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Este filme foi compilado a partir de um material filmado em combate
para os notici�rios de atualidades, por cameramen da Gr�-Bretanha,
dos EUA e da URSS, 1944-45.
FATOS DOS CAMPOS DE CONCENTRA��O
Em mar�o de 1933,
17.264.296 alem�es votaram no Partido Nacional Socialista
outros 20.680.000 dividiram seu voto entre Democratas,
Comunistas, Crist�o-socialistas, Partido do Povo, etc., etc.
A falta de unidade entre estes partidos opostos aos nazistas se tornou fatal.
O Partido Nacional Socialista chegou ao poder.
Fizeram muitas exig�ncias e promessas.
"O povo alem�o se alegra,
o conhecimento do caos e da covardia
foi substitu�do por um l�der calmo e firme".
Os alem�es haviam empreendido uma longa jornada
que os conduziria ao triunfo, sem precedentes, do caos.
Promessa por promessa, foram todas cumpridas.
�ustria e Checoslov�quia, 1938,
Pol�nia, 1939,
Noruega, Dinamarca e Fran�a sucederam-se.
Por fim um lugar sob o sol.
Perderam suas alian�as comerciais, e muitos livros foram queimados,
mas ainda assim lhes pareceu um bom neg�cio,
e come�aram a ordenar a cada um o que se devia fazer,
impondo-lhes seu �nico ponto de vista,
sobretudo por serem cegados
com promessas de vit�ria e conquista.
Durante a primavera de 1945, os Aliados foram adentrando no cora��o da Alemanha,
chegando a Bergen Belsen.
Hortas limpas e ordenadas,
granjas bem abastecidas sucediam-se pelo caminho,
o soldado brit�nico n�o podia deixar de admirar o lugar e seus habitantes...
...ao menos at� que come�ou a notar um cheiro.
Vinha de um campo de concentra��o,
um aterro sanit�rio cercado por arame farpado
e protegido por guaritas.
Deixando atr�s o campo florescente, apesar do cheiro espantoso,
as coisas, em princ�pio n�o pareciam t�o m�s,
as crian�as sorriam atrav�s da cerca
e as mulheres riam e agitavam suas m�os.
Mas o campo de Belsen era muito extenso, e dentro havia outra hist�ria.
N�o haviam comido durante seis dias
e foi necess�rio dar todo o alimento que os soldados levaram.
A �gua tamb�m havia sido cortada
assim, o carro de �gua era a coisa mais importante a chegar.
A maioria das pessoas parecia ap�tica,
sem esperan�a e espantada.
A fome os tinha afetado provavelmente dessa maneira.
Nos demos conta da praga, da doen�a e decomposi��o
de que n�o s� estavam com fome, a situa��o era pior.
Movendo-se languidamente com suas pernas raqu�ticas
estavam demasiado doentes para comer.
Qu�o gratos se mostravam ao ouvir uma palavra ou um gesto am�vel!
Que mis�ria viver entre a imund�cie com a for�a apenas para suportar
as picadas dos piolhos
que se lan�avam sobre eles.
Pareciam acostumados ao cheiro e ao horror.
Tinham visto aqui todo o mal que se podia chegar a ver.
Este homem foi morto pela viol�ncia.
Era quase imposs�vel aproximar-se das barracas;
estavam abarrotadas por corpos emaranhados
das pessoas que haviam morrido l�, lentamente,
retorcidos pela agonia,
encharcados em po�as de excrementos.
Agora estava dif�cil recordar aqueles pomares,
campos ricos onde os agricultores impass�veis recolhiam suas colheitas,
a uns minutos daqui, do outro lado do alambrado,
n�o tinha nada a ver com imund�cie e morte.
Os presos mortos eram lan�ados retorcidos e empilhados em mont�es.
Mulheres mortas como est�tuas de m�rmore na lama.
Era entre isto que estes prisioneiros deviam viver...
...e morrer.
Os corpos aqui jogados n�o podem ser contados em centenas,
mas a milhares.
E n�o um ou dois mil,
mas 30.000.
Este � um dos buracos onde prisioneiros, para ganhar comida,
deviam arrastar os corpos de seus companheiros,
mas como estavam muito fracos para continuar com sua tarefa, morriam,
por isso o buraco se encontra na metade de sua capacidade.
Os guardas S.S. vigilantes do campo
foram pegos e postos em fila para exame.
Seus documentos foram trazidos para confirmar seu status
e sua autoridade.
Cada um com a morte como principal ins�gnia.
Cada um justificado pela lei alem�.
Com aspecto desavergonhado bem alimentados, bem vestidos e alegres.
Havia mulheres tamb�m entre a guarda de Belsen.
Volunt�rias que se ofereciam para contribuir
fazendo sua parte.
N�o se mostraram p�lidas, emagrecidas e nem com olhos famintos,
mas de aspecto arrogante, bem nutridas, em bom estado.
O comandante do campo, Yosef Kramer,
foi declarado criminoso de guerra no tribunal militar dos Aliados.
Era preciso resgatar
tantos corpos quanto poss�vel, o mais r�pido poss�vel,
de modo que os S.S. foram colocados para trabalhar.
Quinhentos soldados h�ngaros, capturados pelos S.S.,
come�aram a trabalhar em uma opera��o de cavar sepulturas.
Os S. S. foram for�ados a realizar o trabalho
a que anteriormente for�aram os detentos.
Isto, apesar de tudo, n�o era nada para esses homens,
que pertenciam � "Ra�a Superior", educados para serem duros;
para matar a sangue frio;
e aos brit�nicos pareceu conveniente e acertado que os assassinos
deviam enterrar a essas criaturas desamparadas e sem nome
que haviam sido enviadas para a morte por inani��o.
As faces dos presentes mostravam apenas uma parte do �dio
que a Alemanha havia lhes provocado...
...e algo da ang�stia, tamb�m.
Enquanto isso, atr�s do campo,
atendia-se aos sobreviventes.
Prepararam-se suprimentos de sopa quente
e os que podiam se alimentar sem ajuda foram atendidos o mais r�pido poss�vel.
N�o eram abastecidos de �gua h� seis dias.
Os alem�es argumentaram que tinha sido cortada.
Puseram-se a trabalhar na �gua por horas e antes das 12h j� estava resolvido,
e eles tinham o suficiente para poder se lavar.
Foi-lhes fornecido sab�o, o primeiro que viam em meses,
e foram possu�dos pelo desejo da higiene.
Uma unidade de banho m�vel foi instalada para que eles pudessem ter �gua quente.
A princ�pio, os detentos acreditaram que fosse uma miragem,
esperavam que, ao se aproximarem, fosse se diluir,
mas se deram conta de que o sonho era real!
�gua quente!
E por isso os nazistas asseguravam que viviam deleitados entre a sujeira.
Mas havia muito trabalho a se fazer em Belsen.
Ap�s sete terr�veis dias, os funerais continuaram.
Parecia n�o haver fim.
Os homens da S.S. n�o estavam t�o radiantes agora.
Sete dias manipulando centenas de corpos
os levou a come�ar a gritar e amaldi�oar.
"Esperem! Voc�s pagar�o os anos perdidos de nossa juventude."
"Esperem pra ver!"
Alcaides e funcion�rios civis da regi�o
foram chamados para testemunharem as cenas causadas
como parte do esquema de atua��o nazista.
Isto n�o era o que esperavam.
Vinha acontecendo h� anos,
apenas deram de ombros e franziram a testa,
asseguraram que n�o era assunto deles;
mas a maioria se mostrou silenciosa.
Meu nome � Fritz Klein. Sou um m�dico.
Estou h� um ano e meio neste campo de concentra��o.
Nasci em 24 de novembro de 1888.
Tenho 58 anos,
sou alem�o da Rom�nia.
Estou falando hoje, em 24 de abril de 1945.
Eles receberam um discurso de um oficial brit�nico
atrav�s do potente alto-falante de um furg�o.
Voc�s, que representam os pais e os irm�os da juventude alem�,
vejam ante seus olhos, a alguns dos filhos e filhas
que t�m a responsabilidade direta deste crime.
Eles s�o apenas uma pequena parte.
Consequentemente, � mais do que a alma humana pode suportar.
Mas de quem � realmente a responsabilidade?
De voc�s, que permitiram que seu F�hrer
realizasse essa loucura;
de voc�s, que n�o fizeram o suficiente para evitar este desprez�vel �xito.
De voc�s, que eram parte desses campos...
e tinham uma vaga ideia do que estava acontecendo neles.
De voc�s, que n�o se levantaram espontaneamente
para defender o nome alem�o,
independentemente das consequ�ncias pessoais.
Voc�s est�o condenados pelo que est�o prestes a ver aqui.
Voc�s ter�o que expiar pelo trabalho e pelo suor,
pelas a��es de seus filhos e filhas,
por terem criado crian�as capazes de fazerem essas coisas,
e por terem falhado na preven��o de tudo.
N�o importa o que sofram...
Algu�m poderia perguntar; por que n�o se levou a todos
os sobreviventes do campo a uma cidade grande?, por exemplo,
onde havia comida e instala��es adaptadas;
a resposta � resumida em uma terr�vel palavra...
Tifo.
Uma unidade bacteriol�gica m�vel e toda a ajuda m�dica poss�vel
junto a 90 estudantes de medicina dos hospitais de Londres
foram trazidos ao local para resolver a quest�o.
A falta de �gua e sab�o atraiu os piolhos para os prisioneiros
e os piolhos traziam o tifo.
Para se livrar de tifo, deve-se eliminar, em primeiro lugar, os piolhos.
Retirou-se das barracas os enfermos contaminados
e foram submetidos a um processo de "lavagem".
Eles foram polvilhadas com DDT
e uma vez limpos, e cobertos com mantas,
foram removidos em ambul�ncias limpas por turnos de equipes
num meticuloso trabalho de salvamento.
A duas milhas do campo
encontrou-se um grande hospital e uma escola de treinamento da SS-Panzer
bem abastecidos com suprimentos m�dicos.
Por alguma raz�o, os alem�es n�o puderam us�-los
com os reclusos.
As mortes se somavam dia a dia:
muitos deles ainda estavam longe de poder digerir qualquer alimento
e havia uma grande car�ncia de enfermeiras.
No entanto, h� de se agradecer
que n�o tenham sido abandonados
negligentemente � putrefa��o.
Havia crian�as, tamb�m, em Belsen,
embora fosse dif�cil imaginar que crime pudessem ter cometido.
Muitas delas conseguiram sobreviver gra�as � detentas
que lhes ofereciam os poucos alimentos que podiam conseguir.
A comida para essas crian�as havia sido sempre escassa e espa�ada entre si,
ent�o comiam tudo que lhes d�vamos com muito cuidado...
Nada as fazia sentir pior
do que deixar cair um peda�o de batata ou derramar uma gota de sopa.
Roupa era outra quest�o premente, um departamento para isso foi instalado,
e roupas foram recolhidas em armaz�ns de cidades pr�ximas,
e logo come�aram a escolher e "fuxicar" sobre elas,
como as mulheres tanto gostam de fazer.
Havia algo de simb�lico nas roupas novas.
As roupas novas representavam esperan�as renovadas.
Vestiram-se com orgulho.
Agora, j� se podia olhar adiante e crescer em um futuro promissor.
Foram encontradas mais de 200 crian�as menores de doze anos
ainda com vida no campo de Belsen.
Para estas crian�as, a roupa limpa e seca, e as palavras am�veis
de um estrangeiro, eram estranhas, nunca sonhadas, algo inexplic�vel.
Alguns tinham nascido atr�s do alambrado.
Em que circunst�ncias, n�o me atrevo a imaginar.
Onde est�o seus pais?
Aqui, talvez?
Ou aqui?
Ou aqui embaixo, nesta fossa?
Hoje � 24 de abril de 1945.
Meu nome � Gunner Illingworth e vivo em Cheshire.
Estou no campo de Belsen para vigiar os homens da S.S.
O estado desse campo n�o d� para descrever.
Quando se v� pessoalmente, compreende-se porque se combate aqui.
Uma foto em papel nunca poderia descrever tudo.
O que eles cometeram, bem,
nenhum ser humano imaginaria isso tudo.
Agora conhecemos de fato,
o que estava ocorrendo nestes campos.
E eu, pessoalmente, agora sei, contra o que estou lutando.
Sou o Reverendo T.J. Stretch,
capel�o adjunto em rela��o ao cuidado deste campo.
Minha casa fica em Fishguard.
Minha par�quia est� em Holy Trinity Church Aberystwyth.
Estou aqui h� oito dias,
e nunca, em minha vida, vi um fato t�o horr�vel e conden�vel.
Esta manh� enterramos uns 5.000 corpos.
N�o sabemos quem s�o.
Atr�s de mim voc� pode ver um buraco contendo outro 5.000.
H� mais dois como este em prepara��o.
Todas essas mortes foram causadas pela a��o cont�nua da fome,
o tifo e as doen�as,
agravados pelo tratamento
que estas pobres pessoas receberam
por parte dos guardas S.S. e de seus chefes.
Nunca saberemos quem eram nem de que fam�lias foram separados.
Se eram cat�licos, luteranos, ou judeus.
N�s apenas sabemos que nasceram,
sofreram e morreram em agonia, no campo de Belsen.
Tanto judeus, como luteranos e cat�licos jazem...
...unidos indistintamente em uma fossa comum.
Os sobreviventes foram transferidos para um lugar mais limpo.
As barracas infectadas pelo tifo foram incendiadas.
O arame farpado foi arrancado.
Os uniformes listrados dos prisioneiros ir�o com ele.
Logo o fogo ir� cessar, a fuma�a e as cinzas se dispersar�o
e a grama cobrir� o lugar.
N�o pensem que foi o �nico ponto negro
descoberto na Alemanha.
Havia cerca de outros 300.
Os alem�es n�o podiam negar que conheciam sua exist�ncia.
Todo mundo tinha ouvido falar de Dachau,
anunciado pelos nazistas como campo modelo
desde sua inaugura��o, em 1933.
Em 28 de fevereiro daquele ano, o Decreto Presidencial de Emerg�ncia
decidiu suprimir os direitos civis b�sicos dos alem�es
por tempo indeterminado,
assim, eliminava-se a prote��o leg�tima contra o encarceramento arbitr�rio.
O TRABALHO LIBERTA
Aqui, havia 32.000 homens de todas as nacionalidades europeias,
incluindo 5.660 alem�es.
Do lado de fora, algu�m, sem fixar-se muito, talvez n�o veja
nada especialmente assombroso ou horr�vel,
mas Dachau superou em tr�s ou quatro vezes
o n�mero para o qual foi projetado.
Aqui, como em Belsen, homens conheceram a fome,
homens perderam suas for�as, e homens ficaram doentes
at� morrerem deitados no ch�o.
Na barraca 30, unicamente, registraram-se, por exemplo,
72 mortes em 24 horas.
A cada dia, a morte se apresentava nas barracas.
Aqui, como em Belsen, muitos estavam demasiado fracos para sobreviver,
demasiado doentes para comer.
O tifo cobrava suas baixas, e os caminh�es carregados de mis�ria
tiveram que se distribuir o poss�vel em hospitais j� sobrecarregados.
Dachau tinha seu pr�prio bordel, onde os guardas abusavam das prisioneiras.
Conforme as mulheres morriam eram substitu�das por um contingente
do campo de mulheres de Ravensbr�ck.
Isto n�o foi utilizado como sala de banho, mas como c�mara de morte.
Grupos de prisioneiros eram trazidos aqui para morrer.
Quando estava cheia, as portas eram fechadas e lacradas,
e um homem da sala de controle vertia o g�s venenoso
e assim outro grupo de v�timas indefesas
era despojado de suas vidas.
A c�mara de g�s era estrategicamente localizada perto do necrot�rio,
e colocada ao lado do cremat�rio.
LIMPEZA AQUI � UM DEVER
ENT�O N�O SE ESQUE�A DE LAVAR AS SUAS M�OS
Estes grandes fornos foram criados exclusivamente para
incinerar uma grande quantidade de cad�veres.
Nos �ltimos tr�s meses,
registros oficiais indicam que 10.615 pessoas foram colocadas aqui.
Suas roupas foram entregues
ao Deutsche Textil und Bekleidungswerke G.M.B.H.,
empresa privada cujos acionistas eram funcion�rios da S.S.
que requeriam e reparavam a roupa,
utilizando m�o de obra gratuita da pris�o,
e revendida ao dep�sito de roupa do campo
para ser entregue a novos presos.
PERIGO! G�S! PERIGO! N�O ABRA!
Presos chegavam frequentemente em trens de carga.
Mas sem pressa para desembarcar.
Eram levados para longe, deixados para morrer de fome,
frio e tifo.
Encontramos um destes cad�veres congelados
na neve, ao lado de uma via p�blica.
Milagrosamente, dezessete homens ainda sobreviviam.
O restante, cerca de 3.000, tinha morrido.
Os alem�es conheciam Dachau, mas ningu�m se preocupou.
Em Buchenwald, havia cerca de 80.000,
dos quais 34.000 foram empregados fora do campo, em uma f�brica de armas.
CADA UM NA SUA
Durante a primeira semana de abril,
25.000 foram transferidos pelos alem�es a outros campos
devido � proximidade das for�as aliadas.
Quando o campo foi libertado em 13 de abril,
havia ali ainda 20.000 prisioneiros.
Negros Africanos, Albaneses, Austr�acos,
Belgas, Brasileiros, B�lgaros, Canadenses, Chineses,
Croatas, Checos, Daneses, Eg�pcios, Estonianos,
Franceses, Alem�es, Brit�nicos, Gregos, Holandeses, Italianos,
Yuguslavos, Lituanos, Let�es, Luxemburgueses,
Noruegueses, Mexicanos, Poloneses,
Romenos, Espanh�is, Su��os, Americanos e Russos.
55.000 deles morreram neste lugar.
Aqui, Schoker, o comandante do campo, disse:
"Desejo registrar, ao menos, no escrit�rio do campo, 600 mortes judaicas por dia�.
Capangas foram designados supervisores ou l�deres de grupo.
As pessoas eram tatuadas na barriga com n�mero de escravos e
for�adas a trabalho em um regime de fome.
Pessoas eram torturadas sistematicamente a sangue frio.
N�o havia uma distribui��o eficaz de comida.
Um preso recolhia as ra��es para outros dez ou quinze homens.
A fome e o desespero converteram a alguns deles em bestas.
�s vezes, o prisioneiro que transportava as ra��es
para a barraca, era emboscado e assaltado por outros presos.
Muitas vezes, comiam a melhor parte do almo�o.
Outras vezes, vendiam.
A corrup��o era incentivada para ter mais desculpas para matar.
Tudo isso parecia t�o alheio � humanidade
t�o distante do comportamento humano.
Os membros do Parlamento brit�nico vieram ver isso,
e ficaram com o cora��o ferido.
Tinham que ver para crer.
Cidad�os alem�es foram trazidos de Weimar.
Eles tinham que ver, tamb�m, para saber pelo que estavam lutando,
e contra o que est�vamos lutando.
Eles chegaram entusiasmados, como turistas que afluem � casa dos horrores,
mas estes horrores eram reais.
Se um prisioneiro tivesse uma tatuagem marcada na pele,
arrancavam-na dele.
Esperemos que tenha sido assassinado antes que isso ocorresse.
A pele era esticada e convertida em abajures ou outros enfeites.
Estas cabe�as reduzidas pertenceram a dois prisioneiros poloneses
que tentaram escapar e foram recapturados.
Alguns visitantes n�o suportaram o espet�culo
e tiveram que ser atendidos por ex-presos.
Eles estavam cientes do acampamento,
e estavam dispostos a usar do trabalho barato que ele fornecia,
contanto que n�o sentissem seu cheiro.
Ebensee � um local de f�rias nas montanhas.
O ar � limpo e puro.
Ele cura doen�as
e se respira nele uma suavidade especial.
uma tranquilidade harmoniosa.
Aqui, os oficiais Luftwaffe (For�a A�rea), e os Panzer (carros de combate) da S.S.
descansavam, se fartavam,
desfrutavam de seus romances.
Tudo encantador e pitoresco.
Mas como o campo de concentra��o tinha se tornado parte integrante
do sistema econ�mico alem�o,
ent�o o encontramos aqui, tamb�m.
Pode-se ver as montanhas, mas que sentido t�m as montanhas se n�o se pode comer?
PROIBIDO ENTRAR NO CREMAT�RIO, SEM EXCE��O!
Os presos de Dachau e Buchenwald temiam ser enviados para c�.
Para eles, este lugar n�o era sin�nimo de recupera��o,
s� havia fome
e tuberculose onde eles estavam, trancados em uma instala��o subterr�nea,
onde eram levados � morte por bronquite, sem serem atendidos,
na sujeira de uma barraca abarrotada, indigna at� mesmo para os c�es,
mas por algum motivo chamada de hospital.
A coleta di�ria de cad�veres era organizada nesta chamin�.
Utilizada pela primeira vez em 1938,
esta instala��o era o centro de uma s�rie de campos afiliados.
Quarenta mil pessoas morreram aqui desde o in�cio do ano.
Aqui, a c�mara de g�s era preenchida com 200 pessoas por vez,
e o cremat�rio se ocupava de 300 por dia... a cada dia.
No norte da Alemanha, era a mesma hist�ria.
Os poucos que ainda estavam vivos, estavam � beira da morte.
Estes eram os sobreviventes.
E estes outros...
precipitadamente mortos, n�o tiveram a liberdade de viver uma vida normal.
As autoridades nos campos tomaram medidas especiais
para assegurar-se de que ningu�m vivesse nem morresse normalmente.
Nem que dormissem normalmente.
Estavam cercados por arame farpado
e deviam dormir sobre ele.
Aqui havia carnificina e desola��o.
Haviam arrastado os presos em sacos de palha,
desde as cabanas chamadas hospitais,
fuzilados e dispostos precipitadamente com a primeira arma que encontraram � m�o.
Prova de certo sentido de culpa,
caso contr�rio, n�o teriam tentado destruir as evid�ncias.
Pr�ximo de Leipzig,
apressaram-se em colocar 300 trabalhadores for�ados numa instala��o
a salvo da iminente libera��o pelo avan�o das tropas aliadas.
300 foram encerrados em uma asquerosa barraca que incendiaram.
Aqui estava.
Tomados pelo p�nico, alguns presos horrorizados conseguiram escapar.
Lan�a-chamas e metralhadoras estavam esperando l� fora.
Esta era uma mulher.
Alguns estiveram perto de alcan�ar a cerca,
e os que conseguiram ficaram l�, eletrocutados.
Este foi um engenheiro polon�s.
O avan�o americano n�o sabia que nesse est�bulo,
os alem�es haviam trancado 1.800 prisioneiros
e haviam posto fogo na palha para asfixi�-los.
Pela manh�, antes de se retirar,
despejaram gasolina sobre os corpos numa tentativa de queimar o que restava.
Na chegada das tropas americanas o cheiro ainda permanecia.
Atiraram neste homem que, numa tentativa de escapar da fuma�a,
procurou fugir enquanto o resto queimava no est�bulo.
A melhor instala��o preparada para o exterm�nio.
Presos em toda a Europa ocupada eram trazidos aqui para execu��o
neste especial Vernichtungslager (campo de exterm�nio).
Aqui, 4 milh�es de pessoas foram assassinadas.
Muitos homens, mulheres, e crian�as capazes de povoar uma grande cidade.
Velhas mulheres eram consideradas um perigo para o estado.
Mulheres eram arrancadas de suas casas,
talvez pela falta de parentes,
e embaladas como gado para o abate.
Essas crian�as s�o g�meas.
Nasceram g�meos id�nticos de pais n�o alem�es,
foram confiscadas e entregues para uma esta��o experimental.
M�dicos alem�es injetaram nelas doen�as e tentativas de cura.
O sucesso na cura n�o justifica a baixa dessas crian�as,
desconhecidas, sem nomes... Apenas com n�meros tatuados em seus bra�os.
Este acampamento foi planejado visando um assassinato em massa.
Vastas extens�es ainda estavam sendo constru�das...
Arranjos de c�maras de g�s, mortu�rios e incineradores.
A taxa normal de exterm�nio foi de 10.000 a 12.000 por dia.
Uma tentativa foi feita para destruir as instala��es,
mas as tropas russas foram capazes de descobrir a maior parte.
Cinco cremat�rios com capacidade para 279.000 pessoas por m�s.
Os alem�es os viram morrer, eles queriam v�-los morrer,
pois eles constru�ram visores especiais nas portas das c�maras de g�s,
onde poderiam observar os efeitos do g�s venenoso Zyklon.
Aqui est�o alguns dos recipientes,
a m�scara usada pelo operador
e os venenos usados para inje��es.
N�o s� em Auschwitz foi realizado um exterm�nio em grande escala.
Popula��es inteiras de aldeias foram retiradas de repente, durante a noite,
acreditando estarem sendo evacuados,
e encontrando-se atr�s do arame farpado pela manh�.
�REA DE ACAMPAMENTO! PARE! SER�O DESFERIDOS SEM AVISO PR�VIO!
2.800.000 pessoas foram mortas por gaseifica��o aqui.
Invariavelmente, a c�mara de g�s era rotulada 'Banho e Desinfec��o'.
Aqui, a pessoa tomava seu �ltimo suspiro
e desaparecia na fuma�a oleosa pela chamin� do cremat�rio.
A empresa que construiu isso n�o teve vergonha de assinar o seu trabalho.
Novamente os fornos, novamente os ossos.
Estes ossos foram vendidos para a Strem Company,
para a fabrica��o de fertilizantes.
Quantas centenas de milhares de pessoas cabem
nesses montes de ossos humanos?
Veja para onde elas foram, para os campos de repolho.
Sem d�vida, alguns alem�es hoje podem provar o que comeram,
fertilizados por seus companheiros.
Isso aconteceu h� muito tempo, antes de chegarmos aqui.
Aqui foram encontrados 820.000 pares de botas e sapatos.
Os prisioneiros pagaram suas pr�prias tarifas para Majdanek.
Eles pensaram que estavam indo para novas casas,
e assim trouxeram suas mais preciosas posses.
Dizem que botas masculinas de mortos trazem m� sorte...
E os brinquedos das crian�as mortas?
Suas m�es carregavam tesouras?
As tesouras est�o aqui... As m�es, n�o.
Mas aqui nesta sala est� parte delas.
Nenhum material poderia ser desperdi�ado.
Esses pacotes cont�m cabelo humano cuidadosamente classificado e pesado
Nada foi desperdi�ado... at� os dentes foram tirados de suas bocas.
Subprodutos do sistema.
Escovas de dentes. Escovas de unha.
Escovas de cal�ados.
Escovas de barbear.
Se um homem em cada dez usa �culos, quanto representa este monte?
Todas essas coisas pertenciam a homens, mulheres e crian�as como n�s,
pessoas bastante comuns de todas as partes do mundo.
Enterraram-se os mortos.
Nos resta cuidar destes, os vivos.
PARA PROTE��O A�REA SALA DE EMERG�NCIA
Resta a esperan�a de que os alem�es ajudem a reparar algo de tudo que destru�ram,
e a limpar aquilo que sujaram.
Milhares de alem�es dever�o se esfor�ar para ver por eles mesmos,
para enterrar aos mortos,
para recontar as v�timas.
Este � o final da viagem que empreenderam com total confian�a em 1933.
12 anos?
N�o.
Em termos de barb�rie e brutalidade
houve um retrocesso de 12.000 anos.
A menos que o mundo aprenda a li��o que estas imagens mostram,
a obscuridade voltar�.
Mas, gra�as a Deus, n�s que o vivenciamos, aprenderemos.
Legendas por bob2fran e Nandodijesus
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