All language subtitles for Confissoes.2023.1080p.WEB-DL.EAC3.DUAL.2.0

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Original subtitles

CONFISSÕES

MINHA É A VINGANÇA E A RECOMPENSA DEUTERONÔMIO 32:35

Bom dia! Angie, querida. Hora de levantar. Vamos.

Bom dia, querida. Vamos.

Desça para tomar café da manhã. Não volte a dormir.

-Bom dia, amor. -Olá.

-Vá ver a Angie. -Como você já está pronta?

Fica acordado até tarde. Veja o Grouchy.

Ele estava no banheiro. Vou trazer Angie.

Bom dia, Paty. Como está?

Bom dia, senhora. Estou bem, e você? O que vai querer?

Só café e suco, obrigada.

-Só isso? -Talvez alguns biscoitos sem glúten.

Como está sua filha?

-A Esther? -Você vai levá-la ao hospital hoje?

Sim, senhora. Tentou marcar consulta desde outubro.

Mas teve que esperar até hoje.

-É assim que as coisas são. -Sim.

E só para avisar, o jantar está pronto.

-Vocês só precisam esquentar. -Certo. Obrigada, Paty.

-Bom dia, Paty. -Bom dia, Doutor.

Bom dia, Juan Pablo. O que vai querer? O suco.

-Certo. -Ovos.

-Ovos e bacon, por favor. -É para já.

-Oi, Paty. -Oi, Angie.

Bom dia, querida. Já trago seu cereal.

Tenho duas cirurgias hoje.

E ficou acordado até tarde. Devia dormir mais.

-Quem mais poderá fazer? -Ei, o celular!

Diga ao médico que trabalha com você para ajudá-lo. Ele pode fazer uma.

-Ele já quer ir embora. -É ele quem sai perdendo.

-Biscoitos. -Obrigada.

Dói um pouco.

Eu fiquei sentida

quando aquele professor me acusou de vender empregos.

Venda-me um.

-Juampa! -Tão engraçado.

Ou me dê de presente. Desde que eu não precise trabalhar.

-Faça um curso. -Vou me contentar com o ensino médio.

-Eu ouvi falar de você. -O quê?

Falta às aulas, desrespeita professores, como no ano passado.

-Isso é verdade? -Não. Quem te falou?

Sua escola é da minha universidade.

Deve ter sido sua amiga, Srta. Paredes. Mentirosa!

-Juan Pablo! -O quê?

-Sua irmã! -Desculpe, poderia matá-la.

Mas tudo bem, ela ouve aquele índio idiota.

-Ovos, Paty. -Sim!

Também temos um problema.

-O quê? -A camisa da sua amiga.

Paty e eu a encontramos nas roupas sujas.

-Jura? -E a lavamos.

Vamos colocá-lo na sua mochila para Juan Pablo não esquecer.

-Que bom que foi antes do Natal. -Sim, senhora.

Eu teria jogado fora, e ela também.

Angie, apresse-se e vista-se. Você também, Juan Pablo.

Guarde na mochila.

De nada.

Vamos, garota, se apresse!

-Já está pronto? -Sim.

Sua irmã vai se atrasar.

Pode me emprestar dinheiro?

-Quando vai me pagar? -Só hoje.

Mas não conte para sua mãe.

-Não vou contar. -Aqui.

-Obrigado. -Mais um pouco.

-Ela já foi? -Estava lá em cima.

Tá. Vamos, ratinha!

-E esse moletom horrível? -Por quê?

Por que usar isso? Vá se trocar.

É um presente do tio Santi. Você não gosta?

Certo. Fique com ele.

-Vamos. -Vamos.

Celular?

Ratinha, sua mãe vai te pegar hoje.

-Está bem. -Vamos.

-Vamos. -Tchau, Paty.

Tchau, Angie!

Vamos.

Doutor, deseja algo mais?

Não, estou bem. Obrigado. Eu estou bem.

-Quando você vai voltar? -Na quinta-feira. Como combinamos.

Você pode vir mais cedo?

Não será possível. Tenho que levar a Esther.

A consulta da sua filha!

Sim, ela está esperando desde outubro, mas só conseguiu para agora.

Vai saber quanto tempo vão demorar!

E depois nos mantêm na sala de espera.

Sim. Esse é o país em que vivemos.

Na verdade, estou preocupada. Ela não está melhorando.

Ela me disse:

"Mãe, você terá que vir comigo,

minha tia tem que cuidar das crianças."

Eu disse a ela: "Claro, não se preocupe. Irei com você.

Você não pode ir sozinha. Está com dor, olhe para você!"

Sim, Paty, mas talvez ainda não conseguiram diagnosticá-la corretamente.

Isso acontece. Aconteceu com você também.

Quando eu te dei seu implante dentário, mas seu dente estava quebrado?

Olha, não se preocupe.

Reúna todas as informações, e te ajudarei a encontrar um especialista.

Neste caso, um traumatologista.

Ainda há a questão do dinheiro, senhor.

A Esther não pode trabalhar. Somos só minha irmã e eu.

Olha, que tal isso? Você volta e eu cuido dos números.

Vou tentar lhe dar um empréstimo.

Para que sua filha vá a um médico particular. Sem juros, claro.

Será para o melhor.

Paty, dependemos de você. Você sabe disso.

Sei.

Confiamos em você. Há quanto tempo está aqui?

Muito tempo.

Certo. Então não se preocupe, vá, e volte quando puder.

Se você puder vir antes, ótimo. Se não, tudo bem.

-Espero não precisar de você! Certo? Sim, senhor.

Precisa de uma carona até o ônibus?

-Sim. -Tudo bem.

Vou pegar meu suéter.

E minha mochila. Espere.

-Pronto. -Tudo certo?

-Sim. -Vamos.

-Obrigada. -Por favor.

-Olá! -Oi!

Tive um dia horrível. Não tem ideia.

-Você está bem? -Estou exausta.

Tive uma reunião do conselho.

Eu não comi ainda. Terminei há meia hora.

Lembra do Acevedo? O cara que trabalhou comigo?

-Cadê a garota? -Qual garota?

A Angie. Era para você buscá-la.

-Não era não. -Eu te pedi.

Pedi para que fosse buscá-la!

Fiz duas cirurgias hoje. Eu te avisei semana passada e hoje.

Não, Ramiro, não me avisou.

-Você me avisou? -Sim.

Na quarta passada e hoje no café.

Agora ela está sozinha na escola, Ramiro.

Deveria ter pedido para o Juampa buscá-la.

Bem, sim.

-Para quem está ligando? -Para ela!

-Não atende. -Vou buscá-la.

Relaxe. Sente-se!

-"Relaxar"? -Vou ligar para a escola.

Ela deve estar saindo da aula de artes.

Boa tarde, é a Sra. Olmos.

Posso falar com a Cynthia, da Administração?

Sim, obrigada.

Oi. Como vai? É a Sara Olmos, mãe da Angie, do quarto ano.

Ela já fez todas as aulas da tarde?

Meu marido não conseguiu buscá-la.

O quê?

O que ela disse?

Tem certeza?

Sim, obrigada. Eu direi a ele.

Não foi às aulas. Ela foi à escola?

O que está dizendo? O Juampa a levou.

Ligarei para ele.

Onde ela está? Vamos pensar.

Não atende também.

Ele está aqui.

-Vamos. -Espero que esteja com ela.

-Juan Pablo, a Angie está com você? -Onde está sua irmã?

-O quê? -Onde está Angie?

-Você a levou à escola? -Sim.

Ou a outro lugar?

Juan Pablo, sua irmã não chegou à escola.

Você a deixou na escola?

-Eu disse que sim! -Não grite!

Não vamos resolver nada assim.

-A Angie não foi à escola. -Eu a deixei na escola.

-Sério? -Estava bêbado. Claro que tenho!

Você a viu entrar?

-Juampa? -Você a viu entrar?

Não, eu não vi! Deixei-a a um quarteirão de distância.

Ou eu me atrasaria. Ela não é um bebê, sabe?

Cale a boca, caramba!

Não entende? Sua irmã está desaparecida.

-Como pôde? -Já disse que fiz besteira!

-Onde está sua irmã? Onde? -Com uma amiga? Ligue às mães.

Juan Pablo! Ela não estava na escola! Não tem sua idade!

Irei procurá-la!

-Aonde? -Por aí!

Pense!

-Certo. -Diga.

Vamos fazer do seu jeito.

Para quem ligamos?

Boa tarde. Dona Pereda?

Sou Sara Olmos. Mãe de Angie, amiga da Luísa.

Sim, olá.

Queria saber se a Luísa chegou da escola.

Queríamos dizer que encontramos sua camiseta.

A que ela deixou aqui. Ela gosta muito, né?

Certo, não se preocupe.

A Angie a levará para a escola amanhã.

Você também. Tchau.

Por que não contou a ela?

Porque é um absurdo.

Ela me diria se a Angie estivesse lá. Ela teria ligado.

Além disso, não podemos deixar que as pessoas descubram.

-É nisso que está pensando? -Alguém tem que pensar!

-Não faremos nada? -Claro que não!

Vamos ligar para o Acosta. Juan Pablo.

Ele não está nos meus contatos. Não sei como ligar.

Quem é Acosta?

Já te disse. Um paciente que trabalha com o promotor.

Em um posto alto. Disse para contatá-lo se necessário.

-É policial? -Não. Ou é o que ele fala.

Já conversamos disso.

Disse que as primeiras 24 horas são cruciais nos desaparecimentos.

O escritório leva 72 horas por causa de toda a burocracia.

Ligue já.

Não posso atender.

-Não! -Deixe recado...

Caiu na caixa postal.

Não.

Deixem que eu atendo!

Olá. Casa da família Olmos.

-Você é o Ramiro, pai de Angélica? -Sim.

-Sua esposa e seu filho estão? -Sim, estão.

-Há mais alguém? -Não, senhor. Ninguém.

-Este é um telefone fixo? -Sim, senhor.

-Coloque no viva-voz. -Um segundo.

Quem é?

-Pronto. -Todos me ouvem?

Sua esposa? Seu filho?

-Sim. -Sim.

Tudo bem.

Estamos com a Angélica.

De agora em diante, farão o que eu digo e nada mais.

Quero ouvir.

Sim, senhor.

Sim.

Juan Pablo?

Sim.

Um de vocês pega a caixa na porta. Avise-me quando pegar.

Aqui está.

Aqui está.

Abra.

Disque o número.

Cadê minha filha?

Senhor, diga-nos o que deseja. Quanto você quer?

Cale-se.

Vou lhes dar três exigências.

Vocês têm câmeras de vigilância. Desativem-nas.

Principalmente as três voltadas para fora.

Estávamos observando vocês.

Dois.

Ligue para quem sabe que a menina não foi à escola.

Diga a eles que a encontraram e está tudo bem.

E três.

Depois de fazerem tudo isso, acendam as luzes da frente.

Se estiverem ligadas às 20h, receberão mais instruções.

Não ativem o alarme e não chamem a polícia.

-Senhor! -Se fizerem isso, não a verão novamente.

É...

Que horas são?

São 19h20.

Podem estar lá fora.

Esperaram todos nós chegarmos.

Você não os ouviu?

Juampa, venha comigo. Ligue para a escola.

Certo, Juampa, não sei fazer isso.

Cortando o cabo... Não sei.

Aqui, pronto. Apenas corte.

-O que faz? -Veja.

Quem é aquele? Não sei.

Juampa, eles estão nos observando!

Ninguém vai saber.

Estão nos observando, Juan Pablo!

A vida dela está em jogo!

Apenas corte!

Obrigado.

Retire-a e solte!

Faça isso logo!

Pronto. Ligou para a escola?

Sim. Disse que ela ficou doente no caminho,

o Juampa a trouxe para casa e estou no escritório.

Bom.

-Você acendeu a luz? -A luz!

-São 19h59. -Sim.

Dez minutos.

Tudo isso para eu ganhar dez minutos!

Olá?

-Vocês três estão aí? -Sim.

-Sim. -Sim.

Foi um trabalho bem executado.

Quero falar com minha filha.

Falará, se os três continuarem cooperando.

Deixe-nos falar.

Juampa...

Você não define as regras.

Deixe-nos falar!

-Por favor! -Ratinha, está aí?

-Acalme-se. -Por favor.

Se quiserem vê-la, desliguem as luzes da frente.

Sim, senhor!

-Senhor... Olá? -Ligue para ele de volta.

Não marcou o número.

Por que fez isso?

Está feito!

Alguém deve tê-la visto.

-Desculpe. -Está tudo bem.

-Deixe-me... -Por quê?

Sara...

Olá?

Está mais calmo?

-Sim. -Sim,

Senhor, o que quer? Quanto quer?

Não queremos seu dinheiro.

Queremos falar com vocês. Cara a cara.

Por isso que os observamos e estudamos seus hábitos.

Ouça com atenção.

Às 2h, alguém virá e vocês os deixarão entrar.

Responderão às perguntas deles e seguirão suas ordens.

Vocês não podem tocá-lo.

Não o evitem ou preparem armadilhas.

Entendeu, Sara?

Sim.

Vocês três devem estar presentes.

Não entrem em contato com ninguém.

Não tentem ser espertos porque não são.

Às 2h.

Pode deixar.

Aqui.

-Aqui. -Obrigado.

Olá?

Olá, Mariela.

Estou ocupada. Podemos discutir isso amanhã de manhã?

Obrigada. Até.

Trabalho.

É todo dinheiro que tenho. Posso dar meus talões de cheque.

Ou farei uma transferência.

-Não vão aceitar. -Então, dou o meu cartão.

E um caixa eletrônico?

Vou lhes dar a senha.

E se realmente não quiserem dinheiro?

Só estou dizendo que a Paty não está. Que coincidência.

Ela nos avisou há tempos.

Bom, planejar esse tipo de coisa leva tempo.

Hoje conversamos sobre como confiamos nela,

há quanto tempo trabalha aqui.

-Ela nos conhece. -Caso esteja certo, o que fazemos?

Mais tarde...

Agora não podemos fazer nada.

Mas ao pagarmos o resgate, vamos nos vingar.

Sara!

-Sara! -O quê?

Deixe-me.

-Espere. -Deixe-me.

Afaste-se!

-Por favor. -Por favor, senhor.

Onde é a sala de estar?

Por aqui.

-Afaste-se! -Entre.

Quieto. Cale-se.

Tudo bem.

-Por aqui. -Acalme-se.

-Lá. -Sim, senhor.

Sentem-se.

-Acalme-se. -Sentem-se.

Sentem-se.

Sentem-se!

-Sente-se. -Quer alguma coisa?

Água, café?

Não. Sente-se!

Sim.

Seus celulares.

Desliguem e coloquem aqui.

-Está ligado, idiota. Desligue isso! -Desligue isso!

Desligue.

O que você quer? Nós cooperaremos.

Não temos muito dinheiro, mas...

poderíamos transferir dinheiro, ou te dar um cheque.

Dissemos que não queremos dinheiro.

Queremos prova de vida. Só nos deu um telefone!

Claro. O que prefere?

Um dedo, uma orelha? Esquerda ou direita?

-Filho da puta! -Juan Pablo, sente-se, caramba!

Sente-se.

Acalme-se. Por favor. Perdoe-o. Perdoe-o.

-Sente-se. -Sim, sim

Fique aí.

Vocês não podem me tocar.

Não podem me atacar.

A cada hora, alguém ligará para saber como estou.

Se eu não responder ou você me ameaçarem, eles saberão.

E então, esqueçam sua garota.

Se eu ligar e der a ordem, esqueçam dela.

Se às 6h não tivermos chegado a lugar nenhum, esqueçam dela.

-Entendidos? -Sim.

-Sim. -Estamos claros? Nené?

Sim.

Ela está bem, e em um lugar seguro.

Ela não está sendo maltratada. Não precisam se preocupar.

É o trabalho de vocês.

Se as coisas saírem do controle, meu pessoal pode matá-la.

Se as coisas correrem como eu quero,

isso pode mudar.

Meu pessoal me entende.

Não preciso passar códigos para que saibam como as coisas estão.

Se esse garotão aqui fizer algo errado, como bancar o herói,

ou se tentarem algo,

a Angie, sua filha, morrerá.

Entendidos?

-Sim. -Sim.

Sim.

Escutem-me.

Um de vocês tem um segredo.

Um segredo sobre um ato vil.

Um pecado que acha que pode esconder.

Mas não pode.

Agora vamos fingir que sou seu confessor.

Aquele que pecou,

deve nos contar aqui e agora o que fez.

O que é essa má ação?

Se o culpado revelar isso antes das 6h, e se arrepender,

receberá uma punição que eu considerar justa

e darei a ordem para terem sua filha de volta.

Que pecado?

Não sei.

Você me diz.

Ou você.

Ou você.

Nós não fizemos nada.

Parecemos delinquentes para você?

Não fizemos nada.

Estamos longe de ser perfeitos.

Mas não somos diferentes de outra família.

Brigamos, nos xingamos e, às vezes, mentimos.

Claro que não é certo.

Mas ocorre porque somos uma família.

Minha esposa e eu...

somos um casal, fazemos sexo. Temos relações sexuais.

Esses são os tipos de coisas que você quer ouvir?

E o Juampa...

Ele é um adolescente. Faz coisas idiotas, como fumar.

Acabei de descobrir que ele fuma. Acha que isso é errado?

Não sei o que você quer.

Se você sabe de algo, por que você não nos processa?

Ou nos expõe nas redes sociais? Coloca o hashtag ou o que for moda.

Sabe quem deve obedecer?

Sim.

Ei...

Você é tio do Chris?

Você é tio do Chris?

Desta vez você conseguiu!

Ele é tio do meu amigo, que gosta de nos zoar.

Filho da mãe!

-Sente-se, Juan Pablo. -Fique longe.

Sente-se!

Sente-se.

Sente-se, por favor.

Se você não acha que isso é sério, podemos escolher as partes do corpo.

-Não. -Uma ligação será suficiente.

Se acham que estou desperdiçando seu tempo,

irei embora, simples. Vocês ficam aqui, dormem,

e talvez amanhã, por algum milagre, a Angie aparecerá.

Pode acontecer.

Vocês me dizem. Devo ir?

Posso ir.

-Não, vamos terminar isso. -Ramiro!

Sara, por favor.

Isso é pela Angie.

O que você precisa? Eu não entendi.

Bem, comece se apresentando. Diga quem você é,

o que você faz, algo sobre sua vida, para entender por que você fez isso.

É um homem doente. Sabe disso?

Apresente-se. Comece com: "Meu nome é..."

Meu nome é José Ramiro Olmos Hernández. Sou cirurgião-dentista.

Tenho uma carreira extensa. Já fiz muitas pós-graduações e cursos.

Eu me dei bem, não foi fácil, mas eu consegui.

Comecei em um hospital particular.

Agora sou dono do meu negócio.

Quatro dentistas trabalham para mim.

Com a Sara...

formamos uma linda família.

Casei-me com ela há 19 anos.

O Juan Pablo nasceu imediatamente, a Angie, alguns anos depois.

Eu trabalhei duro, mas tenho muita sorte, porque...

eu faço o que eu gosto.

Meus amigos dizem que não sou uma pessoa má, um pouco chato.

Não estou interessado em entreter pessoas.

Quero estar aquí, com minha família.

Não leio muito.

Assisto TV, séries, Facebook. É isso.

E o segredo?

Meu segredo?

É um segredo sobre dinheiro.

Sim. Eu fiz muito extrações desnecessárias.

Para fazer implantes dentários, que custam mais.

Meus pacientes poderiam ter economizado muito.

Não é ético, eu sei.

É uma prática comum, mas isso não é desculpa.

Ganhei algum dinheiro extra, mas não sou milionário.

Desfrutei de prazeres,

mas a maior parte investi nesta casa, e na família.

Eu sinto muito por isso.

Você se arrepende?

Sim, claro. Eu acabei de dizer isso.

O que seria uma punição apropriada?

Uma punição apropriada?

Pedir desculpas aos pacientes.

Devolver o dinheiro deles.

-Dar descontos. -Não.

Não. Não, algo mais prático.

Tem instrumentos odontológicos?

Estão no meu escritório.

Acho que tenho alguns.

-Tire um molar. -O quê?

Já ouviu "Olho por olho, dente por dente"?

"A punição se adequa ao crime"?

Retire um molar.

Aqui. Agora mesmo.

Está bem.

Vou ao meu escritório.

-A Angie. -Não se preocupe.

Isso te excita? Te dar prazer?

Deixe-me ver. Vá em frente.

Querida, pegue o espelho de aumento no banheiro.

-Eu te amo. -Sim, claro.

Não tenho esterilizador.

Sara, sente-se aí.

Segure-o.

Mantenha-o firme.

Para cima.

Não deixe o Juan Pablo ver isso.

Juampa.

Venha aqui.

Aí.

Filho da puta.

Segure firme, está bem?

Assim, não mexa.

Um pouco mais baixo. Não mexa.

Certo.

Sem anestesia.

Como antigamente.

-Estável. -Sim.

Não olhe, Juampa.

Calma, calma.

Vai pagar por isso um dia.

Você vai pagar.

-A Angie. -Calma.

A Angie.

O quê?

A Angie.

-Não era o segredo. -Filho da puta!

-Terão que se esforçar. -Filho da puta!

-O que fizemos? O que você quer? -Para você lembrar o que está em jogo.

Bem na hora.

Sim?

Não.

Mais uma hora. Está tudo bem. Certo.

Vou dar uma pista.

O que aconteceu, aconteceu à noite.

Juan Pablo?

Você fez algo que não nos contou?

Você está falando sério?

Está falando sério?

Pai, diga algo.

Não importa o que você fez. Estamos ao seu lado.

Eu não fiz nada.

-É pela sua irmã. -Droga! Eu não fiz nada!

Certo. Sabe o que fazer.

Sente-se.

Meu nome é Juan Pablo.

Juan Pablo Olmos.

Tenho 18 anos. Estudo. Jogo Xbox. O que mais?

Você sabe o que quer estudar?

Não.

Você também quer ser dentista?

Não.

O que mais?

Namorada? Namorado?

Álcool? Drogas?

Sexo?

Você vai à igreja se confessar?

Você se masturba?

Já acabou com suas merdas?

Eu amo minha irmã, certo?

Acham que sou um mau filho, ou não sei que merda.

Não sou uma pessoa má.

Faço coisas às vezes. Tenho que fazer.

Às vezes posso ser um idiota.

Na escola, há pessoas de outro nível social.

Não gosto de ser menos.

Não quero ser visto como covarde.

Alguns estão presos lá.

Queria que me enxergassem diferente.

Então, me tornei um idiota.

Tinha que ser pior, ser mais irritante, xingar.

É isso que faço todos os dias.

Interessante.

Nunca contou a eles, certo?

E como ele se comporta em casa?

Temos uma empregada doméstica.

Secretária do lar.

Seu nome é Paty.

Eu a trato mal. Digo coisas péssimas.

Eu não a odeio. Não acho que seja inferior.

Alguns garotos na escola pensam assim.

Eles odeiam os pobres, os caipiras e indígenas.

Eu não.

Eu não bati nela nem nada. Não sou um monstro.

-Ela não está com você? -Não.

-Isso é vingança dela? -De jeito nenhum.

E ainda não terminamos.

Falta o segredo. Ele aconteceu à noite.

Em qual noite?

No ano passado...

meus amigos e eu saímos de férias para San José del Cabo.

Fomos a uma boate, bebemos.

Usamos metanfetamina e cogumelos mágicos.

Você sabe.

Mãe, aquela mulher te diz tudo o que meus amigos e eu fazemos.

E não só nós, toda a escola faz isso.

A porra da escola inteira.

Fomos a uma boate.

Havia garotas e garotos. Pedimos os dois.

Pedimos um cara para meu amigo Montero, porque...

ele é gay, caso não saibam.

E...

estávamos loucos.

Todos dançando juntos.

E no meio da festa, quando estávamos todos dançando,

meu amigo Monteiro...

começou a beijar...

o cara que levamos.

E...

eu não sei o que aconteceu comigo.

Não sei se foram as drogas.

Mas quando vi o Montero o beijando...

perdi o controle.

Comecei a bater nele repetidamente.

Peguei uma garrafa e quebrei na cabeça dele.

Quebrei uma cadeira nas costas dele, e o derrubei.

Mesmo quando ele estava sangrando no chão, continuei batendo nele.

Até que uns amigos tiveram...

que me arrastar para fora.

Disseram-me que ele estava inconsciente.

Quando vi o sangue em minhas mãos, percebi que...

eu não estava pensando, só senti...

ciúmes.

E inveja.

E isso...

significa que...

sou igual ao Montero...

Tenho o mesmo problema. Eu sou...

Eu sou...

-Você se arrepende? -Sim.

Sei que é errado.

Eu não estou falando sobre sua orientação sexual.

Estou falando da surra. Sobre ter machucado alguém.

Sim. Isso também. As duas coisas.

Tudo bem, agora, sua punição.

-Posso fazer. -Fazer o quê?

Extraia seu molar. Sei fazer.

Não!

A punição se adequa ao crime.

Isso não serve. Será outra coisa.

Tire suas roupas.

-Você é louco! Estou farto! -Não estou brincando!

-O que vai fazer? -Parem ou os mato!

-Para trás! -Não se mexa!

Tire suas roupas!

Onde você está indo?

Vergonha de vê-lo? Você deu à luz a ele.

Não toque nele!

Isso não vai doer. Não fisicamente. Ninguém vai te tocar.

Sua roupas. Agora.

Qual a senha do seu celular?

-É 6668. -O quê?

Seis, oito, certo. Perfeito.

Vamos.

Toda a roupa.

Vai falar para seu amigo que gosta dele.

E o que aconteceu naquela noite foi por ciúme.

-Certo? -Por favor, não.

-Não. -Não tenho tempo.

Não vê que ele é um adolescente?

E o está condenando. Você não tem filhos?

-Não entendem que é sério? -Não...

Tire a cueca, não vou falar de novo.

Tire a cueca, droga!

Isso.

Quando eu mandar.

Pronto. Prepare-se.

Tire as mãos daí.

Vamos!

Arturo, me perdoe.

Eles estão o forçando a fazer isso!

Afaste-se! Caramba!

Para trás!

Vou ter que começar de novo porque o papai atrapalhou.

Está bem?

Tire as mãos daí, cara.

Tire as mãos! Isso.

O quê?

Não queria te contar dessa maneira.

Eu não queria.

O que aconteceu na boate foi porque...

porque eu gosto de você.

Gosto de você porque...

Porque eu sou gay!

Mais alto.

Eu sou gay.

-Mais alto. -Eu sou gay, caramba!

Certo.

Pronto. Foi suficiente.

Agora, vamos ver para onde o enviamos. Aqui está.

Não publique.

Vou mudar sua senha para que não exclua.

Feito. Enviado.

O Arturo não me segue, idiota.

Não se preocupe, alguém contará para ele.

Digam algo a ele.

-Pelo menos digam que o amam. -Sempre dizemos.

-Ainda o amam? Mesmo sendo um veado? -Claro que sim!

-Juampa... -Por que chorar?

Juampa...

Não tentem terapia de conversão, ou qualquer dessas besteiras.

Não funcionam.

-O quê? -Não funcionam!

Vá se foder!

Querido!

Querido, por favor, saia. Tudo o que eu disse é verdade.

Eu não me importo, eu juro!

Ainda não terminamos.

Abra.

Vamos! Para a sala.

Aceite-se. Não se importe com o que eles dizem.

"Sou gay e gosto do meu melhor amigo." Nossa, que tragédia!

Juan Pablo!

Não!

E a sua filha?

-Está com você. -Quem é o único que pode salvá-la?

Quem?

Certo.

Está sangrando.

Se quiser, posso te dar alguns pontos.

Sim?

Mais uma hora.

Em todo o caso,

a história do garotão não é a que quero.

Vamos.

-Vamos... -De novo?

Você sabe o que fazer. Você vai lá.

Ali.

Sou Sara del Carmen Sahagún de Olmos. Eu tenho 50 anos.

Sou arquiteta. Tenho doutorado em educação. Atuo em universidade.

Mas você já deve saber.

Sou chefe da área de arquitetura de uma universidade.

Sou controladora, mas lido bem com isso.

Sou prática.

Dizem que sou workaholic e que passo muito tempo no meu escritório.

Adoro dar ordens.

Sabe como é ser capaz,

mas viver em um ambiente em que se é menosprezada?

Conquistei meu lugar.

Foi duro, mas conquistei.

Conheci o Ramiro por amigos. Engravidei do Juan Pablo sem querer.

Mas já sabia disso, querido.

Decidimos nos casar. Não me arrependo.

Nem me arrependo de ter tido Angie.

São minha vida.

Eu faria tudo por eles.

Quanto ao resto...

minha vida é satisfatória.

Devo te contar agora?

Sim.

Aconteceu há muito tempo.

Quando eu era professora.

Quando descobri que estava grávida do Juampa.

Fui professora por anos lá.

Eu era freelancer.

Eu não tinha um posto estável. Estava...

em um beco sem saída.

Eu precisava entrar.

Dizem que tudo que você precisa é talento e perseverança,

mas não é verdade, precisamos de algo mais.

E eu precisava entrar.

E estava ficando mais urgente por conta da gravidez.

E eu entrei.

Consegui graças ao chefe do corpo docente da época.

Ele estava flertando comigo,

me seguindo, me enviando presentes.

Eu entendi, isso acontecia comigo.

Não tentei me fazer de difícil. Não.

"Não" era "não".

Era bonita, mas não estúpida.

Até que ele me ofereceu uma posição.

Assim.

Sem exigências,

sem testes.

Em troca do que sempre pedem.

E eu aceitei.

Dizem que as mulheres sempre conseguem as promoções dessa forma.

Sou um clichê ambulante.

Mas eu tive que considerar meu futuro, meu filho.

O Ramiro não podia ajudar.

Ele teve vida fácil.

Sempre conseguia entrar.

Ele herdou sua prática.

Era do pai dele.

Graças a Deus não teve que passar por isso, mas eu passei.

Tive que pensar no meu filho.

Antes de deixar de ser atraente.

Antes que soubessem da gravidez.

Os caras não gostam das mais velhas.

Só das de 20 anos, que saíram da escola.

São elas que conseguem os cargos.

Um fim de semana, disse que sairia com amigas.

Provavelmente não se lembra.

Mas você sabe?

Ele manteve sua palavra.

Ele fez alguém se aposentar.

Depois, Ramiro e eu conversamos da gravidez pela primeira vez.

Casamos um mês depois.

Antes do novo semestre.

Mas continuei dando ao diretor o que ele queria,

mesmo com a barriga aparecendo.

Em seu escritório.

Ele se cansou de mim.

Mas eu era a mais inteligente,

mais habilidosa...

A melhor.

Nada mal.

Você se arrepende?

Não.

Eu tive que pensar

na minha família. O que acha? Que eu gostava de...?

"Pensar na família?"

Sim, Ramiro. Acha que sua renda era suficiente?

Estava dizendo que não gostava...

do quê?

Sexo oral.

Sexo oral. Sim, fiz isso mais de uma vez.

Não estou orgulhosa disso.

Não, claro que não.

Você se sacrificou pela família. Que anjo.

A filha se chama Angélica.

Cale-se!

Como pôde, Sara?

Eu não entendo.

Está dizendo que Juan Pablo...?

É seu filho, Ramiro!

Claro que é seu filho!

Espere. Não se distraiam.

Lembre-se que a Angélica está no mesmo lugar

e o tempo está passando. Precisamos de um castigo.

Pensando na cara de vocês, acho que já teve meio castigo.

Sua outra metade será quando Juampa fizer o teste de DNA.

A decisão é sua.

Mas como estamos expondo segredos de família,

eu me pergunto o que vão pensar na universidade quando...

-Isso não! -Vamos acabar com isso!

O que você tem? Até aonde vai? O que quer de nós?

Que tal você escolher a punição?

Sim, deixe o chefe da família decidir.

Algo embaraçoso e humilhante o suficiente

para ser considerado uma punição exemplar.

Não.

Você escolhe.

O que está dizendo?

Sua mente é tão podre que quer... que a Sara faça isso na frente dele?

Não, não me inclua nisso.

Encontre outra opção.

Não pode ser você. Qual seria o sentido?

E muito menos esse garoto.

Vocês são doidos?

Que tipo de pessoa pensam que sou?

Então, o que fazemos?

Boa noite!

Boa noite! Sou sua vizinha, Sara Olmos.

Pode me ajudar por favor?

Boa noite!

Táxi!

Táxi! Por favor, preciso da sua ajuda. Eu tenho dinheiro.

-Aonde? -Nenhum lugar.

Eu preciso de ajuda. Entende?

-Não, agora não. -Por favor.

Estou com sede.

Traga-me água ou um refrigerante.

Juampa.

Pode deixar.

E se ela fugir?

E deixar vocês dois?

Acha que faria isso?

Não tenha medo.

Você está bem?

Não, quero a fechada.

Eu não cuspi aqui, idiota.

-Não? -Saúde.

Todos vocês adoram fazer coisas estúpidas,

para se sentirem bem consigo mesmos.

Venha por aqui.

Você não vai tocá-lo ou chegar perto dele. Está claro?

Sara, o que aconteceu? Você ficou louca?

Se não gosta dele, vá encontrar outro.

Entre, por favor. Por aqui.

Tem uma cerveja?

Juan Pablo.

Obrigada.

Happy hour?

Se eles participarem, será mais caro.

Não a faça fazer isso.

Foi ideia sua.

Então.

Por que te chamam de "Conde"?

Juan Pablo. Vamos.

Porque sou um "condenado".

O que é isso?

Não se mova, por favor.

Já basta.

Vamos!

Saia daqui.

-O resto... -Vamos! Que resto?

-Não tem resto! -Onde está o resto?

-Juampa! -Senhora!

-Juampa, espere! -Senhora!

Cale-se!

-Deixe-o em paz. -O resto?

-Vamos! -Deixe-o!

Deixe-o em paz!

-Tem que me pagar. -Sim.

Por favor, às 6h da manhã, traga um policial ou alguém.

Então lhe darei seu dinheiro.

Certo?

-Foda-se! -Pare com isso!

Vá!

É péssimo, loirinho!

E sua mãe também!

Vá para o inferno!

Mãe...

-Agora não, querido. -Mãe...

O quê?

Vai nos dizer que ainda não é isso?

Sim?

Sim, uma hora. E acabou.

Sim, eu te aviso.

Você vai devolver a Angie para nós?

Não esperava chegar tão longe.

Vai dizer que também não foi isso?

Tem uma arma, caramba, use-a.

Mate todos nós.

Sério?

Sério, Ramiro?

-Isso é tudo que tem a dizer? -Não tenho mais nada a dizer.

Deixou sua esposa e seu filho passarem por tudo isso?

Você me deixou humilhá-los!

Machucá-los!

E não fez nada, filho da puta.

Eu não fiz nada.

Do que ele está falando?

Afaste-se!

Afaste-se!

-Afasta-te! -Deixe-a ir!

E não tente nada engraçado.

Eu juro, antes de você ir, sua amada família morrerá.

Diga adeus.

Diga que ela vai morrer por sua culpa.

E não só ela. A Angélica e o Juan Pablo também,

se você não confessar. Diga o que você fez!

Diga o que você fez!

A uma menina de dez anos.

Uma criança incapaz de se defender! Diga, filho da puta!

Ele não, por favor!

-Pai! -Quer isso?

Ele não!

Ele vai morrer!

Tudo bem! Eu não queria fazer isso! Lamento muito!

Lamento muito! Não pude evitar! Desculpe!

Por favor, não faça isso! Não machuque minha esposa!

Devolva minha filha, por favor!

Por favor! Deixe-nos em paz!

Eu não queria!

Eu não queria!

Não precisava disso.

Eu realmente...

Sara, isso não precisava acontecer.

Foi azar.

Eu...

Eu errei.

Eu estou doente.

Eu sou fraco.

Acho que sabe quando aconteceu.

Um daqueles dias de férias antes do Natal.

A Angie chamou uma amiga.

A Luísa.

Ela dormiu aqui.

Eu estava sozinho para vigiá-las.

A Paty tinha ido viajar.

O Juampa estava em Los Cabos e você?

Tinha ido ver sua mãe porque seu irmão não podia.

Não houve violência.

Foi por acaso. É diferente.

Ninguém planejou que eu cuidasse das meninas.

Não era para acontecer.

Nada disso.

Nada iria acontecer.

Eu não planejei.

Coloquei uns filmes

na sala de estar.

Pedimos pizza.

Estávamos nos divertindo.

Eu até as deixei brincar com o console do Juampa.

Elas estavam felizes.

Eu as deixei ficar acordadas.

Elas adormeceram na sala.

Por favor, não.

Elas iriam dormir juntas.

São garotinhas.

Peguei a Angie primeiro.

Levei-a para o quarto dela.

Eu a ajudei com o pijama.

E eu volte...

para pegar a amiga dela... a Luísa.

Eu a deixei como ela estava.

Eu não fiz nada com ela porque...

Fui para o quarto e fechei a porta.

Tentei dormir.

Tentei adormecer,

mas não consegui, não.

Acho que tenho um defeito genético.

Porque...

Talvez seja... bem...

Não sei.

Não sei.

Sempre senti isso.

Minha vida inteira. Desde que me lembro.

Eu sei que é proibido.

Eu posso entender isso.

Não saio por aí molestando ninguém. Eu me controlo.

Posso me controlar. Fica aqui guardado.

Então eu pensei: "Posso controlar isso. Sem problemas."

Mas eu estava errado. Eu não consegui.

Eu sei que é errado.

É errado, horrível, hediondo.

Tenho meu lugar no inferno.

Eu acredito nessas coisas.

Não sei...

Não planejei. Não achei que aconteceria.

Levantei, fui ao quarto das meninas.

E eu a peguei em silêncio.

A Luísa.

Eu me tranquei no meu quarto com ela.

Peguei o anestésico.

Tirei a camiseta dela.

É isso.

Sim. É isso.

Isso é tudo, sim.

Não, não me peçam para continuar. Eu não quero.

Não posso. Realmente não posso.

É melhor você continuar.

Ou será pior.

Eu não sou um monstro.

Estou doente. Não gosto nada disso.

Também não gosto de dor.

Não gosto de fazer os outros sofrerem.

Não há razão para causar danos.

Não deixe que sintam.

Não deixe que percebam.

Calculei mal a dosagem.

Deve ter sido isso, claro.

Porque a Luísa acordou.

Ela ficou com medo, então cobri sua boca.

Mas suavemente.

Suavemente. Gentilmente, não sou brutal.

Não sou violento. Não houve violência. Realmente, não houve.

Eu não a machuquei.

Disse para não ficar com medo.

Para se acalmar.

Disse que ela estava doente.

"Sou médico.

Lembra-se, sou médico?

Vou examinar você. Vou te dar uma injeção...

para melhorar.

Já tomou injeção antes, certo?

Sei que é muito corajosa.

Não vai nem sentir.

Será igual desta vez. Vou te dar uma injeção.

Vai ficar tudo bem. Não sentirá nada.

Não vai ver, não sentirá dor. Eu prometo. Mas...

Não pode contar nada para ninguém.

Não pode contar nada a ninguém.

Entende?

Comeu muita pizza e está com dor de barriga."

É isso.

Não sei.

Poderia ter dito isso a ela. Algo parecido.

"Não quer ter problemas por ter comido muita pizza!

Não é, querida?"

E dei outra injeção nela.

Ela adormeceu.

Quieta e calma. Linda.

Tão linda.

Então eu a vesti. Coloquei o pijama nela.

Levei-a para o quarto de Angie.

Ela agiu como se nada tivesse acontecido.

-Ramiro... -O que, querida?

-O que você fez com minha filha? -Com a Angie? Nada.

O que você fez com ela, seu filho da puta?

O que você fez com minha filha, seu filho da puta?

Fique longe dela!

Como pode pensar que eu tocaria na Angie? Deus!

Juampa, filho.

Juampa, filho, tenho orgulho de você!

Achei que estava curado, mas não.

Isso a machucou.

E ela ainda se lembra!

Ali.

Corte fora.

Corte fora.

Está doente como eu.

Torturou minha família a noite toda.

Poderia ter atirado em mim.

Mas não, você gostou disso.

Matar você seria um prêmio para você.

Corte fora!

Eu amo vocês dois, sabiam?

Vocês eram tudo para mim.

Está feito.

Está tudo bem.

Agora não.

Oi!

Olá.

Tudo bem, até mais, senhor.

Cuide-se.

Bom dia!

Aí está você, querida!

Como foi? O que você fez?

-Eu brinquei. -Certo.

Vá tomar um banho. Está fedida!

-Como está? -Bem.

O que fez?

-Brinquei com minha amiga. -Do quê?

-Esconde-esconde. -Você se divertiu?

Ramiro!

Ramiro, acorde. Ouça.

Não conseguirá chegar ao hospital.

Não se preocupe,

vou garantir que pensem que foi um bom pai.

Vou arrumar tudo.

-Mais alto! -Eu sou gay!

VÍDEO NÃO ENVIADO. TENTAR DE NOVO. PUBLICAR - APAGAR

Eu sou gay!

Mais alto!

Estou saindo!

Sim, fique tranquila.

Sra. Bere.

Como vai? E a garota?

-Ali. -Ela está dormindo. Até mais.

Sr. Pereda, você está bem?

Ah... eu...

A Luísa é tão apegada à camiseta, viemos buscá-la.

Mas temos que ir.

-Estão partindo? -Sim.

-Tchau. -Até mais.

-Cuide-se. -Certo.

O que houve?

Tudo.

Tudo.

Cadê a Angie?

Nós a deixamos na casa dela, lembra? Estamos saindo de férias.

Coloque isso caso você fique com frio.

Certo? Vá dormir, querida.

Dê a partida.

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