All language subtitles for Bones S03E07 2007 Disney+ WEB-DL 1080p H264 DDP-HDCTV_track6_[por]

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Original subtitles

A nossa cápsula do tempo foi enterrada em 1987,

no ano em que o Dow encerrou acima dos 2000 pela primeira vez.

Reagan disse a Gorbachov para derrubar o Muro de Berlim.

-O teu fraquinho pela La Toya Jackson. -Pois foi.

Não te podes queixar. Casaste com uma chefe de claque.

Tive essa sorte.

Agora, temos um filho maravilhoso, finalista em Foothill. Alex, levanta-te.

Estamos aqui hoje para abrir a cápsula do tempo que enterrámos há 20 anos,

para podermos ver quem éramos e como chegámos ao que somos agora.

Encontrei-a.

Vinte anos. Lembras-te do que puseste lá dentro?

Uma má permanente e caneleiras cor-de-rosa, provavelmente.

Aqui está.

-Meu Deus, que horror. -Mas que raio, Bill.

-Disseste que era à prova de água. -Devia ser. E sou Gil, não Bill.

Vamos ver o que temos cá dentro.

Que lindo campo. É disto que eu estou a falar, estás a ver?

Não se compara com o nosso, mas isso não me impediu de ser o Melhor Jogador.

-Ganhei o troféu. Touchdown! -Em tribos do subcontinente africano,

os piercings, tal como a tua taça, são uma forma de recordar

o poder e a agilidade que decresceram desde então.

"Decresceram"? Pausa. Concentramo-nos no caso? O que temos?

Estávamos todos reunidos para a abertura. Não fazíamos ideia do que continha.

Isto é repugnante.

Eu estava à espera de ver o meu álbum dos 10 000 Maniacs.

-Isso não estava lá. -Quem é o senhor?

Gil Bates. Selei a cápsula. Com um selo de propileno e parafusos industriais.

Adolescente caucasiano do sexo masculino. Entre os 17 e os vinte e poucos.

Embalamos isto tudo e enviamos para o Jeffersonian?

Desculpe. Isso não é boa ideia.

A água comprometeu a integridade estrutural...

Olha para isto. Mais um para o teu esquadrão de alumbrados.

Berbequim.

Espera. Vais fazer isso aqui? Então, e o Jeffersonian?

Balde.

Um anuário, de 1987.

E o leitor de cassetes Ghetto Blaster?

O cubo mágico.

E isto? Um CD. Não precisa de agulha.

Daqui a 20 anos vão conseguir pôr centenas destes num microchip.

A vítima tinha fraturas ante mortem no esterno,

bem como fraturas ante mortem nas secções laterais das costelas.

-Todas curadas? -Todas curadas em diferentes alturas.

Eu tive uma luva do Michael Jackson. Nunca tinha dito isto antes.

Eu adorava o Chevy Chase. Todos carregamos a nossa cruz.

A fratura na clavícula direita ainda está fresca.

Estava, há 20 anos.

-Alerta de salmonetes. -É dos maus.

O Booth fez a lista dos estudantes que não foram à abertura da cápsula,

e de toda a gente ligada à escola, em 1987, que tivesse registo.

Meu Deus. Estou a ter flashbacks de suspensórios e calças dos anos 80,

e um rabo de cavalo lateral horroroso.

Já evoluíste. Eu usava Doc Martens mais pesadas do que eu.

Parece que o Booth não era piroso. Era jogador de futebol.

Ele era um desses.

Este tipo não andava com as chefes de claque, de certeza,

mas aposto que tinha bilhetinhos de amor escondidos no dossier do Spaceballs.

-Acho que o vi no vídeo. -Roger Dillon.

-Turma de 1987. -Aqui está ele.

O cometa passa por cá daqui a 76 anos. Ainda cá estaremos, descansa.

Como é que o Roger Dillon passou dali...

para aqui?

-Analisei a lama. -É matéria orgânica.

-Ou podemos chamar-lhe Roger. -Então...

Quando se pode servir alguém à concha, deixa de ser pessoa.

Muito bem. Tirei uma amostra do Roger e analisei-a no espetrómetro de massa.

Encontrei vestígios de um organofosfato não identificado.

-Gás de nervos? -Muito bem. Vou descobrir o resto.

A vítima tinha uma fratura peri-mortem no pulso.

E uma separação acromioclavicular de grau II.

-Mas não era letal. -Já vi isto antes.

-Torceram-lhe o braço atrás das costas. -Apanhou por causa do dinheiro do almoço?

Os recreios estão cheios de estudantes violentos. Falo por experiência própria.

No entanto, estas fraturas nas costelas devem ser anteriores à escola.

Então, talvez tenhamos problemas em casa?

Sr. Dillon, não percebo porque não participou o desaparecimento do seu filho.

A mãe dele disse-me que ele tinha fugido.

Não se preocupou por nunca mais o ter contactado?

-Não vivia comigo. Não queria. -Por causa dos maus-tratos?

Sim, nessa altura, eu era alcoólico.

E compreendi porque é que ele queria simplesmente esquecer-me.

Mas eu gostava dele. Eu estava doente.

-Quando é que o viu pela última vez? -Na noite de fim de liceu.

Ele veio a seguir pedir-me dinheiro. Muito.

O senhor pô-lo na rua com o pulso torcido atrás das costas?

Juro que ele se levantou e se foi embora.

Isto foi há 20 anos. O que é que se passa?

-O Roger está morto, Sr. Dillon. -Encontraram os restos mortais ontem.

Meu Deus!

Encontrámo-lo no liceu. Esteve numa cápsula do tempo durante 20 anos.

Sabe para que queria o dinheiro?

Ele não quis dizer. Pensei que fosse para fugir.

Deviam falar com o Gil. Era o melhor amigo do Roger.

-O Gil Bates? -Sim.

-É o tipo da Tech Town. -Eles andavam sempre juntos.

Nós entramos em contacto consigo.

Eu agora sou diferente.

Estou sóbrio. Nunca lhe quis fazer mal. Eu gostava muito do Roger.

Certo.

O miúdo basicamente derreteu e transformou-se nisto.

Vamos procurar mais vestígios químicos nos objetos para identificar o organofosfato.

-Beta. St Elmo's Fire. -Está na lista.

-Um anuário. Liceu Foothill, 1987. -Analisa-o. Desidrata e faz um scan.

"Tem um ótimo verão. Nunca mudes." Lembras-te dessa altura?

Lembro-me de estar sempre a ser castigada. Tantas regras a quebrar, tão pouco tempo.

-Tu eras o sonho de um totó. -Eu adorava a Barbie.

Foi a minha primeira lição de anatomia. Confundiu-me durante anos.

Então, e o Ken? Eu tinha tanta pena dele.

Uma disquete do tamanho de um prato de jantar.

Bingo, querida. A disquete não está na lista.

O que és tu? Um relatório? Códigos para iniciar?

-Temos de recuperar os dados. Queres? -Posso tentar.

Um skate de hóquei. E parece estar assinado.

Investiga. Pertencia a um jogador chamado John Adamson.

-Uma lata de New Coke. -Para desestabilizar o país nos anos 80.

-Mais uma conta. -E um relógio de bolso.

O relógio não está na lista.

É um Wallingham. Bonito.

Uma disquete e um relógio de bolso. O que andava a fazer o nosso crominho?

Está seco. É um bom relógio.

-Tem resíduo. -Pode ajudar a identificar o veneno?

Deixa-me investigar.

Se o pai do Roger era capaz de violência física,

porque iria envenenar o filho com um agente de nervos?

-Que tipo de adolescente eras tu? -Ele fazia uma série de biscates.

Talvez tivesse obtido o veneno num deles.

Tiveste pelo menos uma boa história, antes de vestires a bata de laboratório.

-Estava ocupada a estudar. -E nunca te deparaste com uma hormona?

Está bem. Havia um rapaz.

Andy Fluger.

Era o capitão da equipa universitária.

Tu beijaste o capitão da equipa universitária?

Estava a pesar os prós e os contras quando ele se tornou o meu Pai Natal Secreto.

-Tu detestas o Pai Natal Secreto. -Porque ele colou a prenda ao cacifo.

Toda a gente viu.

-Os adolescentes podem ser cruéis. -O que era?

-Não interessa. -Vá lá, Ossos.

-Prometes que não te ris? -Prometo. Sou o teu parceiro.

Era o Estrunfe Inteligente.

-Disseste que não ias rir. -Não estou a rir. O Inteligente?

Foi de propósito. Ele sabia que eu queria a Estrunfina.

-É evidente que achas graça a isto. -Não me estou a rir. Não estou.

O que foi?

A Angela tinha razão. Tu eras um desses.

O quê? De quais?

Era o Roger que estava na cápsula do tempo?

Vi o crânio dele. Meu Deus, vi o crânio dele.

Ele está lá desde 1987.

Não, o Roger fugiu. Deixou um bilhete.

Na noite de formatura, escreveu um bilhete à mãe, a dizer que se ia embora.

Foi ter com o pai, para pedir dinheiro. Sabe porquê?

Eu só sei o que a mãe disse que estava no bilhete.

A mãe dele morreu e o pai dele nunca o viu.

O senhor é a única ligação que temos ao bilhete.

Dizia...

...que já não aguentava mais estar perto do pai, nem dos miúdos na escola.

Implicavam com ele. Também costumavam implicar comigo.

Acho que ele não aguentava.

Porque é que ele não pediu ajuda?

Ele era o meu melhor amigo.

Sempre pensei que o ia ver outra vez.

Não posso crer que nunca mais o verei.

Encontrei fibras de algodão de ganga, tanto no relógio, como na disquete,

que correspondem ao que resta das calças de ganga "lavadas" dos anos 80.

Quer dizer que ambos os objetos estavam no bolso da vítima, na hora da morte.

Testei o resíduo do relógio. Era alcaloide tropano cristalino puro.

O Roger Dillon tinha um relógio cheio de cocaína?

É tão "Miami Vice", que dá vontade de arregaçar as mangas.

O FBI enviou-nos os ficheiros de todos com cadastro ligados à escola.

São pequenos furtos, condução sob efeito do álcool...

Darwin Banks, professor no Liceu Foothill.

Preso numa rusga policial à escola para apreender drogas, a 12 de junho de 1987.

-Dois dias depois de o Roger desaparecer. -E o Roger precisava de dinheiro.

Parece que o nosso cromo pode ter morrido por causa de um negócio de droga.

-Lembra-se do Roger Dillon? -Do Liceu Foothill, não é?

Fui professor de Ciências dele. Era esperto. Podia dar as aulas.

Ele morreu. Encontrámo-lo na cápsula do tempo de Foothill.

-Está lá desde 1987. -Meu Deus.

O anuário diz que o senhor era conselheiro do comité da cápsula do tempo.

-Deve estar a brincar. -Não brinco com o assassínio de um rapaz.

Encontrámos vestígios de cocaína nele.

O Roger? Não. Esse miúdo estava limpo.

A grande emoção dele era sentar-se ao computador, a programar.

Sim? Então ajude-me, porque, em 1987, o senhor foi preso por tráfico.

Eu não estava a traficar. Tinha dois charros comigo.

-E 113 gramas no apartamento. -Tinha 23 anos. Loucuras da juventude.

Exatamente.

Agora, tenho o meu próprio negócio, mulher e dois filhos. Sou do Rotary Club.

Sabemos que o Roger precisava de dinheiro. Se calhar, começou a vender para si,

queria uma percentagem maior, ameaçou entregá-lo, e o senhor matou-o.

Eu não o matei, nem ele me denunciou. Foi o Adamson. John Adamson.

Um perfeito cretino, mesmo aos 17.

Apanhei-o a copiar. A seguir, os polícias bateram-me à porta da sala de aula.

Ele queria desacreditar-me para fazer de novo o teste.

Certo. Então, o senhor é a vítima, com 113 gramas de erva?

Pode confirmar onde estava na noite de 14 de junho de 1987?

Se sou um traficante mentiroso, porque havia de lhe dizer a verdade?

Porque o senhor não quer ir para a cadeia pelo assassinato do Roger Dillon.

Vamos. Você faz perfis psicológicos. O caso tem 20 anos. Precisamos de ajuda.

Não é por isso que estamos aqui hoje. Esta hora é para si e para a Dra. Brennan.

Ela não se importa. Só demora cinco minutos.

1987. Um miúdo suburbano é morto e fechado numa cápsula do tempo.

Fascinante, não é? Que tipo de pessoa faria isso?

Surgiram conflitos ou questões desde a última sessão?

-Bem... -A Ossos e eu estamos ótimos.

Parece zangada, Dra. Brennan.

Contei ao Booth uma história pessoal acerca da minha infância e ele riu-se.

O quê? Não.

Estava a apreciá-la. Não o metas nisto.

A troça não sugere apreciação.

Foi por causa de BD dos anos 80. Não pensei que fosses tão sensível.

Os ícones de infância têm grande importância para nós.

Eu próprio estava muito apegado ao Voltron.

O desenho animado.

Está magoada porque se abriu com o Booth, e ele traiu essa confiança.

-É só um estrunfe. -Estrunfina.

A maneira de devolver a relação à simetria é o senhor revelar uma história sua.

-Mostrar-lhe a sua vulnerabilidade. -Não. Isto é de loucos.

-Não é verdade. Diz-lhe que não é. -Não é?

Vai brincar ao Voltron com ele.

O senhor era desses, não era?

O menino de ouro que consegue tudo, usando o seu encanto.

Isso é ridículo. Você não me conhece.

Será que ainda está agarrado a essa persona e tem medo de se revelar?

Todos os dias me tentam dar tiros. Não tenho medo de nada.

Isto é nitidamente muito difícil para si. Mas não deve ter vergonha de pedir ajuda.

Não deves.

Peço desculpa. É verdade. Eu preciso de ajuda.

Com este caso. Enquanto lê isto, eu mostro-me à Ossos.

Soa um bocado estranho. Mas você compreende.

Vais partilhar um episódio emocionalmente humilhante da tua juventude?

Sim, eu tenho disso. Tome.

Muito bem, excelente.

No tempo que resta, vamos vestir personagens.

Agora sei porque é que não me deixam trazer para aqui a minha arma.

Na papa encontrei cocaína, consistente com o derrame do relógio.

Analisei cabelo e ossos. Deu negativo. O Roger não consumia drogas.

Então, o antigo professor dele estava a dizer a verdade?

Também descobri qual era a substância venenosa.

Maloxona.

É neurotóxico em altas doses.

Não havia o suficiente para fazer tossir um rato.

Então, a teoria do envenenamento está incorreta.

Dra. Saroyan, encontrei uma anomalia no crânio da vítima.

Encontrei uma pequena irregularidade sob a superfície da mandíbula da vítima.

Ampliando, descobri que é uma fratura muito pequena, mas bem definida.

Parece que uma arma entrou pelo pescoço, pelo esternocleidomastóideo,

cortando a artéria carótida e a veia jugular.

O Roger deve ter-se esvaído. Já determinou a arma?

A julgar pelo esmagamento do osso,

a arma não estava afiada nem romba. Não era uma arma cortante.

-Então, não foi uma faca. -Exato.

No entanto, deixou uma mancha na fissura.

Tirei uma amostra e vou dá-la ao Hodgins, para ele analisar.

Esta coisa querida é um Commodore Amiga com um chipset Motorola 6800,

que usa um sistema operativo caseiro.

Trouxe-o da exposição de computadores no terceiro andar. Eu já tive um igual.

Minha princesa crominha. Eu sabia que o centro comercial não te ia sugar a alma.

Olha para isto.

-Isto é incrível. -Parece um Doom primitivo.

Não vês nada de errado nisso?

O Doom saiu em 1993. A apresentação em 3D, a visão da pessoa que dispara.

Era uma miragem, para um crominho de 1987.

O Roger estava muito à frente do seu tempo?

Se isto tivesse saído em 1987, o Roger teria sido várias vezes bilionário.

O dinheiro é sempre um bom motivo para o assassínio.

O Sweets diria que um jogo de basebol perdido não é pessoal nem revelador.

Futebol, está bem? É futebol.

Tenho uma. Pessoal, entre duas pessoas, ou reveladora, tipo com nus.

-Muito literal. -Havia uma miúda, a Karen Isley.

Uma noite, estávamos debaixo das bancadas, pessoalmente. Estás a ouvir?

Estavam a fazer sexo na terra, por baixo das bancadas.

-Sou um cavalheiro. Tinha saco-cama. -Falhaste no desempenho?

-O quê? -Isso podia contar como humilhação.

Podes esperar um bocado? Deixas-me contar a minha história?

-Conta lá. -Obrigado.

Esta rapariga propôs-me um jogo em que me fazia uma pergunta.

-Que tipo de pergunta? -Não importa.

Se eu errasse na resposta, tinha de tirar uma peça de roupa.

Eu sabia as respostas, mas fingi que não sabia.

-Então, tiraste as roupas? -Sim.

A certa altura, eu estava só de meias e com a minha medalha de São Cristóvão.

E ela fugiu. Fugiu com o saco-cama e com as minhas roupas.

-Eu fiquei ali, rígido. -Porque é que ela fez isso?

Ouviu dizer que eu tinha estado debaixo das bancadas com outra na semana anterior.

Isso é uma história de proezas sexuais. Estás a gabar-te.

Eu tive de atravessar o campo a correr todo nu.

Estás a rir-te. Gostaste de exibir o teu pénis, mostrava as aptidões de macho alfa.

Só mais uma pessoa sabia do Estrunfe Inteligente. A minha mãe.

Mas estava frio! Sabes o que acontece a um tipo quando está frio? Olá.

Pode ser rápido? O meu patrão quer saber porque é que estou sempre a sair.

-Ele é um bocado parvo. -O que sabe sobre o Warstrike?

Há muito tempo que não ouvia esse nome.

Estava numa disquete, na cápsula do tempo. Estava com o Roger, quando foi morto.

-Meu Deus! -Então, sabia da existência do jogo?

Sim, em esboço, no bloco de notas dele. Não sabia que tinha escrito um código.

Segundo um perito, alguém poderia fazer muito dinheiro com ele.

Nós planeávamos começar um negócio de videojogos.

O Roger era o cérebro e eu era o negociante.

-Viram o jogo? Funcionava? -Se eram sócios, porque não lhe disse?

Era um perfeccionista. Esperaria até que estivesse perfeito.

Talvez estivesse a fazer negócio com alguém.

Nem pensar. Éramos sócios. Éramos melhores amigos, de toda a vida.

O Roger nunca me iria passar a perna dessa maneira.

Estávamos a poupar para criar uma rendering farm 3D.

Ficaria caro. Onde é que iam conseguir o dinheiro?

Trabalhávamos. Eu pavimentava estradas e ele trabalhava num ringue de patinagem.

Eu raspava grelhas numa casa de hambúrgueres por 3,55 dólares à hora.

-Isso é humilhante. -Boa tentativa.

Ele fez dinheiro extra a dar explicações de matemática à chefe de claque, Janelle.

E fez as provas de acesso a um jogador de hóquei cocainómano.

O puto entrou em Harvard à custa dos resultados do Roger.

-Cocainómano? Como se chama? -John Adamson.

Não era boa rês.

Obrigado.

John Adamson era a estrela em Foothill. Formou-se à tangente em Harvard.

Ele não merecia lá estar.

Talvez o Roger estivesse a fazer chantagem com o Adamson por causa das provas?

-O Adamson matou-o? -Um skate de hóquei matava-o?

O do Adamson estava na cápsula do tempo.

Podia facilmente ter cortado a jugular.

E a borda podia causar uma fratura bem definida.

Aí está. Um motivo e a arma.

Ele está naquela mesa, à sua espera.

John Adamson, agente Seeley Booth, do FBI. Gostaria de lhe fazer umas perguntas.

Senta-te, Ossos.

O senador quer que eu me dedique inteiramente à campanha dele.

Espero que isto não seja um desperdício do meu tempo.

Veja estas fotos. Lembra-se do Gilbert Bates e do Roger Dillon?

Não, lamento. Nenhum desses nomes me diz seja o que for.

Ele foi encontrado dentro da cápsula do tempo, morto. Deve ter sabido disso.

Tenho estado ocupado com a campanha do senador.

É curioso, pois este miúdo disse que este rapaz fez as provas por si.

Fê-lo entrar em Harvard.

Não foram as provas que me fizeram entrar, foram as minhas tacadas diretas.

Então, não nega que o Roger Dillon tenha feito o teste por si?

Em cooperação total, mantemos o meu passado académico sórdido no passado?

-Claro. -Paguei 200 dólares ao Roger para isso.

Duas semanas mais tarde, vem-me bater à porta,

dizendo que, se eu não lhe der mais 500, ele me denuncia.

-Disse para que precisava do dinheiro? -Não.

Só disse que um tipo como eu não iria entender.

Dei-lhe todo o dinheiro que tinha, talvez 90 dólares, e o meu relógio.

O relógio com o compartimento secreto para a cocaína?

Não sei de que está a falar.

O que foi?

O senhor é um leitor muito lento, Dr. Sweets.

O relatório do Booth sobre o Sr. Adamson é mais revelador dele próprio.

-A sério? Porquê? -O agente Booth é que deve partilhar isso.

Vi o Adamson na televisão. Ele pode ser pernicioso para o processo político,

mas não é um homicida. É demasiado sensível.

Um jogador de hóquei libidinoso, que snifa coca e gosta de festas é sensível?

Sem dúvida. E emocionalmente imaturo. Dependente da validação externa.

-Ganancioso. Como são sempre. -Tirou essa informação pela televisão?

A questão é que, aos 17, o John Adamson deu ao Roger Dillon dinheiro e um relógio.

Se tivesse matado o Roger, teria recuperado o relógio.

Muito convincente. Pelo menos, a parte do relógio.

Tantos conhecimentos sobre o enigma do comportamento humano,

e recorremos ao banal e tangível.

Eu trago provas banais e tangíveis.

Vocês não param.

-Estamos a perseguir assassinos. -E isso é de gritos.

Vou fazer um perfil, para ajudar. Adoro estar em campo.

O senhor está num laboratório de alta segurança.

Rodeado por neuróticos o dia todo. Para mim, isto é trabalho de campo.

Sem ofensa, Dra. Brennan. Vou acabar o perfil.

Bem, nós determinámos que a maloxona no guisado de Roger

era, inicialmente, o pesticida Malathion, antes de se alterar.

-É comum? -Houve um surto de mosquitos em 1980.

Pulverizaram Malathion por toda a parte. As autoridades da Virgínia dizem

que foi pulverizado um quadrante do Liceu Foothill às 19:45,

numa quinta-feira, a 14 de junho de 1987.

Porque é que têm registos tão pormenorizados?

Pulverizar toxinas aéreas para matar seres que sobrevivem a bombas nucleares

faz burocratas pensarem em possíveis ações judiciais, suponho.

É uma urbanização.

Mas, em 1987, era basicamente um pântano. Ainda estava a ser construído.

O vento podia soprar inseticida para cima do Roger?

Com esta concentração, o Roger teria de estar no meio.

-Porque é que ele faria isso? -Só há um motivo. Uma rapariga.

-Em que é que baseia isso? -Eu já fui rapaz.

E pesquisei os registos de propriedade de 1987.

Adivinhe quem vivia numa das únicas casas acabadas?

-Janelle Brown, chefe de claque. -Ele dava-lhe explicações de matemática.

Porque é que atravessaria um pântano para chegar lá? Devia haver estradas.

Era mais rápido. Ela era chefe de claque.

Ela era sexy. Ele não queria esperar mais.

Mais uma vez, uma coisa típica dos rapazes.

Ou talvez ele estivesse a espreitar pela janela dela. Podia ser voyeur.

Dr. Hodgins?

Os rapazes mudam depois do liceu?

Só no exterior.

FINALISTAS

-Quem achava bonitos esses penteados? -Vê só.

-Isto é estranho. -É um anuário.

É mesmo para ser estranho e humilhante.

Mas esta é a secção da "Galeria dos Famosos".

Geralmente, é "Melhor Sorriso" e "Com Mais Hipóteses de Vencer".

Este diz "Com Mais Hipóteses de Enfiar a Cabeça no Cu",

e "Melhor Par", e "Com Mais Hipóteses de Morrer de Doença Venérea".

Alguém lá pôs um anuário a gozar, para envergonhar toda a gente, 20 anos depois?

Sim. Olha para isto.

Elaborado por "Gruff & Grim".

Então, procuramos dois miúdos que puseram um anuário e um corpo na cápsula do tempo?

Pronto, Ossos. Havia uma rapariga. A Sherai Bellapini.

A mais popular e sexy da escola. Eu queria convidá-la para o baile de formatura.

Subornei o engraxa que anunciava os...

-Engraxa? -Putos que queriam agradar a professores.

Subo ao altifalante e convido-a para ser o meu par no baile.

No altifalante.

-É a tua história embaraçosa? -Fui gozado durante quatro semanas.

-Ela foi contigo ao baile? -Claro.

Isto é apenas mais uma história de vitória e conquista sexual.

Eles riram-se de mim. Ter sido gozado deve contar alguma coisa.

Não há humilhação pública nessa história. Tu não sabes o que é isso.

Olá.

Sra. Stinson, agente especial Booth.

-O seu nome era Janelle Brown, na escola? -Sim.

Importa-se que lhe façamos algumas perguntas?

Claro que não. Entrem.

Olhem só para ela.

Quem me dera ser Janelle Brown outra vez. Pelo menos, parte de mim. Sabe como é.

-Vivia em Green Gates Crescent, 224? -Sim, a uns quarteirões daqui.

-Dava para um pântano, nas traseiras. -Eu tinha medo dele, quando era miúda.

-Conhecia bem o Roger Dillon? -Não sei. Explicava-me matemática.

A matemática não era o meu forte, por isso, precisava de bastante apoio.

Ele teve uma paixoneta por mim.

Até era giro, para não-desportista. Era meigo.

-Adorava os The Cure. -Porquê? O que é que ele tinha?

É uma banda, Ossos.

-Ele dava-lhe explicações em sua casa? -Ou na biblioteca. Geralmente, em casa.

Acho que ele gostava disto aqui. A casa dele não era muito agradável.

Lembra-se de o ver no dia 14 de junho de 1987?

-Mãe? -Estou aqui, querido.

Foi o último dia de escola.

Vou a casa do Pete. O que se passa?

Estes senhores são do FBI, investigam o assassínio da cápsula do tempo.

Não há motivo de preocupação. Os seus pais eram apenas amigos da vítima.

-Que chatice. -Sim. Querido, vai lá para casa do Pete.

Se voltares tarde, telefona. Tens o telemóvel contigo?

-Tenho. -Está bem.

-O que estás a fazer? -Até logo, mãe.

Eu acho que vi o Roger no último dia de aulas.

-Porquê? -Tal como disse, era meu explicador.

Porque é que ele havia de vir no último dia?

A sério? Trouxe-me a minha nota final, mas teria usado qualquer desculpa.

Eu não o encorajei, mas...

O liceu foi há tanto tempo, todos mudámos bastante.

Lamento que o Roger tenha tido esse final, mas depois de ele me dizer a nota,

nunca mais o vi.

Obrigada, Sra. Stinson.

Ora essa, não tem de quê.

Podes telefonar ao Terry Stinson, do anuário de Foothill?

Equipa de atletismo, vice-presidente da associação de estudantes.

-Candidato a Sr. Popularidade. -Diz isso?

É o tipo dele, querida. É o Sr. Segundo Melhor.

É como quando se quer o Brad Pitt e se consegue o Matthew McConaughey.

Amplia a fotografia do filho dele, o Alex.

O Alex Stinson exibe três exemplos clássicos de hereditariedade mendeliana.

Covinha na bochecha esquerda, covinha no queixo e lóbulos das orelhas soltos.

Traços faciais distintos, olhos afastados, narinas assimétricas.

-Tal como o pai. -Não é nada como o pai.

Bem...

Podes substituir o Terry Stinson pelo Roger Dillon?

Bem...

Há 20 anos, o Terry Stinson descobre que o Roger dormiu com a namorada dele.

E mata-o.

-Sim, vamos fazer um teste de ADN. -Na investigação de um assassínio,

não podemos excluir nenhuma hipótese.

Sabia que o Alex pode não ser seu filho biológico?

O quê?

-É possível? -É?

Posso responder a isso depois do teste de ADN?

-Acabei de responder. -O senhor não sabia?

-O Terry não sabia. -Alex nasceu no dia 7 de janeiro de 1988.

Não acredito nisto.

Quer dizer que, na primavera, já estavas grávida.

Querias que eu acreditasse que o bebé era meu?

Não.

Eu queria que o bebé que estava dentro de mim fosse teu.

Não percebo. O Roger? Mas ele era...

-Porque é que dormiste com o Roger? -Ele era meigo.

Eu sabia que ele era doido por mim. Gostava de me sentir especial.

-Nessa altura, eras um desses rapazes. -De quais?

Do tipo que fazia tudo o que queria. Não precisavas de mim.

O Roger veio a minha casa naquele dia. Veio pelo pântano, estava todo sujo.

-O pai dele tinha-lhe batido. -Disse-lhe que tinha engravidado?

Sim. Ele queria casar comigo.

Disse que conseguia arranjar dinheiro para fugirmos juntos, mas eu não queria.

Eu estava contigo outra vez.

-Só contigo. -Porque é que não me disseste?

Ficaste tão feliz, ao saber da gravidez.

Foi quando eu percebi que me amavas, que não eras um desses,

que podíamos ter uma vida ótima juntos, e tivemos.

Desculpe. Eu tive de levar emprestada uma das suas fotografias.

Roubaste isso. O que aconteceu ao Roger?

Não sei. Ele tinha o dinheiro. Nunca tinha sido feliz aqui.

Pensei que ele tivesse partido sozinho.

Lamento muito.

Eu sempre quis dizer-te a verdade, mas...

Não sabia como dizer-te que o Alex não era teu filho.

O Alex é meu filho.

Somos uma família.

O assassínio ocorreu à noite, num campo de liceu, não é provável haver aí adultos.

Além disso, os adolescentes são dominados pelo id, o que os torna irracionais.

Têm o julgamento enfraquecido por um lobo frontal incompleto.

O senhor tem uns 22, não é? Como está o seu lobo frontal? Quase lá?

-Novamente, um tom fanfarrão. -Desculpe. Continue.

Não houve ataque sexual, nem roubo. Ainda tinha o relógio e os bens pessoais.

Há mais indícios de que se trata de um ato impulsivo e imaturo.

-Muito bem, para um miúdo. -Conjeturas.

É uma interpretação lógica da análise subjetiva por um perito nesse campo.

O assassino sabia o dia exato em que a cápsula ia ser aberta.

Está há 20 anos à espera que o corpo seja encontrado,

para poder reconciliar-se com o seu passado e pagar pelo seu crime.

-Como o Terry Stinson? -Não.

É alguém que se castiga há anos.

Autodestrutivo, vivendo abaixo do seu potencial.

-Então, porque é que não confessou? -Deve tê-lo feito, de alguma forma.

-A questão é saber se estava a ouvir. -O agente Booth é um bom ouvinte.

Pois sou. É o meu forte.

Talvez a cápsula do tempo fosse só conveniente para esconder um corpo.

A elaboração de perfis não é uma ciência exata. Mas espero ter razão.

Gostava de dizer à minha namorada que ajudei a apanhar um assassino.

Seria uma boa noite para mim.

A mancha na mandíbula do Roger era crude.

-Um produto do petróleo líquido? -Comum, não é? Mas fiz mais análises.

Encontrei partículas microscópicas de granito no petróleo.

E no selo partido da cápsula do tempo.

-Não foi o skate do Adamson. -A menos que patinasse no asfalto.

Há 20 anos, o que eu vejo é que o petróleo era asfalto.

Chegou ao osso do Roger através de um utensílio de metal...

-Uma pá de asfalto. -Sim.

O Gil Bates trabalhava na pavimentação de estradas.

O Roger era o meu melhor amigo.

Gruff e Grim, não era?

-Quem era quem? -Eu era o Gruff, o Roger era o Grim.

Nessa noite, foi para o campo para pôr o anuário na cápsula do tempo?

-E surpreender todos 20 anos depois? -Desenterrou a cápsula

e quebrou o selo com a pá de asfalto.

O seu amigo Grim queria o dinheiro de volta?

Que tinham destinado para o vosso negócio, os computadores que iam tornar-vos ricos.

Não podia fazer isso, Gruff, devolver o dinheiro ao Grim.

-Pare de usar esses nomes. -Ele disse que era para a Janelle?

Aposto que sim. Aposto que o Grim disse: "Desculpa, Gruff, mas há uma miúda que..."

-Pare de usar esses nomes. -E o Grim disse: "O meu sonho mudou."

"Grim e Gruff, isto acaba aqui."

Parem! Não sabem o que estão a dizer.

Não sabemos o quê?

Ele disse-lhe que era porque ela estava grávida?

Devia ter-lhe dito. O senhor teria compreendido.

-Compreendido o quê? -A Janelle estava grávida do Roger.

Meu Deus!

Ele não disse. Só disse que a amava.

Eu disse-lhe que isso era uma estupidez.

Disse-lhe que ela nunca iria olhar para alguém como ele.

Ele ficou muito zangado e depois bateu-me.

E eu peguei na pá e...

Dei-lhe com ela.

Foi um acidente. Eu só lhe queria dar uma pazada.

Ele agarrou no pescoço e ficou branco.

A ferida cortou-lhe a jugular e a carótida.

-Ele teria morrido depressa. -E morreu.

Eu abracei-o e pedi-lhe desculpa.

Ele sabia que eu não tive intenção.

Eu adorava-o.

-Ele tem um filho? -Sim.

Espero ter a possibilidade de lhe falar do pai.

Havia um miúdo, no primeiro ano.

É outra história em que achas que foste humilhado, mas não foste?

Ouve, por favor. Um miúdo do primeiro ano, o Harlan Kinny.

Ele era um daqueles miúdos de aspeto esquisito.

Tinha uma grande maçã de Adão saliente.

Levava as roupas do pai para a escola, com um cinto ajustável na cintura.

-É prático. -Não estás a ouvir.

Ele dava-se uns ares muito superiores, parecia um dicionário a falar.

Um dia, veio ter comigo e com os meus amigos.

Chamou-nos filisteus. Sabes o que isso quer dizer?

Sim. Um filisteu é uma pessoa arrogante e ignorante

que é antagonistada inteligência superior.

Eu não sabia até ir ver. Disse-lhe: "Não sou filisteu, sou católico."

-Aproxima-se da humilhação. -Não, é embaraçoso.

Essa não é a parte humilhante.

O meu amigo pegou no Kinny e pendurou-o do lado de fora da escada.

Ele suplicou e chorou, e toda a gente se riu.

Então, e tu?

-Eu ri-me. -Não percebo.

Eu podia ter impedido aquilo. Podia ter agido e salvado o miúdo. Mas não o fiz.

Escolhi o meu lado e era o lado errado.

Então, foste humilhado porque não agiste como um herói?

Muito bem. Sabes que mais? Sou perfeito. A minha vida foi perfeita.

É uma boa história. Mas é uma má história. Ambas as coisas, suponho.

-Quer dizer, eu percebo. -Sim?

-O que é isso? -Nada.

Tu evoluíste. A evolução é impressionante, e isso não é nada.

-Isto? -Trouxeste isso para mim?

-Não. -Ótimo, porque é o estrunfe errado.

Eu gostava da Estrunfina, esse é o Inteligente.

A Estrunfina era estúpida, superficial e só tinha a beleza.

Tu és melhor que a Estrunfina. Tens a beleza e muito mais.

Tu trouxeste-me isso para o caso da tua história não me impressionar.

Mas impressionou.

Então, impressionei-te?

É isso que significa impressionar, totó. És cá um filisteu.

Podes ficar com este boneco. Vai recordar-te de quão longe cheguei.

-Perdoo-te por teres gozado, Booth. -A evolução é um longo processo.

Leva centenas de anos.

Milhares.

Porque tens de me corrigir sempre?

Para te ajudar a evoluir.

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