dos habitantes de Coventry,
um homem chamado Tom,
n�o resistiu e espionou Lady Godiva quando ela passou pela casa dele.
Ent�o os deuses ou o azar, ou quem sabe,
o castigaram deixando-o cego.
Por isso, na Inglaterra, a express�o "Peeping Tom", ou "Tom el Mir�n",
� a usada para descrever os voyeurs.
Claro, voyeurs. H� muitos "Mir�ns" aqui na r�dio.
Olha o Rodro�
Est�o todos alvoro�ados com a hist�ria de Lady Godiva.
Obrigada mais uma vez, Laura,
pela coluna Mulheres que Fizeram Hist�ria. Muito obrigada.
E seguimos com Um Mar de Novidades com o humor de Patita
e muito mais not�cias.
A r�dio � uma m�dia cega. At� voc� assistir com os ouvidos.
A Esta��o. �nica. Assim como voc�.
Ol�.
Algo que eu nunca quis
� ser ingrato
� por isso que nunca esqueci
O quanto voc� esteve ao meu lado
Eu poderia dizer que voc� e eu
Temos sido bons�
IX MAR DE NOVIDADES
- Estava ocupada? - N�o, n�o estava.
Estava terminando algumas coisas para o programa de amanh�.
Na verdade, tinha acabado de voltar do pilates
e estava come�ando com algumas coisas.
Algum problema?
N�o. Nenhum problema.
Bem�
N�o sei se faz sentido te contar isso.
Tenho uma informa��o que pode ser �til para voc�.
Ah, sim. Uma informa��o�
Algo jornal�stico, quer dizer? Ou o qu�?
� sobre Laura.
Ah, est� bem.
H� algum tempo, antes de ela partir,
houve uma s�rie de situa��es que�
pode nos ajudar a entender o que aconteceu.
O que aconteceu com o qu�?
Com ela.
Quero dizer� Laura est� em plena consci�ncia.
Ela sabe exatamente o que est� fazendo.
N�o � como se ela tivesse enlouquecido.
O que foi?
Nada, nada.
Basicamente, Laura me chamou aqui uma vez
e me contou algo muito misterioso.
Aqui?
Sim, aqui. Em Kalos.
Voc�s vinham muito ao Kalos.
Sim. Principalmente depois desse encontro.
Naquela mesa.
Laura sentava perto da janela.
E eu, de frente para ela.
Talvez eu esteja lhe contando algo que j� sabe?
N�o, n�o. Prossiga, Chicho.
Ela havia encontrado uma correspond�ncia oculta
em alguns livros,
que ela vinha pegando da biblioteca municipal.
N�s dois ficamos obcecados
em saber quem eram as pessoas que escreveram as cartas.
As cartas eram�
ousadas.
Ousadas?
Meio er�ticas.
Pornogr�fico?
Erotismo.
E havia dois amantes que, por algum motivo, se separaram.
E Laura estava muito interessada nesse assunto.
Carmem Zuna�
Os livros de Kollontai� Ela n�o te contou nada sobre isso?
E por que voc� est� me contando isso?
Acho que algo do que est� acontecendo com ela tem a ver com isso.
O que est� acontecendo com ela?
Isto.
O que � "isto", Chicho?
Ela desapareceu, Juli.
Bem, eu n�o sei. Ela se foi.
As cartas e os livros�
Por que est� falando baixo?
Porque � um segredo que s� eu e ela sabemos.
Creio que h� uma pista a�, � claro.
N�o contei para ningu�m.
Voc� conheceu Rafael.
Como voc� sabe?
Voc� j� recuperou seu carro?
Como sabe tudo isso?
Eu sei que Laura roubou seu carro.
Bom, na verdade, ela n�o roubou.
Eu tive que ir recuper�-lo com esse cara, esse tal Rafael.
- Voc� o conhece? - Sim.
Ele me ligou tantas vezes que acabei bloqueando ele.
Eu n�o confio nele. Parece um portenho idiota.
Ele � um cara legal.
Sim, claro que ele � um cara legal.
Acho que Laura n�o anda com caras ruins.
N�o sei.
Tive uma revela��o, uma intui��o.
Creio que o que estou lhe contando vai nos ajudar a encontr�-la.
Eu sei muito sobre isso.
Sei em quais lugares procur�-la.
Sei como falar com as pessoas que devem estar perto dela neste momento.
Eu conhe�o o mundo que ela foi atr�s.
V� por mim:
h� algo nesse neg�cio das cartas que tenho certeza�
E o que faz voc� pensar que ela quer ser encontrada?
Porque talvez ela n�o queira ser encontrada.
N�o sei.
Estou preocupado com ela.
Eu quero encontr�-la.
Eu me importo com ela.
Chicho, voc� tem um tempo livre?
Eu quero que veja algo comigo.
- Agora? - Agora.
Sim.
Consegue� consegue me ouvir?
N�o, os outros. Os retr�, atr�s de voc�.
Consegue me ouvir agora?
Ol�, ol� Ol�
Ol�
Vamos l�
- Boa tarde. Esta � a coluna� - � a Laura.
Hoje vou falar sobre Alexandra Kollontai.
Alexandra Kollontai nasceu em S�o Petersburgo, R�ssia, em 1870.
Ela era uma pol�tica russa, marxista, comunista e revolucion�ria.
Ela foi a primeira mulher a liderar um minist�rio em um governo nacional�
N�o, espere. Vou come�ar de novo.
Eu escolhi essa figura, uma mulher, russa, marxista, feminista�
Muitos adjetivos. N�o, espere.
Rodro, vou de novo. Tomada tr�s.
Alexandra Kollontai escreveu a hist�ria de sua vida�
sem saber que algum tempo depois ela a reescreveria.
Em seu livro Autobiografia de uma Mulher�
N�o, n�o est� bom.
Bem, n�o estou conseguindo.
N�o consigo.
Espere�
Ah, preciso fazer xixi.
Juli, o que � isso?
N�o est� indo essa coluna. N�o consigo.
Juli, ou�a�
Vou gravar isto e vou deixar para voc� aqui, na r�dio.
Apenas para voc�. Certo?
Isso � segredo, Juli.
Quando ouvir isso, por favor, n�o compartilhe com ningu�m.
Vou embora e preciso que algu�m saiba.
N�o quero ser a �nica que sabe.
Mas tamb�m n�o quero que conte a ningu�m.
Entrarei em contato com voc�.
Mas eu ficarei bem.
Acima de tudo, eu sei que ficarei bem.
N�o me procure, a menos que algo realmente estranho aconte�a.
Quando voc� ouvir isto
e todos estiverem me procurando e se perguntando onde estou�
Eu estarei bem.
Estarei fazendo o que quero fazer.
Ou o que ningu�m pensa que eu poderia estar fazendo�
N�o sei se isso est� claro.
Deve estar se perguntando por que gravei isto para voc�.
N�o sei. Deixe-me ver�
Vou come�ar com�
Vou come�ar com o jacar�.
N�o, espere.
Certo� Assim que cheguei em Trenque�
nos primeiros dias, quando eu ainda estava me ambientando,
algo estranho aconteceu. Algo que esqueci depois.
- As cartas. - Acho que foi no dia em que cheguei.
Sim. Claro, nesse dia.
Eu cheguei e, vestida como estava, tive que ir trabalhar.
Ol�.
- Laura? - Sim, Laura.
Como vai?
Sabe aonde vamos? Eu n�o fa�o ideia.
- Sim, para Baigorria. - Obrigada.
A prefeitura providenciou um t�xi direto da rodovi�ria
at� um campo perto de Fort�n.
- Ol�. - Oi.
Voc� est� fazendo um levantamento da �rea, certo?
Sim.
De flores.
Sim. Temos permiss�o. Posso mostrar.
N�o. N�o, isso n�o � necess�rio.
Queria fazer uma pergunta r�pida.
Sim, pode dizer.
Encontrou alguma destas?
N�o, destas n�o.
Encontrei algumas parecidas, mas de caule longa.
H� muitas delas aqui. Mas eu s� estou come�ando.
N�o se preocupe.
Eu preciso destas.
Obrigada.
- Tchau. - Tchau.
N�o sei de onde ela veio.
Os ga�chos nem viram ela chegar.
Foi a coisa mais pr�xima de uma apari��o que j� vi.
Depois pensei:
devo ter visto um fantasma.
Uma daquelas mulheres mortas que vagam pelos campos.
Os ga�chos nem viram ela chegar.
Foi a coisa mais pr�xima de uma apari��o que j� vi.
Depois pensei: devo ter visto um fantasma.
- Carmem Zuna. - N�o.
Uma daquelas mulheres mortas que vagam pelos campos.
Um espectro.
Voc� sabe que eu acredito nessas coisas.
A� o tempo passou, esqueci da apari��o, ou dela�
Continuei com o de sempre.
A pesquisa, a prefeitura, Normita�
Rafa�
A casa em Buenos Aires.
E nunca mais vi aquela mulher.
Espere.
Estou bebendo seu u�sque�
N�o resta muito. Vou comprar outro para voc�.
Nesse meio tempo�
aconteceu a coisa dos livros e das cartas.
Acho que j� te contei.
Ou n�o sei se contei.
Enfim, encontrei uma correspond�ncia oculta
em livros que peguei da biblioteca.
Uma correspond�ncia entre amantes.
Um italiano e uma mulher daqui, de Trenque.
Essa � Carmem Zuna.
Uma hist�ria de amor muito misteriosa.
Uma professora e o amante dela.
Tudo muito pornogr�fico.
Bem, n�o sei se pornogr�fico, mas cartas muito sexuais.
Eu fiquei um pouco obcecada com isso.
�N�s� ficamos obcecados.
Eu e Ezequiel. Chicho.
Fizemos algumas espionagens.
Passamos dias com isso.
Foi divertido.
N�o me lembro se te contei.
E me apaixonei um pouco�
Enfim�
Enfim� Flores amarelas. Lembre-se disso.
Um dia me deparei com estas flores, aquelas que a mulher me pediu.
- Encontrou alguma coisa? - N�o � nada. Vamos continuar.
Eu n�o tinha certeza se eram exatamente iguais.
E eu n�o sabia onde encontrar a mulher para lev�-las at� ela.
Eu nem tinha certeza se essa mulher existia.
Ent�o eu vi as flores e as deixei, n�o fiz nada.
Continuei com minhas coisas.
Mas lembre-se disso, porque � importante:
flores amarelas. Lembre-se disso.
Nesse dia, o dia do beijo.
N�o sei se te contei sobre o beijo. Mas n�o importa.
Nesse dia sa�mos de Kalos
e Ezequiel me levou at� o hotel.
Vejo voc� amanh�.
Laura?
Como vai?
Bem.
Encontrou as flores que eu pedi?
Sim, eu as encontrei
- mas n�o te encontrei. - Mas n�o me encontrou.
Isso.
Acho que sei onde elas est�o.
Posso busc�-las amanh�, se quiser.
Onde quer que eu as deixe?
Deixe-as aqui.
Aqui?
Sim, aqui. Voc� n�o est� hospedada no El Faro?
Sim.
Traga-as para c�.
Eu ou Romina viremos busc�-las.
Romina� Quem � Romina?
Romina.
At� amanh�.
"Deixe-as aqui no El Faro", ela disse.
Como ela sabia meu nome?
Como ela sabia que eu estava hospedada no El Faro?
Quem era aquela mulher?
O que era toda essa hist�ria com as flores amarelas?
ESPERANZA SE RETIRA DO CASO DO LAGO
A INVESTIGADORA OFICIALIZOU SUA RETIRADA DO CASO
POR N�O PODER CONTAR COM A COLABORA��O NECESS�RIA.
AS AUTORIDADES AINDA N�O SE PRONUNCIARAM A RESPEITO.
Era ela.
Sim.
A mulher misteriosa, o espectro. Era ela.
Era Elisa Esperanza.
E ela voltou para a cidade
para cuidar de algo que estava preocupando a todos.
Algo que eu n�o tinha prestado tanta aten��o.
Algo que aconteceu tr�s dias antes no lago do parque.
Algo que voc� mesma relatou para toda a cidade.
X O CASO DO LAGO
Bom dia.
Come�amos o dia com uma not�cia
que est� chamando fortemente a aten��o de todos n�s.
Tem a ver com a apari��o,
nesta madrugada, na nossa cidade,
onde um dos guarda-parque relatou imediatamente
o que aconteceu durante a madrugada.
At� agora, n�o temos muitos detalhes
mas algumas autoridades provinciais dizem que pode ser Marquitos.
O garoto �rf�o�
que j� havia aparecido na Laguna de G�mez, em Jun�n,
e que, ap�s 10 dias internado e em observa��o,
havia conseguido escapar.
Em todo o caso�
isto n�o pode ser confirmado.
At� agora n�o � poss�vel confirmar
se se trata de uma criatura em estado de desnutri��o
ou de outra condi��o de vulnerabilidade.
O organismo�
apareceu inesperadamente
e parecia ter estado na �gua h� mais de 24 horas.
O fen�meno est� preocupando os m�dicos e os cientistas mais do que o normal,
j� que n�o compreendem como esse ser ainda est� vivo
apesar de ter passado tantos dias
em um estado de sobreviv�ncia prec�rio.
Ele est� agora em observa��o
no hospital municipal de Trenque Lauquen
e a prioridade � a sua sa�de
tanto quanto o esfor�o das autoridades para descobrir sua origem.
A m�dica local, Dra. Elisa Esperanza, renomada psiquiatra�
Voc� deu a not�cia e em dado momento falou de Elisa Esperanza.
Mas para mim era apenas um dos milhares de nomes envolvidos no caso.
Nessa altura, eu estava com as cartas er�ticas que encontrei,
de Carmen Zuna.
N�o sei. N�o prestei muita aten��o
Quero dizer, quando voc� deu a not�cia,
eu ainda n�o sabia que era ela.
Que ela era a mulher das flores. A apari��o.
� um caso relevante, ao qual nossa comunidade
certamente prestar� muita aten��o.
Sim, al�m disso, h� s�rias d�vidas
em rela��o, n�o apenas � sexualidade,
mas tamb�m � possibilidade de�
ser humano
- ou alguma outra coisa. - N�o entendo.
Se n�o for humano, o que seria?
- N�o sei. Algum tipo de animal� - Algum tipo de animal.
Sim, aqueles�
garotos selvagens�
criados por macacos.
Macacos na prov�ncia de Buenos Aires�
Existem macacos na prov�ncia de Buenos Aires.
Sim, � o que dizem.
� o que dizem?
- Rumores. - Rumores?
Como n�o lidamos com rumores, pois fazemos r�dio e jornalismo,
vamos deixar esse assunto para daqui a pouco.
Gostar�amos de escutar nossos ouvintes�
O que pensam sobre esse assunto?
Dado que � uma quest�o que mobiliza toda a nossa comunidade.
Pelo menos eu sabia que eu n�o estava louca
ou que estava imaginando coisas.
A mulher existia. E tinha nome e sobrenome.
E uma miss�o muito importante:
assumir o caso do lago e decidir o que fazer com essa descoberta.
APARI��O MISTERIOSA NO LAGO REDONDO
Estamos com Eugenio Pastor,
respons�vel dos parques e espa�os verdes de Trenque Lauquen,
local do ocorrido.
Ele vai nos contar como surgiu essa descoberta.
Eu estava inspecionando um dos outros parques�
quando recebi um alerta
de um pescador que � frequentador daqui, que pesca de madrugada,
que disse ter visto algo estranho.
Ent�o comecei a opera��o Classe C,
que � quando h� uma certa gravidade no assunto.
Ent�o, coordenamos com a pol�cia, ambul�ncia e outros colegas.
O prefeito da cidade, Francisco P�rez Fox,
ainda est� discutindo com os governos provincial e nacional
o que fazer sobre o caso,
visto que ainda n�o foi determinada a natureza do ser encontrado ontem
no lago central na cidade.
Enquanto isso, a Dra. Elisa Esperanza assumiu a responsabilidade do caos�
Perd�o, do caso.
O que gerou mais pol�mica.
Temos a declara��o que ela deu esta manh�
na porta do hospital de Trenque Lauquen.
Os pol�ticos podem fazer pol�tica.
N�s, cientistas, que lidamos com esse tipo de coisa.
E se n�o gostarem, podem arcar com as consequ�ncias,
ou v�o para a universidade e estudem. Ainda � gr�tis.
Essas foram as palavras da Dra. Elisa Esperanza,
que, como sempre, com seu estilo bem particular
e bastante cr�tico com a imprensa e com o povo.
Transmitindo direto do parque central de Trenque Lauquen,
a poucos metros de onde estava h� dois dias
uma criatura da qual ainda pouco sabemos.
As autoridades continuam a debater como e onde estud�-lo,
pois ainda n�o definiram a natureza do ser.
Estamos aqui com Alda Bossi,
chefe de gabinete do prefeito de Trenque Lauquen,
Francisco P�rez Fox.
Depois de um epis�dio infeliz no hospital de nossa cidade,
onde, de acordo com testemunhas, o garotinho atacou
um dos enfermeiros que o estava transferindo�
O pr�prio prefeito P�rez Fox visitou o enfermeiro no hospital�
- Um momento� - Pois n�o.
Um golpe com a m�o?
Aparentemente, ele o atirou contra uma maca que estava no quarto,
mas n�o conseguimos confirmar se o enfermeiro escorregou primeiro,
ou, bom, nem como ele foi parar naquela altura�
Tarde de domingo. Estamos nos arredores de Trenque Lauquen.
Estamos com o assessor de imprensa do munic�pio.
E o agradecemos por nos atender hoje.
Voc� est� ciente da como��o na cidade?
A agita��o, por assim dizer,
em toda a comunidade a partir do ocorrido.
Estamos todos preocupados.
Somos cidad�os, como todos os habitantes desta cidade.
Tamb�m estamos preocupados,
mas queremos transmitir uma mensagem de cautela ao povo.
Sem alarmismo.
Palavras de Alberto Spezialle, assessor de imprensa�
O GAROTO ERA UM JACAR� - LU11 apresenta Juliana em�
Um Mar de Novidades.
A revista que te acompanha�
Finalmente tivemos algumas novidades.
Parece que a criatura, de acordo com P�rez Fox,
- � um animalzinho. - Um animalzinho de Deus!
Um animalzinho.
Parece que o assunto,
que causou uma grande confus�o em toda a comunidade trenque lauquenche,
foi discutido esta manh� com a Dra. Elisa Esperanza,
que se retirou do caso, e afirmou que n�o continuaria com o assunto,
visto que se tratava de um animal�
e que sua especialidade � o c�rebro humano, n�o o c�rebro animal.
Vamos ouvir a Dra. Esperanza.
Foram coletadas amostras e as suspeitas dos peritos
de que se tratava de um animal foram confirmadas.
As amostras gen�ticas pareciam ser de uma esp�cie de jacar�.
Tivemos uma reuni�o com P�rez Fox
e obviamente me retirei do caso, j� que se trata de um animal
e minha especialidade � o c�rebro humano,
e n�o o c�rebro animal.
Ent�o a equipe de bi�logos da prefeitura
est� analisando de onde veio este jacar�,
que parece ser do norte.
Acreditem se quiser. Um jacar�.
Um jacar�! Caramba!
Parece que o jacar� tem m�o boba.
Parece que te agarra durante a noite e�
Jacar�!
Cuidado!
Vamos para um intervalo comercial.
Rodro�
Foi um grande papel�o.
A criatura, o garotinho, Marquitos, o macaco�
era um jacar�.
Elisa Esperanza se retira.
Caso encerrado. N�o se fala mais no assunto.
Mas e as flores?
O que eu deveria fazer com estas flores?
Por que ela me pediu estas flores?
Por que ela me procurou?
Eu pensei: Tenho que encontr�-la.
Eu quis fazer uma coluna para me aproximar dela.
Eu sugeri isso a voc� na r�dio.
Mas voc� a achava uma mentirosa, c�mplice de P�rez Fox.
Louca, doida de pedra, fora de si, ressentida.
Enquanto para mim, ela era uma mulher muito misteriosa�
e bonita�
a quem eu devia algumas flores.
Amarelas.
Louca, doida de pedra, fora de si, ressentida.
Enquanto para mim, ela era uma mulher muito misteriosa�
e bonita�
a quem eu devia algumas flores.
- Desculpe, n�o entendo nada. - Vamos continuar�
XI ELISA ESPERANZA
Malva del monte�
- Deu certo. Foto? - Positivo.
Captura GPS?
Aqui.
Sim. Aqui.
- S�lvia. - Falta o nome comum.
N�o, � que � s�lvia. Por isso n�o coloquei nada.
� igual. N�o vou colocar nada ent�o.
O problema � que, se eu deixar o campo vazio, o sistema trava.
Coloque um X.
Vamos ver.
�timo. A� est�.
Oxalis, nome comum: vinagrillo.
Tem foto e captura.
- Oxalia� - Oxalid�ceas.
Terminamos. Obrigado.
S� vou precisar da sua assinatura.
Aqui, por favor.
Pronto.
Voc� ainda estar� dispon�vel, certo? Poderemos localiz�-la.
Ela est� indo para Buenos Aires, Grace. Tem telefone l�.
E quando voc� vai?
N�o, vou ficar por enquanto.
Mas seu contrato termina no dia 30.
- Sim, eu sei. - Eu teria uma conversa com Normita.
- Normita sabe? - Sabe.
Tenho que encerrar seu contrato hoje.
Sim, sem problema.
Mas e sua passagem para Buenos Aires no dia 1�?
Sim, mas n�o vou us�-la.
Ah, � uma pena, vai se perder.
Tchau, Liz!
- Bom� Sim, j� peguei tudo. - J� vai?
- Venha nos visitar. - Sim. Obrigada�
- N�o estarei longe. - Estaremos esperando.
Naquela altura eu havia terminado meu trabalho para a Prefeitura
e deixei o hotel.
Laura?
- Oi! Norma! Como vai? - Norma.
- Deixe-me ajud�-la. - Est� muito pesada.
N�o sabia por que, mas decidi n�o voltar de imediato para Buenos Aires.
Eu n�o entendia o porqu�.
De toda forma, eu sentia que partir
significaria o fim da minha hist�ria com Elisa Esperanza.
- Ainda n�o entendo o que �. - � um animal�
Ela n�o teria como me encontrar.
O tempo passava e eu n�o tirava isso da cabe�a.
Eu andei por toda a cidade,
e agora entendo que estava andando para ver se a encontrava.
Eu confiava no ditado local:
que bastam duas horas pela cidade
para encontrar pelo menos metade de seus habitantes.
Um dia finalmente a vi.
Ela estava em uma picape vermelha fazendo v�rios trajetos.
Eu a segui.
A picape vermelha facilitou as coisas.
Mas sobretudo, havia algo que me ajudou a saber que ela estava ali.
Uma m�sica.
Ela sempre andava pela cidade ouvindo a mesma m�sica.
Uma m�sica dos anos 80.
- Ol�. - Ol�, como vai? J� atendo voc�.
Eu a segui at� um viveiro. Ela estava comprando flores.
Por alguma raz�o n�o falei com ela. E ela tamb�m n�o.
Ela fez que n�o me viu. Ou n�o me viu.
Nunca tive certeza.
Eu me acostumei a segui-la atrav�s da m�sica.
Como se ela fosse a flautista de Hamelin.
Finalmente cheguei � casa onde ela morava.
Ela morava com outra mulher.
Em dado momento, algo aconteceu.
N�o me lembro se foi o alarme primeiro
ou se elas perceberam que algo estava acontecendo
e depois o alarme disparou.
Ou�a com aten��o o que vou te contar, Juli,
pois � muito estranho.
Imagine�
As duas mulheres estavam completamente relaxadas, quase festejando.
De repente, um alarme dispara e elas enlouquecem,
em alerta m�ximo.
De repente, Elisa Esperanza come�a a fazer algo
que n�o consigo entender o que �.
A princ�pio pensei que ela estivesse com uma seringa.
E depois ela some.
Ent�o descubro que o que as preocupa, o que disparou o alarme,
est� no primeiro andar da casa.
Elisa Esperanza reapareceu pouco depois.
Tudo resolvido, ao que parecia.
Depois houve um momento de calma.
Mas ent�o comecei a ouvir algo.
Um som bem estranho, como uma flauta.
Mas claramente n�o era um flauta.
Se havia uma coisa que eu tinha certeza
� que aquele som vinha de algu�m.
Algu�m que estava vivo.
Um gemido, um grito.
Isso, como uma crian�a ou um cachorro gritando.
E � aqui que come�a a verdadeira hist�ria, Juli.
N�o s�o as cartas, nem os livros.
N�o � Ezequiel. N�o � Rafael.
� o �garotinho�.
O jacar�.
O jacar� existe, Juli.
O jacar� do lago ou como quiser cham�-lo, existe.
Essa � a primeira coisa que tenho a dizer.
O jacar�.
O jacar� existe, Juli.
O jacar� do lago ou como quiser chamar, existe.
Essa � a primeira coisa que tenho a dizer.
No dia seguinte, peguei as flores,
tomei coragem e bati � porta delas.
- Quer gelo? - Quero.
Ele est� aqui?
Quem te contou isso?
N�o sei.
Ele est� aqui, sim.
Posso v�-lo?
N�o.
N�o�
E ouvi-lo?
Ou�a-o respirando. Parecem pequenas bolhas.
N�o ou�o nada.
Voc� tem que esperar. Espere.
Nada.
Estou preparando esse quarto.
A ideia � que ele more aqui?
Assim que poss�vel.
Ol�.
Romina chegou, voc� tem que ir.
- Ol�. - Ol�.
- Ol�. - Ol�.
Venha. Pode servir-se, se quiser.
Vamos.
Sente-se.
De novo ele por aqui.
Vamos ver se consigo peg�-lo.
S�o dois. Se foram.
Eu j� disse, temos que p�r veneno por todo lado.
Mas voc� n�o quer o veneno.
E voc�? Quer um sandu�che?
Coma um sandu�che!
Esta mal educada que n�o oferece nada.
Coma. N�o se preocupe.
Ela at� me faz parecer a malvada.
Voc� olha para n�s e pensa "esta � a malvada."
Ela que � a malvada. Com esses olhos de anjo.
N�o �? Eu n�o mato um mosquito.
� ela que toda a cidade odeia.
Eu sou legal, sou gente boa.
Eu sou uma garota gente boa.
N�o pare�o gente boa?
Eu me acho gente boa.
Como pode n�o me achar gente boa se bebeu todo o meu u�sque?
Coma.
- N�o, obrigada. - Coma!
Ela est� com fome�
Voc� estava com fome, hein?
Do que est� rindo, gorda?
Sente-se aqui.
� um pouco tarde, n�o �?
Sim, desculpe.
Vou embora.
Venha nos visitar sempre que quiser. S� avise antes.
Certo.
Elisa.
Posso te perguntar uma coisa?
Pode.
O que �?
Como assim?
Sim. O que �?
� um animal?
Um garoto? Uma planta?
� um ser que sabe respirar debaixo d��gua�
E � um mutante.
Algu�m que todos os dias se torna algo diferente.
Como um camale�o.
N�o�
E, atualmente, acho que � uma f�mea.
� isso.
Devo acompanh�-la at� o port�o? Ou pode ir sozinha?
N�o. Eu posso ir sozinha.
Depois dessa noite�
Passei alguns dias vagando pela cidade.
Sem dire��o.
Eu estava meio que de f�rias.
Finalmente, um dia Elisa me ligou pedindo ajuda.
E eu fiquei l�.
Fiquei v�rios dias.
- Laura, pode me ajudar aqui? - Sim.
Come�amos a fazer coisas na casa.
Tarefas de manuten��o.
Com a horta, coisas assim.
Tomilho, or�gano.
S�lvia, alecrim.
Camomila tamb�m serve se voc� encontrar.
- Coentro? - N�o, coentro n�o.
Durante o dia colh�amos coisas.
V� ao galp�o, preste aten��o porque�
Eu n�o entendia se est�vamos limpando o parque
ou se algo mais estava acontecendo.
- Selecione tudo� - Ah, voc� est� fazendo isso.
E certifique-se de que n�o est�o �midos e lascados.
E postes.
Os postes das cercas ca�das.
- Tem alguns ali� - N�o, n�o. Aqueles de l�.
Todos os postes e cercas ca�das.
- E nozes. - Nozes.
Do carvalho. O que encontrar.
- A azinheira ali tamb�m, certo? - N�o.
- N�o, n�o servem. - A azinheira, n�o.
Bagas de eucalipto.
- Bagas s�o as frutinhas, n�o? - Sim. Pegue o m�ximo que puder.
Folhas.
Folhas secas. Precisam estar secas. Isso � importante.
Se n�o estiverem secas, deixe-as secar ao sol�
- O agropol? - N�o, isso n�o.
Encontrei algumas coisas.
N�o sabia se esse tamanho serviria�
Muito bom. Muito bom.
Olha!
- Muito bom, n�o �? - Sim.
N�o fal�vamos sobre o �garotinho�.
Ele apenas estava l�.
Elas fugiam do assunto e aos poucos
fui entendendo que era algo que n�o podia conversar com elas.
De qualquer forma, tive que esperar.
Eu sabia que mais cedo ou mais tarde elas me deixariam v�-lo.
Ou elas iam me contar�
A verdade.
- Ah, que lindo. - Sim. Olhe.
� enorme.
Uma tarde, caminhando pelo campo�
encontrei algo muito misterioso�
em um galp�o que sempre esteve fechado.
Decidi n�o perguntar.
O andar de cima continuou a ser um mist�rio.
Desde aquela noite, a do u�sque�
nunca mais tocamos no assunto.
Continuei a respeitar o sil�ncio.
Mas era muito dif�cil entender o que estava acontecendo.
Nos dias que eu dormia l�,
elas nem pareciam se importar com ele.
Algumas noites eu as ouvia. Eu as ouvia trabalhando.
Ru�dos estranhos, discuss�es.
No dia seguinte, elas dormiam como animais.
�s vezes eu fantasiava em subir, abrir a porta e v�-lo.
Mas rapidamente entendia que esse n�o era o acordo.
Eu tinha que esperar.
Enquanto isso, tudo era amor entre n�s tr�s.
Eu as amava mais a cada dia.
Eu sentia que queria estar com elas.
Eu queria ser elas.
Eu era elas.
- Como est� minha gordinha? - Com fome, como sempre.
Ei! Venha!
Perdi o medo de me perder, de morrer, de correr riscos,
de se tornar um animal, a louca da cidade ou uma extraterrestre.
Eu sentia que tudo o que elas fizessem estaria bem.
E eu queria estar l�.
Certa noite bebemos algo.
Uma bebida bem amarga que Elisa preparou.
Que disse que nos faria bem,
para nos relaxar e afastar nossos medos.
N�o me lembro exatamente, mas�
Me lembro que nessa noite ela falou comigo.
Ela finalmente falou comigo.
Hoje Romina n�o vem dormir.
Ela vai ficar na cidade?
N�o�
Sabe de uma coisa?
Lembra das flores que voc� trouxe?
- As flores, sim. - Aquelas que eu te pedi.
- Sim, as flores. - As amarelas.
Amarelas. Caule curto.
S�o as que come.
Que come?
Come.
Claro. As que come.
Suas amostras serviram para a planta��o.
Eu nunca te disse.
Que bom.
Eu falei ontem com Romina que�
talvez quando terminarmos o quarto, voc� possa ver.
Voc� sabe como temos trabalhado � noite.
Sim, eu ou�o voc�s.
N�o � que eu queira ouvir. Mas � o jeito.
Ent�o, talvez quando terminarmos tudo�
Voc� pode ver.
Teremos que ver se ele quer�
Claro. Se ele quiser.
Naquele dia que voc� foi me ver no campo�
Sim.
O campo perto de Fort�n.
Sim, perto de Fort�n.
Voc� j� estava procurando as flores.
- Sim. - Flores amarelas, caule curto.
Sim.
Posso perguntar por qu�?
Por qu� o qu�?
Por que as estava procurando se o garotinho�
Ah, n�o seja rid�cula.
N�o chame de �o garotinho��
Est� bem.
Por que estava procurando as flores se nada havia aparecido no lago ainda?
Voc� sabia que estava no lago?
- Quero dizer� - N�o.
Entendo perfeitamente o que voc� quer dizer.
Voc� se importa se tivermos um momento de sil�ncio?
N�o.
Acho que vou beber mais um pouco.
- Voc� quer? - N�o, acho que estou bem. Obrigada.
At� essa noite, a noite da bebida,
Elisa n�o tinha falado comigo sobre as flores.
Ou sobre o garotinho, ou o quarto, nem nada.
Algo aconteceu.
Elas pediram para eu sair da casa.
Queriam ficar sozinhas, tinham que fazer coisas �a portas fechadas�.
N�o entendi se eu tinha feito algo errado�
N�o sei. Eu n�o entendi.
Voltei para minha casa.
Bem, a casa de Telma.
Tive uma noite estranha.
Sabe aquela ins�nia que �s vezes me d�.
J� era manh�.
Em algum momento consegui dormir, mas fui acordada pelo telefone.
Al�?
Al�?
Al�?
Est� sozinha?
� Elisa. Voc� est� sozinha?
N�o sei�
Precisamos falar com voc�. Est� sozinha? Pode falar?
N�o sei mesmo.
N�o sei se estou sozinha.
Estou sozinha no quarto, isso eu sei.
Certo. Fa�a-me um favor.
V� para onde tem certeza de que est� sozinha e eu ligo de novo.
Al�?
Escute bem. Algu�m sabe que voc� esteve aqui?
- N�o. - �timo.
Voc� fez bem.
Escute, preciso que arranje um carro.
Um carro? Como assim, um carro?
Fale mais baixo.
Um carro normal. Voc� consegue?
Um carro normal�
N�o sei, tenho que ver, acho que sim.
Voc� consegue ou n�o?
Sim, certo. Eu consigo.
Bom.
- Traga-o agora. Sim, agora. - Agora?
Pegue e v� para minha casa.
- Sua casa? - Sim, para minha casa.
Entre pelos fundos.
Tudo bem, mas aconteceu alguma coisa?
Eu conto depois. Fa�a o que eu digo e aguarde minha liga��o.
E n�o use cores muito brilhantes, certo?
Oi!
Que surpresa.
- Achei que tinha ido embora. - N�o, eu n�o fui.
Veio me visitar?
Vim te pedir um favor.
Me empresta seu carro?
- O carro? - Sim.
- Precisa de carona para algum lugar? - N�o, n�o h� necessidade.
- Aconteceu alguma coisa? - N�o, n�o.
- Aconteceu alguma coisa. - Eu conto depois, pode ser?
Sim, claro.
Me empresta?
Tudo bem.
- Mas vou precisar dele �s 6. - Sim, �s 6 estar� aqui.
Em ponto, pode ser? Porque tenho que levar as crian�as.
- Vou pegar a chave, voc� espera? - Claro.
Obrigada, Eze.
- Voc� tem carteira? - Sim, tenho.
Cuidado com o freio, est� um pouco inst�vel.
Elisa me pediu para arranjar um carro.
Ela n�o explicou muito.
�Arranje um carro�, ela disse.
Pedi o carro do Chicho e fiz o que me disseram.
Eu fui para a casa.
"Precisamos de comida", Elisa disse.
�Algu�m suspeitou de algo e nos denunciou.
Tivemos que sair da casa.
Precisamos que voc� nos ajude, estamos desesperadas.
Entre pela porta dos fundos e depois passe por uma janela.
V� para o quarto l� de cima, que est� sendo constru�do,
e pegue o in vitro.
Se voc� encontrar comida, pegue. Pegue tudo que encontrar.
N�s estamos percorrendo os campos, para ver se encontramos mais.
Nos encontraremos amanh� de manh�, �s 10h.
No posto de gasolina de Fort�n Olavarr�a.
De l�, partiremos todas juntas.
E, por favor, n�o use cores brilhantes.
Ele n�o gosta."
Quando entrei no quarto,
percebi para que est�vamos trabalhando todo esse tempo.
LOCALIZA��O DE ALIMENTO
N�o sei bem o que aconteceu.
Mas quando acordei j� era o dia seguinte.
Ou seja, hoje.
N�o sei o que fiz com as flores.
A �ltima coisa que me lembro � de ter sentido o cheiro delas.
Mas talvez eu as tenha comido, n�o sei.
O neg�cio � que dormi e descansei. Como um animal.
Bom. Est� chovendo agora.
Vou ficar lhe devendo uma coluna. Desculpe, Juli.
Acho que voc� n�o ter� not�cias minhas por muito tempo.
N�o me procure.
Vou embora.
- O que tenho que fazer agora� - Com quem vai embora?
- Rodro! - O que faz aqui a esta hora, Laura?
Voc� montou um programa para solteiros?
Por isso o corte autom�tico!
Nina, uma amiga. Laura.
- Oi. Sim, eu a conhe�o. - Oi, como vai?
Curcio me ligou, disse que a transmiss�o caiu.
- Voc� tocou em algo? - N�o, eu juro.
Vim gravar minha parte para Juli, pois n�o poderei vir amanh�.
Eu estava gravando na 2, nem toquei na 1.
- Mas voc� est� na 1. - O qu�?
Voc� est� ao vivo.
N�o. Brincadeira!
N�o sei o que aconteceu com o autom�tico. Maldita coisa.
- Por que n�o prepara um mate, Gringa? - N�o sei onde est� a erva�
Est� tudo na cozinha. S� preparar e trazer.
Bem� Quer continuar, Laurita?
Sim? Ou quer que eu pare?
Ou edite ou renderize, o que voc� quiser.
Sim, pode parar.
Parando.
Est� tudo na cozinha. S� preparar e trazer.
Bem� Quer continuar, Laurita?
Sim? Ou quer que eu pare?
Ou edite ou renderize, o que voc� quiser.
Sim, pode parar.
Bom�
isso � tudo.
N�o consigo entender em que momento Laura gravou isso.
N�o entendo por que ela gravou.
O que devemos fazer?
N�o temos que fazer nada, Chicho.
Nada.
Nada mesmo.
Algo que eu nunca quis
� ser ingrato
� por isso que nunca esqueci
O quanto voc� esteve ao meu lado
Eu poderia dizer que voc� e eu
Temos sido bons amigos
N�o sei se � o destino
Que separa os caminhos
Voc� sempre com tanta pressa
Escondendo-se em sua risada
Talvez voc� nunca tenha entendido
Que meu andar � lento e triste
XII A PARTE DE LAURA
Bom dia a todos.
Estamos aqui em uma nova edi��o de Um Mar de Novidades.
Contemplamos a chuva do oeste da prov�ncia de Buenos Aires,
escutamos um pouco de m�sica enquanto come�amos�
Ol�.
Obrigada.
Al�?
Por que n�o atendia?
- Achei que n�o precisava atender. - Pensamos que tinha acontecido algo.
De qualquer maneira, paramos por aqui.
Como?
Paramos por aqui. Tivemos que ir. J� conseguimos v�rias flores.
Pode ficar ou se livrar da que pegou.
Voc� fez tudo certo.
N�s que n�o conseguimos. N�o foi voc�, fomos n�s.
Fique tranquila.
Voc� tem dinheiro para voltar?
N�o, mas n�o se preocupe.
- Eu me viro. - Sim. Voc� � capaz de se virar.
Obrigada por tudo.
Beijos de n�s duas.
ADEUS, ADEUS VOU EMBORA, VOU EMBORA
- Ol�. Voc� n�o est� sempre por aqui? - Sim.
Eu preciso deixar um carro que um amigo meu vir� buscar�
- Precisa de alguma coisa? - N�o, obrigada.
N�o, n�o. Eu n�o quero nada.
Sa�de!
Com licen�a, companheiro. Quando ou�o "truco"�
- "Truco"! - Vamos ver.
- Eu embaralho� - Vou descobrir�
Voc� n�o descobrir� nada!
Voc�, d� uma olhada de perto. Aqui.
Um 2.
� um 7, companheiro!
E ent�o�
A carta desaparece!
Mais uma, bravo!
Isto est� forte!
- Art Subs - 15 anos fazendo Arte para voc�!
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