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MÃES DÃO CARTAS!
Bolas.
A Caroline esforçou-se para te arranjar uma visita privada, e agora não queres.
O centro de detenção tem áreas de visita.
Com vidros de cinco centímetros. Agora vais poder dar um abraço ao teu velho.
-Eu não pedi tratamento especial. -Não precisas, porque és especial.
E vais dizer-me
o que aconteceu ao que está derretido em cima do volante e em todo o lado.
Mulher. Entre os 45 e os cinquenta e muitos.
A pélvis indica que ela deu à luz.
Ossos, olha para isso. Casada, certo?
Aliança de casamento? É possível.
Não se concentre só no chão.
Porque é que te preocupas com a minha relação com o meu pai, Booth?
Ficaste contente por prendê-lo e pô-lo na cadeia.
Não se trata de ficar contente, está bem? Trata-se de fazer o meu trabalho.
-Foi uma bomba que provocou a explosão? -O teto está descascado e as portas...
Eu perguntei-lhe a ele.
Achámos resíduos explosivos na carrinha e fragmentos de metal nos arbustos.
Uma bomba caseira?
Não sei até levarem a carrinha para o laboratório.
Não podem. Há restos mortais queimados dentro do veículo.
-Não se pode tocar neles. -Tenho de telefonar...
Esta carrinha vai para o Jeffersonian. Os seus técnicos podem observá-la lá.
-Faço a chamada? -Vá fazer a chamada.
Foste um pouco ríspida. Queres falar sobre isso?
-Olha, Booth. -É um medalhão com fotografia.
Deve ser a filha dela.
Quem havia de querer matar uma mãe dona de casa?
-Há uma caveira para reconstrução facial? -Serve-te.
Bolas. Só tenho isto para trabalhar?
Sempre detestei puzzles.
Antes de tirarmos as mãos do volante, talvez queiras analisar as unhas.
-Sabes que sim. -Meu Deus.
Não esperas pelo técnico de explosivos?
Só o suficiente para confirmar resultados. Ele é um burocrata do governo.
-Tu também, querido. -Só de nome.
Sou um cientista dedicado e apaixonado não intimidado pela pressão autoritária.
-Sai daí até chegar o técnico de bombas. -Mas...
Fora.
De qualquer forma, tenho de verificar as unhas.
Estamos perto de identificar a vítima?
Bem, esta é a caveira. Sou boa, mas não tanto.
Podias usar isto. Há um pedaço de língua, cabelo e matéria cerebral.
Se alguém quiser falar comigo, vou vomitar e depois tratar de papelada.
Esta é a agente especial Frost, da unidade de bombas.
O Booth tirou-me de um almoço importante.
Demorei meses a preparar esse encontro.
Tem de ser algo bom, Booth.
-Ela vai trabalhar contigo, Hodgins. -Sim, por favor. O quê? Não...
Hodgins. Doutor... Está bem?
Desculpe, como disse?
Ele é o Dr. Jack Hodgins.
Angela Montenegro.
Encarrego-me das reconstruções faciais.
E dele.
Muito prazer em conhecê-los.
Recolha todo as partículas metálicas e traga-me um tabuleiro...
Com solução aquosa.
Sim, eu sei.
Quer que faça uma eletroforese capilar?
-Pode fazer isso? -Posso.
E vai poupar-nos tempo. Assim, eu e a Angela podemos jantar a sós.
A matrícula foi destruída, mas descobrimos o número.
Foi registado em nome de Jeremy Nash, em Culpeper, Virgínia.
A cara não me é estranha.
A nossa vítima viajava com muita coisa, roupas e objetos pessoais.
Álbum de fotografias.
A maioria das fotos ficou queimada, mas este homem pode ser o Nash.
Ela fez as malas, recordações e tudo, e foi-se embora na carrinha?
-Parece que ia deixar o Sr. Nash. -Detesto casos domésticos.
-Vamos falar com o marido. -Não posso. Vou ver o meu pai.
-Agora? -Tu e a Caroline esforçaram-se por isto.
Detestaria parecer ingrata.
Eu vou sozinho falar com o marido.
Pronto, Max. Pode ir.
Boa, cadeiras verdadeiras. É bom ter uma filha importante.
Foi o Booth, não fui eu.
Bem, agradece-lhe por mim.
Sempre gostei do Booth. Foi o tipo mais simpático que já me prendeu.
Comovente.
Bem, deves gostar disto, de me ver aqui. Finalmente, tive de seguir as regras.
Então, eu sou menos do que tu, por achar que as pessoas devem seguir as regras?
-Estás aborrecida? -Claro que sim. O meu pai é um criminoso.
-Fora da lei. -Distinções subtis não são para mim,
nem para as tuas vítimas, imagino eu.
Tu queres uma história decente e simpática que te dê outro ângulo sobre a minha vida,
-mas as coisas não são assim. -Podias tentar.
Eu não mereço isso?
Acho que sempre tive um problema com a autoridade.
Sempre me vi a combater o sistema.
Um pouco como o Robin dos Bosques.
Dás-te conta de como isso é ridículo?
Estás aqui por assassinares o diretor-adjunto do FBI.
Ele era um bandido. Ia matar-te.
E abandonaste-me e ao Russ, quando eu tinha 15 anos.
-Para te proteger. Andavam atrás de nós. -Porque tu eras um criminoso.
Fora da l... Estás a ver? Eu sabia que não ias perceber.
Tens razão. A culpa é minha, por achar que podíamos ultrapassar...
Podemos ultrapassar isto. Podemos.
O tribunal vai decidir como é que me vai castigar.
Mas agora? Aqui?
Podemos fazer disto o que quisermos.
-As cartas que me pediste. Tenho de ir. -Espera, são para nós.
Lembras-te daquele jogo que jogávamos quando tinhas cinco anos?
-O Blitz. -O Blitz. Vamos jogar umas vezes.
Tu ganhas-me sempre. Também me lembro disso.
Um bom pai deixa a filha ganhar de vez em quando.
Não acredito no encorajamento, nem nessa treta da autoestima.
Se queres ganhar, merece-o. É por isso que és tão boa no que fazes.
Sabes que ninguém te vai dar nada de mão beijada.
Então, foste um ótimo pai?
Bem, talvez não tão mau como pensas.
E que tal isto? Só um jogo. Vá lá.
Diz-me, se precisares de mais alguma coisa.
Bem... Meias. Aquelas com apoio na sola.
Passo a vida na fila para a comida.
-Uma bomba? -Lamento.
-Vocês tinham problemas? -Que tipo de problemas?
Ela viajava com muitos objetos pessoais, álbuns de fotografias, roupas...
Era para o novo quarto da Celia. Roupas, coisas para decorar.
O senhor é do FBI, pelo amor de Deus. Não sabe quem fez isto?
-Este é o seu primeiro caso? -Acalme-se.
Estou aqui para ajudar, Sr. Nash, é tudo.
Como é que eu digo à Celia?
Como é que eu digo à minha filha?
Eles limpam os ossos comendo a carne.
-Mas deixam os fragmentos. -Fascinante e muito estranho.
-São meus. -Não me surpreende.
-Como foi a visita ao teu... -Não é relevante para a investigação.
Zack, o ombro esquerdo ficou estilhaçado, mas apresenta indícios de trauma antigo.
Preciso dos ossos assim que estiverem prontos.
Vê também o manúbrio. Estas sombras parecem corrosão.
Determinou o tipo de bomba?
Estou a analisar os destroços e à espera do que estes bichinhos deixarem.
E o Dr. Hodgins está só a fazer-lhe companhia?
O quê? Não.
Estou a trabalhar. Duramente.
Agora vou trabalhar...
duramente noutro sítio.
Olá. O que fazes aqui?
Estou a analisar a iconografia do caso do Filho da Viúva,
até alguém precisar de mim para a vítima da bomba.
Ouve, Angie.
A agente Frost é uma colega
e eu sou um profissional. Está bem?
Por isso, a gaguez e isso, não é... Isso não é...
É involuntário. É uma coisa corporal.
Não saiu bem.
Olha, não vou negar que ela seja atraente.
-Completamente sexy. -O quê?
A bombástica do esquadrão antibombas. É completamente sexy.
Eu sei. Quer dizer...
Olha, Jack.
Não me interessa o que se passa dentro das tuas calças.
Desde que fique nas tuas calças.
Sabes quem é completamente sexy?
Tu. Tu és completamente...
Pronto, poupa-me. O que é que tens?
-Isto estava na carteira da Amy Nash. -Tem coisas escritas.
Sim, a Cam precisa que reconstruas isso.
Vou tentar.
-Preciso de amostras para o espetrómetro. -Tenho de...
Eu amo-te e...
Vai.
O Nash vai buscar a filha e dizer-lhe pessoalmente.
Como é que se diz a uma filha que a mãe foi pelos ares?
-Uma abordagem direta seria o melhor. -Em vez de rodeios e floreados?
"Vamos até ao parque. A propósito, a tua mãe foi pelos ares."
Como está o teu pai? Não disseste nada.
-Parece que lhe doem os pés. -Refiro-me ao moral.
-Ele é vigarista. Sempre bem-disposto. -Só isso?
Eu não tive realmente um pai. O Max esteve ausente durante anos.
Sei que a rapariga Nash daria tudo para passar mais um dia com a mãe.
Tu sentirias o mesmo se algo acontecesse ao teu pai.
Há corante de trifenilmetano e sulfato de ferro
entranhados no manúbrio e na carne.
-Ambos de tinta de esferográfica. -É uma tatuagem caseira.
A Angela está a recriar o desenho.
Esta tatuagem parece ter sido grosseiramente executada.
-Feita na prisão? -Não esteve na prisão.
Os prisioneiros russos fazem uma tinta queimando sola e juntando fuligem e urina.
Foi com uma esferográfica e uma agulha, tão fundo que penetrou no periósteo.
-Ou seja, chegou ao osso? -Não é muito de mãe dona de casa.
E aqui temos.
Um pentagrama invertido. Adoradores do Diabo.
A mãe tinha um caso paralelo com Satanás? Que chique...
Há um desenho, no centro, que não consigo perceber.
Espera.
Isso é um punho?
Sim. É um punho.
Então, não era a patroa do Satanás, estava no ELN.
-Exército de Libertação Nacional. -Radicais dos anos 70.
Iam mudar o mundo. Pôr bombas em recrutamentos, queimar carros da polícia.
Verdadeiros visionários. Também abateram um polícia em 1975.
Entraram na casa de um fornecedor militar para roubar o cofre. Para o povo.
A June Harris e o namorado foram acusados de homicídio, mas nunca foram encontrados.
-Há 30 anos que o FBI os procura. -E aqui estão eles.
E a nossa vítima?
-É a mesma mulher. -Então, a nossa mãe era uma assassina.
Minha gente!
Digam-me, por favor, que o vosso equipamento finório está errado.
-Não devia estar aqui. -O Booth mata-me depois.
Esta não pode ser a June Harris.
Mas os registos dentários correspondem. A reconstrução da Angela também.
A Amy Nash era a June Harris.
Ela não podia ter esperado quatro dias para se transformar em carvão?
-Não percebo. -Caroline, porque é que está aqui?
A June Harris ia entregar-se. Eu preparei a entrega com o advogado dela.
Ele ia trazê-la na quinta-feira, depois de ela se despedir da família.
-Qual era o acordo? -Nove anos.
Nove anos por matar um polícia.
Por se entregar e pôr um fim a isto.
Ela dizia que estava inocente, por isso, ia ser um caso difícil.
O Sam Reilly esteve à frente deste caso durante 30 anos.
-Ele ficou satisfeito com os nove anos? -Ele não sabe.
Era parte do acordo. Ele não podia ser consultado.
Podemos dizer-lhe agora. Eu conheço-o. Ele merece, ao fim de 30 anos.
É contigo. Tu é que estás à frente do caso, agora.
Traz o Huntzinger, o advogado dela. Talvez saiba alguma coisa.
Adoro o Huntzinger. É um esquerdista à moda antiga.
Participou no julgamento dos Sete de Chicago, processou Nixon, CIA, Bush...
Vamos, antes que o Hodgins lhe dê uma Medalha de Honra. Vens?
Não posso. Tenho de analisar os fragmentos e comprar meias para o meu pai.
Deixe-a estar. A ausência fortalece os laços do coração.
Meias?
Eu trabalhei neste caso durante 30 anos e achas que eu não merecia um telefonema?
-Era parte do acordo. -E tu, Booth. Eu treinei-te.
-Achas bem afastarem-me assim? -Deram-me agora o caso. Não descarregues.
Malditos advogados. Trinta anos no caso e achas que não mereço um telefonema.
-Estou a falar contigo. -Estás a gritar. Já ouço zumbidos.
Lamento que ainda sejas uma menina, ao fim de 40 anos a trabalhar para o FBI,
mas eu gostaria de descobrir quem matou a June Harris.
E que tal se parasses de choramingar e ajudasses?
-Então, como tens passado, Sam? -Cala-te, Booth.
-O que está no saco, Leonard? -Escova de dentes, roupa interior.
Há sempre motivo para implicarem. Não tenho cinto, nem atacadores, estou pronto.
Ótimo. Só lhe queremos fazer umas perguntas sobre a morte da June Harris.
Eu adorava a June Harris. Pelo que lutou e o que fez da sua vida.
-Já ninguém tem a coragem dela. -Exceto, talvez, o Neil Watkins.
Adoraria isso, não era? Culpar outro revolucionário.
-Sabe onde está o Watkins? -Eles eram parceiros no crime.
Não me parece que queira arriscar que a June o entregue.
-E o segredo profissional? -E a obstrução à justiça?
Ela não é um mártir para a família dela, é só alguém que eles amam.
-Se é que consegue entender isso. -Cooperar com o sistema perpetua-o.
-E se o sistema é corrupto... -Blá blá. A seguir, avisa o Watkins...
O Watkins e a Harris não são heróis. Sabe como é que eles mudaram a sociedade?
-Pergunte ao filho do homem que mataram. -Tornou-se polícia como o pai. Comovente.
-Seu filho da mãe. -Saia daqui.
Acabou de bater num agente federal. Ainda bem que trouxe a pasta de dentes.
Que surpresa. Prendem-me para me calarem.
Devia estar a falar com o Valenti, em vez de me dar uma sova.
O tipo vem ter comigo, quer saber onde está a June.
Diz que recebeu uma carta dela. Como se ela lhe escrevesse, ou eu a entregasse.
Veem estas feridas? São uma prenda do vosso nobre filho de um polícia.
São macias. Vou ser o mais bem vestido da ala 8. Obrigado.
Não tens de quê.
Querida, desculpa.
Por quê?
Por ser uma desilusão tão grande como pai.
Mereces melhor.
E devia tê-lo dito mais cedo.
-E pronto? Não dizes nada? -O que esperavas? Eu concordo.
Esperava lágrimas, um abraço, ou algo assim.
Eu pedi desculpa. Era o que querias, não era?
-Não era a sério? -Claro que era a sério.
Segundo qualquer padrão objetivo, calhou-te um ser humano horrível como pai.
Mas estou a tentar progredir. Fui apanhado para poder estar contigo.
-Esperava que também fizesses o esforço. -Estou aqui, não estou?
Trouxe-te este champô.
O sabonete não te faz bem ao cabelo.
Não quero cheirar bem de mais. Isso pode ser um problema por aqui.
Pronto. Estás a ver? Assim é melhor.
-Obrigado. -De nada.
O delegado do MP vai querer falar contigo acerca de mim.
Não faria mal nenhum teres algumas coisas boas a dizer de mim.
Talvez te pudesses oferecer para testemunhar a meu favor.
Foi por isso que pediste desculpa?
Para me usares? Se calhar, também queres que eu altere provas?
-Podia juntar-me ao negócio da família. -Como podes pensar isso?
Porque parece que eu entro e saio da tua vida quando é conveniente?
Porque construíste uma carreira usando o teu charme para manipulares as pessoas?
Espera. Ouve. Sei que é difícil confiares em mim, e vai levar tempo, mas...
Não. Há coisas que partem e não se podem voltar a colar.
As coisas são assim. Eu estava muito bem sozinha, Max. Muito bem.
Espera. Por favor.
Na eletroforese e no HPLC vê-se nitrato de potássio, carvão e enxofre
numa proporção de 75:15:10.
Esmalte grafite, FFF GOEX, recreativa.
-Você é uma surpresa constante. -Sou, sim.
Não sei quantas pessoas se entusiasmam como eu com a química de explosivos.
Gosto de estruturas moleculares complexas.
Como é que vai isso, com o detonador?
Parece ser um relógio de pulso. Ficou bastante destruído com a explosão.
Chips microscópicos no vidro.
Eu vou ver a composição
para ver se consigo localizar o fabricante.
Ótimo.
Então, onde quer que eu deite este entulho?
Vai deitar fora o filtro de ar?
Não havia resíduos explosivos. Foi projetado do carro.
Ainda melhor.
Faz ideia dos tesouros que poderão estar aqui dentro?
Não toque nas minhas coisas.
Vigia-a.
-Ela também foi alvejada? -A entrada ficou exposta
quando removi os fragmentos do ombro.
Tens a certeza de que não é da bomba?
Não, os fragmentos são de chumbo revestido com uma liga de cobre.
Isso é uma bala. Não encontrei sangue na roupa. Quando foi o tiro?
Devido aos danos da explosão, é difícil dizer.
Vou verificar a reconstrução para estimar a altura.
O topo do ombro não seria um ferimento grave.
Ela podia ter feito uma ligadura e continuar ambulatória.
Podias ter dito "a andar de um lado para o outro". Eu não te despedia.
Isso implicaria a ausência de objetivo, coisa que eu não posso determinar.
Nem acredito que ainda digo estas coisas. Manda tudo para a Balística do FBI.
Eu vou informar a Dra. Brennan.
Não faz sentido. A viatura foi armadilhada para explodir. Para quê o tiro?
Até vermos o que a balística determinar, é absurdo especularmos.
-Especular é o nosso trabalho. -O Danny Valenti é polícia.
A June Harris assassinou o pai dele. Ele tem uma arma.
-É um bom rapaz. Não foi ele. -Isso é especulação sem sentido.
-Ela é necessária? -É a minha parceira.
Os mentores sentem-se ameaçados quando os alunos os ultrapassam.
É verdade. A mudança pode ser difícil de aceitar,
quer seja na forma revolucionária, ou na simples passagem do tempo.
Se ela fosse um homem, eu dava cabo dela.
Essa distinção já não é necessária, mas eu não o recomendaria.
Vai. Obrigado.
Guarda Valenti, o senhor meteu gasolina perto da casa da June Harris.
Eu não sabia onde ela vivia, era só a cidade do carimbo da carta.
A carta de desculpas dela.
Ela devia ter falado comigo, olhos nos olhos.
-E o senhor foi ter com o Huntzinger. -E bateu-lhe.
-Ele protege gente como ela. -É o trabalho dele.
Eu tinha cinco anos quando o meu pai foi morto.
A minha mãe disse-me que ele não voltava para casa. Não acreditei.
Sentei-me à janela, à espera, todos os dias, durante meses.
Parece estar muito zangado.
Porque é que não me disseste o que ias fazer?
-Ias tentar dissuadir-me. -Sabia que a pena dela era curta?
Talvez quisesse fazer justiça pelas próprias mãos.
Eu sou polícia. Não fui eu que a fiz explodir.
Esta é a minha investigação. Agente, preciso da sua arma.
-Porquê? -A June Harris levou um tiro.
Queremos assegurar-nos de que a bala não veio da sua arma.
-Vais deixar que eles me façam isto, Sam? -É só uma formalidade, Danny.
Então, vamos ser formais. Arranjem um mandado.
A Balística diz que a bala não corresponde à arma do Danny.
O Booth devia ser o primeiro a lê-lo. É o responsável.
Ela deve ser mesmo boa na cama, porque eu não vejo outra razão para a manteres.
E sou, muito boa. Mas o Booth não tem conhecimento direto do assunto.
Vamos concentrar-nos. Sam, tu...
Mas correspondia à arma que matou o pai do Danny há 30 anos.
A mesma arma que foi registada em nome do namorado da Harris. E nunca encontrada.
Todos disseram que a Harris nunca faria nada sem falar com o Watkins.
-Já te disse, precisamos de o encontrar. -Sim. Tens de me dar espaço.
Não me deixes de fora.
Trabalhei a carreira inteira para isto.
Assim que eu descobrir alguma coisa, digo-te, Sam.
Vamos, Ossos.
Lembro-me de já ter visto uma fotografia dele.
Eu estava a ver fotografias antigas.
A Amy disse que era um antigo namorado.
-Ela mantinha o contacto? -Não. Isto é, ela ter-me-ia dito.
Porquê? Não acha que... Ele matou-a?
Há quanto tempo sabe da verdadeira identidade da sua mulher?
-Só descobri há umas semanas. -Porque é que não me disseste?
Achaste que eu não merecia saber a verdade sobre a minha mãe?
A tua mãe queria ser ela a dizer-te.
-A sua mulher nunca falava do passado? -Ela dizia que só o futuro é importante.
O que ela podia fazer para mudar o mundo.
Elas não concordavam no método.
A Celia era um pouco conservadora para a Amy.
Isso nunca teve importância. Para mim, ela não era uma radical maluca.
Era a minha mãe.
O acordo judicial deve ter sido um alívio.
-Que acordo? -Ela não lhe disse?
Disse que ia falar com um advogado, mas eu dissuadi-a.
Sabe que é crime ajudar e ser cúmplice de uma fugitiva?
Quer acusar-me? Muito bem. Mas salvar a minha família não me parece um crime.
A Amy era uma boa mãe e uma esposa maravilhosa.
Podemos dar uma vista de olhos, ver se há provas que liguem a sua mulher ao Watkins?
A casa é vossa. Vamos, querida.
Só encontrámos chumbo e cobre no ombro por causa da explosão.
A remodelação óssea estava avançada.
-Então, é uma ferida muito antiga? -Sim. O osso já a tinha coberto.
Como foi a mesma arma que matou o polícia e que nunca foi recuperada,
acho que podemos presumir que a Harris foi alvejada durante o assalto.
Também encontrei partículas de chumbo nos metacarpos da mão esquerda,
-com a mesma remodelação do ombro. -Outro tiro?
Não. O mesmo. Os metais são idênticos.
Ela levou um tiro na mão e no ombro com a mesma bala? Isso é possível?
A Angela pode ajudar-nos a criar um cenário.
Estou a analisar a trajetória tendo como fatores a mão e o ombro.
Estas são fotografias da cena do crime de há 30 anos.
É a casa do fornecedor militar onde ocorreu o roubo da ELN.
A June Harris e o Watkins estavam no escritório, nas traseiras da casa.
As fotos originais do FBI eram toscas, com impressões digitais e marcas.
Presume-se que a June ficou de vigia enquanto o Neil esvaziou o cofre.
Quando o Agente Valenti entra e os surpreende,
a June dispara, matando o Valenti...
Mas isso não explica os ferimentos dela.
A menos que June tenha esvaziado o cofre enquanto Neil ficou a vigiar.
Exatamente. O Neil aponta ao Agente Valenti,
mas a June interpõe-se, levanta a mão para impedir o Neil,
mas ele dispara.
Ela estava a tentar proteger o polícia.
A June Harris estava a dizer a verdade. Não matou o Valenti, foi o Neil Watkins.
Ele também fez a bomba. O relógio usado para fazer o temporizador
estava coberto de um pigmento volatilizado usado pela Sawyer Time Company.
-Um relógio com a bandeira americana? -Belo toque irónico.
O Watkins usava sempre o mesmo tipo de relógio para fazer bombas.
Encontrámos vestígios na sede de uma ROTC, nas Finanças...
-A June disse-lhe que se ia entregar. -Ele não a deixou.
Por isso, fez uma nova bomba com um relógio antigo e matou-a.
Uma mensagem para todos os que pensavam que a revolução acabara.
-Parece ser um mau ex-namorado. -Na hipótese de estarem em contacto.
Não sabemos onde é que isso foi, se ela o viu.
Não tenho tanta certeza assim.
Tenho o filtro de ar dela.
É como um GPS entomológico.
-Porquê esta demora do Hodgins? -É um processo minucioso.
Obrigado.
O teu pai gostou das meias?
Sim.
Isto foi uma maneira de iniciar uma conversa, Ossos.
Eu sei.
Eu nunca me devia ter imiscuído nisto.
Desculpa. Só queria ajudar.
Ele queria que eu testemunhasse a seu favor. Só quer usar-me.
É um vigarista. Não quer dizer que não te ame, só quer algum retorno.
Ele foi preso para poder passar tempo contigo. Podias retribuir o favor.
Não sei se quero um pai que está sempre a cobrar.
Parece que tu também o fazes.
Sabes uma coisa? Tens razão. Isto não é da tua conta.
Nunca te vais perdoar se o negligenciares por teres medo de sair magoada.
Mas porque é que o Hodgins está a demorar tanto tempo?
Onde está a bombástica da unidade de bombas?
Ela voltou para o FBI para catalogar provas, graças a Deus.
Estava a pôr-me doido. Era sempre só ciência.
Depois, tentou destruir uma prova perfeitamente boa.
Então, e os seios?
Comecei a pensar neles a arrastar pelo chão quando ela tiver 70 anos.
E tu, o que estiveste a fazer?
Aquele papel queimado é uma carta que ela escreveu.
Estou a usar o espetro comparador para identificar a tinta.
Fixe.
O computador está agora a interpretar o conteúdo, por isso...
E tu?
Encontrei pólen.
A maior parte de Pinus appalachiana.
Pinheiro Shenandoah.
Que só existe na Montanha Shenandoah na Virgínia Ocidental.
Havia flores Pendleton nos pneus,
que só se encontram nos baldios de xisto, na parte de cima do Potomac.
É um sítio muito isolado. Entre as cidades de Hendersonville e Maple Flats.
Eu sei onde encontram o Watkins.
Bom trabalho, Hodgins. O meu computador ainda demora a processar.
Queres ir para a sala de material medieval?
Booth, porque é que estás a demorar tanto?
-Disseste ao Reilly onde está o Watkins? -Ele vai lá ter.
-Ele é demasiado emotivo. -Este caso é dele.
É irracional. Deve estar na menopausa masculina.
É um bom homem. E isso não existe. É um mito.
É um facto, a produção de hormonas baixa aos 50.
O desejo sexual diminui. Há uma redução da massa muscular, disfunções eréteis.
Vamos manter esta conversa de pé.
Há provas de que alguns homens ficam muito instáveis.
-Queres falar sobre o teu pai? -Estás muito sensível.
E tenho 35 anos. Só tenho 35 anos.
-Pronto, está bem. -Há comprimidos azuis para isso.
Não gosto disto. É silêncio a mais.
-O Reilly não devia estar aqui? -Sim.
Porque não trouxeste a grande?
Calma, Sam. Pousa a arma e afasta-te do corpo.
Olha para ele.
Ele fez isto a si próprio.
Não fui eu que fiz isto, Booth.
Bala calibre 38. Corresponde ao revólver encontrado na cena.
A posição é consistente com uma ferida autoinfligida, mas pode ser encenação.
Zack, amplia o raio X da mão.
Olha para isto.
Estreitamento assimétrico das primeiras metacarpofalângicas.
Desvio ulnar, quase impercetível.
-Quer o meu dedo? -Por favor.
O que estão vocês a pensar?
O Neil Watkins tinha artrite reumatoide nas mãos.
Isto aproxima-se à força do seu dedo com artrite.
Puxa.
-Com mais força. -Estou a tentar, Dra. Brennan.
A função motora do Watkins não seria maior do que a do dedo do Zack, com a gaze.
-O Watkins não conseguia puxar o gatilho. -Ele não podia ter-se matado.
E também não teria a destreza manual para montar a bomba.
Havia um homem que sabia exatamente como o Neil fazia as bombas.
Que trabalhou no caso durante 30 anos. Vou chamar o Booth.
A Dra. Brennan determinou que não foi um suicídio.
-O quê? -A arma foi lá posta.
Não seria a primeira vez que um agente coloca uma arma.
A Forense fez uma busca à casa
e não havia provas suficientes que sugerissem que o Watkins fez a bomba.
-Então, e o relógio? -Aí é que está.
Dois relógios com a bandeira americana foram confiscados no raid de LA, em 1974.
Vimos o cacifo das provas. Faltam muitas coisas, também um relógio.
Foi um caso tramado, Booth.
Aquilo foi retirado do sítio há anos. Sabes o que acontece nessas alturas.
Então, tiveste uma obsessão de 30 anos, mas perdeste o rasto às provas?
Tu tens uma boa folha de serviço. Podemos fazer um acordo.
Eu sei que vocês têm de fazer o vosso papel,
mas anda aí à solta um verdadeiro assassino.
Eu compreendo, Sam. A sério.
Acho que...
...devias arranjar um advogado.
Estive a catalogar os restos do relógio. A oxidação e erosão bacteriana do metal
não são próprias de um relógio guardado durante 30 anos.
Não pararam de os fabricar depois de 1976?
Sim. Mas encontrei alguns online, para colecionadores. Ainda selados.
-Encontraste o comprador? -Não foi preciso.
Como o relógio tinha 30 anos, precisava de bateria. Ficou uma impressão digital.
O estojo protegeu-o durante a explosão. Pedi ao FBI para analisar.
O computador acabou de analisar a carta. Não é para o Watkins.
"Querida Celia.
"Eu fiz coisas horríveis na minha vida, coisas que não posso mudar.
"Sei a dor que isto te vai causar,
"mas nunca te esqueças o quanto te amo.
"Sei que não concordávamos nos meios, mas almejámos a mesma coisa...
"Um mundo justo."
-O funeral é hoje? -Sim.
Parece uma família normal de luto.
Nunca é o que parece, pois não?
Sr. Nash, está preso pelo assassinato de June Harris, ou seja, Amy Nash.
Isto é uma loucura.
Lamento, Celia.
Nós sabemos do relógio.
"Embora não tenha disparado a arma que tirou a vida daquele homem,
"tenho de assumir a responsabilidade por isso e pela cobardia de me esconder."
Eu apanhei-a a sair de casa, uma noite. Ela tinha estado com ele.
Ela traiu-me, Celia. Traiu-nos.
Como pudeste fazer isto?
Durante 25 anos, acreditei que nos amava, mas usou-nos para se esconder.
Vamos.
"Eu tentei evitar que tu e o teu pai sofressem.
"Eu sei o que ele pensou quando soube que ia ter com o Neil,
"mas eu preferia morrer a trair o teu pai."
Ela estava a tentar que ele se rendesse também.
Ela estava a agir bem, papá.
Tem o direito de permanecer calado. Tudo o que diga pode e será usado...
"Se alguma coisa eu aprendi,
"foi que não devemos deixar o caos e a injustiça tornarem-nos cegos de raiva,
"para que nos tornemos parte do problema.
"A compreensão, a compaixão, a bondade e o amor
"são os únicos ideais revolucionários.
"Quando os comprometemos, tornamo-nos naquilo que desprezamos
"e perdemos a nossa humanidade.
"O mundo talvez veja o meu legado como sendo de violência e destruição,
"mas eu sei que tu és o meu verdadeiro legado,
"e por isso, eu serei sempre grata."
Eu não sabia se ia tornar a ver-te.
Achei que podíamos ver se nos lembrávamos do tal jogo de cartas.
Sim, claro.
Sabes, eu guardei esta garrafa de uísque na minha secretária desde 1975.
Sempre disse que, quando encerrasse este caso, abria a garrafa.
Gostava que me ajudasses com isso, Booth.
Ouve, Sam, eu quero pedir-te desculpa.
Eu teria feito a mesma coisa.
Bem, não exatamente o mesmo.
Ter-me-ia dado alguns tabefes.
Ao render da guarda.
-Quanto uísque bebeste? -O suficiente.
Eu ter-te-ia convidado, mas o Reilly... Bom, ele não gosta de ti.
-Eu compreendo. -Desculpa, foi rude?
Não vindo de alguém que esteve a beber.
Meu Deus. Adoro este sítio. Adoro-o. Adoro este país.
Digo-te uma coisa, se eu trabalhasse na polícia
nos dias em que deitaram aquele chá todo para o porto...
Eu sou bom... Teria encurralado aquela gente e ainda seríamos ingleses.
-Achas? -Sim. Sem dúvida.
-Fui ver o meu pai. -Não pensei que fosses fazer isso.
Como antropóloga, aceito a mudança como ordem natural das coisas,
mas, com ele, não permiti a transformação.
Atribuí-lhe um comportamento com base em preconceitos obsoletos.
Não fui racional.
Não percebi nada.
Se eu estivesse a realizar uma experiência objetiva com o meu pai,
observando o seu comportamento,
-teria de concluir que ele me ama. -Porquê? O que aconteceu?
Jogámos às cartas.
Fixe.
Eu venci-o.
Que bom para ti.
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