All language subtitles for El Ultimo Cupl+ (1957)

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Original subtitles

Recordando aquelas mulheres que um dia souberam comover

Com a magia breve do cupl�. Seja homenagem o mosaico de can��es famosas.

Extra�das de uma est�ria inventada que pode ser real.

-Tenho me divertido aqui! -Quem se apresenta aqui?

-Maria Lujan. -Uma antiga amiga nossa.

-Um pouco mais que isto! -N�o sabia que estava aqui?

N�o. Faz muito tempo que a procur�vamos e n�o a encontr�vamos.

-N�o sab�amos nada sobre eia. -H� dois meses apresenta-se nesta casa.

E salta como eu. Que n�o tem dificuldade.

Ai, a rumba

E salta como eu. Que n�o tem dificuldade.

-Dom Camilo, como estou f�cil hoje! -Combina com a pouca roupa que tem.

E pouco assim, s� eu tenho!

Pode entrar!

-Quem �? -Vim trazer a roupa. Minha m�e est� doente.

Pode deixar a� em cima da mesa.

-E, por que n�o vai embora? -Queria v�-Ia.

Minha m�e disse-me que eras uma grande artista.

-A melhor das melhores. -Eu tamb�m quero ser artista.

-Voc� gosta de cantar? -Sim. Todas as suas can��es.

Pois sua m�e n�o deveria consentir. N�o sou indicada para menores.

Sei at� as can��es que voc� cantava antes.

-Em quase todos os discos. -Tem um que � o preferido do meu pai.

Oh Mari! Oh Mari!

Se meu canto de amor � por ti.

-Continue! -�s um encanto. Como te chamas?

-Mari! -Maria, como eu?

Mas o sobrenome � feio para o teatro!

Chamorro.

Chamorro?

N�o. N�o pode ser. Voc� � muito pequena.

Sou a ca�ula dos meus irm�os.

C�ndido Chamorro, relojoeiro.

N�o, Sra. Meu pai se chama Prudenis e � pedreiro.

Maria! � sua apresenta��o. De que est� rindo?

Por um momento me vi m�e de dez filhos.

Sim, linda. Pensei que seu pai era um velho amigo meu.

Esta noite ter� entre o p�blico um velho amigo seu.

-Quem �? -Um grande empres�rio.

-Juan Contreras? -Ele mesmo. Veio com uns amigos.

-Vai me ver aqui? -Que importa o lugar, se tu �s a mesma.

Est� bem! J� estou indo.

Vi voc� na rua. Passou junto a mim. Disse-me uns versos.

N�o foi do meu agrado.

N�o quis lhe olhar.

N�o quis lhe parar.

Ele me disse: Vida, se voc� me quisesse igual que na gl�ria, talvez que vivesse.

E eu envergonhada. Fiquei orgulhosa.

Teus olhos em mim, se fixaram em meu corpo a olhar.

Ent�o senti uma coisa muito dif�cil de explicar.

Mas o que vou fazer, se canta facilmente uma mulher.

Mas foi um caso que n�o pude refletir.

E lhe dei meu cora��o.

� um cupl� antigo, n�o?

-Cantado por uma grande artista. -A melhor de todas.

Com certeza. � maravilhosa.

A �nica que soube cantar um cupI�.

Louquinha de prazer ao ver-me adorada e sem perceber j� estava vidrada.

Porque me dizia, que se derretia.

Seus olhos escuros, um pouco entreabertos

Entravam em minha alma com for�a e clamor

Maravilhoso!

-Est� cantando como nunca. -Canta como sempre.

Minha boca

Por Deus, olhe-me. Olhe-me, pouco a pouco, por favor.

Que quero saber se � verdade que tu me queres como eu.

Repete que sim. Que n�o queres a nenhuma mais que a mim.

E se dizes tu que sim, ent�o ver�s

Se te quero de verdade.

-Ainda � Maria Lujan. -E como chegou at� aqui?

-E este � lugar para eia? -Passou por maus momentos.

E lhe sobrou cora��o. Venham. Vamos cumpriment�-la.

-Camareiro! -Pois n�o?

-Leve uma garrafa ao camarim da Lujan. -Sim, Senhor.

Maria!

-Choli! -Maria!

-Est�s igual! -Quase.

-Que alegria v�-los! -Uns amigos: Lili Varnez e Carlos Molina.

-Muito prazer. -Foi um prazer escut�-Ia.

-Sabiam que eu me apresentava aqui? -N�o.

-Viemos por uma coincid�ncia. -Foi uma surpresa.

Agora sou o que chamam de animadora.

Quando come�amos chamavam-nos de cupletistas.

Depois tonaligeiras, cancionetistas. Mas tudo � a mesma coisa.

-N�o. -� g�nero �ntimo.

-Este n�o � o seu lugar. -Por que n�o?

Porque �s Maria Lujan.

Uma mo�a que um dia soube que havia um vinho para as mulheres bonitas.

Que era elegante beber como agora � o whisky.

Um vinho suave que se bebe sem sentir e quase sem gostar.

Mas t�o elegante! S� quando pag�vamos sab�amos o caro que nos custava.

Champanha!

Lembra-se Choli, o dia em que fomos beber com Pal�cios?

Aquele dia n�o foi o seu Juan, o bom senhor que pagou o convite.

Sen�o um alegre vereador.

Hoje est�s mais linda do que nunca.

De verdade? N�o posso cantar se n�o tomo um pouco de champanha.

-Deliciosa! Deliciosa! -N�o h� vinho para mim, como a champanha.

Ei, venha aqui! Achas que me dar�o champanha antes de dan�ar?

Igual que toma Pal�cios para a garganta?

-Isto n�o � certo! -Pois lhe saem as pernas at� peIa cabe�a.

E na luz do doce mar. Tomando vai. Come�a igual. Maior papel. Maior papel.

� o de navegar. Para os que querem ver o mar. Feliz estou. Feliz est�s.

Srta. estou disposto a tudo. Quando vai me conceder sua m�o?

Por favor, Dom Praxedes. �s um vereador. E isto tem que pensar muito.

Lembra-se daquele solit�rio que voc� gostou tanto?

-Ah, j� sei! -Feche os olhos!

-Vamos brincar de cabra cega? -J� o escondi.

Se voc� quiser, eu o incluo no or�amento municipal.

E vou contigo meu doce bem.

Vou peias ondas do verde mar.

Oh, verdes �guas espumosas. Sim!

N�o tenho medo de naufragar! N�o tenho medo de naufragar!

Vou escutando no andar do Vapor por este mar, e na luz do doce mar.

Meninas! Mais vigor nos movimentos!

-Colocar mais g�s nos marinheiros? -Cale-se!

Esta � minha filha, Dom Jer�nimo!

J� v�o v�-la! N�o reclamar� por apresentar-se sozinha?

-Favorecimento! -� que minha filha se destaca!

N�o mais que a minha sobrinha! O que acontece �... o que acontece.

-Naturalmente. -Ent�o voc� j� sabe.

Sil�ncio! Dem�nio de mulher! Sempre a mesma coisa.

Chega, senhoritas. Terminou o ensaio.

-Amanh� na mesma hora? -Todas ao camarim. Vamos!

Ei, meninas! Venham ver o meu cabelo novo.

-Mas eles est�o nos esperando. -Que esperem, para isto s�o namorados.

-Onde est�o os palet�s dos rapazes? -Acabam de chegar!

-Bom. Avise a Srta. Pal�cios para ensaiar. -Srta. Pal�cios!

Srta. Pal�cios! Quem a viu, quem a ver!

Disseram-me que a Pal�cios antes de ser principiante de zarzueIa...

Foi ajudante de palco como eu no Barbielli. Somos da mesma origem.

-Mas ainda n�o foi anunciada. -Mas tem que ser com uma estr�ia.

Se n�o tivesse me apaixonado pelo pobret�o do meu marido

Neste momento teria um colar de brilhantes como este.

-Sim. Sim. Ai que engra�ada que �! -Escute aqui!

Vamos embora porque isto vai terminar mal!

-Cada coisa voc� pensa, Praxedes! -Como n�o vou pensar se estou na gl�ria.

E eu tamb�m. Quando queira, maestro.

Ai que frio que faz aqui! Podiam ligar este aquecedor.

J� entendeu o que deveria entender.

-Claro! Como j� � famosa! -Porque � a que dan�a melhor.

-Na corda bamba! -Escute Sra. e perdoe-me a express�o.

-Com express�o te chamaria teu pai. -De que me chamava?

-Filha! -Cachorra!

Muito bem. Que esc�ndalo � este? V�o todas para a rua!

-Mas eu n�o! -Calem-se. Caiam fora!

Ah, quando souberem do que eu sei...

Vamos! Saiam!

Calem-se!

Brigonas!

Fique tranq�ila. J� vamos saber se ela � a melhor ou n�o.

-Coruja! -J� chega, tia! Por que fizestes tudo isto?

Por voc�. Para que te valorizem como mereces.

Choli n�o tem culpa. Se disseram isto, � porque dan�a bem.

Se n�o tivesse exigido de Dom Jer�nimo, ainda estaria no coral.

Queria que tivesse a mesma sorte que ela.

Um bom Sr. destes que chamam de padrinho? N�o tia, eu amo meu namorado.

Tens que pensar mais alto. N�o v� fazer a mesma bobagem que eu.

N�o te contei? Est� a� de plant�o teu namorado e o meu.

-Maria n�o tem namorado. -Pois disse-me que era ele.

-Oferto ele para voc�! -Eu j� tenho o meu.

-Vale muito pouco! -Escute-me, senhora: Chega!

Tia, por favor. De novo? Embora n�o gostes, eu amo C�ndido.

C�ndido! Um pobre relojoeiro morto de fome e sem um duro.

Andem! V�o se preparar!

Sabia C�ndido, que faz um frio de matar?

-Eu trouxe capa, mas... -Que v�o dizer, se n�o comprarmos uma?

-Aquecemo-nos com caf� e p�o doce. -E como eu gosto de p�o doce!

O que vou dizer, C�ndido?

Um marido como Dom Juan � o que faz falta � minha sobrinha.

Rico, de boa apar�ncia e empres�rio.

-Ah, eu gosto deste tipo! -� natural!

-� verdade que Dom Juan e a Pal�cios... -N�o, minha querida, isto j� acabou!

Est� livre. Por isto repito: Que bom marido poderia conseguir ela.

Est�o prontas, meninas? Vamos!

-A� est� Dom Juan! -Pequena a capa dele, n�o?

Boa noite, Don Juan!

-Um momento, por favor, Don Juan! -Sim?

Animal!

-Desculpe-me! -N�o. Quem tem que perdoar � voc�!

-Como se sente? -N�o. Eu n�o sou a cinderela.

Nem eu o pr�ncipe. Mas poder�amos vir a ser.

-Obrigado! -Trabalha aqui?

-Canto no coral! -E como n�o havia percebido at� agora?

-Certamente porque n�o valeria a pena. -Terei que lavar meus olhos.

-Posso esper�-la? -Sim!

-Quando vou voltar a v�-la? -Minha obriga��o � vir todos os dias aqui.

-Um momento Srta. Como se chama? -Maria Lujan.

Maria Lujan? � sua filha?

N�o, senhor. � minha sobrinha. Estamos sozinhas no mundo.

Eu tamb�m j� fui artista, mas os anos passam. Agora sou vendedora de j�ias.

-Pois sua sobrinha � uma j�ia. -Voc� n�o sabe como �. E como canta!

-Embora no coral n�o a valorizem. -A partir de amanh� eu virei escut�-Ia.

Sa�ste por �ltimo.

-Perdoe-me, fui buscar isto na portaria. -O que �?

-Seu presente de anivers�rio! -Um len�o!

-D� m� sorte! -Pare com isto!

-Amando-nos, n�o pode trazer m� sorte! -Boa noite, Sra. Est�s bem?

-Muito bem! -Isto � um olho ou um bin�culo?

-S�o os narizes! -T�o em cima?

-Que lindo! Que engra�ado! Vamos! -Tia, � que hoje � o anivers�rio dele!

Tia, Tony e eu queria lev�-las ao Baile da Encomenda.

-E vai haver concurso de beleza! -� um dia. Apenas um dia!

-E quantos anos est� completando? -Dezenove!

-Est� vendo? � um mal sucedido. -Tia, deixe isto de lado.

Seu namorado agora � o teatro. Que este seja o �ltimo baile com ele.

Foi uma saia de ''percar'' e engomada

E os meus sapatos baixos de ''Charol''

E no manto venho me agasalhar

Por estas ruas com a gra�a e Deus.

Com o chap�u colocado assim

E muito franzida e justa a cal�a

� lindo passear por Madrid. Luzindo tudo o que Deus lhe deu.

E vai no baile derramando charme. E se � um ''Choti'', diz ele.

E agarra-se com firmeza e tal.

Come�a o movimento como voc� v�.

Foi uma saia de ''percar'' e engomada

E os meus sapatos baixos de ''Charol''

E no manto venho me agasalhar

Por estas ruas com a gra�a e Deus.

-Sua tia vai acabar nos separando. -N�o lhe d� ouvidos.

Que bem ficou em voc� o len�o.

-Como � para voc�, tr�s duros a menos. -Mas Nic�ssio comprou-me uma lan�adeira.

Como pode ter comprado-lhe isto com o que tu vales?

-Luiza, os jurados est�o olhando voc�. -Est�o longe de onde dan�amos.

Pois eu te vejo, onde voc� estiver.

-Veja o destaque que tem Maria! -E como dan�a! Igualzinha a mim.

E nos deixaram sozinhos. E nos aplaudem.

-J� estou vendo. -Nunca haviam me aplaudido.

-E voc� gosta tanto assim? -Muito!

Senhoras e senhores, os jurados v�o anunciar a rainha da beleza.

Foi uma verdadeira responsabilidade porque vieram muitas mo�as bonitas.

Todas filhas da minha alma, todas merecem o pr�mio, mas como ele � �nico...

Este pr�mio tem que ser para uma s�. A de vestido de poar.

-Minha Maria! -Mas, eu?

-Voc� Srta. ganhou o pr�mio! -Viva!

Tinha que ser. Nasceu para rainha. Levar� uma medalha valendo uns 40 duros.

Fa�a-me o favor de aproximar-se, senhorita.

-Aqui tens e em boa hora! -Obrigado!

-Como se chama, Srta.? -Maria. Maria Lujan.

Pois um viva para a rainha Maria Lujan.

Que tamb�m ser� a rainha do teatro.

E por que n�o? Isto � o que pretendo. Que seja a rainha do teatro.

Tenho observado-a estes dias no coral. Canta muito bem e tem boas condi��es.

N�o duvide. Se estou dizendo eu que fui artista e percebo onde existe valor.

Que acha de sairmos os tr�s? Quero falar com Maria sobre um folheto art�stico.

-O que voc� decidir est� bem. -Iremos ao teatro ver alguma cupletista.

-E depois iremos jantar. -Que �timo!

-Isto rejuvenesce-me! Gritavam por mim! -Ah, sim?

-E Maria, n�o cantou nunca um cupl�? -Eu gosto de coisas melhores.

Chamam a isto de g�nero �ntimo. Mas se ganha dinheiro.

E sua qualidade depende da m�sica.

Calma Senhores! Calma por favor! Um pouco de calma!

Respeit�vel p�blico, a Bella Charito n�o voltar� a cantar o mesmo cupl�.

Como � o seu desejo e o de todos. Porque acabam de o proibir, as autoridades.

Calma! Calma senhores, por favor!

Al�m disso aplicaram a esta casa uma multa de cem duros.

N�o joguem, por favor! N�o joguem. Chega!

E agora a Bella Charito que cantar�: Cubra-me.

Est� vendo o ambiente onde se desenvolve o cupl�?

Agora escutar�s a uma artista do g�nero.

Na praia se banhava uma menina angelical

E acariciava-lhe as ondas o seu corpo escultural.

Ao entrar na cabine e tirar sua roupa de banho

Dizia ao seu banheiro com uma voz encantadora

Cubra-me. Cubra-me. Cubra-me. Que estou gelada.

Para mim poder cobrir-te seria a felicidade adorada.

Cubra-me. Cubra-me. Cubra-me.

Que tenho frio. Se tu queres que te cubra, vem aqui carinho meu.

-� isto o que est� buscando? -� o que espera uma artista em ascens�o.

-E que voc� pode ser. -E ser�!

Numa tarde de tempestade, a morena a passear

Sem guarda-chuva se molhava indo caladinha e tal

Um rapaz a paquerou e chegou t�o inoportuno

Que eia disse sim, sem pensar.

Eu a cantaria de outra maneira.

Cubra-me. Cubra-me. Que estou gelada.

Para mim poder cobrir-te seria a felicidade sonhada.

Cubra-me. Cubra-me. Cubra-me. Que tenho frio.

Se tu queres que me cubra, venha aqui carinho meu.

Pense bem.

Eu n�o pretendo que seja a Bella Charito. Cantas muito melhor.

Champanha! Traz-me as melhores recorda��es.

O cupl� est� agora em moda, e necessita de novas figuras.

No cupl� voc� pode ser o que quiser.

Filha, que sorte um empres�rio te oferecer um teatro para estrear!

Mas para tudo isto se necessita vestidos bordados.

-E isto vale dinheiro! -N�o pense em dinheiro!

Voc� pagaria tudo isto como fizestes outras vezes?

-E em troca? -O que voc� quiser!

-Que n�o seja o que voc� est� pensando. -Maria!

Por favor n�o diga nada. Dar-me-ia muita pena saber que n�o pensa como eu.

Seria prefer�vel seguir no coral por toda a vida. E sem champanha.

Isso n�o pode ficar assim !

-J� ver� este imbecil do Don Juan! -Na verdade pensou que eu era uma delas.

-J� deixei o coral e assunto encerrado. -Mas para ela n�o tem desculpas!

-Se eu a encontrar... -Vai respeit�-la como eu.

Mas por que a defende tanto, se nem sequer tem seu sangue.

N�o importa. Criou-me e sacrificou-se por mim. E me quer a seu modo.

N�o concordo. H� carinhos que matam!

Por favor, n�o diga isto, pobre tia. De desgosto est� de cama.

Fez tantas ilus�es de me ver como cupletista famosa.

E quando terminar tudo isto, j� estaremos casados.

-Voc� me ama de verdade? -�s o �nico amor da minha vida!

Maria!

Oh, Maria... Se meu canto de amor � por ti.

-E m�sica n�o te falta! -E com acompanhamento de violino.

-N�o percebeu que � sua can��o? -Nossa can��o! Nunca vou esquecer.

Mandarei que a toquem em nosso casamento.

-Ai que dor! Ai que dor! -Mas onde te d�i? Isto foi um frio!

-Mas se te do�a do outro lado. -Me d�i onde eu tenho vontade!

-E quem tem a culpa de tudo isto? -Vamos! Deixe disso!

Um m�s sem restabelecer-me. Sem poder trabalhar.

E sem que esta trabalhe.

Ai; Senhor! Empenharei as j�ias que sobraram. E sem pagar o aluguel !

Prometeram-me trabalho em um atelier de costura.

S�o os duros que me faltam! V�o nos despejar da casa!

E morrerei, porque n�o poderemos pagar um m�dico.

-E eu, destas dores, n�o entendo. -Eu morrerei!

Cale-se agora! Eu vou buscar dinheiro!

Mas onde, desgra�ada, se despediram-te do teatro.

Se n�o queres ser cupletista, que � como ganharia dinheiro aos montes.

Chega, tia! Vou conseguir dinheiro sem necessidade de nada disto!

Enfim! EIa acreditou!

J� n�o ag�entava mais fingir-me de doente. E tudo pelo seu bem.

-Que mulheres boazinhas! -E voc� que o diga, MichaeIa!

E se ficasse na cama, ia terminar doente de verdade. Me d�i todo o corpo.

-Trouxe algo, n�o? -Aqui est�!

Passo uma fome e a pobre Maria tamb�m!

Mas � melhor que eu fa�a este drama agora

que eia passe com o pobret�o deste C�ndido depois!

No baile da Sandunga, foi dan�ar romanole

E l� disse ao sapateiro que lhe conserte os tamancos

Ai Sandunga! Sandunga de amor eu morro.

Se n�o me d�s teu carinho, assim mesmo eu te quero.

Venham senhores. tenham a cole��o completa. Para os solteiros! Para os solteiros!

Maria?

-N�o ag�ento mais. Se tu soubesses... -Diz-me ent�o.

Minha tia est� deixando-me a vida imposs�vel.

Necessito cem duros de qualquer modo. Sen�o terei que voltar ao teatro.

-Isto, nunca! -Ajude-me C�ndido!

Mas eu n�o tenho mais que alguns duros.

-Aqui tem dinheiro para os pagamentos. -Que est� pensando em fazer?

-Precisas do dinheiro? -Mas n�o a este pre�o.

-Ele n�o est�. At� voltar tento devolver. -E se n�o puder?

-� prefer�vel que eu roube do que voc�. -Leve-o.

-Obrigado, C�ndido! - Mas n�o chores. At� amanh�.

Sim. At� amanh� �s sete.

-Boa noite, Dom Tom�s! -Ah, � voc�!

Ah ! � voc�...

-Pensei que estivesse viajando. -Voltei � noite.

Desculpe-me, � que estou esperando C�ndido.

Pois pode esperar sentada. Vai passar um tempo na cadeia.

-Na cadeia? -Me roubou.

N�o, Dom Tom�s. N�o lhe roubou. Pensava em devolver-lhe, fez por mim.

-Tem que tirar-lhe da cadeia. -Ent�o, vai devolver o dinheiro?

-Minha tia gastou todo. -Sinto muito. Para mim custa ganh�-lo.

-N�o sou mo�a bonita que me presenteiam. -N�o � o meu caso. Eu trabalho.

Eu sei. No teatro. A� poder� encontrar um mais rico que este bobo do C�ndido.

Se eu trouxer o dinheiro, poder� colocar-lhe em liberdade?

-Se for antes de que ele seja julgado. -Eu lhe trarei!

-J�. J� entendi tudo. -Me salvar�!

Darei os cem duros a ele e farei que retire a den�ncia.

-Ficou feliz? -Sim, muito. �s bom. Nunca esquecerei.

Invejo a este rapaz que fez-lhe dar esse passo. Deves am�-lo muito, n�o?

-Desculpe-me. N�o te sintas obrigada. -Sim. Tenho que pagar-lhe esta d�vida.

E como? Eu n�o cobro os favores a voc�...

Pense em voc� e na sua carreira.

Estes duros e muitos outros cem podes conseguir sem renunciar a nada.

Creio sinceramente que vale a pena. Podes ser uma grande artista.

De g�nero �ntimo.

N�o h� g�nero pequeno, quando a artista � grande!

Bom. Cantarei cupl�s. Serei a Bella Maria.

N�o. N�o. N�o. O apelido Bella pertenceu a uma �poca que j� acabou.

Ser�s Maria Lujan! Sem sobrenomes.

Maria Lujan. N�o soa mal. O mesmo que Belgrano ou Elon.

Talvez o cupl� condense ambos. Os dois estilos.

Amanh� come�ar� a ensaiar.

Me paquerava um rapaz e eu lhe disse que n�o.

Que o homem que n�o � valente para que eu lhe quero

Oh Balan�o! Balan�o! Balan�o da neve pura.

Canto esta linda can��o com muit�ssima do�ura.

Por brincarem as artistas

Decidiram meus pais a n�o me perderem de vista.

Oh Balan�o! Balan�o! Balan�o da neve pura.

Canto esta linda can��o com muit�ssima do�ura.

Muito bem! Agora est� muito melhor. -Que excelente fizestes!

-Isto n�o pode ser! -Deixe-me. Deixe-me passar.

-Don Juan, quando vou ensaiar? -Agora mesmo!

-O que est� acontecendo? -Quero ver a Maria Lujan.

-Como?Ah, tu �s o... -N�o. �s ....

-Est� ensaiando, espere que termine. -D.Tom�s disse que o pagou um fulano.

-Eu sou o fulano. -Voc�?

-Calma! N�o � o que est� pensando. -Ah, n�o?

N�o. Maria � uma grande mo�a e n�o tem porque envergonhar-se.

Vai me dizer que deu o dinheiro s� por...

Por complac�ncia. E porque eia merece.

Sou empres�rio. Necessito estrelas e n�o tenho d�vidas que descobri uma.

Vim pedir-lhe que case comigo.

E se voc� pedir certamente renunciar� a tudo por voc�.

-Mas voc� n�o deveria. -Voc� e a tia dela a envenenaram.

N�o. Ela sente bater algo.

Mais cedo ou mais tarde teria despertado nela sua ambi��o art�stica.

Me amava! E voc� sabe disso. Me amava!

N�o � mulher para voc�. Nem para mim.

� para todos que escutam seus cupl�s. -N�o sei o que voc� quer.

Nem talvez ela saiba.

Mas para as mulheres como Maria, o amor � a arte e o amado s� uma aventura.

Vamos rapaz, entenda. Ela tem outro caminho, que � diferente do seu.

E ao seu lado n�o daria certo.

� que eu a amo. Entenda. Eu a amo.

Ama-se muitas vezes na vida. Esquecer�. Talvez encontre algo melhor para voc�.

Nem todo mundo serve para marido de uma estrela.

''Voc� ser� uma grande artista e eu n�o passarei de um relojoeiro''.

''Te mando os cem duros que te emprestaram. Desta vez n�o s�o roubados''.

''Me deram por ocupar o lugar de um soldado que ia � �frica''.

-O que est� acontecendo? -� que perdi.

A quem? Ah, melhor para os dois.

-E este dinheiro? -Ele me devolveu.

Ainda bem que teve esta iniciativa.

N�o. Este dinheiro � para Don Juan. � o que deseja C�ndido.

Mas, sua boba, uma cupletista como voc�, ter� muitos C�ndidos no mundo.

-Por favor, deixe-me agora, tia.

Agora � quando eu n�o devo te deixar! A juventude passa r�pido.

E nenhum homem reconhece o sacrif�cio de uma mulher.

Mas o que � isto? Ainda sem vestir-se?

N�o � nada. � que n�s mulheres somos t�o loucas que preferimos ser...

-Contigo vivo at� a p�o e cebola. -De verdade?

Pois tamb�m n�o � nada mal ter carro e colares.

E isto tudo pode te dar o p�blico que est� esperando que apare�a.

-N�o. N�o posso. -Sim. Pode.

Voc� � capaz de mudar uma can��o, Maria. Alma !

N�o posso mais.

Senhoras e senhores. Agora vamos apresentar a voc�s uma nova artista...

... Maria Lujan que cantar� "Ven y ven"

Com quatro velas me vejo. Por que ? Vais morrer ?

Jesus, s�o quatro velas que vou acender para Santa Cecilia se a garota se sair bem.

Acabo de acariciar-te.

N�o perco a esperan�a.

Com o tempo e um ganchinho

Minha vida, at� as verdes se alcan�a.

Vem e vem e vem

Menino, vem ficar comigo

N�o te quero para brigar, minha vida.

J� sabes para que eu te digo

For�a, filha! Muita for�a!

Porque canto o Vem e vem.

Sei que tem muitas esposas.

Para que seus maridos, minha vida, em casa, chamem-as de ''chosas'

Vem e vem e vem!

Menino vem ficar comigo. N�o te quero para brigar, minha vida.

J� sabes para que digo.

Vem e vem e vem! Menino vem ficar comigo.

-Como foi? -Filha, quantos aplausos ganhastes!

Vamos, Maria saia agora! � seu primeiro sucesso.

Quanto dinheiro vamos ganhar!

Cravos....

Aqui lhe ofere�o cravos!

Cravos ! Para os ''Churumbeles''.

Cravos! Que n�o estou com os olhos fechados.

Que os trago no cesto a pre�o modesto.

Cravos! Da terra adorada!

Cravos! Que vem de Granada.

Cravos! Que trago aqui para ti.

E que tem a ess�ncia, a presente pot�ncia.

Cravos !

Que eu trago comigo

Ao namorado. Para roubar cora��es. E ol�!

E ensinar-lhe a ess�ncia, a presente pot�ncia.

Se tu me queres meu menino carinho

eu te darei um cravo bonito.

E ver�s que se seguirmos estaremos juntinhos em algum cantinho.

E se tu me queres serrano de alma, eu te quero mais a ti que a mim.

Se todos os cravos bonitos ou todos ser�o para ti.

Todos s�o para ti. Para ti. Para ti. Para ti.

Para uma plat�ia seleta, charmosa e elegante, vou cantar ''La Madelon''

-Alteza? -Fa�a-me chegar isto a Madame Lujan.

E consiga um encontro com ela para esta noite.

�s suas ordens, Alteza! Ser� um prazer.

J� est� pronta? Vamos depressa! -Juan, os rapazes j� est�o prontos, n�o?

-Sim. Fique tranq�ila. Est� tudo pronto. -Vamos, depressa!

-Ai, filha que sufoco! -Fique quieta!

-Foi uma �tima id�ia cantar La MadeIon. -Ai, o que voc� n�o souber

� uma grande mulher! Poderia ser meu grande amor.

-Meu grande amor por esta noite! -Ah, isto j� � outra coisa.

Para o repouso e o prazer do militar

Ele est� l� a dois passos da floresta

Uma casa de muros cobertos de hera

''Aux Tourlourois'' � o nome do cabar�

A gar�onete � nova e gentil

Leve como uma borboleta

Como seu vinho, seu olho brilhante

N�s a chamamos Madelon

N�s sonhamos com ela � noite e pensamos nela durante o dia.

N�o � mais que Madelon, mas para n�s � o amor.

Quando Madelon vem nos servir bebidas

Sob o tonel encontramos sua saia

E cada um conta uma est�ria

Uma est�ria � sua maneira

Madelon, para n�s, n�o � severa

Quando n�s a tomamos pela cintura ou pelo queixo

Ela ri. � todo o mal que ela sabe fazer.

Madelon, Madelon, Madelon

Quando Madelon vem nos servir bebidas

Sob o tonel encontramos sua saia.

E cada um conta uma est�ria

Uma est�ria � sua maneira

Madelon, para n�s, n�o � severa

Quando n�s a tomamos pela cintura ou pelo queixo

Ela ri. � todo o mal que ela sabe fazer.

Madelon, Madelon, Madelon

Bravo !

-Estavas maravilhosa, Maria ! -Um sucesso !

-Gostaram mesmo? -Fizestes mais que os ex�rcitos alem�es.

-Conquistastes o pa�s! -�s a rainha do teatro!

-Era apenas uma mo�a do coral, lembra? -Claro. Eu lhe disse.

Por outro lado, de mim, ningu�m disse nada. Tinham raz�o. Gra�as a voc�...

Precisava de uma amiga ao meu lado e ningu�m melhor que voc�, sua boba.

-Venha. Vamos nos vestir! -Que encantadora! � �nica!

Filha, que bombons! Come-se sem se sentir. E quantos!

Deixa eu ver quem mandou. Quem est� mandando?

O Visconde de Veaurenti.

O Visconde de Veaurenti.

Est�s propondo-me aprender franc�s? Francamente. Eu n�o dou mais para isto.

Voc� sempre ser� a mesma. Agora, se esfor�a-se, poder� falar em franc�s.

Isto n�o. J� tenho empenhado-me bastante nesta vida.

Que colar! Quem haver� dado?

Foi presente do meu empres�rio! Quarenta p�rolas iguais.

-Duas por cada ano de vida. -Pena que sejam t�o poucos anos.

Vinte anos.

Sua boba, nunca se deve dizer a verdade.

Entre !

Minha vida. Encantadora. A grande sensa��o espanhola.

Sr. Dupois...

Est� contente meu grande empres�rio de Paris?

Com certeza. �s a sensa��o do ano e ganhastes a admira��o de todos.

-Aqui tenho uma prova disto! -O que � isto?

Um presente do Gr�o Duque!

Os ''Bocheriques'' n�o s�o conhecidos ? Por favor.

Deixa eu ver! Deixa eu ver! Minha nossa que brilhante!

Nunca vi nada t�o grande na vida!

O Duque pede-Ihe que o aceite e roga-lhe que jante com ele esta noite.

Eu sinto muito, mas n�o posso aceitar.

Trata-se somente de um encontro para que possa ver-lhe de novo.

-Para isto pode ver-me no teatro. -Voc� me deixou numa situa��o..

-Que vou dizer ao Duque? -Isto acontece por fazer certos papel�es!

Certo, Madame. Desculpe-me!

Fizeste muito bem, Maria! Foi seu maior �xito desta noite.

-Era o que querias, n�o? -O que se perde por ser decente...

V� terminar de se trocar, porque quando chegarmos ao teatro

...a Choli j� terminou de dan�ar.

-Eu ainda gosto mais que antes. -Depois do desprezo que lhe fez?

Mais precisamente por isto.

Ainda n�o terminou o show!

-Quer dan�ar comigo? -Sim.

Maria!

-�s feliz? -Muito!

-Queria acreditar. -Acredite. Tens cuidado tanto de mim.

-E ensinado-me o valor de tantas coisas. -Maria!

O sucesso desta noite devo a voc�. Sou sua cria��o.

N�o. �s o que eu queria que voc� fosse.

Permite-me?

Desculpe-me, Sr., mas esta dama s� dan�a comigo.

-Eu gostei desta dama. -E eu tamb�m.

Por favor, Alteza.

-Vamos! -� Maria Lujan!

Que aconteceu? Que lhe aconteceu?

-Nada. -Est�s nervosa?

-Maria... O p�blico te viu, quer que cante. -Mas, agora?

-Sim, mulher. Agora! -Mas o que vou cantar?

A orquestra tem a partitura. Vou avisar-lhes.

�nimo, Maria!

Anda, v� !

Cante, Maria!

Senhoras e Senhores, um momento, por favor.

Maria Lujan vai presentear-lhes cantando.

Uma can��o bem espanhola.

Uns olhos ardentes oferecendo amor. Oferecendo amor.

A pele adornada com muitas flores.

Sou de Sevilla! Sou de Sevilla!

E me chamam Carmen, a cigana.

Tenho o cora��o cigano.

Tenho a alma viajante.

E levo o meu bom sangue de Carmen, a vendedora de cigarros.

Est� demais!

� a Mary Fox das mulheres.

Com o caminho! Com o caminho!

Eu estou louca, perdida. Por um rapaz...

Por um rapaz, um gal�, que se n�o matou touros, era toureiro.

Tenho o cora��o cigano.

Tenho a alma viajante.

E levo o meu bom sangue de Carmen

A vendedora de cigarros.

Ai meu Deus!

-Como ele est�, Doutor? -Espero que se salve. O perigo j� passou.

Obrigada.

-Juan! -Como me faz bem ver este rosto!

-Fostes por mim! -N�o � culpa sua.

-Podia ter morrido enquanto ele... -Ele n�o tem a sorte que eu tenho.

-Est�s aqui! -E estarei todos os dias.

Todos. At� que viaje para a Am�rica.

-Quem est� pensando nisto? -Eu.

-Eu que n�o poderei te acompanhar. -N�o. N�o irei sem voc�.

Ir�s. Se fostes capaz de por teu sucesso deixar teu primeiro amor.

-Por que n�o vai me deixar? -Juan, n�o diga isto. � o destino.

-Pensas que n�o te quero? -E por que n�o ia me querer?

Apresentei-lhe o p�blico e tenho te acompanhado sempre.

Existem outras coisas na vida, Maria.

Agora eu j� sei. Teu amor por mim � verdadeiro. Teus sacrif�cios...

N�o fiz sacrif�cios. Mesmo assim, como est� n�o podemos seguir.

-Quero estar ao seu lado. -Para que? Para seguir pelo mundo?

N�o, Juan. Tudo ser� diferente. Eu prometo. Quero estar contigo.

Pense bem, Maria. Para que n�o se arrependa.

N�o. N�o me arrependerei.

Muito bem. Muito bem.

O que queria morrer pode ver que n�o � Maria a �nica visita que tem.

-Como est� Juan? -Como uma rosa, n�o est� vendo?

Por um deste, agora est�o se dando bem os homens.

Por um milagre estou neste mundo.

Isto n�o. Est�s neste mundo porque no mundo tem que haver de tudo.

-Como est�s? Obrigado pelas flores. -Como poderia deixar de lhe ver?

Olhe! Daqui se v� a primavera no pa�s.

Quando estiver melhor, ningu�m vai nos impedir de um passeio pelo bosque.

�pa! Mas dentro de um m�s estaremos em Nova York.

Ser� preciso deixar para o final da turn� at� que Juan possa acompanhar-me.

Est�s louca!

Louca estaria se fizesse. Iremos � Am�rica.

-Mas, juntos. -Obrigado.

Sempre juntos.

''Grandes Sucessos da cantora espanhola Maria Lujan, pela primeira vez em N.Y.''

Val�ncia!

Val�ncia, �s a terra das flores, da luz e do amor.

Val�ncia tuas mulheres todas t�m da rosa a cor

Val�ncia, ao sentir como perfume, de tuas hortas, o azahar

Queria na terra valenciana meus amores encontrar

A barraca branca, a flor de laranjeira

A horta sortida de amendoeiras em flor

O Turia de prata, o c�u turquesa,

o sol valenciano v�o dizendo amor.

Amores, em Val�ncia s�o floridos como ramos de azahar.

Somente em Val�ncia as mulheres com a alma sabem dar.

Paix�es em terra valenciana s�o entregas de cora��o

Suas f�meas p�em alma e p�em vida em seus beijos de paix�o

A barraca branca, a flor de laranjeira

A horta sortida de amendoeiras em flor

O Turia prata, o c�u turquesa

o sol valenciano v�o dizendo amor

Amores em Val�ncia s�o floridos como ramos de azahar

Somente em Val�ncia as mulheres com a alma sabem dar.

Paix�es em terra valenciana s�o entregas de cora��o

Suas f�meas p�em alma e p�em vida em seus beijos de paix�o.

Espero que n�o tenhas cedido o namorado...

-Espero que se comporte ou vai passear. -E eu pedi para que n�o fale.

E que adianta se ainda me tens aqui.

� que somos os mestres do futuro.

Viva a ''Chata''! Viva a Infanta!

-Mas que simpatic�ssima � a ''Chata''. -Por isso nunca deixam de vir as pessoas.

E como n�o v�o vir? Ai, Madrid da minha alma, quanto tempo separada de ti.

Pois agora n�o nos moveremos por uma boa temporada.

Escute!

Canta ''La Chulapona''.

-Vou at� l�. -Vou ver o que nos reserva o destino.

Ai vida, se voc� me quisesse!

-Maria, queres conhecer teu futuro? -Sim, leia-o.

Fama, sorte e aos trinta anos um grande amor.

Sim. Deve estar por chegar.

Bom. E por que n�o fostes l�? N�o se fa�a de dif�cil. Esta � muito para voc�.

Um dia, em um destes touros se vai ler: ''Matou-o Pepe Molina''.

Este dia vai ser o mesmo em que eu ponha um letreiro dizendo:

-Trine, Robert e Mantel. -Pois ainda que duvide, serei toureiro.

Com este touro? Tenha cuidado. Pense!

Algum dia tem que ser. J� n�o ag�ento mais.

D�-me a capa.

Ai, Jesus! Que est� fazendo este rapaz?

Este rapaz sabe tourear!

E al�m disso � muito bom!

-Mas �... -Quem?

Um rapaz que estava � noite na festa. Que far�o com ele?

Cobrar�o uma multa e se n�o pagar, passar� 15 dias na cadeia.

Juan, por que n�o pagas a multa em meu nome para este rapaz?

-Por que? -N�o sei.

Acho que seria uma boa propaganda para mim depois.

N�o acha ?

Como voc� quiser.

Esta � Lujan ?

Sem vergonha !

Fumar � um prazer genial, sensual

Fumando espero ao homem que eu quero

Atr�s dos cristais de alegres vendavais

E enquanto fumo, minha vida n�o consumo

Porque flutuando a fuma�a, sinto-me adormecer

Deitar numa poltrona macia, fumar e amar.

Ver a meu amante sol�cito e galante.

Sentir seus l�bios beijar com beijos s�bios

E em devaneios sentir com mais desejo.

Quando a seus olhos vejo sedentos de prazer.

Por isto estando meu bem

� meu fumar um �den.

-Que desejas? -Por favor, a Srta. Lujan?

Espere.

Agora n�o pode receb�-Io, est� ensaiando.

-E podia v�-Ia quando termine? -Espere um momento.

� o toureiro que pagaste a multa. Que lhe digo?

-Que aconteceu? -A quem pagaste esta multa?

Por favor.

Maestro n�o vou mais ensaiar a segunda partitura.

Aproxime-se!

-Luiza disse que queria falar comigo. -Queria agradecer. Se n�o fosse voc�...

Este rapaz quer ser toureiro.

-J� toureou muito? -Em alguns povoados.

Mas demora muito para que um seja reconhecido e o tempo passa.

-J� tenho dezenove anos. -Dezenove anos?

-E � muita idade? -Para um toureiro ainda desconhecido...

Ser� conhecido. Voc� parece valente. E o que fizeste n�o me parece nada mal.

-O que est� mal � ter parado o ensaio. -Desculpe-me.

E como voc� canta bem. J� haviam me dito.

-Mas nunca tinha me ouvido? -Penso ouvi-la de qualquer maneira.

N�o gaste dinheiro. Pode ouvir-me agora.

Maestro, vamos ensaiar: ''Seus olhos travessos''.

Sente-se.

Vi voc� na rua, passou junto a mim, me disse uns versos

N�o foi do meu agrado.

N�o quis lhe olhar.

N�o quis lhe parar.

Ele me disse: Vida se voc� me quisesse igual que na gl�ria talvez que vivesse.

E eu envergonhada. Fiquei orgulhosa.

Por Deus, olhe-me. Olhe-me pouco a pouco, por favor.

Que quero saber se � verdade que tu me queres como eu.

Repete que sim. Que n�o queres a nenhuma mais que a mim.

E se dizes tu que sim, ent�o ver�s, se te quero de verdade.

Tu n�o me queres de verdade! Algo est� acontecendo.

-Nada. Que pode est� acontecendo? -H� alguns meses j� n�o �s o mesmo.

-Estou preocupado com os touros. -Que querem tomar?

-Um coquetel pequeno. -Cevada com lim�o.

-Assim fico mais perto do gado. -Que engra�ado.

-Tens alguma corrida? -Estou procurando.

-E para isto tens que te arrumar tanto? -Tenho que ter boa apar�ncia.

-Para outra mulher. Para mim n�o �. -Se estou aqui.

-Onde ias ontem, t�o arrumado? -Ontem?

Minhas amigas te viram.

Fui encontrar com meu procurador para saber se tinha algo para mim.

Tem algo em voc� que eu n�o estou gostando. Est�s diferente, e voc� sabe.

-E as vezes percebo algum perfume. -Chega! N�o h� nenhum perfume.

-Por que est�s olhando? -Quero saber o que guardas aqui.

-Olhe o que quiser. -Meu cora��o me diz que aqui tem algo.

Por que guardas este cravo? Quem te deu?

Se tu me queres meu menino carinho eu te darei um cravo bonito.

E ver�s que se seguirmos, estaremos juntinhos em algum cantinho.

Se tu me queres serrano de alma eu te quero mais a ti que a mim.

Se todos os cravos bonitos ou todos ser�o para ti.

Todos s�o para ti. Para ti. Para ti. Para ti.

-Cada dia a Lujan est� mais bonita. -Sim?

-Onde est� indo? -Ao camarim de Maria Lujan.

-N�o pode passar. -Eu, sim.

-E lhe digo que n�o. -E eu lhe digo que sim.

Voc� n�o sabe? � o protegido da mulher.

-N�o quero ser o que pensam que sou. -O que importa o que pensam?

Se voc� e eu sabemos que n�o � verdade. O importante � querer-nos.

N�o posso seguir assim. Eu n�o tenho dinheiro.

Mas eu te quero. Te quero como �s.

E se for preciso n�o � ofensa oferecer � pessoa amada ajuda.

N�o, Maria! H� um nome para isto e n�o quero que me digas.

-Pepe? -Teremos que nos separar.

-N�o. N�o diga isto! -Tenho que ser toureiro.

-Est�s louco. Podes morrer. -Mas se vencer voltarei. Entenda. Eu juro.

N�o te deixarei ir. Estas touradas horr�veis! De povoado em povoado!

Algum dia tourearei em casa.

Est� bem, se seu desejo � tourear. Tourear�s.

Uma vez me ajudaram a vencer. Agora sou eu quem te ajudo.

De verdade, serias capaz? N�o te assustar�s ver-me na arena?

-Mais me assustaria perder-te. -E eu te amarei sempre.

-Sempre? -Te juro.

Uma vez me jurastes que estar�amos sempre juntos.

Mas se n�o aconteceu nada.

-E vais me enganar? -Entenda, Juan. � jovem e quer vencer.

Tu me disseste que tinha condi��es.

Se n�o tem ajuda, pouco a pouco vai perdendo as esperan�as.

E n�o te d� pena?

H� alguns anos me pediste que ajudasse a um rapaz ainda principiante.

-Hoje! Hoje me d� pena! -Juan!

Pensas que eu ainda n�o percebi que est�s apaixonada por ele?

E se estiver certo?

Ent�o tenho direito de perguntar por que voc� esqueceu as promessas?

-Quando? Por compaix�o? Merecia? -Sempre fui sincera contigo.

Quando te conheci estava apaixonada por outro.

Logo tentei te amar.

Eu n�o tenho culpa se agora sei que ainda posso me apaixonar.

Por um rapaz.

J� descobristes se est� apaixonada por ele ou por sua juventude?

N�o te enganar�s vivendo com ele, porque a tua j� come�a a passar?

-Pode-se voltar a viver. -N�o, Maria.

J� � tarde.

Juan, vives entre artistas, mas n�o podes sentir como eles.

Somos como uma chama que precisa ser alimentada para que n�o se apague.

E agora quando comecei a temer

que o brilho de Maria Lujan estivesse se apagando

Chega a mim esta ilus�o para dizer-me

Se est�s come�ando outra vez, se ainda tens muito carinho...

Tudo o que voc� desejava.

N�o, Juan. Eu n�o sou a �nica mulher

que pode te fazer feliz. E voc� merece ser.

Perdoe-me se fui t�o sincera contigo.

Talvez seja voc� a que tenha que perdoar.

-Por haver acreditado neste seu engano. -N�o. N�o � engano.

Farei com que o rapaz seja toureiro.

Eu sou o melhor toureiro. Nascido em Andaluzia.

Com minha arte e meu saleiro, o esp�rito cheio de alegria.

A prava bate na gente, cumprimenta com um passeio

� algo que n�o se sente e ainda que se sinta te faz gostar. Ol�! Ol�!

Cruz de Maio

Sevillana!

Cruz de Maio na minha p�tria tenho que ver

Cruz de Maio da minha p�tria onde nasci

Sabe Deus quando na vida voltarei a te ver.

Cruz de Maio ,Sevillana da minha p�tria onde nasci

Te jogarei muitas flores se voc� me quiser

O mocinho parou frente a cancela

Contemplando a linda festa cigana.

Perguntou a minha m�e: � da sua av� a melhor Cruz de Maio que existe?

Derramou na bacia o quanto tinha. E no p�tio meio se decidiu.

E ainda que fosse tudo olhos, me sorria.

Se fixaram seus olhos somente nos meus.

Estrela Dalva deixe-me dan�ar ou deixe-me juntar rosas

E na escura noite quem podia te roubar os encantos.

Cruz de Maio Sevillana!

Cruz de Maio da terra onde nasci.

Jogarei flores

Se consigo seu querer.

Cruz de Maio Sevillana!

-E agora vai vencer aqui em Madrid. -Com certeza.

-Como o melhor toureiro. -� o herdeiro dos eleitos.

-E o conquistador das mais lindas. -Isto j� � outra coisa.

E como � outra coisa? Est�o te escutando todos.

-E eia, n�o? -E como deixou louca a Lujan, Senhora !

-Por causa dela? Quem pensa que �? -Ou�a!

O que foi?

Trine, perdoe a meu amigo!

Este rapaz, ser� capaz?

Tri, o que est� acontecendo desde que voltei de Sevilla est� fugindo?

-Se voc� n�o for desta casa, irei eu. -Que bobagem est� dizendo!

Mas ser� voc� o que vai, porque esta casa e n�s somos pouco para ti.

N�o diga isto!

J� �s Pepe Molina! J� tens o que queria: nome, dinheiro e mulher.

Sim. Mulher! Uma mulher que n�o sou eu.

-E eu sempre te quis, nunca tive outro. -Trine!

Te amo com toda minha alma e por isto calei-me ao que pensava ser um capricho.

Mas eu vi que n�o. Todo mundo sabe que tu �s o namorado da Lujan.

N�o chores mais. Se eu te quero... Ou pensas que posso ter te esquecido?

� eia que est� louca por mim. Mas eu a deixarei para casar-me contigo.

-Pepe, � verdade? -Claro, pequena, n�o chore mais!

J� enganou de novo a Trine. Sem vergonha!

-E por que te incomodas? -Por Trine. Vi nascer nesta casa.

E me incomodo tamb�m por Maria, a sobrinha de minha amiga Paca.

E isto... isto tem que acabar!

-Obrigado por avisar-me! -Imaginei que gostaria de saber.

Nem Trine, nem Maria merecem que este rapazinho bonito as engane.

-E com tudo que fez por ele. -E ele est� outra vez com a Trine.

Eu n�o queria que fosse um capricho. Mas ela tem que saber. Est� louca por ele.

J� sei que est�s declarando que por teu querer estou meio louca.

J� sei que dissestes as pessoas que me havia deixado para ir-se com outra.

Que pouco te lembras das vezes que ia rogando pedir que eu te quisesse.

Que pouco fizestes! Fazes bem como coisa de homem.

E tu n�o �s isto.

E n�o � que me importe.

Por haver te querido, assim como esmolas se d� a um pobre.

E voc� um pobre foi.

Podes acreditar que te quis mais do que merecias.

Podes seguir enganando que eu te juro que n�o vou atrapalhar.

O que sim te pe�o � que digas que estou muito feliz por n�o falar contigo.

Mas somente cala-te. N�o �s homem nem mesmo para isto.

J� sabes o que falas.

E n�o � que me importe.

Por haver te querido, assim como esmolas se d� a um pobre.

E voc� um pobre foi.

-Maria, o que est� acontecendo? -Nada. � a emo��o do cupl�.

-Que foi isto? -Uma decep��o com Pepe.

-Por ele deixou Juan, um homem bom! -Srta. Choli?

-Diga! -Seu n�mero!

-Maria, tens que me escutar! -N�o temos o que falar! Vamos, Lorenzo!

-Mas o que est� acontecendo? -N�o fazes id�ia, n�o � verdade?

-Eu s� sei que te amo! -Mas sai com outra!

Fiz por Trine, fiquei com pena! Namor�vamos desde crian�a.

Mas voc� a ama!

A voc� amo mais. Tu me fizeste o que sou hoje. �s tudo!

N�o est� enganado?

N�o. N�s nos casaremos. N�o poderia viver sem ti.

-Te amo! -At� quando?

-At� a morte! -Isto tem m�sica!

Eu sei, meu amor. E para que n�o cante o cantado, eu gosto deste estribilho.

-De verdade? -Eu juro!

Juro amor a um homem sem medo da morte.

Teus negros olhos que em minha alma penetraram.

-Temos pressa? -Ainda tem tempo, n�o chegar�s tarde.

N�o quero perder o passeio. Com que ilus�es o far�?

-� sua apresenta��o em Madrid. -Enfim vai v�-lo tourear.

Me pediu tantas vezes. Eu n�o gosto, mas o que vou fazer.

-Que disse? -Que a Trine necessita v�-la.

Verei se pode receb�-la.

-Vai colocar algo mais? -Sim, isto!

-Maria, est� a�! -Quem?

A mo�a que sai com Pepe. Quer te ver. Que digo?

-Por que dissestes isto? -Era melhor assim.

Entre!

-Que queres? -Sabes quem eu sou, n�o � verdade?

-�s Trine e trabalhas em um atelier! -Ent�o j� imaginas para que venho!

-Queres que eu deixe Pepe, n�o? -Isto!

-Ele te pediu isto? -Ele n�o tem coragem!

Est�s enganada.

Um homem como ele quer vencer e ainda que � custa de ren�ncias, segue adiante.

Ele me amou sempre, mas voc� entrou no caminho dele!

-Ou ele entrou no meu. -Quando ele voltou, me roubaste de novo.

Ele me pediu perd�o e eu perdoei, igual que voc�. O que h� de errado?

Enfeiti�ou-o pelas touradas. Eu o fazia tirar da cabe�a e voc�...

Em vez de cortar as asas, lhe dei ar para voar.

Para que estivesse longe de mim e n�o sentisse prazer com os de sua classe.

� que nunca estivestes apaixonada por algu�m do seu n�vel.

Uma vez. E o perdi. N�o sei se foi para outra.

Mas fomos covardes, os dois.

-Por isto agora quero defender este. -Mas este � meu.

Voc� n�o o ama, como eu. Para voc� � um capricho, uma aventura.

Todos os amores come�am como um capricho e tomara terminem como aventura.

-Te casarias com ele? -E por que n�o?

-O que entende voc� da vida? -Voc� me ensinou...

Que n�o se pede a uma mulher que deixe seu amor para outra.

-Voc� � m�! -Por n�o me sacrificar? Voc� o faria?

-� que o amo! -E eu mais ainda.

Porque sei que n�o voltarei a amar!

Trine!

Maria, me parece que n�o fizestes bem!

Deixe-me, tia!

-Maria! -Deixe-me. Deixe-me, Luiza!

-Tia! -Sim. O que foi?

-Que aconteceu? -Nada. Vamos � tourada.

N�o te preocupes. O que pode ocorrer com ele, j� est�s vendo.

-Que se fira no ombro. -Deus queira!

E como faz bem!

Est� morto!

Matou-o!

Um dia de S�o Eug�nio indo at� o Prado lhe conheci.

Era o toureiro de mais luxo.

E o de melhor origem de toda Madrid.

Ia de jaqueta, pedindo guerra.

E eu de olhar-lhe estremeci.

E ele ao notar desceu do carro.

E muito elegante veio at� mim.

Tirou a capa com um gesto altivo

E descobrindo-se me disse assim:

Pisa morena, pisa com eleg�ncia

Que um relic�rio, que um relic�rio eu vou fazer

Com o pedacinho da minha capa de toureiro

Que tenhas pisado.

Que tenha pisado t�o lindo p�.

-Mas por que a deixou cantar? -Antes de mais nada, � uma artista.

Numa segunda feira de abril.

Ele toureava e ver-lhe eu fui.

Nunca imaginava

Que naquela tarde de tristeza, pensei morrer.

Ao fazer um passe, caiu na arena

Sentiu-se ferido, olhou para mim

E um relic�rio tirou do peito.

Que eu em seguida reconheci.

Quando o toureiro caiu inerte

Em seu del�rio dizia assim:

Pisa morena, pisa com eleg�ncia.

Que um relic�rio, que um relic�rio, eu vou fazer

Com o pedacinho da minha capa de toureiro

Maria, que est�s sentindo?

Est�s tremendo. Maria, minha filha!

Por enquanto n�o � grave, mas precisa cuidar-se.

Ela se cuidar� !

Doutor, n�o precisa me enganar.

Diga-me: qual � a verdade?

A verdade? N�o deves voltar a cantar.

-Por que? Se emociona muito. -Seu cora��o n�o resistiria tanto.

-Meu cora��o! -Noite passada voc� cantou o Relic�rio...

-Ao relatar a morte do toureiro... -Tamb�m relatava a morte de uma mo�a.

-Filha! Minha pequena! -Vamos Maria, a vida n�o deve acabar.

Talvez n�o. E isto � o pior.

Mas n�o se preocupe, Doutor! N�o voltarei a cantar.

Muito menos tenho vontade.

Viaje. Distraia-se.

Isto farei. Irei � Fran�a.

Tenho algum dinheiro. Mas n�o tanto como as pessoas pensam.

Com certeza o dinheiro durar� mais do que eu.

O dinheiro, como o amor, � dif�cil conservar...

E as j�ias que um dia foram nossas ilus�es,

distanciam-se da gente, como mais uma ilus�o.

Mas j� nada tem import�ncia diante da ang�stia de sobreviver.

E assim, foram anos e anos tentando esquecer at� de mim, sem conseguir.

O passar do tempo que tudo vai nos tirando, me deixou

Duas coisas: a vida e a solid�o.

Pobre, morreu ignorando at� onde tinha chegado.

Por que aconteceu?

1939, a guerra. Tinha que deixar o pa�s.

Para onde ir agora? Para a Espanha. E voltar a cantar.

Depois de tanto tempo sem saberem de mim, ningu�m queria me contratar.

S� aqui encontrei trabalho.

Quem se preocuparia que Maria Lujan cantasse no Paralelo de Backin.

Havia que viver.

Eu ia colocando a arte onde faltava juventude.

Por isto n�o soubeste de mim.

Para que, eu j� n�o existo.

Ser�s sempre Maria Lujan, a que ensinou ao mundo como se canta o cupl�.

-Tens que voltar para o seu lugar. -N�o.

-J� n�o me querem. -N�o. O engano de um, n�o � o de todos.

Surgir�s no teatro em um show homenagem, que te devem.

E em Madrid, onde te consagrastes e te consagrar�s de novo.

-E para que? -Para ensinar aos novatos como se canta.

Feito! Eu me encarrego da imprensa.

-� um acontecimento teatral. -� como estivesse toda Madrid.

Por favor, Maria. Uma entrevista. O que sente nesta sua reapari��o?

O que senti ao cantar o primeiro cupl�.

O artista deve ter sempre a inquieta��o de um debutante.

Que conselho daria voc� a um artista para cantar bem o cupl�?

Al�m de ter um pouquinho de voz, que entregue seu cora��o.

Que nas�a e morra em cada cupl�.

Desculpe-me, Senhores! Maria, vai come�ar!

E agora vai se apresentar diante de voc�s: Maria Lujan.

Com um cupl� inesquec�vel para voc�s e para ela.

Nena (Menina)

Obrigada.

Obrigada.

Entre...

Entre tantas coisas que me faltaram nestes anos de aus�ncia...

Foram estes aplausos.

Queria agradec�-los com as palavras mais lindas, mas...

Eu s� sei cantar!

Bravo !

Bravo !

-� emocionante! Quantos aplausos! -Como devem ser na vida de um artista!

Jurou me amar, um homem sem medo da morte.

Seus negros olhos em minha alma penetraram.

Teu amor � minha sina, teu amor � minha sorte.

Teu amor � minha vida, me disse e jurou.

Chegar, me jurou em seu querer

Muito al�m da dor e do prazer.

E louca frente a linda

Promessa do homem

Eu fui uma mulher.

Menina!

Me dizia, louco de paix�o.

Menina ,

Que minha vida enches de ilus�o.

Deixa que eu ponha

Com encanto

Junto a teus l�bios

a chama divina

Ai! De um beijo!

Um dia em seus olhos a febre brilhava

Aqueles olhos que em minha alma penetrou

E vi que a vida fugaz se escapava

Daquele que em seus beijos a vida me deu.

E louca ao seu lado, corri.

Vive! Vive! Exclamei para mim.

E ele que morria!

Ainda sorria!

Dizendo-me assim:

Menina,

Me dizia, louco de paix�o.

Menina...

Que minha vida enches de ilus�o!

Deixe que eu ponha

Com encanto

Junto a teus l�bios a chama divina

Ai! De um beijo!

De um beijo!

Maria ! Maria !

R�pido! R�pido! Um m�dico! R�pido!

Senhores, Maria Lujan

A grande Maria Lujan..

J� n�o voltar� a sair.

Acaba de cantar...

...seu �ltimo cupl�.

Ressincronia e corre��es Paulo Fonseca

FIM

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