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UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX
Temos de voltar e continuar o trabalho.
Não há muito mais para fazer,
mas preciso que sejas os meus olhos.
Como é que ninguém descobriu esta passagem este tempo todo?
Porque parte desta velha prisão é praticamente inacessível.
Com o passar do tempo abriram pequenos buracos ao longo do cano.
Como te disse, acho que quase que vão ter ao canal subterrâneo.
E de lá, ligam-se a buracos na parede nas ruas secundárias.
Eu sei porque foi assim que escapei da prisão de Podestá.
Cavaste isto tudo sozinho?
Eu não confiava em ninguém, estás a ver?
Os tipos do pátio são leais, mas às vezes vão longe demais.
Mas o César é diferente.
Sim, tens razão. Fizemos bem em incluí-lo.
Aí está.
Ali estão os explosivos. Não admira que tenhas ficado ferido.
Quer dizer que estamos perto.
Ouve.
Vais ver, não sou maluco.
Sim, consigo ouvir a água.
Consigo ouvir a água.
É o som da liberdade.
Eu fui tão idiota. Estraguei tudo por ser apressado.
Se eu tivesse uma picareta, já estaria lá fora.
Acalma-te.
Vamos fazer tudo com tempo, sem explosivos nem nada.
Vais ver, chegamos lá.
Estamos arruinados! Estamos feitos.
Não, um velho morreu enquanto fodia.
Acontece todos os dias. Não leste os jornais hoje de manhã?
Escuta.
"Faleceu o procurador penitenciário Ludueña.
"O conhecido procurador penitenciário morreu ontem à noite de ataque cardíaco
"na casa que partilhava com a sua estimada mulher.
"Segundo fontes seguras, Ludueña estava a ler para os seus netos,
"como fazia todas as noites, quando sentiu uma dor aguda no peito
"e desmaiou no chão da sala."
-Para de chorar! Estás a ouvir? -Estou.
-Devias dar-me os parabéns. -Porquê?
Porque hoje, o governador informou-me que sou o novo secretário de segurança.
Por isso, não chores, querida. Vamos celebrar. Vem cá!
Não acredito! És um génio!
O que aconteceu? Demoraste muito tempo.
Pipita.
-Agarra-te a mim. -Era muito lá ao fundo.
Este tipo parece um engenheiro, é um túnel muito longo.
-Então? O que achas? -É possível.
Vai dar muito trabalho, mas é possível.
Não digam nada a ninguém.
Se alguém dos sub-21 descobre, vão ficar todos a saber.
Era isso que eu estava a dizer.
Porque não me contaste nada do túnel, Pipita?
Muito bem, minhas senhoras, vamos lá então começar isto.
Um dos ecrãs fica na cantina, o outro ao lado das escadas
e outro aqui neste pavilhão.
Estão a ver, estão isolados. E quando eles perceberem...
Precisamos mesmo do Bruce Lee aqui connosco?
O quê? Não há problema nenhum com o Soja, ele está bem.
Ele agora faz parte da família.
E digo mais, ele é mesmo de confiança.
Principalmente, porque não percebe nada.
Não é, Chinoca? Não percebes nada, pois não?
Eu acho que ele não é assim tão idiota.
Ele deve perceber que andamos a planear alguma coisa
contra aqueles desgraçados do pátio.
Não te preocupes. Ele é burro, olha.
Soja, vem cá.
Vem cá, Chinoca. Vês como ele vem?
Aqui está ele.
Parece que estás a chamar um cão.
Senta, Soja.
Vá lá.
Continua.
Podemos deixar a brincadeira e continuar?
Soja, traz-me outra cerveja. Garrafa. Traz uma. Esta está vazia.
Traz uma cheia da despensa.
Continua.
Estás a ver, ele vai. Viste?
Fria.
Ainda bem que não somos claustrofóbicos.
O que é que isso quer dizer?
É o medo de estar em espaços fechados. Tudo bem? Querem trocar?
Não, estamos bem.
O que vais fazer, Pipita, se conseguirmos sair?
És cego, como é que te vais safar lá fora?
Achas que vou andar a chocar com as paredes
até os polícias me prenderem?
Não, tenho uma rapariga.
Assim é que é! Sempre seguiste a tua pila, não foi?
-Eu conheci-a aqui, por carta. -A sério?
Sim, ela está à minha espera. Vamos para o Paraguai.
-Sabes alguma coisa sobre o Paraguai? -Não.
-César. -O quê?
Vá lá, vamos trocar.
Eu tenho um filho com seis anos.
Que bom para ti! Não sabíamos.
-Com quem é que ele está agora? -Está com uma pessoa.
Não podemos deixar ninguém passar neste saguão.
-Combinado. -Temos de bloquear estes pontos de acesso.
O Marito está a fazer uma lista de todos os guardas simpáticos.
Espero não perdermos nenhuns golos do jogo.
Rapazes, esperem um pouco.
A Gladys quer vos dizer uma coisa.
Vou pôr em alta voz.
-Olá, como estão todos? -Olá, Gladys.
-Beijos. -Gladys, está tudo bem?
Oiçam, tenho tudo preparado para vocês.
Amanhã entregam os ecrãs, os projetores
e as cadeiras de plástico, para que se possam sentar todos.
Manda vuvuzelas, Gladys.
Cala-te, fazes sempre asneira, Diosito.
As caixas estão seladas para parecerem produtos eletrónicos novos em folha.
Por favor, vejam bem isso.
As caixas com uma marca vermelha são para vocês.
É crucial que essas caixas não vão parar às mãos de mais ninguém,
porque contêm a nossa surpresa para os tipos do pátio, perceberam?
-Parece-me bem. -Sim.
Não estraguem tudo, por amor de Deus.
Prometam-me que não deixam nenhum assassino vivo.
Vocês estão a vingar a morte do meu irmão.
Não há problema, amor. Está prometido.
Beijos. Também te amo, amor. Adeus.
Amigos, podem prestar atenção, por favor?
Pareço um político,
mas se o fosse não estaria na prisão.
Espero que isto melhore a nossa vida em comunidade
e que reduza as tensões entre nós.
Trouxemos estes ecrãs,
para podermos assistir ao jogo contra os brasileiros.
E depois os ecrãs vão ficar cá.
Bravo!
São um presente meu, do coração. Para todos nós, para todos vocês,
para que possamos usufruir deles para sempre,
porque vão ficar cá.
Que viva a diferença, os tipos do pátio que se lixem,
podem ligar uma antena ao rabo, se quiserem ver novelas.
Argentina, caralho!
Está tudo bem? Sabias que eu andava à tua procura?
-Porquê? -Queria perguntar-te uma coisa.
Um da tua raça juntou-se a nós, ele é mesmo combativo.
Fiquei amigo dele. É um grande lutador, sabias?
Eu não o percebo, por isso queria que traduzisses, pode ser?
Onde está ele?
Anda, eu vou buscá-lo.
Adoro. Este menu é tão colorido!
-Tantas cores! -Deixa ver o que temos.
Temos café, chá, mate... Que variedade! Leite com chocolate...
Adoro!
Vou pedir. O mate é bom?
-Sim. -É doce ou amargo?
-É muito doce. -Muito doce.
Vou pedir um mate e pão com manteiga. Está bem?
-Sim. -Obrigada.
Fico a aguardar.
O que me recomenda? Este é o menu de hoje?
-Sim, é o menu de hoje. -A sério?
Que bom. Adoro o que me recomendou.
-Este é o prato do dia? -Sim, recomendo-o.
Boa! Vamos lá ver o prato do dia e o menu outra vez.
Que loucura!
Parece que bloqueei o facto de ser pai.
Desde que aconteceu aquilo com o meu irmão...
Depois o Lucas ficou sozinho e tu trouxeste-o cá.
Não consigo deixar de pensar nisso.
Não consigo tirar isso da cabeça.
-O Lucas é um miúdo muito especial. -Era tão querido em bebé.
-A sério? -Era um amor.
Sou pai dele, claro que diria isso. Mas ele era muito...
Mas depois a sua vida foi horrível.
Deu cabo dele, por assim dizer.
Mas a mãe dele asneirou e eu também. Algo que...
Houve uma altura que pensei que lhe ia mudar a personalidade, arruiná-lo.
Sim, mas isso não aconteceu.
Também te acontecem coisas boas.
Entraste na minha vida.
Não, a sério.
Ter-te, para mim foi, é...
E então? Tenho-te?
Sabes que sim.
Não, quero saber se vens comigo.
Pedes muitas coisas.
Qual é a tua resposta?
Não sei, é tudo a correr.
Falas como se fosse fácil sair daqui.
-Não estou a dizer que é fácil. -Muito bem.
Mas tenho um plano, sei como fazê-lo.
É isso que te estou a dizer.
É verdade.
Logo que tenha o dinheiro do Borges, vou embora.
Já sei como fazê-lo. Já está quase.
Para que queres o dinheiro?
Porque não sais apenas?
Mataram o meu irmão por causa disto.
Perdi a minha família, o meu filho desapareceu.
Tenho de ser recompensado.
Isso é muito perigoso.
Não percebes que eles te podem matar?
-Olá. -Olá.
-Olá. -Como estão?
-Está tudo bem. -Estou a interromper?
-Não, só estávamos... -Estávamos a falar do evento
que estão a organizar para o jogo da Argentina.
As pessoas do pátio estão irritadas porque foram excluídas.
Vai haver sarilhos.
Posso discutir isso contigo, Peña?
Sim, claro.
Vem ao meu escritório, vamos agora.
-Vai lá. -Anda.
E? Está tudo bem? Vocês conhecem-se?
Ele chama-se Jun Sung.
Está bem, diz-lhe que agora se chama Soja.
Pergunta-lhe por que está na prisão.
Ele matou quatro dos seus inimigos.
Que se danem, certo? Inimigos donde?
Da máfia chinesa? Dos supermercados? Eu quero saber.
Em que ramo está ele?
Contrabando.
-De mercadorias? -Não, de mulheres.
Então ele é um criminoso à séria.
Ouve, pergunta-lhe isto...
Ele parece ter uma malapata com um amigo meu do pátio,
um tipo chamado Pastor. Porquê?
-O que está ele a dizer? -Ele disse que este Pastor
não é o preso típico, ele é diferente.
-Não... -Ele é polícia.
-O quê? -Ele é polícia.
O que queres dizer, um polícia? Pergunta-lhe melhor.
Sim, ele tem a certeza.
Ele disse que ele o prendeu há uns anos. Ele bateu-lhe, cuspiu-lhe
e que o tentou matar.
E ele nunca se esquece da cara de uma pessoa que odeia.
Diz-me, Peña. Diz-me a verdade.
Ainda agora, quando te encontrei a falar com a Sra. Molinari,
estavam mesmo a falar do jogo
e dos problemas do pátio e dos sub-21?
Sim.
A sério?
Não tens coisas mais importantes para fazer?
-Não estamos apenas a passar o tempo? -Tu não.
Tu não estás a passar o tempo.
Diz-me, Miguelito Palacios.
Sabes onde o Borges escondeu o seu dinheiro?
O dinheiro que o Lunati lhe pagou?
Estás nervoso?
Sabes onde está o dinheiro?
Há quanto tempo sabe quem eu sou?
Desde que resgataram a filha do Lunati.
O Borges achou que havia um espião,
mas não fez nada porque achava que era eu.
Eu estive sempre de olho em ti.
Tenho andado a controlar-te.
O Lunati condenou-te sem teres antecedentes criminais.
Ligar os pontos foi fácil.
Quanto dinheiro é que quer?
Quanto dinheiro quero? Não, eu quero o dinheiro todo.
Esse dinheiro é para mim.
Tens de mo dar a mim, para saíres de cá.
Podemos resolver isto, o Pastor Peña morre. Não existe, nunca existiu.
E tu dás-me o dinheiro.
E se eu disser que não?
Se disseres não, eu espalho o boato
de que és um polícia infiltrado, um filho da puta.
A escolha é tua.
-Para de me incomodar. -Mas estou calada. Não disse nada.
Quem são eles?
Esta é a Emma, grávida.
Este é o pai e este sou eu.
Vais explicar-me o que se passa?
O Antín sabe quem eu sou.
-E o que sabe ele? -Ele descobriu.
Somou dois mais dois, não é estúpido.
Os meus colegas polícias só me cobriam uns dias.
E isso já acabou.
O que quer ele?
Quer que eu roube o dinheiro do Borges e lho dê.
Se não o fizer, vai dizer aos presos que sou polícia.
Acalma-te.
Eu vou resolver isto.
Vou arranjar maneira.
Vou procurar nas coisas o Borges, saco o dinheiro, vais ver.
Por favor.
Peço-te, esquece o dinheiro.
Eu posso esperar por ti, a sério.
-Podes contar tudo às autoridades. -Não posso.
Ouve-me. Posso pedir a custódia do Lucas.
Podemos vir visitar-te. Eu espero por ti.
É uma maneira de começarmos de novo.
Começarmos de novo onde, Emma? Aqui dentro?
Imaginas o que me farão se souberem que sou polícia?
Não sobrevivo nem 10 minutos. Tenho de sair já.
Não chores.
Vamos resolver isto. Tens de acreditar nisso, é só o que nos resta.
Vai resultar tudo bem.
E se não resultar, promete-me que ficas com o Lucas,
que olhas por ele.
Prometes-me, certo?
Dios, o colombiano diz...
O que estás a fazer, filho da puta?
Não me toques! Ouviste?
Para trás! Não se mexam!
-Responde-me, palerma! -O que se passa contigo, meu?
Metam-se nas vossa vidas. Para trás.
Não vos peço para fazerem isto por mim,
é por todos nós.
Se vocês soubessem como vivíamos aqui.
Este pátio era um verdadeiro pátio.
Agora é terra de ninguém.
Foi destruído por aqueles negros sub-21, eles partem tudo.
Vocês sabem a diferença
entre um preso com princípios e um preso sem princípios nenhuns?
Se não fizermos nada quanto aos sub-21, vamos estar em perigo, vocês...
Um dia vocês vêm cá e isto vai estar infestado,
vai ter tantos negros como baratas.
Pensem no Rico.
Esse tipo merece justiça.
E a próxima vítima pode ser um de vocês.
Podem esperar um minuto? Eu já volto.
O que estás a fazer? Para de partir coisas.
-Larga-me! -Puta que te pariu!
Eu não quero birras! Estou a combinar tudo para hoje à noite.
Estás a fazer com que eu pareça um idiota!
Eu já volto. Quero saber o que se está a passar.
E?
Com o Capece por aqui é perigoso.
Não devíamos esperar?
Não, devíamos aproveitar o Antín estar de saída.
-O quê? Despromoveram-no? -Não, está a subir na carreira.
Não, nomearam-no secretário de segurança.
Aquele sacana dissimulado...
O que fazemos?
Deixa isso comigo.
Liberta os corredores que dão acesso ao primeiro andar.
Olha para o outro lado.
Como queres que saiba?
Passa-me o escopro. Tem-lo?
Tenho o martelo, toma.
-Cuidado. -Aponta a luz para aqui.
Aqui está.
-Sinto uma aragem. -Sim.
Uma corrente de ar.
Há ali luz. Estamos perto.
Eu sabia.
Acho que devemos fugir hoje à noite, ou amanhã de madrugada.
Vamos!
Tenho de voltar, estão à minha procura.
Anda. Acho que aquele filho da puta do Pastor está por aqui.
Pastor. Qual será o nome verdadeiro dele?
Ele está a perguntar se o pode matar primeiro.
É uma questão de honra.
Vamos confrontá-lo primeiro e ver o que ele diz.
Depois decidimos se o Soja o mata primeiro, ou nós os três.
É a tua vez de te esconderes, vai.
Um, dois, três, quatro, cinco,
seis, sete, oito, nove, dez.
Encontrei-te!
Está tudo bem, vem cá.
Desculpa, mas como tu disseste, é uma questão de honra.
Percebeste?
Ninguém pode saber
que eu matei o meu amigo, o meu melhor amigo.
Percebeste?
Não quero que o Marito saiba, não quero que ninguém saiba.
Eu não digo nada. Sabes que sou de confiança.
Eu sei que posso confiar em ti.
Conhecemo-nos há anos.
Podes pegar nele? Precisamos de esconder o corpo.
-Isto resultou mesmo bem. -É fantástico.
Se a Argentina ganhar, vamos apanhar uma bebedeira.
Isso mesmo! A Argentina vai ganhar.
-Deita essa porcaria fora, Susto. -Não! Estou a guardá-la,
para quando for para casa.
-A tua mãe já sabe? -Não, vou aparecer de surpresa.
Tens muita sorte.
Sorte?
Sim, na boa, é tudo bom.
O que está o César a fazer na velha prisão com o Pipita e o Pastor o tempo todo?
O quê? És polícia?
Pedro, acalma-te. Era só uma pergunta.
Se queres saber alguma coisa, pergunta ao César!
-Qual é o problema dele? -Certo, Susto?
Sim, pergunta-lhe.
Revista, vamos, todos daqui para fora. Vá, toca a andar.
Está bem, por amor de Deus.
Mexam-se, toca a andar.
Vá, andem.
-Está bem, relaxa. -Todos em fila. Vá, mexam-se.
-Andem. -Para, seu idiota.
Toca a andar.
Onde é que estavas?
Estava a fumar um charro.
Ainda não sabes que não podes fumar charros aqui?
Não tinha percebido que estávamos na igreja.
Encontraram o que queriam? Reviste-os, não se meta comigo.
Vamos.
És o pau mandado do Borges.
Olha quem aqui está.
Acalma-te. O que se passa? Consciência pesada?
Está tudo bem, meu. O que se passa contigo?
Estás zangado comigo?
Se achaste que preferi o Chinoca a ti, estás enganado.
Prefiro-te a ti.
-Vens ver o jogo? -Sim, acho que sim.
-Com os teus amigos do pátio? -Sim.
Trazes a tua namorada?
-Não pensei nisso. -Se fosse a ti, não a trazia.
Vão querer violá-la, mesmo através das grades.
-Obrigado pelo conselho. -Espera.
Ouve.
O quê?
Tenho saudades tuas, meu.
Quero que sejamos amigos como dantes.
-Está bem. -Mas sem beijos.
Anda, Peña.
Tenham cuidado com ele, é o meu melhor amigo.
És o meu amigo leal
És o meu amigo leal
Porque raio causaste toda aquela confusão?
Por nada, estava com um ataque de ansiedade, mas já passou.
Que horas são? Estou morto por queimar isto tudo.
Já não falta muito.
-Não faças nenhuma asneira. -Não.
Vê isto.
A mulher do Borges vem sempre à sala de visitas,
nunca falha uma visita.
Têm sempre a mesma rotina.
Primeiro acariciam-se, dão as mãos, olham um para o outro e falam.
Depois ele tira um pacote das calças
e põe-no na mão dela.
A expressão da cara dela está à vista.
Sempre que recebe um pacote, fica feliz.
Ela vê dólares à frente dos seus olhos.
E guarda-o com cuidado.
E depois, olha.
A cela.
A cela do Borges.
Sempre que a sua mulher vem, antes de ir para a sala de visitas,
sempre que a sua mulher o vem visitar,
ele pede a todos para saírem da cela
e fica lá sozinho uns quatro ou cinco minutos.
Depois passa por este corredor até à sala de visitas
e sempre a brincar com a sua pila.
Como se estivesse a acomodar os seus tomates pela algibeira,
mas não é isso que ele está a fazer.
Está a ver se ainda tem o pacote,
o pacote que vai entregar à sua mulher.
Percebes a sequência?
Mais ou menos.
Não percebes?
Ele tem o dinheiro na cela,
ele escondeu-o lá.
Parece uma ideia maluca, esconder o dinheiro na prisão,
mas onde é que o poderia esconder?
Aqui está seguro, ninguém o vai roubar.
Ele tem o dinheiro na cela.
-Olá. -Olá, Emma.
Estás bom?
Estou.
-Divertiram-se? -Sim.
-Divertiram-se no trabalho? -Mais ou menos.
-Novidades? -Não, nada. E tu?
Não.
Estão todas em linha reta.
Estas casas vão arder que nem fósforos.
Aquela gente mete-me nojo.
Têm vidas de merda, estamos a fazer-lhes um favor.
Aqui tens, miúdo.
A antena parece funcionar, meu amigo.
Tinha o mesmo modelo em casa, até recebe HD.
-Espero que sim, ou arrependes-te. -Um pouco de paciência, César.
Estão a olhar para onde, maricões?
-Estão a divertir-se? -Sim, e tu?
Incrível! Vamos ver o jogo no nosso ecrã HD.
Porque não vais ver a tua novela, maricas?
Porquê? Aqui vemos o Planeta dos Animais ao vivo e é de graça. É mais divertido.
-Estou morto por os apanhar desprevenidos. -Não sei se estão desprevenidos.
Não sei o que andam a tramar.
Eu pegava já fogo a estes filhos da puta.
Tem calma. Deixa-os beber um pouco primeiro.
Assim vão arder mais depressa.
Presta atenção.
O James e eu levamos os nossos homens para regarmos tudo dos lados.
Quando eu der o sinal, comecem a atirar as garrafas.
Espera, tu vens lá abaixo comigo?
Quero massacrá-los vivos.
Não toquem no Cesarito. Eu trato dele.
Bem, senhoras e senhores,
aqui estamos no Estádio Monumental.
Estamos à espera
da apresentação da Argentina v. Brasil.
Estamos à espera da equipa argentina.
...Fernandez
nesta tradição com todos vocês.
Está uma noite linda.
Há um grupo importante de 20 brasileiros
que estão a chegar ao estádio.
Levantem-se, argentinos!
Brasil, diz-me como é ser vencido em casa
Sim! Que se lixe San Onofre! Eu sabia! Saímos hoje.
-Há uma grade. -Que grade?
Há grades, cabrão!
-Há grades. -Que grades, meu?
Que grades? Onde?
Maldito filho da mãe!
Vai demorar uma semana a cortá-las.
Não posso esperar tanto tempo.
Grande merda!
Maldito filho da mãe!
César?
César?
O que estás aqui a fazer?
Estava aqui à espera
para fugir contigo.
Estavas a pensar fugir sozinho?
Eu percebo. A tua brigada da polícia deve estar à tua espera, certo?
Querido Pipita.
Eu compreendo-te, porque és cego.
Mas este aqui tentou escondê-lo de mim.
Ele tem uma marca visível no seu boné.
Ele é polícia.
Um dos rapazes de azul.
Ou preferes que te chame Miguel?
Vamos, malta! Estão a tocar o hino. De pé.
Vamos a isso.
Ouvi, mortais, o grito sagrado
Liberdade! Liberdade! Liberdade!
Ouvi o ruído de quebradas correntes
Vede em trono à nobre igualdade
Já seu trono digníssimo abriram
as Províncias Unidas Do Sul
E os livres do mundo respondem
Ao grande povo argentino, saúde!
Ao grande povo argentino, saúde!
E os livres do mundo respondem
Ao grande povo argentino, saúde!
Vai, Messi! Anda, seu maricas!
Argentina!
Argentina!
Argentina!
Enganaste toda a gente.
Achas que sou polícia? Estás louco?
Eu não estou louco. És um polícia, seu filho da mãe.
-Já chega. -De repente percebi tudo.
-Baixa isso. -Podes magoar alguém.
-A ideia era essa. -Do que está a falar?
Tu és um agente infiltrado, um espia.
Se sou polícia, porque havia de estar a cavar um túnel para fugir?
Cala-te, cabrão!
-Tens a certeza disso? -Sim, absoluta.
Ele é polícia. O maldito Marito tinha razão. Porque não o ouvi?
Acalma-te, podes premir o gatilho sem querer.
Mario, posso falar contigo um minuto?
-Tem de ser agora mesmo? -Sim.
O que aconteceu?
Desculpa, mas vou desistir.
Não consigo fazer isto.
Achei que só os íamos enxovalhar um pouco, para que nos largassem, mas isto é...
Perdeste a coragem?
Algumas das pessoas no pátio... São meus amigos.
Os teus amigos estão aqui, Triste.
Somos a tua família. Eu sou a tua família, Triste.
Sim, mas...
Vou ser sempre leal a ti, está bem?
-Não conto isto a ninguém. -Acho bem que não.
Muito bem.
Vai ver o jogo com os outros.
Mas deixa aqui as tuas calças.
As tuas calças. Tira as calças, vá.
Tira as tuas calças e deixa-as aqui.
Adeus.
Palerma.
-Mais um que fraquejou. -Outro?
Ouve, idiota, onde raio estás tu?
Estamos a trabalhar no plano de hoje à noite
e só faltas tu.
Tens de ser sempre o centro das atenções, Diosito?
Seu merdas. Quero-te aqui, agora!
Se sou polícia, porque havia de estar a cavar um túnel para fugir?
-Cala-te já! -Para!
-Cala-te. -Tens a certeza do que estás a dizer?
Quando ele chegou, todos disseram que ele era estranho, mas acreditei nele,
acreditei no que ele disse.
Dei-te tudo, filho da puta. Tornei-te no meu melhor amigo.
Contaste-lhes que íamos fugir! Foi por isso que puseram lá as grades.
As grades já lá estão há 200 anos, idiota.
Ouve-me... Para!
Porque raio vieste para San Onofre? Quem te mandou?
-Sou um preso, como tu. -Quem te mandou? Diz-me, palerma.
O Antín mentiu-te. Sabes o que se passa?
O Antín sabe que o teu irmão recebeu dinheiro do Lunati.
Ele queria que o roubasse e lho desse.
Ameaçou dizer a todos que eu era polícia, se eu não o fizesse.
Então chamas-te mesmo Pastor?
-Sim. -É treta do Antín?
É treta do Antín.
Porque não foi o Antín que me disse.
O Chinoca disse-me, ele disse que nunca esqueceu a tua cara,
depois de lhe teres esmurrado a cara.
Ele disse que o mandaste para a prisão. Não foi?
Eu nem sei quem ele é. Acreditas mais no Chinoca do que em mim?
Sim, eu acredito no Chinoca, cabrão!
-Para! -Eu pego-te pelo rabo.
-Seu paneleiro! -Espera! Acreditas na porra do Chinoca?
Tenho de te foder para me ouvires?
Sentes? Tenho de te foder para perceberes?
Seu monte de merda! Responde-me!
Responde-me, seu filho da puta!
-Capace, estás a ouvir-me? -Sim, chefe.
Vai ver se está alguém na cela do Borges.
Está bem.
Não está lá ninguém. Estão todos a ver o jogo.
Está bem, obrigado.
O que raio se está a passar aqui?
Vai até à sala de monitorização e desliga as câmaras todas.
Domínguez, abre o acesso ao pátio.
Para, preciso de falar contigo.
-Vamos falar. -O que queres?
Quero ver os teus olhos.
Posso ver os teus olhos? Ouve,
sou teu amigo, Dios. Acalma-te só por um momento.
Eu adoro-te, mano.
És meu amigo, salvaste-me a vida. Sem ti, teria morrido.
Escapamos juntos. Percebes o que te estou a dizer?
Está bem, meu? Eu adoro-te.
Eu conheço o caminho.
Tiramos estas malditas grades e saímos.
És meu amigo.
O que se passa contigo?
Eu adoro-te, és o meu melhor amigo.
Tu não me adoras.
Tu tens a tua pequena puta! Tu tens a Molinari.
Que puta? Não tenho ninguém, eu não sou ninguém.
É o Pastor, acalma-te.
Vá lá, Dios.
Olha.
-Onde arranjaste isso? -Tenho pessoas lá fora a trabalhar.
Tenho um amigo e se não me disseres quem és, ele avança.
Chamam-lhe o Violador.
O Violador.
Neste momento, ela está a comer piza com o miúdo.
Se não tiveres cuidado com o que dizes...
Bum! O meu amigo avança.
-A caixa de chaves é feita de quê? -De garrafas.
-De garrafas? -Garrafas todas juntas com...
-Com fita-cola. -As peças saem...
Olá.
Estás no teu apartamento a comer piza?
Não percebo.
Está um tipo lá fora, o Dios mandou-o, trabalha para ele. Sabem quem eu sou.
Sai daí. Tens algum sítio para ir?
O vermelho é...
-O que aconteceu? -Liga para o 112.
Agora mesmo. Estás a ouvir?
Estou?
Estou, Pastor?
Anda! Vai para o fundo do campo!
Nos pés deles, idiota.
Podem ir, rapazes. Mantenham a calma.
Anda, Messi! Vamos!
Vão.
Vão!
Golo!
Argentina!
Argentina!
Malditos brasileiros!
Vai, Argentina, dá cabo deles!
Eu gostava de ti.
Não o deixes sofrer. Acaba com ele rapidamente.
O pátio está a arder!
Está a arder!
Abram.
Onde está o Capece?
-Já não o vejo há algum tempo. -Fecha.
Abre esta, rápido.
Ouvi dizer que andam a passar drogas por aqui, aqueles filhos da puta!
Não deixes ninguém entrar. Fica aqui. Não abras a porta a ninguém.
Fogo!
Merda do caraças.
Está a pegar fogo!
Antín, estás a ouvir-me?
-O que foi, Otero? -Há um fogo no pátio.
Estás à espera que eu o apague?
Chama os serviços de emergência. Chama os bombeiros!
Já chamei.
Abre.
Vamos. Vá lá, está tudo a arder.
Tens o palerma.
Vá lá, está tudo a pegar fogo.
Vá lá, rapazes.
Fecha a porta.
Fecha a porta.
Filho da puta!
Deixa-os arder, palermas!
Mario, é o Dios.
O que estavas tu lá a fazer?
Idiota, filho da puta.
Diz-me que estás bem.
Estás bem...
Seu idiota!
O que estavas lá a fazer?
Enfermeira!
Filho da puta! Enfermeira!
-Ajudem-no. -Ajudem-no, idiota.
Salvem-no para mim.
Salvem-no para mim!
Ajuda-o, palerma.
Levem-no!
Salvem-no!
Está tudo bem, Mario.
Salvem-no para mim!
-Está tudo bem, Mario. -Larguem-me, saiam daqui.
-Emma! -O que aconteceu?
Dizem que morreram muitas pessoas. O Antín não responde.
Liguei-lhe e ele não atende.
Não sei, acho que ele entrou para ajudar.
-Sabes alguma coisa do Peña? -Não.
-Há uma lista? -Acho que há uma lista para as famílias.
Emma, tem cuidado.
-Amaya, há uma lista dos mortos? -Ainda não há uma lista oficial.
-Estes são os ferimentos causados por... -Se não te importas...
Saiam.
Safei-me, certo? O tipo das barbas vai ter de esperar.
Não, eu não estava no local. Não era o meu turno.
Logo que soube, fui logo para lá.
Havia uma guerra entre dois gangues.
Havia muita tensão, alguma coisa havia de acontecer.
Sim, eu conhecia o Pastor Peña. Ele era um preso.
Tinha sessões com ele, assim como tinha com todos os outros.
Não, não havia nada no seu processo que me chamasse a atenção.
Muitos presos não têm família, ou os processos têm pouca informação.
É muito comum.
EL MARGINAL É UM SHOW FICTÍCIO. QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS REAIS,
PERSONAGENS, NOMES E/OU CIRCUNSTÂNCIAS É MERAMENTE COINCIDÊNCIA.
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