All language subtitles for Bones S03E15 2007 Disney+ WEB-DL 1080p H264 DDP-HDCTV_track6_[por]

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Original subtitles

Booth, vais ficar bem.

Vais ficar bem. Vá lá, Booth.

Vá lá, Booth. Não.

A composição isotópica do carbono no colagénio mostra um valor de 16%.

Valida a teoria de que o falecido nasceu na Provença.

-No séc. XVI. -Está na hora.

As articulações metacarpofalângicas indicam destreza. Talvez fosse músico.

Chega. Vamos embora. Agora.

Talvez tivesse família.

Tem 500 anos. Já são águas passadas.

Eu não vou. Deixei isso muito claro.

É o funeral do Booth. Perder uma pessoa amada...

Um colega, Sweets. Perdi um parceiro.

Alguém que lhe era próximo. O funeral vai ajudá-la a aceitar a morte dele.

Os aborígenes Arunta queimam a aldeia em sinal de luto e mudam-se para uma nova.

É tão louco como fazer uma reunião à volta de uma vala.

-A agressividade não... -Com licença.

Desculpe? Quem é o psicólogo profissional?

Eu sei que tens a tua forma de ver as coisas e respeito isso.

Mas tenho de te pedir um favor.

Tenho de ir ao funeral.

Não consigo fazer isto sozinha.

Passei dias inteiros a chorar.

Preciso do teu apoio.

Preciso da minha melhor amiga.

Conhecia o Booth. Era um homem bom, por quem tinha respeito e afeição.

E eu não gosto de muita gente.

O Booth era um homem do dever. Primeiro no exército, depois no FBI.

Há duas semanas, fez o supremo sacrifício. Deu a vida pela sua parceira.

E nesse ato corajoso, mostrou-nos a grandeza de que todos somos capazes.

A bala era-me destinada. Devia ter-me atingido a mim.

Eu sei.

Que Deus tenha misericórdia de Seeley Booth

quando entrar no Reino dos Céus.

Se Deus fosse misericordioso, não salvava o Booth?

Preparar.

Armas.

Apontar!

Com licença.

O que é isto?

Parece que estão a lutar.

Ossos. Belo golpe.

O que foi?

O FBI fingiu a minha morte para eu poder apanhar aquele tipo.

-Não me interessa. -Era uma armadilha.

Ele disse-me que só nos voltaríamos a ver no meu funeral...

-Não me interessa. -Quem é?

O que não percebes em "segurança nacional"?

"Segurança nacional" significa antes "fazemos o que nos apetece".

Não devia ter ido. Foi uma perda de tempo.

-O meu funeral foi uma perda de tempo? -Eu achei bonito.

-Esperava mais gente. -Um monte de ex-namoradas chorosas.

-Eu também. -Vocês são patéticos.

Não vou ao teu próximo funeral.

Pensei que sabias que não estava morto, não te via chorar.

E quem lhe deveria ter dito?

Eu dei uma lista ao FBI. A culpa não é minha, se não te avisaram.

A Dra. Brennan está perturbada porque teve de lidar com emoções que prefere negar.

Ao bater no Booth revelou os seus sentimentos por ele. Foi um ato passional.

-Ouviste? Paixão? -Ou a raiva de ter sido manipulada.

-Dra. Brennan? -Esquece.

Deixaram este pacote para si.

É uma mandíbula.

-Olhem para isto. -Dois parafusos de prata.

-Parafusos de prata... -Do esqueleto de prata?

-Do... -Gormogon?

São meras suposições.

-Marcas de dentes. -Alguém lhe deu umas dentadas.

Canibalismo?

-Canibalismo não implica forçosamente... -Tem de ser o Gormogon.

Meu Deus! Quem terá comido desta vez?

É a quinta vítima conhecida dos assassínios do Gormogon.

Todos envolvem canibalismo.

-Tem aprendizes? -Tem.

Ajudam-no a cometer os homicídios, livrar-se do corpo e destruir as provas.

Ao que parece, tem por missão construir um esqueleto com os ossos das vítimas.

Já vi o suficiente.

-Estou a pensar. -No quê?

O laboratório é o local do crime, mas temos de fazer a nossa investigação.

Não se pode servir a dois senhores.

-Servir a dois senhores? -É o gato de Schrödinger.

Isso eu percebo. Os dois senhores não me dizem nada.

-Estás paralisado pelo paradoxo? -Do que precisas primeiro?

-Da identidade. -Vamos a isto.

Calma, não podem... Está bem, pronto.

Os alvéolos podem conter tecido, ou seja, ADN.

-Há marcas neste osso. -Parece ter sido fervido.

Talvez consiga identificar os minerais existentes na água utilizada.

Muito bem. Dou-vos autorização para fazerem o que costumam fazer.

Eu...

Liguem-me.

Vamos.

-Tenho de falar contigo. -O quê?

Estou em minha casa, na casa de banho, na minha banheira.

-Como é que entraste? -O falso rock não engana ninguém.

Porque é que tens um capacete cheio de cervejas?

Banho quente e cerveja fresca equivale a cerveja tépida. O capacete é a solução.

O charuto não é saudável.

O que queres? Não me sinto muito relaxado.

-Devias ter-me dito que não morreras. -Eu expliquei-te.

O FBI tinha de te ter avisado. Eu segui apenas o protocolo.

-Protocolo? -Sim.

Nestes três anos vi-te quebrar o protocolo muitas vezes e pôr a minha vida em perigo.

E faz sentido, porque te estás nas tintas para mim.

-Levei com uma bala por ti. -Uma vez. E basta.

Queres uma toalha?

Muito bem.

-O que querias que fizesse? -Podias ter-me ligado.

Achas que merecia ser tratada assim?

-Não confias em mim? -Claro que confio.

-Então, porque não me disseram? -Não sei.

Não tens curiosidade de saber porque não te disseram?

Sim. Queres que descubra porque não te disseram?

-Se for importante para ti. -Está bem, eu descubro.

Da próxima vez que morrer, prometo que te digo.

-Fico à espera. -Está bem.

O que estás a ler?

Um romance.

É um romance gráfico.

Devo dizer-te que a tua falta de pudor puritano é uma surpresa agradável.

As marcas indicam que os ossos foram mordidos.

-Mas não com dentes. -As marcas foram feitas por dentadura.

Um canibal desdentado não se safa no mundo dos assassinos em série de hoje.

-Foi mesmo uma dentadura? -O Zack achou polimetacrilato de metilo,

monómero e tetrafluoreto de silício na mandíbula.

Suponho que sejam os componentes das dentaduras.

Mas não as de dentista.

O principal é polimetacrilato de metilo.

-Esta foi feita em casa. -Tenho os resultados do teste de ADN.

-É o lobista? -Sim, a última vítima do Gormogon.

Estava à espera que aparecesse um pedaço dele.

-Que barulho é esse? -Estou em minha casa, está bem?

Se entras em minha casa, não tenho de justificar os barulhos que ouves.

Dra. Saroyan, se conseguíssemos reconstituir a dentadura...

Poderíamos descobrir muita coisa sobre o Gormogon.

Se querem fazer umas das vossas experiências, digam.

Queremos fazer uma das nossas experiências.

Vão lá fazer dentaduras de plástico para canibais.

-Devia pôr a mandíbula no esqueleto. -Porquê?

É uma forma de manter contacto com ele. Por isso vos deu os parafusos.

Damos-lhe uma coisa e ele retribui.

Viram-me na televisão? Ninguém falou disso.

Como é que saberia que pusemos a mandíbula?

Ele tem os seus métodos, mais uma razão para o fazer.

Continuam a não referir o meu aparecimento na televisão.

Pelo que sabemos, o Gormogon está morto.

-Quer chamar a atenção. -Ela entrou em minha casa...

-A chave estava na porta. -...chateada porque não foi avisada.

-Cumpri o protocolo. -Entrou em sua casa?

-A chave estava na porta. -Na casa de banho.

-O que estava a fazer? -Estava a ler uma banda desenhada.

-Estava a tomar banho. -Lê banda desenhada nu?

Espere! A Ossos entra-me na casa de banho e eu sou estranho porque estou nu?

Este termoplástico funde a 980 ºC.

Seria melhor fazer uma pasta de monómero e polimetacrilato de metilo.

Seriam necessários cossolventes

para permitir a copolimerização sem separação de fases.

O ponto de fusão do monómero é inferior ao do polimetacrilato de metilo.

E deixou-se ficar ali nu?

É a minha casa de banho. Vai vestido para a banheira?

-Estás pronto para o monómero? -Acho que sim.

-A matriz está na mesa. -Passa-ma tu. Eu misturo o monómero.

Não, eu misturo. Passa-me o monómero e depois a matriz.

Desde quando me tornei o assistente?

Desde que me tornei o rei do laboratório.

-Hodgins... -Estou bem.

-Meu Deus! -Meu Deus!

Zack? Os médicos vêm a caminho. Vou buscar o kit para queimaduras.

-Ele está bem? -Está em estado de choque. Vê as mãos.

CUIDADOS INTENSIVOS SILÊNCIO

-O Hodgins está bem? -Sim. Tem uns pequenos cortes.

Tratam de ti e ficas como novo.

É impossível. Os danos são...

-Terás os melhores médicos. -A cartilagem foi destruída.

E o trapezoide e uncinado da mão esquerda...

-E que tal um bocadinho de otimismo? -Ainda posso ser útil.

Intelectualmente sou excecional. Com umas próteses...

Olá.

-Como estás, Zack? -Gravemente ferido. E tu?

Estou bem.

Se precisares de alguma coisa, Zack, diz.

-Sabes o que aconteceu? -Juntei três gramas de monómero.

Não faz sentido. Não havia amido ou carbonilo no monómero.

-Não. Só fenil eteno. -E o polimetacrilato de metilo...

-Ele tem queimaduras de terceiro grau. -Os médicos dizem que tens de descansar.

Tem razão. Vamos descobrir o que aconteceu.

Um de nós estará sempre contigo.

-Não é preciso. -É, sim.

Porque gostamos muito de ti.

-Eu faço o primeiro turno. -Eu faço uma lista dos turnos.

Farei tudo o que puder para que não percas o emprego. Isto resolve-se.

Obrigado, Dra. Brennan.

O monómero simples não explode assim.

Não é o FBI que vai analisar os resíduos da explosão?

Não tenho confiança absoluta no FBI.

-Não confia no Agente Madison? -Estou só a fazer os meus testes.

É bom, com certeza. Mas eu sou independente.

Suspeita de uma conspiração no FBI?

Está a insinuar alguma coisa, cavalheiro?

Não. Porque haveria uma conspiração neste caso?

É uma pergunta perfeitamente normal.

Figuras públicas importantes foram mortas e comidas.

É a prova de que as sociedades secretas estão sob mira.

Estas sociedades têm grande influência em instituições como o FBI.

Não acha que há nisso algum exagero?

Falou do caso na televisão porque sabe como é importante.

E quer a sua parte nisto.

Sou investigador. Estudo o caso, como o Hodgins.

Pois.

-Devia ter adivinhado. -O quê?

Quer que lhe dê a resposta?

É peróxido de acetona tricíclico.

Nada mau.

Fez reação com o termoplástico e explodiu.

Os frascos foram trocados.

O Zack pensou que estava a juntar um monómero feito por ele,

mas, na realidade, era matéria volátil e explosiva.

Cancele as minhas consultas. Não tem de dar explicações.

-O que foi? -Uma palavra.

-Estou a falar. -Desligue.

Falamos depois.

-Tem mão forte. -Posso apertar com mais força. Diga-lhe.

-O quê? -Diga-lhe.

Eu digo-lhe. Eu enviei a minha lista ao FBI, que a enviou ao Sweets.

O Sweets decidiu não dizer à Dra. Brennan que eu estava vivo.

Era nele que devias ter batido. Bate-lhe agora.

-Decidiu não me contar? -Tecnicamente.

-Tecnicamente? -Li a lista com atenção e decidi,

conhecendo a Dra. Brennan, que ela saberia lidar com a sua morte.

-Dá-lhe. -Uma questão de segurança.

Quanto menos pessoas soubessem, mais seguro ele estaria.

-Foi uma boa decisão. -Fabuloso.

-Achas que sim? -Acho.

Sabia que eu podia lidar com a situação.

-Espera. E estás chateada comigo? -Devias ter-me dito pessoalmente.

Ignorando as regras de segurança e infringindo a lei?

Sim. Sabes que podes confiar em mim.

-Mas o Sweets... -Tomou uma decisão profissional.

Sabia que eu podia suportar a tua morte.

-Tem de haver mais qualquer coisa. -O quê?

Transferência, paranoia. Vê segundos sentidos num pedaço de tarte.

-Não gosto de tarte. -Tarte de maçã.

Não gosto de fruta cozinhada.

Muda de assunto para esconder os seus sentimentos.

Está a atacar os meus sentimentos?

-Venham ver uma coisa na caixa-forte. -Bate-lhe.

É interessante que o Agente Booth lhe ofereça tarte continuamente.

Pode interpretar-se como um ritual de sedução.

Seja qual for o tema da vossa conversa, parem.

Acha que não sei o que é uma experiência? Está a usar-nos.

-O quê? -Não me disse que o Booth estava vivo.

Queria estudar as nossas reações.

Pode observar-nos, mas não usar-nos como cobaias. Pare com isso.

Porque está a falar tão depressa?

Se o Booth ouvisse isto, batia-lhe.

-Não acha que seria agressivo? -Não. Não repita.

-Vamos, Ossos. Onde estão? -Já vamos.

A segurança tinha fechado esta área. E o cofre estava trancado.

-O esqueleto. -Para onde foi?

Vim ver se os parafusos encaixavam e o esqueleto tinha desaparecido.

Mas há câmaras de vigilância.

-Não estavam a funcionar. -Todas?

Quando a explosão fez disparar o alarme, as câmaras falharam.

-A porta de carga estava aberta. -Alguém roubou o esqueleto.

-Dez minutos antes da explosão... -Tudo funcionava.

Depois, o Hodgins passou ao Zack o frasco de peróxido de acetona tricíclico.

-Pensava que era o monómero. -A explosão foi às 12:03 e 22 segundos.

-Às 12:03:22... -Não há sistemas de apoio?

-Foram todos abaixo. -E guardas?

Um acidente com químicos tem precedência absoluta.

Os guardas dirigiram-se ao laboratório e ao museu.

Durante esse tempo, a caixa-forte não foi vigiada.

Sim. Até o sistema de segurança ser acionado de novo, às 12:18:41.

A explosão foi uma manobra de diversão arquitetada pelo Gormogon.

Está no laboratório. Trabalha aqui. O Gormogon trabalha no Jeffersonian.

-Ou o Gormogon ou o seu aprendiz. -Uma perspetiva alarmante.

Quero uma equipa forense. Laboratórios móveis, computadores, a parafernália toda.

Não. O equipamento deles pode estar adulterado.

-Cabelos? Impressões digitais? -Nada de novo nos últimos cinco minutos.

Dra. Saroyan, não incomode os técnicos. Se tiver algum problema, fala comigo.

Quero ter a certeza de que estão a fazer o vosso trabalho. É advogada, não é...

Há duas horas que não sai de cima de nós.

Vá beber um café. Nem sequer devia estar aqui.

-Este departamento é meu. -Eu sei. E tem pleno acesso

-ao laboratório e à caixa-forte. -Está a insinuar que sou suspeita?

Alguém há de pôr o seu nome na lista. Já foi polícia, não foi?

Tem aqui mais de 30 agentes. Descubra alguma coisa.

-O laboratório tem mais de 100 pessoas. -Estamos a ver a ficha de todos.

-Não queres tarte? -Estou bem. Para de falar na tarte.

-Por causa do que o Sweets disse? -Hoje não quero tarte, está bem?

Podemos falar? Tenho o perfil de um potencial Gormogon.

-Não come tarte? -Chega de tarte. Sente-se.

-Mais experiências? -Quais experiências?

Estou a ser cuidadoso. A dinâmica do ambiente de trabalho condiciona-nos.

-Podemos ir diretos ao assunto? Quem é? -Julgo que é o Dr. Hodgins.

-O quê? -Acha que o Hodgins é o Gormogon.

O Hodgins revela sintomas de paranoia e um complexo racional de superioridade.

-Paranoia? -É obcecado por teorias de conspiração.

Até suspeita do FBI, com quem trabalha de perto.

São meras suposições.

Não. Vá lá.

Sabe tudo sobre sociedades secretas. Identificou os padrões do Gormogon.

-Fez o seu trabalho. -Ou tentava justificar-se.

-Teve acesso aos químicos que Zack usou. -Ele e o Zack são amigos.

Eu também tive acesso aos químicos. Porque não sou suspeita?

O seu respeito pela vida não se coaduna com as maquinações de um assassino.

-A ligação emocional ao Agente Booth... -Não tenho tempo para isto.

Não pode pressioná-la.

Estamos a tentar apanhar um homicida. Não podemos perder tempo.

Ele está a tentar ajudar.

As opiniões dele não o vão levar a nada. Não tem provas.

-É excelente a fazer perfis. -Quem?

-O Sweets. -Ele diz que o Hodgins é o assassino.

-Faz sentido. -O quê?

-Ilude as suspeitas sobre ele. -Quem?

-O Sweets. -Achas que o Sweets é o assassino?

Aparece após a descoberta da caixa-forte, no momento de maior vulnerabilidade.

Manipula-vos aos dois até lhe pedirem ajuda.

Ninguém me manipula.

Confiámos no "jovem brilhante que faz perfis". Dei-lhe acesso para nos ajudar.

Pode ter trocado os químicos do Zack.

Não é químico.

Depois da explosão, é o único de quem não sabemos nada.

Parecemos o Sweets. Não temos provas.

Trabalhei na polícia durante dez anos. Sinto que é ele.

Precisamos de mais do que o seu instinto.

Descubram as provas. Acreditem, o Sweets é o culpado.

Seria simpático bater à porta.

Certo. Desculpa.

Diz-se que um de nós é o suspeito. Quem é?

-Não posso dizer. -Claro que não.

E visto que é só um rumor, pode não ser verdade, não é?

Tens um motivo para estar aqui? Ou vieste só sacar-me informação?

Descobri uma coisa.

-A mandíbula foi fervida. -Para remover o tecido.

Extraí uma amostra e analisei-a para ver em que água tinha sido fervida.

Água da torneira. Mas... Vês este espigão aqui?

-Chumbo? -Sim.

-Os tubos de chumbo foram substituídos. -Nas casas particulares, não.

Estas são as áreas com níveis de chumbo mais altos. As casas velhas são as piores.

Este bairro tem o mesmo nível de chumbo encontrado nos ossos.

Esta não é a tua casa?

Sim, é.

-Mas não sou o único que vive na área... -Sim, claro.

-Vou dar a informação aos investigadores. -Ótimo.

-Mais alguma coisa? -Podia ter falseado os factos,

excluído o meu bairro.

Sim, mas terias levantado suspeitas se alguém confirmasse os resultados.

Se precisares de alguma coisa, estou no meu computador. A ajudar.

-Que surpresa. -Sim.

Onde estava depois da explosão?

-Estava convosco. -Quando aconteceu.

Quero dizer depois.

Vejamos. Fui chamar uma ambulância.

-Onde? -Ao seu gabinete. Porquê?

E depois?

-Fui dar indicações aos paramédicos. -Mas não os seguiu.

Não os quis atrapalhar.

-Esqueci-me de uma coisa. -O quê?

Fui à caixa-forte e roubei o esqueleto porque sou o aprendiz do Gormogon.

É uma confissão. Posso detê-lo por 72 horas.

-Por ter sido sarcástico? -Acho que devias.

Acham que eu sou o aprendiz?

Alguém é. Posso detê-lo e verificar o seu álibi sem me preocupar com a sua fuga.

-É mauzinho. -Mais vale prevenir que remediar.

-Sim. -Não. Está a projetar-se.

Sente hostilidade pelo Gormogon, mas não a expressa e usa-me...

Tenho de tirar as algemas?

Sim, não lhe vou tornar a vida fácil.

HOSPITAL

Olá.

Como está o Zack?

Tem muitas dores, mas não me deixa carregar no botão do analgésico.

Tem medo de padrões de bolinhas, mas a agonia é um fenómeno interessante.

Os medicamentos fazem-me pesadelos.

Olá, Zack.

Vou a andar e pegam-me pela mão,

olho e é um esqueleto, que está a arder.

E doem-me as mãos.

Toma o analgésico, querido.

Estive a pensar na explosão.

Ninguém pode ter trocado os químicos. Eu fechei o recipiente.

Só eu é que tinha a chave.

Tu sabias, mas...

Tu...

O analgésico é agradável, mas entorpece-me o cérebro.

Às vezes, os amigos têm de intervir para aliviar a dor.

Não acha que está na altura de ir para casa?

Desculpe, Cam. Parece que estou um bocadinho ansiosa.

É contagioso. O Hodgins veio falar comigo e eu apanhei um susto tremendo.

-O que faz aqui tão tarde? -Vejo o tecido usado no teste de ADN.

Os alelos do ADN foram destruídos nas raízes. E os da medula foram alterados.

Depois, lembrei-me que o osso da mandíbula era mais claro do que eu esperava.

-Foi tratado com luz ultravioleta? -Acho que sim.

-Quem faria uma coisa dessas? -Nós.

É o procedimento habitual para restos de esqueletos que observamos.

Temos 10.000 restos ainda por identificar. O esconderijo perfeito para um esqueleto.

Como é que examinamos 10.000 restos de esqueleto?

Caros alunos da Dra. Brennan, bem-vindos ao Limbo.

Estamos no depósito modular de esqueletos. Não gosto de "Limbo".

Temos aqui mais de 10.000 almas perdidas, querida, à espera de serem identificadas.

É um bom nome, acredita.

Cada uma destas caixas contém os restos do esqueleto de um indivíduo.

Neste caso, o crânio, dois fémures, cinco vértebras,

algumas falanges e três molares.

Queremos que façam um inventário,

certifiquem-se que o conteúdo das caixas corresponde à etiqueta e à base de dados.

-Isto conta para a nota final? -Ouçam.

Tentamos capturar um assassino em série, não é para tentar agradar à professora.

Pensamos que pode ter escondido aqui os restos de mais uma vítima.

Ossos enfiados nas caixas erradas.

Se ajudarem a capturar um assassino em série, passam com certeza.

Não necessariamente.

Se alguém aparecer aqui e mostrar interesse pelo vosso trabalho,

-digam à Angela ou chamem a segurança. -Porquê?

Porque os assassinos ficam mauzinhos quando estão quase a ser apanhados.

-Isto é horripilante. -É natural. Acabamos todos assim.

Obrigada. Agora é horripilante e deprimente.

Encontrei um fémur extra e uma fíbula.

-Tem a certeza? -Os restos são de um miúdo de 4 anos.

O fémur era de um homem de 40.

-E a fíbula? -Também do homem.

Foi fervida. Outros estudantes encontraram outros ossos.

Encontrei um manúbrio, uma ulna e um úmero de homem entre os restos femininos.

-Disponha os ossos por ordem anatómica. -Já o fiz. Estão ali.

-Bom trabalho. -Sou a terceira da minha turma.

Quero os nomes dos dois estudantes à sua frente.

De 45 a 50 anos.

A fíbula e o fémur mostram que tinha seis pés de altura.

-Traduza lá isso. -Cerca de 1,80 m.

Diga à Dra. Saroyan que os compare com as amostras de ADN das outras vítimas.

-Suspeita de alguém? -As minhas opiniões não são relevantes.

Deixe-me ser eu a decidir. Dê-me alguma coisa desse seu cérebro.

-Alguém lhe retirou a mandíbula. -Foi aquela que lhe enviaram.

Não tenho a certeza. A Dra. Saroyan verá se o ADN corresponde.

Não a ouviste? Leva isto à Dra. Saroyan. Já.

Dra. Brennan? Acho que devia ver isto.

Todos os caninos foram removidos.

Quero os vídeos de vigilância dos últimos seis meses.

-Esta sala não é vigiada. -Porquê?

É o Limbo. Tenho de reexaminar a mandíbula em que Zack trabalhava antes da explosão.

Com certeza.

É o lobista que desapareceu.

O ADN corresponde e o registo dentário também.

A Dra. Brennan vai querer ver estas marcas.

Mais marcas de dentes nos ossos?

O Gormogon atirou-se a isto como Henrique VIII a uma coxa de frango.

Estes foram mordidos. Talvez as marcas correspondam às encontradas pelo Zack.

-Não pode ser. -Ainda não olhou para elas.

O Zack disse que estas marcas na mandíbula foram feitas por uma dentadura artificial.

-E? -Não são de uma dentadura artificial.

-O Zack saberia. -Um erro.

Não é frequente.

Ouvi dizer que o Zack se enganou acerca da dentadura.

-Não. -A Cam e a Caroline disseram...

Sabia que não eram artificiais.

A dentadura foi feita de dentes reais. Todos caninos.

Os caninos são um símbolo do lobo, aparece na tapeçaria Gormogon da caixa-forte.

Algumas seitas antigas veneram o lobo como um símbolo de liberdade,

como representante das forças que nos libertarão da perseguição.

Chega de lobo. O que se passa?

-O Zack mentiu. -Porquê?

Tirou os dentes do depósito

e fez a dentadura do Gormogon.

O Zack tem acesso ao laboratório.

A explosão foi propositada.

É o Zack. É ele o assassino, Booth.

É o Zack.

"A teoria das expressões condicionais

"é uma generalização não profunda do cálculo proposicional."

O que diz depois de "formas booleanas?"

Há uma coisa que parece um banco japonês,

depois um B com uma cauda e um peixe gordo. Faz sentido para ti?

Não faz para si?

Cam. Precisamos do quarto.

Desculpem, mas têm a certeza? Porque...

Por esta não esperava.

-Viu a mandíbula. -Sabias que acabaria por descobrir.

Não previ a gravidade dos meus ferimentos.

-Queria fugir, mas... -Os teus amigos estavam sempre aqui.

Tencionavas roubar a mandíbula e pô-la no esqueleto de prata.

Mas tu preparaste a explosão. Sabias que proporções teria.

O Hodgins discutiu comigo. E estava perto de mais.

O atraso fez ferver o termoplástico

e a explosão foi três vezes mais poderosa do que previra.

-Sabias que ficarias ferido. -Sim.

-Quem é o Gormogon? -Não é o nome dele.

Como é que se chama?

-O mestre. -E tu és o aprendiz?

-O nome dele. -Não posso dizer.

O aprendiz é dispensável. Eu sou dispensável.

-Quem é? -O Zack responde à lógica...

Onde está a lógica de matar e comer pessoas?

-A lógica do mestre é irrefutável. -Irrefutável?

Eu vi-o sufocar uma criança no fundo de uma piscina.

Se soubesse o que eu sei, compreenderia. Teria orgulho em mim.

Eu tive sempre orgulho em ti, Zack.

Nunca conheci ninguém tão inteligente, mas a tua lógica tem uma falha.

Não conhece a lógica dele.

Primeiro pressuposto, existem sociedades secretas.

Aceite. O Hodgins fala-me disso há anos.

Segundo pressuposto, a experiência humana é negativamente condicionada por elas.

-Aceite. -Terceiro pressuposto,

matar membros dessas sociedades terá efeitos positivos na experiência humana.

Aceite.

Todos os teus pressupostos assentam num princípio de base, Zack.

Ou seja, em termos históricos, a experiência humana como um todo

é mais importante do que o indivíduo.

Sim.

E, no entanto, arriscaste tudo para que o Hodgins não fosse ferido.

É...

Tem razão. A minha lógica é inconsistente.

Ossos, eu preciso de um nome.

Nós sabemos.

Ele abordou-me há três meses num simpósio sobre diagnóstico do plasma.

Tenho de saber quem é. Temos de o prender já.

Não sei o nome dele. Nunca soube.

Mas já estive em casa dele. Vendou-me os olhos quando me levou lá.

Mas lembro-me de todas as curvas e consegui calcular a velocidade.

Quando me levou a casa, descobri a casa no mapa.

Fica em Benning Ridge, numa rua chamada Savoy Crescent.

É uma casa grande, quase como a casa do Hodgins, mas em mau estado.

Há um lanço de escadas nas traseiras.

Há uma porta azul.

Trancada, mas a chave está numa fenda à esquerda da porta, ao nível dos olhos.

Há um corredor.

Se tiver encontrado alguém, sentem o cheiro de carne cozinhada.

E é assim que saberão que estão perto.

Uma última porta. E terão de ser rápidos.

Está ao fundo de uma rampa, no piso térreo.

Terá uma faca.

É muito rápido. E é muito forte.

-Prenderam-no? -Sim.

-Quem era, Booth? -Ninguém.

Tenho razão? Um homem invisível e zangado por ser ignorado pela história.

Para quem não é ninguém, destruiu muitas vidas.

O Zack confessou que esfaqueou o lobista.

-Comeu alguém? -Não.

-Como é que isto aconteceu? -Lógica.

Não. Talvez as vossas cabecinhas acreditem nisso.

Mas estas coisas acontecem sempre da mesma forma.

Uma personalidade forte aproveita-se de uma personalidade fraca.

-Esperemos que leve a cadeira elétrica. -Não vai ser preciso.

Problema resolvido.

-O que vai acontecer ao Zack? -Consegui um acordo.

Ele confessa e coopera e nós consideramo-lo inimputável.

Irá para um hospital psiquiátrico e não para a prisão.

Não. Isso não funciona. O Zack não é doido.

Sweets, faça isto pela Ossos. Compreende?

-Compreendo. -Ainda bem.

Devia ter passado mais tempo com o Zack, devia ter-lhe mostrado o mundo.

Não pensei que tivesse ouvido as coisas que lhe disse sobre sociedades secretas.

-Devia ter-lhe arranjado uma namorada. -O Diabo que o carregue.

Fez as suas escolhas. As pessoas são o que são.

Não podíamos ter feito nada.

-Nós gostamos do Zack. -Ele matou uma pessoa.

Merece ficar preso para sempre.

Gostava de sublinhar que isto é apenas a forma da Dra. Saroyan lidar com a dor.

Não é isso que pensa. Na verdade, é bem o contrário.

No dia em que conheci o Zack, soube que me faria sofrer.

O que é isso, Hodgins?

-São as coisas preferidas do Zack. -O que faremos com isto?

Talvez o deixem ficar com isto no lugar para onde vai.

-Eu dei-lhe isto. -Sim, obrigado.

Atirava-me com isto à cara todos os dias.

Kama Sutra de Bolso. Dei-lhe isto para ele deixar de perguntar ao Booth sobre sexo.

Dei isto ao Zack antes de ele ir para o Iraque.

Eu fiz-lhe este desenho.

Todos os objetos preferidos dele são presentes vossos.

-Eu nunca lhe dei nada. -Ele adorava-te.

Isto é, tanto quanto era capaz.

Mas eu nunca lhe dei nada.

Angela.

"Caro Sr. Addy, tenho o prazer de lhe oferecer

"um lugar de estagiário no meu departamento de antropologia forense.

"Escolhi-o entre centenas de candidatos pelos seus conhecimentos,

"o seu desejo de aprender e porque creio que encontrará aqui uma casa."

Acho que lhe deste qualquer coisa de extraordinário, Ossos.

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