All language subtitles for Bones S03E03 2007 Disney+ WEB-DL 1080p H264 DDP-HDCTV_track6_[por]

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Original subtitles

-Aaron, onde está o Joey? -Foi fazer chichi.

-Devia ir acompanhado. -Vá lá.

Para que lado foi?

Não sei. O Joey faz chichi de dez em dez minutos...

Golpe na testa.

Tem os olhos cheios de larvas, só se vê a ferida da frente.

As mãos atadas à frente. Não foi uma execução.

O que é essa coisa brilhante no nariz?

Um emoliente. Também o tem à volta dos lábios.

-E o rapaz que o encontrou? -Não para de vomitar.

Isso explica este cheiro. O que estou aqui a fazer?

-Um cadáver, um crime. É trabalho seu. -Quando há ossos. Aqui há muita carne.

Não, há aqui um bocadinho de osso, e ali.

-E vê a quantidade de larvas. -Ossos, foi o que disse, não bichos.

-Lividez uniforme. -Foi morto aqui.

Isto é tudo carne. Porque me chamaram?

-Não fui eu. -Fui eu.

Porquê? Procura desculpas para me fazer trabalhar com o Booth?

Não faria uma coisa dessas.

Está tudo resolvido entre nós. Não está?

-Sim. Totalmente. -Não foi por isso que a chamei.

Então, porque foi?

-Os pés desapareceram. -Os pés dele desapareceram.

O que sugere traumatismo ósseo, e, logo, sugere que a chamemos a si.

Olha para isto. Sangue.

Achas que é da ferida na testa?

Não. É de mais.

O rasto de sangue acaba aqui.

-Queres fazer as honras? -É todo teu.

Tenho um pé.

-Eu também. -Com um terceiro pé, fico impressionado.

-Deve ter morrido há uns quatro dias. -O Hodgins analisou as larvas e confirma.

O traumatismo no osso frontal foi fatal.

-As lacerações são de lâmina. -As do osso também.

Estamos a competir entre tecido e osso?

É possível.

A ausência de equimoses nos pulsos indica que as mãos foram atadas depois da morte.

Nos pés também não há tecido hemorrágico. Foram amputados depois da morte.

-Foi competitivo? -Pode ser imaginação minha.

A Angela vai ser hipnotizada.

Porquê?

Para se tentar lembrar do nome do marido.

Encontramo-lo, ela divorcia-se dele, casamos e vivemos felizes para sempre.

-Ninguém vive para sempre. -Mas não sabiam o nome?

-De quem? -Do marido da Angela.

Berimbau. O nosso detetive diz que é uma alcunha.

-Não se pode saber muito de um apelido. -Berimbau é um instrumento brasileiro.

-O quê? -Um instrumento?

Sinto-me subitamente invadido de felicidade.

A hipnose ainda não é admitida nos tribunais.

Por falar em nomes, as impressões digitais dizem que este é Ed Milner.

A substância brilhante no nariz é protetor solar.

Segundo o fabricante, protege e mantém

a cor natural da pelagem, crina e cauda.

Pelagem, crina e cauda. Jesus.

-É para cavalos. -Pode aplicar-se em humanos?

Não é recomendável o uso na pele humana.

O estômago da vítima tem milho, aveia e melaço seco.

-Comida de cavalo? -Há quem abuse da fibra.

Podem deduzir-se inúmeras implicações equinas.

-O que foi? -Ela vai explorar o tema do cavalo.

As incisões chegam ao periósteo do maxilar,

entre os molares e pré-molares.

-O quê? -Os dentes mostram que tinha um freio.

Chama-se Ed.

Qual é a graça?

-"Um cavalo é uma beleza..." -"Com certeza, com certeza."

O famoso Mister Ed?

Mister Ed?

Devia ter ido em viagem da empresa a Orlando.

Trabalhava em marketing.

Consegue identificar o corpo do seu marido nessa foto?

Sim, é o Ed.

Não percebo. Quem pode ter feito isto?

Encontrámos o corpo do seu marido perto de Harrisonburg, Virgínia.

Virgínia?

Ele discutiu com alguém? Amigos, colegas, parentes?

Não. O Ed era uma daquelas pessoas.

Tínhamos um prédio. Se um inquilino não pagava a renda, o Ed perdoava-lhe.

Era assim.

Tinham um rancho? Um cavalo de corrida? Um pónei? Alguma coisa do género?

Não. Porquê?

O Ed ia a corridas de cavalos? Rodeios?

Não sei se alguma vez chegou a ver um cavalo de perto. Porquê?

Ainda não temos nada em concreto, mas quando tivermos, eu digo-lhe.

-Olá. -O castigo vem a cavalo.

-Essa teve graça. -Descobri isto num site sobre cavalos.

O que é uma zebra?

-É um cavalo em pijama. -Está certo.

Descobriste alguma coisa útil?

Os cascos dos campeões puro-sangue enterram-se à parte.

Os cascos representam o poder e têm a sua própria sepultura.

Os pés da vítima estavam separados do corpo.

A mulher da vítima diz que ele tinha ido numa viagem da empresa

e o patrão diz que ele estava com a família.

-Mentiu. -Podem estar todos a mentir.

Como é que sabias a adivinha da zebra?

Tenho um filho de cinco anos.

-Viste a Brennan? -Acabou de sair.

A vítima usou o cartão de crédito pela última vez num hotel na Virgínia.

Porquê? Precisas de alguma coisa?

Não, esperava poder ajudar.

Admiro a tua ética profissional, mas ela não me disse nada.

E tu? Precisas de alguma coisa?

Estou a pesar órgãos humanos. Não ias gostar.

Pois. Está bem.

Estás a matar tempo até seres hipnotizada?

-O Hodgins disse a toda a gente? -Está entusiasmado. Estamos todos.

Mergulhar no subconsciente para descobrir o nome do misterioso marido. Romântico.

Não vai ser tão romântico quando me divorciar dele.

Romântico para ti e para o Hodgins, quando casarem.

-Estás nervosa? -Não. Estou chateada.

Conheço o hipnotismo. Fui assistente de um mágico num carnaval no Brasil.

-Que bela apresentação. -O Mysterio era um amor.

Eu era nova e achava sexy aquilo de ser cortada em dois.

-Estávamos a falar de hipnotismo. -Pois.

O tipo acariciava a barriga de um jacaré e eu metia a cabeça na boca dele,

mas sempre que hipnotizava alguém, era sempre vigarice.

A hipnose terapêutica é uma técnica comprovada.

O eletroencefalograma mostra um aumento da atividade do córtex cerebral,

região do subconsciente.

-A sério? -Sim. Altera as ondas alfa e teta.

Lê o estudo de Stanford. Não é um truque.

-Tu leste? -E fui hipnotizada.

Porquê?

Estava em Las Vegas.

Subi para um palco e cacarejei diante de 3000 pessoas.

Mas não me lembro de absolutamente nada.

-O estudo Stanford fala disso? -Não, infelizmente.

Nos três dias seguintes, sempre que alguém dizia "café", eu cacarejava.

Isso não me tranquiliza.

Não é loucura maior do que beber kava e casar com um gigante nas Fiji.

E o Hodgins parece não se importar com isso.

Se ele quer tentar a hipnose, atira-te.

Tens razão. Já fiz coisas muito mais loucas.

-O que pode acontecer? -É isso mesmo.

Café?

Estava a brincar. Já lá vão dois anos.

HOTEL AMBASSADORA

Diz que é do FBI?

É a terceira vez que lhe mostra a identificação.

-Porque haveria de conhecer este homem? -Usou aqui o cartão de crédito.

-Porque está a ser tão difícil? -Estou a ser discreto.

Dirige um serviço para maridos infiéis?

-Chama a SWAT. São discretos. -Está bem.

É o Mister Ed.

"Um cavalo é uma beleza, com certeza"?

É essa a ideia, sim.

Venham comigo.

As pessoas vêm aqui para satisfazer as suas fantasias hípicas,

24 horas por dia, sem receio de serem julgadas.

Mister Ed é um pónei.

É um jogo sexual?

-Como é que percebeste? -Ele falou de fantasias.

O Ed foi embora há uns dias. É estranho, porque pagou.

Pagou o quê?

Estamos a meio da nossa convenção.

A menos que seja realmente importante, preferia não importunar os hóspedes.

Encontraram o corpo do Mister Ed, no bosque, a três quilómetros daqui.

-O que é isto? -É um fetiche.

-Um é o cavalo, outro o cavaleiro? -Basicamente.

Não são os cavalos que importam. É uma relação de domínio.

Uma variante de sadomasoquismo.

Achas sexy comer de uma manjedoura?

O fetichismo é uma forma de atividade sexual

em que não se estabelece uma relação emocional com o outro.

O sexo é compromisso. Se não queres compromissos, fica em casa e...

Há fetiches para masturbação. Os sapatos de mulheres ou...

Podemos falar com a amante ou dominadora do Mister Ed?

Tenho de pedir autorização. Temos advogados, médicos...

Temos de falar com o tratador do Mister Ed ou com quem o montou pela última vez.

Muito direto.

FBI. O traseiro para trás, por favor.

O meu verdadeiro nome é Anne Marie Ostenbach. Aqui, sou Annie Oakley.

Naturalmente.

O Mister Ed morreu?

-Conhecia-o bem? -Muito bem.

Aqui representa-se um papel. Ele não devia saber o seu verdadeiro nome.

Conhecemo-nos na Internet há um ano. Éramos compatíveis em tudo.

-É tão difícil encontrar um bom pónei. -Não olhe para mim.

O Mister Ed era dócil, mas não submisso.

Está bem.

E, sim, dormimos juntos, se é essa a próxima pergunta.

Quando se encontraram pessoalmente para poder... montá-lo?

Há seis meses. Apaixonei-me por ele.

Isso quer dizer o quê? Umas chicotadas suaves?

Não estou a falar de amor romântico.

É o que sente uma rapariga quando tem o seu primeiro pónei.

Há disputas entre cavalos?

Não. Não é esse tipo de jogo.

-Mister Ed apareceu perto daqui. -Há indícios de fetichismo equino.

Suspeitamos que terá sido morto por um membro do vosso grupo.

-Falem com a mulher dele. -A mulher dele?

Sim. Apareceu aqui na manhã a seguir ao desaparecimento.

Não terá fugido com um bando de cavalos selvagens?

Estou a falar convosco de livre vontade, sem a presença de um advogado.

Podia, pelo menos, fingir algum respeito.

Vou tentar.

Na noite em que o Ed foi embora, eu estava nos estábulos com ele.

Tinha-o obrigado a trabalhar no duro e estava a escová-lo.

-Ela apanhou-nos. -Sabia que ele era casado?

Eu não queria casar com ele. Só queria um pónei.

-Como é que ele reagiu? -Não perdeu a compostura.

-O quê? -Continuou a jogar.

Acabei de o escovar e fui para a cama sozinha.

De manhã, não estava. Pensei que tinha ido embora com a mulher.

Não fale do assassinato do Ed Milner a ninguém.

O que é pior? Descobrir que o teu marido te é infiel,

ou descobrir que tem uma vida secreta de cavalo?

O fetichismo equino existe desde os gregos.

Teve de ser a mulher, não?

Aristóteles gostava de ser montado como um cavalo.

Também dizia que a função do coração era resolver problemas de matemática.

-Como é que sabes isso? -Sou espertinho.

Na Inglaterra vitoriana, mulheres faziam espetáculos eróticos vestidas de éguas.

Uma mulher surpreende o marido com outra a esfregá-lo, é duro.

No séc. XVI, na Turquia, o rei tinha estábulos de raparigas e rapazes cavalos.

-Era doente. -Porque és tão judicativo?

É errado converter alguém num objeto sexual.

-Como é que sabes? -É o que diz a Bíblia.

-Não diz nada. -Só se foi por esquecimento.

Somos todos diferentes.

Se alguém tem de gritar "arre" para se excitar, qual é o mal?

Se tivesse vivido como homem, talvez não tivesse morrido como cavalo. Só isso.

Sabia que o seu marido não estava na Flórida.

Sim. Menti.

Porquê?

Fui casada com o Ed durante nove anos. Temos filhos.

Não queria que soubessem que o pai era um perverso.

-O fetichismo foi uma surpresa? -Um choque completo.

Porquê? Tínhamos uma boa vida sexual.

Uma parte dele não se satisfazia no amor.

Ossos, isso é uma daquelas... Como é que o localizou?

O quê?

Não encontrou o estábulo dele por acaso.

Não. Pensei mesmo que estava em Orlando em negócios. Recebi uma chamada.

-De quem? -De um homem.

Disse-me que o Ed estava com outra mulher e disse-me onde encontrá-los.

E não me disse nada sobre os cavalos.

-Reconheceu a voz dele? -Não.

Alguma coisa em particular?

O sotaque. Australiano, talvez, ou inglês?

Então, surpreendeu o Ed e a sua...

Cavaleira.

É isso que lhes chamam?

-O que aconteceu a seguir? -Fui para casa.

-Voltou a falar com ele? -Não. Contratei uma advogada.

Disse-me que todos os contactos deviam passar por ela.

Alguém a viu regressar nessa noite?

-Por que razão isso é importante? -Julgo que sabe porquê, Sra. Milner.

Se o tivesse matado, não precisava de uma advogada para me divorciar.

Não. Mas precisava de um álibi.

-Achas que não foi ela? -Não.

Baixa isso. Porquê? Por causa do álibi da advogada?

Não. Porque lhe cortaram os pés. Um ritual. O assassino sabia de cavalos.

Talvez tenha começado a esquartejá-lo para o espalhar pelo bosque,

mas era muito trabalho, ou meteu-lhe nojo, ou não cabia na mala do carro.

-É uma cultura. -Fazer de cavalo?

Antropologicamente falando. Não é só por causa dos pés. Tinha as mãos atadas.

Dantes, atavam-se as patas dianteiras dos cavalos para que não se perdessem.

Já para não falar dos outros atributos equestres neste caso.

Sim, é uma cultura, e devemos ter isso em conta na investigação.

-Ainda achas que foi ela? -Já não.

Temos de saber quem fez a chamada. Se tinha motivo para contactar a mulher do Ed

também podia ter um motivo para matá-lo.

Certo. Voltamos ao Ambassadora?

-Arre. -Pois.

Não digas isso.

As fraturas em redor da ferida sugerem que a lâmina era embotada.

Estou a tentar determinar o tipo de arma.

Enches os espaços de Microsil para tentares determinar a forma da lâmina.

Sim.

Este tipo gostava de fingir que era um cavalo?

-Sim. -Eu nunca experimentei.

Quando era miúdo, fingia ser um cavalo, mas não havia nada de sexual.

-Qual é o melão desta época? -Porquê?

Quando identificar a arma, temos de a testar para comparação.

Meloa-cantalupe.

O que é isto? Um rodeio mórbido?

Movimentos estilizados. A postura é um sinal sexual.

-Quem são estas pessoas? -Na vida real, conservadoras.

Ouviste o que disse o Lucky. Advogados, juízes, agentes do FBI.

-Não é normal, é... -O quê, Booth?

-Não estás interessada em... -Brincar aos cavalos? Não.

Mas confesso que, em matéria sexual, gosto de representar papéis.

-Isto está a aquecer aqui. Vamos... -Olá. Alguma... pista?

Gostávamos de saber se algum dos cavalos ou cavaleiros tem sotaque.

O Thor.

Cresceu em Inglaterra.

-O que está com a Annie Oakley? -Sim.

Qual é o seu verdadeiro nome?

-Calvin Johnson. -Ótimo. Vamos.

Obrigado.

Todos nós representamos papéis sexuais.

Eu não. Sou completamente normal.

Quando olhas para uma mulher e a achas bonita, fazes dela um objeto.

Sempre que me visto bem e ponho batom, faço de mim objeto.

É mais subtil do que o que estes fazem, mas é a mesma dinâmica.

O teu batom, Ossos, não tem nada a ver com isto.

Calvin Johnson?

Tem um freio.

-Posso ajudá-lo a tirar isso? -Só quando eu disser.

Falamos aqui ou na cidade, e será menos um dia a brincar aos cavalos.

Como é que o traz à realidade? Há uma palavra, um gesto?

Uma pancadinha na testa.

Olá.

Eu mal conhecia o Ed.

-Então, porque telefonou à mulher dele? -Não podem provar que fui eu.

Ela gravou a chamada. Podemos analisar a voz.

Se mentir, acusamo-lo de obstrução à justiça.

E porte público de parafernália sexual.

Sim, liguei-lhe. E depois?

-Para que lhe ligou, Calvin? -Para trocar umas receitas.

Para ficar com a Annie Oakley.

Denunciar um tipo à mulher não é crime federal.

-Onde arranjou o número de telefone? -No telemóvel dele.

-O Ed Milner é um idiota. -Era um idiota.

Agora é vítima de um homicídio. O que aconteceu?

A mulher do Ed foi-se embora sem ele,

fez o que tinha a fazer para ficar com a sua cavaleira.

A Annie é uma jockey e tanto, mas eu não mataria por ela.

Eu não matei o Mister Ed.

Gosto de ser dominado pelas senhoras, mas não sou louco.

Talvez seja bom olhares-te ao espelho, Flicka.

Não.

Estudei direito em Stanford e trabalhei para um juiz.

Tenha cuidado com o que faz, Agente Booth.

Obrigado.

-Este tem um motivo. -E sabe de cavalos.

Desde quando mentes? Gravação e parafernália sexual?

Estava a representar o meu papel. O bom e o mau bazófia.

O bom e o mau bófia, Ossos.

O bom e o mau bófia.

O que se passa aqui?

Primeiro, tu.

Cantalupes. Eu e o Zack precisamos delas para uma experiência.

Claro.

Falei com a Dra. Jasper, a hipnotizadora.

Pediu-me que levasse fotografias. Mas eu só encontrei isto.

-Não é grande ajuda. -Por isso, procuro a foto de casamento.

Casaste-te na praia, ao amanhecer.

Quando desliguei o telefone, lembrei-me

que alguém me tirou uma foto depois de eu dizer "aceito".

Usei-a como marcador de um livro, mas não a encontro.

Odeio esta história de ter de me lembrar que casei com alguém.

Nem sequer sei o nome dele. As pessoas olham para mim como se fosse louca.

-E és. -Obrigadinha.

Vá lá, Angie, aceita a ironia. É por isso que és quem és.

Casaste-te com ele e, agora, vais-te casar comigo. Não faz sentido.

Queres que dê ouvidos a um tipo que se passeia por aí com umas meloas?

Cantalupes. É um erro comum. E tu tens de descontrair.

Queres que vá contigo quando te puserem a dormir? Posso agarrar-te na mão.

Não me vão pôr a dormir. Vou ser hipnotizada.

Está bem.

Vou-me embora com as minhas meloas para que possas descontrair.

Amo-te, doida.

A arma era romba, com 2,5 cm de largura e curva.

-É invulgar. -Não se fores um cavalo.

-Não sou um cavalo. -Mas a vítima era.

Ou, pelo menos, fingia que era.

-O que é isso? -Uma faca de cascos.

São curvas para se adaptarem à forma do casco de um cavalo.

-Dás-me um desses melões? -É uma cantalupe.

Os cavalos matam-se com um golpe na testa.

Os melões têm de estar a 1,80 m, a altura da vítima.

Criamos algo que afaste o melão, pois deve ter visto a arma a aproximar-se.

Está bem.

Dantes, preparávamos as coisas em conjunto.

É possível que a minha estadia no Iraque tenha feito de mim um homem de ação.

Vou ter atenção a isso.

Parece que encontrámos a arma certa.

O Mister Ed não se limitava a brincar e copular como os cavalos.

Também foi morto como um cavalo.

As mãos da vítima foram atadas com cordel.

Cordel para atar o feno?

Tem um filamento que o protege do sol.

O produtor faz venda direta. Só venderam 228 no ano passado.

O Booth pode identificar os hóspedes e cruzar os dados.

Eu trato do assunto.

Hodgins?

Está aí alguém?

Hodgins?

-Porque não abres os olhos? -Querida, quebrava-se o encanto.

Ainda estás hipnotizada?

-Não, não funcionou. -Porquê?

A médica disse que eu não estava suficientemente relaxada.

Acreditas? Como é que ela sabe se estou ou não relaxada?

Estás a mexer na pulseira, o tom de voz é mais alto que o usual

e cheiras a suor.

Não digas isso. A sério?

Volto lá às seis.

Se tiver mais de 60 de pulso, repetimos para a semana.

Pulso rápido e tensão alta são sinais de stress emocional.

-Achas que não quero ser hipnotizada? -Fiz uma observação factual.

Achas que tenho medo de velhas recordações.

Achas que gosto desta história do Berimbau como figura de fantasia intocável.

E que descobrir o verdadeiro nome dele vai trazê-lo à realidade

e tornar estas meshugaas banais e desinteressantes.

Não sei o que são "meshugaas".

Não percebi nada.

Porque é que sinto que te devo um pedido de desculpas?

Para a próxima, resulta. Vais ver.

Agora, dá-me licença, querida.

E fecha a porta quando saíres.

EDIFÍCIO J EDGAR HOOVER -FBI

Reconhece isto?

Sim, é cordel.

Uma coisa especializada. Não se estraga com o Sol.

O melhor para os seus clientes.

-Vem do meu feno? -Do corpo do Ed Milner.

Preciso de um advogado?

-A decisão é sua. -Eu não matei o Ed.

Isto vem do Ambassadora.

Qualquer um dos clientes podia tê-lo tirado do feno.

A sua ex-mulher é coproprietária da empresa?

-Eu comprei a parte dela. -A sua ex é a Anne Marie Ostenbach?

Aliás, a Annie Oakley? A parceira sexual do Ed Milner.

Parece que está tudo contra si.

-Já não somos casados. -E não o incomoda

ver a sua ex-mulher em jogos destes com outros homens?

-O que é isto? -Um mandado.

Tenho este cordel pelo rancho todo.

-Procuramos uma faca de cascos. -Eu tenho uma.

-Ótimo. -Roubada há quatro dias da carrinha.

-Comunicou à polícia? -Era uma faca de 10 dólares.

-Acho que sei quem foi. -Estou a ouvir.

Tenho um cliente chamado Tom Mularz.

Andou a distribuir folhetos defendendo a venda de carne de cavalo.

-É açougueiro. -Porque teria entrado na sua carrinha?

Tirei-lhe os folhetos, pu-los na carrinha e expulsei-o.

Ele levou os folhetos e a faca?

Só sei que, na manhã seguinte, os folhetos tinham desaparecido e a faca também.

A mesma manhã em que o Ed Milner desapareceu.

Caramba, brilhante descoberta.

Descobri uma coisa muito interessante.

Os pés da vítima foram cortados com grande precisão.

Excelente. Mas a resposta educada seria: "Sim, Hodgins? O que descobriste?"

Vê-se um corte que causou a desarticulação da tíbia distal e do perónio

por cima do tálus.

Não te estava a perguntar a ti. Estava a dizer-te que me devias perguntar.

Sim, Hodgins? O que descobriste?

Os pés foram cortados com uma faca de cascos.

-Eu sei. -Porque eu te disse.

Não. Examinei os cortes ao microscópio laser.

Como é que descobriste?

Há vestígios de aço no crânio e nos pés.

-A mesma arma. -A mesma arma.

Estragas todos os meus momentos de triunfo pessoal.

Detesto este cheiro dos talhos.

A putrefação de um rosto não te incomoda, mas um talho sim?

Entre vender carne e matar animais vai um pequeno passo.

Estou a pensar tornar-me vegetariana.

-Eu não. -Estava a falar de mim.

O Zack disse que o assassino sabia cortar osso.

Como um açougueiro.

Carne de cavalo. "Deliciosa, tenra e pouco gordurosa."

-O que desejam? -Procuramos carne de cavalo.

Só há dois matadouros nos EUA e não exportam para a Virgínia.

É uma pena. É o Tom Mularz?

-Porquê? -Sou o agente Seeley Booth. Esta...

Vai à volta. Corta-lhe o caminho.

Pare ou dou-lhe um pontapé nos testículos!

-Tu és forte! -Tento manter-me em forma.

-"Dou-lhe um pontapé nos testículos"? -Funcionou.

Temos de conversar sobre calão policial.

-Bateram-me com o quê? -Um edifício.

Tenho estado a pensar na psicologia disto.

Eu sei que detestas estas teorias, mas ouve-me.

O Tom é açougueiro. É a favor do consumo da carne de cavalo.

O Ed Milner era carne de cavalo.

Vejo o simbolismo.

-Quem é o Ed Milner? -Mister Ed? Diz-lhe alguma coisa?

-Está morto? -Sim.

Caramba. Era um bom cavalo.

Estou a ver.

Montou o Mister Ed?

Não, sou um cavaleiro, mas prefiro éguas.

Admirava o estilo dele.

-Porque me bateu? -Porque fugiu?

-É do FBI. -Arranje melhor.

Sou desertor. É o FBI que trata dos desertores.

Desertou do quê?

Da Guarda Nacional.

Alistei-me para salvar gente de inundações e terramotos, não para matar.

Havia impressões digitais suas na carrinha do Lucky.

Queria os meus folhetos.

-São meus. -Os seus folhetos de carne de cavalo.

Não percebem que, se veneramos os cavalos sexualmente,

comer a sua carne é um ato de sagrada comunhão?

Há quem se passe a brincar aos cavalos e há quem fique desvairado para sempre.

-E depois de recuperar os folhetos? -Fui para casa dos meus pais, em Jersey.

-A que horas chegou? -Antes da meia-noite.

Eles podem confirmar. E tenho os recibos da gasolina.

-Desertou da Guarda Nacional. -Não sou um assassino.

-É um açougueiro. -Não mato pessoas. Sou inocente.

Que tal? Ter de baixar as pulsações

pode causar-me stress e aumentá-las, e não quero ser penalizada por isso.

58 batidas por minuto. Muito bem, Angela.

Fiz uns exercícios de respiração.

Não me vai pôr a cacarejar como uma galinha, pois não?

Desculpe.

Rendo-me.

Vamos começar.

Angela, feche os olhos.

Inspire

e expire.

Muito bem. Outra vez. Inspirar.

Expirar.

Concentre-se nos seus braços. Estão muito pesados.

Imagine que se está a afundar na cadeira.

Recebi a mensagem. O que se passa?

Quando tirou as larvas das órbitas,

restava algum tecido ocular? -Não. Comeram tudo até ao osso.

-Tenho outra explicação. -Para o desaparecimento dos olhos?

Repare nestas marcas à volta das órbitas,

o osso lacrimal, o esfenoide.

Acha que o assassino lhe arrancou os olhos?

Sim, com um instrumento curvo.

Uma faca de cascos.

O assassino cortou-lhe os pés, arrancou os olhos. É um crime violento.

Os assassinos são movidos pela fúria.

Não. Os pés foram amputados meticulosamente.

Os olhos foram arrancados. É alguém que não se impressiona com a carne.

O açougueiro tem um álibi.

O Booth disse que alguns destes hóspedes eram advogados, juízes,

-e médicos. -Acha que é obra de um médico?

Alguém que sabe manejar uma faca e não tem medo de sangue?

A Annie Oakley é médica e era a tratadora da vítima.

Mas não era a única médica na convenção.

Encontrei esperma no canal urogenital do Ed Milner.

Isso é importante?

A Annie Oakley diz que escovou o seu cavalo e foi dormir.

Terá dormido uma última vez com o falecido?

Se mentiu acerca disso, que outras mentiras terá contado?

Muito bem. Estamos prontas para começar a viagem.

Se me ouve, Angela, abane a cabeça.

Muito bem.

Está na ilha de Vatulolo, nas Fiji, na aldeia de Nakavala.

Não, estou na Ponte Rialto, em Veneza.

Não, está na praia, nas Fiji.

À sua frente tem uma porta vermelha.

Não tenho.

Não me resista, Angela.

-Está a ver a porta? -Estou.

Quando abrir a porta, o seu marido estará do outro lado.

Quando o vir, chame-o pelo nome dele.

Vou abrir.

Agarre no puxador.

Vou contar até três. Quando disser três,

vai abrir os olhos e sentir-se descontraída e reconfortada.

Vai lembrar-se de tudo e não vai ter medo.

Um, dois, três.

-Funcionou? -Angela, diga-me o nome do seu marido.

Eu abri a porta e vi uma vespa.

Uma motocicleta?

-Não, uma vespa a voar. -À volta da cabeça do seu marido?

Não, era do tamanho de um ser humano. Um ser humano enorme.

Estou a ver.

Que significa isso para si?

-Nada. -Tem de querer dizer alguma coisa.

Desculpe. Não faço ideia.

Não está propriamente a cooperar.

A culpa é minha?

Talvez possamos explorar essa vespa noutra sessão.

Sim, e o que verei ao abrir a porta? Uma cobra gigante?

Não me parece.

É oftalmologista, Dra. Ostenbach. Arrancaram os olhos ao Ed Milner.

Devo ligar ao meu advogado?

Temos um mandado, mas ligue, se quiser.

O Faísca é advogado de litígios.

Um advogado chamado Faísca. Isto promete.

Estão a cometer um erro.

Eu não matei o Ed Milner.

-Ela matou o cavalo, Mister Ed. -Eu amava o Mister Ed.

Mas ele não retribuía ao ponto de deixar a mulher.

O que aconteceu? Falou consigo antes de lhe dar umas pancadas na testa?

Vocês não sabem nada.

Aposto que lhe disse que ia voltar para a mulher.

Convenceu-o a fazer de cavalo pela última vez.

Foram na carrinha do Lucky, tiveram relações sexuais e acabou com ele.

Em plena vista. Obrigada por facilitar as coisas.

Uma faca de cascos. E então?

O seu DNA está no cabo e o sangue do Ed Milner na lâmina.

O sangue do Mister Ed.

Desobedeceu-lhe e esfaqueou-o na testa.

Amputou-lhe os pés, atou-lhe os pulsos.

Mas os olhos humanos dele olhavam para si, por isso, arrancou-lhos.

Deixei o meu marido por causa dele.

Deixei o Thor por causa dele.

E ele ia deixar-me?

O que queriam que fizesse?

Olá.

Procurei "vespa" na teoria dos sonhos.

-Adoro a teoria dos sonhos. -Eu sei.

E adivinha o que descobri. A vespa significa ira e inveja.

-Abelhas são boas. Podia ser uma abelha? -Não, Jack.

AS FÚRIAS

Um acidente nuclear cria uma vespa gigante.

Estava a lê-lo nas Fiji. Isto é, entre mergulhos e...

-Passeios. -Pois.

-O que é? -Vê lá dentro.

É o Berimbau.

Tem a cara voltada, não é grande ajuda. Meu Deus, é enorme.

Vira a foto.

"Angie e Grayson."

-Chamava-se Grayson. -Grayson Barasa.

Quando digo o primeiro nome, o resto sai naturalmente. Grayson Barasa.

Conseguiste, Angie.

-Queres mesmo encontrá-lo. -Quero muito.

-Para te divorciares. -Quero divorciar-me.

E depois casar-me.

Que tal a salada?

Ser vegetariano traz muitos benefícios para a saúde.

É uma escolha racional num mundo em que as provisões alimentares

estão ameaçadas pelo aquecimento global.

E as papilas gustativas globais?

A carne é deliciosa, tenra e pouco gordurosa?

-Sabe a carne de cavalo? -Devias tornar-te vegetariano.

Não perdi o apetite por causa da carne de cavalo.

Perdi-o porque me fizeste pensar naquelas pessoas

que fingem que são o que não são, por um pouco de sexo medíocre.

-Porquê medíocre? -Vá lá. Tem de ser.

Porquê?

Porquê? Eu digo-te porquê.

Aqui estamos nós, sozinhos,

criaturas separadas a rondarmo-nos uns aos outros,

à procura do mais pequeno sinal de conexão.

Alguns procuram nos lugares errados.

Alguns perdem a esperança e pensam que não há ninguém para eles.

Mas todos nós tentamos, uma e outra vez.

Porquê? Porque de vez em quando... Muito de vez em quando,

duas pessoas encontram-se e há uma centelha.

E sim, ele é bonito e ela também,

e talvez seja só o que veem no início.

Mas fazer amor?

Fazer amor.

É quando duas pessoas se fundem numa.

É cientificamente impossível que dois objetos ocupem o mesmo espaço.

Sim, mas o importante é tentar.

E quando acertamos, aproximamo-nos.

De quê? Violamos as leis da física?

Sim, Ossos. É um milagre.

Estas pessoas, com os seus fetiches e o seu sexo medíocre...

Pelo menos, comparado com o verdadeiro.

-Tens razão. -Sim, mas...

Espera aí. Convenci-te?

Sim.

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