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Mais rápido, mais rápido.
Mais... e mais rápido.
Sim, esse é o campo de visão!
À esquerda, e à direita, para ir e vir.
Devagar.
Devagar.
Às vezes acho que...
eu poderia, sem perceber,
me perder na loucura.
Isso me dá medo.
Tem que contar 5 segundos.
Não é 1,2,3,4,5.
É um...
dois...
três...
Quatro!
Sei contar, Serge.
É imponente.
Está escrito várias vezes,
Ok.
Depois, tem que esperar 2 minutos.
Você conta 2 minutos, sendo que 1 minuto...
De novo, não!
Me diz uma música de 2 minutos.
Luigi Tenco: Mi Sono Innamorato Di Te.
Me apaixonei por você
Canta comigo.
Porque eu não linha nada pra fazer
De dia Eu queria encontrar alguém
Me apaixonei por você
Agora não sei mais o que fazer
De dia, me arrependo de ter te conhecido
Mas à noite
Vou te procurar
- 2 minutos? - Acho que sim.
E aí?
Apareceram os riscos?
Olivia!
Não! Você sabe que não gosto.
Cuidado.
A gente vai casar?
- Você não quer casar? - Não-.
- Por quê? - Porque não.
Estou meio alta, mas você não vai me ganhar.
Você está contra mim.
Me joga fora da cama.
É simbólico.
Amo seu cheiro.
Amo sua barriga.
Já dá para ouvi-lo?
A gente pode fazer amor mesmo com o bebê?
Claro.
- Não é proibido? - Não.
Para a Nina amadurecer,
e escapar da aristocracia,
ela perderá o fruto desse amor,
e recomeçará do zero
a vida como atriz.
Ela é a única
que continua lutando como uma gaivota...
Uma gaivota na tempestade, corajosa.
Para explorar as nuances de Tchekhov,
temos uma óptima ferramenta.
Vendo a cena, pensei:
isto é A Representação.
Era preciso outro universo
para criar o contraste.
Buscar as nuances
sem diálogo, é difícil.
O que a gente faz?
Contamos para eles hoje?
Não.
É muito cedo, Serge. Não vamos contar.
Não vou aguentar...
Não vou conseguir.
É difícil.
Não me peça isso, Olivia.
Estou pedindo...
Vão me fazer beber e vou falar.
Para! Cadê sua força de vontade?
Não vai falar, ponto final-.
Nós que somos mulheres
Medo nós não temos
Temos línguas afiadas
E nos defendemos bem
O li o li o la
A União vencerá
Pelo amor de nossos filhos
“La forza non viene, Perché non c’è l’unione”.
"La libertà non viene!"
A liberdade não vem sem união.
Justamente,
não é por acaso...
que reuni vocês aqui esta noite.
Tenho uma novidade para contar.
É que...
fomos convidados para estrear "A Gaivota"
em Nova York.
Foi um longo trabalho com Elaine...
por favor, conta o resto...
NY é só a abertura, o começo.
Aí embarcamos numa aventura juntos...
Vamos para Montreal...
Como assim?
Pago e coproduzido
por NY e Montreal.
Que demais!
Foi um grande esforço.
Preferia contar essa história
de outro jeito, mas...
Ótimo!
Mas...
Em março, vou estar com 5 meses.
Grávida de 5 meses.
Trigórin engravidou Arkádina!
Quanta coisa boa!
Tem dias assim!
Perdão, estou meio perturbada-.
E agora?
Vai dar certo.
Para a estreia em NY, tudo bem.
É compatível.
Março é o 5º mês?
- Sim. - Tudo bem.
Com 6 meses dá pra ver.
Mas você viu meu figurino?
Vamos achar uma solução.
Adorável...
Ótimo, mas...
Como encenar "A Gaivota"
com uma barriga de 7 meses?
Vamos achar um figurino.
Vai dar para disfarçar.
Quando eu não puder mais,
tenho o mínimo de profissionalismo...
eu paro.
Vou para casa, tenho o bebê e volto.
Vão notar!
Grávida de 7, 8 dá para ver!
E pode até nascer!
Não tem nada a ver com a peça.
Não faz sentido.
Eu crio um papel,
e me põem no armário.
Estou grávida, me põem no armário.
Fico invisível.
Não está feliz de estar grávida?
Estou feliz por vocês.
Nada a ver, Philippe! Nada a ver!
Ela sofre também...
Está sofrendo por perder o papel dela.
Eu sofro por perder meu direito de trabalhar!
É meu direito.
Você não trabalha num escritório...
- Suas necessidades vão mudar. - Não entendo.
- Sua vida vai mudar. - Seja realista.
Olivia.
É uma escolha de vida.
Você não sabe como vai ser.
Temos que decidir agora?
Hoje não, Serge.
Podemos comemorar?
Insha'Allah. Veremos.
Como é “A Gaivota" em inglês?
"The Seagull".
Um brinde a “The Seagull".
Tem que ligar pros outros.
Já contaram para eles?
O que foi?
Está bem, Olivia?
Chama o Serge.
TÉRREO - EMERGÊNCIA
Térreo.
Nenhum acidente nem nada?
Nada de especial nas últimas horas?
Algum esporte? Ou...
Estava tranquila?
Estava trabalhando...
Estava ensaiando. Faço teatro.
Trabalhando.
O bebê está bem.
Mas há um hematoma na parte inferior do útero.
De...
8 cm de diâmetro.
Existe um risco...
de aborto.
Então...
fique em casa, de repouso.
Pode trabalhar em casa, sentada. Nada de escadas.
É sério.
Tem risco de perdê-lo.
Coragem.
Foi a residente que te deu isto?
Ou a médica?
Foi a Rivière.
A que parecia angustiada.
Você vai ficar bem?
Qualquer coisa, me liga.
Não vai acontecer nada.
Deixo o celular ligado.
Tudo bem se tocar.
Sim, deixa ligado.
Se estiver ensaiando,
deixa com alguém.
Deixo com Philippe.
Olivia...
Olivia!
Não sei mais o que podemos fazer.
Não sei se dá pra continuar.
Sim, a gente continua.
Não posso nem me mexer.
Não podemos parar agora.
A gente faz o quê?
Qual é meu papel?
Me diz o que sente.
Me sinto presa.
Tudo que imaginei,
uma gravidez trabalhando,
exercendo minha profissão,
sem nunca parar,
é mentira.
Estou ficando com medo...
do compromisso.
Vou perder o trabalho de 10 anos?
Será o começo...
do fim da minha carreira?
É como se me puxassem o tapete
e não sei no que me agarrar.
É disso que a gente vai falar.
Quando eu era mais nova eu linha a sensação de...
ser possuída por um animal muito agitado,
que não achava seu lugar.
Por isso tive que partir.
Era essa sensação de insatisfação constante
num cotidiano sem graça,
que me enlouquecia.
Sempre em busca de algo
onde colocar toda essa energia.
Sempre...
sempre atuando...
atuando, atuando...
Com 4, 5, 6 anos,
7, 25, 32...
Fazendo de tudo para ser amada.
Mas...
o importante agora
é tentar ficar calma,
não me mexer.
Nesses últimos 10 anos,
trabalhei, trabalhei...
Vivi no meio de tecidos bordados,
cortinas de seda,
maquiagem,
luzes.
Criava-se dia e noite, a qualquer hora...
neve, inverno, tempestade,
Japão, Ásia...
em plena Paris.
Você está protegido de tudo.
Está protegido de tudo, se você faz teatro.
"Que árvore é esta"?
"Um olmo".
"Por que está tão escuro"?
"Já está anoitecendo.
Todas as coisas ficam escuras.
Não vá embora tão cedo,
eu lhe imploro...
"É impossível".
"E se eu for à sua casa, Nina?
Ficaria a noite toda
no jardim
a olhar para a sua janela...
"É impossível. O guarda iria perceber.
E o cão não está habituado com você..."
"Te amo".
"O que está escrevendo"?
"Nada, me veio uma ideia...
para um como curto.
Uma jovem vive à beira de um Iago,
como você.
Ela ama o Iago,
como uma gaivota.
Como uma gaivota, ela é feliz e livre.
Mas aparece um homem por acaso
e, por pura falta do que fazer, ele a destrói,
como destruiu essa gaivota.
Eu sou
Como você me quer
E te amo
Como nunca amei ninguém
Eu sou a única
Que você pode amar
Você não vê
Que estou a 2 passos de você
Para entender
O que você já sabe
Que sou
Como você me quer
"Preciso trabalhar.
Desculpe, não tenho tempo.
Tocou uma corda sensível.
Estou ficando irritado.
Estou ficando aborrecido.
- Acho que você vai surtar. - Por quê?
Vai ficar entediada... já está.
Você precisa...
Desculpa, mas daria para...
- Contar? - Poderia contar os dias?
Claro, eu sei.
Desde 11 de janeiro...
Fui hospitalizada dia 11 de janeiro.
11, 12, 13, 14,15,16,17...
19, 20, 21...
22.
Faz 22 dias...
sem sair daqui.
22 dias.
Acho que...
estou me comportando bem.
Não?
- Eu poderia estar bem mais... - Claro.
- Chata. - Talvez você fique.
A que horas você vai sair?
Vou sair...
Tenho um compromisso às 6h.
Depois saio de novo.
Sei...
Depois você não volta.
Um longo dia... Um trabalho e tanto!
Não é?
Você cuidou dele...
Não brinca com meu pé, por favor.
É bom... ele precisa mexer.
Não gosto, não preciso.
Sou médico, sabe.
Para de me machucar,
ou te dou um tapa...
Você está muito sensível.
Minha puzzola...
O que foi?
Sei lá, você chega e já sai.
São 6h... você tem que ir.
Sim.
É estranho,
as mulheres me dizem:
"Gravidez.. momento extraordinário,
momento maravilhoso".
Talvez... mais tarde.
No momento é...
totalmente abstrato.
Se precisar da minha vida, venha e tome-a.
Vamos ficar mais um dia-.
Sei o que prende você aqui.
Seja sensata e calma.
Eu te imploro.
Considere tudo isto como uma amiga verdadeira.
Você é capaz de sacrifício.
Sou uma mulher comum,
não pode falar assim comigo.
Se quiser,
pode ser uma mulher excepcional.
Um amor jovem, encantador, poético,
que te leva a um mundo de sonhos.
Só ele pode te trazer a felicidade na terra.
Fiquei com um dente mole e uma amiga disse:
“É normal, o bebê precisa de cálcio...
Na gravidez pode se perder dentes...
Eu ri com a ideia de uma troca tão absurda.
A vida contra um dente.
Mas a simplicidade com que ela falou
me perturbou muito-.
Como se fosse fácil dar pedaços de si.
Aí penso em mim
como mãe.
E quando me imagino mãe, fico com medo.
Porque não sei como se faz.
Não sou uma moça boazinha, bem educada.
Falo palavrão.
Quando me irrito
posso sair chutando.
Não aguento mais.
Quero sair...
quero sair...
Sinto que tem um "alien" dentro do meu ventre,
que se nutre de mim,
e me impõe as regras do jogo.
Olá!
Tudo bem?
Teve um bom dia?
Sim.
Estou cansado.
Como foi?
Fizeram o quê?
Avançamos nas... cenas.
Quais?
A partida de...
Trigórin e Arkádina.
Não pagamos a conta de luz?
Quem encenou?
Quem encenou Arkádina?
Foi a Camille.
E...
A Camille foi bem?
Foi.
Nada mal, ela é boa, Camille.
Ela tem algo...
instintivo,
instintivo,
que é incrível, eu acho.
Rimos muito.
Tivemos momentos,
em que ela foi muito engraçada.
É legal Arkádina ser um pouco assim.
É melhor?
Não, não é melhor. Essa não é a questão.
Então é melhor.
Alguém perguntou
por mim?
Posso tomar meu banho?
Pode me responder?
Mas Olivia...
eu não estou... ainda muito...
Serge, é preciso...
você precisa me entender.
Eu mal acabei o dia... Não posso ser...
Tenho o meu presente e você, o seu.
Espera aí.
Meu presente não é só meu, é seu também,
só que sou eu que carrego.
Então é seu problema também.
Não quero que seja assim.
Faz 4 meses
que estou aqui, presa,
assim, nesta posição.
Fazendo algo que nos concerne...
a nós dois.
Estou trabalhando para nós dois.
Mas tenho a impressão...
de trabalhar sozinha.
Merda.
Eu sou perseguida pelo medo.
Eu sou perseguida...
Olivia, para de ter medo!
Quanto mais medo, mais risco tem.
Ok, devo me sentir culpada por ter medo
porque posso perder a criança.
Não posso falar nada.
Escolha bem suas palavras, merda!
Não vou me sentir culpado por trabalhar.
Ganho 1.800€ por mês, trabalho pra burro.
Quanto recebe...? 20€ por dia de benefícios?
O que a gente faz com isso?
Tenho que trabalhar,
pelo menos 10 horas por dia.
Tem conta para pagar, aluguel de 1.450€...
por mês, Olívia.
Quando o bebê chegar, teremos que pensar nisso.
Você não terá um salário.
E isso vai se perpetuar depois do nascimento.
Você não vai ter um salário imediatamente.
Você acabou o seu discurso...
seu monólogo de contador?
É a realidade...
Tenho contas para pagar.
Conheço bem nossas despesas.
Mas como você se engana!
Não te peço isso.
Te peço que fique comigo à noite,
para ver um filme, conversar.
A gente faz isso.
Toda vez que dou um passo... nunca é bom.
Porque não é o que você quer que eu faça.
A gente está cansado.
Estou cheia de energia. Não fiz nada o dia inteiro.
Não estou nada cansada.
Sim.
Sim.
É isso que está acontecendo?
Está muito bom.
Mas me pergunto...
Gostaria de uma variação.
Uma variação em que...
Olivia é menos severa, e se abre... um pouco mais.
Gosto muito do que estão fazendo
mas só queria ver se podemos entrar mais...
no que se passa na sua cabeça, no seu corpo
quando ele não está aqui.
Sim, mas ele não...
sim mas ele, você, você...
você ouve o que ele responde?
É minha culpa? O que é para eu...
Como ela pode te ajudar?
O que ele diz é irritante.
- Daria para ser menos... - Menos?
Menos babaca?
O que pediu a ela?
Ela me pediu para ser menos severa.
Um pouco mais vítima.
Não posso chegar perto dela?
Fico distante?
Um canalha de primeira!
Vamos retomar do início?
Não precisa ser do início... podemos cortar.
Ok.
Então, Olivia...
diz o que você fez hoje.
Terminei as orelhas.
Talvez tenha até feito cílios.
Acho que acabei o fígado.
Mas me tomou muita energia.
Ontem à noite, pensei na...
memória inconsolável.
Me dei conta que não conheço a minha.
Não conheço minha tristeza.
Tem histórias de loucura
nas mulheres da minha família.
Não falamos muito disso.
A ideia me aflige...
quando me desoriento,
quando me perco.
É o silêncio que me incomoda muito.
Falo... falo de tudo, de nada,
para preencher este vazio.
Tem o medo de fracassar...
ou de descobrir que...
não tenho talento.
Que acreditava que tinha,
mas era só
um sonho infantil.
Cheguei com 22 anos,
e de repente tenho 34.
Serge sempre diz: "Não se preocupe porque...
um filho nos dará muita força".
Sinto culpa porque...
tenho a impressão de torná-lo a solução
para minha incapacidade de...
de solidão.
Tenho medo da agressividade que me habita.
Do tigre e do dragão dentro de mim.
E...
podem ser os hormônios, mas...
neste momento, eu os vejo.
- Para! - É assim que eu faço!
Eu quero controlar.
Pode fazer do outro lado.
Ana?
Um minuto.
- Cadê ela? - Está vindo.
Onde ela está?
Ela não está pronta?
Ana!
Ana!
Ainda não está vestida?
Rápido, querida.
Tivemos um acidente.
É tão difícil? A cada dois sábados!
É este?
Deixa eu fazer.
Não quebre a perna dela.
Quem comprou esta calça?
Não vai secar o cabelo agora!
Mas é inverno!
Ela bota o capacete.
Ela é minha!
Alan!
Posso me despedir da minha filha?
Devia ter feito isso antes.
Acho que é assim.
- Tem que cruzar. - Você cruza.
Atrás.
Está muito baixo, Serge.
- Não é... - Uma saia.
Não é uma saia e nem um avental de garçom.
Não aperta ele com a cabeça!
Não se mexa, filhinho-.
Vamos lá!
Que bobo.
Esse palácio está quente,
neste dia de verão.
Você está aqui,
com meu filho, o herdeiro.
- Meu filho, o imperador. - Onde está?
Na sua barriga.
Tinha esquecido-.
Orfeu...
Tenta fazer café com o bebê.
- Com o bebê? - Esse é o jogo.
Isso é fácil.
Papai está aqui, não se preocupe.
Para!
Tchau, Johnny.
Te ligo assim que chegarem NY.
Tchau, Pepita.
No pior dos casos, você bate na porta do vizinho.
Falamos pelo Skype.
Tchau, querida.
É só uma semaninha.
Não se preocupe.
Legal, o tipo de fala que te assegura.
"Tranque a porta, não fale com estranhos"...
"Não volte tarde, tem drogados e bandidos".
Beleza.
Tranquilo, tá tudo bem!
Tchau, Johnny.
Quando tive vontade de ter um filho,
evitei me perguntar se Serge era o homem da minha vida...
se essa história era mesmo a história da minha vida.
As fantasias, o romantismo, me levam...
um pouco longe demais da realidade.
Nos conhecemos no teatro.
Vivemos no teatro,
em apneia - imersos.
Eu era Ana,
Ele era Ricardo III.
Eu era Desdêmona,
ele era Otelo.
Eu era Arkádina,
ele era Trigórin.
Às vezes me pergunto se...
poderíamos sobreviver na nossa própria pele.
Gosto quando a vida vai depressa.
Gosto quando é intensa,
sem regras,
sem hábitos.
Gosto de acordar
em lugares diferentes, toda manhã...
Das paisagens mudando diante dos olhos.
Quero me sentir atravessada pelos eventos
quase de forma violenta.
Álvaro?
Oi!
Como vai?
Escuta...
Escuta...
O que você acha
se em 10 dias
faço uma festa...
uma festa espetacular?
E meus amigos mais queridos,
como você...
Giovanna, Pancho, Claudio,
e amigos daqui... viessem?
Peça permissão!
Peça para a sua mulher deixar você vir.
Não me interessa que seja...
uma grande festa.
Me interessa que tenha gente.
Por que você quer fazê-la?
Porque tem gente...
A Giovanna logo entendeu.
Ela disse: "Oh...
quero te ver com a barriga."
No fundo,
pra mim é isso.
É...
Se eu não compartilhar este momento
com pessoas que são,
que são, porque foram fundamentais...
Sim?
É como se eu não estivesse grávida.
Entende?
Vamos libertá-la.
Coitadinha.
É para ela poder...
É insuportável.
Era meu nome preferido durante 10 anos.
- Você dizia que te irritava. - Não é verdade.
Você nunca gostou.
- Não é verdade! - Nunca gostou.
Não diga isso.
E de repente vira seu nome favorito
e você nem me dá o crédito.
Basta eu gostar pra você parar de gostar...
só pra contrariar.
Você não gostava desse nome.
Eu nunca disse isso.
Insuportável!
- Para! - Ai!
Não, mas é verdade.
"Olmo".
Quebrou, compra.
Não quebrei nada.
Senhor, quanto custa?
Não tem olme?
Você sabe, Olmo...
É uma bela flor.
É uma árvore, não uma flor.
Tem flor. Todas as árvores têm flores.
Elm. Olmo!
Nino.
Marco.
Guido.
Marcelo.
Nino.
Stefano.
Nino.
Nino.
Pareço La Gradisca.
- Quem é? - Você sabe?
Quem?
La Gradisca é...
a fantasia das crianças...
de Fellini, você sabe.
A loira gorda com seios enormes,
em “Amarcord”, me sinto como ela.
Eles vão dormir aqui até quando?
Até depois da festa.
Conheço eles todos.
O ex-namorado não conheço muito.
Vi ele uma vez.
- O Álvaro você não conhece. - Vi uma vez.
Quando a gente era...
Não éramos nada.
Sim, nem um pouquinho?
- Nada disso. - Ainda não.
Nada disso.
- Estava no ar. - Nada disso.
- Estava no ar. - Nada disso.
Isso é má-fé.
Lembro muito pouco... ele era um moço bonito.
Fiquei meio sem graça.
Porque estava perdidamente apaixonado por mim.
Você não ficou sem graça.
Não havia nada entre nós.
Você e eu? Éramos amigos sinceros.
Compartilhávamos muito-.
Eu insisto.
Você esqueceu essa pane da nossa vida,
o período arcaico da nossa relação amorosa.
Vou guardar sempre para mim.
Vou contar para meu filho.
É um amigo que vem nos ver.
É imponente...
que não deixe no ar vibrações estranhas.
Não faz meu tipo.
Você nunca sente ciúme?
Tenho impressão que não muito...
Sim...
Mas transcende.
Já perdi muito tempo com o ciúme.
Acho uma besteira.
O ciúme que sinto é uma questão de tempo.
- Tempo que te dão? - Tempo que me roubam.
Tempo com você, que me roubam.
Engraçado...
mas pensei,
não sou mais a mais nova.
Na sua profissão, na nossa profissão,
você pode encontrar jovens atrizes.
Cretino!
E então?
Babaca.
Jovens atrizes...
Não sou mais jovem atriz.
Você pode encontrar jovens atores.
Tomara!
Minhas inseguranças,
minhas dúvidas.
Acho que essa ruga...
é a exigência.
Sou muito exigente.
Às vezes um pouco má.
Nesses ângulos,
vejo as camponesas da minha terra.
Gente endurecida pela vida.
Essa é a tristeza de Marion,
que encenei noite após noite durante 3 anos.
Que encenei noite após noite durante 3 anos.
Sua tristeza ficou marcada na minha testa.
Teria uma linha da infidelidade?
O quê? A infidelidade.
Se der para evitar de falar da infidelidade,
e estragar a minha relação,
talvez eu preferisse.
Mas você nunca falou disso.
Mas você nunca falou disso.
Justamente.
É de verdade!
Oi, Alvie.
Ciao, bella.
Ciao, negro!
- Quanto tempo! - Muito.
Amiga!
- Serge. - Álvaro.
Falamos em que língua?
Espanhol, italiano, catalão?
Espanhol um pouquinho.
De que eles estão falando?
O que eles têm para se dizer?
Papo de teatro.
Grandes produtores!
Homens de negócios.
Eles nunca se viram.
Em Paris,
na última vez que Alvaro veio,
Serge já estava...
meio que... me seduzindo.
Ainda não linha acontecido nada.
Álvaro me comentou que,
segundo ele, já tinha começado
antes de você deixá-lo.
Não me lembro bem, mas ele disse: "não, não, foi sim".
É que terminamos pelo telefone.
Eu tive muitas histórias de amor,
muito passionais.
Tive muitos amantes...
Muitos, muitos amantes.
Acreditei por muito tempo ser
tão dependente do amor dos outros,
que nunca seria capaz de me apaixonar.
Eu mudei muito?
Sim.
Emagreceu.
Seus olhos ficaram maiores.
É estranho te ver, Nina.
É estranho te ver, Nina.
Por que não quis me encontrar?
Eu tinha medo que me detestasse.
Todas as noites sonho que olha para mim,
e não me reconhece.
Se você soubesse!
Vago em volta desse Iago.
Eu sou uma gaivota.
Não é isso.
Era como se eu não existisse
sem o olhar dos outros.
Por muito tempo,
Álvaro foi a concretização de tudo que eu havia perdido...
Tudo que eu poderia ter sido.
Com Álvaro,
eu dormia em colchão inflável
no topo das montanhas,
nos Pireneus, como se fosse em casa.
A gente fazia muito amor.
Esses momentos,
a tua pele grava.
Teus poros
gravam.
A história com Serge é feita de outra matéria.
Mais doce.
Mais sólida.
Menos nervosa.
Estou atrasada!
Ok.
1... 2...
- 3? - 3.
Você dormiu muito.
Não concordo com tudo isso.
Cadê meus amigos que deviam me ajudar?
Ligou pra eles?
Por quê?
O que devo fazer? Busco as bebidas?
O "Aperol"?
Tem mil coisas pra fazer. Escolha.
As flores não estão nos jarros,
os vasos não estão prontos,
a sala não está pronta,
os copos não estão prontos,
os pratos não estão prontos,
os talheres não estão prontos,
nada está pronto.
Pode escolher!
Tá certo.
Sim!
Tudo bem. Está meio corrido.
Vou passar para ela.
Oli, é a Elaine.
O azeite de dendê.
Sim.
Oi. Sim. Não.
Tô super atrasada.
Não fiz... Não faz mal.
- Não está bonito. - Como assim?
Para, Olivia!
Está bom, eu gosto! Deixa, por favor.
Chega na última hora só para criticar...
Eu pedi para me esperar.
Não, você pediu para arrumar rápido.
As outras!
Sem água, as flores morrem em 2 horas.
Os buquês...
A mulher levou 10 minutos para explicar...
As frésias ficam com as frésias. Não é para misturar.
Essas ai, com as íris?
Acontece que são íris rosas...
E isto, o que é?
- Einstein? - O quê?
Quem fez isso?
Esqueci o nome dele.
Deve ter sido um psicopata.
Você me irrita.
Buquê de psicopata.
Quem fez esse buquê?
Não sei!
Um florista fez esse buquê?
Misturei porque faltou vaso.
- Buquê de psicopata! - Não é, não.
Olha!
Não está tão lindo, mas você me estressou,
com sua chegada derrotista...
Amore!
Não se estresse... Vai dar tudo certo.
Sério, vai dar tudo certo.
Vamos curtir a festinha
para o pequeninho.
Oli...
Você está linda.
Rejuvenesceu.
Juro.
Seus olhos estão maiores...
doces como antes.
Verdade.
Engraçado, me sinto mais velha,
e você diz... mais nova.
Sério, seus olhos estão grandes e lindos.
Verdade.
Para a mamãe,
e para o papai.
Este é para a piscina, quando ele fizer um ano.
Com piratas!
Da Gabriella.
Está um pouco sujo...
Isso é vômito, não se preocupe...
Isso é caca, mas é normal,
fazem muito cocô.
Quem quer um spritz?
Arrumem algo para fazer plip plip.
Atenção!
Escutem!
Um brinde para Olivia, Serge e o animalzinho que está aí.
O mais imponente é a saúde e a generosidade!
Viva!
Ei, grávida, vem aqui!
- Como é ser pai? - Ainda não sou pai.
Logo vai ser.
Sinceramente não sei.
Ainda é território desconhecido.
A barriga torna mais real, posso sentir, mas...
Ainda é...
Não recomendo ter filhos. É muito bom, mas...
Se quiser ter filho, tenha,
depois tem que assumir.
Não se deixe influenciar, siga seu instinto.
Cada mãe é única, com um filho único.
Temo que mude minha voz.
Sou cantora, vai alterar?
- E o tempo que toma? - Tenho medo de perder a liberdade.
Sou egoísta.
Atuei até o 4° mês,
e tive que parar.
Eu fui quase até o parto.
Lembra como fiquei?
E veio o leite... e ele gostava de mamar!
Durante a turnê, o leite, antisséptico, ajudava.
- Tudo bem natural. - O instinto prevalece.
Se é preciso, você amamenta.
Se faz teatro e põe o filho na creche,
sente que ele é criado pelos outros.
Há sempre um desejo mais forte que o outro.
Se esse desejo é mais forte...
O desejo é um jeito positivo de olhar as coisas.
Não dá para comparar uma paixão
com um ser feito de sua carne e seu sangue.
É uma escolha corneliana.
As coisas se complicam...
- Não sei se é um luto... - Não é uma morte!
- Não sei se é um luto... - Não é uma morte!
As coisas se complicam na escola.
Por volta dos 10, 11 anos, eles se sentem diferentes.
Meus amigos com filhos parecem pertencer a um culto.
Precisa achar uma boa creche.
Entende?
Francês como papai, italiano como mamãe...
Olivia.
Está me ouvindo?
Olivia!
Para!
Por favor senhora, saia do banheiro.
Por favor.
Como eu gostaria que você se lembrasse
Dos dias felizes quando éramos amigos
Naquele tempo a vida era mais bela
As lembranças e os arrependimentos também
Mas o vento do norte os levou
Na noite fria do esquecimento
Você vê
Não esqueci.
A canção.
Que você cantava para mim.
É uma canção.
Que parece conosco.
Você que me amava.
E eu te amava.
Nós vivíamos
os dois juntos.
Você que me amava.
E eu te amava.
Tradução: Sophie Bernard / Robin Geld Subrip by DanDee
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