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PROIBIDO FUMAR
Vira, vira, vira...
Eu sou ou não sou o cara?
-E então... Quantos anos tem mesmo, Billy ? - É Robby na verdade.
Robby Katzen, mas pode me chamar de Billy se quiser. Eu tenho 20 anos.
- 20? E o que você faz? Trabalha, estuda ou oque? - Eu estudo em uma universidade.
- Ahh é mentira! - Não, uma universidade de Minnesota.
- Olha você não tem que mentir pra mim tá bom? Eu vejo caras como você
aqui o tempo todo, Minnesota, colegial, identidade falsa
não tem que mentir pra mim. Provavelmente pegou isso em algum lugar.
Como é que você sabe?
Baseado em uma história real
Aí, dá um tempo, sai fora.
O meu namorado vai estar em Yale. Eu acho que é muito frio pra ir pra escola.
- Olha... - Sabe quem vai pra lá?
- Quem? - Claire Danes.
- Conhece ela? - Não.
Acha que eu pareço com ela? Não o cabelo, mas...
- É... Parece com ela. - Eu gosto da maneira que você fala comigo.
Eu tenho que dar o fora daqui sabe, eu tenho que dar o fora desse lugar, dessa vida.
- Onde fica mesmo Yale? - Em Connecticut.
É muito longe.
- Quer saber como eu consegui? - Oque?
- Oque você nao consegue deixar de olhar. - Como fez isso?
Tudo bem, pode me contar. Eu estou estudando para ser enfermeira.
Ahh tá, enfermeira...
Tira logo essa calça cowboy.
Ohh até que fim!
Bom, eu tinha um cachorro, o Renny.
E quando os meus pais tiverem um nenem o Renny ficou com ciúmes e aí ele me mordeu.
E enfiou os dentes com tudo.
Meus pais ficaram desesperados. Eu sabia que meu pai ia matá-lo. Entao eu soltei o Renny.
Essa foi a coisa mais doce que eu já ouvi.
E fiquei olhando ele fugir. E ai acabei vendo também o reflexo do meu rosto no vidro da janela.
E entao pensei: Porque esse cachorro vai correr pra liberdade enquanto eu vou ficar por ai andando feito um Frankstein?
Aí, atirei nele.
Bem no olho. Eu dei o troco.
Essa é a história de CJ e o cachorro.
Oque que foi?
Será que eu podia ir te visitar às vezes sabe como prometeu no ano passado.
- Tá, claro, eu ia adorar. - Amanhã?
Ou agente podia tentar por um tempo e ver o que acontece.
Esmago a sua cabeça. Esmago a sua cabeça. Esmago a sua cabeça.
Hum... Você não.
- Aí o cara-de-zíper. - Cara-de-zíper?
- Acho que você deve estar falando comigo. - Oque que você falou pra Denise?
- Quem? - Como quem? A moça que estava com você.
- Você agarrou ela é? - Eu me lembraria disso, será que não?
Não, acho que não fui eu. Meu caro e corpulento amigo.
- É claro que fez alguma coisa porque ela me disse... - Pára.
Por favor, você ta dizendo que pensa que eu fiz. Eu vou negar.
Aí você: Vamos lá pra fora. Aí eu vou dizer: Tudo bem.
E depois la fora agente vai fazer uma ceninha de macho.
E ai vocês dois vem pra cima de mim. E então porque agente não economiza esse tempo e pega logo daqui?
Além do mais, qualquer coisa que você fizer na minha cara só vai melhorar. Entao vamos começar com isso, boneca.
- Oque que é isso, CJ? - É amigo seu?
Ah não, gente pega leve com ele.
Eu já volto.
Scott, cuidado.
Caramba CJ, sempre me colocando em posição difícil.
Olha se tá tudo bem, por que não esquecemos que tudo isso aconteceu?
Quer dizer, vocês parecem ser legais, mas...
esses caras depois de umas bebidas eu sei
eu sei... Eles são uns idiotas. Então vamos nessa né?
Vamos lá, vai, vai vai...
De novo, de novo, eu sinto muito.
Ele vai ficar bem.
- Cara, isso foi lindo. - Continuem andando.
Tão assim porque? Não fizeram nada a não ser quase se matarem,
não posso deixar vocês nem um pouquinho sozinhos?
- Desculpa papai. - Calma, tem alguém aí dentro.
- Há alguém? Alguém sem sexo ou alguém com sexo?
- Cala a boca. Agora espero que vocês se comportem e não sejam uns idiotas que sempre falam bobagens.
Esse alguém sem sexo dá pra dividir?
Pro carro.
Droga! Vai, vai, vai...
Adeus aí seu bando de otários. E adeus Wisconsin.
Gente isso foi lindo demais. Vocês viram só? Agente acabou com aquele bando de otários.
- Alguém sem sexo gosta de perfume? - Porque começou a briga desta vez?
- Porque você sempre pensa que sou eu, Scott? - Porque sempre é.
Eu to lá sentado no bar e olho pela janela e vejo o Saab se mexendo como uma baleia no mar.
- Agora me diz oque que fez o Saab se mexer tanto assim? - Olha, um cara da Yale não discute esses assuntos, tá.
- Vai, agente quer os detalhes. - Detalhes picantes Yale.
Ei, eu tenho os detalhes. Gente pela primeira vez na minha vida eu tenho os detalhes.
Ela me jogou contra a parede e enfiou a língua até a metade da minha garganta.
- Eu achei que eu ia vomitar mas aí eu resisti... - Muito adulto da sua parte.
Eu aí não precisei pedir nada, ela foi ajoelhando e aí...
ela começou a fazer coisas que eu só tinha visto na internet cara.
Essa vai ser uma noite clássica. Vocês não vão acreditar. É, uma noite daquelas.
A última aventura dos três mosqueteiros. - É... Dois e meio irmãozinho...
Olha eu não quer estragar esse clima de felicidade mas sinceramente eu quero agradecer
por me trazerem na peregrinação anual de vocês pela maravilhosa terra da identidade falsa.
Mas eu tenho que dizer CJ, você um dia desses... - Um dia desses oque?
Vai acabar metendo agente numa fria que nem o Scott vai conseguir tirar.
Isso nunca vai acontecer. Nem em um milhão, um zilhão de anos.
O Scott, Scottinho, o Scottão é o cara.
O cara com planos.
Não estou certo Scott? - Calma.
Eu to calmo, eu só to falando... - Então não fala tanto, tá bom?
Oque você está olhando tanto? - Tem um carro seguindo agente há 2 km.
E daí? - Ele continua vindo pra cima e se afastando, é estranho.
É um carro grande.
Vai ver é uma das minhas fãs lá do bar. - Droga.
Olha, relaxa. Não sabemos quem são eles.
Um Cadillac, El Dorado, 1957. Nossa cara que carro.
Eu adoro esse carro. Eu gosto mais dele do que de mim mesmo, sabia?
Esse carro é um dinossauro. - Que come Saabs no café da manhã.
Ahh é... ta se colocando contra mim agora.
Oque? - É por isso que você senta aí atrás.
Oque eles estão fazendo?
Eu acho que não são minhas fãs não. Por isso eu não sou o culpado.
Viciados bêbados.
Scoot eu acho que eu to apertado.
Você tá brincando? - Você sabe que eu nunca brinco com isso.
Cara, porque você não foi lá no bar? - Porque eu tava muito ocupado tentando ficar vivo.
Então aguenta aí por enquanto, eu quero colocar uma boa distância entre agente e aquele bar.
Cara eu já to aguentando há um tempão e em silêncio, sem reclamar.
- Antes fosse em silêncio. - Olha se vocês não encostarem agora
eu vou fazer aqui mesmo.
Vou deixar isso com a sua consciência agora. Se bobiar deixo na tapeçaria do carro.
Ah não... Nâo gente, por favor, agora não...
Gente eu quero parecer mãe de ninguém nem cortar nenhuma onda mas...
-Eu não consigo te ouvir. - Eu so to querendo dizer e podem me corrigir
se eu estiver errado mas é quase primavera não é?
Então eu acho que o gelo deve estar muito...
- Muito oque? - Fino, fino, é isso que eu quero dizer. O gelo deve estar fino.
- Isso é bom é? Rápido o bastante? - é... Rápido o bastante. Rápido demais pra mim.
Robby, você queria aliviar? Então alivia.
Então essa noite.
- É... eu acho que é isso. - Também acho.
Quer mesmo fazer isso? Só ter um caminho amanhã?
- Amanhã - E fazer oque? Subir e descer os grandes lagos por 3 anos?
- Me parece um pouco triste. - Não, nada de triste. Romântico.
É, eu vou ler muitos livros cara. Hemingway. Jack London.
Trocar mentiras com a galera. Escrever meu romance.
Tá, tudo bem, ou quem sabe eu vou ficar bêbado toda noite e morrer como o meu velho.
- Tá certo. - É... Isso me soa um pouco mais realista.
- E você veio de Yale até aqui só pra me dizer adeus? - Um tipo de adeus.
Mais pra comemorar o rito de passagem.
Olha, eu acho que agente devia... falar sobre isso.
- Sobre oque? - Você sabe.
- Oque ouve, oque aconteceu. - Que quer que eu diga?
Eu tenho que segurar um cartaz cara? Você sabe o que eu quero dizer.
Droga.
Eu falei Scott, eu falei que tava muito fino.
Que droga. Calma, não entra em pânico. Não entra em pânico, tá legal? Me escuta.
Me escuta: levanta bem devagar, de quatro
Continua vindo, tudo bem? Isso deve funcionar. - Deve?
Olhos de escoteiros.
- Tá, calma. - Vem cá, vem cá, me dá a mão.
Ai meu Deus, obrigado Scott, obrigado. Obrigado por salvar a minha vida. Você é o meu herói.
Ei, não dá uma de gay.
Tá lega, tudo bem, tá bom.
- Quantos quilômetros faltam? - Até Minnesota? Uns 100.
- Tá com pressa? - Mais ou menos.
Pra que?
O futuro. Yale. Crânios e gênios. - Eu também tenho preocupações com o futuro.
- Você está no colegial, ainda não tem futuro.
- Ele não tava falando sobre o futuro dele, tava falando sobre a virgindade.
- Eu não tava, CJ. Tá, eu tava.
A minha virgindade me persegue. - Mentira. Você usa sua virgindade
como uma coroa de espinhos. - Isso é uma das coisas que você sempre fala, e parece
que faz algum sentido, mas na verdade não faz.
Robby, olha, pára de falar sobre a sua virgindade. Sabe oque o vovô me disse uma vez? Ele disse:
As pessoas comparam o silêncio com inteligência. E falta do que falar com profundidade.
Ah bom. E sabe o que o meu avô costumava dizer? Diga para a sua avó
que eu só vou pra casa quando eu tirar o meu preservativo dessa ovelha.
O CJ não tem nem inteligência e nem profundidade.
Ah droga. Gente, a minha identidade. Ela é falsa. Droga, agente vai ser preso.
Não, não vamos Robby, enquanto não entrar em alguma confissão soluçante
E CJ, fica de boca fechada, estamos indo pra casa.
- Boa noite policial, há algum problema? - É claro que sim.
Saúde.
O problema é meu. A minha viatura congelou e me deixou na mão.
Se eu estivesse em Oshkosh eu teria voltado, mas não daqui.
- Não tem um rádio ou alguma coisa pra pedir ajuda? - Isso ajuda nessa cidade.
Que tal uma carona, qual é? Estou congelando aqui fora.
Ai, que noite. O vento parece que vira a sua cabeça.
Tem uma taverna a uns 5 km daqui, no KM 50
- Está frio, né? - Pode dizer isso de novo.
A noite mais fria do ano e a minha viatura congela e me deixa na mão.
Eu devo ser o único policial do universo que ainda dirige um Chevy 86.
- Charlie Harmon. - Robby... Robertson.
Então... Vocês são de Minnesota?
A placa. Bem vindos a Wisconsin.
- É um belo carro. Que tipo de carro é esse? - É um Saab 900 X.
Ele não é lindo?
- É... E o que traz vocês a um estado de geladeria? - Estamos na disputa do time do colegial.
- E só voltamos para as quartas de finais... - Regional do meio oeste.
E fim da disputa.
- Como se saíram? - Vencemos.
E na próxima semana, as semifinais.
Caramba, de onde é que veio isso? Eu não acredito que vocês beberam no carro.
Tudo bem, tudo bem. Parem com isso. Fim da disputa.
Olha vocês salvaram a minha pele essa noite e eu estou de folga, então relaxem, legal?
- E você entregou os seus amiguinhos, né seu danadinho? - É seu safado.
- Que belo irmão você é. - Então o que fizeram esta noite? Foram à estalagem?
- Ei, como é que você sabe? - Filho eu também fui menor de idade um dia.
Se eu tive sorte? Ah, é claro que tive.
Não pode pegar a sorte da estalagem se não for até lá e arriscar, não é?
- E hoje tecnicamente eu tive sorte. - É?
É, sabe, eu tava dançando com uma e ela tinha um sutiã de seda sabe? Que indicava pêndulo
É, e o sutiã era preto. Bom, todo mundo sabe o que isso significa.
- Casa direita. - Exatamente, é, foi o que eu pensei.
Mas aí... o sutiã dela não era perfeito mas eu tava disposto a fazer concessões.
E eu já tava quase lá quando o CJ entrou numa briga e todas as vias para o sexo foram interditadas.
- E porque foi a briga? - Nada, eu só tinha muitas coisas mal resolvidas.
- Você brigou também?? - Só quando fiquei com o CJ.
É, eu sou o lutador e o Scott o amante.
- O Scott não fala. - Ele ficou ocupado igualando o silêncio à inteligência.
É esperto.
Oque que é isso aí heim? Eu não via um desses desde...
Ou são esses docinhos ou é droga né Charlie. Você sabe como é que é...
Que cheiro é esse? Parece perfume.
Digam, rapazes, vocês não são tipo, Alegres, né?
Ahhh Charlie, tá zuando agente?
Tem alguma coisa na sua bela jaqueta de couro Scott. Parece batom.
Bem aqui.
Batom na sua gola...
... é história que contam.
É Catchup.
Uma jaqueta da Yale não pode ficar suja. Isso pesa demais na lenda dele.
O meu irmão? Ele é o melhor zagueiro da liga. Há dois anos já, em Yale.
- Parece ótimo. - É, e ele ja tem vários times no nome dele
e algumas marcas famosas...
Porque agente não encosta e forma um altar
coloca o Scott em cima e reza ao redor dele?
Qual é? Eu só to dizendo que é mais que uma jaqueta de couro... é... Ah, tudo bem, esquece.
Santo Reimond.
Tá, tudo bem. Olha oque eu tô dizendo é que o meu irmão ele nunca perde nada. Nada.
Chamamos isso de FIBRA.
Pega a direita ali na placa Scott.
- Eu acho que aqueles caras estão de volta. - Quem?
Com certeza são amigáveis.
Qual o problema com esses palhaços?
- São amigos de vocês? - Charlie, eles estão agindo como nossos amigos?
Você devia ter pisado no freio e ter dado uma lição nesses merdas.
- Bela linguagem filho. - A linguagem vem com a cara, é um pacote.
Claro. Isto veio da caçada.
- Você também teve boas discussões, heim meu amigo. - Eu nunca discuti e nem tenho assuntos pra acertar.
- Como conseguiu a surra? - Eu e meu irmão caçavamos veados
Mas não usávamos armas, arco e flecha. Tudo por esporte.
- Que bela diversão. - Eu acertei o tal veado, uma flecha, direto no coração.
Eu fui abrir a barriga mas o veado ainda estava vivo.
Ele balançou os chifres e o maldito me acertou bem aqui e depois morreu.
Eu sabia oque o velho amigo estava pensando. Olho por olho. É assim que são as coisas, né?
- E a sua? - Eu tinha um tio, o Jimmy...
Viagem sem volta. Um cara doido igual um zumbi.
Me levou para pescar truta a noite, dizia que era a melhor hora. Oque que eu ia dizer?
O imbecil aqui ficou sentado perto demais. O tio Jimmy arremessou e me enganchou.
Aí ele puxou e levou metade do meu rosto no anzol.
É... essa é a minha história e a do meu tio Jimmy. Eu chamo de: Era uma vez uma cicatriz...
O melhor de uma cicatriz é não tentar esconder.
Sabe, usar como distintivo. Dessa maneira até que fica bonito.
- As garotas adoram. Vai ver que é o seu caso. - Vou sentir sua falta caçador.
Só não sei dizer quando.
Oque eles estão fazendo?
Cara, é melhor você fazer alguma coisa, você é da polícia, né?
Ah cara, eu tô de folga e muito cansado pra lidar com palhaços como esses. Passa direto.
Bom, adeus Cadillac. Tenha uma boa vida.
Droga.
- Oque é que eles querem? - Oque acha que eles querem? Querem um racha.
- Vai dar oque eles querem? - Com você no carro? Quero manter a minha licensa.
Já disse, estou de folga. Se fosse eu chutava o traseiro deles. Faça o que quiser.
Anda, vai lá garoto.
- Droga. - Olha, sai fora.
Muito bom.
Quer que eu dirija?
- Mas porque que você está seguindo eles? - Eu não to seguindo, eu tô perdendo.
Droga, estão amassando o meu Saab.
Quem são esses caras?
Scott, pára o carro.
- Scott, agente tem que sair da pista. - O Robby tem razão dessa vez.
Cara, isso foi demais.
Olha só o meu carro, que droga.
Acho que agora é uma excelente hora para você reavaliar seus conceitos sobre coisas materiais.
- Eu tiro o chapéu pra você. É mesmo uma mãe atrás do volante.
- Olha o estado do meu carro.
Eu falei pra você não mexer com o Cadillac.
Desculpa.
Deus! Eu tentei ligar para o meu irmão. A rede caiu. Essa maldita tempestade.
- Você não tem aí um walkie talk, sei lá? - Hehehe, tá bom...
- Eu vou achar um telefone. Vou ligar pro meu pai. - Não, não vai não.
Tá, então liga você. Aposto que vai ouvir você, o senhor sabe tudo.
- Aí Robby, o papai não pode saber, vai ser a morte, você sabe.
- É, eu sei.
Deve ser duro ser o caçula... É invisível na luz do herói.
Óh, Charlie, fala como se nos conhecesse, você não sabe de nada.
Então chega dessa psicologia de interior, tá? Só vai piorar as coisas.
Teve que vir de Wisconsin pra pegar mulher? Não tem garotas em Yale?
Tem sim, mas são todas do tipo patricinhas.
E o meu amigo Scott, bom ele... gosta das mais experientes.
É assim que gosta Scott? Meio rodadas e sujas?
Charlie, oque isso te interessa?
A tempestade cortou a força. Todo mundo pra fora.
Mas oque que é isso?
Ah não, que droga é essa heim?
Bom, não é coisa de fã.
SEU PECADO ENCONTRARÁ VOCÊ
- Meu pecado? Que pecado? - Esse recado é pra quem? E o que isso quer dizer?
Quer dizer que isso aqui está ficando muito estranho e eu quero muito, muito ir pra casa.
Eu só estava pedindo carona na estrada, estou de folga, não vou fazer nenhum julgamento, mas...
o que foi que vocês aprontaram?
Isso não faz sentido.
Tá ficando mais escuro?
Tá, agora eu quero entender isso. Que pecado heim? E quem fez oque e quem escreveu isso?
- Os caras do Cadillac, só podem ser. - Tá, então quem fez oque? CJ...
Ah, bom... eu deixei a garota ainda de calcinha quando eu saí.
- Oque você fez? - Charlie, eu nunca faço nada.
Eu só disse uma coisa e a garota ficou toda enfezada. Olha, as garotas de Wisconsin são sensíveis.
Eu tava tentando transar com aquela mulher. Nos fundos do bar.
Agora eu sei lá, vai ver que ela tinha um namorado e eu não sabia de nada.
Ciúmes... isso mata.
Ai meu Deus! Isso é ótimo! venho pra Wisconsin pra pegar mulher e agora tem alguém querendo me matar.
Olha, dá um tempo Robby. Não é o namorado de ninguém, é só alguém à toa.
Sabe que é só jogo psicológico, então relaxa, tá? Vou te levar pra casa.
Ahh Scott, quer ser meu irmão mais velho também?
- Onde estamos? - Na interseção entre à esquerda. Mais 2 km e eu desço.
Alguém tem um pedaço de pão?
Oque que é isso?
Charlie, tão deixando aquela estrada livre. Sabe onde é que vai dar?
Claro, bem no meio do nada.
Scott, eu estou de folga e tenho uma esposa me esperando, vamos.
- Eu acho que eles querem que agente vá para algum lugar. - Scott, só nos foi dada uma opção.
Eu acho melhor pegar oque foi dado.
- Charlie, você é policial, oque você faria? - Escutaria o CJ.
Pegue aquela estrada e vamos pra casa.
- Charlie, posso te fazer uma pergunta? - Manda.
Porque eu iria pra onde eles querem que eu vá?
- Ele ficou pra trás. Scott, você é o cara. - É isso aí, eu sou o cara.
Eu não falei? Oque é que eu disse? É o meu irmão cara, ele nunca perde.
Vai Scott, mais rápido, vai...
Droga.
Oque que eles querem?
Muito bem, agora que colocamos nossos medos pra fora, encoste eu vou por um fim nisso.
Devagar Scott.
Vai devagar, pára.
Vai, pára.
Agora chega!
- Eles são uns doentes. - Tentaram matar agente.
Que droga Scott, tentaram matar agente.
Eu tô bem, tá?
- Porque que isso tá acontecendo com agente? - Eu não sei porque isso tá acontecendo.
Eu só queria uma carona pra casa.
- Eles querem matar agente. - Não querem matar agente Robby.
Querem ele.
Aí charlie, porque insistiu pra entrar no pega com os caras do Cadillac?
E porque não mostrou seu distintivo quando estava sentado ai atrás? Você queria fugir deles.
- Você tá louco Scott? Oque que é isso heim? - Olha, antes dagente pegar o Charlie...
Ninguém tava tentando tirar agente da estrada, ninguém tava arranhando esse assombrado e bíblico lixo de pára-brisas
Depois que pegamos o Charlie, deu tudo errado.
Eles querem você. Pelos seus pecados. Não é isso Charlie?
É, a mensagem no pára brisa. Eu não sou ninguém pra julgar caçador, mas...
- ... mas oque você fez? - Aí, seja o que for
Não vai arrastar agente com você.
- Não, vão voltar pra Yale. - É isso aí Charlie.
E você vai ficar. Vai galera, vamos nessa.
Você vai fazer uma coisa dessas? Agente não pode deixar ele aqui com o Cadillac e com esse frio.
- Ele é um policial Scott. Um policial. - Ele é encrenca Robby.
Ele é um mau policial. E seja lá o que for que tenha feito com esses caras, isso é entre ele e eles. Não é comigo.
- Agente tem que levar ele, são só mais 2 km. - Isso não é uma democracia.
- Ele fica. - Meus amigos isto é uma coisa que vão ter que conviver.
Todos temos noites onde somos revelados. Esta é a de vocês.
Tá certo.
Se eu quisesse eu poderia ter sacado a minha arma e tomado o seu carro e estaria na estrada num segundo.
Vai, entra no carro.
- Entra no carro, Robby. - Anda Robby.
Vai, vai, pode ir.
- Meu Deus, atiraram nele. - Mataram um policial.
- Agente devia ter deixado ele entrar. - Eu sei. Só temos que continuar até chegarmos em casa.
Chegar em casa não vai adiantar Scott. Oque é que agente faz?
Olha, me escuta. Oque fizemos agora tá feito. E vamos ter que conviver com isso.
- Eu não vou conviver com isso muito bem. - Robby era ele ou nós.
- Tá certo. - Agora eles tem o que queriam. E nós acabamos
com os caras do Cadillac. Acabou.
Não vamos dizer uma palavra sobre isso, não vamos falar sobre isso, tá legal? Quer dizer, acabou.
Isso não acabou Scott. Agente tem que ligar pra polícia. Ele era um tira. Agente deixou isso acontecer.
Robby, você acha mesmo que esses caras vão pra polícia?
Não! A polícia nunca vai saber nada sobre agente, tá?
Eu não sei quem aquele cara era ou porque esses caras queriam ele morto.
Mas eu vou voltar pra Yale. E se o CJ espera tomar meu tanque amanhã eu vou levar meu irmãozinho pra casa.
E nunca vamos contar uma palavra sobre isso a ninguém.
Vou te levar pra casa, Robby.
Se tem alguém no carro que acha que a tempestade fez isso levante a mão.
Onde eles estão?
Droga.
- Não podemos voltar. Não podemos ir pra frente. - Podemos pegar aquela estrada que por acaso está livre.
- Eles estão levando agente pro meio do nada. - Eu quero ficar vivo.
- Scott, isso é pra ficar romântico? - Sei oque estou fazendo.
Vamos esperar eles saírem.
Vai, desliga o motor. Eles podem ver a fumaça.
Vai, continuem em frente crianças, continuem em frente.
- Oque mais eles querem? Já pegaram o Charlie. - Testemunhas.
- Nós somos testemunhas. - Eu não pedi pra ser testemunha.
Ninguém pede.
- Eu queria saber o que o Charlie fez. - Seja o que for, espero que tenha valido a pena.
- Onde eles estão? - Agente tá completamente perdido.
Usa o mapa que tá no porta-luvas.
Não, não não, pára, eles vão ver a luz. Eu tenho uma lanterna fluorescente aqui.
Deixa eu ver.
Gente a questão é que os mapas só ajudam quando você tem uma vaga idéia de onde está. E agente não tem a menor idéia.
Tá bom, eu vou fazer um mapa verbal. Encontre aquela árvore assustadora onde nós passamos umas três vezes
e depois viramos à esquerda naquele trator enferrujado...
e depois à direita naquela cabana onde tinha certeza que alguém tinha sido assassinado.
Olha, dá pra calar a boca? Quero tirar agente daqui. Cadê a divisa de Minnesota?
Nunca vamos sair daqui.
Eu não to sentindo os meus pés.
E nem to sentindo as minhas mãos.
É sério, eu juro que não quero morrer aqui. Eu não quero morrer, muito menos nesse lugar.
Robby Será que dá pra parar com isso?
Eu tinha esperança que na hora da minha formatura, ia ter uma garota.
Eu até consigo ver o rosto dela. E ela ia me amar sem eu ter que dizer uma palvra.
E a risada dela ia ecoar pelo hall até a festa.
Eu soube que as pessoas podem ter essas coisas no momento em que a vida dela vai mudar para sempre.
Eu queria ter um desses momentos, aí eu não teria que ser...
- ... tão eu. - Ninguém quer ser quem é, CJ.
Tem essa droga dentro da gente que não quer que agente seja, mas somos.
E não tem nada que agente possa fazer e eu acho que não dá pra gente mudar isso.
- Isso é o melhor que podemos esperar? - É, perdão.
Bom, isso não vem tão fácil.
Sabe oque é estranho? Da última vez que agente viu o Cadillac eu acho que eu vi uma garota no banco de trás.
- Sério? - É, mas eu não tava bom, eu não consegui ver.
O certo é bem Robby, não ter visto o rosto dela, tão bom? Eu odeio quando
as pessoas fazem isso: usam o bem no lugar do bom.
Igual quando os professores perguntam: Alguma pergunta? O certo é: Alguém tem alguma pergunta? Cara, eu odiava isso.
Olha, eu tava pensando sobre a mensagem, no pára brisa, e o Charlie.
- E porque depois de terem matado ele tão vindo atrás de nós? - O CJ tava certo, porque somos testemunhas.
Tá, eu sei. Mas porque não sabemos deles ainda? Eles poderiam ter aparecido quando estávamos parados na árvore.
Parece que estão levando agente pra algum lugar.
Porque? Pra onde? Talvez eles estejam atrás de nós por que mataram o cara errado.
- Robby, você não tá muito bem. - Aquela mensagem, sobre os pecados.
Ela podia não ser pelos pecados do Charlie e sim pra nós.
Pra um de nós.
Ah é isso aí. É culpa do CJ. O Judas Escariotes.
Eu chamei dois caras no bar de bonecas. E eles matam por isso?
- Ah, eu acho que não, o que nos traz de volta a você Robert. - Eu?
É, quem sabe enquanto a sua amiguinha tava lá no fundo fazendo
sei lá o que com você, o pai dela não tava preparando sua castração?
Então porque não fizeram isso? Sabe, eu acho... Não, eu acho que é uma coisa maior que isso.
E Scott, meu amigão, que está insuportavelmente quieto aí.
Como estavam as coisas no estacionamento com alguém sem sexo?
- Não se preocupa com isso, tá? - Na verdade eu to começando a me preocupar.
CJ, não joga pra cima de mim. Quando a coisa fede é sempre você que tá no meio, tá?
- Ahh é, e você é tão inocente, né Sr. Crânios e Genios? - CJ, tá começando a encher a minha paciencia, tá?
Ahh eu sei, deve ser tão tedioso...
preso nesse carro, sentado aqui a noite toda, olhando pra essa cara. E a mesma cara de sempre.
Dá um tempo CJ, dá um tempo.
- Mas o que foi que deu nele? - Excesso de pressão.
- Posso te fazer uma pergunta? - Não.
- Como conseguiu essa cicatriz? - As vozes que dizem: sai do banco de trás
pediu pra esquecer as tristezas.
Eu não acredito que você esquece essas coisas.
Como eu te disse: é só ser mais um.
Scott, cadê voce?
- Oque foi? - Ali, tem alguma coisa morta ali embaixo.
- É o Charlie? - Não, cara não pode ser ele,
eles estavam a quilômetros atrás dagente.
Mas e se for? Agente dirigiu em círculos esse tempo todo.
- Só tem um jeito de descobrir. - Eu não to a fim de descobrir mais nada hoje.
É um animal.
É uma vaca. Uma vaca congelada.
Um sorvete de vaca.
- Você acha que isso pesa quanto? - Pesa? Muito, porque?
Vai, puxa.
Cara, se tivesse me dito essa tarde quando eu tava assistindo
Os Seguidores de Hitlher que eu ia fazer uma coisa dessas hoje
eu iria te perguntar: onde arranjou esses cogumelos tem mais algum pra mim?
E aí, vamos nessa.
- Vai. - Puxa.
Isso é coisa de gênio. Enterramos a vaca aqui no monte.
depois trazemos aqueles desgraçados aqui pra ela.
Uma tonelada de carne congelada. E aí, vamos direto pra casa.
- Sabe eu acho que deveriam ter escrito os meus 10 pecados. - Não, não precisa dividir com agente.
Uma vez eu tava me masturbando no vestiário masculino depois da aula de natação.
- Ah, qual é? - E quando ví, eu tava imagindo a Kim Ward.
- Mas acho que os caras do Cadillac não devem saber disso. - Não, mas se pegarem agente, eu vou contar tudo.
Transei com a professora Collier.
- A professora de Inglês? - É, ano do calouro.
Detalhes.
Uma noite ela me pediu pra ficar depois da aula. Eu não tinha entendido as frases no gerúndio.
Então eu fiquei olhando ela cruzar e descruzar as pernas...
enquanto me explicava o negócio.
- Aí, ela começou a chorar. - Chorar? Bem alí na escola?
Falou que a vida dela era infeliz, que o marido era um idiota.
E a única maneira que encontrei de consolá-la foi beijando ela.
Aí, bom o resto vocês já sabem. Ela tava em cima de mim no chão. Eu olhando pro teto enquanto ela fazia tudo.
E o que eu fiz foi ficar apaixonado por ela.
- Ah pára, você nunca me contou isso. - Eu não te conto tudo Scott.
Tudo bem, vamos pegá-los.
Sinal de fumaça Scott
É... Como se soletra: Venham pegar agente seus assassinos desgraçados?
Estou com um mal pressentimento.
Nós podemos ir para casa agora?
Igual a um cachorrinho.
- Tá legal, vai. - Não, espera. Vamos esperar mais.
- Vai cara, agora. - Ainda não.
Agora.
Droga. Vai, empurra.
Vai, vai, vai, vai...
- Empurra. - Eu tô empurrando.
Vai, entra, entra, entra. Vamos embora.
Ai que droga.
- Ai não. - Oque foi?
- Qual? - Qual oque?
- Qual é o certo? Qual é a vaca? Parece tudo igual. - É só contar cara.
- Olha, não dá pra contar. - Aquela alí.
- Tem certeza? - Não. Sim. Não.
Ele caiu. Deu certo.
Ahhh o jogo acabou cara.
O jogo acabou desgraçado.
Vem Robby, vamos embora.
Anda logo Robby.
Eu te disse Robby: Eu vou te levar pra casa. Minnesota, aqui vamos nós.
Oque foi?
- Tinha uma garota no banco de trás. - Não tinha garota.
- Tinha, eu ví. - E ela tá lá embaixo. Na neve.
Ela só pegou uma carona, eu aposto.
E agora tá morta, junto com os outros. Uma garota cara, uma garota... Cometemos um pecado.
Que pecado? Ela tava andando com aqueles idiotas.
Ela devia ser uma assassina igual a todos eles.
Meu Deus, Robby, você acha que todas as garotas são inocentes só porque são garotas?
Essa noite tá muito confusa, muito confusa.
Droga.
- Eu não acredito. - Oque aconteceu agora?
O carro esquentou.
Que merda.
E agora agente faz oque?
- Vamos pôr gelo no radiador. - Robert, você é maravilhoso.
Das profundezas do desespero surge um gênio. Uma fênix das cinzas.
Olha, você rapaz, conseguiu seu status.
Agora você é um homem meu filho.
Vamos embora.
- Não era pra isso acontecer. Era? - Banco de trás chamando.
Olha, encosta, tá legal?
- Encosta. - Eu tô cheio de encostar.
- Mas você tem que encostar. - Olha, é meu carro. Eu sei o que ele pode fazer.
Não vou encostar, vamos pra casa. Eu não tô a fim de encostar.
- Você vai fundir o motor. - Eu não vou encostar Robby.
- Se fundir o motor o Saab morre. - E nós também.
- Onde você vai com essa linha de pensamento Robby? - Eu sei exatamente pra onde eu vou.
- Encosta. - Pára de dizer o que eu devo fazer.
- Quem você é? O Saab-carro? - É, pode apostar que eu sou.
- Não é mais. - Quer fazer alguma coisa a respeito?
- Será que gostaria? Vai ver ele gostaria de chutar seu traseiro. - Eu não.
- Porque não? - Bom, porque eu acho que você quer chutar o traseiro dele.
- É, pergunta seu irmão porque eu quero chutar o traseiro dele. - Scott, porque o CJ quer chutar o seu traseiro?
- Como é que você acha que eu vou saber? - Ahh você sabe. Você sabe muito bem.
Droga.
- Que lindo "Eu conheço meu carro, sei oque ele pode fazer". - Olha, já tô de saco cheio de você.
E de você, do seu ódio, do seu pai fracassado da sua mãe falida e do seu futuro sem perspectiva, vai se ferrar.
Ah, vai se ferrar você cara, e vai se ferrar a grana do seu pai também
e os martinis da sua mãe, e o seu futuro promissor e vai se ferrar você.
Vai você.
Pára.
Eu falei pra parar.
Pára gente. Pára não faz isso.
Vai se ferrar Scott. Eu odeio você.
Você tem razão. As coisas não mudam.
Olha, desculpa pelo que eu disse.
Desculpa?
Cara, eu to pedindo desculpa.
- Não vai dizer nada? Diz alguma coisa. - Não fala comigo.
De agora em diante se quiser falar alguma coisa fala com o CJ.
Ei, olha lá, olha!!!
É isso aí, vamos lá pessoal.
Grande, Robby.
Agora eu quero saber.
- Como eu consegui essa cicatriz. - Essa não é uma boa hora.
Você ainda não entendeu Scott? Vc não fala comigo. Como conseguiu a cicatriz?
Como eu consegui a cicatriz? Bom, tinha um tigre de bengala que escapou do zoológico...
- Cala a boca. Fala a verdade. - Não estamos falando sobre isso, Robby.
Ah e quem é você agora? É o quissar das conversas? Eu não vou mais calar a boca.
Eu sempre faço o que você manda Scott. "Robby cala a boca. Robby senta no banco de trás."
"Robby desaparece da inteligência do meu posto de irmão mais velho. Robby pára de existir".
Ferrou. Agora ferrou de vez.
- Porque? - Eu tô sem balinha.
Preciso de açúcar. E aí, tem algum dinheiro?
Tenho na jaqueta.
Não vai me roubar.
Ahh droga. Vem, vem, vem...
Era o CJ que eles queriam o tempo todo.
Vai... Vai logo.
Pára, o carro vai explodir.
Pára o carro. Scott, pelo amor de Deus, me escuta só uma vez, pára o carro.
Pára o carro.
Que droga.
Vai Scott, sai do carro.
Anda Scott, rápido.
Vamos.
Meu Deus, eles mataram ele. Meu Deus mataram o CJ. Droga.
Um cervo. Mataram um cervo.
- Oque fizeram com você? - Scott, Robby, vocês tem que sair daqui.
Não sem você.
- Venham. Venham. Venham. - Nós estamos aqui.
Oque estão esperando?
Venham.
Eu não disse que uma noite como essa pode virar a sua cabeça? Virar a sua vida?
Mudar um homem. Como um de vocês me mudou.
Esse é o meu irmão, Luther.
- Olha o que você fez com o CJ. - Não quer saber porque?
- Isso não tem porque Charlie, nem daria a mínima se tivesse. - Está chegando muito perto.
Hoje eu fui procurar a minha mulher. E a encontrei na estalagem
Onde eu imaginei que estaria atracada com outro cara.
Mas não era um outro cara, era um garoto.
Jeanine.
- Charlie eu tenho uma coisa pra contar. - Não tem.
Então eu encontrei a minha rainha colocando a calcinha no banco de trás do Saab.
Um Saab bordeau.
Então antes de eu matar alguém, eu quis ter certeza...
Qual de vocês daquele carro pegou a minha mulher?
Tirou a minha vida.
Ela não deu nome, abençoada seja.
Então quando entrei no carro de vocês eu só queria observar.
E Robby, quando eu senti o cheiro da minha mulher na jaqueta do seu irmão...
bom, o jogo acabou.
Esta noite teria sido um sonho tranformado em realidade
se eu tivesse pego o velho Don Ruan aqui sozinho.
Eu também pensei em fazer isso, mas então o cara de zíper vai e coloca a jaqueta errada, na hora errada.
Então tivemos que usá-lo como isca.
Como pegar um peixe no gelo. E lá nós pegamos dois caras sem pênis de Minnesota.
Pequeno demais pra manter. Entende o que eu digo? Entendem o que eu digo?
Oque foi que eu fiz pra vocês?
Você pega a minha mulher, a minha vida.
Você tirou a minha vida. Agora tiro a sua.
Olho por olho.
Dente por dente.
- Charlie, pára. Pára com isso. - Cala a boca.
Ou oque? Oque vai fazer comigo que você ainda não fez?
- Volte para o carro. - Porque? Oque vai fazer? Vai jogar a culpa em mim de novo?
- Vai me matar depois de matá-lo? - Talvez.
- Bom, você não é o valentão? - Entra no maldito carro.
Morra.
Vem, vem.
Vai ficar tudo bem CJ, calma, vem.
Devia ter feito isso na nossa lua de mel.
Vamos.
Vai, vamos embora.
Corre. Vem. Vem.
Corre, não pára.
Corre, vai, vai, vai...
Não, Scott, volta aqui.
Oh meu Deus.
Meu Deus!
Scott, cuidado!
Segure-se.
Vamos, vamos...
Vai, corre.
E assim terminou a vida.
Droga, eu não posso mais.
Ai meu Deus, que dor.
Eu vou fazer um torniquete. Aguenta aí, eu já volto.
- Você está legal? Você está bem? - Sim.
Aperta bem.
- Aí não dá. - Desculpa.
Estávamos na 8ª série.
E agente tava... tava lutando.
Eu tava, perdendo...
pro tampinha do Crocket James.
Cara, eu fiquei louco. E comecei a girar
- Segurando o rastelo do jardim da sua mãe. - Aconteceu muito rápido.
Eu só girei na cara dele.
- O talho foi muito profundo. - Eu fui pro hospital.
O sangue não parava de escorrer. Eu não conseguia ver nada.
O gramado do meu pai. Uma perfeita grama japonesa.
- Eu gosto dessa parte. - É, eu também.
- Eu disse pra todo mundo que foi um acidente. - Que agente tava andando de bicicleta.
- Mas não foi um acidente. - Ahh, não foi não.
É isso que eu sou Robby.
Mas ninguém é alguém pra sempre cara.
Vem pessoal. Vamos pra casa.
BEM VINDOS A MINNESOTA!
Olá, Minnesota. Boa noite Wisconsin.
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