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Original subtitles

ilho dela é bombeiro e ainda não sabem onde ele está.

Ela começa a chorar e eu começo a chorar também.

Não consigo parar de tremer.

Não sei se consigo continuar a fazer isto.

Volto a falar com o tráfego aéreo e é mais uma má notícia.

Não só o espaço aéreo continua fechado,

como há uma tempestade a caminho da Terra Nova.

O Furacão Erin vai chegar a terra amanhã ou no dia seguinte.

Se não pusermos estes aviões a voar, em breve, ninguém sai daqui.

- Claude, as pessoas começam a ceder. - Vamos levá-las à Legião.

Vão todos à Legião beber um copo.

Olá, viste o meu namorado? Chama-se Kevin.

É mais ou menos desta altura, mas perdeu o juízo.

- Só quero sair. - Pois, eu não quero.

- Não vou sem ti. - Pois, eu não…

… vou ficar muito tempo.

- Uma bebida. - Uma bebida.

Hannah, toda a gente vai sair esta noite.

Vá sem mim, Beulah.

Vou esperar junto ao telefone.

Espero consigo.

Estou à espera de notícias da companhia aérea, portanto, fico por aqui, Tom,

se os miúdos quiserem falar comigo.

Bonnie? Sei que não vais deixar os animais,

portanto, trouxe-te um pouco de chili.

Mas acho que, esta noite, devias ir dormir a casa.

Doug! Vem cá.

Vamos assistir ao nascimento do primeiro chimpanzé bonono raro na Terra Nova!

Beulah! Precisam de comida na Legião, se puderes dispensar alguma.

Mna. Beulah, deixe-me ajudar com a comida.

Não, querido. É um convidado.

Por favor. Sou chefe numa cadeia internacional de hotéis.

Supervisiono restaurantes no mundo inteiro.

Gostaria de ajudar com a comida.

Venha cá!

Toda a gente vai ao bar. E o Nick também vai.

Eu vou se a Diane for.

Penso: "Aqui, ninguém me conhece. Posso ser quem quiser."

Não estou preocupado com a carteira nem com levar um tiro.

Estou preocupado com a quantidade de uísque irlandês que ando a beber.

Às 20 horas, o bar está apinhado com pessoas de todo o mundo.

Todos falam de onde estão hospedados e do que têm visto,

e os empregados do bar estão sempre a servir cerveja e bebidas alcoólicas.

Uma hora depois, há gente a nadar no rio das traseiras.

E não, ninguém trouxe fato de banho.

Alguns rapazes locais pegam nos acordeões e nas rabecas.

E alguém traz um pau feio!

Sim!

Adeus a todas as meninas bonitas A acenar na doca

Toca a zarpar, camaradas Toca a zarpar

E se um dia regressarmos Faremos as camas abanar

Toca a zarpar, camaradas Temos todos de partir

Adeus, rapazes terra-novenses Vão deixar-nos sozinhas

Toca a zarpar, camaradas Toca a zarpar

E se encontrarem outras Nós também temos amantes

Toca a zarpar, camaradas Temos todos de partir

Depois, pomos o karaoke a trabalhar.

Perto, longe

Onde quer que estejamos

Depois, decidimos fazer uma cerimónia.

Vamos nomear estas pessoas terra-novenses honorários!

Há uma antiga e solene tradição Para a admissão ou a audição

Da transição de um vindo de longe

Para um terra-novense

A única outra forma, seja como for

É morrer e rezar ao destino

E esperar poder reencarnar

Como um terra-novense

Ei, venham lá dentro Quem não arrisca não petisca

Só algumas pessoas choraram

Serão terra-novenses

Ei, sentem-se aqui Daqui a um ano, sentir-se-ão melhor

Tentem ignorar dúvidas e medos

E serão terra-novenses

Precisamos de alguns voluntários.

Quem se quer tornar um terra-novense?

Aqui mesmo!

Bom homem! Quem mais?

Não sei porque pus a mão no ar, mas o Kevin ficou…

Meu Deus! A sério? Meu Deus! É mesmo a sério.

Sim, é mesmo a sério.

- Se não queres, não faças. - Pois não.

- De onde vem, amigo? - Los Angeles.

LA! Quem mais?

Nós! Queremos ser terra-novenses.

Muito bem. E de onde vêm?

- Texas e… - Texas!

- De que parte do Texas vem? - Não, eu…

- Eu sou do Texas. Ele é de Inglaterra. - Bem, espere.

- Como é que funciona? - O quê?

- Como funciona o quê? - O vosso casamento?

Consigo em Inglaterra e ela no Texas.

Não somos casados.

Desculpem. Achei que eram casados.

- Não. - Não.

Mas gostariam de ser?

Esperem, porque não?

A Diane já tinha bebido duas cervejas, portanto, devia ser o álcool a falar.

Nunca tinha bebido mais do que uma cerveja de uma vez,

portanto, deve ser o álcool a falar.

Fui buscar mais cervejas para nós.

A primeira parte é a mais fácil Chegaremos em breve à mais estranha

Preciso que repitam isto tudo

Quando se tornarem terra-novenses

Nós falamos uma língua diferente

Temos mais esses e mais rum

Têm de provar línguas de bacalhau

Quando se tornarem terra-novenses

Ei, deem o vosso melhor Não é nada assustador, por enquanto

Terão de mudar a forma de vestir

E serão terra-novenses

Ei, cantem connosco Nada arriscado, apenas prolongado

- Esta canção tem 30 versos - E serão terra-novenses

Senhoras e senhores, isto é Screech.

Na Segunda Guerra Mundial, esteve cá um oficial

a quem foi oferecido um pouco deste rum.

Os locais bebiam-no sem fazerem caras esquisitas,

portanto, ele fez o mesmo e soltou um estridente…

Toda a gente veio ver o que tinha acontecido e disseram…

"Que guincho infernal foi aquele?"

E agora é a vossa vez. Estão prontos?

Não estou pronto.

Não, obrigada.

- Todos juntos! Um! - Um!

- Dois! - Dois!

- Três! - Três!

Bota abaixo!

No fundo, o Screech é rum jamaicano, do mau.

O Screech é horrível!

O Screech é delicioso!

E depois trazem o bacalhau.

O bacalhau!

- O bacalhau? - O bacalhau!

Em cada transformação Há sempre algum risco

É preciso arriscar

E pode haver sangue Ou pode haver alegria

É igual para ser um terra-novense O desejo de cada um

Logo, não sejam tolos Aceitem o que vier

Vamos, beijem o peixe

Sou um ilhéu…

Senhoras e senhores, é um bacalhau fresco da Terra Nova.

E se querem tornar-se terra-novenses honorários,

terão de lhe dar uma beijoca!

Céus!

Se beijares isso, não te volto a beijar.

- Eu arrisco! - Dois!

Não vou beijar um peixe!

Vá lá! Eu beijo-o se o Nick o beijar.

Meu Deus! Está bem.

… Sou um ilhéu…

Três!

Não consigo.

- Vá lá! - Como? Acabei de o beijar!

Agora, tem de beijar o bacalhau. É vital na cerimónia.

Não consigo.

Pronto, fazemos um acordo.

Ou beija o peixe…

… ou beija este inglês com quem não é casada.

- Espere, o quê? - Está bem.

Ei, venham lá, esta noite Arrisquem e aventurem-se

Saltam com os pés atados

E serão terra-novenses

Ei, mais uma vez Em arriscar é que está o ganho

Quando acabar, saem daqui

E já serão terra-novenses

Quando acabar

Vão-se lembrar

Que são terra-novenses

Bom trabalho, LA.

Boa noite a todos!

Kevin?

Onde te meteste?

Kevin?

Os meus pais devem ter pensado Que tiveram uma filha louca

Porque fui uma daquelas crianças Que sempre soube o que queria

Levaram-me ao aeroporto Para ver os aviões descolar

Ao vê-los voar Algo dentro de mim acordou

Eu tinha oito anos Quando lhes disse que queria ser piloto

Mas era demasiado nova e baixa E não havia mulheres comandantes

E o meu pai disse: "Tem paciência Vamos ver o que acontece"

Mas tive a minha primeira aula Desci dos céus

E disse ao meu pai Que passaria o resto da vida a voar

Arranjei o meu primeiro trabalho A pilotar para um agente funerário

Num pequeno Bonanza Só o cadáver e eu

Cinco dólares à hora Por levar cadáveres de avião

Tinha de trepar por cima deles Para chegar ao meu lugar

E, de repente, as rodas saíam do chão

O solo ficava para trás

E eu sentia-me subitamente viva

De repente, eu estava no cockpit

De repente, tudo mudara

De repente, eu já não era Demasiado nova ou baixa

E os meus passageiros Não se queixavam

De repente, estou a pilotar Voos charter

De repente, está tudo bem alto

De repente, não há nada pelo meio

Nada entre mim e o céu

A American Airlines Tinha os aviões mais bonitos

Candidatei-me a engenheira de voo

Mas os pilotos da Segunda Guerra Queixaram-se todos

Disseram "Não deve haver miúdas no cockpit"

"Menina? Querida? Ouve Porque não nos trazes uma bebida?"

E as assistentes de bordo Não eram minhas amigas, na altura

E disseram "Achas-te melhor do que nós?"

Mas eu fui tendo trabalho

E a tripulação da Segunda Guerra Acabou por se reformar

E as raparigas passaram A respeitar-me muito mais

Em 1986, fui a primeira mulher Comandante nos Estados Unidos

De repente, estou no cockpit

De repente, tenho as minhas asas

De repente, todos os pilotos Que protestavam contra mim

Eles que vão buscar As suas próprias bebidas

De repente, ninguém me diz Para ficar em terra

Olho para baixo e passo por eles

De repente, não há nada Entre mim e o céu

Somos uma tripulação só de mulheres

A notícia soube-se E fez cabeçalhos pelo país

De repente, parou

- Ninguém diz - "Não podes"

- Ou - "Não vais"

Ou "Sabes que não és nada Porque és uma mulher"

De repente, caso-me

E pomos alfinetes num mapa Dos sítios para onde já voámos

De repente, sou mãe

E, de repente, chocada Com o quanto cresceram

De repente, pergunto-me O que sentiriam os meus pais

Se me vissem Ensinar homens a ser pilotos

Porque, de repente Sou uma instrutora experiente

E, de alguma forma, tenho 51 anos

De repente, voo de Paris para Dallas

Sobrevoo o Atlântico E sinto-me tranquila

Quando, de repente Dizem do controlo de tráfego aéreo

"Às 8h46 Houve um ataque terrorista"

E aquilo que eu adorava Mais do que tudo

Foi usado como uma bomba

De repente, estou num hotel

De repente, alguém morreu

De repente, há algo pelo meio

Entre mim e o…

Estou, sim? Vou a caminho.

- É 1h34. - Sexta-feira.

Dia 14 de setembro. Vão avisar nos abrigos à medida que cada avião possa partir.

O nosso piloto diz para arrumarmos tudo.

É de repente. A meio da noite e partimos daqui a uma hora.

Mas estas pessoas põem comida em sacos

e põem-se em fila para os distribuir.

Nós vamos passando e pegamos num saco,

e despedimo-nos de todos.

Tentamos dar-lhes dinheiro, mas eles não aceitam.

Não, meu filho. Teria feito o mesmo.

- Bebi o seu uísque todo. - Eu teria feito o mesmo.

Bom dia.

- Estava a ressonar. - Dói-me a cabeça.

Bebeu uns copos.

Beijei o peixe?

Não se…

Sim.

Boa! Espere…

Temos de nos despachar. O nosso avião pode ser o próximo.

O nosso avião pode ser o próximo a partir.

- Estás chateado com o beijo ao peixe? - Não.

Estou chateado porque saí do bar e tu nem reparaste.

- Saíste sem me dizeres. - Depois do que aconteceu,

estavas a agir como se estivesse tudo bem, mas não está.

Eu sei!

Mas não me vou fechar em casa.

Vamos voltar para LA.

Em Dallas, adorava que fosse a minha casa.

Tentei mudar o voo para Nova Iorque. Não o fizeram.

A minha conferência foi cancelada, portanto, volto já para Londres.

- Não entendo. Porque é que… - Preciso de voltar para casa.

- Voltar para casa. - Voltar para casa?

Voltar para casa?

Bem, as coisas boas acabam sempre, certo?

À medida que os passageiros se vão embora, param para nos agradecer

e tentam dar-nos dinheiro, mas nós dizemos…

Não, amigo. Teria feito o mesmo.

Mas um homem continua a insistir até que a Beulah lhe diz…

Pode deixá-lo na caixa de sugestões da Câmara Municipal.

Sinceramente, basta-nos um obrigado quando se forem embora.

O Comandante Bristol, aquele piloto da Virgin Atlantic,

vem à minha procura para o ajudar a reunir os passageiros dele.

Annette, minha querida.

Antes de partir, devo agradecer-lhe por tudo o que partilhámos.

Embora volte hoje para casa, deixo aqui o meu coração.

- Annette! - Não.

Vai…

- Adeus! Fiquem bem! - Adeus!

- Fiquem bem! - Avise quando o bebé nascer!

Não desapareça!

Vamos ao aeroporto e está um caos.

Os passageiros desembarcam de vários voos.

As malas têm de ser esvaziadas.

Nada de tesouras nem corta-unhas.

As malas sem identificação serão destruídas.

Depois, alguém diz que há problemas com a segurança.

Uma das minhas assistentes de bordo vem ter comigo e diz…

Há um muçulmano no nosso voo.

Vi-o a rezar e ele tem agido de forma estranha.

Não tem bagagem de mão e…

Não volto para o avião com ele lá.

Chego ao aeroporto e tiram-me da fila.

Sou responsável pela segurança dos meus passageiros e tripulação.

E a segurança diz-me que devemos levar a sério quaisquer suspeitas de ameaça.

Levam-me para uma sala privada e chamam-no para ser questionado.

No início, não entendo o que me pergunta a polícia.

Depois, percebo tudo.

Na minha cultura, há uma palavra, awrah.

A zona entre o estômago e os joelhos.

Na minha religião, é proibido alguém ver essa zona sem ser a nossa mulher.

Mas ter uma mulher na sala a ver isto, a ver-me…

Não podem entender.

É a revista corporal mais rigorosa a que já assisti.

Quando acabam, procuro-o e digo-lhe…

Lamento muito que aquilo tenha acontecido.

Já posso ir?

Quando partimos?

Bom dia! Somos um dos primeiros aviões a partir,

o que faz de nós felizardos,

pois há aviões que podem ficar aqui durante algum tempo.

Eu não tenho qualquer controlo sobre isto.

Pagaram um voo de Paris para Dallas

e, se eu tiver autorização, levo-vos para Dallas.

Se não tiver autorização para ir para Dallas, levo-vos de volta a França.

Mas trataremos de tudo, o mais depressa que pudermos,

para vos levar para os Estados Unidos

e para onde têm de ir. - Não. Não posso voltar.

Acabei de adotar a minha filha e se eu não…

Então? Podemos votar!

Podemos fazê-los ir para onde queremos ir.

Quem é a favor de Dallas?

Isso que se dane! Suíça?

Isto não é uma democracia!

Sou a comandante e recebo ordens da American Airlines e da FAA.

Não vou eleger o destino a votos.

Se houver alguma situação com a qual tenhamos de lidar,

vamos sair da ordem de partida

e acabaremos por ser o último avião a partir.

Obrigada pela vossa colaboração.

Após horas à espera, dizem-nos que, afinal, ainda não vamos partir.

São 16h18. Há um 747 com um pneu furado a bloquear a pista.

Todos os aviões param.

Ninguém vai descolar.

Bem-vindos novamente!

O piloto diz-nos para ficarmos junto ao nosso abrigo

e estarmos prontos a partir.

Mas a Diane quer dar um último passeio.

Não a posso deixar ir sozinha.

Encontramos um miradouro lindíssimo.

Chama-se Dover Fault.

Tem um milhão de degraus.

É lindo!

Nick! Tem de ver isto.

Ena!

Nem acredito que estamos aqui.

Eu sei.

Nem acredito que vamos partir.

Não quero ir.

O que disse?

Não sei. Eu…

Vou tirar uma ou duas fotos.

Está bem.

Parem o mundo Tirem uma foto

Tentem captar Para garantir que o momento perdura

Ainda o estamos a viver Mas dentro de instantes

Será o limite E este presente será passado

Portanto, aqui estamos Onde o mundo se juntou

Portanto, aqui, ela ficará Para sempre nesta foto

Olhe para isto.

Há 540 milhões de anos, os continentes do mundo chocaram, aqui mesmo.

E há 200 milhões de anos, voltaram a separar-se,

afastando-se uns dos outros.

Mas uma parte deles ficou para trás.

Eu devia sair da frente. Não está a ver a vista.

Não. Fique onde está.

- A sério? - A sério. Está perfeito.

Parem o mundo Aproveitem o momento

Assim que ele passar Ficaremos sozinhos e vai acabar

Belisquem-se

Digam a vocês mesmos Que estão apenas a sonhar

Que ele nos vai esquecer

Mas aqui estamos nós

Onde os continentes Outrora chocaram

Antes de seguirem Caminhos separados, para sempre

- Portanto, parem o mundo - Parem o mundo

- Parem o mundo - Parem o mundo

- Parem o mundo - Impeçam-no de girar

Estou num miradouro

A ver alguma coisa

Vale a pena tirar tempo Para parar de o sobrevoar

- E olhá-lo - Parem o mundo

- Não tenham medo - E olhem à volta

- Olhem à volta - Parem o mundo

- Fala com ele - Fala com ela

E olhem agora

Tirem uma foto da paisagem

Do miradouro Do momento que acabou

Do oceano, do rio

Das árvores

Parem o mundo, por favor

São 9h35 da manhã.

- Sábado. - Dia 15 de setembro.

Finalmente, os aviões começam a andar

e vou dizer aos miúdos com as doenças graves

que afinal vão para casa, sem passarem na Disneylândia.

Mas eles não estão tristes. Vão passear de carroça, andar de canoa

e alguém se vestiu da mascote da cidade, o Comandante Gander.

E a verdade é que, se tivessem chegado a Orlando,

teriam apanhado quatro dias de chuva.

Vou só limpar a areia mais uma vez, depois, levo-os para os aviões.

Lyle.

És um gato lindo.

Colei o frasco dos comprimidos à transportadora, para que o vejam bem.

Portaste-te bem. Vais ficar bem.

Sim, Ralph, és um lindo cocker spaniel.

Os seguranças da noite não te deixaram descansar,

portanto, dorme bastante no avião, sim?

Certo.

Unga.

Nunca tinha visto um chimpanzé bonobo raro.

Não temos muitos, aqui na Terra Nova.

E uma vez que ali o teu parceiro gosta de atirar o próprio cocó,

vou dizer que és o chimpanzé bonobo raro mais simpático que conheci.

E quero que saibas que lamento.

Lamento que tenhas perdido o teu bebé.

Eu tenho três. Às vezes, dão mais problemas do que alegrias.

Seja como for, vais ficar bem.

O vento começa a levantar, a soprar a 80 quilómetros por hora.

Estamos aqui há muito tempo.

Ainda estamos no chão, vem aí um furacão,

e penso: "Estamos a ficar sem tempo."

Temos de partir. E tem de ser agora.

Um avião, depois outro

Mais nove aviões, depois outro

- E mais 13 aviões e depois outro - Mais 19 aviões e depois outro

- Vinte e dois, vinte e quatro - Vinte e nove, trinta e dois

- Trinta e oito - Trinta e oito

- Trinta e oito - Trinta e oito

Trinta, trinta e oito aviões

Senhoras e senhores Se olharem pelas janelas

Para lá de toda essa chuva Fica o Maine

Acabámos de atravessar A fronteira canadiana

Bem-vindos novamente Aos Estados Unidos

Olhando pela janela Para o mundo lá em baixo

Embora ele esteja ao meu lado Num instante, vai partir

- Olhando pela janela - Kevin, fala comigo

- E pela janela vemos - Um lugar que todos conhecemos

Isto está ligado? Está!

Peço desculpa a todos… Olá!

Como a maioria das pessoas Lamento ter de me despedir

Queria agradecer-lhes Por tudo o que fizeram

É isso mesmo que vou fazer E vou passar um chapéu

Para as pessoas Que nos deram o tempo delas

Que nos deram a cidade

Vamos dar-lhes uma bolsa Vão passando o chapéu porque

Algures, no meio do nada

- No meio de sabe-se lá onde - Quem sabe

É lá que encontrarão

Algo no meio do nada

No meio do ar limpo e azul

Encontrámos o nosso coração Mas deixámos uma parte de nós

O Nick e eu ficamos ao lado um do outro e eu… quero dizer algo,

mas vamos partir e acabou tudo.

Então, ela começa a chorar. Não sei o que dizer.

Ponho um braço à volta dela e vou beijá-la na testa, para a consolar.

Bem, passámos por turbulência

e, sinceramente, achei que ele tinha falhado. Portanto, eu…

Senhoras e senhores Se olharem pelas janelas

Não vão querer perder isto Acabámos de entrar no Texas

- Algures - Algures

- No meio do nada - Do nada

- No meio de sabe-se lá onde - Quem sabe

- É lá que encontrarão - Encontrarão algo no meio

- Algo - Algo

- No meio do nada - Nada

No meio do ar limpo e azul

Encontrámos o nosso coração Mas deixámos uma parte de nós

Toda a gente está a beber e a comparar histórias.

Onde ficaram? O que fizeram?

Eu e o Nick passámos a viagem quase toda aos beijos, lá atrás.

A dada altura, aparece uma assistente de bordo que diz…

Uma toalha quente?

Uma toalha quente?

Uma toalha fria?

Algures pelo meio

O ritmo da vida, do trabalho E do destino

Algo nos faz parar e perceber E estamos finalmente no momento

Algures, no meio do nada

- No meio de sabe-se lá onde - Quem sabe

É lá que encontrarão

- Algo - Algo

- No meio do nada - Nada

No meio do ar limpo e azul

Encontrámos o nosso coração Mas deixámos uma parte de nós

Senhoras e senhores Bancos direitos e tabuleiros para cima

Mesmo abaixo de nós Está a cidade onde cresci

Dou a volta, passo o campo E as rodas tocam no chão

- A deslizar - Casa, EUA

- Damos vivas, aterrámos - Casa, EUA

- Agradeço-vos - Casa, EUA

- Obrigada por voarem connosco - Casa, EUA

- Abraço-os e à tripulação - Casa, EUA

- Voltámos a casa - Casa, EUA

- Pela porta e pelas escadas - Casa, EUA

- Chegámos - Casa, EUA

- Ele está à espera na fila - Casa

Não, eu estou bem, Tom

Estou bem

- Então… - Então…

Vais ligar-me?

Assim que chegar.

- E lá foi ela. - E lá foi ele.

E então, fiquei só.

De volta a como as coisas eram

De volta ao simples e banal

Durante cinco dias O tempo esteve tão bom

Mas assim que embarcaram Começou a chover

No final do dia Depois de todos terem partido

Todos tentámos voltar ao normal Só que

A cidade estava mais silenciosa E muito mais vazia

Estávamos todos iguais Mas diferentes do que éramos

Foi interessante ver o ginásio Quando empilhei a última cama

Agradecimentos escritos por todo o lado E coisas de que se esqueceram

A autoridade de saúde diz "Limpem tudo, cada canto"

Então, começamos

São 7h42 da manhã.

- Domingo. - Dia 16 de setembro.

Passados cinco dias, passaram a máquina por cima do gelo e jogaram hóquei.

Sem a gente dos aviões aqui,

digo aos meus funcionários: "Vão para casa. Durmam."

Estávamos todos exaustos, esgotados.

A maioria tinha passado cinco dias seguidos a trabalhar.

Mas não consigo dormir.

Sento-me, ligo a televisão e começo a chorar.

Ainda não tinha chorado aquele tempo todo.

Algo desapareceu

Pela janela do avião, vejo Manhattan,

e ainda há fumo.

De repente, volto a ter medo.

E há outros também com medo.

Algo acabou

Conheço o Aeroporto de Newark.

Dá para parar um camião, à beira da estrada,

e disparar um lança-granadas contra um avião a aterrar.

Algo foi feito

Mas não acontece nada.

Levo o Kevin até casa dele. Não falamos muito.

Algo nos falta

Vou diretamente ao quartel dele.

Parte de mim perguntava-se se eles só não me tinham dito.

Mas eles continuam sem saber.

Algo mudou

O meu apartamento está como o deixei, mas mais vazio.

Mais silencioso.

Começo a desfazer as malas e encontro a câmara.

Algo foi rearranjado

A caminho do restaurante, deixo a minha filha na escola.

Mas ela não quer entrar. Diz que tem medo.

O que lhe digo?

Algo está tenso

Em casa do meu pai, olho pela janela

para a vista que observei toda a vida.

E agora, uma parte dela… Falta alguma coisa.

Algo nos falta

O Kevin acaba comigo.

Demite-se e volta para casa, para Nova Iorque.

E tenho saudades dele.

Das piadas dele.

Algo se perdeu

O Nick e eu ligamos um ao outro quando podemos, mas é horrível.

Só nos conhecemos porque aconteceu esta coisa horrível.

Algumas coisas custam

Vou ao Ground Zero que…

Parece o fim do mundo. Literalmente, ainda está a arder!

Algo não está

O meu pai pergunta: "Ficaste bem, quando estiveste retido em terra?"

Como lhe digo que não estava só bem, mas muito melhor?

Algo nos falta

Ligo para a companhia e digo: "Posso ir aonde me quiserem enviar."

Mas dizem-me: "Tire uns dias de folga."

Telefono todos os dias e volto ao aeroporto na quinta-feira…

… mas está vazio.

Silencioso. Parece outro lugar.

Paro os poucos passageiros que circulam e digo:

"Obrigada por continuarem a andar de avião."

Estou, sim, fala da Academia Gander. Sou a Beulah Davis.

Em que posso ajudar?

Ele morreu.

Acabou-se.

Não.

Lamento muito, Hannah.

Lamento muito.

Estás aqui

No final de um momento

No limite do mundo

Estás aqui

No limite do oceano

Onde a história acaba

Onde o rio vai ter ao mar

- Aqui - Algo desapareceu

- Para lá do Atlântico - Algo acabou

- No escritório - No aeroporto

Em minha casa

- Numa ilha - Algo foi rearranjado

- Numa sala de aula - Na estação de TV

No meu carro

- E onde quer que estejamos - Algo desapareceu

Estamos aqui

Quando a Câmara de Gander declara o fim do estado de emergência,

significa que tudo volta ao normal.

- Garth! - Claude!

- Ouve. - Ouve.

- Põe-te no meu lugar. - Não te queres pôr no meu?

- Temos tentado negociar! - Nós também!

Credo!

- Bom dia, Crystal. - Bom dia, Sr. Presidente.

- Uma Pepsi? Sim. - Isso.

- Bom dia, Dwight. - Olá, Claude, Garth e Crystal.

Claude, Crystal, Dwight, Garth. Bom dia.

- Bom dia. - Bom dia, Janice.

- Janice. - Janice.

- Janice. - Janice.

- Há novidades? - A greve continua?

- Temos tentado negociar. - Nós também temos tentado!

- Vão desmantelar o aeroporto? - Hoje, não.

Sr. Presidente, vi o seu carro estacionado.

Talvez queira ir à Câmara.

Acabámos de abrir a caixa de sugestões.

Quando o banco acabou de converter as moedas do mundo inteiro,

as pessoas tinham doado mais de 60 mil dólares.

Durante meses, os passageiros enviaram chocolates, flores…

Donativos de todos os tipos.

Postais e cartas chegavam de todo o lado.

"Cara Mna. Beulah.

Quando a minha filha me pergunta o que me aconteceu naqueles cinco dias,

falo-lhe na sua bondade.

Obrigado, mais uma vez. Cumprimentos, Ali.

PS: Por favor, envie-me a receita do peixe com queijo."

Ralph, o cocker spaniel, foi campeão numa exposição canina.

E a Unga, a chimpanzé bonobo rara, chegou bem ao Zoo de Columbus.

Pouco tempo depois, teve uma cria à qual chamaram Gander.

O Tom Brokaw liga-me. O Tom Brokaw.

Está a fazer um documentário e, como eu era a única jornalista aqui,

sou a única que tem imagens.

O Tom Brokaw.

Era uma grande oportunidade,

mas eu não queria enfiar o microfone na cara das pessoas

num momento tão difícil, portanto, fiquei em Gander.

E ainda estou aqui hoje, no décimo aniversário.

Estou em direto da Terra Nova para a BBC.

- CBC. - CTV.

Al Jazeera.

Pela Rogers TV, sou a Janice Mosher, no 11 de setembro.

De 2011!

A cidade volta a estar cheia com os que vêm de longe.

No décimo aniversário, de todo o mundo,

recebemos de volta os passageiros.

- Um, dois… - Um, dois, três, quatro!

Boas-vindas aos amigos Que vieram de longe

- Ei! - Boas-vindas aos locais

- Que sempre disseram ficar - Ei!

Quer venham de Toledo Ou quer venham de Taipei

- Porque somos de todo o lado - Somos todos de longe

- Bem-vindos à rocha - Sou um ilhéu

Sou um ilhéu

Sou um ilhéu Sou um ilhéu

Sou um ilhéu Sou um ilhéu

Sou um ilhéu Sou um ilhéu

Bem-vindos à nossa ilha Com as suas enseadas e baías

Podem continuar para leste Mas há um oceano no caminho

Quando tudo está destinado Mas nada corre como planeado

E os mais bêbedos numa sala São os que tocam na banda

Bem-vindos à rocha

As novas regras de segurança

já não permitem que as crianças entrem no cockpit.

Claro que, no meu voo de reforma,

levei a minha família toda ao cockpit, na nossa viagem para Gander.

Voltei com o dinheiro que angariámos, e que já é mais de um milhão de dólares.

Vou buscar o uísque irlandês e vamos brindar a isso.

O Nick e eu não conseguimos que a relação à distância resultasse.

Portanto, mudei-me para o Texas e pedi-a em casamento.

Passámos a lua de mel na Terra Nova.

- O meu secretário novo chama-se Robin. - Tudo bem?

Todos os anos, no 11 de setembro, fecho a empresa

e dou 100 dólares a cada funcionário para que ajudem um estranho.

É a minha forma de recordar o que aconteceu.

A Beulah e eu mantemos o contacto.

Ela até me foi visitar a Nova Iorque.

E eu ligo-lhe se ouvir uma piada mesmo idiota.

Beulah, porque é que os terra-novenses são maus em piadas de truz-truz?

Não sei, Hannah.

Experimenta. Eu passo por terra-novense.

Truz-truz.

Entra. A porta está aberta.

O donativo que mais nos honra acabou de chegar hoje.

Tem quatro metros de comprimento e pesa 1200 kg.

A Terra Nova é dos poucos lugares, fora dos Estados Unidos,

onde temos algum aço do World Trade Center.

Na ponta nordeste da América do Norte, numa ilha chamada Terra Nova,

há um aeroporto.

Logo ao lado, há uma cidade chamada Gander.

Esta noite, honramos o que se perdeu.

Mas também celebramos o que encontrámos.

Estás aqui

No início de um momento

No limite do mundo

Onde o rio vai ter ao mar

Aqui

No limite do Atlântico

Numa ilha situada a meio

- De lá e daqui - Sou um ilhéu

- Sou um ilhéu - De lá e daqui

Sou um ilhéu Sou um ilhéu

- Sou um ilhéu - De lá e daqui

Sou um ilhéu Sou um ilhéu

Sou um ilhéu Sou um ilhéu

Bem-vindos ao nevoeiro Bem-vindos às árvores

Um beijo e um bacalhau E o que houver pelo meio

Àqueles que se foram embora Nunca foram verdadeiramente

Uma vela ao vento E a chaleira sempre pronta

Das enseadas às grutas E às pessoas dos aviões

- Cinco dias. - Dezanove animais.

E sete mil desencaminhados.

Quando o Sol se põe E está mais escuro do que antes

Se esperam um porto seguro Serão bem recebidos

No inverno, da água Através do que houver pelo caminho

Àqueles que vêm de longe

Dizemos bem-vindos

Bem-vindos, bem-vindos

Bem-vindos, bem-vindos à rocha!

Boas-vindas aos locais E aos que vêm de longe…

AOS QUE ABRIRAM OS SEUS CORAÇÕES E NOS DERAM AS SUAS HISTÓRIAS PARA CONTAR.

… o pai do pai do meu pai Naufragou nesta rocha

Céu e terra pouco importam Pois estou encalhado aqui

Bem-vindos à rocha Bem-vindos à Terra Nova

É mais longe de Manhattan Do que da Irlanda

Dizem que nenhum homem é uma ilha Mas uma ilha faz um homem

Especialmente quando alguém vem De uma ilha como a Terra Nova

Sou um ilhéu Sou um ilhéu

Sou um ilhéu Sou um ilhéu

Sou um ilhéu Sou um ilhéu

Sou um ilhéu Sou um ilhéu

Bem-vindos ao tempo mais louco De que já ouviram falar

Onde todos são simpáticos Mas nunca é bom mais acima

Porque é húmido ou enevoado Lamacento ou aborrascado

E quando finalmente faz sol É sinal que vai piorar

Bem-vindos à rocha Bem-vindos à Terra Nova

Os mais bêbedos numa sala São os que tocam na banda

Bem-vindos ao lugar mais afastado Da Disneylândia

Peixe, batatas fritas e naufrágios Esta é a Terra Nova

Bem-vindos à terra Onde os invernos nos tentaram matar

- E dissemos - Não seremos mortos

Bem-vindos à terra Onde as águas nos tentaram afogar

- E dissemos - Não seremos afogados

Bem-vindos à terra Onde perdemos os entes queridos

- E dissemos - Vamos seguir em frente

Bem-vindos à terra Onde os ventos tentaram soprar

E dissemos que não

No inverno, da água Atravessando o vento

Se um estranho nos bate à porta

Convidamo-los a entrar

Convidamo-los a entrar

Sou um ilhéu

Bem-vindos ao bacalhau Às árvores e ao nevoeiro

Aos ferries e às bagas E as pescas falhadas

Às festas na cozinha Pelos que partiram

No coração Sabemos que nunca

Deixaremos este pedaço de paraíso Onde começámos

Aos mais tristes E aos estranhos de moto-quatro

Graças a Deus, somos os mais pobres Mas os mais ricos no que importa

E as meninas de St. John Com as velas desfraldadas

Aos nossos amigos no fim do mundo Dizemos

Bem-vindos à rocha!

EM MEMÓRIA DE HOWELL BINKLEY

Legendas: Cláudia Nobre

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