All language subtitles for En roue libre (Didier Barcelo, F 2022).PT

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Original subtitles

Droga...

Eu estou aqui!

É, eu também.

Não, por favor, é a terceira vez esta semana.

Então não viu a placa três vezes?

É que não tenho onde estacionar quando chego em casa.

Por favor, moça.

Eu estou exausta. Só dormi por 4h.

Então somos duas.

Tem um minuto para remover o carro.

Droga! Estou sem a chave. Já volto.

Piranha.

Certo, entendi.

Vamos lá.

Que saco! Não tem vaga.

Eu sei.

Você não começa só às 18h?

Pois é.

Você está com uma cara péssima. O que foi agora?

Sei lá. Não consigo sair do meu carro.

Como assim? Não consegue sair?

É, não consigo por algum motivo. Não sei.

Consegue, sim. Que história é essa?

Não consigo.

Não consigo respirar, minha vista está estranha,

é bizarro.

Certo, está bem. Acalme-se.

- É um ataque de pânico. - Não entendo.

Ataque de pânico? Por quê?

Bom, eu não sei. Está pegando muitos plantões?

- Mas isso não é novidade. - Pois é.

Uma hora, isso cobra um preço.

Tome isto, dirija um pouco e tente se acalmar.

E se não passar?

Não vai acontecer. Só respira.

Eu tenho que ir. Até mais.

TUDO SOB DESCONTROLE

Droga...

Alô, pai.

É claro, pai.

Pode deixar, claro. Mando um beijo seu para a mamãe.

Está bem.

Um beijo.

Ai, caramba...

O que é?

Está achando graça, é isso?

Some daqui!

Droga...

Não para.

Não para, não para, não para...

Com licença. Desculpa, moço.

Você pode me ajudar a sair do carro?

- Tudo bem, senhora? - Bom...

Na verdade, não.

Fiquei presa no carro o dia todo.

Eu já estou de saco cheio.

É doideira. Estou tendo um ataque de pânico.

Eu nunca fico doente, mas não consigo sair.

Aí pensei que você podia me ajudar.

Seria muita gentileza sua. Por favor.

Eu imploro.

É sério, estou implorando. Não aguento mais.

É como se eu fosse essa lixeira aí.

Imagina que eu sou uma lixeira e me joga no estacionamento.

Por favor.

Um cachorro para o seu carro.

Ele balança a cabeça.

Assim.

Sabe como?

Ele perdeu um olho,

mas é bonitinho.

Posso botar?

Prontinho, meu garoto.

- Obrigada. - Disponha.

Oi, Jeanne. Sou eu.

Onde é que você está?

Estou em um estacionamento. Acabou o combustível.

Não tem jeito mesmo, não consigo sair do carro.

Você não vem? Estamos atolados de pacientes!

Eu... Eu não consigo. Vem me buscar.

Teve um acidente, tem muitos feridos.

Não posso sair daqui.

Não, não se mexa. Fique parado.

Valeu pelas chaves, otário.

Droga...

O quê?

PARA JEANNE: TEM UM CARA NO MEU CARRO!

Droga...

O que está fazendo aí?

Este é o meu carro.

Não, é meu agora.

- Sai! - Não, é o meu carro.

- Estou no meu carro. - Sai daí!

Não dá. Não consigo sair do carro.

Está brincando comigo. E agora? Não vai sair?

Eu não consigo sair, já disse. Estou presa aqui.

Estou enfiada neste carro há 10 horas.

Eu sou fisicamente incapaz de sair.

Não sei dizer por quê.

Pode me matar se quiser. O que quer que eu faça?

Estou lhe dizendo que não consigo sair.

Não dá para sair!

Não é que eu não queira sair, eu não consigo!

Eu tinha que roubar o carro de uma maluca.

Passa para a frente!

Vai, passa para a frente!

Vai, vai! Caramba!

Passa para cá.

Eu estou indo para Cabo Ferret.

- Eu moro em Beaune. - Estou indo para Cabo Ferret.

O que você quer de mim?

Diga.

O que vai fazer comigo?

Você quer dinheiro?

Não tenho aqui, mas posso arrumar.

Eu dou o dinheiro, e você me deixa com meu carro.

Quem disse que é seu?

Mas...

Mas este é o meu carro, é isso.

Só porque conseguiu entrar, é seu?

Eu já estava nele quando você chegou.

É que eu me escondi ali atrás, na verdade.

Isso não significa nada.

Bom...

- É que... - Eu estou aqui dentro.

Então é o meu carro.

Certo, mas...

Tem a minha carteira com a minha identidade.

Tem meu nome, Louise Prunier, como no documento do carro.

Louise Prunier. É o meu carro e ponto final!

Se fizer isso de novo, mato você.

O combo gigante de queijo supremo,

batata grande, refrigerante grande e nuggets.

Com quatro, sete ou a caixa grande?

Sete.

- Ketchup? Maionese? - Os dois.

- Isso é tudo? - É.

Pode buscar o seu pedido na próxima janela.

Cartão de crédito.

Passa o cartão!

Deu 22,50 euros.

- É aproximação? - É.

Obrigada.

Valeu.

Nugget?

Obrigada.

Ketchup?

Não, obrigada.

- Não? - Não, não.

Está me tirando de idiota com essa história do carro?

Não é tudo papo furado?

Não.

Aposto que você é sem-teto. Dorme no carro.

Tenho onde dormir.

- Não tem, não. - Tenho, sim. Uma casa.

É que, desde hoje de manhã, não consigo sair do carro.

Quando tento,

eu...

Eu...

Tenho um ataque de pânico.

- Um o quê? - Ataque de pânico.

Crise de ansiedade.

- Crise de ansiedade? - Isso.

Caramba...

Olha para cá.

Chama a polícia, por favor! Eu fui sequestrada!

Chama a polícia! Por favor!

Chama a polícia, por favor!

A polícia!

Olha para mim, desgraçada! Droga! Olha para mim!

Ei...

Está falando com quem?

Comigo mesma.

Eu não quero ir para Cabo Ferret.

Se está presa no seu carro, que diferença faz para onde vai?

Falo para o seu bem.

Vai. Não falou que era urgente?

Droga! É claro.

É...

Pode mijar aí dentro.

Por favor,

ajuda aqui.

- Pode jogar isto no lixo? - O quê?

Pedi para jogar fora. Deve ter uma lixeira.

Está maluca? Não vou pegar isso.

Mas eu não posso deixar dentro do carro.

É só atirar pela janela.

Isso é nojento. Não vou fazer isso.

Eu não vou pegar o seu xixi! Está maluca?

Não vou tocar nisso. Isso, sim, é nojento.

Já não passei humilhação demais?

Mijei no copo, estou presa no carro,

você me amarrou, me deu nuggets, mas não pode jogar isso?

Babaca! Imbecil!

- Imbecil! - Chega, sai do carro.

Mas que inferno!

Anda.

Vai, sai.

- Sai do carro. - Não!

Vai sair! Sai do carro agora, merda!

Vem cá!

Sai do carro, sai!

Sai!

Sai!

- Droga! - Você está bem?

Você está bem?

- Desculpa. - Que droga!

Eu vou morrer. Vou morrer.

Está doendo muito? Foi na sua mão?

Cala a boca, merda! Cala a boca!

Deixa que...

- Vamos para o hospital. - Não estou bem.

Deixa eu ver.

- Cadê? - Eu não estou bem.

- Droga... - Calma, está tudo bem.

Está tudo bem.

- Cadê? - Não está tudo bem!

Está doendo muito!

Deixa eu limpar.

- Vamos para o hospital. - Está doendo.

Está tudo bem.

- Deixa eu ver o ferimento. - Que dor...

Tudo bem, a bala nem entrou. Passou de raspão.

Por acaso você é médica agora?

Eu sou enfermeira. Deixa só...

Enfermeira?

Vou só desinfetar, se não...

Você disse que está tudo bem.

- Se não o quê? - Pode infectar.

Vai ficar tudo bem.

Já aviso que não vou para o hospital.

Tudo bem. Podemos ir a uma farmácia, isso basta.

Vamos.

Senta aí, vai. Está tudo bem, não foi nada.

Para de dizer que está tudo bem. Fica quieta!

Presta atenção em como fala comigo.

Desse jeito, não vai funcionar, certo?

Droga!

Isso arde pra caramba!

É, mas tem que fazer.

Pronto, já acabou.

Agora na sua testa.

Não, chega. Está tudo bem.

Como arrumou esse machucado?

O que importa?

Foi em uma briga, está bem? Foi isso.

Por que tem uma arma?

Onde conseguiu?

- Era do meu irmão. - E por que ele tinha uma arma?

O hobby dele era atirar. Mais alguma pergunta?

Ele está maluco se o deixa andar com ela.

Não, ele está morto.

Eu...

Meus sentimentos.

Já está bom isto aqui? Dá para tirar?

Como ele morreu?

Foi assassinado.

Por um desgraçado.

E eu vou matar o cara.

Você ouviu o que eu disse?

Eu ouvi perfeitamente.

Quem é Arnaud?

É meu marido.

Bom, ex-marido.

Posso atender?

Ele vai querer saber onde estou.

Nada disso.

Oi, sou eu.

Desculpa por não ter ligado antes,

mas Claire deu à luz ontem à noite.

É, achávamos que ainda faltavam 12 dias,

mas aconteceu.

É uma menina.

Demos o nome de Garance.

Nós estamos muito felizes.

Eu tenho que voltar. Ligue quando quiser.

Cuide-se.

Apago?

Estou fedendo.

Eu queria tomar um banho, trocar de roupa

e escovar os dentes.

Tudo bem, vamos fazer uma parada.

Escova e pasta de dente.

Obrigada!

- Maravilha. - Também trouxe roupas.

Eu peguei o tamanho aleatoriamente.

Achei que combinava com o visual.

Nada mau, não é?

É tamanho 38, eu calço 36.

Certo, é, mas...

Que seja! Eu não sabia.

Não vou trocar. Usa assim mesmo.

- Não... - Prova.

Os pés da minha mãe incham depois de um tempo sentada.

Vai ver o 38 fica legal.

E isto aqui...

estava na promoção.

Diz "segunda" para segunda-feira,

"terça" para terça-feira.

Para eu combinar a calcinha com o dia?

Não, pode usar a de quinta-feira no sábado,

fica por sua conta.

Eles vendem assim, mas você é que decide.

Lenço umedecido.

- Obrigada! - Salgadinho.

Coisa para passar no sovaco.

Colheres.

Para comer nos potes.

E o melhor ficou por último.

O que você está fazendo?

Por que fez isso?

Isso é para quando você precisar...

Precisar ir ao banheiro.

Pois é.

Não consegui nada maior. Foi mal.

Vai servir.

Boa ideia, não é?

Eu queria ligar para o meu filho.

Por quê?

Vai ver o pai não contou a novidade.

- Qual é o nome dele? - Antoine.

Tem três aqui. Qual deles?

Antoine Fofinho.

Fofinho.

Aqui é o Antoine. Deixe uma mensagem.

Oi, amor.

É a mamãe. Tudo bem?

Você deve estar dormindo.

Escuta, então...

São umas 9h aqui.

Eu nunca sei se são 5h ou 17h para você.

Bom, enfim,

se você estiver dormindo, bons sonhos.

É...

Eu não sei se o seu pai já contou,

mas é isso, você agora tem uma irmãzinha.

É ótimo.

E, bem...

A mamãe...

A mamãe está bem.

É isso.

Um beijo.

Que bosta de mensagem...

Uma bosta.

Um presente para você.

Eu ganhei os caras na lábia.

Falei que era a minha mãe com deficiência

e não conseguia sair.

Para os italianos, a mãe é sagrada.

- Vamos ter que tentar de novo. - Não, nada disso.

Para de falar que sou sua mãe. Já tenho um filho, certo?

Seu filho pegou tiramisu grátis para você?

Qual é a idade dele?

Ele tem 20 anos.

E cadê ele?

Está na Austrália.

O que ele faz?

Ele é estudante.

Os seus pais sabem que anda com uma pistola?

Pode parar de falar "pistola"?

É sério.

- É para o seu bem. - Eles não sabem.

Não. É claro que não.

Nunca virei e disse: "Vou levar a pistola."

Meus pais estão em outro planeta.

Meu pai só fica sentado, não fala.

Minha mãe toma remédio.

Isto aqui é...

É um toca-fitas.

É coisa de gente velha, tipo os meus avós.

Este é o carro do meu pai, então justifica.

Entendi.

Eu gosto.

- Você tem alguma fita? - Tenho.

- Onde? - Estão ali naquela caixa.

"O Melhor de Françoise Hardy".

Eddy Mitchell.

Não conheço.

É sério?

Caramba! Está tudo em ordem alfabética!

Coisa de gente doida mesmo.

"As Mais Belas Canções de Véronique Sanson".

Ela é a única mulher pedindo carona na França toda?

Que loucura!

O que está fazendo? Não, não vai parar o carro!

Vou, sim. Estou curiosa.

Isso é bizarro, não curioso. Vai, dirige, caramba!

Ai, não acredito...

- Olá! - Olá.

- Ai, quanta bala! - Para onde está indo?

Para Limoges.

- Seu telefone está ligado? - Sim, é...

Pode desligar, por favor? Sou eletrossensível.

Por favor, desliga, porque...

Porque eu vou acabar vomitando.

E voa por todo lado!

- Tudo bem, vou desligar. - Pois é.

Imagina o carro cheirando a vômito.

- Nem fala. - Má ideia.

Pronto, está desligado.

- Não está. - Sim, está.

- Sinto as ondas entrando em mim. - É o meu.

- É o meu celular. - É o seu?

- Pronto. - Pode desligá-lo também?

Olha, ainda está ligado.

Pronto.

- Desligado. - Pronto, está desligado.

Beleza!

Quase começamos com o pé esquerdo.

Vou a Limoges para o congresso de eletrossensíveis.

Sabiam que existem milhares de pessoas como eu?

Na França, o governo não faz nada.

Bizarro, não é?

Não pedimos nada de outro mundo.

Digamos que encontrem alguém usando um crachá escrito:

"Olá." Bem educado.

"Eu me chamo Emily. Eu sou eletrossensível."

É só desligar o celular. Simples assim.

Estão me entendendo? Não vamos desistir.

Inclusive, criamos uma proteção antionda.

É para os mosquitos afetados pelo aquecimento global.

O tamanho dos mosquitos está aumentando.

Isso é coisa séria.

Li um artigo muito interessante sobre isso.

Vocês sabiam que, na Indonésia,

teve um mosquito que comeu um gato?

Um gato!

Não dá para um mosquito comer um gato.

Dá. Era uma publicação muito séria.

Uma publicação local da Indonésia.

É como os medidores elétricos. Os novos medidores.

Os medidores elétricos...

- O quê? - São uma merda.

São uma merda. Olhem aqui.

Está vendo a minha boca?

São uma merda. Pronto, falei.

Um pequeno lapso.

Eu sou contra a violência e os palavrões,

mas não deu desta vez.

Vamos nessa, vamos botar para fora.

Eles são uma merda federal!

Ai, merda!

- Cacete! Cacete... - Ai, não...

- Faz a volta! A volta! - Não, fazer a volta é pior.

É arriscado, é suspeito. Burrice.

Olá. Controle antipoluição.

- Documentos, por favor. - Claro.

Com licença.

Pode desligar o seu walkie-talkie?

- Por favor. - Perdão?

O walkie-talkie.

Pode desligar, por favor? Sou eletrossensível.

Eu fico tonta, tenho palpitação e estou cansada disso.

Estou presa em uma lata de metal.

- Bom... - Com licença, senhor.

Não conhecemos ela. Só estamos dando carona.

- É. - Certo.

Moça, vou pedir para que saia do veículo.

O senhor também. E a senhora.

- Andem. - Nós também?

Eu não posso.

Também não vou. Ela está certa.

Por quê?

A minha mãe não pode porque tem uma deficiência.

E cadê o adesivo?

E cadê o adesivo?

Onde está o adesivo?

- Por que quer um adesivo? - Podem sair.

Saiam. Mãos no capô do carro.

- Cadê o seu superior? - Aqui, por favor.

Mas as suas ondas estão me penetrando, senhor!

- Ei! Para onde vai? - Sou sensível!

- Vou pegar a cadeira dela. - É isso aí!

Ela tem uma deficiência. Quer que ela saia andando?

Ela vai acabar caindo se tentar.

Bom, é...

Bota as mãos no capô.

Vocês podem ir. Estão liberados.

No capô? Está quente!

- Vou queimar as mãos! - Estão liberados.

- A senhora pode ir. - Dirige. Dirige.

- Sou eletrossensível... - Tchau, dona.

Fica calma, por favor.

Alô, central. Temos um código dois.

Ai, droga!

O que foi agora? O que falta para dar errado?

Eu não sei.

Vai ver o carro quebrou mesmo.

Estamos indo para Cabo Ferret, mas estávamos em movimento.

Droga...

Não tem sinal.

Não tem sinal.

Acho que não tem sinal.

- Droga... - Que saco!

Foram 15 anos sem quebrar,

e aí, justo quando você aparece...

Nem vem, eu não fiz nada.

Não é culpa minha.

Se não fosse você,

não estaríamos perdidos no meio do nada.

Eu estaria em Beaune.

E fazendo o que em Beaune?

Dirigindo por aí sem ninguém que se importe.

Deveria me agradecer.

Um cara que quer atirar em alguém,

mas faz um escândalo por um arranhão?

Quer saber?

Vou deixá-la morrer nessa caixa. Vai fazer o quê, piranha?

Vai nessa, mete o pé!

Vagabunda!

Ele é mecânico?

Sei lá.

Por que você voltou?

Agradecer tira pedaço?

Inacreditável.

Obrigada.

É aquele carro ali.

E aí?

O que é isso?

Você confia nessa gente?

Você é racista?

De modo algum.

Por que perguntou isso?

É que não conheço ele. É só uma pergunta.

- Você é racista? - Não, já disse que não!

Ele podia ser louro e usar roupas caras,

eu faria a mesma pergunta!

O nome dele é Gallo.

Certo, beleza.

Tudo bem. Vamos consertar o seu carro.

Espera aí, o carro é meu.

Vai custar 200 euros.

- Vão fazer o que por 200 euros? - É o preço normal.

Com o trabalho e as peças, é uma pechincha.

Vai sem o imposto, se pagarem em espécie.

É sem o imposto, se pagar em espécie.

É o mínimo.

Ou podemos largar o carro na rua.

Ou eles largam o carro na rua.

Não precisa traduzir o que ele fala.

É a mesma língua.

Então, o que vai ser?

O que vai ser?

Bom, não temos muita escolha.

Com licença!

É...

Não pode ter muito para fazer.

Eu faço a revisão, está tudo em dia.

Deve ser um probleminha, uma coisinha à toa.

Está bem, está bem.

Oi.

Oi.

Ela pode sentar no seu carro?

Pode, sim.

- Olá. - Olá.

Qual é o seu nome?

Tia.

Tia?

Cuidado com o meu volante, ou você vai quebrar.

Quem é este cachorrinho? Qual é o nome dele?

Quem? Este cachorrinho?

- Ele? - É.

Não sei, não dei um nome para ele.

Eu acabei de ganhar.

Aceita um café?

Eu adoraria, mas me pediram para ficar no carro

caso eu precise dar a partida, já que conheço o carro.

- É isso. - Certo.

- Obrigada. - Como quiser.

Vem cá, meu amor.

Tchau, tchau.

- Depois eu volto. - Vai voltar?

Seu otário.

- O que foi? - O seu filho nos explicou.

- Ele não é meu filho. - Vamos ajudar.

- O quê? - Será de graça.

- Paul, o que é isso? - Vão fazer um teto solar.

Você está de sacanagem comigo?

- Não, não! - Vai começar.

Não, parem com isso! Eu não quero um teto solar!

- Aguenta aí. - Você é maluco?

Não! Não!

Não!

Qual é a sua?

Os caras consertam o carro, fazem um teto solar...

Como assim?

Mas e se chover?

Não está chovendo.

Esse é o seu problema.

Você é negativa o tempo todo.

O tempo todo.

É, eu sei.

Vem, levanta.

Vai lá.

Vai ficar chato se você não aparecer.

A escolha é sua.

E aí?

E aí?

Nada mau.

O que é isso aqui?

É a bolsa daquela descompensada.

Ela esqueceu.

Não, não. Não pode mexer na bolsa de uma mulher.

Deixa só eu ver se ela esqueceu os documentos

ou, sei lá, algo importante.

O que é isso?

Não, eu não acredito!

Tinha algum cara

quando você estava na escola

que tirava boas notas, mas aprontava todas?

Que as garotas amavam?

Que todos adoravam?

Tinha.

Qual era o nome dele?

Samuel Churrin.

Esse Samuel Churrin...

De onde eu vim,

esse cara era Rémi Stéfon.

Meu irmão.

O que aconteceu com ele exatamente?

O cara avançou o sinal vermelho.

Rémi estava de bicicleta.

E aí...

O filho da mãe é advogado.

O desgraçado fez a própria defesa no tribunal.

Os meus pais estavam totalmente arrasados.

A minha mãe só soluçava,

o meu pai não conseguia nem responder.

O veredito?

Hubert Faillard:

inocente.

Esse desgraçado tem uma mansão em Cabo Ferret.

Vou fazer uma visita.

Você deveria estar com os seus pais.

Eles precisam de você.

Eles nem sabem que não estou lá.

Ninguém me ligou.

E você?

O que tem eu?

Você, a sua vida.

Tipo, o seu marido, o seu ex.

Meu ex-marido se apaixonou pela minha melhor amiga, Claire.

Mentira!

Que piranha!

Não, ela é ótima. É uma moça ótima.

Não, ele. Ele é uma piranha.

- Ele? - Sim!

Uma piranha mesmo.

Uma piranha mesmo. Desgraçado.

E o seu pai?

O meu pai está praticamente morto.

O meu pai...

Ele está vivo, mas não é mais ele.

- A mente já foi. - E a sua mãe?

A minha mãe está morta mesmo.

- Sinto muito. - Já faz muito tempo.

A minha mãe adorava lavar o carro

naqueles lava-jatos com os rolos gigantes, sabe?

Ela dizia: "Aqui, ninguém me irrita."

Eu me lembro de um dia,

eu era pequena, com uns 7 anos.

Estávamos indo a um espetáculo na escola,

e, do nada...

Não sei por que me lembrei disso agora.

Ela decidiu passar no lava-jato.

A gente estava lá, com os rolos girando...

Ela ficou sentada lá, fumando.

Eu nem imagino o que ela estava pensando.

Aquilo demorou uma eternidade.

Obviamente, nós perdemos o espetáculo,

porque nós já estávamos atrasadas.

Era tarde demais. A gente faltou ao espetáculo.

Por que eu estou lhe contando isso?

É a maconha.

É mesmo.

Faz você falar.

- Ela não tinha teto solar? - Não.

Isto não é um teto solar, é um buraco, é diferente.

E digo mais: é um teto que não dá para fechar.

Eu só vou poder usar o carro no verão agora.

- É a minha realidade. - Nada mau.

Deixa para lá.

Dá para ver o céu e as estrelas.

Sim...

- Quer conhecer a minha? - Quero.

A terceira à esquerda. Viu?

Vou empurrar ela um pouco. Assim não dá.

- Tira a mão! Tira a mão! - Não, olha!

- Ela se mexeu! Olha! - Ela mexeu! Mexeu!

- Se mexeu, você viu? - Viu?

Mentira, mexeu nada.

- Mexeu, sim. - Que nada! É a maconha.

- Fala que mexeu. - Mexeu.

Obrigada.

Agora dá para cá, você já passou da conta.

Está tudo aqui.

Pois é, direto do caixa eletrônico.

Vão com cuidado. E valeu por levar ele.

- Eu o busco depois. - O quê?

Aonde vamos?

- Nós vamos ao hospital. - Isso, vamos ao hospital.

Ao hospital? Vão fazer o que comigo?

A gente não sabe.

- É o senhor quem sabe. - Não explicaram?

- Vocês vão ficar comigo? - Bom, não, porque a gente...

A gente...

Gallo falou que vão buscar o senhor depois.

Se Barbara ainda estivesse aqui, eu tinha trazido ela comigo.

Quem é Barbara?

A minha galinha.

A sua esposa, o senhor quer dizer?

- A minha galinha. - Uma galinha?

Uma santa, a Barbara.

- E cadê Barbara agora? - Em cima da TV.

Por que ela está lá?

Porque eu a empalhei.

Pediu a um empalhador para...

Não, eu mesmo a empalhei.

Certo, entendi.

Quer saber? Você me lembra Barbara.

Nossa...

Obrigada. Vou supor que seja um elogio.

São os seus olhos.

Já paramos três vezes.

- Agora já chega. - Não é minha culpa!

A minha bexiga é pequena.

Paul!

Paul!

Senhor!

Paul!

Paul.

Paul!

O que está acontecendo?

Por que você foi fazer isso?

Que idiota!

Você não sai do carro nem para me salvar?

Eu...

Eu vim.

O quê...?

O que o senhor está fazendo?

- Eu não quero ir. - Mas tem que ir.

É importante se cuidar na sua idade.

- Na minha idade... - Paul mandou o senhor voltar?

- Quem é Paul? - Bom, deixa para lá.

Vai ver o médico, tem que ser razoável.

Eu não sou razoável. Eu não quero ver o médico.

- Tem cheiro de morte lá dentro! - Não tem.

Vai lá.

É sério.

Estão esperando o senhor.

Você e eu deveríamos fazer amor.

Um dia, quem sabe. Mas, agora...

Agora, não.

Me dá um beijo de despedida.

Vai lá ver o médico, e depois, talvez...

Quem perde é você.

- Para com isso. - Cala a boca!

- Você está me machucando! - Fica quieto.

Dá a partida! Dá a partida!

Mas...

O que é isso? Quem é esse cara?

Você vai ver.

Anda! Anda! Anda!

E, você, não se mexa.

- Vai, vai, vai, vai! - Ei, parem aí!

- Parados! Ei! - Vai. Vai.

Qual é o seu nome? David.

David, Louise. Louise, David.

Ele é psiquiatra e vai ajudar.

- Ajudar ela? - Que história é essa?

Relaxa. Deixa comigo.

- Você vai me matar? - Não.

Quer dinheiro? Toma meu relógio!

Não quero dinheiro e não vou matar você.

- Faz tempo que é psiquiatra? - Não sei.

- Uns dez anos. - Dez anos? É perfeito. Perfeito.

Bom, Louise, fale com ele. Você, resolva o problema dela.

- Eu não vou falar com esse cara. - A senhora tem razão.

A relação com o psiquiatra tem que ser de confiança.

Você, cale a boca e fale com ela.

Espere aí. O que você quer?

Eu não quero nada! Não sou eu, é ela!

Ela quer sair do carro, mas não consegue,

porque está bloqueada.

Porque ninguém liga para ela.

O ex não está nem aí, o filho foi embora,

o pai está caduco e a mãe está morta.

É um desastre.

Ele vai para Cabo Ferret matar o assassino do irmão dele.

- Deixa eu sair! - David!

David, não vacile, irmão. Se acalme.

Você pode ir quando desbloquear ela.

- "Desbloquear ela"? - Dá um jeito!

Ela está bloqueada, transpirando, com depressão.

Suando como uma porca, olhos angustiados.

- Está assim há três dias. - Ele está certo, faz três dias.

Então vai, faz as perguntas.

Fala sobre a infância. Anda.

Algum tio tocou nela em um encontro de família.

De repente, tudo começa a voltar!

Isto é um absurdo.

É o seu trabalho, não o meu. Resolva aí!

Não é tão simples assim!

O tempo é importante.

É preciso uma a duas sessões por semana por anos!

- Eu não posso... - Novo desafio.

Uma hora, ou eu mato você.

Não, espera aí.

Não posso resolver a ansiedade dela em uma hora!

- Muito menos com essa arma! - David...

- Perdão. - Não...

- Me desculpa, é de nervoso. - Para de rir. Para!

Ele está com dificuldade, está tenso.

Você não está ajudando.

Vamos, David, coragem!

- Olha a hora! - Certo.

Faltam 59 minutos! O tempo passa voando.

Está bem, está certo.

Bom, me fala do seu pai.

- O que ele faz? - É agricultor.

- Por quê? - Não o seu, o dela.

- O seu pai. - Me chama de Louise.

Não, eu prefiro não chamar. O seu pai.

É aposentado.

- É mesmo? O que ele fazia? - Era confeiteiro.

- Ele fazia bolo? - Também.

- Que legal... - Pare de ficar se metendo.

O relacionamento com seus pais era bom?

Sim. Era normal.

É mesmo? Que pena...

E o que este carro significa para você?

- É um Volvo, certo? - Bom, é o carro do meu pai.

Eu uso, já que ele não dirige mais.

Já é meu há 15 anos.

Estava em boas condições, porque ele dirigia pouco.

- Só 15 mil quilômetros. - Fico feliz por você.

- Você tem algum irmão? - Não, sou filha única.

- Isso fez você sofrer? - Não.

Obesidade? Anorexia?

Menstruação atrasada, alguma coisa?

Não. Desculpa, não.

Você às vezes se sente só?

Sente o peso das angústias dos seus pais?

Tinha dificuldade de se enturmar na escola?

Você tem que me ajudar aqui, porque eu...

- Não posso... - Ajuda ele!

Desculpa, minha época de escola foi bem normal.

Mediana, mas normal.

Eu era representante de classe...

Ninguém se importa com isso.

Está bem, valeu.

Perdão, não tenho onde improvisar aqui.

Bom... A sua mãe...

- Ela morreu, é isso? - Sim.

E?

Se atirou da janela da cozinha e nunca mais voltou,

porque morreu.

É isso.

A sua mãe se suicidou?

- Sim. - E você não me disse?

Bom...

Quando você pensa naquele momento,

o que você sente?

- O que eu sinto? - Sim.

Eu fui criada principalmente pelo meu pai.

Enfim, ele me criou.

A minha mãe estava sempre doente e vivia hospitalizada.

Quando estava em casa, estava medicada,

então, no fim das contas...

Bom...

Foi como... Foi um alívio.

A falta de uma figura materna presente

é uma coisa difícil de processar.

E tem o pai que fazia bolo também.

- O confeiteiro. - Não sei, temos que ver...

- Sim, o pai que fazia bolo. - Claro, compensação paterna.

A compensação paterna!

Sim, se quiser pensar por aí...

Estamos chegando a algum lugar.

Você era muito nova quando ela morreu?

Não, eu já tinha 25 anos.

Mas ela era jovem para morrer.

- Ela tinha quantos anos? - Tinha acabado de fazer 45.

E você? Tem quantos anos?

Tenho 44. Não, faço 45 em dois dias.

Não... Isso, em dois dias.

Caramba! É mesmo!

- O quê? - Ele é bom.

O cara é bom.

A conexão da idade não é insignificante.

- O que quer dizer? - É sério?

- Ela ainda não sacou? - Espera.

É possível que, inconscientemente,

de alguma forma, sair do carro do seu pai

seja como a sua mãe se atirando da janela.

- O quê? - Você!

A sua mãe se matou com 45 anos.

Você está fazendo 45 anos.

- Então, 45... - Acho que ela entendeu.

- Entendeu? - Já está bem.

Entendi.

Isso, ótimo. Assim.

- Não... - Muito bem.

Eu não estou me sentindo bem.

- Não, se acalma. - Eu estou tendo palpitação.

A palpitação é normal. Vem.

Vem cá.

- Um... - Não, eu estou me sentindo...

Dois e três.

Louise!

Isso não funcionou.

Se ela rejeitar a conexão com a mãe,

não vai superar os ataques de pânico.

- A conexão com o carro é real. - Espera, isso foi...

Foi um grande passo, um esforço e tanto.

- Mas não deu certo. - É, mas leva tempo.

Não é como apertar um botão!

Cuidado.

Droga...

Oi, aqui é David Frinkel falando.

Desculpe, sr. Richet,

mas vou ter que cancelar o nosso horário hoje.

Eu ligo de volta para o senhor para remarcar.

Tenha um bom dia. Até mais.

Está melhor?

Sai do carro.

- Você não quer conversar? - Não, não quero.

Sai do carro. Sai.

Está tudo bem. Não se preocupe.

É um bom sinal exteriorizar a agressividade

e descontar tudo no terapeuta.

Cala a boca! Chega!

- Está exteriorizando bem. - Sim.

- Gostei de ver. - Saia do carro!

Ou eu que vou matar você! Você também, desça.

Já saí! Está tudo bem. Tudo bem, tudo bem.

Mandou bem. Bom trabalho, cara.

Louise, abra a porta. Vamos falar da sua raiva.

Não estou com raiva.

Que raiva?

Só porque minha mãe se matou quando eu tinha 25 anos?

Está tudo bem. Faz tempo, eu já aceitei!

Já me acostumei!

Está tudo ótimo, por que mencionar isso?

Eu vivi depois disso, tive um marido ótimo,

um filho ótimo e um bom emprego!

Minha vida é ótima!

Eu estou bem, eu não estou com raiva!

Eu não estou com raiva!

- Não podemos deixá-la assim. - Mas isso é muito positivo.

Ela está saindo da fase de negação.

É progresso.

É um caso muito específico.

Muitos pacientes se recusam a sair de casa,

mas nunca vi não sair do carro.

O que a gente faz?

A gente espera.

O que a gente faz agora?

Os seus pais compraram um trator

com o dinheiro do advogado que matou o seu irmão?

Isso.

- Entendi. Que coisa... - Eu bem que avisei.

Meus pais são bem burros.

Eles não ajudaram você a viver o seu luto.

Eu não estou nem aí. Não preciso da ajuda de ninguém.

Eu acho que precisa.

E o que você sabe?

Já perdeu um irmão?

- Não, mas... - Pois então.

Não sabe de nada.

Então cala a boca.

Eu sei o que fazer.

Vou achar o filho da mãe e meter bala.

E pronto.

Há outras soluções.

Pedir ajuda não torna você fraco.

Já passou mais de uma hora.

Que saco...

Ela pegou a minha arma. Não é dela.

Caramba...

- O quê? - Não. Nada.

Está tudo bem, ela não pareceu suicida.

Ela vai se suicidar?

Não.

Você é uma bosta de psiquiatra.

- Eu deveria ter matado você. - Você está obcecado.

Pode me dar minha arma?

Não.

Tem um trem saindo de Arcachon às 17h05,

com duas trocas de ônibus.

A estação de Bordeaux era melhor.

Vamos para Arcachon, só aceita.

Viajar leste-oeste demora mais que norte-sul.

Vai levar quase dois dias.

O desenvolvimento territorial avança muito devagar.

É porque foram economizando nos investimentos.

Mais uma vez, eles não conseguiram, cara.

Você acredita naquilo?

- No quê? - No que você disse.

Aquele lance de reprodução, a minha mãe,

o suicídio, a ansiedade...

É só o começo da terapia.

Considerando o que me paga, não vou complicar mais.

Caramba! Um tweet sobre o sumiço dele.

- Não... - Quem tuitou?

- O hospital! O FBI, idiota. - Não, quem foi?

- Você é gastroenterologista? - O quê? Não.

- Diz aí que você é. - Está de sacanagem!

- Deixe-me ver isto! - Não é psiquiatra?

- Você mentiu? - Por que disseram isso?

Não sei. Não fui eu que tuitei.

- Espera. - Você não é psiquiatra!

Eles falaram besteira.

Eu tenho dois mestrados em ciência cognitiva.

- E quem se importa? - Eu me importo.

Você é psiquiatra?

Sim, eu não sei nada de gastroenterologia.

Eu sou psiquiatra. Ponto final.

Já estava óbvio...

Mas é bem bizarro...

A sua família não liga? Não se preocupa?

A sua esposa?

Até parece que ele tem esposa.

Olha só quem fala.

- Você é casado? - Sou.

- Digo, não. - Não?

- Tudo bem, eu... - Não tem esposa?

- Não tem. - E daí? Cuidem da vida de vocês.

Isso não faz diferença.

Vai deixá-lo ir atrás do cara em Cabo Ferret?

Bom, eu não posso impedi-lo.

É melhor eu ir junto com ele.

É verdade.

Você está pensando que ele precisa de você.

Eu não sei.

Pode não ser coincidência ele ter escolhido meu carro.

- Quem é? - A mãe dele.

Ela liga o tempo todo.

Então atende.

Isso não é escolha nossa.

E o que você vai fazer na casa desse cara?

Ele não vai machucar o cara. Ele só ladra, mas não morde.

Ele não vai atirar.

Ele diz que quer vingança,

mas ele só está perdido.

Justamente. Quando estamos perdidos, fazemos bobagem.

Aconselho você a não devolver a arma a ele.

Eu me livrei da arma séculos atrás.

Bom...

Eu peguei tudo.

A vida é muito doida.

A minha, por exemplo.

Já faz anos que tem sido bem chata.

E, agora, de repente...

Todos estes encontros...

É desconcertante, não é?

Pronto, achei.

Tem barco...

Tem barco até as 18h, mas não para veículos.

- É mesmo? - Sim.

Sim...

Eu devo ter confundido com Royan.

Deixa para lá, podemos ir pela estrada.

Certo.

Você fuma?

Só porque eu estou com um cigarro?

- Não aconteceu nada. - Ainda assim...

- O que foi? - Ainda assim, é doideira.

- Não tem barco... - Não tem...

Só dá para ir pela estrada.

- É o jeito. - Será que o hospital

conhece essa técnica?

O quê? Do que você está falando?

Eu não fiz nada. Enfim, de qualquer forma...

Pode parar? De qualquer forma, não é assunto seu.

Cara chato.

Vocês dois se jogaram mesmo.

Pode ser melhor eu continuar com a terapia.

Você sabe onde me encontrar.

Vamos, ele vai perder o trem.

- Quer chiclete de quê? - Menta.

- Menta. - Sem açúcar. E uma água.

Bom, então...

Adeus.

Anda!

Já estou indo.

O seu trem é esse.

- Bom, então tchau. - Tchau, cara.

Alô.

Eu pensei melhor.

- Não posso deixá-los assim. - O quê?

Tudo bem, cara, não preocupa.

Não, Louise não resolveu o problema dela.

É importante ela continuar as sessões.

- É mesmo? - Sim.

Compra o chiclete dela. Eu vou ao banheiro.

- Beleza. - Vai lá.

- Vai, vamos embora. - Cadê o meu chiclete?

- Comprou o meu chiclete? - Não, o lugar estava fechado.

Vamos.

Está de mau humor.

Está triste. Está para baixo.

Está para baixo?

- Estou. - Eu sei por quê.

Por causa do idiota que deixamos para trás.

Se você gostou dele, está tudo bem.

Eu sabia...

O cara em Cabo Ferret não matou seu irmão.

Não fala bobagem.

É você que está falando bobagem.

- Quem disse isso? - Eu falei com a sua mãe.

- O quê? - Seu irmão avançou o sinal.

- Não fala do meu irmão. - Ele avançou.

- Louise, cala a boca! - Fala a verdade, Paul!

Vê se cala essa boca! Que droga!

- Cadê a minha arma? - Joguei fora.

- Louise, cadê a minha arma? - Eu me livrei dela.

- É mentira! - Não está mais aqui!

- Cadê a droga da minha arma? - Para, Paul!

Cadê a minha arma?

Que droga!

Paul!

Paul!

Que droga!

HUBERT FAILLARD, ADVOGADO

CABO FERRET, ITINERÁRIO

CABO FERRET

Paul!

Paul!

Ele está morto.

Paul, caramba...

Com licença.

Vocês vieram para o enterro?

Que enterro?

O do sr. Faillard.

Parada cardíaca.

Vocês eram próximos do falecido?

Não. Bom, nós éramos próximos à distância.

Mas quando ele morreu?

Na semana passada.

Ótimo.

Obrigada.

Obrigada.

Pode parar, por favor?

Você tem uma aspirina? Estou com dor de cabeça.

Toma.

É paracetamol.

Não tem aspirina?

É a mesma coisa.

É outro princípio ativo, mas dá no mesmo.

Se é outro princípio ativo, é diferente.

Mas não importa, porque o resultado é o mesmo.

Por que mencionar isso então?

Quer que eu entre em pânico?

Quer que eu bote Véronique Sanson?

Não.

Quer ligar para o meu ex?

Devo deixar uma mensagem para o meu filho?

O que eu faço agora?

Você vai para casa.

Vamos para casa, certo?

Ligou para quem?

Para minha mãe.

Eu quero beber.

A gente está sem dinheiro.

Da carteira do seu psiquiatra.

- Você o roubou? - Roubei.

Que cara de pau...

Ele gostou de você. Ele queria ficar.

Lá na estação, eu o mandei ir comprar chiclete

e dei no pé.

- Ele queria ficar comigo? - Sim.

- E você o impediu? - Impedi.

Eu sou um crianção!

Dá um descanso para as cantoras mortas.

Véronique não está morta.

- Não morreu ainda? - Não.

- Então falta pouco. - Ela nunca vai morrer.

Eu vou botar uma música de verdade.

Isso.

Isso, sim, é música.

Escuta. É isso aí.

Para a senhorita.

Para o cavalheiro.

Que gostoso!

Você é bom.

Onde aprendeu a fazer drinks?

O meu irmão era barman.

Em uma boate, a Jukebox.

- A Jukebox? - Você conhece a Jukebox?

É claro!

- Você já foi lá? - Você nem imagina...

Ia muito?

Eu nunca vi você lá.

Que surpresa!

Eu nunca fui a essa boate. Não conheço.

Você é um saco.

Seu irmão gostava de ser barman?

Gostava.

Sim.

Mas ele bebia muito.

Sempre se metia em brigas, aí foi demitido.

O idiota estava sempre atrás de problema.

E você?

Já sabe o que vai fazer da vida?

Tem ideia?

Eu quero ganhar dinheiro, isso é certo.

Dito isso, sei lá o que eu vou fazer.

Eu gosto de subir em árvore, mas isso não é trabalho.

É, sim. Tipo guarda florestal.

Você cuida das árvores, vive na floresta,

- não é nada mau. - Nossa! Talvez.

- Será que paga bem? - Eu duvido.

Eu lamento.

Pelo quê?

Por...

Por tudo isso.

Você acha que a minha vida era...

Não lamente por mim.

Além disso, graças a você,

eu pude conhecer Cabo Ferret.

Bonito aqui, não é? Sim.

E, se eu for morar no meu carro,

posso estacionar aqui de vez.

Você não precisa ficar.

Você confia em mim?

É uma pergunta difícil.

Não para mim. Sim ou não?

Sabe nadar?

Sei.

Por quê?

Fica com os olhos fechados.

Tudo bem.

Você está bem? Tudo bem?

Tradutora: Tainah Aquino BRAVO STUDIOS

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