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Eu gostaria de falar com o diretor, por favor
Me desculpe, n�o h� ningu�m aqui. A escola s� abrir� amanh�.
Bem, se n�o se importa, eu estava dirigindo pelas redondezas...
e gostaria de saber se posso visitar a escola.
Sim, mas...
Sou uma aluna antiga.
Estudei aqui h� 20 anos atr�s.
Mas a escola est� vazia.
N�o tem problema. Falarei com os fantasmas, ent�o.
THERESE E ISABELLE (1968)
Legendas por Martha Kiew.
Segui o caminho que me levava at� os lavat�rios.
O som de cada andar ainda v�vido em meus ouvidos.
E aqui cheguei. Mais velha.
Na dist�ncia entre o aroma da f�brica de doces
da escola vazia.
Eu estava no banheiro. Os vapores exalavam.
E o suave odor de cabelos sedosos.
Inclino-me sobre o retrete.
A �gua dormente refletiu meu rosto antes da cria��o do mundo.
Onde est�o Therese e Isabelle?
N�o sei. Quer que as procure?
N�o. Fique aqui. Vou mandar outra pessoa.
Therese , Therese...
Abra. Sou eu.
Eu temia que n�o viesse.
Claro que eu viria.
Tem certeza que ningu�m a viu?
Acho que n�o.
Deixe-me olhar para voc�.
Voc� � t�o linda... Quase n�o consigo respirar.
O intervalo vai terminar em alguns minutos.
Mal podemos ficar juntas.
Deixe-me ficar com voc�.
N�o vejo como.
Me ensine. Me ensine.
Diga.
Tenho medo.
Quero que diga. Quero ouv�-la dizer.
Diga.
N�o consigo.
Se � assim, ent�o irei embora.
N�o. N�o, por favor.
� t�o est�pido. H� um minuto est�vamos juntas e agora...
E agora n�o.
N�o ag�ento v�-la assim.
Estou farta.
Ent�o diga alguma coisa.
Voc� me beija?
N�o! Na boca.
Cedo demais.
Eu a odeio.
Voc� me tortura. Voc� veio aqui, ent�o? Por qu�?
Por que voc� veio?
Bem, aqui estamos.
Por favor, mam�e, n�o me obrigue...
N�o seja crian�a.
Afinal de contas isso � uma escola, n�o uma pris�o.
Quero ficar em casa, quero ficar com voc�. Eu prometo...
Sua m�e sabe o que � melhor para voc�.
Por favor, tente entender.
Assim que eu e seu padrasto nos assentarmos,
voc� poder� voltar para casa.
E ser� apenas por alguns meses, talvez.
Um dia perceber� o qu�o injusta est� sendo.
Temos o direito de ficar a s�s.
Por favor, m�e, eu sei por que fez isso.
Mas n�o precisamos dele ou de seu dinheiro!
Sempre ficamos sozinhas de alguma maneira.
Sua m�e se casou comigo porque me ama.
N�o diga isso, n�o � verdade!
Ela jamais amou outro homem sen�o meu pai,
voc� jamais tomar� seu lugar!
Oh, n�o? Pois eu j� tomei.
N�o gosto de brigar...
Isabelle!
Isabelle? Isabelle?!
Sim?
Estamos procurando por voc�, Isabelle!
Fique aqui. - Sim.
Por que demorou tanto?
N�o estava me sentindo bem.
H� algu�m com voc�?
Claro que n�o. S� h� espa�o para uma pessoa.
Acreditarei desta vez.
Agora, volte para a sua aula. O recreio acabou.
Ah, voc� � a aluna nova, n�o �?
Sou Mademoiselle Germain, a diretora.
Espero que seja bastante feliz aqui.
Agora, se vier comigo lhe mostrarei seu quarto, mademoiselle.
Este � o seu quarto. O quarto da monitora fica ao final do dormit�rio.
Sei que o quarto pode parecer austero no in�cio,
mas voc� aprender� a am�-lo como o monge ama sua cela.
Ser� o seu mundo.
Voc� entender� tamb�m que ningu�m, exceto a monitora,
ter� o direito de violar sua privacidade.
As portas s�o inviol�veis e as paredes s�o como uma fortaleza.
Assim que as aulas terminarem, voc� poder� vir para c� e
aguardar a hora do jantar.
At� amanh�.
Voc� sempre ter� um lar.
Nesta segunda n�o ficar� t�o solit�ria.
� natural para um homem querer conhecer sua futura esposa melhor.
Voc� n�o acha?
N�o sou casada.
Voc� acha que � muito sofisticada,
mas por que n�o posso refazer minha vida?
N�o estou traindo seu pai. Se � o que acha.
Fui uma esposa fiel por todos os anos em que vivemos juntos.
Posso falar francamente com voc�.
N�o importa o que aconte�a, voc� sempre ter� a mim.
Sempre, Therese. Sempre.
Voc� deve acreditar em mim. Sempre estaremos juntas.
Sempre, sempre.
Therese! Therese! Vamos, entre!
Therese. Esse � o seu nome, n�o �?
Sim.
Mademoiselle Germain que eu a ajude a se acomodar.
J� desfez sua mala?
N�o.
Que tarefa tediosa.
Que lindo.
Sim, ganhei de minha m�e. E ela ganhou de meu pai.
Gostaria que meu marido me desse coisas bonitas assim.
Ele era somente meu pai, n�o marido de minha m�e.
Entendo.
Mlle. Germain j� lhe falou sobre as regras do quarto?
"voc� aprender� a am�-lo como o monge ama sua cela"
Uma ova!
Parab�ns. Acabou de demonstrar a sua colega o quanto seu vocabul�rio � prec�rio.
N�o ter� direito a sair de seu quarto na recrea��o amanh�.
Mas, eu n�o pretendi dizer tal coisa.
Se quiser se dar bem aqui, aconselho a n�o repetir tais h�bitos.
Desculpe se lhe criei problemas.
Tudo bem. Tenho que arrumar meu quarto de qualquer maneira.
Vamos continuar a desfazer a mala.
Meu nome � Isabelle.
Poderia por favor fechar a porta?
Agora, v� para o seu lugar.
E na aula de hoje continuaremos a estudar as v�rias partes da flor.
Os nutrientes sobem pela raiz, seguem pelo caule e prosseguem at� as folhas e flores
e podemos dizer que � como o sangue percorrendo nosso corpo.
Nas aulas anteriores, vimos as folhas,
sua estrutura, sua fun��o e como a luz desempenha um papel crucial
na produ��o de clorofila.
E ent�o vimos o crescimento das flores
e o caminho dos nutrientes desde as ra�zes.
Hoje veremos mais detalhadamente as s�palas e p�talas,
recept�culo e estames.
Therese. A aula acontece na frente da classe e n�o atr�s.
Ent�o, como eu estava dizendo,
estudaremos mais detalhadamente as s�palas a p�talas.
Voc� vem? - Sim.
Como vai, Mlle Le Blanc?
Como est� se saindo?
Oh, muito bem. N�o acho que eu tenha op��o.
Entendo que � dif�cil se ajustar a novos ambientes, mesmo aqui.
A escola � muito bonita.
Foi constru�da com amor.
N�o pode se dizer o mesmo dos lares de hoje.
Temos que viver em constante adapta��o.
Therese! Venha!
Oh, com licen�a. Adeus. - Adeus.
Espere!
Adoro andar de bicicleta. Faz com que eu me sinta t�o livre.
Nunca andei muito. Minha m�e sempre achou muito perigoso.
Voc� tem irm�os?
N�o, nenhum. Somente minha m�e.
E seu pai? - Ele morreu.
Oh, lamento.
Minha m�e o substituiu.
A minha � divorciada. Meu pai � vivo, mas nunca o vejo.
Ent�o, � quase a mesma coisa.
A especialidade aqui � caf� ruim.
Voc� vai querer ou n�o? - Sim.
E quente, por favor.
Todos v�m aqui depois da escola.
Ol�, Isabelle.
N�o deveriam andar de bicicleta daquela maneira.
H� modos, voc� sabe.
voc� estava atr�s, se voc� quisesse passar, bastava buzinar.
Muito engra�ado.
J� a vi antes? Meu nome � Pierre.
Therese. Prazer em conhec�-lo.
Therese � aluna nova.
Coitadinha. Ela parece merecer mais do isso.
Bem, vamos beber alguma coisa.
N�o. Hoje temos que falar sobre algo em particular.
Ego�sta.
Ousaria ficar um pouquinho longe essa criatura anti-social?
Outro dia, talvez.
Tudo bem.
Mas saio rejeitado e apaixonado. E para sua informa��o
a culpa � toda de voc�s. Entenderam?
Ele � o rapaz mais bacana da cidade.
Ele mora nas redondezas.
J� saiu com ele?
Sim, uma vez. Mas parei.
Por qu�?
Apenas decidi que n�o era a minha.
Por que n�o?
Porque n�o.
Tem outro namorado?
Poder�amos mudar de assunto?
Voc� pergunta demais para uma garota.
Aqui est� seu caf�.
At� que enfim.
Me desculpe por agir assim.
Mas h� coisas sobre o que n�o gosto de falar.
Com ningu�m.
Se n�o pode falar para mim,
com quem falaria na Fran�a?
Est� certa.
Nada de segredos.
Tim-tim.
Vamos.
Minha m�e havia se casado.
Fomos separadas uma da outra.
Casou-se sem noivar.
Por quanto tempo ficaremos separadas?
Ser� que ela pensa em mim?
Deitado ao lado dela, ela seu novo marido fazem amor.
Rezei tanto para que ela n�o se casasse.
Era t�o quente em sua cama.
Ela me chamava e me abra�ava
aninhando-me em seus bra�os.
Agora ela tinha uma cama maior, mas n�o me abra�ava mais.
Um homem nos separava.
Nunca mais dormi em seu quarto.
N�o h� mais espa�o para ningu�m aqui sen�o voc�, ela disse.
Mas n�o era verdade. Um homem estava l�.
Eu n�o mais pertencia � minha m�e.
Ol�, Therese. Bem-vinda � biblioteca.
N�o consigo dormir.
Tome, leia isso.
N�o, estou nervosa demais para ler.
Pode me dizer o que h�?
Esse lugar � t�o solit�rio.
Sempre acabamos por nos acostumar.
Nunca desejei vir para c�.
Mas voc� pode sofrer aqui tanto quanto em qualquer outro lugar.
Nada � t�o tr�gico.
Estou t�o feliz que esteja aqui.
Sei como se sente.
Obrigada.
Agora, volte para a sua cama.
Quero terminar o meu conto.
Acabei de ler que a personagem est� gr�vida.
� claro que ela n�o veio para este col�gio.
Therese! Por que n�o vem para a festa s�bado � noite?
Com voc�?
Mais pessoas devem vir tamb�m. Por que n�o se junta a n�s?
N�o sei.
Talvez eu esteja dormindo.
Ei, algu�m em vista?
� segredo.
Ol�. - Quer jogar bola?
N�o. Tenho que entrar.
O que est� fazendo aqui? Estava procurando por voc�.
Nada.
Apenas queria ficar sozinha.
Ficar sozinha, longe de mim?
N�o. N�o quero ficar com as outras.
Acabei de ler, quero que escute isso. � Baudelaire.
" Minha doce irm�,
Pensa na manh�
Em que iremos, numa viagem,
Amar a valer,
Amar e morrer
No pa�s que � a tua imagem!
L�, tudo � paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
Os m�veis polidos,
Pelos tempos idos,
Decorariam o ambiente;
As mais raras flores
Misturando odores
A um �mbar fluido e envolvente,
Tetos inauditos,
Cristais infinitos,
Toda uma pompa oriental,
Tudo a� � alma
Falaria em calma
Seu doce idioma natal.
L�, tudo � paz e rigor,
Luxo, beleza e langor.
V� sobre os canais
Dormir junto aos cais
Barcos de humor vagabundo;
� para atender
Teu menor prazer
Que eles v�m do fim do mundo.
- Os sang��neos poentes
Banham as vertentes,
Os canais, toda a cidade,
E em seu ouro os tece;
O mundo adormece
L�, tudo � paz e rigor,
Luxo, beleza e langor."
L�, tudo � paz e rigor,
Luxo, beleza e langor
Eu queria... eu queria...
Eu queria ficar sozinha com voc�.
Onde?
Na hora do intervalo. Eu te vejo mais tarde.
Isabelle, Isabelle!
Sim!
H� algu�m com voc�?
Fique aqui.
Aposto que voc� nunca viu nada igual.
Vamos, d� uma olhada.
Ela j� viu, me devolva.
Vamos deixe-me ver. N�o at� seu anivers�rio.
Voc�s viram Isabelle?
N�o nesta manh�. Ela saiu como faz todo s�bado.
Algumas alunas v�o para casa.
O que vai fazer hoje � noite?
Nada.
E seu encontro?
N�o vai mais acontecer.
Quer se juntar a n�s mais tarde?
Talvez.
Por que ficar aqui sozinha?
Posso andar de bicicleta.
J� est� tarde. Melhor irmos andando.
Ol�, Therese. - Ol�.
Como vai? _ Ol�, como vai?
O que vai querer?
Caf�. Quente, por favor.
J� est� come�ando a falar como cliente cativa.
Como vai?
Agora n�o vai escapar.
Onde est� a bela Isabelle?
Foi para casa.
Ah, que chato ouvir isso.
Isso merece uma celebra��o.
Mais um e dois brandies.
Est� t�o calada.
Conte-me tudo sobre voc�.
Voc� me pergunta como se j� soubesse a resposta.
Normalmente eu sei, mas desta vez n�o.
H� algo sobre voc� que parece impenetr�vel.
Acho que desvendar algu�m como voc� � imposs�vel.
Mesmo? Voc� nunca fala nada s�rio.
� dif�cil. - Por qu�?
Voc� n�o � sincero.
Desde quanto sinceridade � uma regra a ser seguida?
V�? N�o consegue ser voc� mesmo uma vez sequer.
Posso ser eu mesmo. Mas n�o gostaria das conseq��ncias.
Algu�m pode gostar.
Me desculpe por come�ar da maneira errada.
Gostaria de poder voltar ao passado e consertar tudo.
Obrigado. Eu sei o que fazer. Podemos recome�ar esta noite.
Sairemos esta noite, voc� como voc� e eu como o novo eu.
O que acha?
Muito bom. Tim-Tim.
Vamos conversar mais para l�.
Ei, Pierre! Tem um cigarro? - Claro, aqui.
Est� feliz por ter vindo?
Sim. Muito.
Eu gostaria de passar todos os dias, o dia inteiro com voc�.
Eu gostaria que n�o tivesse dito isto.
Por qu�?
Porque n�o diz a verdade.
Lamento.
Mas realmente gosto de voc�.
Tamb�m gosto de voc�, mas acho que se engana a meu respeito.
� por isso que me trouxe aqui? - N�o.
Eu tenho sido honesto com voc�.
Mesmo que pense isso pela primeira vez.
O que foi? N�o gosta do meu beijo?
Sim, gosto. Mas... - Mas o qu�?
Eu n�o sei. N�o sei explicar.
Est� com medo?
N�o.
Parece um bom lugar aqui.
Chegue perto.
Estou feliz que tenha vindo.
Que surpresa!! M�e!
Voc� est� �tima!
Como fica solit�ria aos s�bados, achamos que voc� gostaria que almo��ssemos com voc�.
Foi id�ia de seu padrasto.
Ol�, Therese. - Ol�.
Agora vamos. Reservamos uma mesa num restaurante maravilhoso!
Sentarei atr�s.
Est� com fome?
Oh, sim. - Eu estou faminta!
O gerente � amigo meu. Ele � quem escolhe seus clientes.
Muito bom, monsieur. - Gar�om!
Olhe aquele chap�u engra�ado.
Este � um restaurante tr�s estrelas.
Isso significa tr�s zeros a mais na conta.
Agora, conte-nos sobre a escola.
O pr�dio � muito interessante. Quanto � arte e arquitetura.
� como se estivesse tendo aulas em um museu.
Sabe o que dizem sobre graduar garotas?
Quando saem, 'graduam' as garotas.
Espero que n�o se aplique a mim, monsieur.
N�o fique repetindo 'monsieur'. Chame-me de pai.
Vamos, fale.
Est� bem.
Gosta de suas professoras?
Oh, sim. De quase todas.
Minha professora de m�sica diz que
se eu aprendera tocar Tchaikovsky em dois anos,
terei conseguido a maior proeza da minha vida.
E voc� ser� a mais velha crian�a-prod�gio do mundo.
Tem amigas?
Algumas. H� uma em especial.
Qual o nome dela?
- Isabelle.
Tem algum namorado?
Vejo que a estamos aborrecendo com nossas perguntas.
Talvez seja melhor ela apreciar a comida
e chega de conversa.
N�o, eu adoro conversar.
� bom estar com voc�s de novo.
� maravilhoso.
Sinto falta de cuidar da sua bagun�a o dia todo.
A escola me transformou por completo.
Prometo que no pr�ximo ver�o voc�s ter�o um modelo de organiza��o.
Estamos planejando fazer um cruzeiro neste ver�o.
Quando iremos?
Bem, n�s imaginamos a viagem como uma segunda lua-de-mel.
N�o achamos que voc� se importaria.
Ent�o, voc�s ir�o sozinhos.
Ser� por apenas tr�s semanas.
Na verdade, estou revendo o itiner�rio
e seria �timo se pass�ssemos por...
Me desculpe.
Tenho que voltar para a escola. Tenho prova amanh�.
N�o estou muito preparada.
Therese! Podemos nos ver amanh�?
Espero que esteja tudo bem, senhor.
Therese, venha para a frente.
Sabe qual � a equa��o de hoje? - Sim, madame.
Ent�o escreva no quadro.
Mademoiselle, termine a equa��o, por favor.
Com licen�a, Mlle. Le Blanc. Isabelle acabou de chegar.
Oh, obrigada.
Therese, poderia me ajudar com esse dever?
Claro.
Therese! - Ei, espere, termine o dever!
Oi!
Isabelle! Por que est� t�o atrasada?
Perdi o trem.
Estranho, porque todas conseguiram chegar a tempo.
De qualquer forma, perdeu a primeira aula.
Arrume seu uniforme. N�o, arrume agora.
Therese! Me encontre na capela.
Cheguei atrasada. Senti sua falta.
Tamb�m senti sua falta.
Chegue mais perto. Est� muito longe. Deixe-me fazer isso.
Podemos ser pegas.
Algu�m pode entrar.
N�o me importo.
Minha m�o encontrou o caminho por dentro do uniforme e
pressionei os cabelos sob ele.
Minha face enrubesceu e minha garganta apertou.
O movimento da m�o tornava dif�cil respirar.
Eu solu�ava sem ru�dos ou l�grimas.
Isabelle solu�ava tamb�m. Pressionava sua m�o contra meu uniforme.
Pressionou seu pesco�o contra minha boca,
enquanto seus l�bios buscavam os meus, minha pele, meus cabelos,
minha nuca, em meio ao uniforme.
Pressionei-a contra o ch�o. Nossos palmas se encontraram.
Abracei-a com toda for�a que meu amor suportava.
Respir�vamos forte. Pressionou seu corpo contra o meu e
aninhou-se nele.
Sua boca me buscava em uma deliciosa entrega.
E encontrou-me como quem encontra uma fruta.
Eu me liquefazia em profunda delicadeza,
e ela provava meu doce sumo com ternura.
Eu seguia tudo o que nela habitava,
podia ver com meus pr�prios olhos a luz em sua pele.
Em minha imagina��o, eu tinha Therese de pernas abertas mirando o c�u
e recebendo todas as gra�as.
No cora��o de ambas havia a esperan�a de que fariam amor de novo
mais tarde, com outros nomes.
Atravessamos o obscuro caminho entre as sombras.
Prendemos a respira��o e vida e morte encontraram-se.
Encontrei seus l�bios, e ela encontrou os meus.
Uma m�tua destrui��o, que nos raptou do para�so.
Isabelle come�ou a chorar, em p�nico. E perseverou. E clamou por ajuda.
Est� vindo... Minhas pernas, meus joelhos. E mais alto...
mais alto.
Diga-me.
Eu te amo.
De novo.
Eu te amo.
De novo.
Eu te amo.
Aqui costumava ser a capela. Foi constru�da no s�culo 13.
Os alunos a usam para as suas produ��es dram�ticas.
- � muito interessante. - Sim, �.
� muito bonito.
- Boa noite, Nicole. - Boa noite.
Apaguem as luzes!
Achei que voc� jamais viria!
Estava com medo da monitora.
- Venha para a cama! - E se a monitora voltar?
Ela nunca volta. Venha!
- Me sinto feliz com voc�. - Eu tamb�m.
Se nos encontrarem assim... seremos expulsas.
Eu n�o me importo. Mesmo que a escola arda em chamas.
Mas nos separar�o...
Jamais far�o isso. Jamais.
Jamais!
Quero ver voc�.
Seu rosto viajava pelo meu corpo. Me explorava.
Seus l�bios viam e tocavam o que eu jamais veria.
Eu aceitava aquela submiss�o, por ela.
Ignorada eu me sentia, com o meu rosto t�o longe do dela.
Ela me sorvia...
Apesar de absorta em tal concentra��o, logo tudo pareceu irreal.
Pensei que queria lhe dar tanto quanto ela estava me dando.
Minha mente estava focada em sua l�ngua.
'Demais' seria bom ou ruim em seu ponto de vista?
Meus pensamentos dissiparam-se e o gozo encontrou-nos.
Ela estava quieta e mergulhada em suas pr�prias sensa��es.
Eu estava recebendo o que ela estava recebendo.
Eu e Isabelle, o ritmo e o movimento me excitavam.
�ramos o que desej�vamos.
E ela agora... descobria sozinha seu pr�prio �rg�o masculino.
E � sua maneira, senti-a tesa ao penetrar-me.
Rapidamente, Isabelle encontrou seu caminho por entre minhas pernas.
Ficou sem saliva, ent�o criou mais. Logo, tr�s dedos entraram em mim.
Tr�s convidados para o prazer da anfitri�.
E os tr�s digladiavam em doce batalha contra as minhas paredes.
E eu a ouvia. Isabelle injetava-me sua pr�pria brutalidade.
A pele ardia em calor e dolorido prazer.
Meus limites estavam sendo provados em sua dor.
O dedo teimoso acordava minha carne.
E a cada movimento fazia meu corpo banhar-se em prazer.
Sentenciada em mim mesma, for�ava-me contra ela,
e transformava-me no seu objeto de prazer vermelho e nu
para que ela se fizesse inteira em mim.
As sensa��es tomavam-me de assalto
e quando o gozo finalmente alcan�ou-me, foi delicado e doce.
Ent�o, desci � �mida e doce escurid�o
para encontrar a mais suave das carnes.
Quanto mais avan�ada, mais misterioso meu caminho se mostrava.
Hesitei diante da p�rola.
O vaso devolvia reflexos das car�cias das amantes.
Ela enla�ou suas pernas em meu corpo, e ro�ava-as em minha face.
Eu era uma violinista acariciando o arco.
O vaso contava-me o que eu estava fazendo.
Mas nenhum vaso poderia ver suas m�os em torno dos pulsos.
Gostava de ver o modo como experimentava o prazer solit�rio.
Beijei seu joelho. Tentei desvencilhar-me da vis�o do vaso,
do sexo que se delineava em suaves curvas,
mas ele me punha de volta
e mais al�m no caminho das car�cias solit�rias.
Pressionei os l�bios secretos de Isabelle com meus dedos.
Senti sua resposta pelo modo como apertou-me a nuca.
Pressionei-me contra seu sexo.
Talvez preferisse algo menos complicado.
Senti o desejo de avan�ar aqui e ali.
Amava como tudo me devorava.
E admirava todo com olhos bem abertos.
Isabelle acomodou-se no travesseiro e cruzou as pernas.
E eu mais uma vez era agraciada com a mais sagrada vis�o.
Ent�o, comecei a admirar o resto, despida de pecado.
Continuei mais uma vez por onde havia parado.
E ali eu estava,
esfregando meu rosto cegamente na mais delicada das superf�cies
acariciando o sexo que admirava em �xtase.
O rosto n�o mais estava brilhando
ele havia mergulhado em trevas apreensivas
a noite finalmente nos consumiu.
Gostaria de poder lhe dizer.
N�o tente.
No que est� pensando?
Nada.
N�s.
Amaria se pud�ssemos fugir.
N�o tenho dinheiro.
Nem eu.
Vamos vender tudo o que temos.
N�o vamos morrer de fome.
N�o podemos fugir.
� como deve ser.
Logo amanhecer�.
Te adoro.
Sempre soube.
- Algu�m est� vindo. - Fique quieta.
N�o � ningu�m.
O que me assusta mais � perder voc�.
Se eu morresse amanh�... continuaria a viver?
Responda.
N�o poderia viver sem voc�.
E eu desejaria que morr�ssemos juntas.
Melhor eu ir.
V� agora, mas tenha cuidado.
Alguma garota pode estar de p�.
Nunca estive t�o feliz.
Boa noite.
Ei, Isabelle. Como n�o te vi em sala ontem?
N�o � da sua conta!
Algu�m viu voc� saindo da capela com Therese...
E da�?
E voc� deveria estar na biblioteca.
Quem lhe disse que eu n�o assisti aula?
Mlle. Le Blanc.
� mesmo?
Talvez voc� tenha lhe dito que eu n�o estava em sala.
E talvez voc� tamb�m tenha dito que cheguei atrasada na segunda.
Sua piranha!
Quem voc� est� chamando de piranha?
O que aconteceu?
Como voc� est�?
- Acho que estou bem. - Tem certeza?
Voc� est� em terr�vel dor, acho melhor voc� ir ao m�dico.
Espere, quem se disp�e a lev�-la ao m�dico?
- Eu, eu! - Ah, Isabelle.
� melhor voc� partir logo, leve-a ao m�dico da cidade.
E, por favor, tenha cuidado.
Muito bem garotas, j� acabou, � melhor voltarem �s suas salas
ou ficar�o atrasadas.
- Me solta! - Voc� est� bem?
- Pelo o que pude ver, n�o h� nada errado com voc�.
Foi somente um choque. Tome estas p�lulas para dormir.
E se n�o se sentir bem , volte a ver-me.
Devolva isto a Mlle. Germain.
Devo chamar um taxi para lev�-las de volta ao col�gio?
Acho melhor caminharmos e tomar um ar fresco.
- Adeus. - Adeus.
Est� feliz por estar aqui?
Podemos ficar um pouco juntas antes de voltar?
- Aonde podemos ir? - N�o sei.
Ei! Amigo! Sou um pobre artista esfomeado!
J� sei. Tenho um endere�o.
Que endere�o?
Para n�s duas, onde podemos ficar sozinhas. N�o gostaria disso?
Onde �?
� um hotel, mas n�o exatamente um hotel. � uma casa.
N�o quer?
N�o estou certa de onde �.
� uma casa onde uma senhora aluga quartos.
Como sabe se ela nos permitir� ficar?
� o trabalho dela, por que n�o deixaria?
Decidiu-se? � sim ou n�o.
O que acha?
� agora ou nunca.
Vai, toca a campainha.
Com licen�a, voc�s tocaram a campainha?
Voc�s primeiro.
- Ol�. - Ol�, como vai?
- Vamos embora agora. - Espere!
Isso n�o � um hotel.
Ol�, meus anjinhos, voc�s sentiram minha falta?
Eu disse que n�o ficaria longe por muito tempo.
N�o deveriam fazer tanto barulho,
v�o afugentar os clientes.
Posso ajud�-las?
Queremos alugar um quarto. Por uma hora.
Oh, sim. E que tipo de companhia v�o querer?
Apenas n�s mesmas.
Aham...
N�o se preocupe meu anjo, n�o se preocupe...
Voc� tem mais apetite que os clientes.
Em termos nutritivos.
E ent�o?
Voc� sabe que eu tinha um outro, mas o pobrezinho morreu.
Intoxica��o alimentar.
Eu disse que queria alugar um quarto.
Est�o me pregando uma pe�a? Ambas est�o com roupa de col�gio.
Estamos com a tarde livre.
Por bom comportamento.
Pagamos por um dia inteiro.
Por que n�o disse logo, meu anjo?
Voc� paga mais tarde.
Querem alguma coisa para beber no quarto?
O que achar melhor. Qual � nosso quarto?
Calma, devem estar com muito apetite... � o 17, primeira porta.
Cuidado ao andar. Eu deveria ter consertado essa escada antes,
mas est� tudo muito caro.
Tudo est� caro, at� o amor.
Emille, Emille, voc� n�o est� comendo.
Venha, deite-se comigo.
H� algu�m no outro quarto.
Venha c�.
Realmente h� outra pessoa.
Devem estar escutando a gente.
Esque�a os outros e deite-se aqui comigo agora.
Abra a porta. � aquela mulher.
O que j� fizeram? Fecharam a porta t�o r�pido...
N�o quer um pouco de vinho?
Ora, levante-se.
Eu quero que voc� venha aqui.
� o mesmo barulho que �s vezes fa�o � noite.
N�o como a boneca em nossa cama.
Venha, escute.
Eu n�o escuto nada!
D�-me uma ta�a.
Beba.
Escute, � um casal.
Sim, e eles est�o fazendo amor.
N�o h� nada mais para distra�-la?
Tire minha roupa.
Se n�o quer fazer, diga.
Me desculpe.
N�o � como pensei que seria. Aqui tudo � feio.
Eu n�o sou feia, voc� n�o � feia.
Eu quero voc�.
Me desculpe.
Veja, um buraco!
N�o seja tola, n�o h� nada l�.
Algu�m est� nos espionando!
Se n�o parar agora, te odiarei para sempre.
N�o, por favor... Vou me deitar com voc�.
Eu quero... Mostre-me... Guie-me...
O buraco, vi algu�m olhando de novo!
Posso escut�-los!
Seu cabelo � muito bonito, espetacular,
mas n�o est� arrumado, e eu n�o gosto disso.
Madame, estou esperando pelo 25.
Ohm eu seu, mas o amor leva tempo.
Vamos dar um jeito nisso.
N�o est� bom, voc� est� estragando tudo.
Nesse caso, vou embora.
N�o fique com raiva. Eu n�o gosto deste quatro.
Eu odeio este lugar!
Era por mim, n�o pelo quarto!
Era a �nica chance de ficarmos juntas!
Eu odeio este lugar. � para pessoas sujas!
Ent�o? Foi agrad�vel?
Quanto lhe devemos?
Voc� me deve uma di�ria.
N�o usamos o quarto.
Onde est� o dinheiro?
Qual deles devo aceitar?
- O meu. - O meu.
A cama estava confort�vel?
-Sim. - N�o. Ela range.
Da pr�xima vez, v� ao Ritz.
Eles adoram casais felizes.
Estamos com pressa.
O vinho estava bom?
Excelente, mas temos que ir.
Voltem quando quiserem.
V�, Ernest? � um mundo louco.
- Estamos atrasadas. - Teremos que tocar para entrar.
- Farei isso. - N�o. Ainda n�o.
Se n�o entrarmos seremos punidas.
N�o me importo. Vamos andar.
Nada aconteceu como eu esperava. Foi minha culpa.
Por favor, n�o fique triste.
Se ficar triste, morrerei.
Farei qualquer coisa para deix�-la feliz, qualquer coisa.
Isabelle...
A escurid�o brindava nossos l�bios enquanto beij�vamos,
abra�amos forte uma � outra,
buscando abrigo no �nico momento de que disp�nhamos.
Nos entrela�amos, como um ser �nico.
E a delicadeza do seu abra�o era �nica ao reflexo do lago.
Com nossos beijos troc�vamos j�ias e pedras preciosas
em meio ao tesouro que era oferecido,
e nossos l�bios, ao se encontrarem, uniam-se como g�meos perfeitos.
Beijei-a profundamente.
Isabelle arqueou-se, pressionando seu corpo contra o meu.
Me explorando, escalando, abrindo-se para mim.
Pressionando-me e acalentando-me com sua respira��o.
Pele e pele encontravam-se.
O r�pido prazer tilintava como o habitual.
Senti a doce intoxica��o mergulhando em mim,
tomando-me por completo.
Eu era toda sabores e tons.
Minhas coxas dormentes ofereciam meu prazer.
E a excita��o corria em minhas veias.
E uma irresist�vel vontade de invadi-la tomou-me.
Nossos corpos entrela�avam-se numa maravilhosa entrega.
Entreabri meus olhos, Isabelle me observava.
As estrelas e a noite.
A escurid�o curvava-se sobre n�s,
sussurrando os grandes mist�rios em nossos ouvidos.
Senti uma onda tomar-me. Isabelle tomava-me.
E o monstro do desejo mais uma vez despertava
e lan�ava seus tent�culos.
Senti seus l�bios secretos encontrarem meu corpo.
Senti sua m�o, e puxei-a contra as minhas costas.
Guiei-a mais al�m, mais abaixo. Pressionei-a contra mim.
E aguardei pacientemente pelo seu movimento, sua investida.
O dedo t�mido penetrou em mim. Mas n�o ousou seguir mais longe.
Em resposta,
meu corpo devolveu-lhe o sinal inconfund�vel de prazer.
Lid�vamos com for�as irresist�veis.
Mergulh�vamos no inconsciente.
mas nos mant�nhamos um ser �nico em oposi��o � escurid�o � nossa volta.
Vagando eternamente, movia-me de um lugar ao outro,
at� que tudo voltou �s cinzas.
Curvada sobre mim, tocando-me como grama aveludada.
Faz�amos quase que por lembran�a,
como se j� nos acarici�ssemos mesmo antes de nascer.
Ela me refletia, eu a refletia. Dois espelhos fazendo amor.
Eu ouvia seus dedos cantarem a can��o que os meus cantavam para ela.
Eu explodia, expandia-me, e retornava � quietude.
Doces rios l�nguidos e fendas de caudalosa do�ura,
fazendo correr o segredo da vida.
Caminhando sobre as �guas, eu renasceria no desaguar daquele rio.
Descanso. A divina entrega.
Os dedos de Isabelle retiraram-se, deixaram-me,
mas minhas pernas ainda suavam com o prazer que jorrava de mim.
Sua retirada foi calma e lenta.
Ouvimos ao �ltimo solfejo esmaecer harmoniosamente.
Queria que n�o amanhecesse. Preferia ficar com voc�.
Jamais nos separaremos. N�o antes das f�rias de ver�o.
- E nem depois. - N�o. Nem depois.
- Voc� ir� ao meu quarto toda noite. - Toda noite.
- Jamais a deixarei.- Jamais a deixarei.
- Nunca. - Nunca.
Nunca.
Nunca.
Nunca.
Nunca.
Nunca.
Nunca.
Nunca.
Nunca.
Nunca.
Nunca.
Nunca.
Isabelle foi embora hoje.
- Marie. - Presente.
- Nicole. - Presente.
- Colette. - Presente.
- Fran�oise. - Presente.
Isabelle.
Isabelle.
Ela n�o est�.
- Therese. - Presente.
- Alice. - Presente.
- Madeleine. - Presente.
-Anette.
O assunto de hoje ser� S�ries Binomiais.
- O que � isso? - Uma carta.
Henriette, sente-se no lugar de Isabelle.
Me desculpe, n�o me sinto bem.
Isabelle.
Ol�.
Acabei de ser transferida para este quarto.
Voc� viu Isabelle?
Sim, ela e sua m�e estavam saindo.
Voc� viu Isabelle?
Sim, sua m�e a tirou do col�gio esta manh�. J� faz meia hora.
Eles v�o mudar de pa�s.
Com licen�a, madame. Tenho que fechar agora.
Obrigada.
Por favor, n�o chore.
Minha visita terminou.
"Col�gio de Lys. � proibido andar sobre o gramado. A Dire��o."
Obrigado.
Nunca mais vi Isabelle de novo.
Legendas por Martha Kiew
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