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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

Olá. Tudo bem?

Olá, senhor.

Como está tudo a correr?

Que pergunta tão estúpida, não é?

Se o diz, senhor.

O Rico era um bom homem.

Temos a certeza de que foram os Sub-21?

Sim, senhor, foi confirmado.

-Ela é a viúva? -Sim.

Dê-me um segundo.

-Desculpe, é a viúva? -Sim.

Os meus pêsames.

-Os meus sentimentos. -Os meus pêsames também.

O Rico era um ótimo homem, era muito respeitado.

Era um agente com verdadeira vocação.

Era um modelo,

iremos sempre lembrá-lo nos nossos corações.

Não posso prometer nada, porque não depende de mim,

mas darei o meu melhor

para pendurar uma placa com o nome Rogelio Rico,

em honra de tudo

o que ele representava para a comunidade da prisão.

Quem é o senhor?

Antín,

sou o diretor de San Onofre.

Como se atreve a vir cá?

-Não. -Larga-me.

-Espera um segundo. -Acalma-te, por favor.

Espera.

-Sei quem você é. Larga-me. -Acalme-se.

É responsável pelo que aconteceu ao meu marido.

-A única coisa que fiz foi protegê-lo. -Protegê-lo?

Suspendeu-o, enviou-o para casa e mataram-no na praça.

Mataram-no na praça! Tirem este filho da mãe daqui!

Estou grávida dele!

Tirem-no daqui! Vou matá-lo!

Vá-se lixar!

Que idiotas!

Acalma-te, a reação deles é natural.

Porque é que me fizeste vir cá?

Podíamos ter enviado uma coroa. Podem ir todos para o inferno.

-Acalma-te. -Idiotas.

Estou. Sim.

O que se passa, Capece?

Estou a sair de uma situação chata no funeral do Rico.

Estão a fazer um motim na sala das visitas?

-O quê? -Mas quem é que...

Qual é o gangue?

Os guardas estão a fazer um motim, em protesto pelo que aconteceu ao Rico.

Podem ir todos à merda.

Podem ir para o inferno. Diz-lhes que estou a caminho

-e que os vou espancar... -Por favor!

Cala-te!

O que se está a passar?

O que se passa, Capece?

Os guardas estão a protestar. Está tudo em alvoroço.

Merda.

Porra.

Faz-nos um chá mate, por favor.

Obrigado.

Que montes de merda.

Anda cá! Do que estás à espera? De um convite por email?

Não há muitos guardas por aqui.

Ninguém neste país quer trabalhar.

Porque é que estão a protestar?

Por causa da morte do Rico.

Coitado.

Dizem que morreu ao lado do cão, numa praça.

Mataram-no mesmo ali.

-Ele tinha filhos? -Ouvi dizer que a mulher está grávida.

No final das contas, morreu rápido.

Uns tiros no peito e pronto. Nem sequer teve tempo para sofrer.

Por outro lado, ouvi dizer que o Osvaldo sofreu muito.

Devíamos tirar partido desta situação.

Na ausência de guardas, podemos atacar mais facilmente

o gangue Sub-21 e fazer merda.

Relaxa. Não te preocupes.

O Marito já tem um plano.

Que plano? O que sabes?

Desfrutem da vossa refeição de merda.

O que se passa com ele?

O que se passa contigo?

Estás apaixonado?

Estás distraído. O idiota está apaixonado.

-A sério? -Sim.

-Que estás a dizer? -Apaixonado por quem?

Apaixonou-se pela Sra. Molinari.

Para de dizer parvoíces, porque vão acabar por acreditar.

Ela é muita areia para ti. O meu irmão tentou meter-se com ela,

ele é muito charmoso, e não conseguiu conquistá-la.

-O teu irmão, Rati? -Sim.

Como é que ele a conhece?

Pedi-lhe para falar com ela, para a ajudar a verificar informações.

Um dia, estava a compor a parede com este tipo

e ele parecia atraído por ela. Agora estão juntos.

Tens uma imaginação fértil. Como se uma mulher assim

-me ligasse alguma. -Desde quando és tão modesto?

Ainda bem para ti, ela é bem jeitosa!

Pessoalmente, não olharia duas vezes para ela,

mas parabéns. Ela deve ser boa na cama.

Estás a dizer asneiras.

Ele nunca me falou sobre a Molinari. Porque é que não me contou sobre ela?

Acho que estás obcecado por algo que pode não ser verdade.

Fale baixo!

O Pastor deve estar a ouvir.

O Pastor? Do outro lado da porta?

Porque estaria do outro lado da porta a ouvir?

Porque quer saber o que eu penso da relação dele com aquela miúda.

É só um rumor, provavelmente só estão a brincar contigo.

A brincar? O Triste confirmou.

Não confirmou nada.

Ele usou a palavra "parecia" e isso não é uma confirmação.

O que se passa consigo? Aquela matreira também o atingiu?

Ela é uma colega.

Uma colega? Vá lá.

Tem mais problemas com ela do que eu.

Discordo.

Seja como for, vamos voltar para o que estavas a dizer.

Achas que o Pastor tem uma relação sexual

com a Sra. Molinari.

Ela fê-lo de propósito. Sei que fez.

Está furiosa comigo por a ter pressionado,

há uns meses.

Agora quer tirar-me o meu amigo.

Tirar-te? Ele não pode continuar a ser teu amigo?

Ela tem-no... Como se diz...

-Tem-no na palma da mão. -É isso.

Estás a dizer que o Pastor

não pode ser teu amigo e, ao mesmo tempo, ter um relacionamento

com uma mulher?

Sei onde está a tentar chegar.

-O que é? -Está a chamar-me maricas.

-E ele também me está a tratar como um. -Credo!

Vai ver, maricas!

Olá.

Desculpe. Quem é você? O que faz aqui?

Sou uma amiga da família.

Procuramos informação sobre o rapaz que vivia cá.

Ele ainda está desaparecido e ainda não sabemos de nada.

Conhecia a família?

Não, não sei de nada.

Não tinha qualquer contacto com eles.

Conhece alguém daqui que os pudesse ter conhecido

ou que possa ter informações?

Porque não tenta a mercearia da esquina?

Uma das raparigas que trabalha lá conhecia a família.

Muito bem, perfeito.

Muito obrigada.

De nada.

Posso pedir um favor? Podem parar de vir cá?

Isto antes costumava ser uma vizinhança sossegada,

e agora andamos todos abalados, nervosos.

-Posso imaginar. -Sim.

-Adeus. Obrigada. -Adeus.

Mario.

-Obrigado. -De nada.

E então?

Não nos vais dizer nada?

O que querem que vos diga?

Como vamos responder àqueles malditos, no pátio?

Em vingança pelo Osvaldo. Vamos deixar passar?

Estou farto de jogar este jogo de dente por dente.

Então não vamos fazer nada?

Não, tenho uma ideia.

Temos de aniquilar

o gangue Sub-21.

Temos de acabar com eles de uma vez por todas.

Subestimei-os.

São muito bons a recuperar e a organizarem-se.

Se continuarmos a jogar o jogo deles,

isto será o fim.

Então, vou acabar com eles,

com todos eles.

-O que se passou aqui? -Não sei, mas ajudo a limpar.

César, dás-me uma mão?

Está tudo bem, eu termino.

Está bem, vou enviar um zelador.

Está bem.

-Adeus. -Senta-te.

O que se passa?

Com quê?

A tua família está preocupada, dizem que não os queres ver.

Sinceramente, não quero ver ninguém.

É por causa do que aconteceu no balneário?

Não é nada demais. Está feito.

Como assim, "está feito"?

Um grupo de homens agarrou-te e quase te matou.

Já acabou.

Tens ido ao psicólogo?

Não.

Devias ir.

Estou bem.

Então posso dizer-lhes que te podem vir visitar?

Se quiserem vir, podem vir. Estou cá.

Seja como for, devias ir ao psicólogo.

-A sério. -Está bem.

Preciso de te pedir um favor.

Tens influência no pátio, podes fazer-me uma coisa?

Porque não pedes ao Pastor?

Prefiro pedir-te a ti.

Está bem, o que é?

Vão chegar dois prisioneiros novos.

Um é chinês e não fala espanhol,

e o outro é o Pipita, ele quer ir para o pátio.

Gostava que os recebesses e os tratasses bem. Podes fazer isso?

-Sim, podes contar comigo. -Ótimo.

E promete-me que vais ao psicólogo.

-Prometo. -Está bem.

Agora tenho de limpar esta confusão.

Está bem.

-Até logo. -Obrigado.

-Posso ficar com isto? -Deixa isso aqui.

-Ele preocupa-se mais com os presos. -Porque dizes isso?

Suspendeu um guarda e deixou-o entregue ao seu destino.

O que se passa aqui, cavalheiros?

As pessoas estão à espera para verem os familiares.

Podem ir para o inferno! Têm de nos dar ouvidos!

-O que se passa contigo? -Para!

Espera um pouco.

Estás a representar estas pessoas?

Estás a representar as exigências destas pessoas?

Querem que as queixas sejam ouvidas.

E quem sou eu? Não sou o diretor da prisão?

Querem falar? Vamos falar de maneira civilizada.

Vamos para o meu gabinete esclarecer as coisas.

Eles não querem falar consigo. O procurador-geral está cá.

Não acredito nisto!

Obrigado por ter vindo, Octavio.

Lamento que o tenham incomodado com algo tão pateta.

Ouça, Antín. Quando alguém menciona San Onofre,

nunca é uma coisinha pateta. Temos problemas graves.

Não, não é assim.

Entra.

Espera.

Espera. Ouve-me.

-Tenho de te fazer uma pergunta. -O quê?

Conheces uma mulher chamada Carla?

Ouve-me com atenção, há uma senhora chamada Carla,

era amiga da tua cunhada, costumava ir a casa do teu irmão.

Conhece-la?

Não sei. Porquê?

Porque é ela que está na foto com o Lucas.

Suspeito que, provavelmente, o Lucas está com ela.

Como sabes?

Fui a casa do teu irmão. Andei pela vizinhança.

Falei com alguns vizinhos e eles falaram-me dela.

Parece que estava assustada com o que aconteceu e,

em vez de levar o Lucas à polícia, partiu com ele.

-Para onde? -Não sei.

Mas tenho o nome da pensão

onde a mãe dela costuma alojar-se.

Estava a pensar ir lá

para ver se consigo mais informações.

-Tem cuidado. -Sim.

-Tem cuidado onde fores. -Não te preocupes.

Isto é uma boa pista, talvez o encontremos.

Sim.

Obrigado.

Filho da mãe!

Que filhos da mãe!

Que outras surpresas trouxeram?

É verdade que alguns prisioneiros faltaram

à chamada de hoje?

Sim, o Arévalo, o Troncoso e o Díaz.

Obrigado.

Encontrei um deles.

Como é que isto veio parar ao meu prato?

Não sei. Deram-me o prato, só o trouxe.

Estamos fartos de pedir o aumento da segurança.

Os prisioneiros é que mandam aqui.

Se os olharem de lado, eles querem denunciar-vos por abuso.

Mataram o Rico lá fora, mas foi um ajuste de contas

por um incidente no pátio.

Não, estás a confundir os factos.

Os salários são baixos, há quem precise de dois empregos.

-Isso não é comigo. -E temos de pagar os uniformes.

Cavalheiros, podem fazer uma lista de exigências e recomendações?

E, como sinal de boa-fé, voltem para o trabalho, por favor.

Muito bem, doutor.

Entreguem a lista ao doutor Belardo e ele entrega-ma.

Eu trato de tudo.

Quero que saiba que não gosto que passe por cima de mim.

-Podemos falar um minuto? -Claro.

Capece, anda.

Era mesmo disto que precisávamos para os guardas quebrarem o silêncio.

Só precisamos de os pressionar um pouco.

Tens de os fazer falar.

Dá-lhes todas as garantias que quiserem.

-Antín. -Esta não é a melhor altura...

-É muito importante. -Está bem, o que se passa?

Faltaram três prisioneiros à chamada desta manhã.

Fugiram?

Não sei, não os conseguimos encontrar, o Arévalo, o Díaz e o Troncoso.

O Díaz? Já sei o que se passa.

Diz ao César e ao Peña para virem ao meu gabinete.

Está bem.

Uma coisa...

-Antín. -Sim.

-Com licença. -Sim.

Com licença, boa tarde.

Gostava de falar consigo a sós.

Também eu. Vamos para o meu gabinete,

vou explicar tudo para que entenda.

Vamos, Lucrecia. Doutor, por aqui, por favor.

Vou fazer café.

Quem está na cozinha?

O Chavo, o Piltrafa, o Patito

e outro tipo. Mas não acho que eles...

-Não sabes de nada. -Não, Mario.

-És um idiota. -Não, Mario.

És um idiota e não me estás a proteger.

Estamos no meio de uma guerra e não estás a fazer o teu trabalho.

Deixam-me completamente exposto, são uma cambada de idiotas.

-Não é assim, Mario. -Maldito.

Cala-te, monte de merda! Maricas!

Ouçam todos!

Algum filho da mãe contaminou a minha comida com este dedo.

Aposto que está aqui um rato dos Sub-21.

Quero que digam a esses idiotas

que estas partidas não assustam o Borges.

Quando as mães deles estavam a tentar decidir se abortavam

ou se os atiravam para uma vala,

já eu tinha feito a escola toda.

Podem dizer a todos os montes de merda lá fora

que não são mais espertos que o Borges, estarei sempre dois passos à frente deles.

-Obrigado. -De nada.

Por favor, trata bem os prisioneiros, sim?

Não te preocupes.

Trouxe-te outro trabalhador para acelerar as reparações.

Vens trabalhar para aqui?

É assim que cumprimentas um amigo?

-Sra. Molinari. -Como estás?

Está tudo bem?

Passa-se alguma coisa?

Toma isto.

Este estabelecimento de San Onofre

sempre foi um exemplo.

No passado, nunca houve fugas da prisão ou motins,

nunca ninguém tinha sido magoado ou torturado cá.

Não tínhamos lutas de gangues ou máfia da prisão.

Víamos pouca toxicodependência. Sente-se, doutor.

Mas depois de eu ter sido nomeado como candidato

para o cargo de subsecretário de segurança, os problemas começaram.

Hoje, San Onofre é um ninho

de todos os tipos de problemas,

fugas, crimes, máfia, etc.

Não acha isso fascinante?

Tanto quanto sei, este lugar nunca foi um estabelecimento modelo.

Lá porque não sabia não quer dizer que não é verdade.

É um político experiente, sabe muito bem

de que quando as pessoas são discretas

e não falam, não têm problemas.

Quando dizemos o que pensamos

e defendemos aquilo em que acreditamos é que o problema surge.

Se abanar as coisas, deixa as pessoas nervosas

e elas começam a jogar sujo.

Isto são acusações sérias. Se tem nomes, dê-mos.

Tenho nomes mas não lhos posso dar agora,

porque não tenho provas. Isto são pessoas poderosas,

que são contra a nossa política

de lidar com criminosos. Disciplina e castigo, como disse Foucault.

Sou completamente contra a ideia de prometer direitos garantidos.

-Vejo que se interessa por política. -Desde que era pequeno.

Os políticos são peritos

na arte de esconder o óbvio.

Vou dar-lhe o benefício da dúvida

em tudo o que diz.

Tem havido incidentes muito grandes em San Onofre,

mortes...

Foram apenas ocasionais.

-Ocasionais? -Sim, quero dizer...

-Está a negar tudo. -Com licença.

Não, não estou a negar.

-Trouxe-lhes café. -Lucrecia, não é?

Sim, é isso mesmo. Espero que o café esteja bom.

Se o fez, de certeza que está perfeito.

Açúcar ou adoçante?

-É tudo, obrigado. -Com licença.

Que belo rabo!

-Podemos fazer uma pausa? -Não, ainda agora começámos.

Não estou a falar contigo.

-Pastor, queres ir fumar? -Não, vai tu.

Queres que implore, vadia?

Chamaste-me "vadia"?

Porque estás a olhar assim para mim?

O que aconteceu entre vocês os dois? Vocês foderam?

Não, estava a brincar.

Ele agora está diferente comigo.

Era meu amigo.

Queria que o apresentasse ao meu irmão, para trabalhar.

Agora diz que é independente, mas está do lado do gangue dos Sub-21.

-Já disse que não estou do lado deles. -Isso não está bem.

Devias ficar do lado dos teus amigos, como o Triste.

-Aqui o Triste é um tipo leal. -Não me arrastes para isto.

Vamos só trabalhar.

O que se passa? Estou a incomodar-te?

Tens medo de que estrague as coisas com a tua dama?

Porque não paras de me chatear?

Parece que o estás a fazer de propósito.

De todas as mulheres do mundo, vais atrás

da que mais odeio.

Fumaste demasiada merda, está a comer-te o cérebro.

-Como assim? -Isto é uma loucura.

Sabias que não tive a minha licença temporária por causa dela?

É por isso que estou aqui preso.

Aquela vaca quis lixar a minha vida.

Não importa.

Vou ser o último a rir.

Agora que andas atrás dela,

queres a morada dela?

Não, não quero que me dês nada.

Fiz umas pesquisas.

Até sei o tamanho do sutiã dela.

Ouve-me, palerma.

Não percebes que não quero que me chateies mais com isto?

E deixa-a em paz, monte de merda.

O que se passa? Gostas de a foder?

Vou para o sítio de que te falei. Falamos mais logo, está bem?

-Está bem. -Adeus.

Obrigado.

Olá.

Queres jogar à bola?

Olá, bom dia.

Desculpe, senhor.

Estou à procura de uma mulher chamada Nora, ela está cá.

Não, não a conheço.

Sabe a quem posso perguntar?

-Quem é você? -Emma, sou amiga dela.

Estou à procura dela. Talvez alguém aqui

me possa dar alguma informação?

A gerente, mas não está cá agora. Volte esta noite.

Está bem, obrigada, desculpe tê-lo incomodado.

Lucas? És o Lucas?

Sou amiga do teu pai, o Miguel.

-És amiga do Miguel? -Sim, sou a Emma.

Ele está à tua procura.

-Axel, anda cá. -Olá.

És a Carla? Não tenhas medo. Sou a Emma, amiga do Miguel.

Do pai do Lucas.

Ainda não consigo tirar a imagem da cabeça.

Ela estava morta, no chão, numa poça de sangue.

O pobre Lucas estava escondido debaixo da cama.

Não sei como alguém pôde matar a Betina assim.

Ela era minha amiga.

O Fernando envolveu-se com as pessoas erradas.

Eles iam embora.

Ele queria sair rápido e afastar-se uns tempos.

Sentiu que estavam em perigo.

Escapámos para Santiago.

Ele tinha medo de que, se voltasse, o encontrassem

e lhe fizessem também alguma coisa.

Disseram que era um ajuste de contas, uma vingança.

Tive de voltar porque não conseguia trabalho lá.

Estás a trabalhar, agora?

Felizmente, sim.

Deixam-me trazer o Lucas para o trabalho.

Não tens ninguém para cuidar dele?

Não. A minha mãe cuidava dele, mas teve de voltar para Santiago,

os meus irmãos precisavam dela.

Falaste com a polícia?

O pai do Lucas era polícia e agora está na prisão, não é?

Não sabia se podia confiar neles.

Fizeste a coisa certa. Não podes confiar em ninguém.

Graças a Deus, encontrámo-nos uma à outra.

O Miguel está muito preocupado com o Lucas.

Não sabia onde o encontrar.

És namorada dele?

Sim.

Vais ajudar-me?

Claro.

O Lucas tem de voltar para a escola

e regressar a uma vida normal.

Ele é muito sossegado, coitadinho.

Não chora.

Mas sei que está a sofrer.

-Anda, senta-te. -Temos problemas, não é?

Sim, temos problemas.

Desde que me tornei nomeado para subsecretário de segurança,

alguns candidatos estão a tentar desacreditar-me,

fazendo-me parecer mal.

Merda.

Sabíamos o que esperar, mas isto é demasiado.

Ouvi dizer que planeiam intervir.

-Não! Não digas isso! -Bem...

Nem sequer sugiras tal coisa!

Fodo o cu ao procurador-geral antes de intervirem.

Não conhecia este teu lado, mas podes sempre propor-lhe.

Vê o que te responde, talvez ele queira experimentar algo novo,

uma experiência nova.

O procurador-geral não gosta de homens.

Gosta de miúdas, ele aprecia a beleza feminina.

Gosta de miúdas bonitas e fáceis como tu.

O que estás a sugerir?

Talvez seja altura de fazeres algo para ajudar a causa.

Que causa?

A nossa causa. Não concordámos em subirmos juntos

para o gabinete de segurança?

O procurador-geral gosta de mulheres,

gosta de ti e acha-te bonita. Ele pediu-me

para vos apresentar.

Estás a brincar.

Não! É tão difícil de imaginar que se sinta atraído por ti?

És uma mulher bonita, esses olhos...

Sei que os homens me acham atraente.

-Então? -Isto é diferente. Estás a pedir-me

que me entregue a ele para te safar dos problemas.

Estou a pedir-te que o fodas

para me safares disto.

Estás a pedir-me para me prostituir.

De graça.

Não percebo porque é que o cavalo se tem de mover assim.

Não sei, é só uma das regras do jogo.

Não importa o motivo.

Move-se assim, é só isso.

-É uma merda. -Não, é um bom jogo.

É estratégico, são competências de vida.

A sério? Isto vai ajudar-me a ser um ladrão melhor?

Inspeção, malditos!

Inspeção, saiam!

Saiam!

Vamos.

Saiam! Vão para o pátio!

Inspeção!

Vamos! Todos para fora!

Mexam-se!

Eu disse: "Rua!"

Não fiz nada, parem.

Esperem!

Gosto de quando estão bonzinhos e quietos.

Ouviram-me? Vão!

É assim que eu gosto.

Não encontraram nada?

Vá lá, Capece, não há nada aqui. Parem de nos chatear.

Não têm nada, montes de merda?

São espertos.

Somos pobres, vão revistar o Borges.

São pobres?

-Vocês os dois, venham comigo. -Para onde?

Vamos. Caminhem.

Mexam-se.

Tu também, anda.

Queria esclarecer algumas coisas com vocês.

Sobre as buscas no pátio? Eles partiram tudo.

Para, estou a falar.

Antes de mais, já soube da situação no balneário.

É verdade?

Sim.

O que aconteceu?

Apareceram quando estava a tomar banho

e bateram-me.

Espancaram-te.

-Sim. -Está bem.

Nesse dia, o Rico estava

responsável pelo balneário.

Estava a monitorizar essa secção.

Sabias que o Rico foi assassinado?

Não.

O gangue Sub-21 matou-o.

Assassinaram-no em Torcuato.

Sabem o que é isto?

Uma medalha, claro.

Mas de quem é?

Esta medalha era do Pablo Díaz.

Sabem quem era o Pablo Díaz?

Um dos três presos que desapareceu.

E, ouçam isto,

um passarinho contou-me

que foram esses três que te espancaram no balneário.

Sabias disso?

Não, tinham as cabeças tapadas.

O que sabem sobre o dedo

que o Borges encontrou no prato?

Sabem de alguma coisa?

Não sabem de nada.

Normalmente sabem mais do que os outros.

É como se alguém

vos estivesse sempre a aconselhar.

O Peña sabe

que quero que as coisas melhorem.

Mas, para as coisas melhorarem,

tem de haver uma diretriz.

Vocês compreendem? Porque estão a olhar para mim como...

-Não. -Não compreendem?

Como vos posso explicar isto?

Esta prisão, San Onofre, é como um barco.

Está a navegar para sul.

Estou no comando

e vocês no convés.

Sinto problemas e digo que o barco se pode afundar.

Porque afundaria?

Porque a tripulação pensa

que podem navegar em águas turbulentas,

sem um capitão.

E não podem.

Compreendem?

Preciso de navegar uma rota e trazer o barco para o porto.

Se o barco se afundar,

serei o primeiro a cair,

e vocês vão afogar-se como ratos.

Matem-se, se quiserem,

mas parem de me chatear.

Saiam.

Disse para saírem!

Idiotas.

Estes dois tipos são uns maricas.

A minha sobrinha bate com mais força.

Sinto falta de lutadores como o Roña.

Vi-o em 1994, Jackson vs. Roña.

Foi extraordinário.

O Roña foi derrubado e ficou lá deitado, quieto.

Parecia que ia atirar a toalha ao chão,

mas, mal o Jackson baixou a guarda,

o Roña deu-lhe um gancho esquerdo e deu cabo dele!

Foi fantástico!

É isso que precisamos de fazer.

Deixamos que nos atinjam, deixamos que venham.

Não importa que nos vejam a cair.

Não importa, deixamos que nos atinjam.

Vais apanhá-los de surpresa.

Do que estás a falar?

O que sabes? O que é que ele sabe que eu não sei?

Falas demasiado.

Vai dizer ao psicólogo ou a outro idiota.

Isto são todos?

Acho que também há uns novos.

Não importa.

Que se lixem para ir ao pátio.

Do que estás a falar? Deixa-me ver esse papel.

-Dá-mo, Marito. -Vais descobrir.

-Não, quero saber agora. -"Quero saber agora."

Do que te estás a rir?

Assim não está bem.

Se abrires a boca, arranco-te a língua com os meus dentes.

-Entendido? -Sim, não vou dizer nada. Conta-me.

Anda cá.

Sabes como nos livrávamos do lixo quando eu era pequeno?

Como?

Incendiávamo-lo.

Chegámos. Deixa-me acender a luz.

Já está.

Esta é a minha casa.

Bem-vindo.

-Gostas? -Sim.

-Sim? -Sim.

Onde está o gato?

É preguiçoso, deve estar no meu quarto.

Ali está o Pancho, a dormir, como sempre.

-Olá, Panchito. -Olá.

-Posso tocar-lhe? -Sim, claro.

Olá, Panchito, trouxe-te um amigo. Este é o Lucas.

Esta é a minha cama, onde durmo.

Onde vou dormir?

Onde quiseres.

Podemos pôr um colchão ao lado do meu.

-Tens fome? -Sim, muita.

Gostavas de cozinhar comigo?

Já vimos, Panchito.

Vamos ver o que há no frigorífico.

Uau! És um ótimo ajudante!

Isto sobrou.

Não, a minha irmã vem comer connosco.

Quero que a conheças. Vais gostar dela.

Ainda bem que estás aqui, porque sou terrível a pôr a mesa.

É fácil.

Está ótima.

Deve ser a Mabel. Vou abrir a porta.

-Olá. Chegaste mesmo a tempo. -Como estás?

Estou bem.

-Como estás? -Vou andando, mais ou menos.

E o meu amigo Lucas?

Não sei.

Ele estava aqui.

Até lhe trouxe um presente.

Ele está na casa de banho?

Lucas.

Lucas.

Luke, estás aqui?

-Lucas! -Está a brincar às escondidas?

Lucas?

Luke?

Luke.

O que fazes aí?

Estás com medo?

Porquê? Por causa da porta?

Desculpa, meu amor. Devia ter-te contado. É a minha irmã.

Não te vai acontecer nada aqui.

Vou cuidar de ti.

Está bem?

Queres conhecer a minha irmã? Acho que te trouxe um presente.

Anda.

Devagar. Anda.

Pronto.

-Estás bem? -Sim.

-Sim? -Sim.

Deixa-me apresentar-te a Mabel.

Passa para aqui.

-Vá lá. Não sabes jogar. -Toma lá.

-Não paraste. -Atiraste-me ao chão.

Este chinês vai ficar com o lugar do Picachu.

Podem todos fodê-lo ou pedir-lhe acupuntura.

Não te incomodes a falar com ele, ele não percebe nada.

Está tudo bem?

O que se passa com o tipo? Os chineses são todos iguais.

Vá, vamos.

Passa.

Estou farto de estar aqui preso.

Quero estar na praia,

à noite,

e sentir o vento na cara.

Não quero pensar em nada.

Podias estar rodeado de raparigas,

a dançar e a abanar os rabos.

Não, ninguém daqui.

Sem ninguém para me chatear.

Sozinho?

Com a Gladys.

Odeio estar longe dela, principalmente agora.

A morte do Osvaldo custou-te muito.

Ele era como um irmão para mim. Como tu.

Lembras-te de quando marcámos um golo

àqueles tipos do Don Bosco?

Ele mexia bem na bola.

Ele jogava bem.

Gritou na cara deles.

Foi por isso que ficaram tão furiosos.

Nesse dia corremos tanto.

Quando alguém tão próximo morre,

há uma parte de nós que vai junto.

Agora temos de ser mais fortes do que nunca.

Quando parares de te armar em super-herói, podes contar comigo.

Estou aqui.

Vamos mesmo incendiar o pátio com os tipos lá dentro?

Estou farto disto.

Estou cansado.

Não quero ter de continuar a lutar para provar quem sou.

Quero que isto acabe, finalmente.

É isso.

Terminado. Basta.

Basta.

Mas também temos amigos no pátio.

Estás preocupado com o Peña?

O que se passa contigo? Ele é teu namorado? És homossexual?

Não sou homossexual.

Ele é meu amigo.

Não te preocupes.

Vamos salvar os nossos amigos.

O importante é apanhar todos os membros do Sub-21

e os seus compinchas.

Dá-me um cheiro.

A sério?

Só um cheiro, não é nada...

Um cheiro não vai fazer mal.

Isto é que é um bom cheiro, filho da mãe.

Isto é da boa,

é uma merda poderosa.

Não vais precisar de mais.

Já chega.

Como pudeste comer um dedo?

Viste as caras deles? Meu Deus!

Quase vomitavam o pequeno-almoço.

Que nojo.

-Também comeste a unha? -Já a caguei.

Como vais incendiar o pátio todo?

O James está a preparar tudo.

Para quando?

Quando a Argentina jogar com o Brasil. Vamos trazer ecrãs grandes,

que os vão distrair um pouco.

Vamos perder o jogo?

Temos de preparar um churrasco enorme no pátio.

Vai ser um churrasco e peras.

Meu Deus.

ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO. QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS,

PERSONAGENS, NOMES E/OU CIRCUNSTÂNCIAS REAIS É PURA COINCIDÊNCIA.

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