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UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX
HÁ 5 ANOS ATRÁS
Porque estás a falar, cabrão?
Eu disse-te para estares calado. Não me ouviste?
Em silêncio!
Cabrão.
O que estás a fazer?
Queres uma bala na cabeça antes do procurador chegar?
Queres?
Maricas!
HOJE...
O que se passa? Não consegues dormir?
Não falas espanhol?
QUANDO NãO TE PõEM REGGAETON AOS ALTOS BERROS,
entra um idiota qualquer a fazer perguntas.
Mas habituamo-nos.
Não sei se te vais safar aqui.
-O que devo fazer com este traste, Foca? -Mata-o!
-Rebento com a cabeça deste falhado? -Fá-lo!
Estás bem?
Não sei como é no teu país, mas aqui se fixas o olhar em alguém,
não é aceitável, está bem? É malcriado.
Fecha os olhos ou olha para outro lado. Estás a perceber?
Seu merdas.
Vocês vem para cá para organizar gangues, filho da puta.
Tens sorte em estares na Argentina. Tenho a certeza que no teu país
já te tinham enforcado pelos testículos.
Estás a olhar para onde, seu merdas?
Estás a olhar para onde? Queres um pouco disto?
Queres um deles?
Tens que te habituar à prisão de cá. Sabes o que fazemos com chinocas?
Fazemos arroz doce.
Tu dás o arroz e nós juntamos o leite.
Vão-te mijar por cima e vão-te todos ao cu.
Filho da puta.
Seu inútil de merda.
Consegues imaginar um reconhecimento policial com estes filhos da puta?
Têm todos a mesma cara.
-O que foi, Pastor? -O que se passa, Pedro?
Tens lume?
Não, não tenho.
E tu, Chinoca?
Não percas tempo. Ou não fala espanhol,
ou está a fazer-se de parvo.
O quê? Falas chinês?
Não, estou só a gozar com ele. Já lhe deste nome?
Vá lá, manda aí uns nomes. Nomes chineses.
-Chinoca Maidana. -Não.
-Chinoca Darín. -Não.
Saja, Chinoca Saja.
É isso, Soja.
Aqui tens, Chinoca.
Foste batizado, Soja.
Salva-te!
Deixa ver, tu, anda. Tu!
És da família dele?
São todos iguais.
Têm todos aquela cara de kung fu.
Um merdas.
Olha para baixo. Não te faças de estúpido comigo.
Não me provoques outra vez, ouviste?
Já chega! Não consigo dormir contigo a olhar para mim.
Percebes o que eu estou a dizer? Para de olhar para mim.
Seu cabrão, chinês idiota.
Ei!
Levanta-te, vamos!
Dormiste a noite toda aqui?
Aquele idiota do chinês não me deixava dormir.
O que aconteceu? O que é que ele fez?
Passou a noite a olhar para mim, como se fosse... sei lá, louco.
Ele é maluco. Não viste a cara dele? Assusta-me.
Tem cara de maluco, mas não é assustador.
Pega nas tuas coisas e anda,
ou ainda vêm à nossa procura.
Devias ter pedido ajuda, é para isso que servem os amigos.
Anda.
Ponham-se em fila, seus merdas. Toca a andar!
Dormiste sentado? Que raio se passa contigo?
Não falas?
Vão para os duches e depois para a cantina.
Vamos. Toca a andar.
Todos menos vocês.
Os sub-21 vão no fim.
Porquê?
Porque são como uma doença infeciosa.
Não queremos uma epidemia em San Onofre.
Se não queres que nos misturemos, porque não vamos nós primeiro?
Antes disso tens de me fazer uma mamada.
Sai daqui, Capece, falas demais.
Vais fazer a cama antes de ele chegar?
Parece tudo, menos um escritório.
Já vi que estás mal disposta.
-Estavas à espera de quê? -Boa disposição.
Impossível. Pedes-me que durma com um velho
para safar a tua carreira. O que queres que eu faça?
Não é a minha carreira, mas sim, as nossas carreiras.
Os nossos destinos estão ligados. Se subo, tu sobes comigo
e se afundo, tu também afundas.
Porque não tenho uma bela rata para oferecer ao Dr. Ludueña?
-Escusas de ser desagradável. -Não te faças de puritana.
-Desculpa? -Lembras-te das fotografias
que alguém mandou ao Mario Borges?
Do que estás a falar?
Se não sabes, porque coras?
-Não. -Conseguiste dormir
com o Mario Borges.
Não te julgo, eu sei o que é a solidão.
Agora que estou separado, sei o que é estar sozinho na prisão.
Só me estás a amansar, porque queres que durma com aquele velho pedaço de merda.
Se dormiste com o Mario Borges com aquela barriga e aquela idade,
não vais ter problema nenhum em dormir com este tipo.
Quem te disse que eu dormi com o Borges?
Digo-te eu.
Muito bem. Eu faço-o.
Tu tens algo de especial, és uma heroína.
Adoro-te por fazeres isto.
Não é que me sinta um sindicalista assim de repente,
mas há reivindicações legítimas a fazer.
O que faria a minha mulher, se me matassem como o Rico?
-Ela arranjava outro. -Para de gozar.
Não faz sentido arriscar a vida por um salário miserável.
Cheira a podre.
Parei a construção da minha casa em Necochea há dois anos atrás,
porque nem consigo comprar uns tijolos.
-Pelo menos, tens uma casa de verão. -Não, vamos viver para lá.
-Em Necochea? -Sim.
-Há lá uma prisão? -Não.
E o que vais fazer? Nunca fizeste outro tipo de trabalho.
Não sei.
Merda! O que aconteceu aqui?
Meu Deus!
Mantém a dignidade, González!
Esta merda outra vez! Não têm outra fruta que possamos comer?
Não podemos comer melancia, ou kiwi? Uma fruta tropical?
-Achas que estás numa estância de férias? -Se como isto agora, cago o dia todo.
Pelo menos não ficas com os dedos a cheirar a tangerina.
-Eu gosto de tangerinas. -Gostas de cheirar mal.
Porque te estás a rir?
Vou enfiar a minha pila no cu daquele tipo.
O que se passa? O que queres tu de mim?
Já me estás a irritar, merda de chinoca.
Vai, dá-lhe!
Que se foda a tua mãe!
Bate-lhe, vai!
Dá-lhe, idiota, bate-lhe!
Doutor, talvez fosse melhor eu entrar sozinho,
porque não sabemos o que vamos encontrar.
Só quero ter a certeza que não mexem em nada.
Depois não se venha queixar se for chocante demais. Abra.
Não me vou queixar.
O que se passa ali dentro?
Vá!
O que aconteceu, Peña?
-O Chinoca deu-lhe uma sova. -Parece que não foi o teu dia de sorte.
Não tolero mais este tipo de problemas.
Vou mudar o asiático para outra ala. Não quero mais sarilhos.
-Perceberam? -Ele devia vir connosco.
O Chinoca agora é nosso amigo.
O Pastor armou-se em esperto e aqui o Jackie Chan mostrou-lhe como era.
Está bem, basta!
Não há mais pátio!
Outro... Ele não percebe. Ele é o quê? Não vi o processo dele.
-Ele é chinês? Japonês? -Chinês.
Tragam o Chinoca para a ala evangelista.
Ele pode ser tradutor e... Qual o nome dele? Wan?
-Wan. -Ele está em liberdade condicional.
Merda. Está bem, pode ficar convosco temporariamente.
Levem-no.
-A sério? Pode vir connosco? -Anda, vamos.
Vão!
Palerma.
O que se passa, Peña? Quantos socos apanhaste na cara?
O Chinoca não tem uma única marca.
Levem-no.
Lutar faz parte de ser asiático, são criados assim.
Não tem nada a ver com isso. Apanhou-me desprevenido, só isso.
Deu-me uma sova valente, não havia como escapar-lhe.
Ouviste dizer que o Pipita ia voltar?
-Não. -Sim.
-O Pipita vai voltar? -É o que te digo.
-Ele é um mito. -Eu não sei quem é.
Ele é louco.
Fugiu 15 vezes e das maneiras mais inacreditáveis.
E foi apanhado 15 vezes, das mais estúpidas maneiras.
-Ele fugiu daqui? -Sim, muitas vezes.
Acho que agora já não consegue, porque ficou cego num acidente.
Não sei o que aconteceu, acho que tentou fugir outra vez.
Vocês devem-se dar bem.
Já aprendeste a usar a bengala?
Essa coisa é o que mais me irrita.
Mas preciso dela, tenho de me habituar.
Não vês uma porra, pois não Pipita?
-Está melhor? Muito melhor? -Irrita-me!
Arranja um cão guia.
Para de dizer merda, mano. Tivemos saudades tuas, Pipita.
Sabes lá tu. O hospital é pior que a prisão.
Estás sempre na cama algemado.
Sim, é uma merda.
-E agora? Vais fugir? -Nem pensar.
-E por aqui, tudo na mesma? -Tudo na mesma, nada muda.
-Sabes que mais? -O quê?
Desfizeram o Morcilla. Ele desapareceu.
Aquele maricas gordo!
Era um grande cagalhão.
Que grande idiota.
Mas diz-me uma coisa, quem o fez?
Um tipo maluco. Acabou de chegar. Chama-se Pastor.
Vão dar-se bem, ele é parecido contigo.
Comigo? O que queres dizer?
Está sempre a pensar em fugir.
-Já gosto dele. -Eu disse-te, idiota.
Pipita, arranjamos-te um lugar no pátio, está bem?
Obrigado, amigo.
Anda cá, Luke.
Como estás, Lucas? Olá.
Olá.
-Como estás? -Bem.
Sabes quem eu sou?
O meu pai.
-Posso abraçar-te? -Sim.
Estás tão grande!
Sim?
Podemos sentarmo-nos?
Anda.
Vem comigo.
-E o cachorro? -Chama-se Axel, como eu.
O quê?
O Lucas pediu-nos para mudar de nome por uns tempos.
Que bom.
Posso dizer-te um segredo?
Cá dentro também mudei de nome.
Aqui chamo-me Pastor, em vez de Miguel.
Mas em breve vou levar-te para um sítio
onde vamos poder usar os nossos nomes verdadeiros.
Tu, Lucas e eu, Miguel.
Chinoca! Percebes?
Casa. Aqui, amigos.
Estamos seguros na nossa ala, somos uma família.
Ele é colombiano.
Barny.
Esta é a tua cama. Vem sentar-te.
Aqui, família, amigos, está tudo bem.
Senta-te, senta aqui. Isso.
Senta-te, fica aqui.
É assim, amigo.
É assim.
Tens a certeza que ele não percebe nada?
Porque achas que falo com ele assim? Porque gosto?
O Chinoca não percebe népia.
-Então porque o trouxeste para cá, tonto? -Porque ele é um amigo.
Sim, meu amigo.
Viste-o a lutar?
Ele sabe kung fu.
É melhor do nosso lado, do que contra nós.
Sabes o que vamos fazer?
Vou levar-te para um sítio onde possamos viver juntos em paz.
-Tu e eu. -O que é que eu digo?
O que quiseres. Não há resposta erradas.
Tu já não te lembras, mas quando eras pequeno vivíamos juntos.
Quando eras bebé.
-Quando estava cá a minha mãe? -Sim.
Quando ela estava cá e depois disso, também.
Lembras-te da tua avó Elida?
A tua avó Elida tomava conta de ti, enquanto eu trabalhava.
Depois eu ia buscar-te e íamos para casa
ver desenhos animados e comer.
Ele lembra-se da Elida. Falámos dela no outro dia.
Não vais acreditar o bem que o Lucas desenha.
-A sério? -Sim.
-Está a decorar a cozinha toda. -Que maravilha.
-Ele fez desenhos lindos. -Estás a divertir-te?
Sim.
Porque é que a tua cara está assim?
Porque estive a lutar. Aqui resolve-se tudo ao murro.
Ganhaste?
Acho que não.
Parece que perdi.
Porque estás aqui?
Porque...
Porque fiz uma burrice.
Fiz algo errado. Por isso, estou aqui para pensar nisso,
para que não o faça outra vez.
Como estar de castigo?
Sim, é parecido.
És muito esperto.
Podemos ir?
Sim, vão.
Vamos fazer assim,
vou levar-te a ver a Mabel e podes beber um sumo.
Tenho de falar com o teu pai.
-Já vou, está bem? -Posso beber um batido de fruta?
Está, um batido de fruta.
-Ainda bem. -A Mabel é minha irmã.
Conheceram-se no outro dia e ficaram muito amigos.
Que bom.
Vamos, dá-lhe um beijo.
Obrigado por teres vindo.
Espera aqui. Eu já volto.
-Aqui? -Sim, espera aqui por mim.
O que se passa, Marito?
Quero saber o que andam aqueles dois a preparar.
Quem são eles?
Aquele é o magricela do amigo do Diosito, odeio esse tipo.
A rapariga que saiu, é a Sra. Molinari,
uma assistente social.
A cabra que recusou a saída do Diosito?
Esta prisão está cheia de sacanas.
Querida, acalma-te. Não quero ter que explicar porque razão estás nervosa.
Eu acabei de enterrar o meu irmão, Mario.
Tu ainda tens o teu, eu tenho o quê?
Acalma-te, respira fundo.
Percebo que estejas nervosa, mas isso passa.
Preciso que voltes para casa. Já não aguento mais.
Falas como se eu não quisesse ir.
Ouve.
O que vais fazer com os homens que mandaram matar o meu irmão?
Estamos a trabalhar nisso.
Eu quero-os mortos, Mario.
Quero-os levados daqui em pedaços.
-Ouviste-me? -Está bem.
Preciso que me faças duas coisas.
Está bem, diz-me.
Queremos destruir aqueles filhos da puta.
Sim.
-Não quero que o liguem a mim. -Não, meu amor.
Já me resta pouco tempo aqui.
Como o encontraste? Onde estava ele?
Estava na pensão de que te falei.
Esteve sempre com a Carla.
Primeiro foram para Santiago del Estero e depois voltaram para cá.
-Quem é a Carla? -Carla.
A amiga da tua cunhada.
Coitado, isto é lixado.
Ele está bem, ela tratou-o bem.
Isto é uma loucura.
Adorei vê-lo, fez-me muito bem.
Mas não quero que o liguem a mim. É perigoso, Emma.
-Não te preocupes. Disse que era sobrinho. -Isso é igualmente mau!
Está bem, o que querias que fizesse?
És o pai dele, ele precisa de saber que estás vivo.
Ele precisa de acreditar em mim, saber que conto-lhe a verdade.
Isto é tudo muito difícil para ele.
Só não quero que lhe aconteça nada de mal.
Aqui são impiedosos, não querem saber se é uma criança.
-Não vai acontecer nada. -Está bem.
Tenho que te dizer que a Carla desapareceu.
-Desapareceu como? -Ela desapareceu.
Quando me viu na pensão com ele, ela foi-se embora.
O Lucas está em minha casa.
-Ele vive em tua casa? -Sim.
Mas tenho de avisar as autoridades, ele não pode ficar comigo.
Não sei se a Betina tem parentes...
-Não. -Um parente que tome conta dele.
Não, ninguém tem de saber dele. Por favor, não.
Não posso ficar com ele, é ilegal.
É uma loucura, é como se fosse um rapto.
-Ele precisa de uma vida normal. -Emma.
Pensa nisto.
A família da Betina nunca quis saber do Lucas.
Ele vai acabar por ser adotado. Eu não quero isso.
Porque lhe disseste que ele ia contigo?
Não lhe devias mentir, principalmente agora.
-Não lhe estou a mentir. -Não?
-Não. -Então qual é o teu plano?
Não te desculpo teres ido falar com o idiota do Belardo à minha revelia.
Para quê?
Foste falar com ele nas minhas costas. Agora ele que resolva!
O problema não é meu.
Esta lista de pedidos que entregaram ao procurador geral,
-porque não a entregaram a mim? -Pensámos que não nos ia ouvir.
Amaya, eu não te oiço?
Porque não param de me esmigalhar os tomates?
Aquilo do Rico, foi um incidente isolado.
O que dizes, querida? Podemos ver-nos hoje?
Também quero ver-te hoje!
Não escondes os teus sentimentos. Adoro isso em ti.
E não quero ver nenhuma cara de cachorrinho triste.
Aqui ninguém é inocente.
Por isso, se querem que ligue a ventoinha
para que a merda se espalhe toda, eu faço-o.
Não me irritem mais.
Manda-me uma fotografia, uma amostra.
Que malandro me saíste!
Deem-me licença, tenho de tratar disto.
Esta merda com o procurador-geral...
Resolver esta confusão.
Os rapazes também me pediram para dizer...
Podemos trazer ecrãs grandes e projetores para o grande jogo da Argentina?
Onde é que vão buscar...
Quero saber, onde é que vão arranjar os projetores?
O Borges ofereceu.
-O Borges? -Sim, é uma doação a San Onofre,
-o nosso pequeno segredo. -Filho da puta intrometido.
Eles acham que podem fazer o que querem.
Está bem, saiam. Parem de me chatear.
Não quero mais queixas, só isso.
Esses ingratos estão a pressionar-me,
filhos da puta.
Quero ver um sorriso na tua cara.
Já combinei o teu encontro romântico.
Diz-me uma coisa, esse velho não sabe ligar?
Não podia ao menos ter a decência de ligar?
Mostra algum entusiasmo, para que ele acredite que gostas dele...
Vem cá.
Para de asneirar!
Lembra-te só, que estou simplesmente a combinar
um encontro romântico e auspicioso.
Eu quero que ele se divirta.
Queres? É pó.
Algo para o nariz? Snifar?
Talvez ele não seja chinês.
Ele está de olhos em bico.
Ele está a devorar aquela merda!
Gostas disto, não é?
Chinoca!
Casa!
O que é que ele disse?
A garrafa? Claro, podes beber.
É vinho, bebe.
A garrafa? Vai-te a ela.
Gostas, não é? Agora já estás feliz.
Eu pago para ver a cara do Marito quando vir o Jackie Chan aqui.
Não vai gostar da nossa última aquisição para o gangue.
Principalmente agora.
Porque não te animas um pouco? És sempre tão negativo.
Eles mandaram-no para o pátio! Tenho o direito de o salvar disso.
Cala-te maricas. E se eles te ouvem?
Ele não percebe nada. Ele é chinês.
Dá-me.
Vou-me embora, Emma. Vou sair desta prisão.
Só vim para cá para resolver um rapto.
Eu sei que o dinheiro do Borges está cá. Logo que o encontre...
O Lunati disse-me que usaram um localizador.
Se conseguir encontrar o dinheiro e sair daqui, posso começar uma vida nova.
Tu sabes o que eu penso.
É muito mais arriscado fugir e tentar tomar conta do meu filho,
sem ter um tostão furado. Teria problemas muito mais sérios
e o Lucas estaria perdido.
Eu quero sair daqui, ir para sul e começar de novo.
Agora estou saudável. A minha cabeça está no lugar, estou limpo.
Eu quero tomar conta do meu filho e estar contigo.
Quero que venhas comigo.
-Eu não sei se... -Emma.
Eu sei que parece uma loucura, acabámos de nos conhecer.
Mas sinto uma ligação forte entre nós.
Eu tomava conta do teu bebé, se quisesses.
Quero que fiquemos os quatro juntos, entendes?
Quem está aí?
Pastor.
Pipita.
O que se passa?
Puseram-me aqui contigo, estou no lugar do Chinoca.
Não há problema.
Eu não sou perigoso.
Seria muito difícil para mim dar um soco.
-Eles falaram-me de ti. -A sério?
-Aqui dentro és um mito. -Pois.
Queres dizer um mito morto, olha para mim agora.
-Queres um pouco? -O que é?
-Vodca. -Sim!
Tive saudades desta merda!
Não vês mesmo nada?
Não, nada.
O que te aconteceu? Como é que perdeste a vista?
Estava a fazer umas coisas na oficina.
-Que cor? -Branco.
-Olá. -Olá.
-E que tal? -Estou bem.
Este é o senhor das fotografias?
É ele.
Está tudo bem? O que estás a fazer?
-Estamos a brincar "Eu espio com o olho". -Que bom.
Tenho de ficar mais tempo, porque tenho duas reuniões.
Está bem, não te preocupes.
Se quiseres, deixamos as coisas em tua casa e vamos ao largo?
-Sim! -Muito bem.
Fantástico. Vemo-nos mais tarde.
-Sim. -Sim, está bem?
Sim.
Podemos falar um pouco, Emma?
-Dê-me licença. -Sim, claro.
O que se passa?
Liguei-te várias vezes e deixei-te mil mensagens...
Passa-se alguma coisa?
Não, tive coisas para fazer.
Ouvi um boato na prisão, no qual não acredito.
Então não acredites.
Olha, esta é uma altura difícil.
Como pediste o despedimento do Antín, vais estar sob escrutínio.
-Não tenho nada a esconder. -Tens a certeza?
Aprendeste a mentir, Emma?
Dizem que andaste a meter-te com um preso.
-Quem era? -O que é que isso te interessa?
-Porque não vais para o inferno, Gastón? -Pareces um pouco irrequieta, Emma.
Estou tão contente por teres vindo, estás deslumbrante.
Obrigada.
Estas são as minhas roupas do trabalho.
Tudo te fica bem.
És uma sortuda geneticamente.
-Obrigada. -E?
-O que achas? -Muito bonito.
Este é o meu pequeno refúgio, longe de todo o barulho.
É simpático e privado. Champanhe?
Não!
Está bem.
Obrigada.
Agora.
Explica-me como é que uma mulher como tu foi parar a um sítio como San Onofre.
O meu tio... Saúde. Ele era guarda
e trabalhava em Serra Chica. Ele morreu.
Ele foi morto?
Não, foi a próstata.
Senti logo uma grande ligação entre nós.
Mas não sabia como te abordar.
Fiquei tão contente
quando recebi as mensagens que me enviaste.
E as fotografias.
-Fotografias? -Sim, as fotografias!
Aquela fotografia que me enviaste.
Claro, a fotografia.
Eu sei que existe uma rivalidade entre vocês há muito tempo.
Não quero saber quando ou porque é que começou.
Não estou cá para isso, vim para negociar um acordo.
Se têm alguma coisa a dizer, digam-no agora,
com respeito, como pessoas civilizadas.
Se não estou em erro, o seu cunhado foi assassinado
por homens associados a este grupo.
Não sabemos de nada.
Dizem que aconteceu depois de o Borges ter ordenado
que te atacassem nos duches.
Quando? Sabes alguma coisa?
Não, isso também é novidade para mim.
Mas sabemos que ambos os grupos tiveram baixas,
que morreram homens, foram feridos e desapareceram.
Quando a violência começa a escalar,
todos perdem e vocês sabem isso melhor que ninguém.
Desculpe, você parece saber muito sobre prisões, não é verdade?
Não.
Realmente não.
Mas se quiserem melhorar a vossa qualidade de vida aqui,
têm de respeitar certas regras.
Ou preferem continuar a matarem-se uns aos outros?
Querem ter uma vida mais pacífica cá dentro?
Sim, ou não?
Claro, chefe.
Eu pelo menos, quero. Queremos.
Nós também.
Ainda bem.
Como cada líder de grupo me deu a sua palavra,
podem dar um aperto de mão, como cavalheiros.
Se forem íntegros, a vossa promessa vale alguma coisa...
-Sim, claro. -Muito bem.
Comprometem-se então quanto a isto?
-Ou precisam de assinar um papel? -Eu não.
E tu?
Eu também não.
Muito bem.
É com vocês.
Tenho a vossa palavra, certo?
Sim.
Se precisarem de alguma coisa, peçam-me, está bem?
Muito bem, podem ir.
O quê?
Que foi aquilo do aperto de mão?
Estes tipos levaram-te na certa, Gastón.
És sempre tão cética.
-Eu, cética? -Sim.
-Não fazes ideia. -Claro que não.
Não fazes ideia de quem eles são.
Achas que estão a ser genuínos? Por favor.
Havia duas enfermeiras boas como o milho.
Eu não as vi, mas ouvi dizer que eram soberbas.
Toquei-lhes no peito, como se fosse um acidente.
E eu disse: "Desculpe, menina, sou cego. Não vejo nada."
Mas elas tinham umas belas mamas, firmes.
O que se passa contigo, idiota? Cabrão.
Não percebo patavina.
O que se passa, cabrão? Para de falar, chinoca dum raio.
Pastor.
Acalma-te, Pastor!
Cabrão!
O quê?
Acalma-te, Chinoca.
Ah, Octavio!
O teu corpo foi feito para ser idolatrado, todos os milímetros de pele saboreados.
Porque não me deixas? Deixa-me experimentar.
-Agora vais ver. -A sério?
Sim. Então, não é bom?
-Gostas disto? -Sim.
Espera. E disto? Gostas disto?
Sim.
Com mais força.
Sim.
Octavio?
Octavio! Octavio?
Octavio!
Já acabou? O velho ejacula precocemente?
Ele desmaiou, a sério. Não sei o que está a acontecer.
Acho que ele teve um ataque de coração. Não está a respirar.
O que faço? Diz-me, por favor.
-Chama o 911 e vai-te embora. -Está bem.
Preciso de uma ambulância, por favor.
É para um senhor velho que desmaiou...
Parece que teve um ataque de coração.
Sim, é na Rua do Uruguai...
A morada é 3452, Uruguai.
Sim, 3452, Uruguai, apartamento 12B.
Sim, por favor.
Eu não sei, ele não está respirar.
Obrigada.
Por favor.
O meu super-herói ainda não está cansado? Para! Estás a assustar-me!
Salta numa... Para a cama! Vamos!
Dois e três!
Muito bem, assim é que é.
Já acalmaste? Estavas a assustar-me um pouco.
-Não tenhas medo. -Os super-heróis são bons, certo?
-Sim. -Sim?
Senão chamavam-lhes supervilões e não super-heróis.
Há supervilões no sítio onde o meu pai está?
O teu pai está com pessoas que cometeram erros,
não são supervilões,
apenas fizeram a decisão errada.
Enquanto estão na prisão, podem pensar e aprender a serem melhores pessoas
e depois decidir o que querem fazer quando saírem.
O meu pai vai aprender?
Eu acho que o teu pai já aprendeu a lição.
Agora são horas de dormir.
Preciso de falar com a Mabel
e depois venho deitar-me contigo, está bem?
-Está bem. -Queres que deixe a luz acesa?
Sim. Posso ficar a ler?
Sim. Mete-te na cama, isso mesmo.
Ele está a dormir?
-Está quase. -Ele é um amor.
Sim.
Vai ser difícil deixá-lo.
Não sei se o vou deixar.
Estás a pensar no quê?
Não sei. Estou muito confusa.
O que é que o tipo te disse?
Ele quer ir para sul e quer que eu vá com ele.
E como é que ele vai para o sul?
Não sei, tem um plano para fugir.
Eu sei que é uma loucura. Não olhes assim para mim.
Eu sei que acabei de o conhecer,
mas algo me diz que ele seria um bom companheiro.
Estás apaixonada?
É isso que conta.
Porque a prisão, a tua carreira...
Ama-lo o suficiente para partires com ele e com o seu filho?
Idiota, o que estás a fazer?
-Temos de matar aquele gangue do Borges. -Porquê? O que fizeram eles?
Estão a montar um grande ecrã só para eles.
O que tens a ver com isso?
-Vão deixar-nos de fora? -E o que sabes tu? Cala-te.
Disse-me o Capece.
Vamos vê-lo naquela televisão pequena?
Não, diz ao diretor que têm de o montar aqui.
Antín, a tua mãe é uma grande rata!
Ei, o que estás a fazer?
Toda esta confusão por causa de um jogo idiota? Enxerguem-se.
Vamos falar com o Antín para resolvermos isto. Passa a bola.
Vamos, cowboy.
Não sabes porque é que há tanta tensão entre ti e o Chinoca?
Não, não faço ideia.
Eu sou...
Eu não estou à procura de sarilhos.
Não provoco lutas, nunca bati em ninguém.
Não me interessa.
Mas aquele tipo
irrita-me, percebes?
Fazes-me lembrar de mim, quando eu era um idiota.
Porquê?
Não me pareces o tipo de pessoa que está resignado
a apodrecer fechado numa cadeia.
O que queres dizer com isso?
Quer dizer que o teu corpo está cá,
mas a tua cabeça está lá fora, a puxar-te que nem uma bússola.
Talvez seja.
Há algo bem lá dentro...
Às vezes dizes que só queres sair daqui.
Sabes como fiquei cego?
Disseste-me que tinha sido um acidente na oficina.
Não foi assim.
Estava a escavar um túnel para fugir.
Então, mentiste.
Despoletei um explosivo barato, que explodiu na minha cara.
Eu fui estúpido e estava com pressa.
Ouvi dizer que te deram uma cela mais confortável,
mas que insististe em vir para cá. É verdade?
Estou a ficar velho, não me resta muito tempo, Pastor.
Oiço a água a correr pelo esgoto até à rua.
A liberdade está à distância de um braço.
Cego, surdo, ou mudo, não vou morrer aqui que nem um cão.
Agora preciso de um companheiro.
EL MARGINAL É UMA SÉRIE DE FICÇÃO. QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS REAIS,
PERSONAGENS, NOMES E/OU CIRCUNSTÂNCIAS É PURA COINCIDÊNCIA.
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