All language subtitles for El Marginal S01E06

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Original subtitles

UMA SÉRIE ORIGINAL NETFLIX

As teorias apontam para um ajuste de contas.

Porque os dois assassinatos foram cometidos à mesma hora.

O Fernando Palacios sofreu uma facada mortal

à porta do centro geriátrico onde a sua mãe estava.

Ele morreu nos seus braços.

A vinte quarteirões desse local, a sua mulher Betina

foi baleada dentro de sua casa.

Lucas!

A família estava prestes a partir em viagem.

Provavelmente, deviam andar fugidos.

Lucas Palacios, sobrinho do casal assassinado,

continua desaparecido. A polícia continua à procura.

Dói-te?

Que se passa, imbecil? Queres que te dê outra tareia?

Mais cedo ou mais tarde, terei a minha vingança.

O hospital enviou isto. É para os remédios.

Está bem.

Volta mais tarde, para vermos as ligaduras.

Irmão, bem-vindo a casa.

-Tens apenas sete vidas. -Para.

-Cuspiste a bala? -Não. Deixaram-na lá dentro.

Dizem que não se justifica o risco de a tirar.

Nunca mais passas pelos detetores.

Este idiota não acredita em mim.

Diz-lhe quem te salvou a vida.

Ele diz que foi como o Bruce Willis.

É verdade, ele salvou-me.

Vês? Eu não minto. Percebi que era uma armadilha.

Eles iam matar-nos a todos.

A coca faz-te crescer os tomates.

Que grande susto, não?

Mas agora tens a tua recompensa.

Agora podes vir para o nosso bloco de celas.

Contigo? Não, agora vou ao pátio.

-Estás a desprezar-me? -Não.

-Somos amigos, ou não? -Tenho de estar com o pessoal.

Consegues gerir o sítio a partir das celas.

Não, tenho de estar aqui por causa do negócio. A sério.

O Marito disse-me que precisa de falar contigo, já.

-Porquê? -Ele não me deixa mentir,

não tenho nada a ver com o que foi decidido.

-Não, isso é verdade? -É verdade.

-Não percebo nada. -Isso vocês decidem.

Marito vai contar-te.

Eu não tenho nada a ver com isso.

-Bom dia. -Olá, bom dia.

Desculpe, por invadir o seu espaço.

Tive que vir a esta casa de banho porque na nossa,

na dos seguranças, não há água quente.

Não há problema. Está tudo bem?

Sim, estou no meu melhor momento.

O que se passa? Em tua casa também não há água quente?

És cá uma peste.

A minha mulher deu-me o cartão vermelho.

Não ia para um hotel ou para casa do meu irmão,

então vim para o escritório.

O que aconteceu? Que fizeste?

Nada, umas parvoíces.

Ao menos antes, desfrutávamos das reconciliações.

Agora não.

-Adeus. -Adeus.

Meu.

Estava à tua procura.

-Notícias? -Está tudo bem.

Tenho um bom pressentimento, vamos fazer umas apostas.

-Qual é o número da separação? -Não tem um número.

Como assim, não tem número?

Dou-lhe o número 17, a desgraça.

Não, a desgraça não. Eu tenho o oposto.

Então vamos aos processos legais, número 78, a prostituta.

Filho da puta.

Não, para.

Joga 100 pesos no duplo zero.

-E fico-me por aqui. -Com isto, deve-me 370 pesos.

Passa no meu escritório, quando quiseres.

Mario.

Que estás a fazer?

Que estás a fazer aqui? De onde vens?

Ontem à noite, o pessoal estava a fazer uma festa,

a ver televisão e a ouvir música no máximo.

Uma grande festa.

Eu não quis ser o velho rezingão,

portanto vim dormir para aqui.

-Onde eles fodem os preguiçosos. -Ao menos fodem.

Como vão as coisas em casa?

Porque me estás a mentir?

O pessoal disse-me o que fizeste ontem à noite.

-Que disseram eles? -Que andas a comer um travesti.

-Estás apaixonado? -Sim.

Isso é bom. Aproveita.

-Tem recebido visitas da sua família? -Sim, aparecem muitas vezes.

A sério?

Eu recebo os registos das visitas.

-Então, já sabe. -Sim, sei.

Perguntei para ver se me queria contar.

Não percebi.

Não sou assim tão esperto.

O que se passa? Há algum tempo que não o visitam.

Tem ligado para eles?

Sim.

Mas está pior lá fora que cá dentro.

Que quer dizer?

A minha mãe é uma desgraça.

Os meus irmãos também. Deixaram a escola, vendem coca.

A minha mãe descobriu e disse para pararem.

Mas os sacanas não querem saber.

Mais, eles têm problemas com a polícia.

E a minha mãe está no meio da confusão.

Tem pai?

Morreu quando eramos crianças.

A sua mãe trabalha?

Limpa casas.

Mas não ganha o suficiente. E agora tem os gémeos.

É por isso que não vem.

Consegue ajudá-los, mesmo daqui.

Não só financeiramente, mas também pode dar-lhes apoio.

Mesmo que não possam vir, pode ligar-lhes.

Sim, eu sei.

É muito importante para a sua família.

Vamos ver se acabo a escola, antes dos meus irmãos.

Certo?

Será um exemplo a seguir.

Conheço pessoas que trabalham na zona onde mora.

Vou falar com eles a ver se podem ajudar.

Bem.

É tão querida.

-Olá. -Olá.

-Bem-vindo. Outra vez. -Como está?

-Como te sentes? -Bem.

O que disseram os médicos?

Vou ficar bem. Apenas com um pouco de dores.

A bala continua presa, mas não passa disso.

Falaste com o teu advogado?

O meu advogado?

Não.

Está de viagem. Porquê?

Para ver o que diz.

Posso-lhe dizer que já te deram alta.

Qual é o nome dele?

Fernando Palacios.

Fernando Palacios...

Sabes quando volta?

Não.

Entretanto, talvez devas falar com alguém do departamento legal.

Não estou a entender.

Eles podem condenar-te a prisão perpétua, Pastor.

Mataste outro recluso. É muito grave.

Quem é que eu matei?

Como assim, quem? O Morcilla.

Assumir a culpa da morte do Morcilla é um sacrifício,

mas assim, fazes-me um grande favor.

És um elemento importante do gangue.

E por mérito teu.

Pela forma como agiste, durante esta operação.

Quando pertences a uma família,

tens de pensar em todos os membros.

Neste caso, a função era cobrir-me a mim.

Não me podem dar mais anos, estou quase lá.

Falta-me pouco tempo para sair.

Enquanto tu fizeste merda da grossa.

Deste cabo de pessoas.

Não falei contigo porque estavas internado.

Tivemos de tomar uma decisão rápida.

-Percebe que te estamos gratos. -Sim.

Haverá uma grande recompensa financeira.

A sério.

Vais receber uma quantia avultada.

Mas que grande asneira com a miúda.

Lixaram-nos bem.

O estranho é que

só dei as direções para o local

uns minutos antes de partir.

Viste algo suspeito?

Não.

Jesus foi traído, mas a mim, não me lixam.

A diferença

é que, em breve, descobrirei quem foi.

E quando descobrir,

vou agarrá-lo e pendurá-lo pelos tomates.

Não o faças aqui, para não pores outro cadáver na conta do Pastor.

Estás ressentido, Pastor?

Não, Mario. Está tudo bem.

O procurador não tem nenhuma objeção contra o caso do Somoza.

-Então? -Entendemos que o recluso

teve uma crise antes de ser libertado e suicidou-se.

Exatamente.

Mas a fuga do Gustavo Sosa é pouco credível.

Quanto ao Sosa, passei a questão da conduta ao juiz de serviço.

Pedi um sumário administrativo.

E quanto à luta em que morreu um recluso e outro foi ferido a tiro?

Pergunto-me se acha normal encontrar armas numa prisão.

Se fosse normal, não teríamos apenas um ferido em dois anos.

Teríamos dez assassinatos por dia.

Claramente, foi um caso isolado.

A sua atitude não está a ajudar.

Deveria fingir que se preocupa um pouco com a auditoria.

Preocupo-me com a auditoria, sou um funcionário honesto.

Aliás, de todos os antigos funcionários prisionais, sou o que melhor aplica

as novas técnicas penitenciárias.

Estamos numa prisão sobrelotada, não de reclusos.

Mas sobrelotada de mestres da pintura,

terapeutas, assistentes sociais, terapeutas sociais, psiquiatras.

Eu sou da velha geração.

De quando chamávamos presos aos presos e não reclusos.

Costumávamos bater-lhes com paus.

Tivemos que nos adaptar

aos direitos humanos, a andar com cuidado.

Os reclusos vão de um lado para o outro,

enquanto que eu, estou aqui 14 horas por dia

a tentar resolver as confusões que eles criam.

Vamos ser sinceros.

Isto não é uma escola ou um infantário, é uma jaula humana.

Aqui, prendemos o pior da sociedade. Os maiores filhos da puta.

E se andam à tareia uns com os outros, é lógico que tenhamos problemas.

Que fazes aqui?

Não estavas no pavilhão dos cretinos?

Quem te disse isso? Estou aqui.

Aqui, é que se está bem. Ele está numa espelunca.

-Que se passa? -Como estás?

Culpas o Morcilla?

-Conta. -Não tenho nada para contar.

Onde é que o Morcilla encontrou a arma que usou contra ti?

Não sei. O que aconteceu às minhas coisas?

Não olhes para mim.

Eles vieram roubá-las.

Eu ouvi-te.

Não somos nenhuns ratos.

Aqui estão as tuas coisas, que guardámos para ti.

E limpámos o teu quarto.

Havia imenso molho de tomate.

Por favor, deixe uma mensagem após o sinal.

Quando acabar, pode selecionar mais opções.

Fernando, sou eu. Ainda deves andar a viajar.

Não voltes. A transferência foi um desastre.

O Lunati lixou-nos, ele tentou matar-me.

Esse filho da puta não para, enquanto estivermos no seu caminho.

Tem cuidado, Fernando.

Toma conta da tua família.

E cuida do Lucas, sim?

Manda-me uma mensagem, para ficar mais tranquilo.

Quando era novo, era imparável.

Nem quando fui preso pela primeira vez, me conseguiram parar.

A primeira coisa que fiz foi ir a um curso de carpintaria, com o teu pai.

Eu e o teu pai fizemos um armário do caraças.

Tinha um fundo falso, entrámos e fugimos assim.

Não acredito.

Acredita! O meu pai contou-me. Está na minha casa.

Não sejas nabo, claro que é verdade.

A festa acabou. Toda a gente lá para fora.

Tenho uma reunião privada. Vamos lá.

Vai.

Tu também.

Eu disse privada.

-Também tenho de ir? -Mexe-te! Eu disse privada.

Que raio quer, Lunati?

Como é a vida, Borges.

Por vezes, pensas que tens tudo controlado.

Depois, alguém bem mais esperto aparece e deixa-o desarmado.

Porque raio me estás a ligar?

-Já não saldámos contas? -Talvez.

Estava a ver

umas fotos de uns amigos teus,

para registar

o número de pessoas que já lixaste.

Lembras-te deste?

Diz-te alguma coisa?

Sosa.

Que agora, está hirto no chão.

A casa de campo em Chascomús, ficou num caos.

Terás de dar bom dinheiro a quem te emprestou a casa.

O que interessa, é que Lunita está a salvo.

Comigo.

Como descobriste a transferência?

Sei que estás a pensar nisso.

Eu tenho um pequeno pássaro, que me mantém informado.

É muito próximo de ti.

Então, terei que tratar disso.

Espera, tenho uma chamada.

Olá.

-Sou eu, Palacios. -Miguel, como estás?

Estava a falar com um amigo teu.

As coincidências são inacreditáveis, Marito.

É teu conhecido. Se andares pela prisão, darás com ele.

Devias ouvir a voz dele. Vou colocar em alta voz.

Fala, Miguelito.

Esquece. Vais dar com ele.

Esse sorriso vai durar muito pouco.

Vais ser único a ficar desarmado.

Sim, estou com muito medo.

Vou deixar-te. Preciso de ir à casa de banho.

Estou a borrar-me todo.

Adeus, Lunati.

-Como foi o teu encontro com o Antín? -Previsível.

Falei-lhe das suspeitas que temos acerca da procuração,

e ele falou sobre as técnicas da velha guarda e foi por aí fora.

Ele disse algo sobre a suposta fuga do Sosa?

Nada de útil.

Penso o mesmo que tu,

o gajo saiu para cometer um roubo e nunca mais voltou.

Obrigado.

Se a mulher do Sosa está tão mal como dizes estar,

é provável que ele esteja morto.

Sim.

E quanto ao outro caso?

Hoje, o recluso ferido voltou.

O Pastor Peña.

Mas, foi estranho.

Quando falamos acerca da morte do outro recluso,

ele reagiu como se não soubesse de nada.

Bem.

Devemos falar sobre o que interessa?

Olha para mim, Emma.

Porque não respondes às minhas mensagens?

Porque dissemos que não falaríamos.

Apenas sobre trabalho.

É difícil para mim.

Tenho saudades tuas. Muitas mesmo.

Como estão os teus filhos?

-Queres saber como estão os meus filhos? -Sim.

Bem. Estão bem.

A arranjar problemas, como sempre. Já na escola.

Fico contente.

Se estás assim feliz sozinha...

Posso ir embora se quiseres.

Está a sarar bem.

De qualquer forma, vou limpar isto. É capaz de arder um pouco.

MISTERIOSO ASSASSINATO

Aumente o som, por favor.

Uma semana depois do violento assassinato do advogado Fernando Palacios e esposa,

ASSASSINATO DE PALACIOS

o paradeiro do pequeno Lucas Palacios, sobrinho do casal,

continua um mistério.

A família das vítimas está na morgue para verificar

se o corpo encontrado na margem do rio Soldati, corresponde à criança.

O que está a dizer, a miúda?

Dá espaço.

-Dança. -Que estás a fazer?

-Que se passa? -Porque não te vais foder?

-Não estou para brincadeiras. -Não sou qualquer um, sou o teu salvador.

Deves adorar contar a história.

Vá lá, sorri.

-Qual é o teu problema? -Estás a falar comigo?

Sim. Vou foder-te.

Estás a tentar ser um espertalhão? Vamos ver o que vales.

Dá-lhe, filho da puta.

Por favor, parem!

Parem!

Que se passa aqui?

Não vale a pena, parem.

Quem é que não vale a pena? Eu?

Defendes um gajo, que me está a irritar,

como se fosses o seu representante.

Se te juntares a estes idiotas, depois não venhas ter comigo.

Vai-te foder.

Que nabo.

Para.

No final, o Pastor revelou-se um idiota.

Acabou de chegar e já pensa que é uma estrela.

Acho que me enganei em relação a ele.

Defendi-o contra tudo e todos, quando foi a vez dele, nada.

Arriscaste a tua vida por ele, e agora esperas o mesmo dele.

Salvei-lhe a vida, senão aquele idiota estava morto.

E como achas que ele devia retribuir?

Não sei. Sendo...

...mais carinhoso.

Não me tornei maricas.

Mas se lhe batem e eu não faço nada,

então não lhe estou a mostrar carinho.

Para mim, os amigos são como as miúdas.

Gosto daqueles que me ignoram.

Não é a primeira vez, que tens dúvidas acerca do Pastor.

No outro dia, disseste que o viste lutar

e que parecia que ele já tinha tido treino.

E que tens dúvidas sobre o que ele te tinha contado acerca da família.

Sabes o que penso?

Estás a tentar fazer com que eu pense no Pastor.

Estás a fazer com que o Pastor pareça o mau da fita?

Não vais parar até que o diga.

Olha.

Levantaste o assunto

e falaste sobre a tua confiança.

Disseste que te sentiste traído.

Como assim? Eu não disse isso.

Tu é que estás a dizer isso.

Estás a dizer asneiras.

Dava-te jeito que eu pensasse que o Pastor levou os detalhes ao Lunati.

O único que sabia eras tu.

Quanto te pagaram, filho da puta?

Agora sim, estás paranoico.

Agora, estou paranoico?

-Sim. -E antes não estava?

Não, sim, isto tem sido complicado, ultimamente.

É bastante difícil compreender-te.

Tens de perceber que o que se diz aqui, fica aqui.

É segredo profissional.

-Como está a ferida? -Está bem.

Tenho más notícias.

O teu advogado não está em viagem.

Não consegues contactá-lo porque houve um acidente.

Ele e a esposa foram assassinados. Eu ouvi as notícias.

Eras muito próximo dele?

Sim.

Lamento imenso.

É terrível. E agora, não conseguem encontrar o miúdo.

Ele não é filho deles, chama-se Lucas.

Estavam só a tomar conta dele.

Devíamos contactar um defensor oficioso.

A não ser que já tenhas escolhido outro advogado.

Ainda não pensei nisso.

Compreendo.

Temos de o fazer.

Não podes aparecer na audiência com um advogado que não te conhece.

Desculpa.

-Olá. -Olá, Emma.

-Falaste com a mulher do Sosa? -Sim, ela está a caminho.

Tenta convencê-la a apresentar queixa. Dá-lhe o meu número.

Era o que planeava fazer. Depois, digo-te como correu.

Emma, que achas de passar em tua casa para falarmos?

Desculpa.

Para ser sincera, não acho boa ideia.

Olá.

Preciso de falar com a senhora Graciela.

Ela não pode falar agora. Quem fala?

Um amigo da família. É importante, preciso de falar com ela.

Sou a filha da Graciela. É da imprensa?

Não sou jornalista.

Sou o Miguel Palacios, o irmão do Fernando.

Acabei de saber o que aconteceu.

Preciso de saber onde está o meu filho.

Lembraste-te do teu filho um pouco tarde demais, não achas?

Não sei o que tu e o teu irmão fizeram para que isto acontecesse.

Por causa desse filho da puta, perdemos a Betina.

Provavelmente, o teu filho está morto,

se não estiver, vou rezar para que ninguém o encontre.

Em tudo que os irmãos Palacios tocam, torna-se merda.

Pastor.

Estás aí?

Sim, que queres?

-O Mario quer falar contigo. -Diz-lhe que não posso.

-Diz que não consegues encontrar-me. -Não gosto de mentir.

Diz-lhe que me encontraste mas que não posso ir. Estou ocupado.

-A sério? -Sim, a sério.

Diz-lhe o que quiseres. Agora, não posso ir.

Posso confirmar, que o seu marido não está em nenhum hospital.

Na prisão, não há registo de transferência ou doença.

O diretor mentiu-me? O meu marido estará morto?

Não sei. Disseram que ele fugiu.

Tenho falado com os procuradores.

Querem ajudá-la.

Se quiser, precisam de um membro da família

para apresentar queixa e ser mais rápido.

Quanto é que isso me vai custar? Não tenho dinheiro.

Nada. Não se preocupe. Vou colocá-la em contacto com eles.

Ele fugiu com outra mulher.

Ele fugiu com outra mulher.

Acha?

Não.

Não.

O Gustavo nunca me faria isso.

Não.

Foram os anos do meu filho, no sábado.

Se ele tivesse fugido, faria de tudo para vir.

Exatamente.

Preciso de voltar ao trabalho.

Se me autorizar, passarei o seu contacto.

O Gastón Belardo vai contactá-la.

Confio nele. É um bom homem.

Ele fará de tudo para a ajudar.

-Belardo? -Sim.

-Posso ajudá-la em mais alguma coisa? -Não.

-Precisa de dinheiro? -Não, não se preocupe.

Se souber de algo, que possa ajudar a investigação,

por favor, ligue-me.

Não fale disto com ninguém.

Sobre o desaparecimento do seu marido, e que eu tenho informação.

Até breve.

-Tricotei isto para ele. -A sério?

Tricotei isto.

Olhem quem está aqui. A minha prima Adriana.

Como estás?

Bom trabalho em assumir a culpa pela morte do Morcilla.

Bom trabalho. É assim que se faz.

Porque que me queria ver?

Preciso de sair.

Preciso de resolver algo. Volto em 24 horas. Tem a minha palavra.

Sair da prisão?

Sim.

A bala afetou-te a cabeça?

Pensas que podes sair assim?

-Diz-me, porque precisas de sair? -Preciso de fazer um ajuste de contas.

Tens de matar alguém?

Sim.

Onde vais?

Não toques.

Deixa as vitaminas, são minhas.

A sério, isto é para mim?

Ganhaste-a por me teres ajudado.

No fim,

podes sempre confiar no teu sangue.

Viste? O Diosito sabe.

O Diosito sabe.

Se tivesses confiado em mim de início, teríamos o dinheiro de volta.

Cresce, idiota.

Pare, não mate o mensageiro. Por favor.

Que se passa?

O Pastor disse que não pode vir. Está ocupado.

Tudo bem.

Ele tem uma vida social importante.

-Este é o teu amigo. -O meu amigo, o tanas.

Ele está a ficar demasiado confortável.

Tu abres a porta,

abres o coração e é assim que te pagam.

Agora, nem na minha sombra confio. Só confio no nosso sangue.

Obrigado.

-Mensageiro, o tanas. -Cabrão, toma isto.

Eu disse-te para teres calma com as vitaminas. Cospe isso.

Avaliaste o risco

de me vir ver sem intermediário?

Não quero um intermediário, isto é importante.

Prefiro falar diretamente consigo.

Olha.

Na natureza,

os abutres sabem intuitivamente

que o animal vai morrer, antes do próprio animal.

Antes do leão, sabem que o leão vai morrer.

Começam a pairar.

Tal como as hienas, também sentem isso.

Esperam pacientemente, e quando o leão morre

são as primeiras a atacar e fazem um banquete.

Aqueles com bastante experiência de prisão

sabem que na vida de penitenciária, o ciclo repete-se.

Leões, hienas e abutres vêm e vão.

O que quero dizer é que adoro o Borges,

mas o seu ciclo chegou ao fim.

Ou seja, vou ajudar-te,

deixo-te sair durante 24 horas para fazeres o que precisas,

e ajudas-me a iniciar o final de ciclo do Borges.

Tudo bem?

Sim.

-Como estás, querido. -Aqui, a lutar.

-Sim? -Sim.

-E o Diosito? -Vai-se aguentando.

Como estás?

Tenho o pescoço tenso, que me está a deixar louca.

Ouve-me. Que raio aconteceu ao Lunati?

Tanto tempo perdido, e no final, ele fode-nos.

O que disse ao telefone, Gladys.

Não tenho mais notícias. Não sei mais nada.

Vais deixar isso assim? Eles estão a enganar-te!

Para. Para com isso.

Para já.

Não vês que eles não me respeitam, aqui?

Vou dar-te um murro.

Dá-me a tarte.

Esta aqui não me quer revelar o segredo da marmelada.

Que estás a dizer? Eu digo-te, passo a passo.

-Nunca funciona. -Nunca funciona.

Estava com a minha prima no bar, mas ela ainda não chegou.

Que prima? Adriana?

-Que fazia ela no bar? -Como vou eu saber?

Mas o Sosa não está aqui. Porque será que cá veio?

Como assim, o Sosa não está cá?

-Fizeste-lhe alguma coisa? -Para.

Sosa desapareceu. Saiu para um negócio, mas não voltou.

Coitada, ela fica sozinha com os miúdos.

Vou dar-te algum dinheiro para lhe dares, a ver se fica calada.

Diz-lhe que garantimos que terá tudo o que precisa,

tal como os miúdos. Vamos tratar disso.

Vou pedir-te uma coisa.

Não digas nada. Nem tu, nem ela. São duas tagarelas.

Quero que guardem este segredo.

-Ouviste-me? -Sim.

-Ouviste-me? -Sim, ouvi-te.

Pastor. Toma. O Borges manda-te isto.

Para que tenhas isso em conta.

É a lista das mercadorias que chegaram hoje.

O Mario diz que é uma forma de pagamento. Um depósito para o vosso acordo.

Toma a chave do armazém.

Diz-me se precisares de ajuda. Eu ajudava sempre o Morcilla.

Posso dizer-te quem te vai pagar logo e quem te vai roubar.

Não preciso de nada, obrigado.

Que estás a fazer?

Não é para ti.

César.

Como estás? Tudo bem?

-O que se passa? -Está tudo em ordem.

Prova. É tão bom.

O que estás a fazer com essa chave?

É a chave do armazém.

Olha para ti.

Não faças como o gordo. Dá-nos um desconto.

O que estás a fazer? Ele é um amigo.

Aqui está.

Quando alguém junta mais do que precisa,

outros recebem menos do que merecem. Partilha.

Qual é a tua ideia? Estás com febre?

Só peço que sejas justo com todos no pátio.

Isto é um truque?

Não.

O que está lá é meu.

Vai apodrecer.

Que apodreça.

Vá lá. Estamos ansiosos para saber.

A abstinência está a matar-nos.

Aqui está!

Temos de fazer um certo controlo de qualidade.

Passou. Nada de especial.

Boa. Assim não levas tudo e podemos partilhar.

Queres levar tudo.

O teu irmão?

Está com a esposa. Que se passa?

Está haver luta. Os tipos do Sub-21 estão a partilhar as nossas coisas.

As mercadorias?

Devem ter arrebentado o armazém, como fizeram com o Morcilla.

Rafeiros de merda.

-Eu trato disto. -Para.

Vamos falar primeiro com o Mario.

Ele está ocupado, não ouviste?

Partilhem.

Partilhem, palermas.

-Para ti, toma. -Obrigado.

Toma, o pátio é nosso. Não voltes.

O que se passa? Querias coisas de graça?

Então? A tareia na casa de banho não chegou?

Venho para acabar contigo.

O que estão a fazer?

Dá-lhe, vá lá.

Vá lá, aqui.

Vá lá, levanta-te.

Com a minha família não, cabrão.

A prisão é minha, filho da puta.

No chão.

No chão, seus merdas.

Para baixo. Cabeça para baixo.

Vamos.

Filho da puta.

Cabeça para baixo, vamos.

A prisão é minha, não sabias?

Cabeça para baixo, Borges.

-Temos de lhe arranjar uma ambulância. -Não me lixes o juízo.

Digo-te. Ele tem um golpe profundo, vai morrer aqui mesmo.

Que merda de dia.

Já não sofria um golpe destes desde os anos 90. Que época de merda.

Como se não fosse suficiente o que aturamos dos procuradores

que não me deixam em paz.

Vocês provocam uma luta descomunal, com fogo e tudo.

-Foi uma pequena chama, mais nada. -Cala-te, idiota.

Que se passa? Estás velho?

Já nem consegues controlar a tua própria gente?

Não posso permitir que me roubem.

As mercadorias eram do Peña, ele partilhou-as com o pessoal do pátio.

E tinhas que te meter na confusão.

Mesmo lá no meio.

E obrigaste-me a tomar medidas drásticas.

-Podemos falar a sós? -Tudo bem, como queiras.

Para de tentares abusar de mim.

-Conheces Os Flintstones, Colombia? -Não.

Não passavam na tua zona?

Voltas a gritar comigo, em frente à minha gente,

e provoco tamanha confusão que não sobra um único recluso vivo.

-Estás a ameaçar-me? -Sim, estou.

Queres que te mande isso numa carta, por escrito?

Porque não me lambes os tomates?

Porque não te pões no meu lugar?

Já tenho muito com que me preocupar.

No teu lugar, nem me preocupava. O meu negócio é noutra área.

Vamos acabar com isto, está bem?

Amigos como sempre.

Se te quiseres exibir, grita com a tua gente.

Vá lá.

Entra.

Senta-te aqui.

Chamei-te para esclarecer umas coisas.

Claro.

Já trabalho aqui há muito tempo.

Já conheci todo o tipo de reclusos.

Culpados, inocentes.

Gente que se arrepende do que fez, gente que não se arrepende.

Tenho imensa experiência, mesmo assim subestimas-me.

Eu não te subestimo.

Só de olhar, sei que escondes algo.

Não sei do que falas.

Esta situação do advogado, afeta-te mais do que é normal.

O que seria normal?

Tens mais informação do que dizes ter.

Lembra-te que a vida de um miúdo está em risco.

Se sabes de algo, fala.

Não sei do que falas.

Usaste o meu computador.

Eu vi o histórico.

Vi que procuraste informação sobre os familiares da mulher assassinada.

Para quê?

Podes confiar em mim.

Tudo o que disseres, ficará entre nós.

-Prometo. -Não.

Ouve.

Prometo que tudo o que disseres, ficará entre nós.

Posso ajudar-te. A sério.

Vamos, meninas. Para a enfermaria.

Claro. Primeiro os mais importantes e depois nós.

Que se foda.

Lambam-me os tomates. Fiquem aqui se quiserem.

Tudo bem, então.

Deixa-nos, estamos bem assim.

-Desaparece, vá. -Como queiram.

Quem pensam que somos?

Rio-me de ti. Olhem como bateram. Não tenho nada.

Grande confusão. Estão todos bem?

Sim, estou bem.

Apanhaste algumas coisas.

Vi que agarraste umas coisas.

Não, mas...

Não tenho nada a ver com os gajos.

Aproveitei-me da confusão, só isso.

Claro.

A sério.

Não sou ninguém.

Os miúdos envolvem-me cada vez menos nos negócios.

Agora, o pátio está uma confusão. Antes, com o Morcilla,

estávamos melhor.

Agora, há o Pastor.

Sim, o Pastor é um bom tipo, é meu amigo.

Mas ultimamente tem andado distraído.

Parece que está noutro lugar.

Não sei o que se passa com ele.

Os miúdos não são estúpidos.

Eles notam isso e aproveitam.

Eu podia colaborar com o Pastor, no que estiver a falhar.

Por respeito a ti e ao teu irmão.

Estás a mudar de bando?

Porque me estás a lixar o juízo? Estou apenas a conversar.

Queres mais problemas?

Queres voltar à enfermaria?

A tua mãe quer.

Queres que te mate?

Para. Só estávamos a conversar.

-O que se passa? -Ele está a acusar-me de ser um traidor

por estar a conversar.

-Ele está a sussurrar ao Borges. -Eu também falo com o Borges.

Mas esse gajo é uma prostituta.

-Compra uma cama e deixa-o ir-te ao cu. -Para.

Posso estar onde quiser.

Que se passa? Parem com isso.

Cala-te.

Volta para a tua espelunca, rafeiro.

O que tu vês aqui?

O mesmo que vejo todos os dias.

Um pedaço de merda. Cheio de gente, todos apertados.

Não podes viver assim.

Não, eu sei.

Mas o Borges tomou conta de tudo.

Da comida, dos cigarros.

Não temos alternativa a não ser aguentar. Como hoje.

Já estive preso muitas vezes.

Antes, por umas moedas, tinhas uma cama e um colchão.

Mas estes filhos da mãe não aceitam nada. Querem ficar com tudo.

A culpa está lá em cima.

E não me refiro a Deus.

E se te disser que aquele lá de cima está farto dos privilégios?

Como?

Se vocês se organizarem e pararem de ser idiotas,

e se passarem a mensagem que são um gangue real

que se aguenta e que tem a espelunca toda a apoiar,

conseguem acabar com o pátio.

Mas precisam de ser convincentes.

Por isso dei-vos o armazém para partilharem.

Tens de ser esperto.

Entendes?

Quem és tu,

para ires ao pátio da minha prisão

dar mercadorias aos Sub-21?

Sem permissão.

Quem pensas que és?

Estás a escutar o quê? Sai.

-Tenho de acabar. -Sai, depois acabas.

Aqui, são todos rebeldes.

Então, Peña.

Muito bem.

Não sei se a sua ideia era fazer de Robin dos Bosques, mas eles engoliram.

Assim fico com margem de manobra.

Boa, Peña.

Onde raio está a pomada para as varizes da minha mulher.

Aqui está.

Ela gosta mais disto do que chocolate.

O Borges deve estar nervoso.

Cuidado. Se o pressionar demasiado, ele pode se passar.

Não, porque vais mantê-lo sobre controlo.

E mais, nomeio-te como meu associado.

E dou-te resposta positiva para a autorização que me pediste.

-Sabes do que falo? -Não.

Temos de combinar os detalhes, para que depois não te acobardes.

Não sei do que fala.

Pediste-me autorização para sair da prisão por um dia.

Concedo-te a autorização. E arranjo-te o que precisares.

Para que possas sair e matar quem tens de matar.

ESTA É UMA OBRA DE FICÇÃO. QUALQUER SEMELHANÇA COM EVENTOS

PERSONAGENS, NOMES E/OU CIRCUNSTÂNCIAS REAIS É PURA COINCIDÊNCIA.

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