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Zulu
Oh, dê-me terras, muitas terras Sob o céu estrelado
Não me restrinja
Deixe-me correr pelo campo aberto Que eu amo
Não me restrinja
Deixe-me ficar sozinho Na brisa do entardecer
E ouvir o murmurar Das árvores nativas
Mande-me embora para sempre Mas, por favor, não me restrinja
CAÇANDO AVA BRAVO
Deixe-me solto Cavalgando em minha sela
Sob o céu do Oeste
Com minha tribo Deixe-me vagar para longe
Até ver a montanha se erguer
Quero cavalgar até a cordilheira Onde começa o Oeste
E contemplar a Lua Até perder os sentidos
Nao posso ver grilhões E não suporto cercas
Não me restrinja
Deixe-me ficar sozinho Na brisa do entardecer
E ouvir o murmurar Das árvores nativas
Mande-me embora para sempre Mas, por favor
Não me restrinja
Não me restrinja
Não me restrinja
APERTE O BOTÃO DE INICIAR
Ava Bravo.
Está muito longe de casa.
Está em um lugar frio e distante.
Sou o único no planeta que sabe que você está aqui.
Está completamente isolada.
Sem telefone ou internet.
Só tem o que está no seu bolso da frente.
Este é meu chalé de caça
e você, Ava Bravo, está prestes a ser caçada.
Oito quilômetros ao norte deste chalé, tem uma barraca.
Lá dentro, tem uma motoneve abastecida e pronta.
É sua única chance de sair desta montanha
Se chegar até a motoneve antes que eu encontre você,
eu perco.
Vai voltar para a civilização
e eu vou ficar preso aqui e morrer na floresta.
Sou um esportista de elite e faço questão de um desafio justo,
então vou caçar você com munição limitada
Minha espingarda tem três balas,
e essas três balas são a única munição que tenho.
Tenho três chances de te derrubar. Só isso.
Use isso em sua vantagem.
Seja estratégica, Ava Bravo.
Dois conselhos.
Primeiro, não siga em linha reta.
Segundo, se estiver procurando armas no chalé,
está perdendo tempo.
Não tem nada aqui que possa ser usado como arma.
A única coisa que pode fazer é começar a correr,
porque nesse exato momento, Ava Bravo, estou no porão
e estou prestes a sair.
Dez segundos.
Nove segundos.
Oito segundos.
Sete segundos.
Seis segundos.
Cinco.
MULHER ESCAPA DE CASA DOS HORRORES EM ALBUQUERQUE
KIT DE PRIMEIROS SOCORROS
MULHER ESCAPA DE CASA DOS HORRORES EM ALBUQUERQUE
Hijo de puta.
UMA BELA FUGA
Oito quilômetros ao norte deste chalé, tem uma barraca.
Lá dentro, tem uma motoneve.
Que merda é essa?
Psicopata.
Sou uma sobrevivente.
Aqui, agora e sempre.
O Criador e eu somos um só.
Encontrei.
Está ali.
Filho da puta!
Brincadeirinha.
Armadilhas idiotas.
Filho da puta!
Onde estou?
Nada. Não tem nada aqui.
O filho da puta me trouxe até aqui,
então o filho da puta vai me levar de volta.
Está ali.
Eu consigo. Está tudo bem.
UMA BELA FUGA
Fique calma.
Ele está preso.
Está tudo bem.
UMA BELA FUGA
Droga.
No que atirou?
Deve estar com fome.
Sobra mais para mim.
Não se mexe.
Aqui estamos nós, Ava B.
Foi a primeira convidada a ser mais esperta e mais forte do que eu.
Onde estou?
Caiu nas lanças?
Onde estou?
Não tinha motoneve, não é?
Sim.
"Brincadeirinha."
Me dá seu celular.
-Que celular? -Me dá seu celular agora.
-Não escutou? -Você tem um celular!
Você me revistou e procurou na cabana depois que me desmaiou, não foi?
Encontrou um celular?
Tudo bem.
Você me enganou com suas pegadas na neve.
Aí bateu em mim, me arrastou escadas a baixo,
não caiu na armadilha...
Fez tudo isso e algemou minhas mãos para frente.
Sério? Para frente?
Foi um erro idiota.
Quer que eu enfie a espingarda na sua bunda?
Inglês, por favor.
Isso me torna praticamente um aleijado.
Mas aleijados podem ser perigosos.
Sabe...
No inverno passado, eu trouxe um aleijado para cá.
Ele se saiu muito bem.
Por algum tempo.
Onde estou?
Me fala como sair daqui, senão eu te mato.
Não.
Se fosse assassina, teria me matado no começo.
Não sabe o que sou.
Em algum momento, na montanha,
se deu conta que precisa de mim para sobreviver.
Senta aí.
-Não esquece disso. -Senta aí.
Sem problemas.
Também tomei uma decisão difícil.
Podia ter me escondido e pegado você de surpresa.
Podia ter enforcado você, mas em vez disso,
pensei que seria legal conversar
e comer alguma coisa.
Desculpa. É só feijão e água.
Não quero.
Uma mexicana recusando feijão? Isso é novidade.
Vai se foder.
No que atirou?
Porque, neste lugar, o som ecoa por quilômetros.
Por isso eu soube que você estava viva.
O que foi?
Tudo bem.
Não importa.
O que importa
é que você desperdiçou...
uma bala essencial.
Devia tomar cuidado para não desperdiçar outra bala.
Que tal eu desperdiçar uma bala na sua cara?
Se pensa que não precisa de mim para sair.
Talvez eu mate você e viva para sempre nesse chalé.
É uma bela fuga.
Mas é solitário.
Se bem que você entende de solidão.
Ava, eu realmente não sei
o que vai acontecer entre nós dois.
Acho isso emocionante.
O que foi isso?
Dá uns tiros para descobrir.
É um pássaro.
Às vezes os pássaros entram nos lugares.
Eles também cometem erros idiotas.
Já faz quase 18 meses, não é?
Você não envelheceu nada.
Está linda.
Todos vocês têm algo em comum.
SOLDADO FALA SOBRE TER SOBREVIVIDO À BATALHA DE AL-KHAFJI
ESPANHOL SOBREVIVE A ASSALTO VIOLENTO DURANTE VIAGEM
-É. Você caça sobreviventes. -Sim.
Quanta coragem.
-Qualquer outro estaria em pânico. -Cala a boca.
-Você é incrível. -Cala a boca.
-Tinha um herói de guerra. -Não.
Como eu cheguei até aqui?
Não tem estradas!
Tinha uma motoneve.
E um pequeno trenó.
Onde está? A motoneve.
Não vou responder.
Pensa bem na sua resposta.
Se eu morrer, você morre.
-O que foi isso? -Não.
O que é?
Não sei. Juro por Deus.
-Atira nele. -O quê?
Atira nele! Vai.
O que está acontecendo?
Aonde você vai?
Onde você está? Vai para a luz para eu ver você.
Faz o que eu mando na hora.
-Senão vou abrir a porta. -Mentira.
Será? Não tenho nada a perder.
Então tudo bem.
Tudo bem. Para.
Você ganhou.
Para trás.
Encosta na parede. Agora.
Só quero ajudar.
-Quem está lá em cima? -Como vou saber?
Um caipira qualquer. Atira logo nele.
Droga.
Atira logo nele.
Não tem nada aqui.
-O que é isso? -Um sedativo.
-É inútil. -Atira no maldito!
Você parece encurralado.
Então improvisa.
Eu planejo. Não improviso.
É claro.
Nunca precisou.
Dá para atirar nele?
O que está fazendo?
A porta não vai aguentar para sempre.
O que é?
Socorro!
Atira nesse maldito!
Atira nele!
Se eu morrer, você morre!
Você que o mate!
Não! Droga.
Não.
Vai logo!
Só tem mais uma.
Me dá a luva.
Você sempre me impressiona.
Me leva até a motoneve.
Quem era ele?
Agora decidiu ficar calado?
Minha nossa.
Droga.
Continua.
Precisamos cuidar da minha perna.
Foda-se.
Não vou aguentar até chegarmos.
Andar não vai parar o sangramento.
Foda-se você e sua perna. Anda.
Atira.
Prefiro morrer rápido do que sangrar até a morte.
Vai em frente.
Aperta o gatilho.
Foi o que pensei.
Aquele cara vai acordar,
ele vai ver nossos rastros óbvios e se vingar.
Sua decisão de não matá-lo foi idiota.
Idiota.
Vai ser muito mais rápido se eu estiver inteiro.
Tenho um kit de primeiro socorros na bolsa.
Droga.
Droga.
Puta merda.
Quer que eu sente?
Deita de barriga para baixo em cima dos seus braços.
Vai logo.
Tudo bem.
Tudo bem.
-É divertido. -Sim.
Não se mexe.
Doeu.
É irônico, não é?
Você me salvar.
Estou me salvando.
Coloca um pouco de tequila no corte
e um pouco na minha caneca.
É para aliviar a dor.
Cala a boca.
Vai ficar tudo bem.
Não se mexe.
Sei quem você é.
É aquele cara do Barbecue King.
King's Castle Barbecue.
É. Buddy King.
É um prazer te conhecer.
Deve ter centenas de restaurantes.
Tenho 155 restaurantes ao redor do mundo.
Seus restaurantes...
O churrasco é feito de gente?
Eu não sirvo carne humana nos meus restaurantes.
Sou um esportista de elite, não um canibal.
Mas eu comi aquele cara.
Faz tempo. Era mais uma meta pessoal.
Cala a boca!
Pronto.
-Não se mexe. -Sim.
Não se mexe.
Levanta.
Como me trouxe até aqui?
Fala a verdade.
Como eu disse, primeiro em uma moto de neve,
depois em um trenó.
-Antes disso. -Como assim?
Da minha casa.
Passei meses estudando sua rotina.
Você acorda, coloca roupa de academia,
come um pouco de granola,
sobe na sua bicicleta chique e vai tomar banho.
Aí você se veste.
Às vezes, não.
Trabalha em home office, cozinha e, à noite, assiste televisão.
Como me trouxe até aqui?
Você quase nunca sai à noite.
Às vezes, de forma imprevisível, sai com suas amigas.
Ou quando tira o lixo.
Domingo à noite, às 21h05, de roupão roxo.
Aí, no meio da noite, entrei no seu quarto e te droguei.
-Com o quê? -Fentanil e heroína.
O sedativo no sótão?
Por que tirou minha roupa?
Levanta!
Me leva até a motoneve.
Caramba.
-Agora. -É claro.
Não esquece a bolsa.
O que é isso? Vi vários.
Não faço ideia.
Quer congelar ou andar?
Pesquiso bastante
para aprender tudo sobre os convidados que trago até aqui.
Convidados?
É. Você me disse.
Stalkeou a minha casa. Espiou pelas minhas janelas.
É claro, a observação faz parte da pesquisa.
Mas televisão, jornais e a internet também.
Li tudo que escreveram sobre o que aconteceu com você.
-Mas você nunca deu entrevistas. -Nem vou.
Por quê? Algo terrível aconteceu com você, não é mesmo?
As pessoas querem saber como você escapou.
Não sou uma vítima.
Anda logo, cabrón.
Como saiu daquele inferno?
Conta para mim.
Para de tentar me analisar.
Só anda logo.
Já está pronta para compartilhar?
Não precisa ser sobre Albuquerque.
Apesar de eu estar louco para saber.
-Pode ser qualquer coisa. -Continua andando.
Você é durona.
Tudo bem. Eu começo.
Pergunta qualquer coisa. Sou um livro aberto.
É compreensível.
Você tem dificuldade em socializar, então vou fingir ser você.
Buddy.
Como criou sua churrascaria mundialmente famosa?
Ótima pergunta, AB.
Churrascaria do Rudy. Na saída de San Antonio.
Leon Springs, no Texas. Já foi?
Passei três semanas lá com o meu pai.
Foi quando o conheci, na verdade.
Ele me tirou da minha mãe no dia que fomos.
Ele nem sabia meu nome.
Então, ele dizia:
"Está com fome, amigão?"
"Está cansado, amigão?"
Enfim. Eles foram ao Rudy's
e o garoto comeu um monte de creme de milho.
E, na noite seguinte, antes de eles irem embora,
ele implorou ao pai para voltarem para o Rudy's.
O pai disse:
"Amigão, não podemos ir duas vezes ao mesmo lugar."
O garoto começou a chorar, foi até lá,
abraçou o pai, olhou para ele e disse:
"Por favor, pai."
Essa foi a primeira e única vez que ele o chamou de pai.
Então tem traumas com seu pai.
O quê?
Está tentando me analisar?
Não está longe.
Vamos.
Não para.
O que foi?
Devem ser lobos.
Buddy.
Buddy.
O que está esperando? Vamos.
Cuzão.
Ava.
Filho da puta. Você é um cretino.
Um imbecil.
-Vem aqui. Quero ver se tem coragem. -Ava.
Ava.
Não quero que morra aí embaixo.
Não é o que você quer.
Não quer passar frio e fome em um buraco.
Filho da puta.
Você é, sem dúvida,
a melhor que já esteve aqui.
Na maioria das vezes, quase não é desafiador.
Por isso inventei a regra das três balas.
Mas você...
Você, Ava, deixa as coisas interessantes.
Ava.
Preciso resolver uma coisa.
Você tem duas opções.
Pode morrer aí embaixo
ou, quando eu voltar, ajudo você a sair
e a gente termina o jogo do jeito que tem que ser.
Buddy.
Já volto.
Não! Buddy, não me deixa aqui.
Buddy?
Onde você está?
Droga.
Droga.
Do jeito que tem que ser.
Ava.
Vai pegá-lo.
Você, Ava Bravo, está prestes a ser caçada.
Sai de perto dela. Corre!
Não encosta nela!
Está perdendo tempo.
Não me deixa sozinha!
Sou uma sobrevivente. Aqui, agora e sempre.
O Criador e eu somos um só.
Sou feita à imagem e semelhança do Criador.
Sou uma sobrevivente. Aqui, agora e sempre.
O Criador e eu somos um só.
Sou feita à imagem e semelhança do Criador.
Deus, me dê força, por favor.
Você não se deu por derrotado.
Não vou desistir.
-Sentiu saudade? -Brincadeirinha!
Queria saber, não é?
Foi assim que sobrevivi um ano naquela casa de horrores.
Vou fazer o mesmo para sobreviver a você.
Nada de habilidades ninja ou truques de magia.
Só espero os homens que pensam ser tão fortes, espertos e assustadores
cometerem erros idiotas.
Idiota.
Não é uma história.
Não merece minha história.
Vamos fazer o seguinte.
É difícil acreditar que sua motoneve esteja tão longe.
Normalmente não faço esse percurso
com um corte na perna ou na mira de uma arma.
Não é longe.
Se eu não vir a motoneve em uma hora,
você vai ver a última bala.
Confio em mim muito mais do que confio em você.
Se não acredita,
experimenta para ver.
Uma hora.
É por ali.
Vai.
-Ava. -Cala a boca.
-Só quero... -Cala a boca.
Cansei das suas idiotices.
O que você foi resolver quando eu estava no buraco,
o que era?
Não era para eu ficar calado?
Como se fosse possível.
Não era nada.
Não era o soldado?
Aquele que você trouxe para matar, mas obviamente não matou.
Não parece de elite.
-Foi um erro idiota. -Ele está morto.
-Tem certeza? -Sim.
Você parece preocupado.
Não seria a primeira vez que está errado.
É a segunda vez.
Você fracassou.
O que foi?
Qual é o problema? Gosta de falar, mas não gosta de ouvir?
Descobri uma coisa sobre a sua história.
Já matou, não é?
Talvez sem querer. Foi ruim. Ou foi de propósito, e você gostou.
Mas acho que suas mãos estão sujas de sangue.
Não é mesmo?
É o que pensa?
Por isso chora todas as noites antes de dormir.
Foi assim que saiu de Albuquerque?
Socorro!
-Estou aqui! -Cala a boca!
-Socorro! -Não!
-Estou aqui! Socorro! -Não!
Não!
Ela está armada.
-Moça. -Ela é louca.
Escutem. Por favor, me ajudem.
-Fui sequestrado. -Preciso de ajuda.
Por favor, não deem ouvidos a ele.
Vejam o que ela fez.
Por favor, espera.
Para o chão, porra!
Tudo bem. Desculpa.
Não me bate outra vez.
-Olha o que ela fez. Desculpa. -É mentira.
Desculpa.
É mentira. Ele me sequestrou.
-Ele tentou me matar. Preciso de ajuda. -Meu nome é Buddy King.
Tenho várias churrascarias. Faço comerciais de TV.
-Buddy King? -É um prazer.
É o Buddy King, da televisão.
Televisión. É, dos comerciais.
-Do Castle! -É. Do King's Castle Barbecue.
-Ela está tentando me matar. -Vocês falam espanhol, não é?
Podem me tirar daqui?
Por favor, me ajudem. Preciso que escutem.
Ele me sequestrou.
Não deem ouvidos a ele. Ele caça pessoas.
Ela é louca. O que ela disse?
-Ignorem. -Não confiem nela.
Por favor, me ajudem.
Espera. Está dizendo que o Buddy King caça pessoas?
Sim. Exato.
-Escuta. -Sim. Ele tentou me matar.
Ela é ativista e deve estar brava por vocês estarem caçando.
Não! Por favor, não deem ouvidos. Chamem a polícia.
Se eu fosse culpada, não pediria para chamarem a polícia.
Por favor.
Não dá para chamar a polícia. Não tem sinal.
-É só para ouvir música. -Só música.
Tudo bem.
Tudo bem.
Abaixem as mãos. Não vou machucar vocês.
Abaixem as mãos.
Preciso que me tirem daqui.
Não abaixem as mãos.
Vou dar a arma para vocês,
mas têm que prometer que vão apontar a arma para ele.
Não!
Vou dar a arma para vocês.
mas têm que prometer que vão apontar a arma para ele.
-Apontem para ele. -Não peguem a arma.
Não.
Cuidado com ele.
O que vamos fazer?
Vejam isto.
Sobe na motoneve. Vamos.
Vejam a minha nuca.
Está vendo? Olha minha boca.
O Buddy King caça pessoas.
Sai de perto dele! Ele é inocente.
Por favor, não faz nada.
Por favor, não faz isso.
Não!
Puta merda.
Parece que vai precisar da minha.
E agora?
Vai quebrar meu pescoço já que não consigo me mexer?
Animal!
Pronto.
-Vem cá. -Sai de perto de mim!
Levanta.
Estou mais perto.
Mas minha perna está machucada.
Vamos apostar? Você quem sabe.
Foi por pouco.
Mas a brincadeira acabou.
Vamos fazer o seguinte.
Primeiro, coloca minhas coisas na bolsa.
Isso.
Bom trabalho.
Bom trabalho.
Anda.
Ótimo. Muito obrigado.
Minha faca está aí.
É.
Nunca dê a faca com a lâmina virada para a pessoa.
É sempre com o cabo para frente. Vira.
Dá minha bolsa.
Já sabe, não é?
Me mata logo.
Atira.
Sua história...
Albuquerque, Ava.
Minha motoneve está logo ali. Está quase lá.
Senta na beirada da motoneve.
Vai. Senta. Olha para mim.
Quero olhar para você.
Isso.
Ele desceu as escadas.
Não. Não começa a história pelo meio.
Quero a história toda. Começo, meio e fim.
Quero saber de tudo.
Você não contou toda sua história.
Se quiser minha história, toda ela,
nada mais justo que contar a sua.
Vai contar a história toda?
Vou.
Combinado.
Onde eu estava?
-Você voltou ao Rudy's. -Certo.
E depois?
A polícia chegou e perguntou...
se o homem que me sequestrou era meu pai de verdade.
Eu não sabia, então encolhi os ombros.
Meu pai foi pegar o documento e eles atiraram nele.
É isso.
Pronto.
O fim. Entediante para caralho.
Mas é um bom aperitivo para o prato principal,
a história toda.
Eu estava na caixa de correio,
e uma van de entrega encostou.
Ele saiu da van e disse: "Na hora certa."
Aí ele abriu a porta lateral.
"Seu pacote está por aqui."
Eu tive que esticar os braços para pegar.
E, em um segundo,
alguém me pegou e puxou para dentro.
Eu só me lembro
de acordar no porão.
Lá embaixo era quente, escuro e não tinha janelas.
Quando ele descia
para levar comida ou...
me estuprar,
ele abria a porta no começo das escadas
e, por um instante,
uma luz clara, lá de cima,
me iluminava.
Mas aí ele trancava a porta atrás dele
e descia.
Um dia, ele não trancou a porta.
Ele foi buscar uma coisa
no outro canto do porão.
E a luz
estava iluminando as escadas.
Pensei que ia conseguir fugir.
Então eu corri...
e escapei.
Só isso?
Eu disse.
Não teve truques ou habilidades de ninja.
Ele cometeu um erro idiota.
O que aconteceu?
Ele levou...
Ele levou uma garota para lá.
Ela só tinha 17 anos.
Ela era...
Ela era linda, gentil e inteligente...
e estava com medo.
Não importava o que ele fizesse comigo.
Não importava.
Escutá-lo fazendo aquilo com ela...
O choro dela.
Os gritos dela.
Eu sabia que precisava tirar nós duas de lá.
Me sentia responsável por ela.
Eu precisava tirá-la de lá.
No dia em que ele deixou a porta aberta,
e a luz iluminou,
eu gritei: "Corre."
E nós corremos.
Eu saí da casa.
Ela não.
Escuto os gritos dela todos os dias.
Nós dois matamos alguém sem querer.
Somos iguais.
Pronto.
Respeito você por ter tentado.
Obrigado por contar sua história.
Sinto uma ligação com você. Sei lá. Não quero parecer meloso, mas...
Queria que o dia durasse para sempre,
mas tudo chega ao fim.
Vamos.
O quê?
Nada mais justo que você chegar ao fim.
Do jeito que tem que ser.
Vamos.
Você vai gostar.
UMA BELA FUGA
Não acredito.
-Eu sabia que você não é de confiança. -Escuta.
Filho da puta.
Maldito.
Talvez as coisas não sejam tão ruins.
Tudo isso? Toda a jornada?
Você estava ganhando tempo para poder me matar.
Todo aquele papo de jogar justo, de ter suas regras,
da moto de neve.
Era tudo falso.
Era tudo mentira!
-Não vou entrar lá. -Ava, para.
Não aguento mais!
Filho da puta!
Chinga tu madre, cabrón.
Não ia me deixar escapar.
Me fez andar círculos para fazer seus joguinhos.
Pode calar a boca e escutar?
Eu admito.
Eu estava ganhando tempo para ter vantagem.
Demorou um pouco.
Vai se foder. Aconteceu uma coisa.
Eu tive que ser mais esperto, rápido e criativo do que nos últimos anos.
-Que bom para você, imbecil. -Pode escutar?
Nós dois temos traumas.
Somos dois solitários fodidos.
A vida ferrou a gente.
Tivemos um começo interessante, não foi?
Não sei se podemos confiar um no outro. Não sei se é possível.
Mas o que eu sei
é que não temos mais que ficar sozinhos.
Está com gasolina. Pronta.
Filho da puta.
Estava aqui esse tempo todo?
Todo esse tempo.
Nós dois merecemos uma bela fuga.
Não estou falando do meu chalé.
Tenho muito dinheiro. Podemos ir a qualquer lugar.
Para onde você quiser.
Decidi deixar você decidir.
Pode ficar aqui comigo
ou subir na moto de neve
e dar o fora daqui.
Não vou atrás de você. Juro por Deus.
A escolha é sua.
Isso doeu.
Acha que posso deixar você ir embora?
Eu nunca me livraria de você.
O que foi?
Como ainda está vivo?
Vai me matar com a minha caneca? Merda.
Não. Com a sua faca.
Buddy...
não somos iguais.
Eu ganhei e você perdeu.
Fim do jogo, hijo de puta.
CAÇANDO AVA BRAVO
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