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Oi, D. Feliz aniversário.
Queria poder comemorar com você,
mas sua condicional termina em poucos meses.
E você pode deixar seu passado pra trás.
Você vai adorar a Ilha do Guardião.
O noroeste do Pacífico é lindo.
Acho que encontrei o que procurava.
Susan e Freddie mandam lembranças.
Seu irmão, Sean.
Como vocês estão hoje?
Oi, D. Feliz Ação de Graças.
Está bem frio aqui na ilha,
e quero terminar a reforma antes das férias.
Acho que dei um passo maior que a perna.
Queria que estivesse aqui. Preciso mesmo da sua ajuda.
Sean.
D, sinto muito.
O funeral do Sean é em 8 de dezembro. Queria que você soubesse. Susan.
Não faça isso.
Limpo!
Quarto limpo.
Limpo!
Tem algo aqui.
Puta merda.
Meu Deus! Ainda está quente.
Tirem-no daí. Liguem pra emergência.
Dr. Alderwood.
Parece que o perdemos.
Desculpe pela demora. Eu não…
Dr. Alderwood, agente especial Shaughnessy do FBI.
Posso? É um distintivo bem pequeno.
Agente especial, se sente especial?
- Posso entrar? - Por favor.
Obrigada.
Você tem um paciente chamado D, Dylan Forrester.
Quem?
Dylan Forrester, o homem pra quem receitou isto.
- Aquele D Forrester. - É, aquele D Forrester.
Um de meus pacientes mais interessantes e promissores.
Quando falou com ele pela última vez?
Ontem. Por quê?
Ele violou a condicional.
Sabe onde ele está?
Ele fez algo?
Se "algo" quer dizer tentativa de homicídio, sim.
Tentativa. Pode parecer estranho, mas isso é um progresso.
Não foi em legítima defesa?
Ele espancou um homem até o coma e o deixou pendurado no banheiro.
Como uma toalha.
Trabalho, quer dizer, D e eu trabalhamos juntos
pra ajudá-lo a deixar o passado pra trás.
Ele não anda se saindo muito bem.
Há sinais de tortura na vítima.
Tortura.
Não parece algo que ele faria.
Fui eu quem prendeu D Forrester por assassinato há oito anos.
Sei bem do que ele é capaz.
Você o conhece melhor que eu.
- Que tal fazermos uma sessão? - Não é preciso.
- Por conta da casa. - Não, obrigada.
D pagou a dívida dele com a sociedade.
Com terapia de aversão e minhas técnicas de modificação comportamental,
ele tem recursos pra se reintegrar à sociedade.
- Ter uma vida relativamente normal. - "Vida normal"?
Há uma grande diferença entre o que é normal pra D e pros outros.
Vamos, Dr. Alderwood.
Sabe que é obrigado a contatar as autoridades
se suspeitar que um de seus pacientes possa fazer mal a si mesmo ou a outros.
Estou ciente de minhas responsabilidades.
Não sei onde D está.
Sei que entende
que a confidencialidade é a base da confiança aqui e no que fazemos.
D mudou. Ele provou isso várias vezes.
- As pessoas não mudam, doutor. - Lamento que ache isso.
Se não tiver algum tipo de ordem judicial,
acho que não posso mais ajudar.
Certo.
Aqui está.
Vou caçá-lo antes que ele mate de novo.
Não preciso de uma ordem judicial pra isso.
Parece determinada.
Até obcecada.
D é uma pessoa melhor e mais saudável.
Garanto que ele não é uma ameaça.
Shaughnessy.
Diga.
O irmão mais novo de D, o Prof. Sean Forrester,
é um grande estudioso de história.
De repente, largou o emprego há um ano e meio
e se mudou pra uma ilha remota no estado de Washington.
Ele está abrindo uma pousada lá.
Wagner, vá direto ao ponto.
Ele morreu.
O funeral é amanhã num lugar chamado Ilha do Guardião.
Ilha do Guardião.
Consiga alguém da Polícia de Washington,
um avião e um barco.
Pode deixar.
ILHA DO GUARDIÃO, ESTADO DE WASHINGTON
Vou voltar pro continente enquanto ainda há luz do dia.
XERIFE
Você era íntimo do falecido?
Ele era meu irmão.
Sinto.
Sinto muito.
Sinto muito por sua perda.
EM ADORADA MEMÓRIA
AMIGOS E FAMÍLIA HOMENAGEM À VIDA DE SEAN FORRESTER
O cozinheiro? Ele chama Hugh.
Me desculpe. Hugh, sua nova distração.
Que bobagem.
Sinceramente, Jo, acho que ele é meio estranho, que é encrenca.
- Sim? - Sim.
Se sente ameaçado, porque ele é mais jovem que você.
Está de sacanagem, Jo?
- Estou tentando cuidar de você. - Ah…
Oi.
D.
- D Forrester. - O irmão do Sean.
Vou colocá-lo no quarto 12.
Não sabíamos se você conseguiria vir.
É, bem,
todos estão lá atrás com o Sean.
- Se quiser ir até lá, levo suas coisas… - Não.
- Certo. - Preciso ir ao meu quarto antes.
Claro, vou te mostrar onde fica.
Este é seu quarto. É um pouco escuro.
Sean queria manter as venezianas de aço de quando o lugar era uma base naval.
Aqui está sua chave.
Certo. "Um: Diga que sente muito por sua perda."
Sinto.
Sinto muito por sua perda.
Sinto muito por sua perda.
"Dois: Dê um abraço."
"Três." Ah, é.
Há algo…
Há algo em que eu possa ajudar?
Certo.
"Tapinha no ombro." Vamos lá.
Tapinha no ombro.
Sean, não havia o que dizer pra aquele filho da puta, não é?
Ele já sabia.
História, ciência, antropologia.
Um cérebro de elefante.
Menos.
- Mostre algum respeito. - Claro.
Claro.
Mãe,
sinto muito por sua perda.
Não toque em mim!
Você tem muita coragem de vir aqui.
O anúncio dizia amigos e família.
A que categoria você acha que pertence?
Perdão?
Você já disse isso.
Quer me dizer mais alguma coisa?
Não.
Perfeito. Simplesmente perfeito.
Ele caiu de um andaime.
Hugh ali o encontrou.
Recebeu minha carta.
Não sabia se você viria.
Fico feliz que esteja aqui.
Sean sempre disse coisas boas sobre você.
Sobre mim?
Sean era o cara legal.
Sinto muito pela Linda.
Ela só está triste.
Por que está triste?
Bem…
o filho dela acabou de morrer.
Mas isso foi há dias.
Há algo em que eu possa ajudar?
Certo.
É só dizer, está bem?
Era eu que devia ter dito isso.
Você foi um pouco dura com o D lá.
Dura com ele?
Com o D? Ele não sente nada.
Esse é todo o problema.
Você não tem ideia do que eu passei, Susan.
O que aquilo fez com minha família.
Quantos policiais bateram na nossa porta e nos acordaram no meio da noite.
Acordavam o Sean enquanto ele estudava tanto
e fazia o possível pra ser bom pelos dois.
Então, se não se importa, e com todo o respeito a minha nora,
sirva a bebida e cale a boca.
Por favor.
Ao Sean.
Oi.
Sou o Massey.
Massey.
- O amigo do Sean da faculdade. - Isso.
Arqueólogo.
- Quer uma bebida? Afinal, é um velório. - Não.
Não bebo mais.
Tudo bem.
XERIFE DE OCEAN PEAK
- Irmão do Sean? - Isso.
Alô.
Estou no velório de um amigo.
Ilha do Guardião.
O FBl?
Não brinca.
Certeza que foi ele?
Me mande os detalhes.
Alderwood.
Oi, sou eu, o D.
D, como vai?
Disse que me reconectar com a família seria essencial pra minha recuperação.
- Isso mesmo, mas não pode esperar… - Acabo de ver minha mãe.
Sei. E como foi?
Ela me disse pra ir embora.
Sinto muito, D.
Mas é uma reação inicial compreensível.
Vai ser difícil por um tempo. Vai ser difícil pra você.
Está fazendo aquilo que praticamos, a respiração?
Estou.
Ótimo. Lembre-se de todo o trabalho que fizemos.
E, D, tome os comprimidos de lítio também, certo? Não se esqueça.
Isso vai ajudar.
Você pode até começar a ter sentimentos ou emoções.
- Certo. - Certo.
D?
Quer me dizer alguma coisa?
Algo que tenha acontecido recentemente?
Não.
Certo.
Você não é o mesmo homem de antes, D.
Mostre isso a eles, está bem?
Certo.
Pode deixar.
Ótimo. Algo mais?
Não.
Certo. Bem, me ligue quando quiser.
Tchau.
PATRULHA MARINHA
Você é meu tio D, não é?
Você deve ser o Freddie.
A vovó diz que você é louco.
Não sou louco.
Tenho transtorno de personalidade antissocial.
O que é isso?
Um padrão generalizado de descaso e violação dos direitos alheios.
O que isso quer dizer?
Que não me importo com o que as pessoas sentem.
Ah.
Nunca.
Também não tenho a capacidade de sentir medo.
Nada disso faz de mim um louco.
Não?
Não.
Só vejo o mundo de forma um pouco diferente.
Certo.
O que tem aí?
É um submarino.
Eu e meu pai construímos juntos antes de ele…
Japonês.
FUGITIVO PROCURADO
ANTECEDENTES CRIMINAIS
Que merda.
É ele.
Sean sempre via algo no D que não estava lá.
Eu não tinha notícias dele há anos, até agora.
Soube que foi preso e que foi solto. Só.
É, seu pai era um cara muito inteligente.
Sim.
O que ele disse sobre este submarino?
- Ele disse que… - Freddie.
Pode ir lá pra cima?
Agora, por favor.
Tchau, tio D.
Tchau, Freddie.
Seu lugar não é aqui.
Sou irmão do Sean.
Essa é a categoria em que me encaixo. Família.
Você abriu mão desse direito há muito tempo.
Não sou a mesma pessoa que era naquela época.
Estou indo a um terapeuta agora,
e ele me ensinou a fazer exercícios de respiração.
E estou tomando remédios.
Isso não mudará quem você é, D.
Por que não?
Porque você é louco.
Não se mexa.
Desculpe, pessoal. Está preso por tentativa de homicídio.
Você conhece a rotina.
Mãos pra trás.
Agora!
Abra as pernas.
Os federais estão a caminho.
Vamos.
Andando. Vou prendê-lo no abrigo.
Andando.
Parado aí.
Nem pense nisso.
Pode sentar.
Então quem você matou?
Você teria que ser
um pouco mais específico.
Você deve estar feliz.
O xerife prendeu o psicopata no abrigo.
Toda família tem pelo menos um louco.
Certo, Jo?
Vou levar café pro xerife e pro "psicopata".
Ei, Jo.
Eu conhecia Sean
há muito tempo.
Ele nunca mencionou ter um irmão.
Um assassino?
Foi só por telefone,
mas ele ficava me dizendo que queria que eu viesse aqui vê-lo.
Ele disse
que queria falar comigo sobre algo.
Agora ele morreu,
e você está aqui.
É um pouco estranho, não acha?
O que é isso?
Preciso tomar meu remédio.
Eu…
não consigo alcançar.
Está no bolso da frente.
Vê meu dedo?
Chegue aqui.
Não se mova.
Seja esperto.
O que é isso?
Calmante.
Me ajuda a controlar meus impulsos,
e a amortecer minha resposta aos estímulos.
Me deixa mais normal.
Abra.
Achei que gostariam de algo pra aquecer.
Obrigado.
- Quer um café? - Não.
Obrigado.
Bem, se mudar de ideia…
Não achei que o FBI fosse chegar tão cedo.
Vou deixar esta belezinha na mesa, bem aqui,
caso ele enlouqueça.
Boa noite, pessoal.
Não esperava vê-los aqui esta noite.
Xerife, o que está fazendo aqui?
Recebemos a ligação.
Chegamos e cuidamos disso.
Você cuidou disso.
Certo.
Isso é o que vamos ver.
Por que tanta gente pra pegar um cara?
Você está no comando?
Não.
De que divisão do FBI vocês são?
Não acho que sejam do FBl.
Não exatamente.
O que foi isso?
Nove milímetros.
O que foi isso?
Temos que fazer algo, certo?
Certo.
- Pegue a arma. - Quê?
Pode confiar em mim.
Ou atirar em mim.
Quê?
Sniper, vá pro farol.
Revistamos a casa e depois nos separamos. Pike, faça o reconhecimento da ilha.
Whymper, olhe ali dentro.
Isolem a área.
Sim.
Ei.
Quem são vocês?
Cadê o xerife?
Sei quem vocês estão procurando.
Ele está no abrigo com o xerife, descendo a colina.
Ora, ora.
O que temos aqui?
Não se mova.
Sério? Parece que vou a algum lugar?
Celulares.
Vocês ouviram o chefe.
Cada um de vocês
vai colocar seu celular na minha linda bolsa aqui.
Piedade, por favor.
Obrigado.
Ouça, cara. Acabei de dizer onde ele estava.
Ei, o celular.
- As mãos. - O celular.
Achei uma coisinha linda presa numa gaiola aqui embaixo.
Não me chame assim.
Ninguém morre até descobrirmos o que sabem.
Entendido.
Ei, tudo certo. O resto da ilha parece limpo.
Andei pensando.
Por que o cara perguntou se éramos os federais?
Porque o FBl está vindo pra cá agora.
O plano não muda.
Por que alguém te trancaria numa jaula?
Não sei bem. Por que não abrimos a porta e descobrimos?
O que você fez?
Eu o apaguei.
- Espere, você não o matou? - Não. Não mato mais pessoas.
Bem, não seria melhor? Ele é um cara mau, certo?
- Isso é com você. - Quê?
Nossa, que babaca.
Por favor, deixe-me matá-lo. Por favor.
Whymper, situação.
Certo, vá descobrir o que está acontecendo com ele. Vá.
Blanchard.
Ei!
Lá em cima, sem surpresas.
Certo.
Como foi seu voo?
Uma sardinha enlatada.
Se o tempo permitir, chego à costa em três horas.
- Notícias do xerife? - Nada ainda.
Ninguém atende na pousada. Cai direto na caixa postal.
Continue tentando.
- Como está nosso amigo do chuveiro? - Ainda em coma.
Não faz sentido.
D sabia que tirando a tornozeleira provocaria uma reação.
Em todos esses anos rastreando D, ele nunca deixou um corpo ou testemunha.
Por que deixar esse cara vivo no próprio apartamento?
Por quê?
Oi, Sean.
Onde aquilo está, hein?
Bem, você fez merda, não é?
Tive que fazer.
Ele suspeitou de mim.
Falaremos disso depois.
Felix, por que está demorando tanto?
Corra! Hugh, corra, seu babaca!
Corra!
Que porra é essa?
Vá se foder!
Hugh, pare, seu covarde!
Hugh, pare!
Vamos!
Atire nele.
Que diabos…
Meu Deus!
Mataram o Hugh!
Eles o mataram, porra!
Vão matar você também.
Tudo bem. Vá se sentar. Tudo bem.
Vamos.
Agora entendem o que acontece quando não me ajudam?
Espero que esteja um pouco mais claro.
Oi, amiguinho.
Whymper!
Puta merda. O que aconteceu?
Que diabos
você está fazendo aqui sozinho?
Temos um problema no abrigo.
Minha nossa. Alguém arregaçou o Whymper.
Blanchard, desça aqui agora.
Desça aqui!
Tem três caras, e parece que estão armados até os dentes.
Calada.
Você é sempre tão gentil?
- Freddie! - Mãe!
Você os vigia.
Você vem comigo.
Mas me espere.
Aonde você vai? Eu…
O que você fez, seu idiota?
Sabe, tem tanta coisa de que não gosto em você.
Pensei em te contar isso.
Cale essa boca.
Não!
Não se mexam!
Que foi agora?
Merda!
Ei.
O que uma moça bonita como você faz com uma espingarda?
Me chamo…
- Você me cortou. - Precisava de um grito.
Qual é o seu problema?
Porra.
Olhe só que merda.
PROCURADO
Caralho.
Ele está aqui.
Meu homem não deu conta do serviço.
Claro que ele está aqui. É o funeral do irmão dele.
O cara é um psicopata, irmão.
Se lembra de Lansing e Harvey? Bogotá?
O maldito Missoula.
Ele matou todo mundo enquanto assistíamos.
O cara é perigoso. Mas tem algo que não entendo.
Por que ele não matou o Whymper quando teve a chance?
A prisão o amoleceu?
Não, é mais como um tigre tentando mudar as listras.
- Ei, você está bem? - Estou, só está doendo, chefe.
Ah, está doendo.
Dói pra caralho.
Que porra é essa?
Isso foi bom.
Vamos trabalhar. Vamos.
- Ele está de mau humor. - Vamos!
Pike, vamos!
Quem matar D fica com a parte do Whymper. Está bom?
- Ótimo. - Ótimo.
- Tio D! - Essas venezianas de aço.
Como se fecha este lugar?
A alavanca atrás do abajur.
As venezianas estão fechando.
- Blanchard ainda está lá dentro. - Então Blanchard está fodido.
Blanchard?
Achem um jeito de eu entrar.
- Que foi? Você está bem? - Sim, ele me cortou.
Trouxe isso pra cá no funeral do Sean?
- Vieram por sua causa? - Não estão atrás de mim.
Meu Deus!
Certo. É só uma coincidência.
Precisamos de telefones.
Algum funciona?
Estou com problemas aqui.
Sim.
É tão difícil não voltar aos velhos hábitos.
É, eu sei.
Sei que é difícil, D.
Não é só você que tem problemas com isso.
Quero muito fazer aquelas coisas.
Não! D, você está diferente, está bem?
É força de vontade.
Use as novas formas de comportamento que criamos em seu cérebro.
Mas e se…
E se houver coisas
que eu precise fazer pra me proteger?
É seu cérebro animal entrando em ação. Fugir ou lutar, sabe? Mas pare.
Conte até dez, até 100 se precisar, e se pergunte algo simples:
essas coisas que acha que precisa fazer
são algo de que vai se orgulhar mais tarde?
Bem,
provavelmente não.
Então não deveria fazer.
Certo, vou considerar isso.
Me ligue quando quiser.
Esses remédios
fazem minha mão tremer quando o efeito começa a passar.
Por que vocês estão aqui?
Vá se foder.
Tudo bem, cara.
Eu adoraria arrancar seus olhos
e fazer você comê-los.
Mas não faço mais esse tipo de coisa, Blanchard.
O que fez com ele?
Nós conversamos. Foi decepcionante.
Meu Deus. Você o matou?
Vigiem as portas.
Estou de olho na porta e em você também, filho da puta.
O que vai fazer? Vai atrás deles?
Não. Há quatro deles por aí.
Pensei que tivesse matado dois.
- Não matei ninguém. - Já chega.
Quero você fora desta casa e da ilha.
- Saia e leve essa gente com você. - Ele nos salvou.
Não, ele se salvou.
É só isso que importa pra ele, e sempre foi assim.
Não estaríamos em perigo se não fosse por ele. Não é verdade, D?
- Talvez. - O que você fez?
Irritou alguém? Roubou algo?
- Talvez tenha matado o cara errado? - Não.
Você matou mesmo pessoas, tio D?
- Eram pessoas muito más. - Freddie.
Ilha do Guardião. Deviam chamar este lugar de Ilha do Massacre.
Atire no desgraçado!
É só atirar nele!
Puta merda!
Meu olho! Ele atirou no meu olho!
Acho que o peguei.
Acertei nele.
Filho da puta!
Atire nele com a espingarda.
- Não consigo ver dentro da casa. - Atire na porra da parede!
A coisa toda é blindada.
Ai, caralho.
Agora sabemos que ele está vigiando.
Uma hora, eles vão entrar aqui.
Estão só nos testando.
Estão atrás de você, não de nós.
Quero que vá embora agora, antes que cause mais estrago.
Vá.
Tudo bem.
Tudo bem.
Acontece que Sean, o irmão falecido de D,
tinha uma dívida considerável pra um professor de história.
Mas nada que o impedisse de comprar uma ilha.
A trama se complica.
Era uma base da Marinha na Segunda Guerra Mundial.
E o mais estranho: ele pagou quase o dobro do que valia
graças a uma misteriosa transferência eletrônica.
Nossa. Deve ser uma ilha especial.
Parece que ser louco é coisa de família. Descubra quem é o misterioso benfeitor.
- Deixe comigo. - Certo. Tchau.
É sua melhor opção.
Como o Sean morreu, exatamente?
Ele estava reformando o farol.
Trabalhava nisso todo dia até tarde quando caiu.
Trabalhava no farol quando morreu.
Eu dizia pra ele contratar alguém.
Ele era tão teimoso.
Hugh foi levar o jantar pra ele e o encontrou.
Fazia tempo Hugh trabalhava aqui?
Um pouco mais de um mês.
Por quê?
Só curiosidade.
Ei, siga pela trilha atrás da pousada.
Ela contorna as árvores e leva a 800m da costa.
D…
Acho que está fazendo o possível.
Ele foi embora.
Ótimo.
Como eles vão saber?
Sério, como vão saber que ele foi embora?
Vamos contar a eles.
Tirem a máquina do barco. Comecem a procurar perto da pousada.
Temos que entrar de novo na casa.
Espere.
Sniper, consegue ler aquilo?
D FOI EMBORA
Diz:
"D foi embora."
O barco.
Merda.
Bem, ainda temos o outro barco.
Tente não perder esse, seu imbecil.
Entendido.
Sniper, uma ova.
Fique de olho nas janelas, Ciclope.
Não vejo nada, só pedras.
Alô!
Dr. Alderwood, oi, sou eu, o D.
- D, você está bem? - Estou.
- Sim, estou bem. - Ótimo.
Ainda está com sua família?
Sim, ainda estou aqui.
Eu ia embora, e aí, bem, eles precisaram da minha ajuda
e ainda são minha família, então…
Bom pra você, D. Continue assim.
Só que
estou tentando fazer o melhor aqui e eu…
Não seja tão duro com você. Ninguém é perfeito.
- Sim. - Sim.
É, eu sei.
Só estou…
Tenho medo que possa ficar
meio complicado quando eu voltar lá pra dentro.
Ainda tenho muito a resolver.
Não dá pra lidar com um problema de cada vez?
Um de cada vez, em vez de todos ao mesmo tempo, como falamos.
Sim, eu poderia fazer isso.
- Geralmente é mais fácil assim. - É, sim.
Sim.
Você é o D que queremos que seja.
Certo?
Continue assim, filho.
- Obrigado pelo conselho. - Bom. Ligue quando quiser.
Pelo amor de Deus, não mate ninguém.
Não vejo nada aqui.
Certo, vamos tentar do outro lado.
Meu Deus. Aquele cara dentuço está parado lá fora.
Olá!
Podem me ouvir aí dentro?
Sim, podemos ouvi-lo! Babaca.
Mais cedo ou mais tarde,
essa porta vai se abrir, gostem ou não.
Quando a porta abrir, quero que vocês…
se lembrem de uma coisa.
Vá embora. O que você quer?
Não preciso de nenhum de vocês vivo.
Mas se algum de vocês
me ajudar a encontrar o que vim buscar aqui,
bem, então,
talvez possamos chegar a um acordo.
O que esses caras querem?
D nem está mais aqui!
D pode estar certo, e não estarem atrás dele.
Talvez não.
Mas se não querem o D, temos que saber o que eles querem.
- Achou um barco pra mim? - Está tudo fechado até amanhã.
Mas tem uma coisa. Pode não ser nada, mas um iate de luxo de 10m
foi roubado de uma marina a uma hora da costa ontem.
Foi o D?
Não, um capitão de barco local da mesma marina
disse que deixou um cara na ilha hoje. A descrição bate com a do D.
Me mande o endereço da marina.
Preciso chegar à ilha pra ontem.
- Pode deixar. - Tchau.
- Que bosta, cara! - Ei.
Aonde vai?
O único jeito de acharmos é fazer um deles falar.
Você sabe disso.
Deve ter outro jeito de entrar naquele lugar.
Que merda.
Testes sísmicos.
Que diabos estão procurando?
Que porra está acontecendo aqui?
Me ajude.
Por Deus. Blanchard, ei!
- O que aconteceu com você? - Ele me amarrou.
- Ei, você está bem? - Sim.
Toma.
Aonde está indo? Ei!
Está bem.
Maldito filho da puta.
D FOI EMBORA
Seu fedelho…
Odeio você.
Ei!
Tudo bem, seu fedelho.
Quer que eu atire na porta?
Não se mova.
Está chorando, hein?
Freddie…
vá lá pra baixo.
Sabe,
passei vergonha na sua frente naquele porão,
então vou ter que te dar o troco.
Seu filho da puta!
- Mãe! - Freddie!
O que foi? Você está bem?
- Lá em cima. Quê? - Mexa-se!
- Ei, pra trás! - Ei!
Pra trás!
Pessoal, mãos pra cima!
Sabe de uma coisa?
Ainda bem que o garoto foi embora.
Minha amiga, a Ethel aqui, vai se juntar a nós.
Quem não gosta de um ménage à trois?
Você, abaixe a arma ou vou estourar os miolos dela!
Vou abaixar.
Só não a machuque.
- Não. - Ótimo.
Segunda rodada?
Sabe, D…
acho que você quer chorar agora.
O que acha?
Vai implorar um pouco pela sua vida? Levante, filho da puta!
Vamos lá, D.
Precisa me dar algo.
Não vale a pena.
E por que isso?
Ah. Certo, entendi.
Vai tentar me furar
com um desses cacos de espelho?
Claro.
Não.
Com um submarino japonês.
Artéria femoral. Vai precisar fazer um pouco de pressão aí.
Tarde demais.
Meu Deus. Gostei disso.
- Solte-a. - Você está bem?
- Atiro nela. - Atiro em vocês dois.
Quê? Não!
Você está bem?
Meu Deus!
Você quase me matou.
Que bom que se moveu.
Ele matou Blanchard. Quase arrancou meu braço com um tiro.
Você voltou.
- Você está bem? - O que você fez?
O que fez lá em cima, seu doente? Você o matou ou o quê?
Mãe, tenho pensado muito
e acho que mereço uma segunda chance.
Meu Deus! O quê?
O que você fez?
Mãe…
posso explicar aquilo.
D!
Saia. Quero falar com você.
Fique longe de mim, por favor.
Não posso…
Aquilo foi a pior coisa
que já vi.
Olá, D.
Já faz muito tempo.
Parece que você está me evitando.
Bem, estou.
O que houve com você?
Você era o melhor no que fazemos.
O melhor de todos.
Agora está no sistema,
drogado,
faz terapia três vezes por semana pra entrar em contato com seu lado fraco.
Como ele chama isso?
Transtorno sociopata agudo?
Ou comportamento psicopatológico presente?
Desenvolvimento moral interrompido? Fala sério, D.
São maneiras chiques de as pessoas te chamarem de louco.
Estão te chamando de louco.
Você me conhece, D.
Pessoalmente, não acredito em loucura.
Você não é louco. São só pontos de vista diferentes.
Você me ensinou isso, certo?
Aonde quer chegar com isso?
Já vai saber.
Vai continuar fingindo pra essas pessoas
ou aceitar o que realmente é?
Hein? Porque você é incrível como é, cara.
Por isso está aqui, não?
Sean deve ter te contado o que há na ilha, certo?
Por isso ele está morto, D.
Você não sabe.
Atire nele.
Atire nele!
Sério, você também não o matou?
Depois do que fez com o cara lá em cima, qual é o problema?
- Meu Deus. - O que ele disse?
Ele disse que há algo
nesta ilha.
Não há nada aqui.
Só umas centenas de dólares pras compras, umas antiguidades…
Não.
Algo mais.
Sean estava tentando me dizer.
Ele queria me dizer algo antes de morrer.
Sean. Fala sério, D. Você conhece o Sean.
- Ele não se envolvia… - Não estão me ouvindo!
Eles tinham negócios com Sean e estão aqui pra encontrar algo.
O que é?
O que não me contaram?
Disse que Sean morreu enquanto trabalhava no farol.
Não acho que ele caiu.
Não, você disse que Hugh o encontrou, certo?
Sim, Hugh. O filho da mãe também estava falando com eles.
Havia algo. Eles se falaram.
- Certo, cale a boca. - Certo.
Ele era alguém que Cole plantou aqui pra ficar de olho no Sean.
Mas ele trabalhava em algo.
Havia…
graxa de motor debaixo das unhas dele.
Ele está certo.
D foi muita coisa, mas nunca foi estúpido.
- Onde é o escritório do Sean? - No porão.
Felix.
Tente ali.
Vamos, Sean, fale comigo.
Vamos. No que estava trabalhando?
Não é isso.
MARÉS DO PACÍFICO
Não é isso.
Aquele som de novo.
Quero ir atrás dele.
Aquele anormal tentou me matar.
Se D te quisesse morto, você estaria morto.
Posso entrar pela janela de novo. Não vão me ver.
É, talvez. Assim economizo uma bala.
Onde dá essa porta?
Essa é a adega.
Ele ficou dois meses reformando quando nos mudamos.
- Tem as chaves? - Sei onde estão as chaves.
Uma pegada.
Da bota.
Não acredito.
Que diabos?
Nossa!
Uma porta escondida? Sério?
Nunca bebi merlot. Eu…
- Uma lanterna. - Claro.
- Legal. - Freddie, venha aqui.
Mas isso é…
Ah, Sean.
O que tem aí embaixo?
Vou descer!
Meu Deus.
Você está aí?
Que mer…
Meu Deus.
D?
O que você vê?
O vídeo está ruim, mas temos uma imagem de um dos ladrões do iate.
Já te mandei.
É o Cole, certeza.
Quem?
O ex-empregador de D.
Um faz-tudo de alto nível pros ricos desonestos.
D começou a trabalhar pro Cole após ser dispensado dos SEALs
por quase matar o oficial de comando.
D foi a arma escolhida por Cole.
E agora eles estão aqui,
D e Cole juntos de novo.
Droga. Achei que veríamos a ilha daqui.
Desculpe. Tentei em todo lugar. Ninguém quer navegar hoje.
Te ligo se achar algo.
Oi.
- Está tudo bem? - Sim.
Posso ajudar?
Na verdade, sim.
Sabe o que está fazendo?
Eu? Não, estou aqui perdendo tempo.
Te deixaria tentar, mas seria melhor ter os dois olhos.
Babaca.
D?
Aqui embaixo!
D!
Que lugar é este?
D, não me deixe pra trás.
D poderia estar a meio caminho do Havaí.
Talvez ele tenha mesmo mudado.
Vamos nos perder aqui.
Até onde isso vai?
Isso é loucura.
Cacete.
- Que diabos? - Merda.
Vamos acender as luzes.
Puta que o pariu.
Puta merda.
É um submarino.
Japonês.
Da Segunda Guerra Mundial.
Meu Deus.
Sean, que porra é esta?
Esperem.
Acho que encontrei algo.
Parece um túnel.
Vai da pousada…
Puta merda. Até o farol.
É isso, porra! Achei!
Tudo bem.
Achem a entrada.
Vejo vocês lá embaixo.
Anda, vamos.
Ele nunca me falou nada sobre isto.
Que foda. Por isso nunca ouvi falar disto.
D, olhe.
É o ouro de Yamashita.
O ouro de Yamashita!
Quê?
Ele escrevia sobre isto nos livros dele.
Cacete!
O que é isso?
Que susto você me deu!
Que está havendo? Aonde D foi? Aonde Massey…
Mexam-se.
Vamos.
Está bem aqui. É real.
Achei que o Sean estava mentindo lá na escola.
Isso é loucura!
Era o que ele tentava me dizer nas cartas.
Ele disse: "Acho que encontrei o que procurava."
Cacete!
Merda.
Eu errei.
Cuidado.
Meu Deus!
Corra!
Merda!
- Desça! - Droga!
Eles estão ali!
- Pegue-os do outro lado. - Pode se mexer? Só tenho uma bala.
- Ei? - Sim.
Venha comigo.
Aonde vai?
Vamos, pegue-o!
Atire nele!
Achei o desgraçado!
Merda!
Caralho! Merda!
O que está fazendo?
- Você tem um celular? - Um deles caiu.
- Ligando pra alguém agora? - Calado.
Sério? Estão atirando em nós.
- Vá se ferrar! - Pare.
- Alô! - Oi, sou eu.
D, que horas são?
Pode vê-los?
Umas três. Desculpe, é tarde, eu sei. Só queria…
Tenho uma pergunta pra você.
Claro, manda.
Se eu tiver que me salvar, posso voltar aos velhos tempos?
Bem, acho que teria que dizer que…
Bem, na verdade, não está se salvando
se desistir de todo excelente trabalho que já fez.
Ele está ali!
Que foi isso?
- Metralhadora semiautomática de 5,56 mm. - Estão atirando em você?
Eles estão atirando em nós há um tempo.
D, me escute.
Certo.
Faça o que for preciso pra se salvar.
O que for preciso?
O que for preciso.
Não têm pra onde ir!
Merda. Vou perder minha licença.
Meu Deus.
Vamos!
Por favor, funcione.
Acabe com eles!
Puta merda.
Aonde vai? Merda.
- D! - Parado!
Parado aí.
Então você achou? Sabia que podia contar com você.
Nossa. Seu irmão meio que minimizou, não foi?
É uma pena que ele não vai usufruir de nada disso.
Parado aí.
Ainda preciso de você vivo.
Ei, babaca!
Atire! Merda!
Não.
D, me escute.
Isso é tão idiota, não é?
Vamos pegar o máximo de ouro que pudermos e dar o fora daqui.
Quando os federais chegarem, vão te trancafiar pra sempre.
Não vim aqui pelo ouro.
Só quero minha família de volta.
Então temos um acordo.
Você carrega meu ouro,
e eu te devolvo sua mãe.
Anda. Vamos.
Levará dias pra tirar isso daqui. Você não tem tempo.
Nem você.
Mas você é um garoto bom, forte e robusto. Pegue isso.
Rápido.
Certo, me dê dois lingotes pelo que seu irmão morto me deve.
É isso aí.
Bom garoto.
Mais dois pelos juros.
Vamos.
É isso aí. Rápido.
E, quer saber?
Por que não me dá mais dois além desses,
sei lá, só porque sim.
É isso aí.
Aí está.
É isso aí, cara forte.
Vamos, D.
Bom garoto.
Pegue isso.
Sem paradas pra descanso. Vamos.
- Opa! - Opa.
Ei.
Levante.
Por Deus!
Ande.
Ande.
Certo, levante.
Pegue isso, ou sua mãe vai voar.
Fim de jogo, D.
Está cometendo um erro fatal, agente Shaughnessy.
Cadê o Cole?
Bem aqui.
Não!
Pegue o ouro.
Pegue a porra do ouro!
É isso aí.
Bom garoto.
Ei, D, quais são as chances?
Enquanto estava se reabilitando, seu irmão todo certinho
decide pegar um empréstimo com as pessoas erradas.
Ele sabia que, cedo ou tarde, eu apareceria.
Você sabe como é.
E agora você está aqui.
D, preciso te dizer
que achei que ficaria mais feliz em vê-lo, mas você é só um coitado pra mim agora.
Patético, impotente.
Você costumava dar as cartas.
Sabe por que ele está fazendo tudo isso? Por você, mamãe.
Isso mesmo.
Não precisa fazer isso, D.
- Ele vai nos matar mesmo! - Calada, vamos.
Tem razão.
Não preciso.
Você é completamente louco!
Completamente louco!
Está gastando muita energia pra esconder quem é, o que você é.
Você é um monstro!
E eu sempre serei essa voz na sua cabeça,
lembrando que você nunca vai mudar!
Não sou louco.
Você não vai morrer aqui.
Sinto muito.
Pare de dizer que sente muito.
Sinto muito por sua perda,
pelo Sean.
Quando penso em todas as cartas do Sean,
fica claro que ele queria muito contar a alguém o que descobriu,
mas pra manter a família segura, ele sabia que não poderia.
Quando ele ficou obcecado pela base naval abandonada
chamada Ilha do Guardião,
achei que ele estava escrevendo outro livro.
Ele devia ter certeza absoluta do que havia sob a ilha,
o ouro de Yamashita,
saqueado pelas forças imperiais japonesas durante a Segunda Guerra Mundial
e contrabandeado pra fora do país em pequenos submarinos.
Sean reuniu as pistas,
mas precisava de ajuda pra comprar a Ilha do Guardião.
Ele pediu um empréstimo aos sócios do Cole,
e antes que pudesse pagar,
Cole veio atrás dele,
e isso lhe custou tudo.
Parece que o Sean não era tão perfeito.
Ninguém é perfeito,
mas ele não merecia morrer.
Eles irão atrás de você.
Já fui caçado antes.
Posso lidar com isso.
E a família do Sean, sua mãe?
Eles vão ficar bem. Vou me certificar disso.
E você?
Posso tentar ser eu mesmo por um tempo.
Tchau, D.
EM MEMÓRIA DE DOUGLAS FALCONER
Legendas: Márcia Maciel
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